Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
A experiência mais profunda que tenho
Acontece dentro do silêncio.
Quando o silêncio entra na sala e se senta conosco.
Para que o silêncio seja audível,
requer um veículo.
e aquele veículo
é a música.
Para mim, a interpretação é sagrada. Este é um espaço sagrado.
O público vem de fora, num evento mediado pelo comércio,
Uma zona liminar, um espaço intermediário, é necessária para conciliar o
exterior com o interior, para tornar possível a transição entre os dois.
E esta é a função das Paisagens sonoras em um
show do King Crimson, elas sintonizam o ar.
Está se divertindo, Robert?
Essa é uma resposta mais complexa.
Há muita alegria no que fazemos,
e também é muito difícil, porque
a banda tem um potencial que ainda não atingiu,
e isso me causa um profundo sofrimento.
Quão longe você tem que ir?
O King Crimson foi formado em um porão no oeste de Londres em 1969.
Apesar do sucesso transcontinental,
dois dos fundadores da banda
Michael Giles e Ian McDonald
desistiram no primeiro ano.
Robert Fripp teve que recrutar uma nova banda, iniciando um
processo de fragmentação e reinvenção que dura mais de 50 anos.
IN THE COURT OF THE CRIMSON KING 50 ANOS DO KING CRIMSON
E agora um de seus favoritos:
Existem duas versões dessa guitarra, que são iguais, correto?
-Sim, 1 e 2. -Qual é esse?
-Este é 1 -Por que é 1?
-Porque aparentemente ele gosta mais. -E como eles são diferentes?
Existem diferenças mínimas, não tenho certeza de quais são.
Seria justo dizer que na sua área de atuação
essas diferenças mínimas tornam-se significativas?
Sim, parece justo dizer isso.
Eu quero que tudo seja perfeito para ele, entende?
É a minha principal preocupação.
Sem dúvida, ele espera algum grau de perfeição.
Não posso deixar de ver que essa banda está
cheia de indivíduos que podem afirmar
que, se não são os melhores em sua área, estão entre os cinco primeiros.
E, no entanto, apenas um deles
passa 4 ou 5 horas por dia praticando.
Olá.
Você gostaria de vir e ver como eu tiro minhas roupas?
Se possível, eu adoraria, obrigado.
Não pode, só perguntei se gostaria.
Claro que sim, você fala muito sobre isso.
-Eu só quero... -Me humilhar.
Só quero entender os limites dessa relação.
Agora eu sei o que você
quer e sei o que posso te negar
ter poder sobre você.
acho que ter
a certeza de
que sua vida chega ao fim,
pode
aumentar o senso de urgência
e o interessante é que
a urgência...
Eu poderia dizer que a urgência é uma
das características da música do Crimson.
A primeira coisa que eu quero saber
é o porquê de você querer fazer um filme sobre King Crimson.
O 50º aniversário me parece
uma marca óbvia
para desenvolver uma visão geral sobre o que temos feito.
O resumo do meu envolvimento pessoal com King Crimson
é que tenho sido absurdamente infeliz,
miserável, em uma palavra,
de 1969 a 2013.
(King Crimson - 21st Century Schizoid Man) blood rack, barbed wire,
politicians' funeral pyre
innocents raped with napalm fire
twenty-first century schizoid man
Do lado de fora, parece uma banda dos sonhos.
Uma banda onde você poderia fazer o que quisesse.
Uma banda que poderia fazer qualquer coisa.
Uma banda que poderia descartar todo o seu repertório
e trocá-lo por um totalmente novo.
Desafia toda a relação entre o público e os músicos.
Fazer parte do King Crimson é um pouco como ter uma infecção leve.
Você não está doente, mas também não está se sentindo bem.
Acho que eu parti o coração do Robert quando saí...
Robert sempre foi bom em convidar outras vozes para participar.
Ele sabe que não pode fazer tudo sozinho.
Ele recrutou Bill Bruford, ele chamou Adrian Belew,
Tony Levin...
É compreensível que se KC é seu bebê,
então ele quer ter muitas parteiras.
Sempre pensei que Robert e eu éramos parceiros.
Eu não achava que estava na banda de outra pessoa.
Então, quando ele me expulsou de sua banda, eu pensei
como assim? Eu pensei que a banda fosse nossa.
Como posso dizer?
O problema não é comigo.
O problema está em outro lugar.
Ele declarou que está mais feliz do que nunca
porque se cercou de pessoas dispostas a fazer tudo
à maneira de Robert, e é isso que ele requer.
E se não fizerem do jeito dele, ele pega sua guitarra e vai pra casa.
Eu já o vi fazer isso, então...
Este é o primeiro King Crimson
onde não há pelo menos um membro que se ressente ativamente da minha presença.
Pelo menos um.
Pare de me seguir.
-No caso do Bill... -Pensando bem, venha aqui.
Bill é tão louco quanto eu
ou igualmente são.
O único amigo pessoal meu que se juntou ao King Crimson.
Em muitos King Crimson eu senti
"Eu não posso ser o único são neste hospício."
Estar no King Crimson dá aos membros
o dom da responsabilidade
E assim...
A responsabilidade é minha.
Quais são os parâmetros? Bom...
Os parâmetros são
toque os sons certos na hora certa.
Fazer isso é o meu trabalho.
Não posso gravar lá, posso?
Eu não preciso... Você não deveria me perguntar isso.
Está bem.
Essa pergunta realmente me distrai da minha performance.
Isso me coloca na posição de ter que me preocupar...
Não se preocupe com isso.
-Tudo bem. -Muito bem.
Obrigado.
Você não pode entrar no Crimson sem saber exatamente o que vai fazer.
A menos que Robert confie em você.
Às vezes, alguns membros recebem mais atenção.
-Eles estão te observando... -Sob um microscópio.
É mais difícil porque tudo pode ser visto
como um problema.
Não é que eu não concorde, na verdade até gosto
de ter alguém tão exigente, para que tudo corra da melhor forma possível.
Deveríamos parar agora.
-O que te torna único como músico, Jakko? -Quase nada.
