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Original subtitles

As manifestações continuam em todo o país

para exigir a libertação dos líderes do movimento de independência

um ano após a prisão deles.

Todos são acusados de sedição e rebelião

por organizarem o que o Estado considera o referendo ilegal do dia um de Outubro

e enfrentam penas de até 25 anos.

Os advogados declararam que os detidos não estão presos pelos crimes em questão,

mas que estão sendo punidos e perseguidos por suas opiniões políticas.

Além dos nove detidos, sete pessoas estão no exílio.

Quanto custa?

- O assassino conhecido como... - É 1,75, por favor.

O Decapitador de Hostafrancs, voltou.

-Trabalhadores encontraram restos humanos, -Pode ficar com o troco.

Em uma lixeira no bairro de Hostafrancs.

Enquanto se aguarda o resultado da autópsia,

a investigação sugere que são os restos...

Boa sorte.

Marina!

- Querido, está esperando há muito tempo? - Não, imagina.

As ruas serão sempre nossas!

- Isso me lembra o dia que nos conhecemos. - É verdade.

Podemos ir? O meu carro está na zona azul e é muito caro.

- Sim. - E também não quero chegar atrasado.

Que bom que vou conhecer os seus amigos da vida toda.

Sim!

A propósito...

- Sobre esse assunto. - O que foi?

Não é nada demais. Bom, nem sei como dizer isso.

Mas se por acaso o assunto de quando nos conhecemos surgir...

É óbvio que vão nos perguntar.

É por isso, se eles perguntarem, eu diria que nos conhecemos outro dia,

em um outro lugar, como um bar e pronto.

- Por quê? - Na verdade, como eu já te falei,

eles são pessoas muito simpáticas, mas são um pouco chatos com certas coisas.

Especialmente questões políticas.

Nesse sentido, eles não são como nós.

Quer dizer que eles não são independentes?

Sim, é isso mesmo. Ainda não.

Acho que estão perto e no caminho certo.

- Como assim? - Eles estão se esforçando.

Desde que sejam democratas, não há problema.

Claro que são. Quero dizer, são superdemocratas.

Mas é melhor não falar de política. Hoje não, querida.

Estamos saturados com tanta política.

Mas já falamos sobre isso, nós humanos somos animais políticos.

- Não podemos ficar alheios. - Claro.

Somos animais políticos, quer queiramos ou não.

Sim, com certeza. Eu penso exatamente o mesmo.

É mais uma questão de cansaço.

Quando você os conhecer, vai entender.

Eles são muito cansativos nestas questões.

Gostam de argumentar e não param de falar.

E hoje gostaria de fazer uma pausa e desfrutar de uma noite...

Bom, com a minha namorada, os meus amigos,

para simplesmente nos divertirmos e aproveitarmos o momento.

A minha namorada?

Sim, não é?

Nossa, agora você me deixou muito animada. Venha aqui.

- E a sua fita? - O quê?

A fita amarela, você não está usando.

É verdade, não está comigo. Merda, devo tê-la deixado cair aqui.

Mas que droga!

Por sorte eu sempre trago várias na bolsa.

Elas são tão pequenas, é uma droga! Se perdem facilmente.

Não entendo, sempre levo algumas comigo.

Você sempre dá a quem passa por você, por isso não tem mais.

- Vamos indo. Esse calor está infernal. - Sim.

Acho que estamos perto, não é?

- Olhe, é aqui, número sete. - Há uma vaga ali.

Muito bom.

E os seus amigos ainda não chegaram?

Eles não estão aqui?

É inacreditável, eles sempre se atrasam.

- Você passou o endereço certo? - Claro que sim.

Eu mandei a localização exata pelo WhatsApp.

Não é possível, esses dois nunca chegam no horário.

Que horas você marcou?

Às 20h15.

Então nós é que estamos atrasados, porque já são 20h45.

Exato, eu posso chegar atrasado, mas eles ganham sempre.

Se atrasou de propósito?

Estou farto de que eles se atrasem.

Por isso sempre marco mais cedo, para não ter que esperar.

E veja só, nem assim.

E você nunca falou isso para eles?

O quê?

Que está farto deles chegarem tarde.

Mas isso nem precisaria ser dito. Se eles chegassem no horário...

Sim, mas se você não deixa claro, querido...

Claro que sim. Eu sempre deixo claro.

Acabou de dizer que não fala.

Sim, eu digo do meu jeito, sem criar constrangimento.

Veja, eu falo com atitude.

- É mesmo? - Sim, e posso afirmar que eles entendem.

Mas eles fingem que não compreendem.

Como se fossem estrelas de cinema. Como um diretor ou atriz famosa.

Nossa, superfamosos. Ainda não vi nenhum filme deles.

Me desculpe, me corrigindo. Eu vi o último.

Aquela porcaria que vimos no Verdi,

mas só porque você me obrigou, eu não entendi nada.

Nem você nem, nem ninguém.

São filmes de produção independente para festivais.

Não são para consumo, são para ganhar prêmios.

Quanto menos compreendido, melhor.

Mas não se preocupe, querida no fundo eles são pessoas boas.

E são muito inteligentes, você vai ver.

Como eu disse, eles são simpáticos.

- É mesmo? - Exatamente.

- E pessoas do bem. - Simpáticos e do bem?

- Isso mesmo. - Você que é gente boa, venha aqui.

- Aonde você quer que eu vá? - Venha logo.

Mas eles podem chegar.

Vamos aproveitar o máximo.

- Não, foi sem querer. - Caramba!

- Você está bem? - É só um pouco de dor na virilha.

Olá!

Os vidros estão embaçando!

Você é um porco!

Que bom que chegaram.

Mas já queremos ir embora, que merda de lugar é esse?

Viky, querida! Como você está?

- Está linda como sempre! - Você é um exagerado.

Caramba!

Podia pelo menos pedir desculpa, não é?

- É ela? - Sim!

Finalmente, você deve ser a Marina, certo?

Esse cara te escondia tanto, que comecei a pensar que era imaginária.

Do que você está falando, cara?

Bom, apresento a vocês a Marina!

Marina, fale com eles.

Agora eu sou uma foca no zoológico?

Que divertida!

Por favor, querida, cumprimente-os.

Quero dizer, se cumprimentem entre si.

- Sim, claro. Eu sou o Rai. - Como vai?

- Um prazer. - Eu sou a Viky.

- Oi, me chamo Marina. - Maria?

- Não, Marina! - Claro, entendi.

Perfeito, todos estão apresentados e apresentadas.

Sim!

Podemos ir? Já passou um pouco da hora.

Mas é aqui?

- Não tem nada aqui. - É aqui mesmo.

Por fora é decepcionante, mas vocês vão ver como será divertido.

Que emocionante!

- Uma pergunta antes de mais nada. - Pode falar.

Por que vocês se atrasaram 36 minutos?

Caramba, você contou?

Não, sabe o que aconteceu?

No último momento, Gilda e Nico tiveram uma discussão.

- Sim! - Um grande drama!

Vão entender quando tiverem um filho.

Eu tenho uma filha de nove anos.

É mesmo?

Sim!

E quando ela nasceu?

Há nove anos.

Ela não está se referindo à idade. Mas, depois falaremos melhor disso.

É melhor entrarmos agora ou perderemos toda a diversão.

Estou realmente muito curioso, todo mundo está falando disso.

Você vai adorar, porque tem o perfil de jogador ideal.

Bom, eu estou um pouco nervosa.

No mínimo deviam se desculpar, não acham?

- O quê? - Um pedido de desculpas pelo atraso.

Vamos nos concentrar, que isso é muito pontual.

Sabem qual é a verdade?

Estávamos há mais de meia hora esperando vocês aqui.

- Bom, eu não sei... - O Edu já está acostumado com isso.

Mas vocês não me conhecem.

E esperar é algo que não suporto.

Digo isso porque sou muito sincera.

E se acontecer de novo, vocês não vão me ver nunca mais.

Entenderam?

É só isso.

Tudo bem, não se preocupe.

- Gostei muito da sua namorada. - Companheira.

- Namorada! - Sim, exatamente.

Você está certa, as verdades precisam ser ditas.

As coisas têm que ser respeitadas.

Muito bem, Maria.

- Marina! - Foi o que eu quis dizer.

Nós fazemos isso sempre. Dizemos tudo um ao outro.

Mesmo que não gostemos, é o único jeito de uma relação funcionar.

Realmente a única.

Você conseguiu um bom partido, não é mesmo?

Não sei o que fez, mas está de parabéns!

- Eu não apostaria nada em você. - Bom, acho que é apenas coincidência.

- Não sei, tive sorte. - Nada disso, você se esforçou muito.

- Não acredite nisso... - Vocês formam uma boa equipe.

Sim, eu me esforcei muito também.

Eu ainda não ouvi um pedido de desculpas.

Nossa, como ela é exigente, não é?

Ela não deixa passar nada mesmo.

Marina, eu não sei...

Aceite as minhas sinceras desculpas.

Isso não voltará a acontecer. Não é mesmo, querida?

Claro, pedimos desculpas, Marina.

Me desculpe.

Excelente, problema resolvido.

Tudo indica que é aqui, mas ninguém abre.

E eles são normalmente muito pontuais.

É melhor que sejam, senão a Marina vai ficar chateada.

- Será que eu toco a campainha? - Claro, faça isso.

