All language subtitles for Bilardo.The.Soccer.Doctor.S01E04

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Original subtitles

Bilardo estreia como técnico em um jogo em 1971

entre Estudiantes e Independiente.

Estudiantes estava caindo para série B

Ele consegue um bom resultado em Avellaneda.

No fim do jogo, chegaram os jornalistas no vestiário

e ele disse: "Não aguento mais".

Ele começou a trabalhar com o Osvaldo como ajudante.

Ele entrava em campo e já entendia tudo.

Dava para perceber que ele ia ser técnico.

Porque terminava o intervalo e ele falava com o Osvaldo.

E o Osvaldo, às vezes, dava razão para ele.

Pega o Estudiantes de La Plata.

Com um Estudiantes que estava caindo.

Vai mais ou menos organizando

e, em 75, e o time já joga para ir à Copa Libertadores.

Ele foi um dos técnicos mais capazes, inteligentes,

espertos, ligeiros, ele estava em todos os detalhes.

O Bilardo era técnico 25 horas por dia.

Ele estava no meio termo ou no termo inteiro entre ser brilhant

obcecado e um pouco louco também.

Ele se apaixonou pelo futebol.

Agora ele diz: "Eu não vivi a vida", e tem razão.

Ele fala que o Julio Iglesias tem uma música sobre isso. Sim.

Estava jantando sozinho

e estava na frente do espelho

e falou a si mesmo:

"O que estou fazendo aqui? Estou louco!"

Se sentiu sozinho.

"Eu tenho que voltar a viver".

Eu já decidi isso faz quase um ano.

Eu pensei bem, não vou mais dirigir.

Já comuniquei aos jogadores em dezembro do ano passado.

Foi a público há quase quatro meses.

Depois disse para as pessoas na Itália que são as que pressionam,

e bom, ficamos assim.

Não sou milionário nem nada do tipo,

mas acho que já chegou a hora de parar um pouco.

Um cara normal que anda pelas ruas e ninguém fala nada.

Esqueci de viver.

Ou seja, dediquei a vida ao futebol, à medicina,

para estar no topo, para estar no topo.

Não passem aos de amarelo porque vamos perder.

Não é bebida alcoólica, senhorita.

É Gatorade.

O que eu quero é ganhar.

Só tem um campeão.

BILARDO, O MÉDICO DO FUTEBOL

Você gosta de futebol?

- Sim. - Você gosta?

Que jogador você conhece da Argentina?

- Qual você conhece? - Maradona.

- O Maradona é bom? É o melhor? - Sim.

- Maradona. - O melhor jogador.

O melhor jogador.

Eu disse uma vez: "Esqueci de viver!"

Esqueci de viver.

Vivi para o futebol e para a medicina.

Só isso.

CAPÍTULO 4 ESQUECI DE VIVER

Boa noite!

- Nós estamos em Kawaguchiko. - Droga.

Hoje fizemos um treinamento com os jovens de 10, 11 e 12 anos

em um lugar muito lindo.

Estamos aqui dando autógrafos.

ESCOLA INTERNACIONAL DE FUTEBOL CARLOS S. BILARDO - TÓQUIO, JAPÃO, 199

Muito bem, muito bem, Eduardo. Bom trabalho!

Fez um ótimo trabalho, Eduardo!

Ele sempre teve essa ideia de querer ensinar.

E sempre teve a esperança de ter um centro,

que além de clubes,

fosse um centro para preparar jogadores de futebol.

O que eu quero é que o prestígio do futebol argentino vá para o mundo t

Já temos duas escolas no Japão,

uma nos Estados Unidos,

e outra vizinha de Barcelona, em Andorra.

Estamos gravando aqui com o Eduardo

as famílias dos meninos que estão jogando.

Tem as mães, o técnico gritando,

e as mães dão uma força para eles.

Na Argentina ele também tinha centros em todo lugar.

Já estamos em Buenos Aires, em Lomas de Zamora, La Plata,

agora vamos ao interior do país.

E um dos centros que vamos inaugurar a partir de março

é em Mar del Plata, por isso estamos aqui.

Depois vamos a Córdoba, Tucumán,

e Bahía Blanca, que são as que planejei.

Queria realmente que fosse uma escola

de ensino de futebol

que fosse diferente, tivesse outra forma

de formar um jogador.

Porque ele dizia que além de ensinar futebol,

tinha que ensinar a viver.

Se soubesse que iam mal na escola, não os deixava treinar.

E tinham que mostrar o boletim todo mê

Quando chegam aos 12 anos, que terminam o fundamental,

já começamos a treiná-los,

educando na perspectiva do que eles têm que saber,

se passam nas matérias ou não.

Já tem que saber diferenciar o bom do ruim.

Ensinava também a ver os contratos,

como se apresentar em um clube. Ele queria ensinar tudo.

A ideia é ter uma escola de futebol,

que não é só para ensinar as crianças a jogar,

mas também visa cursos de aperfeiçoamento

para diretores técnicos, médicos...

Sua aposta era um centro de iniciação esportiva

de alto rendimento.

Era algo muito importante para preparar atletas,

mas não só atletas de alto rendimento,

mas tirar menores de idade da rua,

de ter escolas lá dentro...

Era um projeto muito ambicioso.

E o Clube de Amigos era a chave de ouro

de todas essas questões, de querer ter um prédio próprio.

Foi apresentada uma licitação,

a oferta financeira era a melhor...

A oferta do Carlos.

E o projeto esportivo era o melhor.