-Fala sério. -Sorte.
-Boa resposta, mas não acredito em você... -É verdade.
Se você não fosse um músico extraordinário, você não estaria nesta banda, mas ao mesmo tempo...
...é verdade.
Já que você é...
isso é verdade.
Você está sob a sombra de figuras muito importantes.
Você segue os passos dos grandes.
E deve ser...
Deve ser difícil encontrar sua própria voz neste contexto.
Diga que ele está falando merda.
Isso é absurdo, é uma pergunta terrível.
Qual seria uma pergunta melhor? -Eu só pensei em algo.
Não, o que eu diria é que
essa é a musica que eu ouvia quando era criança.
Minha forma de cantar é influenciada pelos músicos que ouvia.
Não é que eu esteja
fingindo cantar como outra pessoa por causa desse material, eu canto como eu, mas acontece
que essas influências
são esses mesmos músicos, então
se encaixa, deve ser por causa disso.
Há outra resposta muito mais simples.
- O que, "vai se foder"? -Não, a resposta é
King Crimson
Não é apenas parte do seu DNA musical
-mas é o seu DNA musical. -Eu gosto disso.
Então... toda essa chatice
de estar na sombra dos outros
não faz sentido.
Jakko não está na sombra de ninguém
Ele é um gigante em seu campo.
Você não se sente como o filho favorito?
Eu não quero isso gravado, não.
Eu sinto que este é o meu trabalho.
É difícil falar sobre
Gavin sempre me diz "Sinceramente, você é insubstituível
assim como o cara que veio antes."
Eu ouvi Crimson aos 11 anos, e isso mudou
minha percepção do que a música é e pode ser.
Eu me lembro de estar deitado no chão
com a cabeça em um travesseiro e os dois alto-falantes estéreo
um de cada lado da cabeça,
com as luzes apagadas,
para fugir de como eu me sentia.
(King Crimson - The Letters) Wrote to her lover's wife::
Quando criança, fui adotado por um
imigrante polonês e sua esposa francesa.
Ele era muito rígido, minha vida era
austera e solitária, não tinha parentes,
suas famílias estavam vivendo atrás da Cortina de Ferro ou
em algum lugar da França.
E essa música parecia vir de outro lugar, de outro planeta.
eu poderia mergulhar nela
e escapar por nela
porque parecia tão
mágico e desconhecido
Ouvi esse disco e a música me emocionou,
fiquei obcecado, analisei as capas,
Eu estava pesquisando tudo que podia sobre a banda,
eu tinha 13 anos e até batizei meu cachorro de 'Fripp', caramba.
Ele me inspirou a ser músico, e agora, estar na banda, tantos anos depois...
Os primeiros ensaios foram difíceis.
Robert me disse "Jakko, isso não é uma audição
você conseguiu a vaga.
que tal começarmos...?"
É difícil deixar essa mentalidade? Porque ainda sinto que estou sendo julgado.
É... O ponto é... você está.
Posso apertar sua mão?
Gentilmente, sim...
Apertei a mão de Robert outro dia, pela primeira vez em muito tempo,
e ele é tão preciso, e sempre se veste como um cavalheiro inglês
mas tem as mãos de um camponês.
Elas estão cheias de calos,
-Depois de praticar tanto, é extraordinário. -Sim, ele está sempre praticando.
Este é um dos poucos dedos que não uso, e esse eu uso bastante
dá pra ver a diferença de tamanho.
São anos de uso, acho que todos eles são
parecidos com espátulas por causa disso.
I come back... come back
Os anos 80 foram adoráveis
É a formação que eu mais gosto. Éramos Belew, Levin, Robert e eu,
Dois ingleses e dois americanos. O que é ótimo! E os ingleses... Robert e eu,
conversávamos sobre tudo o que acontecia na banda, tanto quanto possível,
incluindo a filosofia de vida e a vida como a conhecemos, enquanto os americanos
jogavam sinuca, comiam hambúrgueres, ou seja lá o que eles fazem,
e aí, eventualmente, nos reuníamos para jogar e os americanos espancavam a gente.
Apesar da verborragia britânica,
a análise do que deveríamos fazer,
havia uma bela e equilibrada combinação entre a habilidade americana de fazer as coisas
e o pensamento estratégico e analítico dos britânicos.
(King Crimson - Waiting Man) 1,2,3,4,1,2,3,
I wait every moment
I wait, wait for my chance
Quando a banda à qual me juntei foi formada em 1981, Robert a chamou de Disciplina.
e sendo um dos norte-americanos da banda
Não gostei do nome, tem uma conotação negativa no meu país.
-Qual é a definição nos EUA? -Bem...disciplina...
Punição.
-Comecei com um banho frio pela manhã. - Um banho frio?
Seu corpo não quer tomar banho frio pela manhã, então você diz ao seu corpo:
"Faça o que eu digo."
-Disciplina. -Sim, exato.
Em uma palavra: Disciplina.
Você pegou seus talheres?
Sim, os talheres, a roupa de cama,
-Uau! -Muitas coisas. A cama é boa, quase nova.
É um divórcio horrível. -Sim.
Ele disse: "Olhe... eu sei que parece difícil e triste
que é tipo luto etc...
mas hávera momentos de alegria...
algo diferente... sabe?"
E eu disse: "Talvez se eu tivesse 45 ou 50 anos, mas tenho 60."
E ele me disse: "Mas você é uma estrela do rock, você segue outras regras."
Bem, vamos sair em turnê, Jakko, e você ficará solteiro.
-E você será o único solteiro da banda. -É verdade.
O que eu perdi, Paul?
O que você perdeu?
Um momento precioso da sua vida.
Por estar aqui.
Porque você poderia estar fazendo algo muito melhor
do que qualquer coisa que estamos fazendo aqui.
A mesma merda todos os dias.
Quando eles entram, os meninos adoram, eles assistem a um grande show de rock,
Eles vão embora e nós fazemos a mesma coisa de novo em outro lugar. Sempre o mesmo.
Outro buraco escuro e sujo.
