All language subtitles for The Novelists Film 2022 1080p Blu-ray Remux AVC DTS-HD MA 2.0-HDT PT-PT

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese Download
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

A ROMANCISTA E O SEU FILME

Escrito e realizado por Hong Sangsoo.

Não falas comigo?! Não me respondes?!

Não tens resposta?

Não, não é isso.

Desde quando és tão atrevida? O que te deu?!

Não queria sobrecarregá-la, professora.

Tive uma branca momentânea.

Não me digas. Outra vez a mesma conversa?!

Estou tão farta de te ouvir dizer isso!

Está bem.

Posso ajudá-la?

Estou só a fumar um cigarro antes de entrar.

Com certeza.

- Quer que retire o letreiro? - Não, ainda estou a lê-lo.

Muito bem.

Junhee!

O que está aqui a fazer?

Senta-te. Deixa-me acabar de fumar.

A rapariga bem disse que a tinha reconhecido.

Como é que veio?

Sabia que eu estava aqui?

Vim porque me disseram que estavas aqui.

Ah, sim? Quem lhe disse?

Uns conhecidos meus.

Estou a ver.

Não disse a ninguém que estava a viver aqui.

Mas suponho que alguém soubesse.

Suponho que sim. Foi por isso que vim.

Certo.

Quer tomar alguma coisa?

Temos chá e café. Temos de tudo.

Olá. Obrigada.

Sim, olá.

Há pouco não a cumprimentei como deve ser, desculpe.

Tudo bem. Prazer em conhecer-te.

Prazer em conhecê-la.

O que toma? Café?

Sim, se tiverem.

Então vou preparar-lhe um café.

Ela lembra uma pessoa que conhecemos. Não é?

- Ah, sim? - Sim.

É parecida.

Ou não?

Mas quem é ela?

Uma pessoa que conheço. Vive aqui perto.

Ajuda-me na loja.

- Como estás? - Eu?

Estou bem.

- Deixaste de escrever? - Sim.

Já não escrevo. Duvido que volte a escrever.

Ganhaste muito peso. Bastante.

Pois foi! Uns dez quilos, acho.

Fica-te bem.

Pareces descontraída. Mais natural, é bom.

Obrigada.

Mas engordei muito, já nada me serve.

Perdi a disciplina.

Li o seu novo livro há pouco tempo.

Desculpe não ter ligado a seguir.

Então leste.

Não tenho publicado muito, pois não?

É, já passou algum tempo.

Olha lá,

porque é que não entraste em contacto comigo?

Era difícil ligares-me?

Não, porque havia de ser difícil?

Depois de ter saído de Seul, senti-me farta de tudo aquilo.

Não falo de si. Das pessoas em geral.

De toda a gente que conheço.

Mas pareces dar-te bem com as pessoas daqui, não?

Bem...

Vejo que organizam uns convívios?

Foi uma coisa que aconteceu.

Vêm pessoas das redondezas, em especial mães de família.

Gostam de estar aqui.

Seja como for, pareces bem.

As pessoas vêm cá para passar o tempo.

Não há mais livrarias nesta zona, e gostam de aqui estar.

E eu contacto algumas pessoas para virem fazer umas palestras.

Então terá sido isso, o passa-palavra.

- Duvido. - É possível.

Pedi que não contassem a ninguém.

Mas porque veio? É tão longe.

Vim para te ver.

Para ver como estavas.

Trataste-me bem naquela altura. Mesmo bem.

Não foi nada de especial.

Quer o café? Deve estar pronto.

Sim, claro.

- Mas deixaste de fumar? - Não.

Não fumo aqui.

Eu levo isso.

As pessoas daqui não gostam.

- Imagino. - Fumo cigarros electrónicos lá dentro.

A selecção de livros é interessante.

Tento escolher livros de que as pessoas gostem.

E hoje em dia leio de uma maneira diferente.

Só leio o que realmente gosto.

Não me ralo com o que os outros pensam.

Dantes ralavas?

Sim.

Havia sempre livros que achava que devia ler.

Mas agora escolho o que me atrai.

Eu só...

Descobriste a alegria da leitura.

Sim.

Hoje em dia leio coisas que nunca pensei ler.

Ah, sim?

Estudaste cinema e teatro?

Sim.

Já não?

Não, representei durante pouco tempo e parei.

Que idade tens? O que fazes?

Tenho 33 anos.

E estudo linguagem gestual.

Pareces muito mais nova.

E estudas linguagem gestual? Uau.

Estudo, sim.

Deve ser divertido. Tens de me ensinar um dia.

Ainda estou a aprender.

Consegues dizer isto em linguagem gestual?

O dia ainda está radioso, mas não tarda escurece.

Enquanto o dia dura, aproveitemos uma boa caminhada.

Está bem.

É assim.

Muito impressionante.

Então, o que é ''dia''?

''O dia ainda está radioso.''

''O dia ainda está radioso''...

É assim.

- Só ''O dia ainda está radioso''? - Sim.

''O dia ainda está radioso.''

- ''Mas não tarda escurece.'' - ''Mas não tarda escurece.''

Assim.

O que é isto?

Quer dizer que não tarda.

''O dia ainda está radioso,''

''mas não tarda escurece.''

Sim.

- ''Enquanto o dia dura''... - ''Dura''.

''Enquanto o dia dura''...

- ''Aproveitemos uma boa caminhada.'' - ''Aproveitemos uma boa caminhada.''

''Aproveitemos uma boa caminhada.''

- Certo. - É boa nisto.

Mostra-me isto mais uma vez. Assim?

Assim.

Assim.

''Mas não tarda escurece.''

Espera, outra vez. ''O dia ainda está radioso.''

''Mas não tarda escurece.''

''Enquanto o dia dura''...

''Aproveitemos uma boa caminhada.''

Daqui em diante,

nenhuma de nós ouve nada.

Faz isto tão bem!

