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Original subtitles

MAGNETISMO SELVAGEM

Cavalheiros.

Perdoem nosso atraso.

N�s esbarramos em uma multid�o muito inconveniente.

Mas fiquem tranq�ilos, n�o eram ex-pacientes.

Vamos esperar que as autoridades sigam nossas pr�ticas m�dicas.

Vamos enfrentar essa histeria, e abrir algumas veias.

Colegas da Sociedade Real de Medicina.

Convidados...

Esta reuni�o foi convocada para que certas declara��es...

feitas pelo Dr. Franz Anton Mesmer de Viena, sejam examinadas.

Eu convoco um colega de Dr. Mesmer.

Dr. Charles Deslon.

Que � conhecido por todos n�s como um honrado membro.

Doutor?

Calem-se.

� sempre dif�cil julgar de boa f�,

qualquer declara��o que pare�a estar al�m das normalmente aceitas.

Quando conheci o Dr. Mesmer tamb�m fiquei c�tico...

At� incr�dulo.

Ele come�ou me explicando a teoria do magnetismo animal...

e meu ceticismo aumentou.

Tenho certeza que sim!

Ent�o levei Dr. Mesmer para ver alguns dos doentes.

Pedi para que ele tratasse deles. E eu observei.

- Para onde voc� o levou? - Para o hosp�cio?

Cavalheiros!

Ordem!

Sim, doutor. Para o hosp�cio, de fato.

Atravessamos os umbrais do sofrimento...

e Dr. Mesmer chorou.

E ent�o vi Dr. Mesmer aplicar sua arte.

Eu o vi induzir, depois controlar, e depois eliminar...

um ataque epil�tico!

Eu o vi fazer um membro paralisado inchar e encolher sozinho!

Eu mesmo vi como os pacientes come�aram a compreender...

que seus corpos eram, em parte, de responsabilidade deles...

e que muitos desses sintomas n�o eram sinais do al�m...

ou de f�...

Mas conseq��ncias diretas de suas pr�prias experi�ncias.

Mem�rias, atitudes...

E Mesmer estava l� para p�r um espelho na frente deles.

Ela foi sedada e recebeu veneno.

Este � o problema.

Estou controlando os ataques aos poucos com os m�todos que descrevi.

� mesmo?

Dr. Ingehousz.

Coloque sua m�o nela.

Por qu�?

Quero que veja algo com seus pr�prios olhos.

Ponha suas m�os aqui.

Por que isso?

Passe suas m�os, senhor.

As duas m�os. Passe suas m�os nela.

N�o.

N�o v�...

Viu?

E esse poder pode ser transferido n�o s� para voc�, mas para objetos.

Segure isto perto dela.

N�o, � perverso demais pra mim.

Perdoe-me, mas achei que fosse um homem s�rio e de mente aberta!

Trouxe esta garota de um hosp�cio!

Eu conhe�o o caso dela.

Ela � minha prima, senhor.

Foi um belo gesto, mas como m�dico, voc� foi irrespons�vel.

Voc� n�o a curou.

Devemos sangr�-la imediatamente. Abrir uma de suas veias.

Sim, claro...

Ent�o imagine que a for�a do im� seja talvez apenas um sinal...

de uma for�a similar que age o tempo todo sobre os seres humanos.

Isso � besteira.

Voc� certamente n�o nega que a esfera iluminada da noite...

- O qu�? - A lua, senhor.

Se est� falando da lua, por que n�o diz isso?

A lua, sim...

Dever�amos ser homens da ci�ncia, n�o poetas adolescentes...

A lua n�o puxa o oceano pra longe das margens, e depois de volta?

Voc� v� a for�a? Ou o p�lo do �m�?

Ou a eletricidade?

Dr. Mesmer, n�o tenho o costume de ser tratado como crian�a.

E devo lembr�-lo que a supersti��o e o entusiasmo religioso...

foram expurgados da medicina.

Sua falta de paix�o me assusta.

