All language subtitles for An.Invisible.Victim.The.Eliza.Samudio.Case.2024.1080p.WEBRip.x264.AAC5.1-[YTS.MX].SHD

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Original subtitles

[grilos cricrilando]

[cão arfando]

- [homem] Bruno te ligou hoje? - [mulher 1] Não.

- [homem] E se ele ligar? - [mulher 1] Não vou atender.

Se ele me ligar, eu vou procurar a polícia.

[música tensa]

[mulher 2] Ele ameaçou ela várias vezes.

Todo mundo falava pra ela ter medo, tomar cuidado.

Às vezes, ela apanhava dele e falava: "Ele me bate porque ele me ama."

[mulher 1] Ele me ameaçou pelo telefone.

Falou que ia me bater, que ia mandar me matar.

"Você não me conhece, não sabe do que eu sou capaz."

[música se dissipa]

[música de suspense]

[mulher 3] Ela corria atrás dos sonhos dela.

Ela era sonhadora.

[mulher 4] E o sonho dela era ser goleira.

Ela achava que ela ia ser uma goleira profissional.

Ela queria, né?

[meninas comemoram]

[mulher 5] E a Eliza sonhava alto, ela sonhava em ir embora do país,

ela sonhava ser grande.

[música tensa]

[homem 1] A polícia investiga o desaparecimento

da estudante Eliza Samudio, de 25 anos,

ex-namorada do goleiro Bruno, do Flamengo.

[homem 2] Bruno era capitão do Flamengo.

Era o time da moda, o time que vencia tudo,

o Bruno era um cara na mídia.

Imagina esse goleiro sendo acusado de um crime.

Tô torcendo muito para que ela apareça e acabe logo com essa situação,

tá sendo chato, tô triste com isso.

[mulher 6] Eu acho que ele se achava

dono do mundo.

A Eliza acreditou,

confiou no Bruno.

[mulher 7] A Eliza fez tudo certo. Ela procurou a justiça.

Ela pede socorro pra todo mundo.

Mas a Eliza não é ouvida.

[mulher 8] Medo era uma palavra que não existia no vocabulário dela.

[mulher 7] Ela se apaixonou pelo homem errado.

Ele falou: "Se você for na delegacia ou em qualquer lugar,

eu vou atrás de você, mato você, mato sua família, mato suas amigas,

porque eu sei onde está cada uma.

Sei o nome de cada uma delas."

[homem 3] Cadê o cadáver? Não tem.

Óbito? Não tem.

Necrópsia? Não tem. Pra mim, tá viva.

Estamos oferecendo, atenção, Brasil.

Um milhão de reais

pra quem trouxer aqui a Eliza Samudio viva.

[mulher 9] Onde está a Eliza?

É uma pergunta que milhares de pessoas gostariam de saber.

[torcida ovacionando]

[fogos de artifício]

[torcida ovacionando]

[narrador de futebol] O Flamengo é campeão brasileiro de futebol!

Seis vezes campeão do Brasil!

[homem] O Bruno, como atleta, é excepcional.

Alto,

forte, ágil.

Com uma excelente capacidade de velocidade de reação.

O Bruno nasceu pra ser goleiro.

[narrador de futebol] Bruno defende de forma sensacional

no Maracanã!

Na época, ficou conhecido o time do Flamengo,

que era o Império do Amor.

Wagner Love

e Adriano Imperador.

Os flamenguistas têm um saudosismo enorme por aquele time.

E o goleiro Bruno ali.

Então, era um time imbatível.

[narrador de futebol] O Flamengo é campeão carioca!

[torcida ovacionando]

E é o maior campeão de todos os tempos!

O Bruno defendia 600 bolas chutadas pra ele.

Por dia.

Tinha um preparador de goleiro e três auxiliares.

A gente olhava e falava: "Como é que o cara consegue?"

[música instigante]

[mulher] A gente chamou o goleiro Bruno

pra fazer um "Almoce com seu Ídolo".

Era uma coluna numa revista do Jornal Extra

que saía aos domingos.

Nessa coluna, "Almoce com seu Ídolo", pediram para almoçar com o Bruno.

Os fãs do Bruno.

E, nesse dia, o Bruno leva a Ingrid.

Faz foto com a Ingrid e mostra a noiva dele na ocasião.

Ele já tava com a Ingrid há quase um ano.

E o caso com a Eliza aconteceu justamente durante esse relacionamento.

O problema é que a Eliza não sabia desse relacionamento do Bruno.

Não sabia que o Bruno estava noivo.

E a partir dessa matéria,

em que o Bruno almoça com os fãs e a Ingrid,

talvez ali tenha sido o grande embasador pra toda essa história.

[música melancólica]

[Eliza] Ele tava me tratando super bem,

até que então eu vi uma matéria no jornal, ele falando que tava namorando.

Foi quando eu me revoltei e resolvi vir à tona nos jornais

e contar que eu tava grávida.

Conheci ele num churrasco aqui no Rio,

através da minha amiga e de uns conhecidos que tinha aqui.

A gente acabou se envolvendo.

[mulher] Conta mais detalhes. Como foi?

Você tava me contando que ele que chegou pra falar com você.

Você tava na sua?

Foi, eu cheguei, ele tava sentado sem camiseta,

por sinal, tem um porte físico atraente.

Até então, eu fiquei na minha.

Falei pra uma amiga: "Tô passando mal!

Ele é muito bonito, pelo menos de corpo."

Aí a minha amiga falou que ele queria ficar comigo.

Falei: "Deixa acontecer."

Eu tava a fim, ele também. Aí aconteceu, a gente se envolveu.

Comecei a sentir muito enjoo de bebida, aí fiz exame.

Assim que eu fiz o exame, contei pra ele.

Ele falou: "Então tá, o que você quer?" Falei: "Não, vou ter."

A gente continuou se vendo, se falando.

Até 15 dias atrás, tava tudo ótimo, tudo a mil maravilhas.

Aí, do nada, ele ficou maluco.

[mulher] O que tá acontecendo?

Tá tentando falar com ele e ele não liga?

Eu tento falar com ele, ele não atende, me manda pra puta que pariu e…

Não sei mais nem o que fazer.

[acorde tenso]

Ele não admitia a gravidez

com uma mulher que ele dizia que não tinha um caso, né?

Ele tinha o relacionamento com a Ingrid,

mas não admitia ter um relacionamento com a Eliza Samudio.

E um ano depois dessa notícia vir à tona,

a Eliza desaparece.

[música tensa]

[homem] A investigação do desaparecimento da estudante Eliza Samudio,

que teve um relacionamento com o goleiro Bruno, do Flamengo,

ganha novos capítulos a cada momento.

A polícia retomou, nesta terça-feira, as buscas no sítio do jogador,

em Esmeraldas, na região metropolitana da capital.

Tudo começou na quinta-feira da semana passada,

quando recebemos a informação que o Bruno,

goleiro do Flamengo,

teria agredido violentamente a Eliza,

nesse sítio, que é do Bruno,

e que a mesma teria desaparecido,

e que o bebê, filho dos dois,

teria ficado em poder dos funcionários do sítio.

[música de suspense]

[Marixa] Eu fui procurada por duas delegadas de polícia à época,

informando que estavam investigando o sumiço de uma criança,

e também o desaparecimento da genitora, da mãe dessa criança.

E nesse pedido, é…

Era a busca e apreensão pra ser realizada em um sítio.

Eu analisei o pedido,

vi que tinha fundamentos e deferi essa busca e apreensão.

[música tensa]

E daí começou a saga desse caso.

[grilos cricrilando]

[interferência do rádio]

Uma autoridade policial localizou uma mala totalmente queimada,

e, nessa mala, havia pertences de um bebê,

como fraldas, roupinhas e também pertences de uma mulher.

Daí pra frente, desencadeou uma investigação,

porque no Rio de Janeiro também teve a notícia,

através de amigas da Eliza,

de que ela havia desaparecido.

[mulher] O pai de Eliza acredita que muitas pessoas

ligadas ao goleiro têm informações importantes

e podem contribuir com os trabalhos de investigação.

Eu peço a eles, de todo o coração de pai,

que saiam do anonimato e denunciem.

Para que isso não volte a acontecer com o filho de ninguém mais neste mundo.

Quando ela desapareceu…

uma das amigas dela,

no instante, ela…

me ligou.

Me ligou e me disse: "Olha,

a Eliza tá indo por um caminho…

que nós todas fomos contra, avisamos ela pra não ir.

Ela tá correndo risco de vida."

[música tensa]

[digitação no computador]

[mulher] Fala da sua ligação com o futebol.

Você jogava… Fala um pouquinho desse começo.

Joguei salão, joguei 10 anos, salão.

Fui goleira de salão.

[burburinho]

[mulher 1] Quando eu conheci a Eliza, a gente jogava pra equipe do Foz.

Ela era a goleira, camisa número 1.

Eu era a 10, artilheira.

[burburinho]

Jogava muito, era uma excelente goleira.

Tinha tudo pra ir pra fora do país jogar.

Era uma garota muito apaixonante.

[mulher 2] Eliza era goleira.

Das boas.

Era molecão.

Era bermudona, camisetão, bola embaixo do braço.

Amarrava aquele cabelo, ia jogar bola no meio da rua.

[Carla] Defendia sem medo.