Tem certeza de que é aqui?

Sim, eles me enviaram a confirmação e não tenho dúvidas que é aqui.

Esperem um pouco.

Não foi aqui que encontraram um corpo em uma lixeira?

- O quê? - Não, isso foi em Barcelona.

Encontraram um cara apodrecendo dentro de um porta-malas.

Não, querida, eu estou falando de outra coisa.

Encontraram um corpo decapitado, dentro de uma lixeira aqui em Hostafrancs.

- Não me diga, e a cabeça? - Ainda estão procurando.

Estão chamando de o decapitado de Hostafrancs.

Não me diga, que merda.

É muito sério.

É a terceira vez que encontram restos humanos espalhados por todo o lado

e todos pertencem a pessoas diferentes.

Eu não sabia disso, não são do mesmo cara?

- Não! - Caralho!

- Assustador, não é? - Sim e muito.

Eles cortam os corpos com muita precisão,

como se fosse uma guilhotina ou algo do tipo.

Que horror isso!

O que acham de esquecermos isso e irmos jantar?

Vamos jantar?

Conheço um lugar, é um pouco longe, mas fazem um carbonara que vão amar!

- Você não tem nada na cabeça, não é? - Não, eu só estou com fome.

Marina, é normal, não é?

Hoje encontraram um pé e uma perna na lata de lixo na Praça de Sants.

É no mínimo assustador.

Sou estou dizendo que ele está se cagando de medo.

Bom, eu não entendo...

Escute, o que você faz da vida?

Ela é professora.

- É mesmo? - Sim!

E em que colégio?

Não, na Universidade de Barcelona.

Ela tem mestrado e tudo, de Havard.

Lá eles não dão de graça como em Juan Carlos I.

Você é o representante dela agora? Deixa-a falar.

Perdão.

Diga, Marina, você ensina o quê?

Engenharia matemática avançada.

Meu Deus!

Como você fez isso?

Passou quatro anos solteiro e abandonado.

E agora aparece com esse gênio, que é além de bonita e sensual,

é superinteligente.

Mas o que você fez? Eu me curvo aos seus pés.

O que está fazendo, cara? Levante-se, está me envergonhando.

Me conte esse segredo!

Espere, não sei se eu entendi direito.

Você está surpreso não só por uma mulher ser bonita e inteligente ao mesmo tempo,

mas o que te surpreende ainda mais é que seu amigo esteja com ela?

É isso mesmo? Eu entendi corretamente?

Nossa, me desculpe.

Eu só estava elogiando vocês dois.

Os dois?

Não sei se entende,

mas não aceitamos imposições linguísticas de uma sociedade machista.

Estamos fartos da ditadura do patriarcado linguístico.

Isso mesmo.

Fartos e cansados desses mesmos temas...

Tudo bem, me desculpem, não era a minha intenção.

Não pensem que sou um merda de sexista, porque não sou.

- Pelo contrário, sou super feminista. - É verdade.

- Não é verdade, meu amor? - Eu jamais estaria com um machista.

É um assunto que me preocupa muito, o papel das mulheres na ficção.

Trabalho com as personagens femininas. Sempre foco nesses tipos de tema.

Não sei se já viram algum dos meus filmes.

Não!

Vamos ficar atentos já devem estar prestes a abrir.

Esse não é o momento de ficar discutindo sobre filmes.

Eu ainda não vi todos, mas o último sim.

- Sério? - Sim.

E então?

O que você achou?

Quer uma análise honesta?

- O mais sincera possível. - Não a provoque.

Porque quando ela critica, faz isso como ninguém.

E é uma avaliação extremamente exigente.

Cara, fique tranquilo. Sou um homem crescido.

Eu gosto de críticas sinceras.

- Vamos, pode mandar. - Você que sabe então.

Em geral achei muito fraco e bastante pretensioso. Mas tudo bem.

O pior foi o retrato das mulheres. Francamente, não pude acreditar.

A única personagem feminina de todo o filme que não é histérica,

neurótica, arrogante, mal-fodida, é a cachorrinha da personagem principal.

E o final é incompreensível. Inacreditável.

Porra! Abriu.

Abriu sozinha? Não tem ninguém aqui.

Não sei, talvez estivesse emperrada.

Finalmente.

Como demorou, não foi?

Então, vocês vêm ou vou sozinha?

Claro que vamos.

Venha, Viky, você primeiro.

- Fique à vontade. - Que escuro!

Sim, dá um pouco de medo.

Meu amor, você não vem?

Sim, já vou.

Quanta pressa, Deus me livre.

Que túnel longo, não é?

Tem certeza de que não é o metrô?

Tipo uma estação fantasma?

Tem uma porta no final do túnel.

Vamos todos juntos, certo?

Já começamos a jogar?

Não, antes sempre tem alguém para dar as boas-vindas

e explicar como tudo funciona, essa pessoa é conhecida como anfitrião.

- Sim. - É verdade.

E se quisermos sair? E se alguém ficar claustrofóbico?

Não se preocupe, há sempre um botão de pânico.

É só apertar e pedi para sair. É tudo muito bem pensado.

E se quisermos fazer xixi?

Depende, algumas salas têm privada e outras não.

- Está com vontade de mijar? - Não, agora não.

Que porta estranha.

Ela é blindada.

É feita de ferro.

Deixe-me te ajudar.

Conseguiu?

- Não consigo, me ajude, amor. - Me desculpe, querida.

- Não está abrindo. - É muito pesada.

Três, dois, um!

Agora!

A porta fechou sozinha!

Deve ser hermética.

Não se preocupem, eles provocam sustos para definir o clima do jogo.

Está funcionando muito bem.

Estamos em um trem, vejam.

Auschwitz, 1941.

Bem-vindos a minha humilde residência.

Vou me apresentar.

Meu nome é Dr. Mengele e eu trabalho para a SS.

Dr. Mengele é um louco...

Vocês estão prestes a descobrir todos os meus segredos.

Mas tenham cuidado!

Se não tiverem conseguido sair dentro de uma hora,

vocês vão se tornar pacientes para os meus experimentos.

E vocês não vão gostar muito.

O meu último paciente não se saiu muito bem, como podem ver.

Mas esse cara é muito ruim.

É disso que se trata. Criar mal-estar entre os jogadores.

Não, como ator, ele é horrível.

É um insulto.

Pensam que é só dizer umas bobagens na frente de uma câmera

e pronto, já se torna um ator.

Os atores conhecidos não podem fazer isso ou não seria assustador.

É feito pelas mesmas pessoas que criaram a fuga.

Como gostam de criticar.

Se esse cara é para me assustar, estamos ferrados.

Podem para de discutir e prestar um pouco de atenção?

Caramba, é ao vivo. Pensei que estava gravado.

Me desculpe, cara. Pode continuar, você está indo muito bem.

Cala a boca.

Como eu estava dizendo, vocês só têm uma hora para sair daqui.

E se não conseguirem, encontrarão uma morte cruel.

A propósito, vocês vão ver coisas marcadas com uma suástica.

Isso significa que vocês não podem tocar nelas!

E se desobedecerem serão jogados aos cães!

Não se esqueçam que vocês só têm uma hora.

Que droga! Já começou a contagem.

Cara e garotas!

- E o que fazemos agora? - Não sei!

Teremos de sair deste vagão rápido, não é verdade?

Vamos pensar nisso!

Olhem, ali tem umas lanternas!

Aqui está. Peguem todas elas.

- Estão funcionando? - Sim!

Ótimo.

Vamos ver.

Vejam, aqui tem uma porta.

Me ajude, Rai. Está muito difícil.

Tem uma porta aqui também.

Sério?

Abram!

O que devemos fazer agora?

Não sei, acho que primeiro devemos encontrar o interruptor de luz.

Fique de olho na escada.

Caramba, isso é assustador!

Quer dizer, é um bom cenário, não é?

Talvez até um pouco demais.

- Está sentindo esse cheiro terrível. - Sim!

Reparei nisso quando entrei. É um cheiro esquisito.

É como uma mistura de humidade ou...

Formol misturado com outra coisa.

De carne em putrefação.

Não, acho que é do local.

Devia ser algum tipo de açougue, ou algo assim.

Mas não é tão ruim assim, não?

Que loucura!

Caramba!

Parecem de verdade.

Me desculpe, eu não consegui evitar.

Você está louco? Eu poderia ter tido um infarto.

Foi hilário, querido!

- Que exagero! - Porra, eu tenho problemas de saúde.

Tenho sopro no coração.

Pessoal, aquilo parece um disjuntor de energia, não?

Vamos ver. Sim, deve ser isso, Viky.

- É só puxar a alavanca para cima? - Sim, isso mesmo.

Espero não ser eletrocutada!

- Não está funcionando. - Por que não? Não entendo.

Afaste-se, deixe-me tentar!

Não funciona mesmo.

Devem ser os fusíveis, espera.

É só apertar um pouco mais.

Meninas, tem um cano que sai do interruptor e passa por aqui.

Até onde isso vai?

Tem alguns fios aqui.

Edu?

- A sua namorada é gente boa, certo? - Claro!

- Ela é simpática. - Sim.

Mas não é um pouco estranho ela nos tratar a nós no feminino?

Sim, é um pouco difícil, mas, depois que você se acostuma,

não vai nem mais perceber.

- Meninas! - Está vendo?