É tão grande.

Desculpe, devíamos ir consigo.

Mas não podemos deixar o estabelecimento muito tempo.

Não há problema.

É graças a vocês que aqui estou. Dizes que é um sítio famoso?

Sim, vale a pena visitar o interior, tem piada.

Ah, sim?

Talvez apareça numa das suas obras.

Mas parece aquele robot da banda desenhada.

Pois é.

Fica bem. Obrigada pela linguagem gestual.

- Sim, obrigada. - Adeus.

Obrigada por hoje. Veio de tão longe.

Temos de nos ver em breve.

Temos, sim.

Adeus.

Depois apanha um táxi para casa?

Não costumo andar de táxi. Vim de metro.

- Ah, sim? - Sim.

Não sabia que o metro vinha até aqui. É fantástico.

- É uma estação recente. - Pois, adeus.

- Eu digo alguma coisa. - Espere...

Queria ter dito isto mais cedo,

sempre tive imenso respeito por si.

Conhecê-la é uma grande honra para mim.

Muito obrigada.

- Não, eu que lhe agradeço. - Muito bem. Até breve.

- Está bem. - Então, adeus.

Para onde está a olhar com tanta atenção?

- Bom dia. - Olá.

Já não nos víamos há muito tempo.

Há séculos. Como tem passado?

- É incrível encontrá-la aqui. - Pois, foi há muito tempo.

Onde é que nos cruzámos antes?

Não está a reconhecer-me?

Sou a Yangjoo, que vive com o realizador Park.

O realizador Park...

A mulher do realizador Park! Pois é.

O realizador Park está ali escondido.

Vou buscá-lo, está bem?

- Onde é que ele está? - Escondido naquele canto.

Parece-me que hesita em vir ter consigo.

Não acha que devia cumprimentá-lo?

Encontrá-la aqui parece uma coisa do destino.

Sim.

Vou buscá-lo.

Para realizador, é muito tímido.

É um inocente, é só isso.

O que a traz por cá?

Veio tratar de alguma coisa?

- Não nos víamos há muito tempo. - Há muito tempo mesmo.

Vim visitar uma amiga e passei por aqui.

- Ah, foi? - Dizem que é um sítio famoso.

Também é a primeira vez que visito.

Vínhamos de regresso de Paldang e parámos aqui.

- Foram passear de carro? - Sim.

Ocorreu-me que um dia podia usar este sítio num filme.

Estou a ver.

Está exactamente na mesma. Está com bom aspecto.

- Não estou nada. - Não, é verdade!

Continua a ter aquele carisma.

Carisma. Qual carisma?

As pessoas gostam muito dessa palavra.

É uma palavra impressionante, carisma.

É verdade que tem carisma. Não há dúvida.

- Eu tenho carisma? - Pergunte, toda a gente acha.

- Você é que tem carisma. - Eu? Não pense nisso.

Eu não tenho carisma, e você tem carisma.

Está bem, obrigada.

Não devia ter falado nisto.

Então está cá... veio visitar uma amiga?

Sim, mas...

Porque é que se escondeu?

Escondeu-se de mim?

- Não, fui à casa de banho. - Ah, sim.

Sim, era urgente.

Oh, só faltava esta.

- O que anda a escrever agora? - Nada em particular.

Li o seu último livro.

- Adorei-o. - Ah, sim?

Lemos os dois.

- Obrigada. - Era de facto óptimo.

Tomamos alguma coisa? Haverá alguma máquina de café?

No terceiro andar, ao pé da casa de banho.

Ah, perfeito!

Tomamos então um café de máquina juntos?

- Tenho um pouco de sede. - Vamos?

- Quer beber alguma coisa? - Vamos?

- Onde é...? - A porta à esquerda do elevador.

Ali?

É pela escada de emergência, basta descer um andar.

Vire à esquerda.

É um sítio agradável, não é?

Uau, visto daqui, o rio Han é deslumbrante.

- Tem óptimo aspecto visto daqui. - Sim.

Consegue ver-se que faz uma curva acentuada... além.

Viu o filme dele?

- Estreou recentemente. - Ainda não vi.

Veja um dia destes, se não tiver nada que fazer.

Combinado.

Os filmes dele mudaram. Parecem-me diferentes.

Os críticos dizem o mesmo, mas é o que eu sinto.

São muito bons. Muito claros.

Não tenho a certeza de que ''claro'' seja a palavra certa.

Se é como os vês.

Espera, vamos experimentar isto, ver por aqui.

Mas o que é que se tornou claro?

O espectador saberá, acho.

Mas diria que alguma coisa mudou. A minha atitude em relação ao cinema.

Costumava sentir uma espécie de compulsão, agora é muito melhor.

Ah, sim?

Para alguém como eu, a compulsão não é uma coisa necessariamente má,

portanto comecei por recear ficar demasiado descontraído,

mas não foi um problema.

Claro que não.

Dantes pensava que mesmo

que a minha vida fosse uma treta bastava concentrar-me no cinema.

É tão difícil tratar da vida, em todo o caso.

Mas o meu pensamento mudou.

Trata primeiro da vida.

Ou seja, melhora o teu nível de satisfação no dia a dia.

E não entras em colapso mais tarde. Foi o que pensei.

Não sei, talvez esteja só a ficar velho.

Tratar da maneira como vivemos será assim tão fácil?

À medida que uma pessoa envelhece, quer apenas sentir-se confortável.

É possível que seja isso. Sim.

Quer dizer, a correria deixa-me esgotado.

Agora que tens sucesso.

Deve estar bastante rico.

- Rico? - Na verdade, não temos dinheiro.

Porquê? Era ambicioso. Extremamente ambicioso, diria eu.

- Acha que sim? Era? - Ele não é ambicioso.

Toda a gente tenta fazer o melhor que pode. A vida não é fácil.

- Não é? - É.

Continua zangada com o que aconteceu naquela altura?