Um dia ligaram para ele e disseram: "Parabéns, Carlos!"

E de tarde, deram o prédio para outro.

Aí sim, ele sofreu muito.

O rompimento dessa licitação o marcou muito,

porque ele sentia que tinha que conseguir

e que o projeto dele você escutava e era ótimo.

Quer dizer, não sei se muita gente viu assim.

Ele disse: "Então fui Campeão do Mundo,

tudo isso não serve para nada". "Bom, Carlos", eu disse,

"você tem que ser mais político que qualquer coisa".

Então, ligam para ele de Sevilha, e ele disse "Sim!", e foi embora.

Mas, bom,

fomos para Sevilha que era lindo.

De tanto brincar com os sentimentos

Vivendo de aplausos embalados em sonh

De tanto gritar minhas músicas ao ven

Não sou mais como ontem

Não sei mais o que eu sinto

Esqueci de viver

Esqueci de viver

SEVILHA, ESPANHA 1992

Olha, o Carlos Salvador em Sevilha foi muito, muito feliz.

É que se você não for feliz em Sevilha, tem que ir para o psicólo

Um povo andaluz

com todos seus encantos, o Cante Jondo,

as pessoas andando

como se o mundo inteiro fosse uma maravilha.

O Sevilha começou a se preparar para a próxima temporada.

Às ordens de Carlos Salvador Bilardo, o técnico...

A etapa do Carlos foi o despertar de uma cidade,

convidando essa cidade à possibilidade

de começar a tentar brigar com os maiores.

Fomos tão competitivos esse ano que foi maravilhoso.

Algo inesperado pelo lugar, não é?

Um Campeão do Mundo veio para um Sevilla

que não tinha nada a ver com o Sevilla atual.

O que o técnico argentino queria deixar claro

é que ele nunca falou do tema "Maradona"

antes de vir a Sevilha.

Não, em nenhum momento eu falei do Maradona

quando vim aqui para a Espanha, todos sabem muito bem disso.

Depois veio isso do Maradona. Estou feliz.

Acho que é necessário, mas não tem exigências.

Reforçar a equipe.

Reforçar a equipe segundo as necessidades.

Desse jeito que estão vendo ficou a sala de reunião da FIFA

depois de cinco horas de reuniões

nas quais foi escrito o último capítul

desta longa novela informativa chamada "O Caso Maradona".

Na reunião, foi autorizado que Diego Armando Maradona

possa, a partir de agora e sem nenhum tipo de problema,

vestir a camisa branca do Sevilla Fútbol Club.

Que os sevilhanos não tenham dúvida

que vou dar trabalho ao Barcelona,

ao Real Madrid, ao Atlético, vamos dar trabalho para todos.

Quando o Diego veio para o Sevilla,

Carlos nos explicou quem era o Maradon

Diego era um espaço, porque ele não conseguia se relacionar

do mesmo jeito que nós conseguíamos com as pessoas.

Onde quer que ele fosse, as pessoas não o deixavam viver.

Não o deixavam viver, então nós tínhamos que entender

que tinha dois grupos: o Diego e nós.

Diego! Diego! Diego! Diego!

Diego! Diego!

A cada treinamento

centenas de espectadores, os sevilhanos vinham para ver

o Maradona treinar ou simplesmente ver o Bilardo.

E era uma...

Ele tinha um conceito do que era o futebol,

do que era o jogo e do que era a alta competição,

e defendia isso.

Porque no final, todos querem o mesmo.

Todo mundo tem um Bilardo dentro de si, certeza.

Estamos falando de um time que não conseguiu

se classificar a nada importante.

Afinal, não entramos no europeu,

mas deixou marcas, e isso diz muito.

Isso! Muito bem! Direita, esquerda! Vamos!

As mãos! Vamos ver...

Vamos ver...

Eu acho que a famosa música da nossa torcida

o "Pise nele, pise nele",

é uma homenagem para o Carlos.

É uma homenagem a esta marca que ele deixou.

Estamos no campo do Deportivo de la Coruña, em Riazor.

Tem uma jogada que o Diego tenta fazer um tipo de bicicleta,

e bate no nariz do Albístequi.

Carlos me pediu para ir ao campo rápido

para que o árbitro

visse que o Diego também tinha sofrido um incidente

e não mostrasse cartão para ele.

Quando cheguei, Diego já estava de pé,

o árbitro já tinha dado o cartão.

Claro que, ao ver que o Albístequi

do Deportivo estava com o nariz sangrando

e que meus colegas do Depor ainda não tinham tido reação,

eu o atendo, jogo água nele e tento ajudá-lo um pouco.

Ótimo! Em vez de atender o Diego, atende o outro.

Esse menino nasceu no campo.

Nasceu no campo.

Quero morrer!

Os nossos são os de vermelho!

Os nossos são os de vermelho!

Os de vermelho!

São os nossos!

Voltei e sentei no banco do lado do Carlos

e o Carlos se senta do meu lado e diz:

"Pise nele, pise nele".

Como você me atende o outro?

Pelo amor de Deus!

Quem se importa com o outro? Pise nele.

Pise nele.

O bilardismo é ter o maior controle possível

de todas as coisas que envolvem um jogo de futebol.

O Carlos é trapaceiro.

É inteligente e esperto, sabe onde está a trapaça.

Às vezes, também pode usá-la.

É um caráter muito parecido ao dos sevilhanos.

E as pessoas no estádio:

"Pise nele, Bilardo Pise nele"

Era uma belezura, a gente olhava e...

