All language subtitles for Bilardo.The.Soccer.Doctor.S01E03

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Original subtitles

A Copa deve ser vista e não tocada?

Não! Acho que esta Copa é de todos, não é?

É algo lindo que conquistamos e acho que é para todos.

Falta uma hora para chegar em Buenos Aires.

Como você acha que as pessoas vão receber

a Seleção Argentina?

Baseado no que falei ontem com o presidente da Argentina

na conversa que tivemos,

acho que muito bem.

Dancem, torcedores Dancem

Dancem com o coração

São as panquecas São as panquecas

PRAÇA DE MAIO 30 DE JUNHO DE 1986

Os jogadores da Seleção Nacional entraram

ao salão branco da Casa do Governo

com Carlos Salvador Bilardo na liderança,

enquanto a Praça grita a uma só voz:

Esta Argentina não vai esquecer nunca

o que está acontecendo hoje nas ruas.

Um cara normal,

que anda pelas ruas e ninguém fala nada.

Esqueci de viver.

Ou seja, dediquei à vida ao futebol, à medicina,

para estar no topo, para estar no topo.

Não passem aos de amarelo porque vamos perder.

Não tem bebida alcoólica, senhorita.

Tem Gatorade.

Meu interesse é ganhar.

Só tem um campeão.

BILARDO, O MÉDICO DO FUTEBOL

Depois de voltar do Campeonato Mundial,

já tinha outra exposição.

Chegava a incomodar porque não o deixavam em paz.

Faziam fila para pedir autógrafos.

Aí ele nos buscava para um churrasco na chácara.

Que horas vai chegar...?

Como chama?

O Maradona para acender o fogo para o churrasco?

Não, não tem churrasco.

Era seu lugar no mundo.

Ele andava por ali porque podia ficar tranquilo.

Tinha feito uma quadra de futebol

e as pessoas da região jogavam ali.

Ele ia jogar aí.

Ele não mudou com o sucesso.

Continuava louco como sempre.

Não eram férias.

Ele ia dois dias,

quando nós estávamos de férias.

Mas ele vinha...

Sei lá... Um fim de semana.

E em um dia fazia todas essas coisas.

Quando quiser parar, para.

Você já tirou férias?

Não, férias de 15 dias não dá.

Quinze dias fora não dá, é muito.

Vou dois dias, volto. Um dia, volto.

- Minha esposa está acostumada. - Às vezes, menos?

Minha esposa está muito acostumada com tudo.

Eu ligo para ela aqui do canal

e falo: "Saímos às três".

Nem sabe para onde, mas se prepara.

Falo: "Coloca roupa de calor ou de frio".

Prepara a mala e vamos.

Mas é uma coisa comum para nós,

por isso nos damos bem.

Uma noite estávamos...

Eu gosto de viajar de noite para Mar del Plata,

e saímos com nossa filha para Mar del Plata.

Cheguei a Atalaya,

tomamos um café com leite,

e perguntei: "O que vamos fazer em Mar del Plata?"

e ela me falou: "Sei lá!

Você que quis vir!"

E eu disse: "Não, vamos para casa".

E voltamos.

E de manhã, quando nossa filha acordou,

abriu os olhos e falou:

"Não estávamos em Mar del Plata?"

CAPÍTULO 3 MAIS UMA AVENTURA

Depois do título em 86,

vieram os quatro anos de transição

rumo à Copa de 90.

A equipe ou a base desta equipe, um grupo forte,

acreditavam que ganhariam de novo,

não com facilidade,

mas que ganhariam o título de novo.

Acho que valeu.

Valeu a pena ser Campeão Mundial

porque o público percebeu, conversando entre si,

tudo o que os jogadores fizeram durante os três, quatro anos

que estive formando a equipe.

- Tudo isso acabou. - Já acabou.

Agora tem que começar de novo.

No futebol, temos que seguir em frente

e continuar dia após dia. É dia após dia.

Mas sim, também foram quatro anos difíceis.

Porque houve críticas também,

porque apesar de que tínhamos sido Campeões do Mundo,

tínhamos que explicar aos mais jovens como era,

como tinham que viver,

como tinham que superar as críticas

dentro da Seleção.

Eu já jogava no Vélez na Primeira Divisão,

ele me liga um dia para falar comigo e diz:

"Simeone, gostaria que você viesse

acompanhar à Seleção campeã do mundo,

mas você não vai ganhar nada,

somente as despesas da viagem.

Queria saber se você está disponível para isso".

E isso me marcou.