Não, não tinha razão para estar zangada.

Não me quiseram, foi só isso.

Pois. Não fui eu, foi uma decisão deles.

Não tenho poder. O investidor é um manda-chuva.

Foram eles que recusaram.

Um manda-chuva?

Que tipo de expressão é essa?

Eu queria mesmo fazer aquilo.

Adorava aquele seu livro.

Então devia tê-lo filmado.

Mas não podia fazer nada.

Não, quis demasiadas coisas.

Rodar o seu filme, fazer dinheiro, tornar-se famoso...

Não, não é isso, não quero tanta coisa.

A sério. Mal consigo orientar-me para fazer os meus filmes, mais nada.

- O que é isto? - Ah, estes...

- Posso experimentar? - Primeiro tem de torcê-los.

- Torcer? Assim? - Sim.

- Ao contrário, deste lado. - Assim?

Tem de focar.

Espere, tem de rodar o botão, fica focado.

- Consigo ver nitidamente! - Não é?

- Melhor do que aquele outro. - Sim.

Pode ser pequeno, mas é de muita qualidade.

São umas lentes caras. Mais claras.

Ele anda com isto para todo o lado.

Não sei para onde é que se põe a mirar.

Talvez esteja a olhar para as pernas das mulheres.

O que estás para aí a dizer?

Isso é ridículo!

Aqui.

- Porque se riem? - É divertido.

Anda ali imensa gente.

Está mais ameno, não é?

Estamos na Primavera. Quase.

Quero caminhar naquele sítio. Só pode ser maravilhoso, num dia assim.

Sim, está um dia perfeito para caminhar ao ar livre.

Aqui cheira a Primavera.

Sim, tem razão.

Viemos cá uma vez antes, e era agradável, não tinha pessoas.

Fora de Seul é sempre bastante mais calmo.

Viver aqui seria agradável.

Aquele trilho que vimos lá de cima,

vem dar aqui?

Acho que sim. Não havia nenhuma bifurcação.

Entretanto, obrigada por virem caminhar comigo.

Temos muito gosto em acompanhá-la. Não temos?

Temos, não saímos do automóvel. Vai ser agradável caminharmos.

Óptimo.

- Então, começamos? - Está bem.

O que faz ela aqui? Não é aquela actriz?

Tens razão. Ela está aqui?

- Dê-me só um minuto. - Vais cumprimentá-la?

Claro que sim.

É actriz, não é? Tem piada vê-la por aqui.

Sim, conhece-a, certo?

- Conheço bem. É famosa, não é? - É, sim. Era.

- Vamos lá também? - Acha que sim?

Hyojin!

Kilsoo!

- Kilsoo, há tanto tempo! - É verdade.

- Tem passado bem? - Tenho.

Fazia uma caminhada? Deve viver por perto.

Sim, perto daqui.

Olá. É escritora, não é?

Reconhece-me?

Sim, gosto muito.

Dos seus livros.

Obrigada. Também sou sua fã, muito prazer.

Prazer em conhecê-la. O que a traz por cá?

O realizador Park deu-me boleia. Eu disse que queria caminhar.

Boa escolha. Este parque é muito sossegado.

- Olá. - Olá.

Prazer em conhecê-la. Eu vivo com o realizador Park.

Vivem juntos?

- Somos casados. - É a mulher dele.

- Sim, vivemos juntos há algum tempo. - Há quanto tempo?

Há quanto tempo? Uns 30 anos?

Por aí, contando o tempo de namoro.

- É muito tempo. - É.

Conhecem-se bem?

Conhecemo-nos numa ocasião por causa de um trabalho.

Mas não muito bem, não é?

Não sabia que vivia aqui.

- Já vive aqui há muito tempo? - Não muito.

Deve ter feito uma longa caminhada. Está a transpirar.

Sim, mais ou menos uma hora, a caminhar depressa.

Está um dia fantástico para caminhadas.

Parece Primavera, não está frio nenhum.

Mas não tem representado? Não tenho dado por nada.

Há já algum tempo...

Não, não represento há muito tempo.

Mas devia!

Bem, fiz uns filmes independentes de pessoas minhas conhecidas.

- Mas agora parei. - Não tem vontade?

Diria que não.

É um grande desperdício.

Um grande desperdício do seu talento.

Há tantos realizadores a quererem tê-la nos seus filmes.

Porque não quer?

Acha que sim?

Porquê, não há realizadores com quem queira trabalhar?

Deve receber argumentos. Conheço muitos fãs seus.

Não sei porque anda a esconder-se desta maneira.

Toda a gente acha que é um grande desperdício, sabe?

- Não, não sei. - Não sabe? É verdade!

Há tanta gente à sua espera.

- O que é um desperdício? - O quê?

O que é um desperdício?

Acha que ela é uma criança?

Acha que ela não sabe nada?

Não percebo porque há-de ser um desperdício.

Mas temos-lhe tanta estima, parece um desperdício.

As pessoas escolhem a vida que querem.

Acha que ela é uma estudante do ensino básico?

Se escolheu o caminho dela e está feliz, temos de o respeitar.

Um desperdício? Sabe o que essa palavra significa?

Significa que ela está a fazer algo de errado,

ou a viver da maneira errada.

Como é que pode dizer isso a uma pessoa adulta?

Ela não anda na escola primária.

Será que gosta mais da vida dela do que ela?

Ou sabe mais da vida? É mais sábio?

- Não sabe qual é o seu lugar. - É então assim que vê as coisas.

Toda a gente quer levar a sua vida à sua maneira, varia.

Nem toda a gente se interessa por dinheiro.

Devia admiti-lo.

Um desperdício? Limitem-se a não desperdiçar as vossas vidas.

É um desperdício porque a estimamos. Ainda é jovem.

É jovem, mas não está a usar o talento que tem.

Mas o que é que ela está a desperdiçar ao certo?