A Eliza chegava de peito aberto pra defender,

sem medo de levar bolada na cara.

Ela era uma goleiraça.

[música de suspense]

[mulher] A Eliza, quando era mais nova,

morava na mesma favela que eu.

Morava com o pai e com a avó, que era a mãe do pai dela.

Bonita.

Espontânea, com aquela alegria dela,

que ela tinha um sorriso…

Mesmo de onde ela veio,

com tudo que ela passou,

aquela alegria ninguém tirava dela.

[mulher] A Eliza recebeu o nome da minha bisavó, Eliza Samudio.

Aqui é Luis Carlos Samudio, meu irmão, pai da Eliza.

A Eliza morou com nós.

Fomos para a escola juntas.

Fizemos bagunça juntas.

Nós gostávamos de ir ao rio, brincar no rio.

Quando a Sonia engravidou,

tava esperando a Eliza,

a gente não tinha um compromisso formal.

Só que uma vez nós conversamos.

Eu falei para ela: "O dia que você se fartar,

quiser ir embora,

e, na hora de ir embora, quiser deixar a menina comigo,

pode fazer."

Ela simplesmente entregou pra mim…

e foi embora.

[música melancólica]

Eu saí fugida.

[funga]

E eu lembro bem que quando…

falei que ia pegar a Eliza,

ia trazer embora comigo…

ele falou: "Pode vir buscar sua filha.

Eu te entrego.

[funga]

Mas você não vai levar ela inteira."

[funga]

Eu preferi que ela ficasse.

[funga]

[música melancólica continua]

[mulher] A Eliza, logo que eu vi ela, já gostei dela.

Na hora, assim, sabe?

Tava com 22 anos, mais ou menos, quando eu conheci ele.

Ele falou que ele tinha uma filha, né?

Na época, acho que a Eliza tinha uns dois anos, mais ou menos.

Era um bebê ainda, né?

Ele levou a Eliza, foi morar lá em casa.

Eu tinha a Suelen também, né?

Nessa época, elas tinham quase a mesma idade.

Falamos: "Vamos criar junto, né?"

[burburinho das crianças]

O Luis era um homem muito bonito.

Na verdade, foi o mais bonito que eu conheci na época, né?

Ele atraía as mulheres.

Não sei de que forma, mas ele atraía, né?

Eu fiquei sabendo, através de uma vizinha, que ela tava grávida dele.

Brigamos, separamos, passei mal, desmaiei, fui pro hospital.

No fim, eu tava grávida também.

Eu tava de 40 dias quando fiquei sabendo que tava grávida,

e ela tava de dois meses.

[acorde tenso]

[música tensa]

[mulher] Eu conheci o Bruno pequenininha mesmo.

A gente morava no mesmo bairro.

Aqui, a gente namorava ainda.

Comecinho de namoro.

O Bruno foi meu primeiro namorado, meu noivo e meu marido.

Ele já jogava quando a gente começou a namorar, mas não era nada…

Era o início de carreira, sabe? Era o início de um sonho.

Porque a gente era…

Morava dentro da favela…

Nós dois de uma realidade muito pobre.

O pai do Bruno,

eu acho que ele já esteve preso

por cometer assaltos, e ele foi morto em um assalto, né?

Ele foi assaltar um policial…

e acabou tomando três tiros.

Então, quem via de fora não acreditava muito.

Foi muito… Foi muita luta.

Vendo as entrevistas do Bruno,

eu reparei o quanto eles eram parecidos, né?

Jogavam como goleiro,

tinham uma família um pouco desestruturada.

E ele conseguiu chegar lá.

Aí eu fico me perguntando: "E se ela fosse um homem?"

[música instigante]

[Luciane] A Eliza também teve uma infância não muito boa.

O que eu passei, ela também passou.

Rejeição, falta de amor, falta de carinho.

E isso leva a gente a fugir de casa, igual eu fiz, igual a Eliza fez.

E a Eliza sonhava alto, ela sonhava em ir embora do país,

ela sonhava…

ser grande.

[música sentimental]

[Dulci] Certo dia, acho que umas oito da noite, ela chegou lá em casa.

Ela falou: "Tia Dulci, vim me despedir.

Não sei quando volto, mas só vou voltar quando eu tiver rica."

Ela falou: "Vou jogar bola, vou ser goleira, ganhar muito dinheiro."

[música esperançosa]

[Luis] Ela tinha uma coisa especial que irradiava nela.

Eu sempre dizia que ela era uma ninfeta.

É uma coisa diferente, diferenciada.

Às vezes, esse tipo de beleza te traz muitas coisas boas…

mas também atrai coisas negativas.

[sirene ao longe]

[mulher] Ela vem pra São Paulo,

só que ela não encontra o cenário que ela imaginou, né?

É um mercado extremamente competitivo.

Ela não tinha contatos, não tinha experiência,

é um mercado muito fechado.

E é nesse momento

que ela tem contato com pessoas da indústria de entretenimento adulto.

[notificação do MSN]

[notificação]

[acorde tenso]

[mulher] Quando ela saiu de Foz,

ela foi para São Paulo atrás de um sonho.

Ali ela teve amizades,

ela teve influências ali dentro.

Ali ela teve propostas, porque ela era uma mulher muito bonita.

Ela acabou aceitando, por quê?

Porque ela tava longe,

sozinha em São Paulo, ela precisou de uma ajuda e não teve.

Aceitou proposta, talvez, que hoje falem que ela era uma mulher da vida,

e não era.

[Monica] A passagem dela foi muito curta.

Rapidamente, ela percebeu que aquilo não era pra ela.

E aí ela abandona, é…

esse trabalho e vem pro Rio de Janeiro.

[música animada]

A Eliza e o Bruno se conheceram numa festa, através de um amigo.

Um amigo do meio do futebol.

Se conheceram, teve aquela atração.

A Eliza achou ele muito bonito, né?

Todo aquele encanto da juventude, da época.

Tinha a áurea do jogador famoso.

Isso tudo tem uma atração.

Infelizmente, ela se apaixonou pelo homem errado.

Logo mais eu soube que ela engravidou.

E depois que ela engravidou desse menino aí é que…

começou o verdadeiro calvário.

[música de suspense]

[acorde tenso]

[Monica] E o Bruno, naquela época,

estava no auge com o convite com o Milan,

e com possibilidade de jogar, inclusive, na seleção.

E ele não queria a Eliza atrapalhando os seus planos.

Como que ela ousaria enfrentar o Bruno,

o goleiro do time, da nação?

[torcida ovacionando]

Esse título é pra minha família que sofreu o ano todo, lógico.

Porque esse título é pra eles.

Esse título agora ninguém tira.

Pode tirar meu dinheiro, pode pegar meu carro,

pode pegar tudo, mas o título ninguém tira.

[marcha nupcial]

[Dayanne] Quando a gente namorava, nossa…

que pessoa maravilhosa.

Carinhoso.

Cuidadoso.

[padre] Abraçando o matrimônio,

eis de prometer amor e fidelidade um ao outro.

É por toda a vida que prometeis?

- Sim. - Sim.

[Dayanne] Naquele momento ali,

a gente vai com aquele pensamento: "Ai, é pra vida inteira, né?"

[música romântica]

Quando eu me casei com o Bruno, não era um Bruno

que achei que fosse deixar o sucesso subir à cabeça desse jeito.

Então, a partir do momento que ele começou a ficar…

A ter um pouquinho mais de fama…

foi aparecendo mais mulheres,

foi aparecendo mais traições.

[música tensa]

Quando a gente mudou pro Rio,

ficou ainda mais evidente essa questão das traições.

Eu já cheguei a contar

coisa de sete, oito amantes ao mesmo tempo.

Eu soube que ele ficou noivo…

no meu sítio.

No nosso sítio, na época,

enquanto a gente ainda era casado, né?

O sítio era um lugar que a gente sempre ia em família.

E ele ficou noivo de outra pessoa lá dentro.

Muito provavelmente dormiu no meu quarto, com as minhas coisas.

E ele começou… Ele ficou muito deslumbrado depois que…

Ainda mais deslumbrado depois que foi pro Flamengo.

Eu acho que ele se achava…

dono do mundo.

[Caio] O Bruno tinha mais de um relacionamento ao mesmo tempo.

Ele era casado com a Dayanne, noivo da Ingrid,

namorado da Fernanda, amante da Eliza.

Eram muitas outras mulheres.

A vida do Bruno é uma vida irreal.

Uma vida de festa, uma vida de suruba, uma vida de excessos o tempo todo.

Porque pro jogador de futebol não importa fazer gol.

Ou apenas fazer gol.

Tem que ter essa necessidade de autoafirmação masculina.

Tem que beber até cair,

tem que comer mulher até cair,

tem que participar desse ciclo tóxico.

Senão, não participa.

[gagueja] Senão, não entra na equipe.

Se existe um lugar onde tem masculinidade tóxica o tempo inteiro,

é dentro de um clube de futebol.

[homem] Bruno e atletas da equipe carioca

se envolveram em uma briga com garotas de programa durante uma festa.

A confusão aconteceu em um sítio

que pertence ao goleiro Bruno, do Flamengo.

Como é que foi na hora da confusão?

[mulher] Minha amiga tava mais o Bruno no quarto e eu entrei.

Nisso que entrei, ele começou a tirar a roupa.

Ele foi… Eu perguntei: "Você tem preservativo?"