Às vezes eles são escuros, sujos e fedorentos.
Buracos escuros e horríveis.
Nós vamos a lugares horrivelmente frios no inverno.
Eles nunca são bonitos. Buracos sempre horríveis, frios e escuros.
Mas a gente se acostuma. Você vai perdendo a visão.
Você perde a audição para a música. É muito legal.
Seus ossos doem, suas costas doem de tanto carregar coisas. Não é fácil.
Mas é trabalho para velhos. A juventude de hoje não consegue.
Mel, você poderia me dar um autógrafo? Obrigado.
-Muito gentil! -Minha história...
-Parte disso, pelo menos. -Uma parte.
-Joan Armatrading. -Eu acho que isso é tudo.
-Não, desculpe... -"Some girls"
Queria te agradecer por estes discos, muito obrigado!
Você vai ao concerto hoje? Sim, eu pensei: "tenho que ir".
Acho que não haverá muitas outras oportunidades.
É melhor estar nesta formação do King Crimson do que nas outras?
-Sim. -Por que?
Você pergunta sobre a formação dos anos 70.
Porque eu queria tocar outros tipos de música, outros estilos,
ao invés de ficar imerso em algo tão sério quanto King Crimson.
Na verdade, passei 40 anos sem vontade de voltar para o King Crimson
mas agora vejo que tenho mais liberdade aqui do que em qualquer outra banda que já toquei.
Em outras palavras, fiz um círculo completo.
E é um prazer, o que não foi nos anos 70, foi
-meio traumático -Traumático em que sentido?
Porque tive problemas com Robert
e Robert conosco, foi uma situação muito difícil...
estar na banda.
Era tudo muito sério... se você errasse
seria como o fim do mundo.
Você não errou, foi "verboten", como dizem em alemão.
E se você errasse, eles te olhavam feio.
E alguns de nós viveram
um inferno.
(King Crimson - Peace) Peace is a word Of the sea and the wind
Peace is a bird who sings As you smile
-Jakko Jakszyk foi chamado para o King Crimson depois de participar da 21st Century Schizoid Band, um grupo composto pelos primeiros membros do KC -Robert me ligou
-quando ele estava ensaiando com a Schizoid Band.
-Eu nunca tinha conversado com ele.
Eu estava muito ansioso, ele disse: "Como vai?"
Eu disse: "Sinceramente?"
Ele disse que sim e eu respondi "foram três das piores semanas da
minha vida, como músico". Ele disse: "sim... imaginei que seria assim."
O que muitos não percebem é que a formação original
do King Crimson continha um bando de filhos da puta,
e o maior filho da puta é...
Eles precisam de três bateristas para substituí-lo.
Não comece. Eu ouvi isso a noite toda.
Todo mundo diz isso e é muito embaraçoso.
(King Crimson - Cat Food) Lady Supermarket with an apple in her basket
Knocks on the manager's door
Grooning to the muzak from a speaker in the shoe rack
Lays out her goods on the floor
Quando você faz música
especialmente se for música espontânea
o ato de entrar nela
dá a você a oportunidade de abrir mão de tudo o que você conhece.
Tudo o que você tocou, experimentou, ouviu
para entrar no desconhecido.
...while she polishes a sabre Knows how to flavour a stew
Greg Lake.
"Eu quero ser uma estrela." Com suas calças de veludo.
Ele era paranóico e sedento por poder
além de narcisista.
Era exagerado e rude.
E depois há eu. O que falar sobre eu?
Você vai me apresentar como um bobo da corte, pulando por toda parte.
Escrevendo meus textos e...
carregando equipamentos, coisas do tipo.
- É o que você é, apenas um...? -Apenas um bobo da corte...
Eu gosto de pensar nisso dessa maneira.
Peter se considerava a "fada mágica"
de King Crimson.
Mas o relacionamento funcionou cada vez menos e...
no final de 1971, Robert e Peter
se separaram
por minha iniciativa.
A mudança é...
parte do que a banda é. A mudança é essencial.
Caso contrário, você se torna The Moody Blues, pelo amor de Deus.
Your mother's quite insane Cat food, cat food, cat food.
Uma das razões pelas quais saí do Crimson
foi porque comecei a odiar o que ouvia
Estávamos tocando...
uma coisa muito sombria, e eu me lembro, acho que foi
em San Francisco, ou talvez em Los Angeles,
e eu pensei "eu odeio isso".
"Estamos apresentando isso ao público."
Aprendi a não me arrepender de nada, a aproveitar
minhas experiências da maneira que posso.
Eu costumava me repreender por ter deixado o Crimson quando eu saí
depois do primeiro disco.
Mas logo
a vida descobriu como se desenrolar, e...
não consigo mais me arrepender, como antes... eu me arrependia.
Ian foi incapaz de tomar uma decisão.
Certo.
E ele não sabe disso.
E a única decisão que ele tomou foi a errada.
Acho que o machuquei muito.
E eu...
E eu sinto muito, sentirei para sempre
Acho que por muitos anos Ian pensou
que eu estava deliberadamente jogando com suas emoções
para me vingar dele por ter saído em 1969,
- o que nunca foi o caso. -A partida dele deixou você indiferente?
Não, isso partiu meu coração.
Estávamos dirigindo de Los Angeles para San Francisco.
Ian estava no banco de trás,
e me disse
que ele e Michael haviam decidido ir embora.
E meu coração se partiu.
Isso me quebrou completamente.
Eu te amo, Robert. Me desculpe por quebrar seu coração. Me perdoe.
Eu ofereci a eles minha demissão
se com isso Michael e Ian ficassem.
Para mim era mais importante que a banda continuasse do que eu permanecer no King Crimson.
E Ian disse: "Não, a banda é mais sua do que nossa."
Quando voltamos para
casa no Natal, em 1969,
David e John disseram que "em janeiro nós faremos
uma turnê pela Europa, e quando voltarmos
iremos para a Ásia."
E eu pensei "não aguento mais".
"Simplesmente não consigo."
Há pessoas que conseguem.
E eu os admiro.
Você tá bem?