Os fios vão até este relógio.

Significa que o interruptor e o relógio estão interligados.

Vejam, o que tem aqui, um telefone!

Oi, alô?

Não é um telefone. É uma lanterna azul. Que idiota!

- São de raios ultravioletas? - Sim, eu sei. São para bronzeamento.

Sim, entre outras coisas.

Olhe, o que o efeito da luz está fazendo. Tem algumas letras.

Vamos ver.

Die lichter sind um sieben aktiviert.

Acho que deve ser uma pista. Alguém fala alemão?

- Sim, eu! - Você?

Eu tive que aprender para o meu papel em El cor de la ciutat.

Mas isso foi há muito tempo, certo?

Não, linda, não muito.

Sim, faz muito tempo sim. Mas eu adorei, Viky, foi ótimo.

- E qual foi o seu papel? - Estudante alemã que vivia em Erasmus.

Aprendeu alemão apenas para alguns capítulos?

Não, algumas noções básicas.

Quatro truques de pronúncia, um pouco de estrutura.

O alemão é muito fácil.

Que sorte a nossa. E o que é que diz aqui?

Vamos ver. Esperem um minuto, também não sou filóloga.

- Companheiras... - Me desculpe, Marina, se você me permite.

Bom.

"Die" significa "dia", certamente.

Tem certeza? Pois em inglês significa "morrer."

Não, "Die" significa "dia".

E "lichster" significa "claro" ou "brilhante."

Portanto, "die lichster" significa "dia claro."

Muito bem.

Este "sieben" muda tudo.

O alemão e as preposições são uma merda.

- Meninas, me desculpem. - Marina, posso terminar?

Obrigada!

E "sind"...

- Que droga, não estou lembrando. - E "aktivier", a última palavra?

Não tenho ideia.

Deve estar em desuso, isso pode acontecer. E eu também não cheguei tão longe.

- Sim, eu acho que ela tem razão. - É mesmo?

Sim, é claro que não chegou tão longe, porque aqui diz:

"As luzes são ativadas às 7h."

Claro, e você sabe alemão, não é?

Eu não, mas o Google Tradutor sabe.

E vamos confiar nisso?

Não se pode esperar que todos saibam alemão.

Que bacana!

Tudo o que temos de fazer é colocar os ponteiros em 7h,

depois ligar o interruptor e as luzes vão acender.

Exato!

Claro que não! Este jogo é malfeito, nada funciona aqui.

Que se foda, não podem nos manter no escuro a noite toda.

Esperem!

Tente agora, Viky.

Como você fez isso?

Muito fácil, atrasei o relógio uma hora, para às 6h.

Por causa do fuso horário.

Mas aqui é a mesma hora que na Alemanha.

Mas isso é agora, costumávamos seguira hora de Londres.

Foi Franco que a mudou para ir ao mesmo horário que Hitler.

- É verdade, foi o Franco! - Mas isso não aconteceu até 1942

e no vídeo de apresentação dizia que estávamos em 1941.

Por isso, mudei a hora para às 6h e vejam, funcionou.

Essa mulher é um gênio! Eu falei para vocês, ela é incrível.

Sim, eu não percebi nada, mas parabéns!

Muito bem, Marina. Também pensei sobre o fuso horário.

Mas imaginei: "Eles não vão tão longe."

Certo, aqui vamos nós.

Olhem, tem um cofre ali.

Teremos de abrir de algum jeito.

Tem uma combinação, não tem?

O armário também tem um cadeado com combinação, mas são letras.

Aqui também tem um cadeado, mas é de uma chave pequena.

E aqui está uma tabela periódica. Vamos usá-la em algum momento, amigos.

E amigas.

Como são bonitas estas salas de fuga, como trabalharam arduamente.

Esses nerds podem parecer bobões, mas nada mal.

Não podemos tocar nisso!

Mengele disse que se houver uma suástica, não podemos tocar.

Vamos respeitar as pequenas coisas, certo?

Que se dane o Mengele, não é?

Mas, há câmaras aqui. Ele está nos observando.

- Não me diga! - Claro, está cheio, vejam.

E depois o que farão com as imagens?

Eu sei lá.

Que fedor!

Aqui eles gastaram, tenho certeza.

Mas homem, o que disse Mengele?

Esse cara é uma mentira.

Nas minhas primeiras experiências fiz um filme de zumbis

onde os bonecos não eram muito melhores do que estes.

Quer parar de tocar em tudo?

O tempo está voando. Não ouviu o Mengele?

Filmamos durante 15 dias em uma caverna de merda.

Com todos os figurantes que faziam zumbis, com menos quatro graus de temperatura.

Já sei o que vai dizer: "Peguei uma pneumonia e quase morri."

- Você também fez papel de zumbi? - Está se referindo aos mortos-vivos?

Não, os zumbis não chegavam nem perto de mim.

Diria que perdi esta pérola.

Este filme já tem muitos anos.

Vem do meu período mais rudimentar,

antes de eu ter evoluído para um cinema mais...

Mais o quê?

Não sei como dizer para não parecer pretensioso,

mas digamos que agora me interesso por outros temas.

Algo mais pessoal, mais profundo.

O épico emocional, para o dizer de forma simples.

Caramba!

Você vai até o limite, não?

E a influência de Viky nesta evolução tem sido fundamental.

Tudo bem, mas o relógio continua contando.

Vocês não perceberam?

Venham, vejam isso! Eu tive uma ideia.

Sim, encaixa perfeitamente com a tabela periódica.

- Muito bem, querido. - Os elementos que ficaram expostos foram:

Be, Ti, Mo, Fe, Co, Ir, Si, Po, Lu.

O que diabos é isso?

Não sei. "Betimofecoirsipolu", não faço ideia.

"Sipolu".

Talvez seja um idioma inventado que tenhamos de decifrar.

Porra, que preguiça!

Esperem.

- Viky? - O que foi?

- Este cadeado não tem letras? - Sim.

Tente colocar o que vou dizer, veja:

- Coloque "NAZ". - Calma, não vá tão rápido.

Não fale tão rápido, é difícil para ela.

Certo, primeira letra.

- É o "N". - Isso, o "N".

- Sim! - "A".

Letra "A".

- Continue. - "Z".

Letra "Z".

Não, esse é o "S", está do outro lado.

É isso. Pronto.

- E o "I". - Letra "I".

- É só isso mesmo? - Sim, nazi.

Nazi! Meu Deus, abriu!

Caralho, Marina! Para o seu primeiro desafio, você arrasou!

Mas de onde você tirou essas letras?

Só olhei para o desenho do esqueleto.

- Vocês não viram os ossos marcados? - Eu já tinha visto também.

Depois olhei à minha volta e encontrei estas radiografias.

Então vi que correspondiam aos ossos do desenho,

então os coloquei no negatoscópio.

Como é mesmo o nome disso?

O visualizador de raios X.

Coloquei ali e vi que em cada um aparece uma letra.

São elas o "N", "A", "Z" e o "I", "Nazi."

E pronto, como diria Rai.

Caramba, Marina! Vai ser moleza sair daqui com você.

Não foi assim tão difícil de perceber.

As letras da tabela periódica têm os seus meandros.

Vou ver se consigo decifrar.

- Edu, veja o que tem dentro do armário. - Certo, deixe-me ver.

Droga, pessoal!

Vejam isso.

É uma maldita guilhotina. E está protegendo a chave do fundo.

Conseguem ver?

Deve ser a chave do cadeado.

- O painel parece com... - Sim!

Certo, e a frase em alemão, o que quer dizer?

"A chave é o alvo."

Está claro que temos que tirar a chave do buraco.

Vai lá pegar, é simples.

É muito fácil falar, não é mesmo?

Tem uma guilhotina e está cheia de lasers.

Desse jeito vou perder um braço.

O mecanismo é muito bem-feito, mas não corta.

Bom, eu não sei me parece muito afiada.

No meu filme, aquele com os zumbis,

usávamos uns machados que qualquer pessoa se cagaria de medo.

Mas eram feitos de espuma de borracha com tinta metálica.

E aqui usaram o mesmo truque!

Não, esta é real, é de metal e está afiada e se chama Maria Antonieta.

Afaste-se, Maria Antonieta, vou mostrar para vocês.

Está doido da cabeça? Nem pense em enfiar a mão aí.

Querida, você acha mesmo que isso corta?

- Não há necessidade de se arriscar. - Exatamente!

Vamos fazer um teste.

Não há nada por aqui que possamos usar para ver se realmente corta?

Boa ideia, acho que já vi um pedaço de fígado antes.

Bom, vamos procurar.

- Pode ser a banana do Edu. - Isso mesmo, era o que eu ia sugerir.

Por que você não usa a sua banana?

Não, querida, você não entendeu. Eu não conto para ninguém sobre a banana.

- Eu não falo com ninguém sobre isso. - Do que você está falando?

Eu sempre tenho uma no caso de ficar com fome de repente.

É um problema que ele tem há anos,

quando baixa o açúcar no sangue, ele fica tonto e tem vontade de vomitar

e por isso ele sempre tem nozes, banana. Caso contrário, não sai de casa.

- Isso é verdade! - Na escola nós o chamávamos de "Chimpa."

O quê? Chimpanzé! Você se lembra?

Como você pode ver o seu Edu tem alguns segredos.

É mesmo?