Aí ele falou: "Não." Falei: "Meu bem, então não rola."

Ele já puxou meu cabelo: "Sua piranha!"

Aí nisso ele já veio pra cima de mim, a Andreia já chegou, entendeu?

[homem] E às vésperas do Dia Internacional da Mulher,

ao comentar uma briga de Adriano com a mulher,

ele saiu com esta pérola.

Qual de vocês aí, que é casado, que nunca brigou com a mulher?

Nunca discutiu, nunca até saiu na mão com uma mulher?

Logo o Bruno, que já tinha toda a questão com a Eliza Samudio,

falando dessa maneira sobre uma mulher,

no Dia Internacional da Mulher.

A gente mostrou o que vinha acontecendo,

que ajudava a construir um pouco do que era o Bruno fora de campo.

A Eliza, é…

não foi tão levada a sério

por um motivo específico.

Tentaram transformá-la na prostituta

que queria ter um filho com…

um jogador de futebol e garantir uma pensão.

[mulher] O que acha do termo Maria Chuteira?

As pessoas dizem que a menina que tá sempre com jogador de futebol…

O que você acha disso?

Depende. Se é a mulher que vai atrás, até concordo.

Mas e se é o cara que vem atrás e…

Eu acho que o Bruno teve raiva da Eliza

pelo fato de ela ter engravidado e tornado esse fato público.

Porque isso expôs o Bruno à chacota.

O cara tinha virado, na verdade, um bobo

que caiu no golpe de uma Maria Chuteira.

Era assim que viam a Eliza.

E isso era inadmissível pra ele.

[música tensa]

No futebol, a gente tem uma expressão

que fala que alguns jogadores são como granada velha, né?

Elas vão explodir em algum momento.

É… A gente só não sabe na mão de quem.

A diferença é que a granada do Bruno explodiu.

Só isso.

Todo mundo falava para ela ter medo, pra tomar cuidado.

Às vezes ela apanhava dele e falava: "Ah, ele me bate porque ele me ama.

Ele é louco, mas ele me ama."

Ele ameaçou ela várias vezes.

Ela contava pra gente que ele ligava pra ela no meio da madrugada.

[homem] O que houve?

Ele me ligou era 2h da manhã.

Não, 1h48.

Me passou um rádio de um ID diferente. Aí eu falei: "Oi, quem é?"

Daí ele: "Fala, Bebeu."

"Quem é?" Daí ele: "Fala, Bebeu."

Eu falei: "Fala, Bruno." Aí ele falou: "Tem como a gente conversar?"

Falei: "Conversar com você é difícil,

porque você é uma pessoa louca, não sei do que você é capaz."

Eu não ia encontrar ele,

mas, se eu não saio, ele ia invadir a casa e fazer coisa pior.

Aí ele pegou, começou a me bater,

falou: "Você não queria aparecer?

Você foi no jornal rindo, falando que ficou com isso, com aquilo."

Me deu dois bofetões enormes na cara.

Me levou pro apartamento dele, me deu um monte de remédio para dormir,

e uma bebida horrorosa, horrível, que eu não sei o que era, pra eu beber.

Aí eu bebi, dormi e acordei agora, era duas horas da tarde.

Aí eles falaram: "Tá bom, sexta-feira você vai abortar a criança."

Eu falei: "Tá bom."

Aí ele falou: "Se você for na delegacia ou em qualquer lugar, vou atrás de você,

mato você, mato sua família, mato as suas amigas,

porque eu sei onde tá cada uma, eu sei o nome de cada uma delas."

[homem] Tinha algum deles armado?

Tinha. O Bruno que pegou a arma na mão e enfiou na minha cabeça.

Aí agora ele falou assim: "É, eu sou pior do que você pensa,

eu sou frio e calculista."

Falou: "Esperei a poeira baixar e vim atrás de você,

você não vai ter esse filho, porque eu não quero."

[música tensa]

A Eliza era uma ameaça, né?

A Eliza era uma mulher muito geniosa.

Então, a Eliza foi até a mídia.

Ela… Ela estava disposta a lutar pelos direitos do filho dela.

Ela estava disposta. Isso incomodava.

Isso incomodava as pessoas que o cercavam.

Isso tudo criou um terror no meio daquelas pessoas.

[homem] O que pretende fazer depois de registrar a queixa contra ele?

Não sei. Espero que ele seja preso, só isso.

O vídeo da Eliza Samudio na porta da delegacia foi tão importante,

porque o Bruno podia ser convocado pra seleção brasileira.

Era um goleiro que estava em ascensão.

Imagina esse goleiro sendo acusado de um crime.

[música de suspense]

[música fica tensa]

Você tem algum tipo de prova disso?

De alguma maneira, você pode comprovar essa sua história?

Pior que não.

Só a minha amiga mesmo sabe que eu saí com ele.

- Acordei ela para avisar. - Mas só até aí.

Que ele passou na sua casa e você saiu com ele.

Daí pra frente, não tem como provar nada.

Aí não tem mais como provar nada.

[Sonia Abrão] Ela passou por exame de corpo de delito,

foi comprovado que você tinha sido agredida.

Aí o pessoal diz: "Mas não tem como comprovar que tenha sido o Bruno."

E teve gente que aventou a possibilidade, aí que a coisa pegou pra Eliza,

de que ela mesma tivesse se machucado pra poder empurrar a culpa no Bruno.

Era isso que você queria esclarecer, né?

Queria dar a minha versão da história,

porque tá todo mundo criticando, falando que quero aparecer.

Não preciso disso.

Porque fama é uma coisa que não traz saúde,

não vai trazer saúde pro meu filho, proteção em nada.

A Eliza fez tudo certo.

A Eliza procurou a justiça.

Ela tinha advogados.

Ela procura a delegacia, faz o boletim de ocorrência.

A juíza, autoridade da época,

nega a medida protetiva,

entendendo que ela não fazia jus àquele direito.

Ela procura a mídia.

A Eliza pede socorro pra todo mundo.

Mas a Eliza não é ouvida.

[mulher] Na foto do painel,

Bruno é um dos destaques.

Apesar de todos os problemas com a justiça,

o vínculo do goleiro com o clube ainda não terminou.

Bom, temos mais dois anos de contrato ainda com o Flamengo, né?

Espero cumprir esses dois anos.

Cada um tem o seu… A sua virtude e o seu defeito.

Não posso atrapalhar o conjunto. Essa é a minha preocupação.

Tudo que aconteceu tem muita influência do próprio futebol, né?

Porque o Bruno acabou não sendo chamado para depor.

A delegada foi trocada no caso.

[música tensa]

- [homem] Por que tá indo embora do Rio? - Por medo de ameaças do maluco do Bruno.

- [homem] Tá indo para onde agora? - Pro Paraná.

- [homem] Vai ficar com seus amigos? - Vou, vou ficar lá.

Com uns amigos meus.

- [homem] O Bruno te ligou hoje? - Não.

- [homem] E se ele ligar? - Não vou atender.

Se ele ligar, vou procurar a polícia.

[homem] Ele tá dizendo que você é maluca. Você tá inventando isso?

Maluco é ele, não sou eu.

[música tensa]

Depois disso, ela fica com medo, né?

Ela falou até pra mim, que se alguém me procurasse,

pra dizer que ela teria ido pra Foz do Iguaçu, pra família dela.

Então, eu sabia que ela tinha ido pra São Paulo, mas…

ela queria que todo mundo achasse que ela tava no Paraná.

A Eliza, ela… lutava sozinha.

Mas não só contra o Bruno, contra uma nação.

Contra todos os fãs do Bruno.

E contra toda essa estrutura machista enraizada na sociedade brasileira,

especialmente no ambiente do futebol.

A Eliza era uma vítima invisível.

[música de suspense]

Tem uma expectativa boa de que tá tudo bem com seu bebê?

Ah, eu espero que sim.

Esse bebê é querido,

você quer ter esse bebê, sempre quis?

Ah, quero, porque um filho é tudo na vida de uma mulher, né?

[música tensa]

Os exames já estão prontos.

E vou expor a ela a situação.

Pela ultrassonografia, esse neném é saudável.

E a data provável do parto

é em torno do dia 10 de fevereiro de 2010.

Você acredita que agora,

aquelas ameaças que você comentou,

você acredita que isso tudo…

Não haveria como acontecer nenhum tipo de mal contra você?

No começo, fiquei com medo.

Agora tô mais sossegada, mais tranquila.

- Seu bebê é um menino? - É um menino.

Menino que vai se chamar?

Bruno.

[acorde tenso]

[música sentimental]

Ela falava que o filho dela ia ser goleiro.

"Você vai ser jogador, vai ser goleiro,

você vai ser top dos tops."

Era o tempo inteiro zelando, cuidando, pra não ficar sujo, sabe?

Banho, comida, tudo na hora.

E ela falava: "Pra mim pode faltar as coisas,

pro meu filho, não."

[música se dissipa]

Eu vivi uma relação com o Luis Carlos

bem conturbada de violências, idas e vindas, ameaças.

E a Eliza viveu exatamente a minha vida.

Ao contrário dela, eu fugi e me preservei.

Ela, não.

Ela enfrentou.

Ela não tinha medo.

Medo era uma palavra que não existia no vocabulário dela.

E o medo é…

[pigarreia] …algo essencial pro ser humano.