É difícil para mim respirar.
Meu peito dói.
Sejam todos bem-vindos a um encontro quente com King Crimson.
A banda tem um pedido:
Evite gravar áudio ou vídeo
com qualquer um de seus maravilhosos equipamentos.
Aproveite este momento
use seus ouvidos e olhos para gravar,
e vamos comemorar.
Amanhã de manhã vou ver onde tomo café da manhã
E eu vou arrumar minhas malas. É tarde demais para praticar.
-Sim... -O que...
se eu perder um dia de prática
e essencialmente
de sono também
isso afeta minha execução...
-substancialmente. -Entendi.
-E... -Não pode descansar por um dia, Robert?
Não se eu for tocar peças exigentes
como Larks' IV ou Fracture.
você pode perguntar a um atleta:
"Por que você não tira um ou dois sem fazer nada?"
A resposta é que você perde a calistenia.
Olhe, outro corredor.
Por que é importante fazer isso agora?
Para mim é porque estou velho e porque sinto
como se tivesse cimento nas veias, todos os dias.
Estou literalmente tenso, sou um homem tenso
meus tendões e pernas estão tensos.
Você já se sentiu intimidado por ser o
responsável pelas guitarras de Robert Fripp?
Não pelas guitarras, mas pelo rack, sim
-Por que? -Basicamente
porque ele é o oráculo do palco. Se o rack não funcionar,
há músicas que não podemos substituir, e as informações devem ser salvas
em vários formatos caso algo aconteça.
Você não pode comprar um substituto.
Todo o resto, eu poderia substituir em 24 horas.
Mas este é um artefato insubstituível com uma sonoridade insubstituível
que ele construiu ao longo dos anos.
Sabe? Você precisa ter cuidado.
Vai ficar por quanto tempo?
-Até que terminem isso... -O que foi, garoto?
Tem uma freira.
- Uma freira? -A freira progressista.
-Sério? -Sério.
Aquela que vem aos concertos?
O que há de progressista numa freira?
Consegue ver minhas meias?
Eles mal aparecem.
Que pena.
Você gosta deste elevador, não é?
É um contraste com o que está acontecendo.
-Um Contraste? -Simboliza que a freira está ascendendo.
Que estou pegando atalhos?
-Existe algum atalho para o céu? -Sim.
Sério? Qual?
O amor.
Para mim, King Crimson é como
ouvir um amigo me dizer
o que você ele vê em mim
Às vezes concordo, às vezes discordo.
Às vezes dói.
A sensação é de ir ao dentista.
Mais profundo, mais.
Na Liturgia é muito importante dar um passo para trás
para dar espaço à Palavra, ao som.
Aqui estamos, orando.
De um coro para outro.
É como dizer uma frase e a próxima fluir
de um lado para o outro.
O que é muito importante é
não tentar fazer o seu próprio "solo"
e pensar mais nas coisas que precisam ser ditas
antes de você querer dizer elas
aos outros.
Robert diz que "você não toca nada
até que você precise"
Alguns dos músicos poderiam ficar no palco
sem tocar nada, apenas ouvindo.
Essa música envolve muita audição.
Quando você olha para King Crimson,
É como ver o rosto de um homem.
Você conhece as rugas. O que permanece e nunca muda
é a profundidade do seu olhar.
E envelhecer é lindo.
É muito bonito.
Se falamos de arte, não acho nada interessante
ter uma jovem nua na minha frente
para pintá-la.
A beleza está nas profundezas.
Me dê esse velho!
Não tenho heróis, mas se tivesse, Casals seria um deles.
Aos 82 anos, ele ainda praticava e foi questionado:
"Pablo, por que você continua praticando?" e ele disse:
"Acho que estou melhorando."
Eu, todos os dias da turnê, no camarim, se não tiver entrevistas,
Estou praticando, e nos últimos dias
tenho reescrito minha parte na Neurotica
e refinando certos aspectos específicos da minha
prática de calistenia.
Eu não sei até que ponto alguém na platéia
poderia perceber a diferença, mas
depois de um ano, eles poderiam notar.
Porque isso terá um efeito na banda.
Mas devo dizer que responder às suas perguntas
e conversar com você igual fiz nos últimos dias
afetou meu desempenho na noite passada.
Nas bandas que toquei, não no mundo do jazz
mas no mundo do pop,
eles tendem a aprender uma música,
ensaiá-la e tocá-la praticamente todas as noites.
Isso não acontece com King Crimson
Seja porque improvisamos ou
porque erramos, cada noite é diferente.
Você não pode simplesmente sair da passagem de som
e apenas tocar. Temos que ensaiar antes.
E agora temos um repertório enorme e
mudamos o programa todas as noites.
E isso se torna um problema,
lembrar das músicas,
porque se você não tocou elas por semanas, e se nós não tocamos elas no ensaio,
pode ser um desastre se não tomarmos cuidado.
Pat esqueceu sua passagem.
-Outra vez? -Em que medida?
Você tem que ficar mais suave nessa batida,
e então você volta no volume máximo para o...
Você e Jeremy estão tocando...
no final dessa frase.
Eu faço a segunda volta, Pat, é por isso...
O segundo, você diz? Para mim, esse é o terceiro.
Não, eu fiz certo, porque vou atrás do...
-E eu...? -Aquele que você toca é o outro.
Eu faço o segundo
Um bom músico profissional consegue fazer e sabe o que está fazendo.
O problema para mim é que eles só fazem o que sabem fazer.
Eu pediria três coisas.
A capacidade de liderar
a capacidade de apoiar
e a capacidade de não fazer nada.
Você precisa ter um pulso em comum, e nessa banda
a gente toca com um clique, mas não toca com um clique.
Você toca com os outros membros, toca com eles e para eles.
Você não conta '1,2,3,4,5,6,7,1,2...'
Você sente.
E os acentos.
O que você descreve é um groove, não uma aula de matemática.
Sim. A aula de matemática começa quando você tem 3 ou 4
músicos tocando em tempos diferentes e em algum momento
eles têm que mudar em uma única nota.