Paix�o e medicina n�o se misturam, Dr. Mesmer.

- N�o? - N�o, s�o p�los opostos.

E j� que escolheu usar a lua em seu discurso...

devo lembr�-lo tamb�m que ela simboliza os lun�ticos.

Se ao menos eu pudesse fazer essa flecha voar.

O qu�?

O fluxo de pensamento, Dr. Ingehousz.

A convic��o.

De que descobri algo que tirar� a dor, sofrimento, e desarmonia...

de nossos cansados corpos.

Mas que tolo voc� �.

Que idiota voc� acabou se tornando.

O grande g�nio, Mesmer!

Vivendo da caridade de sua mulher.

O filho da merda de um fazendeiro!

- Seu linguajar �... - Calado!

Como?

Escute, seu insolente...

Eu n�o pago as contas e lhe dou acesso � alta sociedade?

Quero vender a casa.

A casa �, de fato, sua para que a venda, querida.

Vender a casa e ir embora! A casa, m�veis e barris!

Banheira!

Casa, m�veis e banheira.

Tudo o que voc� diz � verdadeiro.

Sim, � mesmo.

Certamente n�o me casei com voc� pelo seu esp�rito generoso...

Tampouco pelo seu tato, seu charme...

e pelos dentes que lhe faltam.

Tire esse sorriso do rosto!

Boa tarde!

Suas Excel�ncias, Bar�o Heresky de Horka e Baronesa de Horka!

Sua Excel�ncia, Chanceler Anton Menton de Kunitz

Ele chegou.

Boa tarde, senhoras.

O prazer � meu.

Boa tarde.

Ele anda com tanto medo das doen�as hoje em dia.

Ele n�o deixa ningu�m chegar perto dele.

Mesmo que a pessoa s� tenha uma pinta!

Uma pintinha, no rosto.

Perd�o?

O Chanceler...

Sim...

N�o � saud�vel ser t�o obcecado pelas doen�as.

Somos os �nicos animais cientes de nossa morte.

Sim...

E a �nica esp�cie com um m�nimo senso de perfei��o.

Nossa... filosofia!

Por isso temos repulsa pela doen�a.

Podemos ouvir a m�sica das esferas celestiais...

...basta nos esfor�armos para ouvi-la.

Ela � cega, sabia disso?

Cega feito um morcego.

Desde os tr�s anos.

Maria Theresa, concentre-se.

Concentre-se, filha.

Volte!

Volte!

N�o se preocupem, n�o � nada de mais!

N�o!

Ponham-na de volta no piano!

N�o!

Erga o v�u dela.

Esta jovem n�o � minha paciente, mas eu...

Apenas erga o v�u dela.

Sim, � claro.

Tenha cuidado, eu imploro.

Caso concorde, acho que devemos sangr�-la agora mesmo.

Creio que sim.

Por favor.

Traga-me um bacia.

Uma bacia!?

Guardem essas l�minas!

O que acha que est� fazendo?

Esta jovem precisa urgentemente dos cuidados de Franz Anton Mesmer!

- E quem seria esse? - Eu mesmo.

Voc� sabe que empurrou o Professor Stoerk?

Saia do caminho!

O m�dico da Imperatriz!

O que ele quer fazer? Abrir as veias ou os olhos dela?

Dr. Ingehousz, quem � esse homem?

Afastem-se.

Voc� nunca deveria cobrir um rosto t�o lindo.

Mesmer, deixe-a em paz!

Voc� n�o ser� sangrada.

Vou segurar seu rosto, entre minhas m�os e...

Algu�m tire esse homem daqui!

Um momento, por favor!

Excel�ncia, se posso dizer...

N�o � hora de discursos.

Vamos pelo menos ver o que este homem pode fazer.

Como Vossa Excel�ncia quiser.

Meu Senhor Jesus Cristo!

Sempre podemos sair pelos fundos.

Agora.

Eu j� a conhecia antes de v�-la.