E o que mais está escondendo de mim?

Eu?

Não, nada. O que está dizendo?

Não tenho nada a esconder.

Continue, pegue a banana, "Chimpa".

Acho que hoje não vou ficar tonto. Já comi bem.

Que grande!

É a melhor que tem.

Bom, vamos comprovar que essa guilhotina não corta nada!

Porra, a minha banana.

- Caralho! - Isso é normal?

- E se ele tivesse colocado a mãos? - Eu estou abismada!

Onde diabos você nos trouxe?

Isso passou em algum tipo de inspeção de riscos profissionais?

É muito forte, corta mesmo!

- Não vamos nos precipitar. - É muito fácil falar, não é?

- Ele podia ter perdido a mão! - Não me parece, é típico do jogo!

É para criar mal-estar nos jogadores.

- Tenho certeza de que há uma explicação. - Mengele!

Foi um pouco arriscado, não acha?

Você exagerou um pouco com a guilhotina, não foi?

Psicopata é o que você é!

Não tem uma etiqueta nazista que não podemos tocar?

Olha, aqui está um adesivo com uma mão cortada

e um sinal de proibido tocar.

Puta que pariu! Temos que ter muito cuidado.

Acho não devemos jogar mais! A guilhotina me deu um mal pressentimento.

Por favor, não vamos desistir. Precisamos da chave, custe o que custar.

Precisamos pensar!

Caramba!

Vejam!

Encontrei uns ganchos de madeira.

Claro, precisamos usá-los! Como fomos burros!

E burras!

Certo, há apenas três tentativas para obter a chave.

Quem é mais hábil com as mãos?

É preciso ser rápido para entrar e sair.

Então, nisso ninguém ganha de você!

O que quer dizer? Eu não entendi.

Metendo e tirando!

Isso não tem graça, cara.

Eu achei engraçado.

Não muito, mas um pouco, sim.

Bom, vamos lá.

- Vou tentar, certo? - Não precisa, eu posso fazer isso.

Sim, vamos lá, querida. Você consegue!

As garotas são guerreiras!

Vamos, meu amor!

Você consegue!

Porra, isso não é fácil!

- Quer que eu tente? - Não!

Eu já peguei o jeito.

Sim, mas agora a chave caiu, não é?

- Precisa pegá-la por baixo. - Eu posso pescar por aqui.

Vamos lá, querida. Você consegue! Segunda tentativa!

As garotas são guerreiras!

Vamos, você está quase lá, amor!

Puta que pariu!

Isso é quase impossível!

Agora não se esqueça que nos resta uma tentativa!

Me deixa tentar?

Vamos lá, querida. Você consegue!

As garotas são guerreiras!

Parei.

Cuidado com os lasers.

- É impossível. - Sim, eu já falei isso!

Se eu pegar a chave, com certeza tocarei no laser.

"A chave é o alvo."

Sim, e daí?

É preciso acertar em cheio.

Sim, senhora, deu certo. Você é incrível!

Porra, conseguimos!

Eu não acredito nisso. Esse jogo é mal elaborado!

- Claro que não. - Lógico que sim.

Pessoal, o cadeado abriu!

Puta merda!

Isso é normal? Como ele sabia que estávamos chegando?

É muito estranho, não é mesmo?

As fugas não são normalmente tão personalizadas.

É muito fácil encontrar nossas fotos. Tem o Linkedin, Facebook, Instagram.

Seja como for, não é normal!

Podia ter sido mais criterioso na escolha da foto.

Tenho algumas no meu site onde pareço muito melhor.

E a frase em alemão, o que significa?

"Qual é a sua idade?"

Mengele quer saber a nossa idade.

Está claro que nossas idades têm que servirem para abrir algo.

Vamos pensar!

Pensemos que tem que ser algo de dois dígitos.

Bom, só pode ser o cofre.

Digam as suas idades na ordem das fotos.

- Posso começar. - Certo, idade?

- É 44, você sabe, cara. - Sim, isso é verdade.

- Agora sou eu. - Claro, sua idade?

- Tenho 29. - Perfeita.

Caramba, Marina, parece que você acabou de sair de um ovo.

Digo, do ovário.

Viky?

O que foi?

- Sua idade. - Claro, desculpa.

- Perdão, eu não ouvi. - É 39!

Disse 39?

Tudo bem, vamos lá.

- Não está abrindo. - Eu já disse, a foto não me favoreceu.

Poderíamos trocar a ordem.

Certo, então vamos fazer outra combinação.

Comecemos, então, pela Viky.

Vamos com 39.

- Depois a sua idade. - A minha.

Agora a minha, 29.

- E por último... - A do Rai que é 44.

E a idade do Rai.

Não abriu de novo.

- Não foi. - Continue tentando.

Está bem.

Só para confirmar...

Todas as idades estão corretas, não é mesmo?

Bom, a minha com certeza.

Não sei, que idade é que eu disse que tinha?

- Você disse 39. - Tente adicionar mais quatro ou cinco.

Mas qual é a sua idade, Viky?

O que importa a minha idade?

Digo a todos a mesma coisa, não esperava que Mengele...

Viky, por favor, sua idade verdadeira.

Talvez 49, mas sei que não parece...

Certo, vamos lá.

Que nojento!

Porra, que previsível!

Quem inventou esse jogo vacilou.

- Parece muito real. - Não, isso é como David e Montse.

Quem são David e Montse?

Além de serem meus amigos eles são ótimos com efeitos especiais.

- Já viu o filme O Labirinto do Fauno? - Sim!

Eles ganharam um Oscar.

São muito bons.

Trabalharam muito, mas esse boneco não me engana.

Eles fizeram mesmo os cheiros, não é? Porque esta cabeça cheira como o inferno.

Porra, essa cabeça é de verdade!

Não é, eu estou dizendo, é como a obra do David e do Montse.

Quer dizer que estes cabelos são falsos? E esse fedor?

Querem que eu prove?

Os olhos são como algodão e lã. Estas cabeças de látex têm olhos de vidro.

Sempre.

Essa cabeça é de verdade.

Que nojo!

Essa cabeça é de verdade!

Abra a porta!

A minha banana!

Abra a porta! Onde está o botão de pânico?

- Abra a porta! - Onde está o botão de pânico?

Abra a porta!

Temos que encontrar o botão! Onde está essa merda?

Abra a porta, porra!

Nós temos que encontrar essa merda.

Onde está a porcaria do botão de pânico?

Já não tem tanta graça, não é meus amigos?

Só há uma maneira de sair daqui.

- Abre a porta, seu filho da puta! - Se acalme, querida.

Gritar histericamente não vai resolver nada.

- Desgraçado, vá se foder! - Calma, para com isso!

Silêncio, vamos ouvi-lo!

Melhorou?

Ela está mais tranquila?

Sim, ela está mais calma!

Muito bom.

Como eu estava dizendo, só há uma maneira de sair daqui.

E não é gritando e chutando a porta.

Filho da puta!

Não é assim.

Só resolvendo os testes é que se conseguirão sair com vida.

E se não forem suficientemente rápidos e inteligentes,

morrerão quando o cronômetro chegar a zero.

Não queremos continuar jogando.

Só queremos ir embora, entendeu?

Você abre a porta e nós saímos.

- Não! - O que você quer dizer com isso?

Eu não sei, não olhe para mim!

Vocês estão ficando sem tempo, eu não o desperdiçaria discutindo comigo.

Recomendo que vocês usem bem a cabeça e recuperem o equilíbrio.

Não queremos continuar jogando, seu idiota de merda!

Queremos que abra essa porta!

Porque se você não fizer isso, quando eu sair daqui vou acabar contigo!

Seu filho da puta!

Agora resta menos tempo.

- O que vamos fazer agora? - Eu não faço ideia!

Tenho certeza de que é a cabeça que encontraram na lata do lixo.

Isso significa que temos um problemão!

Precisamos encontrar uma saída.

Talvez uma saída de ar dessas de metal, que é um tubo longo.

- Sim, há sempre nos filmes! - Merda!

Meu celular está sem sinal!

Há pouco eu tinha internet, procurei a tradução do alemão.

Ele deve ter bloqueadores de sinal!

- Como em "Homeland", quando Brody é preso. - Do que está falando?

O Rai tem uma grande cultura cinematográfica.

- Me desculpa, é o meu trabalho. - O que estão falando?

Não perceberam que estamos fodidos?

Esse cara vai nos cortar em pedaços e nos espalhar por toda a cidade!

- Não diga isso, Viky! - Você não percebeu?

Viky, precisamos nos acalmar, tudo bem?

Certo, fique calma.

Meninas!

Neste momento só vejo uma saída. Ouvir este psicopata.

Tanto faz, mas vamos fazer agora!

O tempo passa tão depressa e não quero imaginar o que vai acontecer

quando o cronômetro chegar a zero.

- A balança. - O que tem ela?

Mengele disse: "Usem bem a cabeça e recuperem o equilíbrio."

Ele estava falando literalmente.

Temos que pegar a cabeça e colocar na balança.

Fala sério!

- O que você disse? Pegar a cabeça? - Não, por favor!

- Não, Deus me livre! - Eu não toco nisso jamais!

- Eu sou um cara muito sensível. - Nem olhem para mim!

Eu tenho muito medo.

- Querida, não toque nisso! - Não, pare!

Cuidado, por favor!