Devia continuar a filmar grandes produções comerciais

para não desperdiçar a vida dela?

Para si é isso que é um desperdício?

A vida é tão curta, não devemos perder a nossa oportunidade.

Há um momento certo para toda a gente.

Conhece o velho ditado, não desperdices a tua oportunidade.

Aquela palavra veio daí.

Que se lixe o momento certo.

Que se lixe o momento...

Momento certo!

Querido, acho que devíamos ir andando.

- Achas que sim? - Sim.

- Nada de caminhada? - Fica para a próxima.

Quer uma boleia ou vai caminhar aqui?

Parece-me melhor irem andando.

Obrigada.

- Então, vamos andando. - Sim, adeus.

Até breve.

Gostei muito de a ver.

- Até breve. - Sim, adeus!

Desculpem ter gritado.

- Tudo bem. - Tudo bem!

Desculpe ter gritado.

Não, consegue de facto calar as pessoas.

Tem muito carisma.

Tenho?

Sim, deixa mesmo as pessoas sem palavras.

Tem carisma.

- Eu tenho carisma? - Tem sim.

Está bem.

Por acaso...

Consegue cheirar alguma coisa em mim?

Não, cheira a alguma coisa?

Caminhei tão depressa, estou cheia de calor.

Transpirei muito. Este casaco é quente.

Também preciso de caminhar. Nunca tenho tempo.

Ah, sim? O meu marido também.

- Olá! - Tenho tendência a caminhar depressa.

Cá estás tu. Porque estás tão atrasado?

Dormi até tarde, devia estar cansado.

Deitei-me no sofá para uma sesta rápida, mas não consegui acordar.

Estás sempre atrasado.

É a romancista Kim Junhee. Conhece-la?

Claro. Olá.

Prazer em conhecê-lo.

- Li a sua novela. - Ah, sim? Obrigada.

É o sobrinho do meu marido.

- Chama-se Gyeongwoo. - Muito bem.

Vem muito aqui?

Venho, sim. Costumo levar cerca de uma hora.

Caminhar muito depressa faz-me sentir bem.

Gosto de caminhar depressa.

- Com o seu marido? - Normalmente não.

Ele não gosta de exercício.

Mas o trabalho dele é uma espécie de exercício.

- Faz trabalho artístico. - Isso, faz cerâmica.

- Sabia? - Claro.

Li umas coisas sobre vocês os dois há uns anos numa entrevista.

Fiquei fã dos dois.

Obrigada.

Então vive aqui perto?

Vivíamos em Yangsuri, mas mudámos para aqui há dois anos.

As despesas eram demasiado elevadas.

Manter uma moradia é muito caro.

E era frio.

Eu sou friorenta, e era preciso muito combustível para a manter quente.

- Aquecimento a combustível? - Sim.

- Mas hoje está muito ameno. - Sim, parece que estamos na Primavera.

Ele está a estudar cinema.

- Diz lá outra vez como se chama a escola. - KNUA.

A Universidade de Belas-Artes da República da Coreia.

- Ah, sim? Fantástico. - Sim.

Quer fazer filmes?

Sim, estou a aplicar-me.

Então vamos falar de cinema. Estou muito interessada em cinema.

- A sério? - Pois, vamos falar de cinema.

Não sei muito, ainda sou só estudante.

Ele é muito esperto. Apesar da aparência.

Não me envergonhe.

E vê o tio como um perfeito herói. Não é assim?

Sim, é verdade.

- O seu nome é Gyeongwoo? - Sim.

Também veio a caminhar até aqui?

Estava atrasado, vim de automóvel.

É por isso que não está nada transpirado.

Então sabe usar uma câmara?

Sim, às vezes filmo as minhas coisas. Sei o básico.

- Da câmara? - Sim, da câmara.

É melhor ir refrescar-me.

Vamos juntas. Tenho de ir à casa de banho.

Ah, sim? Boa.

É por ali.

- Está bem? - Sim.

Esperou muito tempo?

Estivemos a conversar lá dentro, demorámos um bocadinho.

Tudo bem.

Ela quer filmar uma curta-metragem connosco.

Ah, sim?

Quer que tu te ocupes da câmara e da montagem,

e que eu e o teu tio entremos como actores.

A sério? Com o tio? Uma curta-metragem?

Sempre quis fazer um filme.

É como se fosse um sonho da minha vida.

Conhecer uma actriz de quem gosto voltou a despertar-me essa ideia.

É evidente que ela tem de concordar.

Mas se você conseguir arranjar um dia ou dois,

gostava de filmar qualquer coisa curta.

Tenho muita curiosidade em saber que tipo de filme faria uma romancista.

Pois é, eu também.

Pensou nisso hoje depois de ter encontrado a minha tia?

Sim, gosto muito dela.

Para ser honesta, não costumo interessar-me por actores.

Mas isso é um pré-requisito para este projecto.

Tem de ser alguém de quem eu goste realmente.

Agradeço-lhe as palavras gentis.

Não, estou a ser sincera.

Eu sei. Obrigada.

É uma pessoa incrível.

- É tão bom termo-nos conhecido, não é? - É, sim.

- Sinto ciúmes. - Ah, sim?

Duas tão grandes artistas, conhecem-se e apreciam-se.

Obrigada.

Obrigada, Gyeongwoo.

Vocês os dois estão confortáveis um com o outro, certo?

É evidente que teria de estar interessado,

mas acho que podia ser você a filmar.

Descontraidamente, de perto, com uma câmara digital.

Seria perfeito.

Sim, percebo.

Os elementos têm todos de convergir.

- Pensei nisso desde o princípio. - Ah, sim?

O mais importante é um actor para o qual eu possa olhar livremente,

observar, e sentir.

E ele é posto numa situação que lhe seja confortável.

Então a câmara...

vai captar o que emergir dele, o que surgir nesse momento.

Só quero registar isso tal e qual se apresenta.