[música de suspense]

[mulher] Testemunhas ouvidas pelos policiais,

entre elas amigos do goleiro Bruno,

chegaram a afirmar que a mulher do jogador, Dayanne,

ajudou a esconder o bebê de Eliza Samudio.

[Dayanne] Falaram que a delegada queria me ver.

Quando eu cheguei na delegacia

que a Dra. Alessandra me chamou pra conversar.

Aí ela pegou e perguntou: "Cadê o neném?"

Não. "E cadê a Eliza?"

No primeiro momento, eu neguei.

Falei: "Eu não sei."

Mas aí eu comecei a ficar com medo.

[música de suspense continua]

Com muito medo.

[música tensa]

Até o momento que ela falou para mim assim: "Dayanne, é…

a Eliza pode tá morta.

Pode estar morta.

O Bruninho pode estar correndo risco de vida."

[música se dissipa]

Aí eu falei.

Daí que eles foram atrás do menino.

Percebendo a gravidade da situação,

da segurança dessa criança,

eles resolveram, um dos amigos, falar:

"Fui eu que peguei essa criança da BR-040, nas mãos da Dayanne,

ela pediu pra guardar a criança num local seguro.

Deixei na casa de uma amiga na Liberdade."

A gente conseguiu localizar a criança.

Uma pessoa totalmente estranha, que não sabia da origem da criança,

que não tinha perguntado de onde ela tinha vindo,

se tinha documento, de quem era filho.

Numa situação complicada.

Aí encontraram o bebê.

E trouxeram pra delegacia.

A partir do momento que trouxeram ele pra delegacia,

eu fui autuada como subtração de incapaz, né?

Aí eu não pude mais sair da delegacia.

[mulher] A mulher do goleiro Bruno foi presa de madrugada.

O filho de Eliza, de 4 meses,

teria sido entregue por ela a amigos do goleiro.

[Silvia] Encontraram o neném numa favela.

Recebemos a notícia, era meia-noite,

e pegamos o voo às seis da manhã.

Pra ir buscar o Bruninho e saber realmente o que tinha acontecido.

- [música tensa] - [cliques de câmera]

[burburinho]

Sabe a emoção de pegar aquela criança?

Nos braços.

Eu acho que eu peguei… Eu chorei tanto, sabe, assim…

Era um sentimento…

Não tem como explicar.

Saber que tava pegando um pedacinho da Eliza

e sem saber onde ela tava.

Era um sonho frustrado, sabe?

Quando eu vi as coisas, já vi o Luis Carlos e a Silvia

viajando com o Bruninho pra Foz do Iguaçu.

Eu conversei com meu marido,

conversei com o advogado e falei: "Quero a guarda do meu neto.

Eu vou ficar com ele."

[burburinho]

[mulher 1] A mãe de Eliza Samudio, Sonia Moura, deixou a capital mineira

comemorando a decisão da justiça de Foz do Iguaçu.

Direto para o aeroporto de Confins,

onde embarcou para buscar a criança no Paraná.

[mulher 2] Pela manhã,

oficiais de justiça pegaram a criança na casa do avô, Luis Carlos Samudio,

e levaram ao conselho tutelar, onde o bebê foi entregue à avó.

E por que a sua ex-esposa tá aparecendo agora,

já que ela ficou 20 anos da vida dela sem aparecer?

Ela tem um…

Como estamos chamando pela mídia?

A galinha dos ovos de ouro na mão, entendeu?

Quando a Eliza desaparece…

e a polícia vai em busca da criança, o pai dela retorna.

Como se fosse um super-herói.

Ele aparece na mídia como arquiteto,

como empresário, carregando os filhos no braço.

Uma imagem que não pertence a ele.

[mulher] Luis Carlos Samudio é processado no Paraná por estupro.

Ele foi condenado a oito anos de prisão em primeira instância,

mas recorre da decisão em liberdade.

E com base nisso, ele acaba perdendo esse direito de ficar com a criança.

Ele desaparece novamente da história.

Da mesma forma que apareceu, ele desaparece.

[burburinho]

[homem] Tá acompanhado…

[homem] Saiu na televisão que acharam a criança.

[mulher] Dr. Edson, conversa com a gente.

Deixa eu acelerar, preciso trabalhar.

[mulher] Aonde o senhor vai agora?

Aí, no dia seguinte, fomos pra Contagem.

Aí começamos a investigação pra valer.

[música de suspense]

Alguma coisa estava errada.

Cadê a mãe da criança?

[mulher] Qual foi a última vez que você teve com ela?

Eu tive com ela há uns…

Não sei dizer muito bem, mas talvez uns dois, três meses atrás,

quando eu fui conhecer a criança, né?

Ela te entregou o bebê? Quem entregou o bebê?

Não, eu acho que…

É igual o meu advogado falou, eu não posso falar.

Mas quem trouxe a criança pra mim foi o Macarrão,

que é um funcionário.

Que acabou me entregando a criança.

Falando que ela tinha deixado a criança com ele

e ia resolver uns problemas pessoais.

Ele é meu funcionário e pode responder melhor do que eu.

Como eu já tava separada do Bruno

há um tempo,

quando o Bruno chegou aqui,

em Minas,

no… Próximo do que aconteceu com a Eliza, eu já estava no sítio.

Eu tava olhando casas aqui em Minas.

Eu sei que o Bruno chegou perto de mim e pediu pra eu olhar o neném.

Eu falei: "Cadê a mãe desse garoto?"

Ele falou: "Como assim? Ela entregou o neném pro Macarrão,

mandou o Macarrão trazer pra mim,

pra eu me virar com ele."

Eu acreditei no Bruno.

- [respira fundo] - [música de suspense]

Eu acreditei nele.

[acorde tenso]

[música de suspense continua]

Eu aluguei um táxi com o meu colega, que era o fotógrafo,

pra gente ir em Esmeraldas,

porque lá ficava o sítio do goleiro Bruno,

e nesse sítio a Eliza teria passado antes de desaparecer.

Então a gente ficou circulando ali, em volta do sítio,

para ver como era o local.

Cheguei a observar que havia alguns objetos queimados,

alguma coisa de roupa, uma lata de leite em pó de criança queimada,

e eu pisei, no fundo do sítio,

num álbum de fotografia de um bebê.

E mostrei pro fotógrafo: "Olha, encontrei isso aqui."

A gente começou a folhear.

Era um álbum de fotografias com nove fotos,

a maioria delas queimadas.

Em três, dava pra identificar o rosto de um bebê.

[homem] Ontem, Luis Carlos Samudio, pai de Eliza,

disse que é seu neto

o bebê que aparece na foto encontrada pela equipe de reportagem

do jornal Folha de São Paulo.

Essa foto, sendo do filho da Eliza,

era um indício de que ela estaria no sítio

e era uma prova do crime.

[música tensa]

No dia 29 de junho de 2010,

meu diretor me pediu que fosse examinar

o veículo de um jogador de futebol famoso,

e esse veículo havia sido apreendido

e estava no pátio de detenção de veículos da cidade de Contagem.

[homem] O carro do goleiro Bruno, apreendido pela polícia mineira

por irregularidades na documentação no dia 8 de junho,

é agora o principal alvo das investigações

sobre o desaparecimento da modelo Eliza Samudio.

[Angela] Quando nós examinamos o veículo Range Rover,

nós percebemos uma quantidade considerável de sangue.

Eu diria cerca de uns 500ml de sangue,

que é uma grande quantidade.

[acorde tenso]

Nós fizemos as coletas de material

e foram constatados dois perfis de DNA.

Um perfil masculino e um perfil feminino,

que era o perfil da Eliza.

Então, nós constatamos que ali houve um atrito

entre um homem e a Eliza.

[música tensa]

[mulher] Como tá sendo pra você e sua família enfrentar esse assédio todo?

Sua esposa, suas filhas?

É meio constrangedor, né?

Mas eu já falei, deixei bem claro, deixei nas mãos de Deus, né?

Deus sabe o que faz.

Né? Eu acho que…

tô torcendo muito para que ela apareça e acabe logo com essa situação,

que tá sendo chato, tô triste com isso.

- [mulher] Acha que ela tá viva? - Espero, poxa, claro.

Acho que isso é o que todos nós queremos, né?

É lógico que eu quero que ela apareça,

que acabe logo com isso, entendeu?

As burrices do Bruno, dando entrevista pra televisão,

contando uma versão que eu só ia aproveitando,

essas entrevistas todas,

pegando cópia

e mandando pra perícia…

pra mostrar as contradições…

de tudo que ele tava falando.

Pegamos toda aquela turma do sítio,

o caseiro, tudo, ouvimos todo mundo, detalhamos tudo.

E quando eu tava no ponto certo…

Quando tava no ponto certo…

pedimos a prisão de todo mundo.

[música tensa]

[homem] Às 5 da manhã, policiais do Rio de Janeiro e Minas Gerais

estiveram no condomínio onde Bruno mora,

mas ele não foi encontrado.

Ainda pela manhã, o advogado de Bruno já dizia que ele se entregaria.

Não sei onde ele está.

Deve estar no Rio de Janeiro, mas não sei onde ele está.

Assim que eu conseguir contato, ele vai se apresentar.

[homem 1] Chegou o Bruno. Muita confusão.