Me marcou porque me fez entender

que as coisas na vida vão progredindo

e obviamente vão crescendo conforme você vai entendendo

as situações.

Eu estreei em 87 contra a Itália,

na Suíça.

Um ano depois de ganhar a Copa do Mundo, estreei lá.

Então, no dia anterior, fui até ele e disse:

"Carlos, amanhã ao meio-dia, eu me caso no Civil".

"Que horas?", ele disse.

"Às 12, meio-dia".

"Bom, casa, assina tudo, tira as fotos e vem para cá".

Falou: "Qual é o problema?"

Então eu fui ao Civil, a Zárate,

me casei, assinei, tirei a foto,

sério, essa foto que era...

Como dizemos, "um goleiro voa para a foto".

A foto do casamento foi só para a foto

porque estou brindando, mas não brindei.

Peguei o carro, vim,

e três horas depois estava pondo a roupa da Seleção Argentina.

Aqui não se separa adulto de juvenil, nem nada do tipo.

Todos trabalhamos pelo mesmo objetivo:

conseguir jogadores para, que em 1990,

como foi em 86,

para que em 1990, se Deus quiser,

conseguir o título.

Trabalhamos para isso sempre.

Tem algo curioso, ou nem tanto, em tudo isso que é:

As críticas que o Bilardo continuou recebendo

meses depois de ser Campeão do Mundo no México.

Assim que começou a jogar de novo,

a Seleção que foi lançada na segunda etapa

da gestão do Bilardo

não funcionava, voltaram aquelas críticas duras,

algumas injustas, outras não.

Sempre falávamos: "Sempre que o Brasil é campeão,

comemoram quatro anos,

nós fomos campeões

e em três meses nos querem na Copa América".

No futebol na Argentina acontece isso,

com o que não concordávamos,

mas fizeram a Copa América e o time...

Eu lembro que o Diego vinha da Europa, Valdano,

e não era o que esperávamos.

Aconteceu o que tinha que acontecer, não é?

Fim de jogo.

Colômbia ganha da Argentina por 2 a 1.

Fica em terceiro lugar na Copa América

e a Argentina em quarto.

E nesta tarde, no campo do River,

voltaram a vaiar a Seleção,

exatamente contra a Colômbia,

um país no qual Bilardo tinha deixado uma marca

uns 10 anos antes.

Fomos para Colômbia, eu era criança,

meu pai levou minha mãe e eu,

vivíamos em Cali.

Quando Bilardo chegou ao futebol colombiano

foi uma surpresa.

O futebol colombiano se transformou.

Foi decisivo. Nos fez abrir os olhos.

Nós, na Colômbia, ainda éramos muito ingênuos

para enxergar o futebol e para disputá-lo.

Eu joguei futebol, e joguei desde 72

e não tinha o profissionalismo

que teve depois da chegada deles.

Nós trabalhávamos de manhã

e tínhamos a tarde inteira para fazer o que gostávamos.

Só que aí acabou as nossas férias.

Acabou tudo. Tudo.

Tínhamos que trabalhar o dia todo.

O Bilardo estabeleceu uma coisa

que depois se tornou muito importante na Colômbia,

que foi pesar os jogadores toda dia quando ele chegava.

Além disso, sentir se o jogador chegava

enguayabado, como dizíamos,

ou seja, se tinha tomado licor na noite anterior

e chegava com dor de cabeça

e com mal-estar das bebidas e tudo mais.

Bilardo descobria isso facilmente

porque começou a nos observar antes do treino.

E nos fazia correr muito para perceber

quem aguentava ou não por não ter se cuidado.

Ele foi nosso médico e esse médico

é difícil de esquecer.

Há pouco tempo lemos um comentário

de um jornal colombiano

que dizia que Bilardo e Zubeldía

tinham depravado o futebol da Colômbia.

E esse comentário veio de um jornalista

que é nosso amigo,

e que estava falando das coisas boas e ruins,

mas uma agência tirou só as coisas ruins

e mandou para cá.

Algumas pessoas diziam

que o "antifutebol" tinha chegado à Colômbia.

Carlos Salvador Bilardo

trouxe isso ao Deportivo Cali,

foi uma das coisas que ele implementou

para ajudar no campo.

E o especialista dessas coisas,

de executar esse trabalho,

era o Sr. Fernando, "El Pecoso" Castro,

e não digo isso na versão do médico Bilardo,

mas sim porque "El Pecoso" Castro me contou

que ele levava uns alfinetes e...

na camiseta,

e os colocava aqui para poder tirar durante o jogo,

e em um escanteio ou em uma falta,

espetava na perna

ou em qualquer parte do corpo.