Contar não é divertido,
e eu não conto muito
mas há momentos no concerto em que preciso
porque cometemos muitos erros.
E não tenho mais confiança para dizer "podemos tocar isso sem dar errado".
Às vezes, principalmente quando me pedem para tocar um solo
o que costuma acontecer todas as noites,
é aí que você começa a descobrir o que você é.
Se você está escalando uma montanha, você sabe onde colocar seu equipamento de segurança,
e pendurado lá... de repente você vai descobrir algo sobre si mesmo
porque você está completamente sozinho.
É uma experiência e tanto de desapego quando funciona
porque você não sente que está fazendo nada.
Quando vai bem, você se sente invencível.
Você pode até ouvir a gravação e não gostar mais, mas no momento
em que acontece, você aproveita cada segundo dela.
Você não sente que é você fazendo isso
é apenas uma corrente que se governa sozinha.
Parece-me que você está dizendo que precisa parar de atrapalhar a música.
Em vez disso, você deve parar de atrapalhar a si mesmo.
Não é sair do caminho da música, é sair do seu próprio caminho.
Ele escolheu você porque você faz de uma certa maneira
e ele sente que vai dar certo.
Robert entra em uma sala e basicamente diz
"Eu toco isso. E agora... O que você vai tocar?"
E agora você tem que encontrar uma solução.
Em 2013 ele me disse: "Você tem que reinventar a bateria de rock."
"Você tem que reinventar a forma como
a bateria interage em uma banda de rock."
Eu gosto do estilo de liderança do Robert.
No começo ele era um pouco como Miles Davis.
Trata-se de reunir as cinco pessoas mais interessantes que você conseguir
colocá-las em um estudo,
jogar a chave fora, e depois de uma semana você vai aparecer com algo interessante.
Se eles não se matarem.
Foi o melhor concerto da minha vida.
Esta é a terceira vez que os vejo e, de longe, a melhor.
O que é King Crimson?
É o diabo, é o que é.
Muitas pessoas, claramente tiveram
uma experiência de pico
Nos shows. Para alguns, pode até
ser a experiência máxima de suas vidas.
Mas o que também é interessante sobre isso
é que eles querem repetir.
E é aí que tudo fica complicado, nunca tive
que lidar com isso, exceto com King Crimson.
Há pessoas na plateia que talvez tenham tido a maior experiência de suas vidas
em um show do King Crimson, e elas voltam e, é claro, querem fazer de novo.
Quando comecei a ver isso,
tive mais empatia por Robert.
Ao lidar com o público, às vezes
você parece antagônico ou arrogante,
E eu entendo, porque o que você faz com alguém
que quer reviver sua experiência de pico?
(King Crimson - Moonchild) Call her moonchild
Dancing in the shallows of a river.
Lonely moonchild
Dreaming in the shadows of a willow
Talking to the trees of the cobweb strange
Sleeping on the steps of a fountain
Waving silver wands to the night-bird's song
Em determinado momento,
podemos perceber que não há distância
entre nós e a música, e nesse momento
todas as palavras desaparecem.
Se esperamos outra experiência de pico,
negamos a nós mesmos a oportunidade.
Se deixarmos de lado nossas demandas e expectativas,
voltamos a esse ponto de silêncio dentro de nós mesmos,
algo está ao nosso alcance.
A experiência direta de conexão com a música
com o silêncio,
com o real, o autêntico, o verdadeiro, está ao
nosso alcance, se nos retirarmos da equação.
Ver as coisas como uma criança
abandonar os conceitos do que King Crimson é e interagir com
King Crimson coloca essa experiência ao nosso alcance.
Depois de termos vivido essa experiência,
O que fazemos para acessar esse
espaço aberto, inocente e silencioso
onde tudo é possível mais uma vez?
E então:
Ai está.
Isso nunca vai embora.
Nunca, nunca vai embora, essa qualidade
de experiência está sempre presente.
mas, nós não.
E o foco do nosso esforço pessoal muda.
Não procuramos a música, porque a música nunca desaparece.
O objetivo agora é estar pessoalmente presente.
Tá tudo bem?
-É o que é. Eu sei, mas pode ser outra coisa.
-Pode ser outra coisa, Toby. -Tudo bem.
Eu quero perguntar a você sobre suas circunstâncias únicas.
Você tem a liberdade de não responder, de me dizer como fazer
ou pode me mandar eu ir me foder, como preferir.
Quais são as suas circunstâncias únicas?
De quais você está falando? Da minha bolsa de colostomia?
-Sua saúde. -Bem... minhas circunstâncias especiais...
Eles não são especiais, são horríveis.
Mas muitos sofrem com elas.
Eu tenho câncer de cólon estágio 4.
Fui diagnosticado há seis anos.
Eles removeram 20% do meu cólon, minha próstata,
um terço do meu fígado, minha vesícula biliar,
metade do pulmão esquerdo,
pedaços de ambos os pulmões,
Recebi radiação e ablações.
E estou infeliz desde então.
A dor é constante e isso faz com que a vida durante as turnês seja mais difícil.
Meu oncologista regular
me deu "a conversa".
Ele sugeriu que eu começasse a pensar em
fazer tudo o que quero fazer na minha vida.
enquanto eu ainda posso Ele disse:
"Um a três anos, talvez."
Por que é significativo para você?
-gastar seu tempo tocando? -Por que fazer isso?
Existem muitas razões.
O mais simples, mas também o mais direto
é que é isso que eu faço.
Eu sou, mais ou menos, feito para isso.
Se você quiser me perguntar o que é a música
o que ela faz ou o que pode trazer
ao mundo, acho que ela pode restaurar a graça,
mesmo que por um instante, na vida de alguém.
E isso faz uma grande diferença.
E eu acho que é uma das coisas que faz a diferença
na vida das pessoas, isso é o que importa.
Ser capaz de se lembrar de algo
Você pode nem saber o que isso te lembra,
mas de repente você está em contato com alguma coisa.
Quando você enfrenta a morte, tudo muda.
Não é mais uma ideia estranha,
é uma realidade a ser confrontada.