Tenha cuidado, Rai.

Pode ser uma armadilha, nunca se sabe.

É um Enigma.

Sim, mas qual deles?

Digo, que enigma?

Não, é uma máquina Enigma.

Foi usada pelos nazistas para decifrar mensagens encriptadas.

Como funciona?

Colocam as cartas aqui. A máquina decifrava e a mensagem saía.

Eu vi em um filme bom do Cumberbatch. "Decifrando o Enigma."

Vamos lá então. Que letras devemos colocar?

- Elas têm que estar aqui. - Sim, provavelmente.

As da tabela periódica!

É claro, Viky! Se trabalharmos juntos, vamos conseguir!

Que a sua namorada é um gênio, já sabemos.

Mas já estou começando a ficar irritado com estas coisas feministas.

- Você tem algum problema? - Problema?

Neste momento, alguns.

Pessoal, não vamos discutir agora. Esta é uma questão complicada.

Se tiver um problema, podemos falar sobre ele.

Por que não nos concentramos no que importa e paramos com as bobagens

e exigências absurdas que são irrelevantes?

O que você quer dizer?

De que tipos de bobagens você se refere?

Acha que o feminismo é uma bobagem?

Que a liberdade de expressão não tem importância?

A libertação nacional também?

Por favor, só temos 28 minutos, pelo amor de Deus.

Olhem as bandeiras!

Qual é o problema? Não tem outro assunto não?

Pensa que com independência tudo estará resolvido?

Assim como em um passe de mágica?

Agora vai dizer que a independência é para os ricos.

- Coisa da burguesia. - Tirou as palavras da minha boca!

Pessoal, parem de discutir, Mengele nos pegou pelos culhões!

Quero dizer, pelos ovários.

Olha, Marina, tudo o que a Rai diz pode ser resumido em uma frase:

"Mais livros, menos bandeiras."

Olha o nível da Barbie.

Não posso pensar em uma frase mais típica e vazia do que essa?

- Cuidado com o que você diz, Marina. - É mesmo?

Agora quer mostrar que é o macho alfa.

Por que não nos acalmamos um pouco? É normal estarmos muito nervosos.

E estamos dizendo coisas que vamos nos arrepender depois.

Agora compreendo o porquê me disse para não discutir com eles.

É muito melhor não discutir e seguir em frente, certo?

Unilateralismo ao poder!

E depois os outros que são os fascistas.

Está me chamando de fascista? Que original! Nunca me chamaram disso.

Por falar nisso, não se esqueçam do Mengele, esse sim, é um nazista!

E você?

Seu amigo me chama de fascista e você acha normal?

Claro que não, eu jamais estaria de acordo.

Acho que é um comentário bastante infeliz, Rai.

Você sabe que delicadeza nunca foi o meu forte.

Não brinque com essas coisas, que é muito sério.

O que Marina disse não me pareceu tão estranho,

afinal somos ou não cidadãos de um país livre e democrático?

O que a Marina disse é que a democracia, a voz do povo, tem de estar acima das leis

e não o contrário, como já dizia Jefferson, não?

Quando as leis são injustas, temos não só o direito de as desobedecer,

mas também de fazer algo para mudá-las.

- Isso mesmo, muito bem, querido. - Obrigado.

Estou farto de tanta repressão, de tantos presos políticos,

de toda a tirania, de toda essa merda e...

E esse autoritarismo!

Chega dos velhos costumes!

- O que está dizendo? - É exatamente o que você ouviu.

Chegou um momento decisivo em que ou conseguimos a independência

e construímos uma República e uma sociedade mais justa e igualitária,

ou não importa mais nada.

- Bom, agora falei. - Exatamente, parabéns, querido.

Caramba!

Tantas novidades, não é? Eu não sabia que estava assim.

Bom, sim, Rai. É assim.

Pessoal, acho que agora vai funcionar.

Coloquei as letras na mesa e acho que estou decifrando.

E desde quando você pensa assim, posso saber?

Sim, já faz muito tempo mesmo, Rai.

E não me olhe com essa cara de surpresa, porque você já sabia disso.

E você também, Viky.

Chegou a hora de dizer basta. Já chega e ponto final!

- Adoro quando você fala assim. - Obrigado, querida.

Eu estou abismado!

O que foi, Rai? Não está conseguindo lidar com isso?

E você também, Viky?

É melhor vocês se acostumarem. Já chega de tanta...

O que foi agora?

- Podemos abordar a questão de sair daqui? - Claro que sim.

Então vamos lá. Alguma novidade sobre a máquina Enigma?

- Sim, Edu. - O que é que diz?

"Um dos cadeados dos frigoríficos do necrotério será aberto

com o número do cartão do PSC do Edu."

- O quê? Não entendi nada. - Eu menos ainda.

Querida, eu não faço ideia que cartão é esse.

- Sim, do PSC. - Não, deve ser algum erro.

Eu posso repetir: "Um dos cadeados dos frigoríficos do necrotério será aberto

com o número do cartão do PSC..."

Do PSC? O que isso significa?

- Os socialistas? - Sim, exatamente isso.

Os socialistas, que não poderiam ser mais sindicalistas.

- O partido que você votou a vida toda. - Claro que não!

- O quê? - Não, isso não é verdade!

Bom, talvez há muitos anos. Em uma eleição geral, com Felipe González.

Mas, bom, no máximo foi em um passado muito distante.

Não é verdade, Edu, você é socialista até o âmago.

Até votou no Montilla.

No Montilla?

- Você votou no Montilla? - Não!

Mas que história mais absurda. Claro que não votei no Montilla.

- Porra, você votou mesmo nele! - Sim, eu e outras pessoas também.

Mas foi Carod-Rovira quem o nomeou presidente, não eu.

Grande merda, Edu, não posso acreditar. Estou abismada!

Por favor, querida, me deixe te explicar.

Me desculpem, senhores, mas seria melhor que discutissem isso mais tarde,

se sairmos daqui vivos.

Agora seria conveniente se Edu nos desse o número do seu cartão PSC,

- Pelo amor de Deus! - Eu não tenho um cartão PSC.

Posso ter votado no Montilla, mas não tenho um cartão.

- O Mengele diz que sim! - Mas que porra esse homem sabe?

Com certeza ele inventou tudo isso.

Ou talvez deva ter outro significado. Alguma coisa nazista. Vamos pensar.

O que PSC significa em nazista?

Foda-se, Edu!

Faça o favor de dizer a merda do número do teu cartão PSC, pelo amor de Deus!

Aqui é o covil do assassino de Hostafrancs!

Esse cara vai nos cortar em pedaços e nos jogar por toda a cidade!

Fale a merda do número do cartão PSC já!

Lamento, Viky, mas eu não tenho, nem nunca tive, um cartão PSC.

Sinto muito.

- Porra, falta menos de 25 minutos! - E o que eu posso fazer?

Eu não tenho a merda do cartão. Eu já disse, não sei mais o que falar.

Edu, me mostre a sua carteira.

Como assim?

Agora!

A carteira.

Não.

- A carteira, Edu. - Não, eu não vou te dar.

- Como assim você não vai me dar? - É isso mesmo que você ouviu!

- Edu, mostre a maldita carteira! - Eu já disse que não!

Olhe o tempo.

- Eu não acredito nisso. - Eu sabia! Fale!

- Vinte e sete mil. - Certo.

- Oitocentos. - Sim.

- Trinta e... - O que mais?

- Trinta e quatro. - Pronto.

- Bravo. - Muito bom.

- Marina! - Que merda!

Isso não é o que parece.

Você que não é o que parece, Edu!

Por favor, Marina, não me olhe assim.

Como quer que eu te olhe se não sei quem estou olhando?

Sou o seu Edu de sempre!

Como posso ter certeza que o seu nome é Edu?

Porque agora já não sei no que acreditar.

Pessoal, vocês sabem quando e onde nos conhecemos?

- Não, por favor. - Pare, agora eu vou falar!

No dia 20 de setembro de 2017, na Grande Vía com Rambla Catalunha,

defendendo nossos direitos e nosso governo enquanto a Guarda Civil os prendia.

- O quê? - É isso mesmo, querida.

No dia em que acusaram a Jordis de sedição.

Defendendo as nossas ruas e a liberdade do nosso país.

E agora descubro que você me enganou todo esse tempo.

Como pôde ser tão falso e tão mentiroso?

Bom, sendo PSC, eles deviam te considerar presidente honorário.

- Marina, por favor, me deixe te explicar. - Se conheceram em uma manifestação?

Agora entendo o porquê não quis contar como nos conhecemos!

Você é um lixo humano!

- Não, isso não é verdade! - E o que você fazia em uma manifestação?

- Isso é uma boa pergunta! - Eu fiquei preso lá!

Entenderam?

Estava saindo de um bar depois do café da manhã.

Com licença, tenho de sair.

E eu não consegui sair de lá.

Com licença.

Havia tanta gente!

E então você apareceu, Marina. Com a sua força e determinação.

Você me olhou daquele jeito levantou os braços e gritou:

"As ruas serão sempre nossas."

As ruas serão sempre nossas!

Eu não sei o porquê, mas...

As ruas serão sempre nossas!

Eu comecei também a gritar.

As ruas serão sempre nossas!

As ruas serão sempre nossas!

Eu fiz aquilo sem pensar.

- Mas foi... - O quê?