Espetava o adversário e, claro,

se lançam a bola e te alfinetam,

você vira para olhar o que aconteceu,

e esquece da bola. Era isso que acontecia.

Outras vezes, jogava Mentholatum nos dedos,

"El Pecoso" Castro,

e em um momento de distração, chegava e te passava

Mentholatum nos olhos,

e você ficava mais ou menos uns cinco minutos

sem conseguir enxergar nada.

Como você imagina, eu que fiz isso.

O Bilardo não me pediu nada.

Não, não.

Eu fazia isso.

Mas, no fundo, no fundo, eu sabia

que quando descobrissem

o primeiro que iam acusar seria o Bilardo.

Bilardo coloca todo o time na dianteira...

Fez bem e fez a Colômbia

ter a primeira possibilidade de chegar à final

de uma Copa Libertadores.

E naquele momento, quando acontecem essas coisas,

não é simplesmente

torcer para o Cali ou para o Nacional,

é uma representação da Colômbia

em um grande cenário.

Mas o Bilardo nos ensinou

como um time tinha que se preparar para ganhar.

Vamos! Vai! Vamos!

Vai! Vamos! Para cima!

Vamos!

Vamos! Com a direita e com a esquerda! Vai!

Porque às vezes eu me sinto mal.

Ontem eu te disse, estava tudo contra mim.

Foi uma tarde do contra.

Das duas da tarde às oito da noite foi tudo contra.

Não teve nada a favor.

E eu digo: "O que eu faço? O que eu faço?"

e quando falo: "Por que está tudo tão ruim?"

Aí falo: "Não!"

Sabe o que eu faço às vezes que as pessoas acham louco?

E eu faço.

Eu falo: "Vou ao cemitério da Chacarita", ando.

E quando eu saio, falo: "Não! Eu tenho que ser um leão.

Essas pessoas tiveram a fatalidade de falecer.

Estão aqui e eu estou com vida.

Caminho, caminho!

Estou saudável.

E vou ficar mal? Não! Tenho que comê-los vivos!"

AMISTOSO ARGENTINA - ALEMANHA 16 DE DEZEMBRO DE 1987

Se me lembro bem, os quatro anos

que passaram de 86 a 90

a Seleção do Bilardo jogou bem,

só em um jogo,

que foi no ano seguinte, em 87,

quando joga a final de novo no campo do Vélez,

ganha de 1 a 0, com um gol do Burruchaga.

O estádio foi à loucura.

O Carlos contou que, no fim de 87,

não dormiu por uma semana literalmente

por causa de algumas declarações do Diego

depois do jogo da Argentina e Alemanha

no campo do Vélez.

E o Carlos ficou uma semana sem dormir.

"Desta vez, não me senti bem com Bilardo"

dizia a manchete do El Gráfico.

Foi um Natal que o Diego falou mal do Carlos

e foi terrível, não quis nem sentar na mesa com a gente.

Ficou na cama.

Tivemos que ir com minha mãe e mais ninguém

passar o Natal na chácara.

E no ano novo, mais ou menos 28 de dezembro,

disse: "Não! Me entenderam mal. Não quis dizer isso do Carlos.

Ele é um pai para mim".

Passou o 31 com todos de novo.

Ele era muito assim.

Ele acompanhava o que o Diego falava.

Mas porque ele gostava muito dele realmente.

Gostava dele de verdade. Era evidente.

Estava sempre preocupado.

Falava com a Cláudia se estava bem,

se precisava de alguma coisa.

A relação do meu pai com o Diego era...

para mim, era o filho que ele não teve, mais ou menos.

Eu acho que a Daniela também estava...

Não quero que ela leve isso à mal,

mas estava com ciúmes

porque Carlos só falava do Diego,

do Diego, do Diego, o tempo todo.

E acho que ela, quando criança,

sentiu que o Diego substituía...

ocupava um pouco o lugar dela.

Eu o via quando estava no Argentinos Juniors,

e eu seguia o Argentinos Juniors,

e ele estava no intervalo e fazia brincadeirinhas.

Então, os mais velhos entravam e diziam:

Vai embora, vai embora, deixe-o continuar.

Já sabe que ninguém gosta dos mais velhos,

sempre gostam dos novinhos.

Ele faz tudo isso, mas o mais importante

é que ele entendeu que não basta só isso.