[homem 2] O goleiro Bruno e o amigo Macarrão

se entregaram por volta das cinco da tarde

no prédio da Polinter, na Zona Norte,

e foram recebidos por uma multidão.

[burburinho]

Assassino!

Esse processo foi o maior desafio da minha carreira,

porque foi uma investigação

envolvendo nove pessoas,

das quais uma delas, um goleiro de um time

que tem a maior torcida do Brasil,

envolvendo mais de 50 advogados que passaram pelo processo,

envolvendo mais de 150 testemunhas

que precisaram ser ouvidas durante a instrução sumária.

[homem 1] O julgamento do goleiro Bruno começa hoje de manhã.

[homem 2] Um forte esquema foi montado para a escolta de Bruno Fernandes

da Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria

até o Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

[música tensa]

[homem 3] O goleiro Bruno Fernandes acaba de chegar ao Fórum

aqui do município de Contagem,

onde daqui a pouco começa o julgamento dele

e da ex-mulher, Dayanne Rodrigues.

[multidão] Bruno! Bruno! Bruno!

Bruno!

[homem] Jesus te abençoa!

[mulher] Jesus vai te abençoar!

Tô torcendo por você! Tô torcendo por você! Vai com Deus!

[burburinho]

[música tensa]

Quando as viaturas que traziam os homens que estavam presos,

que eles abriram a porta pra que eles pudessem descer,

os gritos eram de… É…

histéricos,

de "lindo", "tesão", "bonito", "gostosão".

Ao passo que quando se abriu a viatura que traziam as mulheres,

os gritos foram de "corna mansa", "chifruda",

"loura burra", "vai pintar esse cabelo"…

[mulher] Ô loura falsa!

[vaias]

[homem 1] O início do julgamento do Bruno e da ex-mulher dele, Dayanne Rodrigues,

trouxe para a cidade da Grande Belo Horizonte

jornalistas do Brasil inteiro, que acompanham, minuto a minuto,

o desenrolar deste, que é um dos principais julgamentos

da história do Brasil.

[homem 2] Os advogados de defesa prometem travar uma verdadeira batalha.

A defesa técnica dele acredita que a confissão vai prejudicar ele,

uma vez que não tem provas suficientes da condenação do Bruno.

Vasculharam a casa inteira, não encontraram absolutamente nada.

Não se julga ninguém por crime de morte por desaparecimento,

porque quem desaparece, também sempre aparece.

[música de suspense]

[cliques das câmeras]

[Marixa] Seu nome completo?

[Bruno] Bruno Fernandes das Dores de Souza.

Tem acusados presos aqui que são colegas seus,

de até infância,

lá de Ribeirão das Neves.

Estão presas a sua ex-mulher, a sua ex-namorada

e os seus colegas.

[suspira] O senhor está disposto a declarar

a verdade que sabe sobre os fatos?

Somente a verdade, Excelência.

Foi você que salvou a vida do Bruninho?

Excelência, em momento algum

a vida dele esteve em perigo, ou da Eliza, porque estava sob os meus cuidados.

Eu perguntei se ela corria risco de vida, se ela queria alguma coisa.

Ela falou que não.

A única coisa que eu poderia fazer era cuidar do menino por sete dias,

porque o menino não era mais de peito.

O menino, como todos falaram: "Que tirou uma criança…"

As más línguas falam que eu tirei uma criança do braço da mãe,

que foi uma… Nossa, uma mentira danada,

porque eu fiquei com a criança por sete dias.

Eu fiquei, eu falei: "Eu fico por sete dias.

Dentro de sete dias, você vai voltar?"

Ela falou: "Eu volto pra pegar o meu filho."

[Marixa] Uhum.

Tranquilidade, você é inocente.

Eu sei disso. Sempre. Graças a Deus.

[Marixa] Boa noite, Luiz Henrique.

Boa noite.

O nome completo do senhor?

Luiz Henrique Ferreira Romão.

É… Sua naturalidade… O senhor tem algum apelido?

Macarrão.

Fica o senhor ciente que não é obrigado a responder as perguntas que eu lhe fizer,

que seu silêncio não será interpretado contra a sua defesa,

mas a confissão é um elemento de redução da pena no caso de eventual condenação.

Deixei bem claro pra todos, não tenho ele só como amigo…

Mas mais do que um amigo, é quase um irmão para mim.

Então eu conheço muito bem a pessoa Macarrão.

Conheço muito bem o que ele é.

[gagueja] As pessoas falam que ele é um monstro,

que é isso, não tem nada disso.

Ele é uma excelente pessoa, pai de família.

[música sentimental]

[homem] Tudo começou neste campinho dentro da favela

onde Bruno foi criado.

É no lugar conhecido como Buracão

que o goleiro encontrou aquele que se tornaria o melhor amigo,

Luiz Henrique, o Macarrão.

A amizade entre Macarrão e Bruno saiu da favela.

De amigos, os garotos do Liberdade passaram a ser funcionários de Bruno.

Macarrão era o braço direito do goleiro do Flamengo.

O Macarrão era o cara que tava sempre no Flamengo. Sempre.

Era figurinha fácil em todos os treinos.

Todo jogador tem um Macarrão pra si, um Macarrãozinho de estimação.

Todos eles.

A gente chama de "bucha".

É o cara que não tem formação, não tem nada,

o cara que não fez nada na vida e que a profissão é o quê?

Amigo de jogador.

É o cara que segura a bolsa…

que liga o carro…

[gagueja] …pra quando o jogador entrar o ar-condicionado estar fresquinho.

Que arruma a cama dele,

o cara que faz as compras, compra a cerveja,

o cara que agencia a garota de programa.

[música tensa]

Todas as pessoas, os outros réus que tinham conexão com o Bruno,

eles, é… Em algum momento, se aproveitavam da pessoa do Bruno.

Financeiramente.

As pessoas não tinham raiva da Eliza.

As pessoas tinham receio de perder a boa vida que tinham do lado do Bruno.

[mulher] Que tipo de relacionamento que a senhora mantinha

com o Bruno até ele ser preso?

[inspira]

Nós éramos noivos.

- [mulher] Noivos? - Somos.

- [mulher] São noivos? Muito bem. - Somos.

[homem] O que o Bruno fala em relação à Eliza?

Ele diz o que da Eliza?

Ela tá viva? Ela tá morta?

Ele fala que ele tem esperanças de que ela vai aparecer.

Tem esperança de que ela vai aparecer? Ele menciona onde ela se encontra?

- Não. - [homem] Ele sabe onde ela se encontra?

Não.

[jornalista homem] A defesa insiste que a vítima está viva.

Eu não vi um cadáver.

Eu não vi um atestado de óbito

e eu não vi um relatório de necropsia.

Estamos oferecendo, atenção, Brasil.

Um milhão de reais

pra quem trouxer aqui

a Eliza Samudio viva.

Um milhão de reais.

[música inquietante]

[música tensa]

O Bruno começou a trabalhar…

com as amigas pra descobrir onde que a Eliza tava.

Foram várias tentativas.

Até que ele achou a Eliza aqui.

E convenceu a Eliza a ir pro Rio de Janeiro.

Por quê? Ele ia reconhecer o filho

e ia dar a pensão alimentícia e um apartamento pra ela.

Criar o filho.

Ele queria isso.

Mas isso aí é tudo uma fachada.

Era pra atrair a mulher, que realmente gostava do Bruno.

Ela gostava do Bruno.

E não gostava pouco, não.

Acho eu.

[notificação do MSN]

[música de suspense]

[notificação do MSN]

[notificação do MSN]

[Sonia] A Eliza…

Ela acreditou, confiou no Bruno.

Quando ele pega ela,

leva pro Rio,

com a conversa de que iria fazer o exame de DNA

e reconhecer o filho.

Ela tava num momento de fragilidade.

Bruninho tinha o quê? Dois meses de vida?

E ela acreditando que ele vendo

e tendo qualquer convivência com o filho,

vendo, tendo esse contato de…

Ele… Ele realmente…

ele ia gostar.

Ia…

ter algum sentimento de pai pelo Bruninho.

[música tensa]

[Edson] A Eliza já tava no Rio de Janeiro.

Tava no Transamérica.

Tudo planejadinho.

O Bruno vai pra concentração.

A Eliza disse que queria ver o Bruno, levar ele pra ver o filho.

O Macarrão enrola ela.

[Bruno] Macarrão explicou o que tava acontecendo.

E o que aconteceu foi o seguinte.

O que o Macarrão explicou que tava acontecendo?

Que ela queria ir no hotel na sexta-feira fazer um escândalo junto com a imprensa.

E o Jorge, por ser o meu sobrinho,

ele tomou as dores, aonde os dois tiveram uma discussão.

Eles se discutiram.

Acho que, se não me engano, teve uma agressão de ambas as partes.

[homem] A agitação na porta da delegacia veio depois de uma entrevista bombástica.

Lá dentro, prestava depoimento um jovem de 17 anos,

envolvido no desaparecimento de Eliza Samudio.

Minha sentença já tá dada, né?

Aqui eu tô pra poder ajudar, não prejudicar, né?

[homem] Horas antes, o tio dele revelou à Rádio Tupi

como o rapaz teria participado do crime.

Depois pegaram a garota, foram dar uma volta.

Não sei o que enganaram.

Ela, sem perceber nada, tomou uma coronhada.

O garoto tá assustado.

Ele falou: "Tio, eu que dei a coronhada." Tá entendendo?