E a pessoa que este actor conhece no filme,

tem de ser alguém com quem ele se entenda,

alguém por quem sinta uma emoção profunda.

Todos os sentimentos, olhares e gestos entre estas duas pessoas,

é o que quero captar com a câmara.

Portanto tudo tem de ser confortável, tudo tem de ser real.

É então a sua ideia.

Sim, é a ideia que trago comigo.

Portanto é semelhante a um documentário, certo?

Não, não é isso.

O que quero filmar não é um documentário.

O meu filme vai ter uma história. Eu vou escrevê-la, evidentemente.

Mas essa história não impede a emergência das coisas reais

a partir da situação que eu engendrei.

Pode ser uma história simples, mas eu faço uma.

Independentemente daquilo em que resulte,

documentário não será, pretendo algo diferente.

Sim, parece diferente.

Mas o que lhe parece, Gyeongwoo?

Pode fazer isto? Eu não sou cineasta,

mas quero muito tentar esta única vez.

Parece-me muito bem.

Tenho curiosidade em saber o que fará.

E se o meu tio e a minha tia participarem,

é claro que quero ajudar.

O que diz?

Quanto a mim...

- É só um dia ou dois? - Sim.

Uma vez que gosto tanto da sua obra,

aparecer no seu primeiríssimo filme...

Enfim, só pode ser interessante.

Obrigada. Sinto-me tão encorajada!

Não diga isso, vai ser muito divertido.

E o seu marido? Aceitará?

Seria fantástico se aceitasse.

Não sei. Não consigo dizer agora.

Tenho de lhe perguntar.

É evidente.

Sendo também um artista, talvez...

Claro.

- Há ali pessoas a comer. - Pois é.

É permitido?

Claro, lanches não fará mal. Afinal de contas, estamos num parque.

Então deixemo-los estar.

Então da próxima vez podemos trazer qualquer coisa.

Consigo cheirar daqui. ''Tteokbokki'' e ''kimbab''.

Consegue cheirar isso?

O seu sentido do olfacto é espantoso.

Sim, consigo cheirar bem.

Como um cão de caça!

A sério?

Aplica-se o mesmo aos olhos dela. Como um falcão.

Não, o meu nariz é mais sensível.

Cheira mesmo bem.

Estou espantada. Não consigo cheirar nada.

- A sério? - Está com fome?

Estou, sim senhora. Não almocei.

- Então deve estar esfomeada. - Quero um ''ramen''.

Não, apetece-me um ''bibimbab''. É o que eu quero.

A mim apetecia-me ''ramen''.

Sempre que penso em ''ramen'', quero comer uma taça cheia.

Eu podia comer duas taças de ''ramen'' neste momento.

A sério?

- Então vamos? - Vamos lá.

Mas é ou não é um bom trilho? Gostava de filmar aqui.

- É muito bonito. - Pois é.

Mas não se entusiasme muito. Ainda tenho de perguntar ao meu marido.

Claro, obviamente.

Muito obrigada.

- Obrigada por nos ter trazido. - Tudo bem.

- Trata de arranjares comida! - Sim, boa refeição!

Gostei muito de a conhecer.

- Sou um fã a sério, sabe? - Obrigada.

Até à próxima. Não se atrase.

Quer uns ''tteokbokki'' a seguir?

Primeiro como isto.

São feitos à base de farinha, não há problema?

Gosto mais de ''tteokbokki'' de farinha.

Eu também.

Deve sentir-se apreensiva.

O que é que uma romancista sabe de cinema?

Não, pelo contrário, sinto-me intrigada.

Ainda bem.

- É o recreio de uma escola. - Pois é.

Dir-se-ia um bom dia para beber.

- Apetece-lhe beber? - Um bocadinho.

Bebe álcool?

Gosto de beber. Mas estou a controlar.

Gosto muito de vinho de arroz. E também gosto só de vinho.

Eu também gosto de vinho de arroz.

Mas porque é que agora não bebe?

- Tenho andado a lidar com umas coisas. - Percebo.

Mas porquê fazer um filme? Era um sonho seu?

Escrevi muitas novelas. Mesmo muitas.

Sim.

Mas nos dias que correm não consigo escrever. Já dura há algum tempo.

Não sabia.

Suponho que perdi o poder da escrita.

Ah, sim?

Posso evidentemente forçar-me. Escrevi toda a vida.

E pode vir daí algo de novo.

Claro.

Falta-lhe a energia?

Não é isso. Como hei-de explicar?

Não costumava ser tão... e escrever era divertido.

Mas agora a minha escrita parece exagerada.

Consigo sentir que estou a exagerar.

- Ah, sim? - Sim.

Como se fosse obrigada a insuflar

pequenas coisas para que ganhem eloquência.

E tenho de fingir que sou o tipo de pessoa que sempre sentiu essas coisas.

É um grande fardo. E para ser franca é constrangedor.

Percebo.

Quando era jovem, essa minha sensibilidade parecia interessante.

Uma espécie de privilégio, até.

E acreditava em tudo o que sentia, portanto estava tudo certo.

Mas já não sinto a mesma coisa.

Nunca fui uma escritora com um estilo narrativo muito forte.

Há um lado de mim que gostava de o experimentar,

mas não me sinto à altura.

E mesmo que o fizesse, duvido que fosse muito interessante.

Mas se prossigo com a minha abordagem habitual,

tudo soa a exagero.

Ainda assim, continuei a escrever todos os dias. Sendo romancista.

Mas depois parei simplesmente.

Não sei, vamos ver o que acontece.

Devia descansar. É o que eu faço.

Muito obrigada, Kilsoo.

Parece ser tão franca.

Também me apetece beber.

- Há dias em que precisamos de beber. - É verdade.

Olhe para ela.

- Tinha os olhos fixados em si. - Porque havia de ter?

Sim, estava fitada em si.

A sério? Tão querida.

- Porque é muito bonita. - Acha?