É que eu acho...

- O quê? - Naquele momento...

- O que foi, Edu? - Eu me apaixonei por você.

Sério?

Sim! O que eu podia fazer?

- Não sei, dizer a verdade. - Como se fosse tão fácil.

Além disso, só tenho um cartão PSC há alguns anos.

Como assim, cara? Isso que eu não entendo!

- Por que é que o tirou? - Achei que era o melhor a se fazer.

Era uma voz moderada e sensata contra toda aquela gritaria e pressa.

Porque sempre pensei que os extremos são abusivos.

E que o meio termo, com moderação, é a chave.

Mas que merda!

Não posso acreditar nisso!

Tenho dormido com um maldito equidistante.

- Olhem do que ela está me chamando. - O que você queria? Um hooligan dos 155.

Não, isso não é verdade. Eu nunca fui a favor de 155.

Perdoem a intromissão, mas a confiança é básica.

É exatamente isso!

Sei que não estou dizendo nada de novo, mas se a comunicação falhar...

- É um mau sinal. - É isso mesmo!

Entenderam o que eu quis dizer?

É preciso falar muito com o seu parceiro.

Viky e eu, por exemplo, falamos demais, mas juro que vale a pena.

Vale muito a pena. Os segredos são inúteis.

A verdade, acima de tudo.

Sempre, Edu, eu sei o que eu digo, a verdade em primeiro lugar.

A porra da verdade!

Sim, a porra da verdade.

Abriu!

- Conseguimos! - O último.

- Agora sim. - Finalmente!

Vamos, venham.

Estou indo.

Que droga!

Vá, Viky, você primeiro.

Isso.

Que loucura!

Bravo!

Vocês estão indo muito bem.

Mas não confiem um no outro, fiquem à vontade e aproveitem a sessão.

A sessão?

Ele está se referindo este filme...

- Sim, parece que é isso mesmo. - Você sabe como liga?

- Por favor, assim você me ofende. - Desculpa.

Vamos ver o filme que o idiota do Mengele preparou para nós.

Vejam, os números que saíam antes, cara.

Somos nós dois.

É o bar que nós vamos sempre.

Esse filho da puta estava nos seguindo?

Caralho, isso é assustador.

São os nossos filhos.

Nico e Gilda.

- Ele não fez nada com eles, não é? - Claro que não, é só para nos assustar.

É a nossa casa.

Esse cara sabe onde moramos.

O casal perfeito.

Tem a certeza?

O que quer dizer? Claro.

Eu já vi esse boneco antes.

Sim, é aquela ali, a que tem o cinto de castidade. Vejam!

Sim, é verdade.

O cinto de castidade...

abrirá com o número de vezes que Viky...

tiver sido infiel ao Rai.

Que pergunta de merda.

O número de infidelidades de Viky?

Por favor, Mengele, essa foi muito fácil.

Mas que pergunta, pelo amor de Deus.

- Sim. - Vamos lá.

É 0000.

Fala sério.

Deve estar emperrado, não está abrindo.

Está emperrado.

Querida, eu coloquei os zeros e não abre.

Sim, não abriu.

Porque é impossível o que...

Qual foi exatamente a pergunta?

O número de vezes que foi infiel a mim.

Rai, você me conhece, sou incapaz de fazer isso.

Aquele idiota do Mengele está inventando tudo isso.

Você não vai acreditar na mentira desse assassino, não é mesmo?

Bom, até agora este idiota assassino

provou saber algumas coisas bem ocultas sobre nós, certo, Edu?

Marina, uma coisa é saber o número do cartão PSC do Edu,

outra é saber quantas vezes ou não fui infiel ao meu marido.

Então, cale a boca.

Lamento, mas o tempo está voando.

Viky, e se disser quantas vezes...

Abrimos o cinto de castidade e depois falamos sobre isso.

- Mas eu já disse, não era eu... - Viky, responda logo!

Diga o número de vezes que você me traiu!

Nenhuma, querido, eu juro!

Viky.

Você sabe que sou capaz de assumir tudo o que for preciso.

Que tenho feito a barba há anos.

Eu sou capaz de lidar com as coisas, mesmo que sejam difíceis.

Concordo com a Rai. Já o vi lidar com coisas brutais.

Pode falar qualquer coisa que ele consegue lidar muito bem.

Nós estamos juntos há algum tempo, entendo que todos podem errar alguma vez.

Eu também podia ter deslizado, que não é o caso.

Mas posso entender que você errou, tudo bem?

Então, vamos lá.

Diga o número logo, seja o que for, tenho certeza de que podemos superar isso.

- Eu já disse, que não... - Falta 13 minutos, pelo amor de Deus.

Tudo bem, vamos continuar tentando.

- Afinal não deve ser um número tão grande. - Sim, esse é meu garoto!

- Vamos começar com um. - É 0001.

Vamos lá.

Mais de uma vez?

Tudo bem, eu posso aguentar.

Aguentar, ingerir, digerir e cagar.

Então fique tranquila, estamos em boas mãos.

- Vamos tentar o dois? - Claro, vamos nessa.

É 0002.

Dois também não é.

Não tem problema, você pode lidar com isso, cara.

Eu estou orgulhoso de você. Vamos continuar.

Deve ser três, não é mesmo? Porque mais de três vezes, seria...

Sim, você tem razão.

Vai ser 0003.

Porra, Viky, mais de três vezes?

Querido, por favor!

Não me venha com isso, porque eu estou começando a me irritar!

Me fale de uma vez por todas quantas vezes você me traiu

e vamos embora logo!

Eu não sei! Eu não me lembro!

Não se lembra?

Rai, não importa, basta tentar, uma hora vai abrir.

Como você mesmo disse a confiança e a comunicação são a chave, certo?

É 0008.

Agora 0009.

Vamos, 0010.

- Já estamos em números duplos, Viky! - Dois números já.

A porra da verdade, não é, Rai?

É 0011.

É 0012!

Porra, a minha mão já está doendo! Diga logo de uma vez, Viky!

Não sei, eu não fiz uma planilha de contabilidade.

Mas isso não importa. Eu te amo, só isso importa.

Não me venha com esse papo!

Fale um número aproximado, mais ou menos.

- Sei lá, tipo 20? - Eu não sei.

- Sim! - Mais de 20, puta que pariu!

Mais de 30, Viky?

Pode ser.

Mas não mais que isso!

Mais de 30? Você está louca!

- É 0031. - Será? Não é.

- Vamos, 0032! - Talvez seja.

É 0033!

Vamos, 0034!

É 0035!

Vamos, 0036!

Sim, é isso! Foram 36 vezes!

Foram 36 vezes, Viky?

Você me traiu 36 vezes!

É sério?

Mas por que você fez isso comigo?

- Não sei o que dizer. - Como não sabe?

- Acho que não é o momento dessa conversa. - Cala a tua boca!

Claro, fico calado.

- Quero uma explicação e quero agora! - Uma explicação?

- Você é ninfomaníaca e eu não sabia? - Não gosto de ser assim, mas...

- Mas o quê? - Só aconteceu.

- Como assim? - É só isso. Mas não dê tanta importância.

Eu apenas transei com eles.

Quero dizer, eu te amo. Para mim é como um esporte.

Porra, o que você está dizendo?

Você ouviu isso?

Que porra é essa? Qual é o seu problema?

E depois de tudo.

- Do que você está falando? - E depois de tudo mesmo.

- O que quer dizer? - Você ainda me pergunta?

Depois de tudo o que eu fiz por você?

De todos os papéis que eu te dei nos meus filmes.

- E não precisamente pelo seu talento. - Como assim?

Você estava me dando esmola?

Não, caridade divina.

Por que você acha que está em todos os meus filmes?

- Você é um desgraçado e ingrato. - Agora a ingratidão é minha?

- Eu sou o ingrato? - Sim, você mesmo!

Se eu não tivesse no seu primeiro filme quando você era um zé ninguém,

ainda estaria fazendo curtas metragens de merda.

Foi graças à minha fama e sensualidade que algumas portas se abriram para você.

Fale sério, Viky, faz tempo que tento encontrar seu...

E aliás eu não sou o único.

E se você ainda está rastejando em algum cenário e alguém ainda te maquia

é graças aos meus filmes porque agora mesmo,

você já não tem nem sensualidade, nem talento, nem trabalho.

- Você não me acha uma boa atriz? - Não, eu nunca achei!

Nem sequer te considero uma atriz de verdade.

Você me enganou esse tempo todo?

Pelo visto eu não fui o único a mentir.

E por que fez isso?

Por que me deu um emprego, se nunca gostou de mim?

Se nem se quer me considera uma boa atriz?

Muito boa pergunta.

Porque eu sou uma pessoa boa, Viky.

Eu não suportava ver você rastejando pelos cantos da casa.

- Uma pessoa boa. - Sim, sou um tipo muito generoso e fiel.

Porque eu nunca te trai. E olha que não faltam oportunidades.

Tive atrizes que fariam qualquer coisa. E não foram poucas!

Mas nunca traí você com ninguém, sabia? Com ninguém!

Mentira!

Como é que é?

Uma vez fomos a um prostíbulo, eu não fiz nada, mas você sim!

- Isso não é verdade! - Claro que é.

Naquela sauna, junto à Luz de Gás. Havia uma jacuzzi e fomos todos para lá.