Isso de "pise nele" ficou como uma música da nossa torcida.

Pise nele Pise nele

Pise nele Pise nele

Pise nele Pise nele

Meu nome é Manu ou Manuel Ramos,

sou presidente da Associação Písalo,

uma associação sevilhista em homenagem a Salvador Bilardo.

A decisão de pôr o nome de "Písalo"

é porque queríamos ter um nome que representasse o que é

para nós o sevilhismo.

Para nós, o sevilhismo é paixão, força e ganhar todos os jogos.

Lembro do Carlos Salvador Bilardo fora de si,

gritando "Os nossos são os de vermelho".

Me fez chorar.

No dia que brigaram,

esse famoso desentendimento em Sevilha

foi porque o Diego tinha feito infiltração para jogar

porque queria jogar esse jogo,

e avisou o Carlos que ia fazer uma infiltração,

e o Carlos o tirou...

Eu fiz uma infiltração, filho da mãe!

Carlos quis tirá-lo no intervalo

e Diego disse: "Não, deixa que faço uma infiltração".

E eu disse: "Carlos, deixe-o".

Saiu xingando

e ficou muito irritado com o Carlos porque não entendia,

"para que fiz uma infiltração se vai me tirar?"

Nesta tarde, depois do jogo estávamos

na casa do Diego em Sevilha, tocam a campainha,

e quando tocam a campainha, eu pergunto: "Quem é?"

O Carlos. "Entra, Carlos".

Não sei como o Carlos entrou

porque virei e o encontrei lá.

Ficamos assim.

Diego se levantou, o tratava formalmen "O que o senhor faz aqui?"

Assim que subiu, escutamos gritos,

insultos, e escutamos um soco.

E foram para a porrada.

Eu tentei separá-los, obviamente.

O Carlos não bateria nele, deixou o Diego avançar nele.

Disse a Diego: "Você não pode brigar com o Carlos, é maior que você".

"É que isso, que aquilo". E brigamos com o Diego.

Saímos no soco.

Sim, estou contando agora.

Só minha família sabe disso.

Brigamos e...

e quando virei e pensei: "Já chega!"

Ele me deu um chute na bunda.

Sabe...

Acabou comigo, acabou comigo.

Depois tiveram um tempo para conversar

e se entender entre eles,

porque eu acho que tem relações

que, de fora, nunca vamos entender.

Mas os que tem que viver essas relações,

se entendem e vivem bem.

Peço que fiquem tranquilos, por favor. As duas crianças estão aí.

Certo, Diego, nós só queremos tirar umas fotos.

Sim, sim, sempre. Tiramos fotos o dia todo hoje.

- Bom, mas depois... - Não temos...

Bom, mas fiquem tranquilos porque não há nada a dizer.

Gerenciar o dia a dia do vestiário com o Diego, não era fácil.

Acho que em três, quatro partes da temporada dava para lidar,

mas também teve um momento quase no final que já era...

praticamente incontrolável.

Por isso que a coisa terminou como terminou.

Estamos gravando?

Esse aí grava tudo. É como eu, depois junta tudo.

Quando o câmera é amigo, depois ele junta tudo.

Se é inimigo...

A sua ordem é a mesma que a minha: grave tudo!

Faz uns dois meses e pouco

que eu vi que estava acontecendo alguma coisa.

Que esse vai, esse fica, eu vou embora, eu fico...

Então, eu acho que tinha que cortar por aí.

Tinha que cortar pela raiz, tomar alguma medida

para que isso não fosse... não ficasse pior.

Naquela hora, falei aos jogadores: "Vocês acreditam em mim?"

Mais para frente, eles poderão dizer "sim" ou "não".

Naquele momento, disse a eles: "Eu vou sair do Sevilha".

Quero te agradecer muito por estar aqu

E vamos te falar um pouco disso da Sevilhana:

Quando um amigo vai embora, nossa alma perde um pedaço.

De verdade, nossa alma perderá porque você vai embora.

De tanto esconder A verdade com mentiras

Me enganei sem saber Que era eu que perdia

De tanto esperar Eu que nunca oferecia

Hoje me resta chorar

Eu que sempre sorria

Esqueci de viver

Esqueci de viver

Ele se entusiasmou com o projeto, obviamente, era o Boca.

Acho que o Boca entusiasma, entusiasma muito!

É um time grande.

E se o Bilardo te chama, seja o clube que for,

não dava para negar, porque estando do lado dele...

Sendo jogador, já tinha aprendido muito,

imagine estando do lado dele.

Ser auxiliar do Carlos é difícil.

Na verdade, muito mais difícil do que quando éramos jogadores,

no sentido da convivência,

que ia além do treino.

Era estar constantemente planejando de noite,

ir à casa dele e ficar um dia inteiro

Ainda por cima, no time,

tínhamos o maior de todos, o Diego,

então até o Diego vir ou não vir,

tínhamos que ficar atentos.

O vestiário do Boca era um vestiário assim...

Um vestiário pesado.

Muitos jogadores de personalidade forte.

Muito.

Aí você vê a capacidade de um técnico para lidar

com tantas estrelas,

tantas pessoas

que talvez tivessem que ver os jogos de fora.

Estávamos lá porque teve mudanças muito grandes nesse Boca.

Mudaram toda a equipe.

Acho que o erro foi

nessa viagem, todos vão dizer isso, que fomos para a China.

MARADONA NA CHINA

Falávamos: "Vamos ver se dá para aproveitar esse Boca".

E Verón foi para cima com toda a força.