Que miúda tão querida.

- Só um instante. - Sim.

- Tenho de fazer uma chamada. - Força.

Kilsoo?

- Aconteceu alguma coisa? Estou perto. - Que alívio.

Importas-te de passar por cá?

Duas pessoas que ficaram de vir não vão poder.

Portanto vai ser só o poeta comigo e com a Hyunwoo.

Tenho pena dele.

Percebo o que diz.

Mas não foram eles que o convidaram?

É verdade. É um pouco esquisito...

Ele chega daqui a meia hora.

Gostava muito que viesses. É possível?

Está bem. Estou perto, posso pelo menos passar por aí.

Mas só posso ir daqui a meia hora.

Está bem, tudo bem.

Quer que leve ''tteokbokki''? Estou no Morangos.

Estás aí agora?

Era fantástico.

Vamos beber vinho de arroz, é um bom acompanhamento.

- Podes comprar duas doses? - Combinado, eu compro.

Obrigada.

- De nada. - Está bem.

Uma pessoa que conheço precisa de mim para uma coisa.

Tenho muita pena, mas tenho de ir depois de comer.

- Lamento muito. - Ora essa.

Podemos voltar a encontrar-nos.

Estou muito contente por tê-la conhecido.

Eu também.

Ou quer juntar-se a nós? Não há-de haver problema.

- Quem é? - Conhecia-a quando mudei para cá.

É muito amável. É mais velha do que eu.

- Conto muito com ela. - Percebo.

Parece ter uma boa educação, é muito sensível. É mesmo boa pessoa.

Então junto-me a vocês?

Gostava de passar mais tempo consigo.

Óptimo. Vamos beber? Há lá vinho de arroz.

- Que maravilha. - Sim.

- É longe daqui? - Não, é perto.

- Fica a cinco minutos. - A sério?

- Então acabamos de comer? - Claro, temos tempo.

- Ela voltou. - Lá está ela.

Não é preciso acabar. Vou levar os ''tteokbokki''.

- Olhe, desculpe! - Sim?

Posso pedir três doses de ''tteokbokki''?

- ''Tteokbokki''? - Sim, pouco picantes.

Está bem.

- É só um minuto. - Claro.

- É aqui? - É.

Esta livraria?

A mulher de que falou é a proprietária?

Sim.

Muito bem. Na verdade, eu conheço-a.

Estive com ela hoje, antes de nos encontrarmos.

Esteve?

É minha colega de curso, é um ano mais nova.

Víamo-nos muito quando ela estava em Seul.

- Não acredito. - É uma grande coincidência.

Não se importa de voltar a entrar?

Tudo bem. Contamos-lhe o que aconteceu.

Combinado.

- Entramos? - Sim.

Olá!

- Sacie a sua sede. - Sim, obrigada!

Ela já bebeu muito.

Vi os seus filmes. Você era incrível.

Obrigada.

Quer mais?

- Vocês as duas conhecem-se? - Não, conhecemo-nos hoje.

Ah, sim? Pensei que se conhecessem bem.

É possível que façamos um filme juntas.

- Não é? - Sim.

- Um filme? - Um filme?

Ela quer realizar uma curta-metragem comigo.

Ainda aguardo a confirmação dela.

- É mesmo verdade. - Nós combinámos!

Ah, foi? Que tipo de filme?

Não sei. Pergunte-lhe você.

Mas vocês as duas acabaram de se conhecer na torre.

- Não, no parque. - Isso, no parque.

O parque das minhas caminhadas. Conhecemo-nos lá.

É extraordinário.

Hoje foi um daqueles dias.

Um dia realmente estranho. Encontrar tantas pessoas conhecidas.

- Há quanto tempo foi? - Foi há séculos.

- Dez anos desde a última vez que te vi. - Diria que foram mais.

Tens razão.

Foi assim há tanto tempo?

Não sabia que vocês se conheciam.

Claro que sim, conhecemo-nos bem.

- Pois claro. - Éramos companheiros de copos.

- Bebíamos tanto, não era? - Lá isso bebíamos.

Pois.

- Também quer beber? - Sim, obrigada.

Não consegui dizer isto antes,

mas é uma grande honra estar sentada à sua frente.

Qual honra, que disparate.

É verdade. Tenho todos os seus livros de poesia, todinhos.

Não me diga? Obrigado. É bastante difícil.

Ora essa.

Sinto-me tão honrada...

- Posso servir-lhe um copo? - Sim, claro.

- Quer mais um pouco? - Não, estou bem.

Ainda tem um bocadinho.

- Quer mais? - Eu? Claro!

Hoje está a saber maravilhosamente.

- Ah, é? - Passaram eternidades. Bem sabe.

Não publicaste nada recentemente, pois não?

- Uma delícia, não é? - É, sim senhora.

Eu?

- Porque não consigo escrever. - Não consegues? Não sai cá para fora?

Bem, se calhar já dei o que tinha a dar.

- Já deste o que tinhas a dar? - Estou a falar a sério.

A teu ver qual é a razão?

Sei lá. É o tipo de coisa que nunca sabemos.

- Eu não sei! - Eu não sei!

Ainda assim, não desistas. Tens talento.

Eu?

- Vou tentar. E você? - Eu estou na mesma.

Se bebo, consigo escrever.

Bebo mais um pouco, escrevo mais um pouco.

Tem o seu álcool.

- É a minha bênção! - Pois é.

Também podes beber. Agora não bebes?

Não, quero viver muito tempo.

Para quê viver muito tempo? O que vais fazer com muito tempo?

Bem, os meus médicos dizem que devo deixar de beber.

- Os médicos dizem? - Dizem que tenha cuidado.

Os médicos dizem sempre isso.

- O tempo todo. - Pois é.

Mas tu tens muito talento.

- És abençoada! - Eu?

E em breve vai filmar comigo.

- Não é? - É.