Alguém chega e diz: "Você vai morrer".
E muito mais cedo do que você queria.
E para mim isso significava
que eu olhei para a minha vida e
eu me senti muito insatisfeito e infeliz
por como vivi, o que fiz
e agora me esforcei
por ser uma pessoa melhor e fazer as coisas melhor.
Tome isso.
Um dia acordei e estas palavras ecoaram na minha cabeça:
"Aceito a inevitabilidade da minha própria morte."
Não sei se você já teve a experiência de que
o universo se expande e o momento se abre
e tudo para.
O tempo para, tudo para.
E só resta um momento
em que você faz parte
Ele me disse várias vezes "David, uma parte de mim
quer largar tudo e ir ao pub para tomar sidra."
Mas, de propósito, ele criou uma vida na qual isso não é possível.
Uma coisa que ele faz é ficar sem dinheiro
quando recebe uma grande quantia.
Ele gasta. Sua esposa está furiosa. Mas é intencional.
Ele constrói, digamos, uma estufa que custa £ 100.000 e diz:
"Meu Deus, não há dinheiro, preciso voltar ao trabalho".
Ele cria uma situação que o obriga a continuar trabalhando muito
para poder continuar nesse ambiente.
É a terceira ou quarta vez que
vejo King Crimson e eu amo eles muito.
E o que há de especial ou único neles?
Eu amo Tony Levin.
É especial.
Espero que a banda goste, se divirta.
Espero que você esteja satisfeito.
E acho que é uma interação humana básica.
Eu não vim para cantar e dançar, beber cerveja,
ficar bêbado e não saber a banda vi.
Veja o que diz o anúncio.
Eles vão nos expulsar se tirarmos fotos do show.
Só no final do show, ou confiscam a câmera.
Eles não moram perto daqui. -Vivemos em Seattle, Washington.
-E vocês vieram de avião... -Só para esse show.
-Posso perguntar quanto custou? - $ 4 ou 5.000, eu acho.
Robert nem sempre é legal com os fãs.
Você acha que há algo masoquista em ser fã do King Crimson?
Acho uma coisa linda. Faz parte da experiência.
Ele é verdadeiro consigo mesmo e eu o respeito.
Na verdade, ele me expulsou de um show, pessoalmente.
Ele me tirou da Paramount em Seattle em meados dos anos 90.
Eu estava na primeira fila e tirei uma foto durante o segundo encore,
mas eu estava com a câmera e pensei "o que há de errado se eu tirar algumas fotos?"
E de repente eles me emboscaram.
Fui expulso da sala durante Matte Kudasai
E o cara me disse:
"Fripp está nervoso lá atrás"
E eles pegaram meu rolo de câmera, mas me deixaram entrar e assistir o resto do show.
Você sente que a relação entre a
banda e seus fãs é bilateral ou unilateral?
-Totalmente bilateral. -Sim?
Os músicos e o público têm que estar
presentes para que a música aconteça.
E isso é King Crimson.
É como Cientologia ou algo assim.
É besteira quase científica ou religiosa.
Um clube de malucos.
É misterioso, é uma experiência oculta.
Essa coisa toda de "disciplina".
A maioria não entende, mas quando você entende, você entende.
Já toquei em várias bandas e às vezes
acontece algo que é como mágica.
Você sente que a música cria a si mesma, que você tocou uma energia.
King Crimson é o melhor nisso. Quando eles estão jogando,
você pensa "Eles estão voando. Eles estão possuídos".
por algo maior que eles." E eu sinto que para isso acontecer,
as condições devem ser ideais.
E se um idiota da plateia tira uma foto quando não
deveria, a estrutura se desintegra, o momento se perde.
É uma experiência super intensa mas o processo
e as condições para lá chegar são tão frágeis.
Você não está me filmando...
Trabalhar com Robert é desafiador porque as pessoas o consideram um deus.
Não sei se ele percebe se incentiva se odeia ou o que mas acontece.
Foi difícil para mim lidar com isso o tempo todo.
"O que Robert diria sobre isso? O que Robert pensa?"
Não pergunte a mim, pergunte a Robert.
Adrian, como vocalista, não é essencialmente um músico de conjunto.
E não acho que ele esteja interessado em ser um músico de conjunto.
Depois de criar aquela música, meu cabelo caiu.
Foi realmente muito estressante
estar sob um microscópio assim.
Na minha parceria com ele, ele me deixou escapar impune muitas vezes
porque queria tirar o máximo proveito de mim.
Ele estava disposto a me deixar seguir minha própria visão.
Desde o início sempre senti que era uma parceria
que éramos co-escritores.
e éramos parceiros de guitarra. No palco, éramos dois guitarristas com
estilos contrastantes, mas tocávamos juntos, como dois lados de uma moeda.
Havia uma dinâmica no palco, um guitarrista
se divertindo como um cachorrinho,
de terno rosa ou azul,
e a professora de cabelos pretos sentada em um banco,
olhando com certa reprovação para o cachorrinho, que se virou
deu um feedback e torceu o braço do violão.
E ele dizia "O que você achou? Nada mal, hein?"
Vamos mais longe.
Algo mais estava acontecendo, 90% do tempo.
Era uma bela parceria.
Foi algo tão único, e eu amei e respeitei ele muito
antes de conhece-lo e depois. era algo como...
algo que você não consegue em nenhum outro lugar.
Robert cria situações para a música surgir que de outra forma
não seria possível, e para mim isso valeu tudo.
E nos divertimos, rimos e ainda somos amigos
e o fato de que ele gostaria de continuar
e fazer algo sem mim
me machuca, eu gostaria que ele não tivesse feito isso,
e sinceramente acho que ele precisa de mim.
O que me deixa curioso agora é: onde está o novo material?
Porque o King Crimson estava sempre criando.
Não estávamos apenas tocando a música que havíamos feito.
Você acha que é necessário sofrer pela arte?
Será um caminho difícil.
E com muitos buracos.
Alguns se acostumam com esses solavancos
com os hematomas e feridas,
melhor do que outros.