Macarrão tava no volante.

[música tensa]

O rapaz, que se chamava Jorge,

veio contando a história

de que ele estava no porta-malas da Range Rover.

Em determinado ponto da… do trajeto,

ele abriu a cortina e apontou uma arma pra ela,

e ela entrou em embate com ele, em embate físico,

e os dois ficaram feridos.

[Edson] Ele dá uma coronhada, e a Eliza sangra.

Lógico, ela era franzina,

e o cara é mais forte.

Ele tava com a arma na mão, já tinha recebido uma coronhada.

Mas, mesmo assim, eles brigaram.

Até que ele dominou totalmente a Eliza,

os dois sequestraram a Eliza com o filho,

até a casa do Bruno, lá no Recreio dos Bandeirantes.

Deixou ela cativa lá.

A testa arrebentada.

Quando chegou no Recreio dos Bandeirantes, chamaram a Fernanda.

[homem] A mulher é descrita por testemunhas como loira,

muito linda e de aparelho nos dentes.

Para a polícia, é esta.

Fernanda Salles, mais uma namorada do goleiro Bruno Fernandes.

[mulher] Ela foi citada em um dos depoimentos do adolescente de 17 anos

que revelou a trama do desaparecimento de Eliza.

Segundo o menor,

Fernanda teria participado do sequestro de Eliza

do Rio de Janeiro para Belo Horizonte.

[Marixa] Precluso. Passo a palavra à Defesa.

[Carla] A Fernanda conheceu o Bruno, é…

já no ano de 2010.

Ela havia passado a sexta-feira com o Bruno,

quando, à noite, ela é chamada pelo Luiz Henrique,

que precisava da ajuda dela, mas não dizia pro quê.

Ele só pede a ela: "Toma conta dessa criança

enquanto eu converso com a mãe dela."

"Ah, mas que criança é essa? Quem é essa criança?"

"É o filho da Eliza."

[música tensa]

[Edson] O Bruno tá concentrado.

Ia jogar no dia cinco. Foi sequestrada no dia quatro.

[torcida cantando]

[narrador] Veio no apoio. Ainda ele, cruza, limpa, dribla, outro drible!

É um carnaval… Bateu!

Espalma o Bruno! De novo! Olha o rebote, vem o Basílio e é gol!

Pra vocês terem uma ideia…

de como ele tava fora de foco,

o time perdeu pro Goiás no Maracanã.

O Flamengo perdeu pro Goiás no Maracanã. O campeão brasileiro daquela época.

[pigarreia] Então…

É…

Chegando em casa,

ela tinha conversado com o Macarrão, um acordo financeiro.

Se eu não me engano, ela queria R$ 1.500,00,

nessa ép… Antes da… Antes dessa confusão toda.

De R$ 1.500,00, Excelência,

ela passou a querer 50 mil reais.

Ela falou: "Eu tenho algumas despesas a arcar, tenho algumas dívidas a pagar.

Então, preciso desse dinheiro até tanto… Até essa semana

pra ir pra São Paulo e arcar com as minhas despesas."

Foi o que eu disse. "Não tenho 50, posso te ajudar com 30."

Foi onde eu falei com ela: "Vamos fazer o seguinte:

você fica aqui no Rio de Janeiro,

eu te deposito esse dinheiro

e fica tudo certo, tudo tranquilo. Beleza?"

Aí ela falou: "Não, não confio em você."

"Eu viajo e pego o dinheiro."

Foi onde ela decidiu vir a Belo Horizonte, não eu a convidei a Belo Horizonte.

Ela decidiu vir comigo para Belo Horizonte.

Colocaram a Eliza na Range Rover.

E ele entrou na X5.

Belo Horizonte, à noite mesmo.

Já saíram.

[música tensa acelerada]

E, durante a investigação, nós descobrimos.

A Range Rover tinha um rastreador.

Tudo isso que eu tô narrando aqui agora,

o percurso,

tá no rastreador.

Tudo.

Chegaram aqui de madrugada, em Belo Horizonte.

Já tinham tomado o rádio Nextel, o celular dela.

E colocaram num cômodo da casa, refém.

[música de suspense]

[Monica] Ela permanece no sítio por seis dias.

E o sítio era frequentado pelos amigos do Bruno,

por outras mulheres.

E o ambiente no sítio era de festividade.

Há relatos de que havia sexo, de que havia música.

Nós ficamos conversando ali.

Aonde, Excelência… Só…

Se quiser acrescentar ali,

quem tá na rua, quem passa, vê a gente lá dentro.

O meu sítio é todo aberto, não tem nada fechado.

Nós ficamos conversando. Fiquei brincando com o Bruninho.

Tive mais contato com o meu filho.

- Já que dizem que é realmente meu filho. - [Marixa] Você brincou com Bruninho.

Criei uma paixão enorme pela criança.

Adoro criança.

O meu sonho, que muitas… Poucas pessoas sabem, era ter um filho.

Era ter um menino.

Então, eu fiquei brincando com a criança, conversando com a Eliza.

Então, Excelência, era tudo normal.

- [música tensa] - [risadas ao fundo]

[água remexe]

Fizemos almoço.

Almoçamos todos ali.

Ela ajudou num prato.

Aí, já me lembro do Bruninho no bebê-conforto perto dela, ali.

E tudo.

Ela ficou no meio de todos nós.

Estávamos todos lá fora.

É… Na parte de cima, onde era a cozinha do sítio.

Todos nós estávamos lá.

E ela também estava junto.

Em nenhum momento ela ficou presa, trancada no quarto, sozinha, isolada.

Ela fez algum comentário? Se teria sido agredida nesse dia?

Não.

Eu cheguei a perguntar pra ela. Ela disse que não apanhou nem nada.

Tinha um machucado no dedo dela, e perguntei o que tinha sido.

Ela disse que tinha machucado o dedo na porta.

[Marixa] Sérgio, eu já li a denúncia para você.

Você já tem plena ciência da acusação…

[suspira] …que existe nesse processo contra a sua pessoa.

O Bruno falou com você se iria ao sítio antes do jogo?

- Que ia ter a partida de futebol? - Não, não falou nada.

No dia em que teve a festa no sítio…

Foi na terça-feira?

Essa questão da… [gagueja] …caixa de som foi domingo ou terça?

Na terça.

[mulher] Era de Sérgio Rosa Salles o depoimento

mais contundente contra o goleiro Bruno.

[homem] Ele conta que viu Eliza com um buraco muito grande na cabeça.

Nós retornamos ao sítio do Bruno,

porque o Sérgio, também, que é primo dele, nos disse que viu a Eliza lá dentro,

que ela ficou em cárcere dentro do sítio.

Então nós voltamos

pra ele nos mostrar como foi que ele viu,

aonde ela estava quando ele a viu lá.

- [música tensa] - [risadas ao fundo]

[mulher] A polícia afirma que ela apanhou diversas vezes.

Para abafar os gritos,

o adolescente contou que eles usavam uma caixa de som

ligada num volume alto.

Sabemos por testemunhas que ela foi agredida fisicamente,

foi agredida verbalmente, especialmente pelo Macarrão,

que, no momento, estava muito violento com ela.

[mulher] Durante todo o tempo que permaneceu no sítio,

Eliza era obrigada a ligar para amigos

e dizer que estava bem.

No dia 9, ela faz o último contato.

[música tensa continua]

[risadas continuam]

[Edson] O combinado no dia 9…

Macarrão e Bruno, com certeza,

marcaram pro dia seguinte de pegar a Eliza e…

[acorde tenso]

[Marixa] E… na sexta-feira, ela foi embora?

[Bruno] Sexta-feira, Excelência? Vou explicar pra senhora.

Eu tinha acertado com ela o combinado.

Seria os 30 mil que eu acertei antes.

Na sexta-feira,

dando por volta, mais ou menos, de uma…

Depois do almoço,

por volta de umas…

Depois do almoço, por volta de cinco, seis horas da tarde,

ela pega e sai do sítio.

- Se despede de mim e sai do sítio. - [Marixa] Com quem?

[Bruno] Ela…

[Marixa] Ponto e vírgula.

[Bruno] O… O Bruninho.

[Marixa] Que saíram ela, vírgula, o Bruninho.

[Bruno] Luiz Henrique.

[Marixa] Vírgula, o Luiz Henrique.

[Bruno] E o Jorge.

[Marixa] E o Jorge.

[homem] Ela parecia estar saindo de viagem?

Para sair do sítio?

- [homem] Levando malas… - Não vi mala. Eu já disse.

[homem] Não viu ninguém colocando mala no carro?

Não vi.

[Marixa] Para ir pra onde, Sr. Bruno?

[Bruno] Ela falou assim, que tava com aquele dinheiro,

que ela precisava do dinheiro

pra poder resolver alguns problemas pessoais em São Paulo.

E até então, Excelência, eu tava acreditando

que seria aquilo ali.

Eu acreditava que seria aquilo ali.

No dia 10,

eles falaram com a Eliza que iam levar ela pro apartamento dela,

iam levar ela pra…

pra ver onde que ela ia morar e tudo mais.

Na conversa.

Mas, na verdade…

eles tavam levando pro Bola.

[música tensa]

Como começou esse assunto entre o senhor e o Jorge?

O assunto começou foi…

Ele que começou me falando.

Do dia que perguntei pra eles, que eles levaram ela.