Ou seja, ele entende que tem que estar fisicamente bem,

que tem que estar inteiro

para poder fazer o que fez contra a Inglaterra,

o que todos vocês viram. Ou contra a Bélgica.

Então, ele entendeu. Foi aí que eu disse:

É um exemplo para todos os jogadores do mundo.

Meu pai vivia cuidando dele.

Sem ninguém perceber.

Mas ele fazia isso

com o Diego e com todos.

Eu bati a cabeça em 87,

no jogo contra o Independiente.

Quase morri, tive duas paradas respiratórias

estava engolindo a língua,

em pleno jogo.

Me levaram no Fiorito, no hospital,

e o primeiro a subir à ambulância foi Carlos Bilardo.

Não sei como ele fez, de casa pegou não sei o quê,

e o primeiro a vir foi Carlos Bilardo.

Chegava em casa de noite

e ficava falando. Aí dizem: "Estava em casa".

Sim, mas chegava e falava das cinco da tarde

e às duas da manhã eram ligações e ligações

porque, claro, tinha que ligar para todos.

Não falava só com o jogador,

mas com as esposas também,

ou com as namoradas, queria falar com todo mundo

para saber como estavam,

se precisavam de algo, se a mulher sabia cozinhar.

Eu lembro que escutava e dizia: "Pai, deixe-o em paz.

Deixe-o um pouco em paz".

Uma vez estava em casa e tocou a campainha,

abro: "Oi? Quem é?"

"Oi, Oscar! O professor Echeverría".

Desço.

Duas malas e o professor assim.

E pergunto: "Por que você veio?"

"Não, é que vou ficar aqui alguns dias

para ver como você treina,

o louco me mandou aqui, me mandou fazer uma tour,

depois tenho que ir no Burruchaga".

Bom, eu disse: "Te levo ao hotel".

"Não, não", me falou.

"Vou ficar na sua casa".

"Mas eu estou de... Nos casamos", eu disse.

"Estou de lua de mel".

Vamos, Ruggeri!

Por que mandou o professor morar comigo?

Ficou uma semana na minha casa.

O professor da Seleção!

Porque queria ver o que a Nancy cozinhava.

O que cozinhava para mim, se cozinhava, se eu comia bem,

se dormia bem, tudo.

Bom, ficou uma semana e depois foi para o Burruchaga.

Os jogadores da Seleção Argentina

neste momento estão

em um treino sumamente importante.

Aqui estão praticamente a maioria das esposas

dos jogadores que...

Ele tinha conversas, às vezes tinha reuniões

para explicar a elas como tinha que ser

a namorada do jogador, a mulher,

quanto aos descansos,

e chegou até a dizer

como tinham que fazer sexo.

Uma loucura.

"Cuidado quando fazem amor", ele dizia a elas.

Disse: "Mas..."

Disse: "Mas por quê?

Já disse isso publicamente".

Porque foi público e notório

quando ele disse que as mulheres têm que ficar em cima.

- A mulher que trabalhe. - As mulheres que trabalhem.

E as mulheres faziam tudo isso. Seguiam as ordens.

Faziam o que ele pedia.

Tinham relações e a mulher ficava em cima

e você tentava... E as mulheres não deixavam.

Era assim, mas elas o amavam.

As mulheres o amavam.

Por exemplo, a concentração.

Um dia, nos sábados, eles vinham com as esposas.

Nunca tivemos problemas. Nunca tive problema.

Eu gostava que a família viesse.

Porque a mulher, a longo prazo,

é a que vai levar o homem ao sucesso ou não.

Cuidava muito delas.

Olha. Cuidava muito das esposas.

Tenho um em Stuttgart, um em Nantes,

Um em Madri, espalhados na Itália,

um na Suíça e um na Áustria.

Tem que ter um avião particular.

Então, é impossível.

Quando chego lá e resolvo aquilo, Me ligam daqui:

"Vem que a Argentina está desalinhada".

Venho aqui, arrumo um pouco aqui e me chamam lá.

A renovação da equipe para a Copa de 90

era necessária, era urgente, por conta da idade.

Quando o Carlos me convocou, foi para ser o terceiro goleiro.

A disputa entre...

Era entre Falcioni e eu.

Por isso eu digo que tomou uma decisão

que talvez não fosse fundamental para ele

porque era decidir sobre um terceiro goleiro,

mas era sim para minha vida, e por isso, eu agradeço a ele.

E eu, obviamente como todo garoto,

queria ir para a Copa.

Depois de um tempo,

fomos a uma viagem antes da Copa.