No geral, considero-me bastante resiliente,
Você verá que não estou completamente
arruinado como ser humano.
O processo de execução musical ainda me parece um pouco absurdo,
e se você não encontra o absurdo nisso, acho que está perdido.
O que me atraiu foi o mundo elétrico.
É um turbilhão elétrico, você está no centro da tempestade,
e você tem que ficar lá e
tocar música de forma consistente.
A personalidade de King Crimson
era muito clara. Uma espécie
de uma figura real, majestosa, escondida...
...tentando sair de algum lugar.
De uma obstrução monumental, um pouco como uma escultura inacabada
de Michelangelo, um enorme bloco de mármore
e uma figura emergindo no meio do bloco.
King Crimson era assim. Um rugido uivante.
Um animal majestoso tentando
se erguer de alguma coisa.
E Robert escolheu a equipe, com suas personalidades únicas.
Ele lavava as mãos dez vezes ao dia
e minha sujeira era demais para ele.
Ele começou a enlouquecer. Eu gravaria meus címbalos,
para neutralizar minha bagunça. Em algum momento eu saí.
Quando você sobe no palco, o que está em jogo? O que você tem a perder?
Eu diria: O que temos a ganhar?
Eu começaria com o positivo, não o negativo.
Se descrevermos ou declararmos o que temos a ganhar
saberemos o que temos a perder.
Isso faz sentido? Então por que você não perguntou isso?
Porque eu sou um maldito idiota. -Ah... então tudo bem.
Então, o que temos a ganhar?
É estar diante da presença da música quando ele entra no local.
Estar na presença de um público, com música, quando ela entra no local.
É isso que podemos ganhar. Então, o que temos a perder?
Esse evento.
Quais são as consequências de não ganhar isso?
Um coração partido.
Um coração partido.
Como você define isso? Como você vivencia isso?
Como se minha mãe tivesse morrido.
E quando isso acontece por causa do egoísmo dos músicos
eu fico com raiva.
Eles pisaram em minha mãe, descuidados e ignorantes
e isso me deixa furioso.
Pra ser honesto, estou muito feliz por não estar na banda. Eu estava feliz por sair.
Não é um lugar muito legal.
Você vive cercado de incertezas.
Quando acabou, senti como se tivesse uma infecção por dez anos.
Tudo o que eu queria fazer quando jovem era tocar com os melhores e fazer algo especial e incomum, e fiz.
A ideia de continuar a fazer a mesma coisa, com os mesmos músicos no mesmo contexto,
não faz sentido.
Eu ficaria muito infeliz na banda atual.
Muito infeliz.
Saí do King Crimson nos anos 70.
Há um período de 40 anos em que eu não sabia o que
estava acontecendo com King Crimson e não queria saber.
Eu terminei com isso.
Robert me ligou 30 anos depois, quando tocava com a Schizoid Band
e se desculpou comigo.
por certas coisas que ele poderia ter dito,
por ter sido cruel comigo naqueles dias,
e ele disse que o sofrimento que ele me causou
ele também sofreu mas multiplicado por dez.
Foi bom para mim limpar o ar.
Consegui entender melhor o Robert
-e a jornada que ele empreende. -O que voce entendeu?
Que agora ele está bem. Suavizou. Que é uma boa pessoa.
Mas ele lutou suas próprias batalhas.
Na época, ele disse coisas muito maldosas para mim,
e obviamente ele viveu seus próprios traumas.
O mundo que eu habitava era louco, de cabeça para baixo.
Em um instante, pude
ver que não existia.
Foi assustador.
Pouco depois, fiz um retiro.
Na Sherborne House, a Academia Internacional de Educação Continuada do Sr. Bennett.
Uma das frases que me lembro é:
"Se você tem uma natureza antipática e as pessoas não gostam de você
isso não é um obstáculo para o trabalho."
Sim!
Este homem fala comigo!
Eu o conheci um mês
antes de sua morte
e olhando para trás, vejo que conhecê-lo foi muito importante.
Desci as escadas depois de ouvir a palestra do Sr. Bennett
fui até ele e disse: "Sr. Bennett,
Eu gostaria de ir para Sherborne no ano que vem."
Ele me olhou e disse...
"Qual é o seu nome?"
"Robert Fripp", eu disse, e ele respondeu...
Ele era meio surdo, ele disse "como?"
"Roberto Fripp". E ele disse...
Senhor Bennett disse
"Eu me lembrarei de você".
O melhor show da turnê.
-Foi bem? -Oh...
-Eu cometi erros muito feios. -Sério?
Uma nota desafinada, não ouviu?
-Toquei C em vez de C sustenido. -Onde?
-Meu dedo escorregou no meu primeiro solo. -"Meu dedo escorregou, policial"
-Você vem conosco? -Não.
-Ok, -Você não vem?
-Não. "Quando nos vemos, Toby?"
-23 de dezembro, Robert. -Fabuloso.
-Bom te ver. -Te amo.
É hora de se divertir em Bredonborough.
Tchau.
Obrigado por me receber.
Seis meses depois SEATTLE, EUA.
Olá Tobi!
Olá Bill. O que acha desse chapéu?
-Não tenho certeza. -Ok.
Eu pareço um pregador.
Ele normalmente não gosta de ter câmeras na frente dele.
Veja isso.
Neste momento, a situação é arriscada.
Não vemos mais como algo que possa ser curado.
A dor é constante, o que varia é a intensidade.
E se eu bater naquele ônibus?
Se soa mais ou menos bem, e frenético, foda-se!
Vamos deixá-lo até odiá-lo.
Podemos voltar e mudá-lo.
O que achou da minha estratégia? Deixe até que você odeie.
Talvez você acabe amando.
Existe um princípio orientador de como você faz música?
Sim. Esteja presente, preste atenção.
São princípios orientadores
que regem qualquer área da vida.
O que significa estar presente?
É existir o máximo possível no
momento presente, aqui e agora.
A única coisa que importa é o trabalho.
Todo o resto também importa, mas a única coisa que fica é o trabalho.