Voc� estava esperando por mim.

E eu, por voc�.

Pare, pare!

Como a lua move as �guas.

Como o sol aquece a Terra.

E o �m� atrai metais.

Tudo est� indo...

E fluindo...

Indo... e fluindo.

Harmonia.

H� uma for�a universal invis�vel.

Passando por todas as coisas e criaturas.

Essa for�a de magnetismo animal...

que se move de mim at� voc�, que provocou essa crise.

Baboseira!

Essa for�a, se movendo de mim at� voc�...

fez voc� gritar em agonia...

at� que eu encontrasse a origem de sua doen�a.

Encontrasse a origem da sua doen�a.

Voc� pode sentir.

Voc� pode sentir.

Voc� pode sentir.

N�o pode?

Pode sentir?

Sim.

Posso sentir.

Aqui est� sua paciente.

Ela n�o foi ferida.

Professor Stoerk, Doutor Ingehousz...

Espero mesmo que cuidem de seus pacientes...

...com a mesma dilig�ncia e preocupa��o que mostraram...

...quando foram contr�rios ao al�vio do sofrimento dela.

Escutem!

� o poder.

Posso ouvir.

Foi a porta!

Foi aquele homem abrindo e fechando a porta.

N�o, escutem!

Com a mesma dilig�ncia e preocupa��o que mostraram...

...quando foram contr�rios ao al�vio do sofrimento dela.

O sofrimento dela.

Por favor, Dr. Ingehousz. D�i demais.

Ent�o est� funcionando.

Deve estar t�o apertado como a pr�pria pele de sua cabe�a.

E t�o forte quanto seus ossos.

N�o h� outra maneira?

Talvez o Dr. Mesmer?

Voc� est� louco?

Mas ele curou as dores de minha filha.

Ela n�o tem ataques de dor que v�m e v�o?

Exatamente.

O que voc� viu aquele charlat�o fazer foi s� uma ilus�o.

Foi uma coincid�ncia disfar�ada.

- N�o! - Foi sim!

Sei o que aquele homem faz...

� uma encena��o!

Continue tocando.

N�o quero.

Voc� quer me dizer alguma coisa?

Escute... O trov�o, voc� pode ouvir!

Sim.

Aquilo me deu dor de cabe�a.

Ent�o deveria ir para cama.

Durma com os anjos, querida esposa.

Durma com os anjos, querido marido.

N�o, pai! N�o!

Se voc� soubesse a dor...

da minha alma...

Voc� pode ter o que quiser.

Qualquer coisa nesta terra, posso lhe dar.

Qualquer coisa.

Mesmer.

Leve-me ao Mesmer.

Sim.

Sim.

Ora, ora...

Garota, o que est� fazendo?

Francisca, Francisca...

Voc� sabe que n�o deveria estar fora da cama.

O que foi? O que est� tentando dizer?

Eu te amo.

Amo mesmo.

Amo mesmo.

Voc� acha que ama.

Durma um pouco. Sonhe um pouco.

Fico feliz que tenha vindo.

O que foi?

Em algum lugar...

Muito longe daqui, acho que ouvi uma linda m�sica...

Que m�sica? N�o ouvi nada.

Eu ouvi.

A prima de minha mulher tem uma caixinha de m�sica...

que toca exatamente essa m�sica!

� um som muito baixo, mas voc� deve ter ouvido daqui!

Por favor... Devemos sentar.

Posso ouvir uma gota de orvalho caindo na teia de uma aranha.

Ou uma mosca, pousando no teto.

Talvez voc� queira ouvir mais do que ver as coisas.

N�o.

Eu n�o consigo.

N�o posso ouvir uma gota de orvalho na teia de uma aranha.

Mas posso v�-la.

Um diamante num ber�o de seda.

Eu...

O que foi?

Eu posso ouvir o mundo girando.

Posso ouvir a lua cruzando o c�u.

E pode ouvir um cora��o humano?