Voltamos todos muito mal, pela quantidade de tempo, tudo...

Perdemos um jogo e aí perdemos o Campeonato.

Mas o Boca tinha capacidade de sair campeão naquele ano.

Como jogador, nos enfrentamos uma vez,

eu no Rosario Central e ele no San Lorenzo.

Empatamos um a um, ele fez gol e eu também

no campo do San Lorenzo.

Bilardo e Menotti quase nunca se enfrentaram dentro de campo.

Teve um Boca e Independiente em 1996.

Tinha tido dois Huracán e Estudiantes em 1973.

Se mataram o tempo inteiro,

mas na mídia, na dialética.

Para mim, foi difícil porque...

eu tinha o Menotti como treinador,

e Bilardo na linha de frente.

Porque veio muita imprensa de fora,

era a primeira vez que se enfrentavam entre si.

Quando eu chego em campo,

sempre sonho que meu time concretize

e defenda os ideais que tem, que arrisque,

e que se divirta sendo jogador de futebol.

E para se divertir, tem que ter uma relação

de carinho com a bola.

Isso estava no ar,

no jornalismo, entre as pessoas,

no fetiche do que é a briga do Bilardo e do Menotti.

Mas era lógico, não é? Era lógico também!

Os dois jogavam falando de estilo,

se enfrentam nada menos que Boca e Independiente

no campo do Boca...

Esse jogo foi...

Era o Bilardo arrumando a gravata...

A cara do Bilardo, coitado!

Está prestes a ter um ataque!

Quando fizeram o sorteio, eu estava com eles.

Mas estavam também o Tata Brown, o Nery Pumpido...

Eu, depois do jogo, pensava mais neles,

porque ganhamos com a bola parada.

Gol

do Independiente!

Francisco Gabriel Guerrero.

Carlos, perderam, e agora?

É, fazer o quê?

Você se sentiu prejudicado pela atuação de Russio?

Terrível, mas fazer o quê?

- Como sair desse resultado? - É difícil.

- Perderam o Campeonato, Carlos? - Sim, estamos longe.

Esse é um Bilardo... lutando contra o impossível,

porque ninguém tem a fórmula do sucesso.

E o Bilardo ficou meio que preso

na sua própria dialética, igual ao Menotti.

Depois saiu disso.

Já longe do futebol.

Um dia, o Carlos Salvador me liga e me diz: "Miguel, Miguel!

Quer vir para a Líbia?"

"Fazer o que na Líbia? Vai dar uma palestra?"

"Não, vou dirigir a Seleção da Líbia"

E diz: "Mas temos que ver uns vídeos!"

E bom, fomos para casa ver vídeos,

ver os vídeos, os jogadores, memorizá-los.

Digo: "Carlos, memorizar o quê? Está tudo escrito em árabe!

Não entendo nada!"

Mas fomos conhecendo mais ou menos como jogavam.

Eram muito amadores.

Muito amadores, mas eram jogadores muito bons.

A técnica que eles têm é como a dos meninos

do campinho de San Martín, onde cresci. Uma técnica magnífica.

O objetivo principal era ganhar de Mali.

Porque colocam 25 times,

colocam 25 times contra 25 times, não

Então todos esses têm que ganhar de todos esses.

É já era, um cheque ao portador.

Eu fui à Líbia, mas quando me chamaram, não conhecia.

Conhecia Marrocos, Argélia,

Egito, Tunísia e não conhecia do norte, Líbia.

E também não conhecia a África Centra

Sempre fui louco para conhecer a África Central.

E foi ótimo porque classificamos.

Chegamos ao Aeroporto de Trípoli e tinha tanta gente!

Tinha gente até o hotel...

Era impressionante!

As pessoas caiam dos ônibus, dos caminhões,

se levantavam e subiam de novo, mas com o carro andando.

Foi igual quando nos receberam em 86 aqui.

Foi igual na Líbia.

Me diz, você não gosta do camarote, Bilardo?

Eu me emocionei muito, ou seja, quando estive lá...

Tem que ir, eu não sabia disso.

Um senhor me disse: "Pode entrar!"

"Não!" eu disse, "fico aqui olhando a

Ele disse: "Não, entra!"

Subi uma escada e quando vi tudo isso, disse "não" e fui para trás.

- Imagina o Perón? - Sim.

O que eu costumo a dizer é que tem que ir lá.

- Que tentação! - Não, eu não. Eu não seria capaz.

Fico pensando agora...

chegar ao sucesso total,

depois você vai fazer mais o quê?

Então, para mim, foi isso.

Obviamente, foi como ele sempre fazia

com muita dedicação, trabalhando duro,

mas era isso de preencher esses espaç

que ele tinha de: "O que faço agora?

O que mais posso fazer?"

Não! Quase tive um ataque com isso!

Disse a ele: "Carlos, você está louco!

Você?

Mas você sabe que todo mundo passa por cima de você

por você ser bonzinho, não!"

Não confio mais! Não confio mais na justiça!

Estamos cansados!

Assim como muitos argentinos estão cansados.

E queremos chegar a todos eles.

Porque acreditamos que muitos argentinos estão descontentes.

Estava muito comprometido.

Tinha o ministro dele, o gabinete montado.

Viajava por toda grande Buenos Aires,

toda a Capital, e bom, o interior conhece...

Conhece a Argentina como a palma da mã

porque já viajou mil e uma vezes.

Disse a ele: "Olha que o país não é a Seleção!"

Ele ligou para o partido, o "Partido la Unidad" um,

e disse que seria o primeiro partido do século.