Então é melhor que seja bom.
E se é isso que eu faço da minha vida...
sim... eu não faço
só para mim, no vazio.
Eu faço isso para trazê-lo ao mundo e espero
que isso torne o mundo melhor e as pessoas felizes.
-Este é o meu dilema. Aqui está um dilema.
Quanto disso posso usar?
Bom, eu não sei.
Use o melhor de tudo isso.
Se houver parte que você gosta,
use-os e depois pergunte-me.
-Você acha que é justo? -Acho que sim.
O bom é que se eu "expirar" você não terá esse problema.
Eu teria o dever de fazer o que é certo para você.
Tá tudo bem. Ninguém vai se importar mais.
Em outras palavras, você terá a liberdade de fazer o que quiser.
Como diria o necrófilo, "ele não vai me acusar".
Eu tenho que tirar uma soneca.
-Tudo bem. -Vou descansar.
Esta pode ser a última coisa que gravamos.
Não sei. Não necessariamente.
Não necessariamente.
Vou tomar outro comprimido
e ver se funciona.
-Se me atordoar, você dirige. -Tudo bem.
-Você quer dizer algo sucinto e conclusivo? -Ai meu Deus.
Estou muito cansado.
O 'ser Bill' de Bill é insubstituível.
Bill era uma referência confiável.
Eu poderia perguntar a ele: "Bill, essa ideia musical funciona?" E ele dizer sim ou não.
O senso de correção de Bill estava na mesma faixa
de frequência que a minha.
Bill ainda é um membro deste King Crimson, mesmo de longe.
Tenho algo para você.
Para tocar mais sossegado, uso as baquetas
do Bill Rieflin desde 2014, para uma música,
Starless, todas as noites.
São as mesmas baquetas que usei por 4 anos.
Ele me deu muitos quando começou a ficar doente.
Ele disse: "Você vai precisar delas mais do que eu" e me deu uma caixa.
Hoje vou tentar fazer o show inteiro com elas.
Não com este par, com o outro que trouxe.
Qual é a mais difícil?
Não é difícil, é...
cantar Peace no Albert Hall.
Começo a cappella,
E então eu toco guitarra.
Isso me assusta porque estou totalmente exposto.
-Entende? -Não, não faço ideia.
Você me disse que estava mais nervoso por tocar guitarra
na frente de Robert Fripp.
do que por tocá-la
no palco do Royal Albert Hall.
-Eu disse isso? -Sim.
Você precisa apagar isso.
Meus pais vieram hoje.
-Isso te anima? -Sim, claro.
Seu irmão está vindo? -Hoje não amanhã.
Estou mais quieto e inseguro.
Talvez.
Você disse... De onde vem essa insegurança?
Porque sou adotada a...
Eu era uma criança doente, não ia à escola
tanto como os outros, tinha asma, bronquite,
era um garotinho fraquinho.
Eu tenho que ir aprender uma música.
Se me der licença um segundo...
- Vou ficar aqui. -Tudo bem.
O que você tem que aprender?
Peace. Sim, eu conheço ela mas preciso revisá-la, vamos tocá-la hoje.
E eu nunca toquei nisso.
Nunca toquei ela no teclado.
Uma última pergunta.
-Não é fácil. -O que?
Robert é uma figura paterna para alguns na banda?
Talvez para alguns.
Pergunte a ele, por favor.
Sim, tudo bem, obrigado.
Este é meu filho.
Django.
E aqueles são os que vendem drogas pra ele.
Django.
Você tem orgulho do seu pai? -Tenho muito orgulho.
Hoje usei duas escalas como base.
Um em Si, o outro em Dó.
E eu me pergunto...
Acho que vamos ficar de olho em Jeremy.
O que foi isso?
O patinho do olho, por enquanto,
ficou de observando Jakko durante toda a turnê.
Mas agora cuidará de Jeremy. Então...
Acho que ele vai dar uma volta.
"A enésima formação do King Crimson, agora com sete
integrantes, dá origem a nada menos que três bateristas.
A apresentação no primeiro de seus shows em Londres é mais
um recital de música clássica do que uma festa de violões.
Duas fileiras de músicos, muitos coletes
e gravatas e nenhuma conversa no palco.
As rajadas precisas disparadas do palco, é claro, foram tudo menos gentis.
Os músicos percorreram os contornos angulares
da música Crimson, antiga e moderna.
Às vezes os arranjos eram fiéis, às vezes reinvenções criativas.
O trio de bateristas interligou seus padrões
ou iniciou uma tempestade caótica em uníssono.
O cantor/guitarrista Jakko Jakszyk fez um trabalho digno de
crédito cantando letras anteriormente tocadas por Greg Lake,
Gordon Haskell, John Wetton ou Adrian Belew.
Já o líder da banda, o guitarrista Robert Fripp, parecia,
como sempre, fora de sintonia. Sentado à direita do palco,
ele parecia o vendedor de imóveis em Dorset que seu pai queria que ele fosse.
E soava como o apocalipse.
Havia dedilhados impossíveis, jazz,
metal, um banjo infernal, beleza trêmula.
O concerto terminou como deveria com 21st Century Schizoid Man,
reforçada por uma explosão percussiva
final e um dueto de guitarra ardente.
Até o cerebral Fripp se permitiu um sorriso."
-Você gosta de mim? -É melhor que um chute nas bolas, não é?
O que a música faz comigo?
Ela altera meu estado.
Que preço eu pagaria para manter essa conexão?
Tudo.
Quando eu deixar este plano terrestre...
Tenho medo da morte?
Nenhum. Porque? Porque a consciência é um continuum
Eu posso passar para a próxima sala.
Perfeito. Não estou preocupado.
Há uma festa esperando por mim.
-O que eu perdi? -Tudo.
Tudo. Você perdeu tudo.
Houve uma cena crítica,
decisiva em que a história,
origem e futuro do King Crimson
foram apresentados, e você não estava lá.
Este DVD carece, portanto, de efeito, utilidade e interesse.
Obrigado.
(King Crimson - 21st Century Schizoid Man)
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.