Quando eu era jovem, tamb�m podia ouvir o mundo girar.

Eu escalava a colina mais alta que encontrasse para ouvir melhor.

E como era?

Como o vento nas �rvores.

Como o bater das asas de um p�ssaro.

Limpo.

Limpo.

Eu escalava t�o alto assim para fugir da sujeira l� de baixo.

Sim...

A lenta...

e crescente mancha...

- A contamina��o... - Sim!

� isso o que voc� n�o quer ver.

Voc� est� machucando meu pulso.

Mas voc� ver�.

Eu posso ouvir at� as menores coisas.

Voc� ver�.

Posso mesmo.

Posso ouvir.

Como o cheiro das flores.

A m�sica no ar.

Mas � s� para mim.

Voc� n�o pode ouvir.

Voc� n�o pode saber.

Voc� n�o pode.

Posso sim.

Mesmer!

V�o embora!

V�o embora!

V�o embora, seus lun�ticos! Sumam daqui!

Abram o port�o!

- Mam�e. - O que eles querem? Me deixem em paz!

Como ele fez?

Algo estranho aconteceu com aquela garota cega.

Seu padrasto � s� um tolo, ele n�o faz nada de mais.

Ele �s vezes se envolve com essas criaturas, s� isso.

Sim, mas como ele fez?

Algo aconteceu, veja aquela multid�o.

Ah, cale a boca!

Veja o que ele faz!

Insulta os melhores m�dicos, e consegue que tipo de clientes?

Loucos sem dinheiro.

Esc�ria sem sapatos.

Preciso jogar um balde de �leo fervente neles.

Sabemos que ele est� a�!

Voltem aqui!

Mesmer!

V�o embora!

Saiam daqui!

Saiam!

Tire-os da minha casa!

Tire-os daqui!

Saia voc�!

Para fora, seus...

Sou eu quem voc�s querem.

Doutor Mesmer!

Estou esperando h� horas!

Saia da frente, seu lixo!

Por favor! Por favor!

Mesmer!

Doutor Mesmer!

� o Bar�o de Horka. Ele est� l� fora.

- Ele estava no recital de piano? - Sim.

Bem, v� dar boas vindas!

Ah, Franz!

Deixe-me sozinha com ele por 15 minutos.

- Entendeu? - Sim, mam�e.

Ele � um peixe muito grande.

Perdoe-nos, Bar�o.

Meu marido n�o tem tato algum.

Ou, de fato, nenhum senso das conven��es sociais.

Sabe, o pai dele era fazendeiro.

Franz Anton deve ter passado boa parte da inf�ncia sem fazer nada.

Mas, � claro, a intelig�ncia e a originalidade de sua mente...

...o levaram muito al�m da cria��o de galinhas e coelhos.

Embora ainda haja tra�os menos polidos em seus modos.

Minha fam�lia que � muito exigente...

sempre diz que eu n�o encontraria um par melhor.

Segurem as m�os.

Segurem as m�os.

Pegue o �m�.

D� a ela.

Pegue o �m�.

Eu completei o c�rculo.

Ah, pessoas.

Minhas pobres pessoas.

Que mundo pobre, doente e cruel.

Onde encontraremos a piedade...?

A compaix�o, e a verdade...?

E como vamos acabar com os abusos?

E com a crueldade?

E com a... dor?

Os �m�s v�o refor�ar o poder...

...do fluido universal.

� uma for�a que flui por todas as coisas.

� uma for�a que endireita o que est� torto...

e o que est� doente...

o que est� quebrado...

e tudo aquilo que n�o � verdadeiro.

Receber essa for�a resulta em dor.

A dor resistir�.

Quando eu tocar o �m�.

Quando eu o tocar...

Eu sozinho, posso fazer isso.

E voc�s sentir�o a for�a, passando por voc�s.

Voc�s sentir�o.

Voc�s sentir�o...

Voc�s sentir�o...

Voc�s sentir�o...