Vocês os dois foram sempre assim tão próximos?

Já lhe disse, éramos companheiros de copos.

Nunca imaginei que vocês os dois fossem próximos.

Como podias imaginar? Nunca te dissemos.

Pois é.

Não precisa saber de tudo.

Certo.

É uma pessoa impressionante.

Estou muito contente por tê-la conhecido hoje.

Eu também.

Ainda és uma pessoa mais impressionante.

Obrigada.

Vamos mesmo conseguir fazer um filme?

Claro que sim. Vamos fazê-lo de certeza.

O senhor também é um homem impressionante.

Obrigado.

- Bebam mais um copo. - Ah, sim, sim, sim!

Isto é tão agradável.

As pessoas precisam de beber de vez em quando.

- Não é? - É.

Estou mesmo muito contente por tê-la conhecido.

Eu também, sinceramente!

Eu também estou contente! Mais um copo!

Mais um copo?

Mais um bocadinho, não temos mais. Ah, temos aqui.

Beber não tem mal. Os médicos sabem lá.

Pois é.

Era tão bom quando bebíamos juntos.

Foi há muito tempo.

- Na altura, você era bestial. - A sério?

Mas envelheceu.

Claro, estou a entrar nos 70!

Ah, sim? Pois, deve ser.

Estás com quantos anos?

Porque pergunta? Não é preciso apregoar a toda a gente.

Sra. Kim, sobre o nosso filme...

Qual é a história?

Não me chame Sra. Kim. Chame-me só Junhee.

Está bem. Junheeeee!

Isso é um pouco demais.

Ainda não decidi qual é a história.

Se o seu marido concordar, penso numa.

Porquê?

Nessa altura conseguirei escrever. É como disse no parque.

Consigo escrever depois de escolher as pessoas.

- Ah, é? - É.

- Percebo. - Sim.

Olhando agora para si,

surgiu-me uma história.

Ah, sim?

- Acabou de me ocorrer. - Ah, sim?

Qual é a história?

Não, não. Não diga nada.

Isto é meu. Não se meta.

Está bem.

Não estrague tudo. Não diga nada, de acordo?

- Estraga sempre as coisas. - Então, está bem.

- Ela não quer que eu conte. - Qual é?

Não, Kilsoo.

Se o seu marido concordar, eu escrevo a história.

Mas a história não tem assim tanta importância.

- A sério? - Sim.

A história não tem assim tanta importância.

Um aniversário, por exemplo.

Podíamos fazer uma história a partir daí.

É o seu aniversário, mas o seu marido esqueceu-se.

Portanto discutem, e você fica muito zangada.

Vai-se embora para casa da sua mãe.

E o seu marido chega lá como se nada se tivesse passado.

Leva-vos às duas a um restaurante,

e vai caminhar no parque para a animar.

Até este tipo de história pode ser usado.

- Parece interessante. - A sério?

Eu gosto dessa história.

Porque nos aconteceu de facto.

Que tipo de história é essa?

E depois?

É isto, por agora.

Não é demasiado ligeira? Não precisas de alguma coisa que agarre as pessoas?

Faço isso mais tarde.

Eu gostei! Porque aconteceu realmente.

- Aconteceu? - Sim, foi exactamente igual.

Portanto gostei muito.

Fantástico!

Não, uma história precisa de enredo.

É o que se espera de um contador de histórias.

Mais um copo?

Claro, obrigado.

A Kilsoo bebeu tanto. Como é que vai para casa?

Não tarda acorda. Dorme sempre quando bebe uns copos.

Não demora muito. Acorda daqui a uma hora.

É por essa razão que disse que não bebe.

Ela e o marido fizeram um acordo.

Porquê?

Porque não é bom para ela.

Apesar de ela gostar.

Não precisamos de ligar ao marido dela?

Eu já liguei. Disse-lhe que ela estava comigo.

Mas você e o poeta eram realmente chegados?

Passávamos muito tempo juntos.

Ele perdeu a fogosidade. Vê-lo beber era assustador.

- Era? - Sim.

Agora também bebe muito.

Não, na altura era assustador.

Ficou velho.

Aconteceu alguma coisa entre vocês?

O que havia de acontecer?

- Ah, sim? - Porquê? Parece esquisito?

Nunca o vi transigir com ninguém.

É surpreendente.

Dormimos juntos uma vez depois de bebermos, foi tudo.

Estou a ver.

Mas a seguir estava sempre a ligar-me.

Tornou-se cansativo.

Enfrasquei-me e dei-lhe uma descompostura. Para o livrar daquilo.

Depois disso não nos encontrámos muitas vezes. Era desconfortável.

Não devemos dormir à toa com homens. Sobretudo com tipos sensíveis como ele.

É, ele é sensível.

Caminhei muito. Estou cansada.

Pois é. Bebemos muito.

Bebemos. Demasiado, não devia.

Costumava ir com ele para toda a parte.

- Era? - Sim.

Ele escreve o que vive. Os escritores assim são raros.

Pois é.

Não contes a ninguém.

Nem costumo estar com ninguém.

Não se preocupe.

Por ele, pelo menos.

Está bem.

Beba mais um bocadinho.

Obrigada.

Que história lhe ocorreu há pouco?

Que história?

Disse que lhe tinha ocorrido uma história para a Kilsoo.

Eu disse isso? Pois foi.

Não consigo lembrar-me.

A sério?

Esqueço-me logo dessas coisas.

São como o fumo.

Podia ser interessante, devia ter assentado a história.

Acontece muitas vezes, pois devia. Se não assentamos, esquecemos.

- Mais um bocadinho? - Claro, só um instante.

É tão saudável.

Muito obrigado.

Ela dorme em todo o lado, não dorme?

Faz sempre isto. Mas não tarda acorda.

Estou a ver.

Para actriz... Ela parece ser pura.

E é verdade. É mesmo.

Ainda bem.

Você também parece ser pura.