E apresentou o partido político dele no dia 1o. de janeiro de 2001

à uma da manhã na confeitaria "La Idea

Bilardo 2003, Bilardo presidente!

Estamos esperando ele para brindar

e começar este ano com toda força!

Como candidato a presidente, ele que fazia os cartazes,

tudo era ele, era autogestão, tudo...

Então, íamos pela Avenida Rivadavia colando cartazes.

Minha plataforma vai ser pelo menos de 15 centímetros,

com ferro de dez.

Boa, boa, um cimento bom.

Cimento, areia e pedra, não de pedra e areia.

Vou fazer uma plataforma boa.

Depois, vou pôr umas grades boas.

O bom para fora e o ruim para dentro.

Essa vai ser minha plataforma.

Depois, com o passar do tempo, ele percebeu que, infelizmente,

com o sua própria renda e com seu próprio dinheiro,

era impossível continuar uma campanha política.

Ia ter que começar a receber dinheiro

de outros lugares

e ia ter que começar a se comprometer.

E aí já não fazia sentido com o que ele queria.

Ele sozinho ia consertar o país.

Não acho que ia conseguir nunca, mas bom...

Percebeu o que era a política e não quis saber de mais nada.

Não!

De tanto correr para dar tempo ao tem

Querendo roubar das minhas noites o s

De tantos fracassos De tantas tentativas

Por querer descobrir

Todo dia algo novo

Esqueci de viver

Esqueci de viver

E me ligam de um clube que gosto,

de um clube que gosto muito, que é o Estudiantes de La Plata,

onde surgiram uma série de conversas

com amigos, com ex-jogadores, com colegas meus,

de uma época muito linda

para todos de La Plata,

e eu não podia dizer que não.

É uma satisfação estar outra vez aqui no Estudiantes de La Plata.

Cheguei e lembrei da época que comecei

Porque vi o campo de golfe

e lembrei de quando era tudo campo.

E ver a casa e está igual...

Se passaram muitos anos

e estou aqui de novo, feliz e satisfeito

com a recepção das pessoas.

Lembro do primeiro dia que o vimos dentro do vestiário

que nos deu uma palestra dizendo que...

que ele ia começar o desafio de voltar para o Estudiantes

se a equipe concordava em dar 100% de si.

Carlos com uns 60 e poucos anos,

e os jogadores mais jovens foi com quem mais se deu bem.

Lembro de uma frase que ele disse:

"Se eu pedir para subir em uma árvore

e se jogar, vocês têm que subir na árvore e se jogar".

Se vocês concordarem, começamos hoje.

Aí o Estudiantes recuperou o mito.

E economicamente não estava bem, ele recuperou muito dinheiro

com todos os jogadores que vendeu.

O DIA B: CARLOS SALVADOR BILARDO VOLTA HOJE A DIRIGIR

"NÃO ME DERAM OUTRA ESCOLHA, VOU TER QUE ME JOGAR"

SOU O LOUCO DA TÉCNICA

Ele tinha um jeito fora do normal.

Diferente de todos os treinadores que tive.

Eu lembro que uma vez trouxe duas meninas para treinar,

eram do futebol feminino, elas vieram

e bom, não lembro se foram falar com ele...

e terminaram treinando.

Nós, do futebol feminino,

costumávamos a nos apresentar a todos os técnicos que vinham.

E bom, quando soubemos que o Carlos vinha em 2003,

imagina, não é?

E quando percebemos, estávamos no campo

com a primeira divisão,

que no domingo passado tínhamos ido vê-los no campo,

e estávamos treinando juntos.

Lembro que ele disse: "Meninos, joguem normal".

Como tem que ser.

Estamos jogando futebol, tem duas mulheres, para mim é igual.

Recebo uma bola, me viro e...

Israel Damonte vem por trás e me derruba.

Me jogo para trás e cometo uma falta importante.

Para o chão, aí o Carlos se irritou muito, o chamou.

Eu digo: "Como? Você as colocou aqui, o que queria?"

Até hoje o Israel me diz toda vez que o encontro:

"Por sua culpa, todo mundo chamou minha atenção!"

Depois disso, me chamou e disse:

"Sabia que jogaremos contra tal time?" "Sim, Carlos".

"Eles fazem muitos gols de bola parada".

E disse: "Por que acha que trouxe as meninas?

Então, como você tem que se jogar para roubar a bola?

Com um bisturi? Não pode tocar nelas.

Porque domingo vai ser assim".

E o Carlos esteve mais que presente.

Depois...

mostrou interesse,

começou a falar sobre o futebol feminino no mundo,

como vinha sendo na Europa,

e que na Argentina naquele tempo ainda não...

não tinha chegado lá, mas ia chegar.

E que ele tenha dado esse pontapé inicial,

e acho que foi fundamental, não só para o Estudiantes,

mas para o futebol feminino em geral.

Fomos jogar com o River,

que diziam que era um palácio, sei lá.

E Bilardo disse: "É um palácio, estaremos como em um palácio".

Uma semana antes disso,

um dos jornais de lá

estava com isso de "futebol champagne",

no qual não jogavam e batiam neles...

Vinham falando disso na semana, do "futebol do espetáculo",

do "futebol lindo" e tudo mais...

A mesma coisa de sempre.

E o Carlos já estava por aqui.

Ele já vinha desconversando,

e disse: "Vou levar uma taça de champagne".

Carlos, e isso? Para que é?

Espetáculo, vamos ver o espetáculo tranquilos.