Mantenham o c�rculo.

Segurem.

Mantenham o c�rculo.

Segurem!

Mantenham o c�rculo!

Segurem!

O que est� havendo?

Todos ficaram loucos.

Parem.

Parem... Parem!

Parem!

A tempestade passou por voc�s.

Cada um de voc�s caminhou um pouco mais...

...na dire��o da harmonia e da paz.

Levantem-se.

Minha cabe�a ainda arde!

N�o consigo enxergar!

N�o consigo enxergar!

Minha cabe�a ainda arde!

Ainda d�i!

Voc�s t�m que olhar para dentro antes de poderem olhar para fora.

Saiam!

Saiam!

Anton?

Franz Anton?

Meu marido, acorde!

Quero ficar sozinho, obrigado.

- Mas Anton! - Sozinho, eu disse!

O Bar�o de Horka quer se consultar com voc�, querido.

Doutor Mesmer, aos seus servi�os, cara Excel�ncia.

Sobre o que gostaria de me consultar?

Acho que h� algo de errado com a minha garganta.

Respire...

Gregor?

O que est� fazendo?

Fazendo a droga da minha cama.

Minha senhora?

Insolente!

Vou perguntar de novo. O que voc� est� fazendo?

O mestre quer baldes de �gua, minha senhora.

No escrit�rio dele.

- Por qu�? - N�o sei.

Ent�o � isso o que voc� faz?

Fica beijando, n�o �?

Pe�o licen�a por um momento, Maria Theresa.

- Saia desta sala. - O qu�?

Se entrar aqui de novo quando eu estiver com um paciente...

Como ousa?

Como ousa falar assim comigo na minha casa!?

Estas m�os.

Olhe para elas!

S�o com elas que tento banir a dor e o sofrimento.

Como ousa!

Tudo pode ser usado para o bem ou para o mal.

Luz da minha vida, interrompa-me de novo...

...e vou espremer at� a �ltima gota do seu veneno.

Entendeu?

Ah, Gregor!

Trouxe a �gua?

Luz da minha vida?

Por favor, nos d� licen�a agora.

Ponha a �gua na banheira.

Paradies, diga.

� verdade que voc� tem levado sua filha ao Mesmer?

Eu... Eu...

Ela queria muito...

Ela...

Prof. Stoerk, Maria Theresa � uma jovem muito forte...

Sua filha n�o recebe uma pens�o da Imperatriz pela sua cegueira?

Sim, e pelo talento dela, uma pequena pens�o, sim.

Pequena, mas sem a qual voc� n�o viveria.

Dr. Mesmer quer que eu fique, pai.

N�o seria melhor se eu ficasse l� o tempo todo?

N�o.

Sim.

N�o, n�o e n�o.

Eu vou ficar l�.

N�o vai ficar l�.

E precisa parar de v�-lo.

J� escrevi para ele.

N�o a levarei l�.

Ent�o eu irei sozinha.

N�o!

Maria Theresa!

Maria!

Maria!

Maria!

Maria.

Maria.

Ah, meu Deus.

N�o toque nela.

- Por qu�? - N�o toque nela!

Ela n�o enxerga, n�o �? N�o vai querer que ela caia.

Perdoe-me.

Deixo-a nas m�os de seu m�dico.

Eu n�o esperava por voc�.

Estava at� me perguntando se voc� voltaria.

Eu vim.

Seu pai me escreveu.

Eu sei.

Meu pai tem medo.

Ele disse que n�o deixar� voc� ficar aqui...

e sugere que ele n�o est� feliz com o tratamento.

Meu pai est� com medo.

O tom da carta toda � negativo.

Meu pai est� com medo.

Ele pode nos ver da casa?

Ele est� olhando para n�s?

Ele pode me ver?

N�o, n�o pode.

Deixe-me ver voc�.

N�o, meu pai!

N�o.

N�o.

N�o tenha vergonha.

Sim, doutor...