Isso foi há muito tempo, nem sequer me lembro.

Há cerca de um ano. Também não há assim tanto tempo.

Bom, foi uma vez, porra. E as putas não contam.

- Como não contam? - Claro, não é a mesma coisa!

Porra, olha o feminista.

É o primeiro feminista e puteiro que conheço.

Que merda, cara.

Podem parar de fingir que a coisa não vem ao caso?

O que é tão engraçado, posso saber?

Agora eu entendo.

Entende o que agora, porra?

Eu não fazia por esporte.

Fazia por todas as coisas que acabou de me dizer.

Porque no fundo eu já sabia, sempre soube.

Cada vez que me davam um papel, você não me tratava como os outros atores.

Que idiotice você está falando?

É porque é o meu trabalho, eu queria tirar o melhor de você.

Não, Rai, você fazia isso porque tinha muita raiva de eu estar lá.

Você não me considerava uma atriz, mas era muito covarde para falar na cara.

E você me fez pagar por isso me tratando como merda.

Em todas as filmagens, rodagens e em todas as malditas cenas!

E eu ficava me sentindo cada vez mais insignificante.

Tem sido uma humilhação constante, Rai!

E por isso que se tornou a maior prostituta da cidade!

Eu não sabia o porquê fazia isso, mas agora está muito claro para mim.

Parabéns, Viky!

O heteropaternalismo deles fez você errar.

Temos sorte, não é mesmo? Eles cuidam de nós.

Me desculpem, mas o tempo está acabando, precisamos resolver o problema do cinto...

Já sabemos disso.

Tire o cinto de castidade do manequim e coloque-o na Viky, ela precisa dele!

Rai, já chega. Isso é de mau gosto.

Não vejo nada aqui.

O que é isso enfiado dentro do manequim?

Um pano.

- O que eu faço, devo puxar? - Sim.

Sério?

Mas que merda, mais coisas nazistas.

Calma, esperem, tem algo escrito aqui.

"Beijem a bandeira e digam: 'Salve Hitler'

com as mãos erguidas diante da minha imagem e serão livres."

Que imagem?

É só isso?

É tudo o que temos que fazer?

Um beijo na bandeira e um voto de fidelidade ao Führer?

Sim, é o que parece.

Fácil, não é? Então vamos lá. Já não aguento mais.

- Precisamos conversar sobre... - Me dê logo essa bandeira.

Calma, Rai, espere.

Salve Hitler!

Vamos lá, é a sua vez, beije-a e vamos embora.

Não estou entendendo nada.

Esse idiota não vai nos matar se não beijarmos a bandeira, vai?

Ele quer nos humilhar, é óbvio.

Nossa, que humilhação.

Vamos dar um fim a esta comédia. Me dê essa bandeira!

Salve Hitler! Vamos, foda-se!

Damos um beijo dizendo isso, e sairemos daqui vivos, não é?

Claro, com certeza sim.

E depois iremos à polícia para denunciar o Mengele e ele vai se entregar.

E, claro, ele ainda vai entregar a cabeça daquele homem e assim por diante.

Edu, não diga asneiras.

Se sairmos daqui, esse cara terá tempo para fugir

e vai se livrar da cabeça antes que a polícia chegue.

- Não perdemos nada ao tentarmos. - Sim, isso é verdade.

Não, perdemos só a nossa dignidade.

O quê? A seita CUP está fora. Beijo e diga Salve Hitler e pronto.

Vamos dar o fora daqui.

- Ninguém vai saber... - Como assim?

- Bom, se ninguém saberá, então... - Eu já vou, Rai!

- Falta quatro minutos! - Eu sei!

Eu já não aguento mais. Estou sob muita pressão, caralho.

Não faça isso.

- Eu não consigo. - Vamos, caramba!

- Salve Hitler! - Muito bom.

Vamos, Marina, é a sua vez.

Lamento muito, Marina.

Vamos, o que você está esperando?

- Eu não vou fazer isso. - Como?

O genocida fascista nos quer de joelhos.

- Eu não vou cair nessa. - O quê?

Este filho da puta não me fará dizer o que nunca pensei em dizer.

- Mas você... - Porra nenhuma, não vou fazer e ponto.

Veja, Marina, querida.

Ninguém aqui te pediu para fazer um manifesto

e dizer que se juntou às SS, está bem?

Tudo o que precisamos é fazer esta merda.

Dê um beijo nesse trapo, e pronto, sumimos daqui para sempre.

Você entende ou é pedir muito?

Não fale comigo como se eu fosse uma das suas putinhas, está bem?

Tem coisas que eu não aceito, ponto final.

As bandeiras não importam para você, mas para mim, sim!

Eu não vou beijar esta merda!

Faça alguma coisa para ela mudar de ideia ou eu não respondo por mim!

Vamos!

Por favor, querida.

Mengele disse que todos temos que fazer, ou ele não abrirá a porta.

E se não sairmos daqui, ele vai nos matar com certeza.

Você não vê que ele é louco?

Mas eu te peço, por favor, sei que não é fácil para você.

Sei que vai contra os seus princípios, mas estamos arriscando nossas vidas.

Sim, claro, os princípios só importam desde que nada esteja em jogo, certo?

Se não, podemos ignorá-los?

Pois eu não vou ceder.

Eu não negocio com os meus princípios, ponto final.

Caralho, faça me o favor de jurar a essa merda de bandeira!

Cala a boca, idiota! Sou um antifascista e sempre serei!

Não conseguiria viver comigo mesma. Não entendem?

Sim, você é muito "anti" tudo.

Antifascista, anticapitalista, também anti-senso comum.

Mas vou te dizer uma coisa.

Você que pensa que é tão antifascista, é pior de que qualquer outra pessoa.

- O quê? - Porque somo três e você só uma.

Mas como você se nega, o resto de nós se ferra, certo?

- Se isso não é se impor, o que é? - Muito bem.

Vá se foder, Rai! Eu não preciso da sua aprovação!

Está bem, me desculpe.

Também penso que somos a maioria e que deve respeitar isso, não é verdade?

Mesmo que não esteja de acordo.

Mas você não vê? O jogo não se trata de maiorias.

É sobre o que é correto, caramba.

Quanta gente na época do verdadeiro Mengele fez como vocês

e deixou que os nazistas continuassem cometendo todos esses crimes por medo?

Por medo de confrontá-lo!

Pois bem, vamos enfrentá-lo!

Somos quatro e ele é só um.

Se nos mantivermos unidos, somos invencíveis, sim ou não?

O que é esta luz vermelha?

O tempo está se esgotando!

Olhem para aquela coluna!

Ela está girando. Há uma lata com um rótulo de gás tóxico nela.

E aqui tem outra.

Tem uma em cada canto.

Temos de sair daqui agora!

Marina, pelo amor de Deus. Faça o que ele mandou.

Não podemos enfrentá-lo, não vê?

Primeiro ele vai nos sufocar, depois nos esquartejar com a guilhotina

e nós não poderemos fazer nada.

Tudo o que você defende é muito bom e eu estou contigo, de verdade.

Temos que fazer frente a estes fascistas.

Mas mortos, não seremos capazes de fazer frente a nada.

Deixe-a em paz, ela é uma radical que está acima do bem e do mal.

E todos morreremos aqui, caramba!

Marina, me escute! Você também é mãe.

Vamos mesmo deixar nossos filhos órfãos

só porque você não quer dizer algo que todos sabemos que é uma mentira?

- É uma mentira! - Imagine que está em um filme.

Os atores que interpretam nazistas, não são de verdade.

Claro que não!

Quando as filmagens terminam, eles vão para casa e não têm problemas.

Não há problema, são pessoas super simpáticas, super vegetarianas.

Por favor, só falta 17 segundos, Marina!

Dezesseis...

Pensa na sua filha de nove anos, Marina.

Só falta dez segundos.

Nove, oito!

Sete, seis, cinco!

- Marina! - Quatro!

Puta que pariu!

Salve Hitler!

É isso mesmo! Conseguimos!

Sim, conseguimos, a contagem parou.

Conseguimos!

Finalmente, conseguimos!

Marina, obrigado!

Amor, eu te amo.

Me deixe em paz.

Mengele, é isso! Fizemos tudo, nos deixe sair!

Receio que isso não seja possível.

- Sinto muito. - Não!

Passamos no teste. Juramos lealdade!

Demos o beijo. Veja, o beijinho.

Pobres idiotas!

O teste consistia em ver se mereciam viver ou morrer.

Se tivessem se recusado beijar a bandeira eu teria respeitado e os deixado viver.

Por um momento pensei que Marina poderia fazer a coisa certa, mas não.

Ela também falhou.

Que decepção, Marina!

É evidente que são ratos covardes, e assim vão morrer.

Adeus!

Não! Filho da puta!

Porra, o gás está saindo de lá.

O que fazemos?

O que você está dizendo?

Puta que pariu!

Nos deixe sair!

Meu amor, se cubra com isso.

Não aguento mais! Quero sair daqui!

Me deixe em paz, Edu!

Porra!

Merda!

Com a quantidade de projetos que eu tinha para fazer...

Que nós tínhamos para fazer.

Não, Rai, não faríamos.

Não é precisa jurar, não sairemos vivos daqui.

Mesmo se saíssemos daqui, você e eu não faríamos nada.

Nem em um filme, nem na vida.

Acabou tudo.