Me sento aqui...

E foi o Tata que disse a ele:

"Toma cuidado com o álcool".

"Bom, vamos ver o que colocamos"...

E bom, colocou Gatorade, Gatorade de maçã.

Fomos experimentando e ficava igual.

E bom, esvaziamos a garrafa, ele a levou,

e a encheu, experimentou, fechou.

A entrada de bebidas alcoólicas no estádio está proibida.

Tenho 50 anos de campo.

Não é bebida alcoólica, senhorita, é Gatorade.

Veio o árbitro, não lembro quem era,

e disse: "Carlos, você não pode fazer isso!"

"Estou no palácio, estou no Teatro Col

Não tem que se divertir? Vim para me divertir.

Joguem!"

Eu acho que meu pai chegou em um ponto

que, às vezes, ria dele mesmo.

Aí veio uma juíza

vestida de pijama, um sobretudo e pantufas,

perguntando o que era aquilo, sei lá o quê.

"Senhorita, você está errada,

é Gatorade, senhorita, eu não tomo álcool, senhorita.

Está errada, são 30 anos de profissão".

O Bilardo conseguiu uma coisa que é muito difícil no futebol,

aprendeu a rir de si mesmo.

Por isso que as novas gerações são bilardistas.

Ele acabou ganhando essa batalha cultural de última hora.

Não como técnico, mas como personagem.

Em 2005, faz um programa chamado "A Família de Bilardo",

que era como "Os Campanelli".

Sempre teve a ideia de ser algo familiar, mas não atuado.

Ele tinha outra ideia.

- Oi, família! - Oi, Carlos!

Parabéns! Parabéns!

- Obrigada! - Tudo bem?

São 25 anos! Um absurdo!

Aí o Carlos ganha o prêmio Don Segundo Sombra,

de Pior Ator do Ano, mas ficou orgulhoso, porque ganhou um prêmio.

Ganhou um prêmio!

Morta! Morta!

Eu não tinha sido o seu primeiro namorado?

Claro!

Acho que dei um fora! Que porcaria!

- Não sei de quem você está falando! - Carlos! Telefone!

Não sei se era engraçado, para mim era o meu pai.

Era exatamente como ele é.

Para um programa de televisão, era igual.

Quinze! 15 anos!

O pai tem 43.

- Sua cara que tem! - 43! 43!

Quando faz uma reportagem, é engraçado,

você diz: "Não! Isso era assim!"

Ele não fazia para rir, era igual, só que em casa.

Depois ele me disse: "Vou fazer um programa"

Às vezes eu não gostava, mas dizia:

"Bom, tudo bem!", já era de costume.

É que sempre te perguntava: "Ficou bom? Como ficou?"

Ele sempre gostou que alguém dissesse como foi,

tanto quando era diretor técnico,

quanto quando era algo para atuar.

O Julio Grondona disse: "Você quer o Diego como técnico?

Eu também quero!", disse Julio Grondona.

Mas você tem que estar junto

para corrigir algumas coisinhas que não derem certo.

O Diego às vezes dizia sim, às vezes dizia não, mas...

Trabalhando e falando muito com o Carlos por telefone,

tentando estruturar

os jogadores que ainda não definimos, porque na reunião...

O Bilardo era um homem do Grondona.

E o Maradona um dia podia responder ao Grondona,

mas no outro dia não.

O Bilardo era uma espécie de contençã

ou uma ponte comunicativa com Grondona.

E o Maradona sabia disso,

então era uma época de faíscas entre Maradona e Bilardo.

E sim, falava muito com o Carlos.

Falava...

Um cara que tinha vivido o que ele viveu na Seleção,

era muito difícil não perguntar ou não consultá-lo.

Foi uma experiência e tanto

com muitos altos e baixos, como são as coisas.

Antes do jogo contra o Peru no campo do River,

o jornalismo vinha falando que a relação tinha acabado,

que o Maradona e o Bilardo não se davam bem, etc.

Para Aymar. Higuaín sem marcação.

Toque para finalizar e é gol! Higuaín, gol!

Gol!

Gol

da Argentina!

Vai ter que ir à África do Sul

mesmo sendo muito difícil, mesmo sofrendo,

no começo do segundo tempo...

Vai, grita, Pipa, como que não vai gritar?

Argentina ganha do Peru por 1 a 0.

Que chuva! Está caindo o mundo!

Que tempestade, não é?

Olha do que a Argentina se salvou!

Olha o que o Romero defendeu!

Incrível! O centro vindo, Romero não chega...

Sobra para Vargas, outro centro de Ramírez!

Gol do Peru!

Agora o Equador vai à África do Sul, e a Argentina com um ponto abaixo.

O Carlos estava mais nervoso,

com risco de não classificar, e dizer: "Onde eu vou morar?"

Não entra na cabeça do Carlos não classificar para a Copa.

A última tentativa que resta, o centro de Insúa.

Vários vão cabecear, Palermo não consegue.

Joga para o centro, o centro de Di María.

Espera Insúa, Palermo, Federico Insúa de novo.

Gol!

Gol

da Argentina!

Sim, Diego!

Apareceu o Martín na segunda trave.

É uma loucura...

Tinham discutido duas noites antes do jogo.

Eu falava para o Diego:

"Idiota", eu disse, "não seja idiota!"

"Não! Não!", mas também era...

O Diego não era fácil.

E o Bilardo também não era fácil.

Neurótico, obcecado, que não dorme.

O Messi vai bater.

Atenção!

Messi se adianta!