Aham.

Perguntei se tinham levado pro apartamento, ele falou que tinha.

Aí falei: "Qual apartamento?" Ele falou: "Vou te falar a verdade."

[pigarreia] Ele falou pra mim que tinham levado ela pra morrer.

[música tensa]

[Edson] Eles se encontraram no Mineirão. E eles foram de carro.

O Bola tava de moto.

Falou pro Macarrão e pro Jorge…

A Eliza também tava dentro do carro, com o filho.

"Me segue."

O Bola foi na frente.

Levaram até a casa do Bola.

O Bola desceu do carro.

Levaram… Deixaram a criança…

no banco do carro.

O Jorge e o Macarrão

levaram a Eliza

pra… pro cômodo do meio.

Eram três cômodos.

Então, no cômodo do meio.

Já tinha uma cadeira lá…

nesse cômodo.

E um pedaço de corda lá. Uma corda.

Sentaram a Eliza nessa cadeira.

Daqui a pouco, o Bola põe a mão dela pra trás e amarra com a corda.

E o Macarrão ajudando.

De repente,

a Eliza fala pro Bola assim:

"Não aguento mais apanhar."

Ele falou: "Você não vai apanhar, não. Você vai morrer."

E deu-lhe uma gravata.

Essa morte se chama estrangulamento.

Só que a morte por asfixia é muito feia.

É muito feia a morte por asfixia.

O que aconteceu?

O Jorge tava na frente, vendo aquilo tudo.

O cara começou a ficar apavorado.

O Jorge detalhou…

tudo isso que eu falei pra vocês,

do sequestro, das coronhadas…

[gagueja] Dos… Dos… Do…

Da ficada da Eliza no sítio,

na casa do Bruno, no Recreio dos Bandeirantes.

Detalhou tudo e mostrou onde que era a casa.

[acorde tenso]

[homem] Todos os olhares do Brasil se voltaram

para este endereço nos últimos dias.

É aqui a casa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

O lugar foi o centro das atenções da perícia,

depois que o adolescente, primo de Bruno,

apontou o imóvel como o local do crime.

[sirene]

[Denise] Um amigo meu, policial da 16ª DP na ocasião,

que escoltou o menor até a casa do Bola.

Quando ia se aproximando da casa,

o menor tremia muito, ficou muito nervoso.

Esse policial me diz:

"Eu nunca vi uma pessoa com tanto medo,

eu nunca vi uma pessoa tremer tanto."

"Ah, não, eu não posso entrar, eu não quero entrar aí."

Não queria entrar de jeito nenhum.

Tava cagando nas calças,

morrendo de medo.

Provavelmente o crime aconteceu nesse lugar,

tanto que o menor tinha um medo horrível do Bola.

É…

Deve ter ficado com medo, não só por encontrar novamente o Bola,

e também

por achar que ele…

ia reviver aquele momento de terror que ele deve ter vivido ali, né?

[mulher 1] O menor disse que foi chamado por Macarrão para dar um susto em Eliza,

e não sabia que a modelo seria assassinada.

[mulher 2] Depois de esquartejar o corpo,

o ex-policial teria aparecido com um saco preto

e jogado os restos de Eliza aos cachorros.

Nós estamos em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte,

e o trabalho do corpo de bombeiros vai começar agora.

A gente percebe ali, são vários cães que estão lá dentro.

De acordo com o garoto,

seriam esses os cães que comeram parte do corpo de Eliza.

[música tensa]

Quando chegamos na casa,

o Bola tinha circuito interno.

Não gravava, mas tinha circuito interno. Ele tava vendo.

Ele viu o pessoal chegar e fugiu.

Fizemos reconhecimento fotográfico

do Bola.

Temporária nele.

[mulher] Marcos Aparecido foi preso nesta quinta-feira,

acusado de ter asfixiado Eliza Samudio

na casa onde morava em Vespasiano.

Dá licença, dá licença, dá licença!

[gritaria, falas indistintas]

Fizemos uma busca e apreensão na casa do Bola,

porque o Jorge falou que ele tinha falado pra ele

que tinha picado e tinha colocado nas paredes,

os restos humanos,

no meio da massa.

[música tensa continua]

Nós examinamos detidamente a casa do Bola,

passamos luz forense,

rastreando sangue

ou outro tipo de fluido biológico ou cabelo,

alguma coisa que nos levasse até a presença

da Eliza ali naquele imóvel.

[vozerio]

Imaginamos que talvez a Eliza estivesse enterrada naquele imóvel.

Nós tivemos cães farejadores

e não encontramos nada relativo à Eliza ali naquele imóvel.

Nós analisamos detidamente a área em que os cães estavam

e nada foi encontrado.

O que nos dá a certeza de que os cães não…

É… Se alimentaram do corpo da Eliza

é a falta de sangue naquele espaço.

É impossível haver esse tipo de…

É… Esquartejamento de um corpo sem sangramento.

[música tensa acelerada]

Quando retornei pro sítio, só tava o Bruno e o Sérgio lá.

E passados alguns minutos, chegou o Luiz Henrique e o Jorge,

só com o neném.

Só os dois e o bebê.

Aí… Só que eu não fui lá. O Bruno foi, aí entregaram o neném pro Bruno.

Não sei o que eles falaram pro Bruno.

Só sei que o Bruno chegou perto de mim e pediu pra olhar o neném.

Ele falou assim: "Ela deixou ele com o Luiz Henrique

e mandou o Luiz Henrique me entregar.

E mandou eu me virar."

E o bebê tava chorando, tava com fome, tava molhado.

Aí eu ainda fui trocar a roupa dele,

tirar a fralda dele, na verdade.

Fui tirar a fraldinha dele,

fizemos uma mamadeira pra ele, que ele tava chorando, tava com fome.

É… Aí dei a mamadeira pra ele.

[mulher] Durante o interrogatório,

o promotor de justiça apresentou esta carta

de autoria da ex-mulher de Bruno.

Nela, Dayanne conta que Sérgio Rosa Salles

disse que a intenção de Macarrão era matar Eliza e o bebê.

[música sentimental]

É outra coisa que me machuca imensamente.

É saber como que ela…

partiu.

Às vezes eu imagino os últimos… Os últimos…

segundos de vida dela…

sabendo que o filho dela era pra ter o mesmo destino que ela.

[música se dissipa]

Doutor, a equipe do senhor já conseguiu puxar a ponta da linha

e saber alguns passos já desse corpo, onde esse corpo possa estar, não?

Bom, a gente tem que partir do local da execução e de lá mapear.

[mulher] As buscas pelo corpo de Eliza Samudio

estão concentradas na Lagoa dos Tocos,

em Ribeirão das Neves, Minas Gerais.

Após uma denúncia,

a polícia iniciou o trabalho de buscas ontem

em outra lagoa no mesmo município.

[Marixa] Onde está o corpo da Eliza?

É uma pergunta que…

milhares de pessoas gostariam de saber.

[música inquietante]

Suposições foram várias, né?

Eu escutei de diversas pessoas que…

Ah, na época, tinha um cemitério clandestino

na região metropolitana de Belo Horizonte.

É…

Escutei que eles colocaram em uma vala comum

e jogaram cal sobre o corpo.

[mulher 1] Uma denúncia anônima levou os bombeiros até este sítio,

que teria sido usado pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

[mulher 2] Várias escavações já foram feitas no local

para tentar localizar o corpo da ex-modelo.

[mulher 1] Os bombeiros vasculharam duas cisternas encontradas na área.

A gente vasculhou toda a extensão e nada foi encontrado.

[mulher 3] Bombeiros fizeram escavações no sítio do ex-goleiro Bruno,

na região metropolitana de Belo Horizonte.

As escavações terminaram sem desvendar o mistério

sobre onde está o corpo da ex-amante de Bruno.

[música tensa]

Todas as suspeitas que nós tínhamos de informações,

de pneus queimados, onde podia ter sido queimada uma pessoa,

é…

Encostas, beiras de rio, onde tinham vestes…

Nós fizemos muitas e muitas perícias,

de todo tipo que você possa imaginar,

na busca por vestígios da Eliza.

Nós não encontramos.

[música de suspense]

[homem] As buscas pelos restos mortais de Eliza Samudio estão suspensas,

até que apareça uma nova denúncia.

[Marixa] Mesmo não havendo o corpo,

a materialidade do crime pode ser comprovada de forma indireta,

tanto com provas periciais ou prova testemunhal.

Foi uma infinidade de prova técnica

de que, de fato, a Eliza tinha sido brutalmente assassinada.

E essa aqui…

é a certidão de óbito da minha filha.

"Causa da morte: emprego de violência…

[voz embargada] …aplicado na forma de asfixia mecânica.

Esganadura.

Sepultamento, cremação:

O corpo está insepulto,

pois…

ocultado o cadáver.

Declarante: mandado oficial."

[gritaria]

[homem] Ô assassino!

É assassino! É assassino!

[Sonia] Porque aonde que tá o corpo da minha filha? O que fizeram?

Com certeza, Macarrão, Bola, Zezé, Bruno,

eles sabem o destino

que foi dado pra Eliza.

Por que que é tão difícil eles assumirem

o que… O que é claro…

Tá claro para todo mundo.

Que foram eles que mataram ela.

Eu acho que o Bruno não tem tanta resposta como eu também gostaria que ele tivesse.