E vou dizer mais,

estou farta dessas merdas que me apertam.

Adeus, sutiãs!

Que prazer isso me dá.

Que merda!

É inacreditável.

Há uma hora, eu tinha tudo tão claro.

E agora percebo que não faço a menor ideia de nada.

Já não sei o que represento, ou no que acredito.

Não sei nem sequer sei quem eu sou.

Marina, não diga isso.

Pensei que eu tinha princípios, convicções de ferro, e ainda há pouco,

eu estava beijado a suástica.

Que vergonha, cara!

Passei minha vida dando lições às pessoas sobre o que é certo e o que é errado

e acabei cedendo como todos os outros.

Não exagere.

Você fez isso para salvar as nossas vidas.

É o que eu esperava, mas não é a verdade.

Isso foi uma desculpa, não consegui lidar com a pressão.

O maldito Mengele me desmascarou e me deixou arrasada.

Veja.

Graças a esse nazista, eu sei que não sou muito melhor do que tu.

- Eu não sei se... - Sim, somos ambos igualmente deploráveis.

Nós dois.

Ambos.

A minha pergunta é...

não podíamos só ter ido jantar um espaguete, Edu?

Em que momento você achou que isso era uma boa ideia?

Bom, penso nisso há muito tempo,

e acredito que foi a melhor ideia que eu já tive.

Josep Maria, você já pode parar a fumaça que não conseguimos respirar.

O quê?

Vocês vão ver, ele é um gênio!

- Josep Maria? - O que disse?

Sim, é um grande amigo da Universidade.

Saudações, Josep Maria.

Olá, garotos e garotas!

Que idiota.

Como foi a encenação? Incrível, não?

Foi demais, cara!

Que merda está acontecendo?

Vamos sair desta sala, tem muita fumaça e é muito quente.

Há uma pequena porta aqui no guarda-roupa.

Não está abrindo agora.

Agora não está funcionando, mas normalmente ela abre.

Droga!

Agora sim! Entrem.

Venham, tem um alçapão aqui.

- Podemos? - Sim, claro.

Viu como Mengele evoluiu?

- Sim. - Agora eu o faço mais rígido.

- Não sei se percebeu, é muito sutil. - Falaremos sobre o personagem mais tarde.

Eu não vou perguntar de novo, que merda está acontecendo aqui?

Então, por onde começo?

- Posso explicar se vocês quiserem. - Cale a boca, Josep Maria!

Entendo que vocês estejam confusos.

É mesmo?

Você está louco, cara?

Esta merda é obra sua, este maldito pesadelo?

- Sim, fui eu. - Como pôde fazer isso?

Eu tive a ideia quando o assassino de Hostafrancs apareceu na imprensa.

Aí me lembrei que o meu amigo Josep Maria tinha montado uma fuga

muito perto do local onde os corpos tinham sido encontrados.

E depois eu tive a ideia.

Tinha certeza de que se conseguíssemos uma cabeça de um homem morto,

podíamos fazê-los acreditar que era a vítima do assassino.

E de onde tirou a cabeça?

O Josep Maria tem um amigo que trabalha na Clínica do Hospital.

Ele pegou uma das cabeças utilizadas pelos estudantes de anatomia

e me entregou em folha de alumínio.

Francesc, que trabalha no necrotério. Ele é uma besta.

- Pronto, era isso que faltava. - Sabia que podíamos denunciar vocês?

Eu não acredito nisso.

Você nos fez passar por toda essa merda!

Para quê exatamente?

Porque eu já não aguentava mais, Marina.

Eu precisava contar a verdade, não podia continuar enganando vocês.

Antes de te conhecer, eu me considerava uma pessoa sensata.

Mas graças a você, vi que minha suposta sensatez

não era nada além de covardia.

Sim, eu tinha medo, medo de tudo.

Das mudanças, da incerteza. Dos tanques descendo pela Diagonal.

Mas agora, e graças a você, vejo as coisas muito diferentes

e já não tenho medo.

Eu mudei, eu sou outro, eu sou livre.

E para mostrar que estou falando sério, estou rasgando meu cartão agora.

Vejam só.

Caramba, eles são muito duros.

Só consegui dobrá-lo, mas o gesto foi claro, não foi?

Puta que pariu, Edu.

Não entendo o porquê não contou a verdade para ela em um simples jantar?

Por que passar por toda esta loucura de merda?

Sim, isso teria sido a coisa mais lógica, mas depois conheci o Jaume Lairet.

Jaume Lairet? O que ele tem a ver com tudo isso?

- Quem é Jaume Lairet? - Um grande amigo da Marina.

- Ex-amigo! - Sim, exatamente.

- E sabem por que ex-amigo? - Ele sempre se atrasava?

Claro que não!

Porque um dia ele disse que os palestinos também podiam ser os culpados

de todo o conflito com Israel.

Mas como se pode dizer uma coisa dessas? É preciso ser um idiota.

E a partir desse dia, Jaume Lairet, um amigo para toda a vida, estava acabado.

Se foi isso que aconteceu ao pobre Jaume,

imaginem o que teria acontecido comigo se eu tivesse contado em um jantar

que tinha um cartão do PSC.

Porque se há uma coisa que você é, Marina...

é que você é tão intransigente.

É tão exigente consigo mesma

que coloca o nível alto demais para todos.

E é impossível viver assim.

Não...

Não fique chateada comigo.

Lamento que tenha sido assim, mas não se sente um pouco melhor?

Porque eu me sinto.

Sim.

Agora me sinto muito melhor.

Preciso dizer algo, Marina.

Você quer se casar comigo?

Sei que é um pouco abrupto fazer isso desta forma,

mas já faz algum tempo que queria te dizer

e não consegui encontrar o momento para isso.

Caramba.

Venha aqui, idiota.

- Isso é um sim? - Claro que é.

Me deixe colocá-lo em você.

Sim, eu te amo!

Meu Deus, funcionou!

Você é um gênio, Edu.

Esperem, vou colocar uma música.

Que música?

Parabéns, felicidades ao dois!

Mas posso saber que merda nós dois estamos fazendo aqui?

Vocês?

Mas já é tempo de seguir em frente, Rai. Eu fiz um grande favor a vocês.

Que cara incrível.

Josep Maria tem razão você é um gênio.

Então, primeiro você fode a mulher do seu melhor amigo

e depois diz que está fazendo um favor?

Falou muito bem, querida.

De que amigo estão falando?

De que mulher?

A sua, Rai. A sua esposa.

- A minha mulher? - Sim.

- Como assim, você? - Sim, eu.

Fodemos juntos.

- Ele e você? - Isso não é verdade, Viky.

Você me pegou de surpresa e não me deixou abrir a boca.

Na última festa de estreia,

ela pediu me para acompanhá-la até a sua casa,

porque estava cansada da festa e assim por diante.

Tinha bebido muito e estava muito mal.

Ela, não eu. Você sabe que eu não bebo.

E no carro ela começou a chorar, porque a relação de vocês não estava bem

e porque ela se sentia culpada por já ter te traído 35 vezes.

Sim, eu fiquei surpreso que você foi tão específica,

mas você insistiu que eram 35, porque tinha contado e lembrava de todos.

E então, não sei como ou o porquê,

ela saltou sobre mim como uma tigresa no cio,

desabotoou minha braguilha e bom começou a...

- Eu vou te matar, seu filho da puta! - Rai!

Vou arrebentar a sua cara, desgraçado!

Eu não sou um filho da puta.

Eu não tenho culpa, e nem sequer tinha conhecido Marina.

Eu não fazia sexo há quatro anos e meio.

E isso te dá o direito de transar com a minha esposa?

Eu só não queria que isso acontecesse. Você vai me matar.

E não pensou nisso antes de pensar com os ovos?

Porra, Rai!

Amor.

Puta!

Vamos lá, Rai, vamos encarar isso.

Nossa relação vem se arrastando por todo o lado há algum tempo.

Nós fingimos nos amar, mas você não me suporta na tela

e eu não te suporto na cama. Ou no sofá.

E as crianças?

Eles se adaptam a tudo.

E nós ficaremos bem, Rai. Vamos ficar bem, você vai ver.

Me desculpe, Edu, você sabe que eu sou muito impulsivo.

Bom, vamos celebrar nosso futuro casamento?

- Claro que vamos! - E o nosso futuro divórcio.

Eu estava pensando, vocês estão com fome?

Podíamos comer aquele espaguete que o Rai estava falando antes.

Eu estou com fome, amor. Não se esqueçam de nada, tudo bem?

Rai. Vamos lá.

- Vamos. - Como você está?

- Um pouco para baixo agora, não é? - Um pouquinho.

Claro, isso é normal.

Que tal se pularmos o jantar para tomar algumas bebidas?

- É melhor. - Sim, vamos, um gin com tônica.

O que você acha?

- Não, vamos tomar um mezcal. - Mezcal? O que é isso?

- Querido, não está abrindo. - Como assim?

- Não, abre. - Josep Maria, abra!

- Queremos ir! Vamos lá! - Eu já tentei e nada...

Não está abrindo.

É que ele é um brincalhão.

Um pouco idiota, isso sim.

Quem é aquele cara?

Olá?

Com licença?

Esse não é Josep Maria, não é mesmo?

Me desculpe...

Onde está o Josep Maria?

Vamos jogar outra vez?

Merda.

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