Bate que é gol! Lá vai o Verón!

Desvia. Bolatti!

Gol!

No rebote, Bolatti aproveita e nos manda para a Copa!

Argentina 1, Uruguai 0. Bolatti fez!

Eu vou com o Diego assim, com o grupo de jogadores.

E vejo o Carlos vindo assim...

Pego o Carlos pelo ombro

e o jogo e digo: "Vocês dois não podem ficar brigados".

Aí o Diego se soltou, o abraçou, o ergueu.

E para mim foi uma...

uma emoção...

Se abraçaram de novo!

Os dois classificados de novo para a Copa,

para estar juntos de novo.

Aí se abraçaram e se uniram de novo,

e foi a coisa mais linda que vivi em um campo.

- O que está sentindo, Diego? - Foi gol!

Os dois se abraçam e choram.

Isso foi um resumo de tudo que passara

porque brigaram...

Ver os dois juntos foi fantástico.

Tinha algumas coisas que o Carlos não concordava,

mas era muito respeitoso, nunca se meteu em nada.

Ver todo mundo era como voltar aos velhos tempos.

Eu acho que Messi e todos, o grupo inteiro,

tendo os dois melhores do mundo, os últimos campeões,

para mim, estavam orgulhosos.

No treinamento, os jogadores se olhavam como que dizendo:

"Que impressionante!

O técnico campeão e o jogador capitão campeão".

Foi uma injeção para os jogadores.

Eu acho que o vínculo

entre o Diego e o Carlos não foi o melhor em 2010.

Acho que foi um erro do Grondona.

Mas não foi por isso que a Seleção ficou fora da Copa.

Pegamos uma Alemanha forte contra um time

de meninos muito jovens,

que estando em desvantagem,

conseguiram brigar pelo jogo até o minuto 22 do segundo tempo.

Com o segundo gol da Alemanha, tudo acabou.

O remate, e Neuer defende de novo.

Senhoras e senhores,

a Alemanha acabou de golear a Argentina.

A equipe argentina se despede da Copa.

Todos foram embora arrasados.

Ainda mais, os mais novos, eu lembro do Messi no vestiário,

que chorava como um condenado,

como se um ente querido tivesse morrido.

Chegue para lá.

Depois, ele não quis continuar.

Carlos...

não participou de nada, não se meteu.

Foi uma decisão.

O Diego não quis continuar

e foi triste essa decisão.

O Grondona mentiu para mim.

O Bilardo me traiu.

O que esse homem sofreu pelo Diego...

E o Diego não o correspondia.

Isso doía muito nele.

Quando o Diego falava mal do meu pai,

meu pai ficava muito mal, sim.

Doeu no Carlos.

Era um filho para ele.

Acho que o Carlos foi para o Diego

um professor

que o ensinou ou o fez ver o futebol

de um jeito diferente do que ele tinha em mente

naquele momento da sua vida.

Se abraçaram em Vicente López, todos nos reunimos,

todos da Seleção, porque dessa vez todos foram.

E aí se abraçaram em cima do palco que estávamos.

E esse foi o último abraço que deu no Diego.

O Carlos precisava disso.

Sim!

Precisava tanto que depois disso...

- Carlos... - Estava radiante!

Estava tão feliz naquela noite.

Nós confirmamos, infelizmente, com uma dor imensa

que atravessa o país e o mundo todo,

o falecimento de Diego Armando Maradona,

aproximadamente às 12 horas do dia de hoje.

Quando às vezes fala do Diego:

"Que estranho que não vem me ver!", me fala.

"Sim, mas o Diego está na Itália, Carlos, não sei", eu falo.

"Não sei onde ele está, Carlos".

Pode ser que ele perceba, porque o Carlos é muito esperto

para não perceber a situação...

Por que teria tantas bandeiras por aí,

tantas homenagens e tantas coisas para ele,

se ele estivesse vivo?

Não temos televisão para mostrar a ele essa notícia.

Ele não sabe ainda,

acho que seria um golpe muito forte para ele.

Não sei se está preparado para isso.

Então, é preferível que ele não saiba de nada.

Oi, Daniela, obrigado por me convidar

para a sua festa de casamento.

Por compartilhar sua felicidade hoje.

Também quero parabenizar o seu noivo

porque está ganhando uma grande mulher,

uma grande filha

e uma grande amiga,

pelo que o Carlos sempre me contou.

E o Carlos vai ter o filho homem

que nunca teve, você vai dar esse filho para ele.

Vai ser meu substituto

porque diziam que eu era o filho do Carlos

que ele nunca teve.

Agora ele vai ter o seu marido.

Espero que sejam muito felizes

como eu sou com a Claudia.

E...

E acima de tudo, que deem netos ao Carlos

e à Gloria, eles estão precisando diss

E tomara que sejam muito, muito felize

Assim, fala oi, vamos ver como...

Oi, mamãe!

Oi, meu amor!

É o seu irmãozinho?

- Sim! - Está feliz?

Sim!

Dos netos, primeiro chegou a Micaela.

Era louco pela Micaela,

e a Micaela pelo Lolô.

O fato do meu avô ter estudado medicina

me inspirou a me animar a estudar essa carreira,

porque no começo eu não me animava,

pelo que todo mundo fala, que é difícil, impossível e tudo mais.

Meu avô, Lolô, como eu o chamo,

na verdade, foi um avô bastante presen

louco, competitivo,

divertido também.

Sempre tentava fazer meu irmão e eu rirmos,

fazer uma brincadeira, algo assim.