Sugiro que...

Traga-os aqui.

Frau Mesmer. � um prazer.

Paradies

Feche seus olhos.

O que foi?

Voc� tem medo do que pode ver.

Voc� tenta ignorar o que n�o quer ver.

Uma ferida...

E sob essa cobertura...

Sob essas vendas, seus olhos buscar�o a luz.

Em qualquer lugar.

E depois?

E depois.

Voc� � um charlat�o, senhor.

Um charlat�o!

Meu ombro est� t�o ruim como sempre.

Vou levar este caso � aten��o das autoridades!

� aten��o das autoridades!

Os homens nascidos das mulheres s�o cheios de ang�stia...

...e como a grama, s�o logo cortados.

N�s, m�dicos, sabemos muito bem o que o padre quis dizer.

E isso s� nos inspira humildade.

Vivemos em um mundo onde a doen�a � a regra.

E onde aqueles que sofrem, podem, �s vezes, ser t�o �vidos...

na busca do al�vio de suas dores...

...que acabam aumentando a doen�a de seus corpos...

e a febre em seus c�rebros.

O engodo, meus caros cavalheiros.

Estou falando do engodo.

Os fraudulentos...

Os enganadores...

Os charlat�es...

E os impostores, estes s�o os nossos inimigos.

E um homem desses est� entre n�s agora mesmo.

Um homem que deve ser expurgado.

Um homem o qual temos o dever de expulsar de nosso meio.

Falo de Franz Anton Mesmer.

Francisca.

Doutor...

Bom dia.

E no s�timo dia...

n�o teremos descanso.

Vou tirar as ataduras, Maria Theresa.

Estou com medo.

Escute... Escute-me.

Existem agora apenas algumas camadas de seda...

entre a noite perp�tua de sua vida...

at� este momento...

e o primeiro brilho da luz...

que de agora em diante ser� sempre sua.

- Acredite em mim. - Eu acredito.

- Eu acredito! - Acredite em mim!

Eu acredito!

Escurid�o.

O que deve ser, deve ser...

N�o, n�o, n�o!

O que deve ser, n�o est� fora de nossas m�os.

A cada momento n�s fazemos nossas pr�prias vidas!

� a velha ordem, os velhos modos, a velha crueldade...

...que nos nega esse direito.

Maria Theresa...

� tudo uma quest�o do pr�ximo minuto...

Do pr�ximo segundo, milion�simo de segundo...

N�o amanh�, mas sempre!

Para sempre! Agora!

N�o haver� outra forma, mas no pr�ximo minuto, seremos livres!

Francisca!

N�o!

Francisca!

- Voc�... - Solte-o!

Calma.

O que houve?

O que � isso?

O que foi?

H� alguma luz?

Est� vendo algo?

A forma de uma p�tala tamb�m me encanta.

Voc� n�o sabe o verdadeiro encanto disso.

Quem saberia que uma nuvem � assim?

O mundo est� vivo com folhas como notas musicais.

As dores na sua cabe�a acabaram? Sumiram totalmente?

Sim... Sim!

Agora minha cabe�a canta!

Eu lhe disse...

...que lhe j� a conhecia antes de encontrar voc�.

Voc� tem minha profunda compaix�o.

Deve ser intoler�vel para voc�.

Ent�o detenha-os!

A jovem n�o deve sofrer.

Esse foi nosso acordo com o Sr. Paradies.

Sr. Paradies est� esperando com a carruagem!

Eu vou...

N�o olhe para mim.

Leve-me para casa.

Ah, esque�a.

Deixe a flecha voar.

Vamos!

Ela n�o merece!

O que voc� acha que est� fazendo, seu louco?

Limpando a casa!

Professor Doutor Stoerk. Como posso ajud�-lo?

Eu trato da maioria dos transtornos, ent�o...

Este � um dia de inf�mia e atos que ser�o lembrados para sempre!

N�o, senhor. � uma ter�a-feira que logo ser� esquecida.