Mas eu acho que ele tem algumas.

Pode não ter todas, mas talvez ele tenha algumas.

[homem] A mudança de estratégia em relação à defesa do ex-goleiro

acontece um ano e oito meses depois da prisão do atleta.

Segundo o advogado de Bruno,

Eliza Samudio foi assassinada.

Toda essa obra, indiscutivelmente, foi o Macarrão.

Ele planejou, ele…

É…

perfilou e executou. Concluiu.

Entregou na mão do Bola, pro Bola matá-la.

Depois que o crime veio à tona,

depois que tudo veio à tona,

e a gente viu o Macarrão sem roupa, sem camisa,

e inclusive com uma tatuagem.

Macarrão tinha uma tatuagem.

Bruno e Maka, amor eterno.

A gente olhava aquilo…

Até isso era muito fora da curva.

[homem] Dois anos, quatro meses e 22 dias atrás das grades

abalaram a amizade e destruíram, sim, uma relação de cumplicidade.

E daí ele fala: "Não aguento mais.

Eu quero falar."

[acorde tenso]

[Macarrão] Conversei com o Bruno, falei:

"Ô Bruno,

tô te falando aqui como irmão, tô te pedindo,

deixa essa menina em paz.

Deixa essa menina."

[Marixa] Falou que tava pressentindo aquilo?

Porque ele ia levar ela pra morrer.

[Marixa] Aham.

[Macarrão] "Sua família vai falar que eu acabei com a sua vida.

Vai falar que eu acabei com a sua carreira,

e eu quero ver se você vai ser homem de assumir tudo que você tá fazendo.

[voz embargada] Que você sabe que eu não nasci pra isso, não!

Eu sei que tá tudo errado."

"Larga de ser bundão.

É comigo."

[acorde tenso]

Para a Promotoria,

a participação de Bruno como mandante

do assassinato de Eliza Samudio

está confirmada.

O que ele diz é:

"Eu levei Eliza até o local X.

Ela desceu do meu carro,

entrou em outro veículo,

e, naquele momento, eu pressenti que a Eliza seria morta."

Ele não fala nada mais do que isso.

Isso foi considerado como uma confissão

e a pena de Luiz Henrique foi reduzida

de 20 anos pra 12 anos.

A partir do momento que o Macarrão dá a versão dele,

cria-se assim a autodefesa dele,

a confissão dele, pra ele se beneficiar dessa confissão,

mas cria também uma prova,

e essa prova, obviamente, seria utilizada no julgamento do Bruno.

A estratégia da Defesa foi que o Bruno confessasse.

[mulher] Na chegada ao Fórum, a esposa dele, Ingrid Oliveira,

disse que Bruno vai quebrar o silêncio.

Ele vai falar. Vai falar.

[homem] Como você tá?

Não existe confissão, não existe acordo, nada disso, mas ele vai falar o que sabe.

[acorde tenso]

[Bruno] Perguntei para eles: "Poxa…

[funga]

…cadê a Eliza?"

[Marixa assente baixinho]

[Bruno] "Pelo amor de Deus, o que fizeram com ela?"

Cheguei perto do Jorge e perguntei, ele falou: "Pergunta pro Macarrão.

[funga]

Porque o Macarrão…

[chorando]

…ajudou a matar a Eliza."

E depois chamei o Macarrão e falei: "O que você fez, cara?

Acabou com a minha vida!"

[Marixa] E o Macarrão confirmou?

Falou que ele tava louco,

que tava doido, mas eu sabia que tinha acontecido alguma coisa."

[pigarreia]

Nesse momento que ele falou comigo, Excelência, eu fiquei desesperado.

Eu chorei muito…

com medo de tudo que aconteceu.

Eu fui até o Macarrão e falei com ele: "Pelo amor de Deus, cara! O que você fez?

[soluça]

Por que que você fez isso? Não tinha necessidade não, cara."

[funga, chora]

O senhor sabia que a Eliza Samudio ia ser executada?

Eu não sabia, eu não mandei, Excelência.

Mas eu aceitei.

[homem] O senhor disse que não mandou matar a Eliza,

mas o senhor se beneficiou da morte dela?

[Bruno] Sim.

O senhor acha que poderia ter evitado a morte de Eliza Samudio?

Sim, senhor.

Ele foi o mandante.

Pega o… [gagueja] Os depoimentos da Eliza,

a forma como ela foi morta.

Foi exatamente da maneira que ele falou que ia fazer, e ele fez.

O goleiro Bruno admitiu pela primeira vez que Eliza Samudio está morta.

O ex-jogador do Flamengo negou ser o mandante,

mas disse que aceitou o crime.

[mulher] Madrugada de expectativa em frente ao Fórum de Contagem.

Foram três horas de espera entre a decisão dos jurados

e o anúncio da sentença pela juíza Marixa Rodrigues.

[Marixa] A conduta social é igualmente desfavorável,

considerando comprovado o envolvimento do réu Bruno Fernandes

na face obscura do mundo do futebol.

No tocante à personalidade,

tal circunstância igualmente não favorece o acusado,

uma vez que demonstrou ser pessoa fria, violenta e dissimulada.

Sua personalidade é desvirtuada

e foge dos padrões mínimos de normalidade.

O réu tem incutido na sua personalidade uma total subversão dos valores.

Ficam, pois, as penas totalizadas em 22 anos e três meses de reclusão,

nos termos do artigo 69 do Código Penal.

Oito de março, duas horas e 22 minutos.

Senhores, eu dou o julgamento por encerrado…

Dou o julgamento por encerrado.

[música melancólica]

[funga] Eu não tenho os restos mortais da minha filha.

É o que eu mais desejo.

[vozerio]

[homem] A pena é o que a senhora esperava?

Não, eu esperava mais.

O julgamento do Bruno, pra mim, foi…

extremamente doloroso, chocante…

É…

Raiva, sabe? Um misto de sentimento.

Por que que ele não fala a verdade?

A verdade tá com ele, por que ele não fala?

Qual é o medo dele?

Isso não é justiça.

A justiça para minha filha não foi feita.

[Eliza] Ele falou: "É, eu sou pior do que você pensa.

Eu sou frio e calculista.

Se você for na delegacia, ou em qualquer lugar,

eu vou atrás de você, mato você, mato a sua família,

mato as suas amigas, que eu sei aonde tá cada uma.

Eu sei o nome de cada uma delas.

Se eu te matar e te jogar em qualquer lugar,

eles não vão descobrir que fui eu."

[música melancólica continua]

[homem] Bruno, vamos falar de futuro.

Tá pronto pra ser goleiro de novo? Dá pra enfrentar o gol?

[Bruno] Tô me preparando já.

[Marixa] Sem dúvida, o maior olhar que foi dado a esse processo

foi o foco no atleta

que perdeu a carreira por uma besteira

que fez no curso da sua vida.

A Eliza Samudio foi apagada

pelos holofotes da fama do assassino.

A maioria da imprensa se dedicou a fazer um perfil do Bruno.

Quem era ele.

Como se a notícia fosse: "Coitado do Bruno, ele cometeu um crime."

E esqueceram de fazer uma cobertura…

é…

da Eliza.

Esqueceram da vítima

pra que o autor do crime…

passasse a ser o ator principal da história.

O anúncio da volta do goleiro Bruno para o futebol

gerou críticas nas redes sociais.

O goleiro Bruno se apresentou nesta manhã ao Boa Esporte, em Varginha, Minas Gerais.

O clube perdeu todos os patrocinadores

depois que anunciou a contratação do jogador.

Hoje, a gente vê outros casos,

de outros jogadores que estupraram, que estão presos, né?

É claro que o caso do Bruno é um exemplo extremo.

Ele foi condenado por homicídio.

Mas hoje você vê a quantidade de jogadores envolvidos em crimes contra mulheres.

[homem] Robinho e mais quatro pessoas violentaram uma mulher albanesa

que estava embriagada em uma casa noturna de Milão.

[mulher] A justiça da Espanha condenou hoje Daniel Alves

a quatro anos e meio de prisão pelo estupro de uma jovem

numa boate em Barcelona.

[burburinho]

[música melancólica]

Eu fico aqui…

Às vezes, em casa, eu fico olhando pro Bruninho e pensando:

"Meu Deus…

o que vai ser de você amanhã ou depois?

Com essas escolhas que você fez?"

Eu não queria isso.

Daí, muitas vezes, o meu marido levava ele

pra brincar com um amiguinho de bola aqui, bola ali…

E ele sempre falando

que ele queria ser goleiro.

Nunca falou outra coisa.

Era goleiro. Ele não sabia da história dele.

Ele não conhecia a história do pai, da mãe,

não sabia que nenhum dos dois tinha sido goleiro.

Bruninho Samudio, filho de Eliza Samudio,

fechou o primeiro contrato dele no futebol com o Atlético Paranaense.

A assinatura do contrato do jovem goleiro de 14 anos

ocorreu justamente no dia em que a mãe dele

completaria 39 anos se estivesse viva.

Eu acredito que ele vai ser um goleiro

muito top, que nem dizia a mamãe dele.

"Você vai ser um goleiro top dos tops. Vai ser melhor que seu pai."

Ela falava pra ele.

[música melancólica continua]

[notificação do MSN]

[notificação do MSN]

[acorde tenso]

[música tensa]

[música se dissipa]

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