- Por que está chorando? - Porque quer mamar.

Nasce o Martín,

o neto homem dele,

que gosta de futebol, que te enlouquece com o futebol.

Quando era pequeno e tinha cinco anos

ele colocava uma garrafa para mim no ângulo do gol,

e me fazia chutar vários tiros livres e tentar bater nela.

Isso! Vai!

Vamos! Isso! Vai!

Isso! Vai!

Torço para o Ferro.

- Só para o Ferro? - Só para o Ferro.

Eu sempre jogo no meio campo.

E várias vezes joguei na defesa.

Eu queria ver meus jogos,

e eu também não lembrava como os outros jogaram.

Então, eu pedi para minha mãe para começar a filmá-los.

Assim eu também mostrava ao professor.

Preciso! Isso! Vai! Vem!

Gira! Vai, isso aí! Bom giro! Vai agora!

O técnico ideal para mim

é o que faz jogadas preparadas e quer ganhar.

Eu, assim como meu avô,

sempre quero ganhar, não quero perder nunca.

Isso! Vai! Muito bom!

O futebol te dá e te tira.

A Seleção é muito linda. No futebol é tudo muito lindo,

mas você não vê a sua família, não a vê crescer.

Se você quer ser o melhor, você tem que viver para isso.

E você vai ter que deixar muita coisa pelo caminho.

Estar em um aniversário,

levar seu filho passear quando ele é pequeno,

não viveram essas coisas os que são tão apaixonados.

Sim, sim. Ele esqueceu de viver, ele vivia para o futebol.

"Esqueci de viver".

Com certeza, amor. Coloque a música e você vai ver.

De tanto correr pela vida sem freios

Esqueci que na vida se vive um instan

De tanto querer ser o primeiro em tud

Esqueci de viver

Os pequenos detalhes

De tanto brincar com os sentimentos

Vivendo de aplausos embalados em sonh

De tanto gritar minhas músicas ao ven

Não sou mais como ontem

Não sei mais o que eu sinto

Esqueci de viver

Esqueci de viver

Esqueci de viver

Quando meu pai me dizia: "Esqueci de viver".

Eu ficava mal quando ele dizia isso.

Mas era porque eu sentia que não esqueceu de viver,

que viveu tudo, porque viveu sua paixão

e viveu sua família.

De tanto cantar ao amor e à vida

Fiquei sem o amor em uma noite de um

De tanto brincar com quem eu mais ama

Mãe! Que linda você é!

Me dizia: "Eu não fui um bom pai.

Tinha que ter aproveitado mais a Dani.

Como filha, você diz

aos seus pais se foi um bom pai ou um pai ruim,

a única que pode dizer isso é a filha.

Não sou mais como ontem

O técnico de todos os tempos é o Dr. Bilardo.

- Pronto! - Pronto! Agora sim!

Vamos ver, Martincito!

Estamos no hospital com Martín Salvador,

Salvador, Martín.

Olá, neve!

Olá, neve!

Traz um pouco de neve!

Eu acho que o Carlos é um grande mistério por si só.

É um grande mistério,

não sei se alguém o conhece a fundo de verdade,

não sei se ele mesmo reconhece

como ele é quando se olha no espelho.

Descrever o Bilardo como ser humano

não é tão fácil.

Era um adiantado, te dizia que ia ser gol

três minutos antes de acontecer.

É como se visse a jogada antes da hora

Um homem que tinha um completo conhecimento do presente,

do mediato e do imediato.

Porque ele mudou a mentalidade

do que era o mundo futebolístico.

E destacou que também há outras formas

que não há somente uma forma.

Mas que é essa forma e essa...

essa escola e esse DNA que não vai terminar de se formar,

nem nunca vai terminar de ser reconhecido.

Teve a coragem de ter posicionado uma ideia

quando essa ideia não era bem vista pela mídia dominante

e pelo poder do futebol.

Um cara simples, um cara de bairro,

um cara que vendia frutas, que vendia flores,

e que chegou a estar rodeado dos maiores.

Para nós que o conhecemos,

é melhor como pessoa que como técnico,

e um dos melhores técnicos.

Assim que vamos lembrar dele no futuro,

como a grande pessoa que foi, para mim foi um gênio.

Você sabe, louco, o que nos fez viver?

Que ainda hoje todos temos sequelas?

E é por isso

que toda vez que alguém falar algo do Bilardo,

vai se ver comigo.

Todos nós que tivemos a sorte de tê-lo,

valorizamos isso, nos deu ensinamentos de vida.

Os ensinamentos de vida que nos deixou são infinitos.

E vamos levá-los para o resto da vida e mais...

Vamos passá-los aos nossos filhos.

Daniela, e o domingo?

Domingo vamos à chácara, você vai com a gente?

Tenho um baile.

Um baile?

E por que não vai à chácara com as meninas?

- Coloco açúcar para você? - Não, não!

Não quer ir à chácara?

Vou falar com as meninas amanhã e te digo.

- Mas você vai? - Te digo amanhã.

Carlos, agora você é o dono

da palavra no futebol? A única verdade é a de Bilardo?

Não, não!

O que achar que é dono da verdade no futebol, morre!

Não há verdade no futebol.

Porque o futebol é... Eu sempre digo:

Há uma linha fina entre o riso e o cho

No futebol, você tem razão,

mas sempre digo a eles, é como um pássaro.

É como um pássaro, você o tem na mão.

Se você o aperta muito, ele morre. E se o deixa livre, ele voa.

Por isso, a verdade é relativa.

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