� hora de irmos embora.

Voc� sabe das ordens.

Fique fora da cidade.

PARIS - DOIS ANOS DEPOIS

Marie, Marie, por que se interessa tanto por agita��es nervosas?

J� n�o temos agita��es o bastante por toda parte?

Quem � esse tal Mesmer, afinal?

- De onde ele vem? - Viena.

Ah, Marie Antoniette!

Dr. Deslon, acredita que...

M�dicos que falam alem�o s� sabem diagnosticar constipa��es.

Nossos nervos est�o calmos.

Estamos saud�veis.

Agita��es nervosas...

A melhor cura para isso � uma bala!

N�o um m�dico alem�o.

Veja s� isso!

Nossa!

Dr. Deslon!

Minhas senhoras.

E o Dr. Mesmer?

� verdade que ele curou a cegueira de uma jovem em Viena?

Sim, madame.

E � verdade que ele pode curar paral�ticos?

Eu mesmo j� vi.

S�rio?

E dist�rbios de perda do apetite?

Estou certo de que ele poderia reavivar os prazeres da mesa.

Ah, eu n�o me referia aos prazeres da mesa...

Mesmer!

Minhas costas! Pode cuidar das minhas costas?

Suas costas, Duquesa?

Sinto dores. Especialmente...

...em certos momentos, doutor.

- � noite? - Certamente.

Quando voc� n�o est� sozinha na cama?

Voc� foi o primeiro m�dico a entender!

Senhora, seus nervos est�o desalinhados.

Se seu marido pudesse...

N�o estava falando de meu marido, senhor...

Sinto muito.

O diagn�stico � o mesmo.

Indiferente do tamanho ou formato do membro.

Voc�s est�o vendo os condutores do meu poder.

N�o temam se sentirem a energia.

N�o resistam.

Deixem-na acarici�-las...

Sussurrando murm�rios enquanto a for�a em mim flui...

...para dentro de seus corpos.

Seus nervos.

Seus ossos.

Peguem.

Peguem os bast�es.

Voc�s poder�o perder o controle dos seus sentidos.

N�o se preocupe.

Calma.

Estar� segura em minhas m�os.

Minhas m�os.

Deixem que todas as partes de seus corpos recebam a energia.

Agora.

Agora!

A energia est� fluindo.

Est� ganhando for�a.

Sintam.

Experimentem.

Ela cresce.

Ela enfrenta os obst�culos.

Deixe-a enfrentar a dor.

Seus corpos...

...s�o agora campos de batalha!

A luz pode vencer? Ela vencer�?

Ela vencer�?

Vencer�?

A luta!

A batalha!

Das minhas m�os para voc�s.

Ela enfrenta suas doen�as.

Desembara�a seus nervos.

Supera os obst�culos.

Libere-se!

Libere-se!

Libere-se!

Libere-se!

O que estamos fazendo?

Tratando grandes damas com pequenas doen�as?

E todas as nobres hist�ricas de Paris.

Eu curo as doen�as porque consigo tocar as almas delas.

Isso � s� uma encena��o.

N�o mais.

A sociedade real marcou o dia da audi�ncia.

Eles n�o se interessam pelas minhas teorias.

S� querem me fazer parecer um tolo.

Um dia n�s reconheceremos que nosso corpo e nossas emo��es...

...n�o est�o separados. E sem a b�n��o da Sociedade Real.

O que est� havendo?

Paris.

A capital da raz�o.

Onde id�ias mal digeridas voltam como v�mito.

A liberdade n�o pode ser digerida pela metade.

N�s a engolimos inteira...

Especialmente quando n�o h� mais nada para se comer.

Franz Anton...

Quando a sociedade est� doente...

Todos seus membros s�o atingidos.

Inclusive n�s.

Sempre olhamos para fora.

Mas tamb�m devemos olhar para dentro.

Eu mesmo observei.