Não.

Não? Obrigado.

- Olá. - Olá.

- Olá. - Olá, prazer em conhecê-la.

A Sra. Kim está à espera lá dentro.

Ah, está?

Chegámos cedo. Esta é a programadora Shim Jaewon.

Olá.

- É minha amiga. - Ah, sim?

- Obrigada por ter vindo. - Obrigada.

Chegaste cedo?

Sim, pelas oito horas.

Já fizemos uma projecção. Para críticos de cinema.

Muito bem.

Sim, vieram duas pessoas.

- Duas pessoas? - Sim.

- Entramos? - Sim.

É por aqui.

Pode sentar-se aqui.

- Obrigada. Sente-se. - Sim.

- Está bem, na primeira fila? - Sim.

Vou ver sozinha? Também vai ver?

Quer que veja?

- Já viu? - Sim, fico lá fora.

Está bem.

- Vai ver, Gyeongwoo? - Não, também fico lá fora.

Se estiver com sede...

- Não, estou bem. - Sim?

Esta sala de cinema é muito simpática.

Pois é. Estou muito contente por ver o filme numa sala destas.

Hoje foi a primeira vez que vi o filme em projecção num grande ecrã.

- É bom. - É.

Estou contente por poder mostrar-lho em projecção nesta sala.

- Estou cheia de vontade. - Sim.

- Parabéns. - Obrigada.

Para si também.

- Sinto-me ansiosa. - Sim.

Tenho muita curiosidade de saber o que acha.

Eu também. Sinceramente.

- Espero que goste. - Sim.

- Podemos começar já? - Sim, começamos já.

Até já.

- Começou agora. - Obrigada.

Ora essa.

Ela veio sozinha. Pensei que eles viessem juntos.

O marido dela disse que surgiu um imprevisto qualquer.

- Chegou alguém de fora. - Percebo.

- Mas é pena ele não ter vindo. - Tem razão.

A que horas acaba o filme?

- Temos até ao meio-dia? - Sim, até ao meio-dia não há problema.

O filme tem 47 minutos, acaba às 11h16.

- Às 11h16? - Sim.

11h16...

11h16...

Vou pôr o alarme para cinco minutos antes.

Não é preciso, vou estar atento.

Não, e se a Kilsoo sai e não estamos aqui?

Pois é.

Quer conhecer o terraço? É muito agradável.

Ah, sim?

Vamos lá ver? É fantástico.

- Então, vamos? - Sim, por aqui.

Dou uma olhadela enquanto esperamos.

Adoro terraços.

Este ficou muito bem arranjado.

- Foi? - Sim.

- Parece-lhe bem? - Sim, é óptimo.

Está de facto bem arranjado.

- Fartaram-se de trabalhar. - Sim.

Posso fumar ali?

Fumar? É uma zona de não fumadores.

É um cigarro electrónico.

Um cigarro electrónico?

Sim, estou mesmo a precisar de fumar.

Então pode fumar ali?

- Pode subir algum trabalhador. - Claro.

- Obrigada. - Certo.

Deve querer fumar agora que o filme está a ser projectado.

Tens razão. Mas fuma muito em geral.

Também queria ver o filme.

- Devias ter visto esta manhã. - Não.

Preciso de estar cá fora no caso de alguém chegar.

E obrigado por nos deixares fazer cá as projecções.

A decisão foi do director, não foi minha.

Obrigado na mesma.

Que tal é o filme? O que achas?

Vê mais tarde. É um bocadinho invulgar.

- É possível que gostes. - Ah, sim?

É possível que seja o teu tipo de filme.

- Se for do teu género, é maravilhoso. - Tenho de o ver.

Não deixes de ver.

E trabalhar no filme? Que tal foi?

Como é trabalhar com uma romancista?

É uma pessoa apaixonada, a um nível surpreendente.

- Ah, é? - Sim.

E tem as ideias muito assentes.

Sabe exactamente no que está a pensar.

- Ah, sim? - Eu devia aprender isso com ela.

E quando estávamos a montar,

vimos o filme... pelo menos umas 300 vezes?

A sério, do princípio ao fim.

- Ah, sim? - Sim.

- É espantoso. - Um bocadinho excessivo?

Ela é muito mais meticulosa do que os estudantes de cinema que conheço.

Fiquei muito surpreendido.

Uau.

Deve ter sido difícil.

Bem, um bocadinho.

É bonito, não é?

Tão bonito.

Aqui está a noiva.

- Está aqui outra folha caída. - Tem uma cor bonita, não tem?

Esta também? Não, fica mais bonito só com duas.

- Assim? - Por trás.

Também fica bonito com esta.

É difícil de encaixar.

- É tão bonito. - É.

- Estás a filmar a cores? - Não.

- A preto e branco? - Sim.

Que pena. É tão bonito.

Podemos filmar a cores.

Olha esta tão grande.

Mas fica mais bonito só com duas.

Tão lindo.

- Amo-te. - Amo-te.

Lee Hyeyoung - Kim Minhee Seo Younghwa - Park Miso

Kwon Haehyio - Cho Yunhee Ha Seongguk - Ki Joobong

Lee Eunmi - Kim Siha

Direcção de produção Kim Minhee som Seo Jihoon

Produção, argumento, realização, fotografia, montagem, música Hong Sangsoo

Cartaz Song Eunmi, Leem Jeonghye

Tradução Maria João Madeira revisão Sun Young Nam

Produção Jeonwonsa Film.

Já acabou de ver?

Não está aqui ninguém?

Não, não estou a vê-la.

- Ela deve estar no terraço. - No terraço?

Sim, acho que está a fumar lá em cima.

Nesse caso vou subir.

Pode ir de elevador.

- Obrigada. - De nada.

Onde é que ela foi?

Tenho a certeza que está lá em cima.

Eu tenho aqui que fazer, mas suba.

- Obrigada. - Sim.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.