Como os pacientes come�aram a compreender...

que seus corpos eram, em parte, de responsabilidade deles...

...que muitos daqueles sintomas n�o eram...

Sinais do al�m.

Ou de f�.

Mas conseq��ncias diretas de suas experi�ncias...

mem�rias...

...atitudes.

E Mesmer estava l� para p�r um espelho na frente deles.

J� ouvi por diversas vezes...

...as obje��es de que todas as v�rias curas que j� enumerei...

...se sustentam apenas na imagina��o dos pacientes.

Mas e da�?

E se for isso?

E se o segredo de Dr. Mesmer for capturar a imagina��o...

...para criar harmonia mental e f�sica?

N�o � algo pequeno.

Isso, por si s�, � um maravilhoso avan�o da medicina.

Eu pensei no que irei falar...

...por muito tempo e com muito cuidado.

Tenho o dever ao meu caro colega e � nossa Sociedade...

...de ser absolutamente preciso no que direi.

Franz Anton Mesmer...

Voc� � um charlat�o.

Essa coisa de magnetismo animal n�o existe!

E portanto, n�o pode ter curado absolutamente ningu�m!

Cada uma dessas assim chamadas "curas"...

mostraram ser, ap�s investiga��es adequadas e rigorosas,

e sinto muito mesmo em dizer isso,

meras fraudes!

Na verdade, tive a oportunidade de questionar um desses pacientes.

Uma mo�a.

Uma mo�a distinta.

Uma que teria sido curada de sua surdez.

E perguntei, "Voc� est� mesmo melhor?"

Sabem o que ela me respondeu?

"O que o senhor disse?"

Nossos colegas da Faculdade de Medicina de Viena...

...n�o ficar�o surpresos com isso.

A �nica coisa que os surpreender� foi o longo tempo...

...que elite de Paris levou para descobrir a verdadeira...

Bem-vindos!

Professor Stoerk e Ingehousz.

Cavalheiros...

Gostaria de, em nome dos senhores, oferecer aos nossos visitantes...

a gratid�o da Sociedade Real de Medicina...

pelo esfor�o e generosidade que eles nos ofereceram.

Professor Stoerk, bem-vindo.

Voc� tem toda a nossa aten��o.

Obrigado, monsieur Vigdasiux.

E voc�, monsieur Russel de Roseme.

Pelo privil�gio que me deram...

permitindo que eu continue aqui em Paris minha eterna luta...

contra contra erros est�pidos, supersti��es ignorantes e fraudes.

Como o vento nas �rvores.

Como o bater das asas de um p�ssaro.

� este o problema que um m�dico deve enfrentar.

Uma jovem, que contra a vontade de seu pai foi submetida...

ao charlatanismo de que ouviram.

Tomei a liberdade de trazer esta mo�a comigo.

E pedirei a ela agora...

para que erga seu v�u.

Maria Theresa, o Prof. Stoerk pediu para que erga seu v�u.

N�o importa.

Uma simples pergunta bastar�.

Maria Theresa Paradies, voc� pode enxergar?

Cavalheiros, n�o desejo alarm�-los sem motivos...

Sil�ncio!

Cavalheiros, deveriam saber que suas vidas est�o em grande perigo.

Como voc� sabia?

N�o sei como eu soube.

Voc� me abandonou.

N�o consigo enxergar.

Voc� quer enxergar?

N�o.

Prefiro n�o ver o que h� para ver.

Quando pude ver as notas no piano, comecei a errar.

Eu n�o queria perder nada.

Minha m�sica...

...n�o era pura.

Queria n�o ter conhecido a pureza.

Mas conhe�o.

Eu conhe�o.

Quando eu era garoto, eu chorava sozinho.

Eu via que tudo ao meu redor...

de um horizonte ao outro...

tudo estava em harmonia.

Em equil�brio.

Exceto a humanidade.

Exceto n�s mesmos.

E eu chorava...

Eu n�o suportava n�o poder fazer nada a respeito disso.

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