E um dia me convocou a Viamonte,

antes da viagem a caminho da Copa,

às 18h, 19h, depois de um jogo com Vélez.

Eu fiz um, dois gols nesse jogo,

e eu disse: "Estou feliz, vou falar com o Carlos".

O Carlos abriu a porta e disse: "Bom, Diego, tudo bem?"

"Bem", eu disse. "Bem, bem".

Aí ele falou: "Não vou te levar para a Copa.

Queria te comunicar isso.

E obviamente, sei que você tem um grande futuro.

Mas vou escolher outro colega seu.

E, bom, você não vai estar na Copa".

E eu disse: "Carlos, você não precisa dizer nada

porque quando você me chamou,

você não disse por que tinha me chamado".

Fui embora e fiquei chorando no carro, claro.

Ele parece bem.

Ele parece bem para lá, só que está longe.

Mariani, vem aqui.

Vem aqui que é moleza.

Toma, quando não tiver nada para fazer,

me filma aqui.

Quando eu disser que é a jogada, me filma um pouco.

Olha, este dá zoom e este volta.

Se apertar esse, vai ver um ponto dentro.

E em cima os números somam, está gravando.

Isso!

Olha, que beleza!

Olha isso!

Olha isso!

AUXILIAR DA SELEÇÃO ARGENTINA ROBERTO MARIANI

Com esta aqui foram filmados...

Foram filmados todos os detalhes dos treinos.

E...

Todo o prédio que estavam construindo.

Neste dia...

Primeiro de novembro de 87,

nos encontramos no centro

onde será a construção

dos quartos, refeitório,

salão, etc, etc.

Estamos vendo agora, passeando e dando uma volta.

Aqui começa, está vazio.

Vamos fazer um breve passeio pelo prédio,

de como era antes e como é agora.

Quem caminhou, procurou e percorreu,

viu e se preocupou foi Carlos

para encontrar esse lugar.

Estou mostrando em volta,

mostrando a rodovia,

o carro,

vamos continuar...

E aqui está toda a terra que estamos nivelando,

todo o perímetro.

E aqui estão o pessoal fazendo os buracos.

O prédio sempre foi um sonho de muitos da AFA,

das autoridades da AFA,

e do Bilardo, principalmente.

Quando começaram a fazer isso que ele vinha filmar

e tirar fotos com as máquinas

transplantando árvores ou fazendo as ruas.

No começo, quando inaugurou, era só esse lugar,

com quatro campos e uma rua principal.

Só tinha isso.

Na época que inaugurou,

foi justo quando nós estávamos saindo para a Copa de 90.

Não chegou a ser usado,

mas sim, foi inaugurado com um churrasco

que foi feito lá fora.

E eu e umas pessoas estávamos cuidando da papelada

no aeroporto para embarcar

na viagem anterior à Itália 90.

Na Copa de 90, escrevi uma carta para ele

para que ele lesse no avião e foi aí que eu disse a ele...

era uma espécie de crítica:

"Quero que você fique mais aqui, por que você vai embora?"

Ele sempre dizia: "Fui um pai ruim".

Eu sempre dizia a mesma coisa:

"Eu que tenho que dizer se você foi ruim ou não".

RUMO À ITÁLIA ISSO ME DEIXA MAL

Lembro que estava sozinho em um quarto nesse dia

e dessa vez ele veio

com os olhos lacrimejando

e me disse: "Sabe o que minha filha me disse?

Me disse que não sabe se sou o pai dela,

que não fui como todos os outros,

que nunca fiz nada por ela,

nunca estive em um aniversário".

E eu disse... Não sabia o que dizer a ele,

se chorava com ele ou o que fazia.

Falei muito disso com a Glória,

do que acontecia com a Daniela

com a ausência do pai dela durante muitos anos.

Minha filha nasceu em abril

e em maio já me tiraram de lá...

já me tira e já vamos para a Copa.

E não vi mais minha filha.

E minha esposa me mandava as fitas

e eu ia de noite na sala

e assistia...

ia ver o vídeo da minha filha,

e não conseguia acreditar como estava crescendo,

como estava mudando, eu perdi tudo isso.

E uma noite, ele me pegou: "O que você está fazendo?"

E eu disse: "Não, Carlos, olha! É minha filha que nasceu e..."

"Tira isso!", me disse. "Tira isso!"

"Sabe quanto tempo você vai ter para ficar com sua filha?"

Ele me disse isso.

É que foram duas fases.

Se você me pergunta como filha, tive duas fases.

A primeira foi: "Por que você não fica em casa, pai?"

"Tenho que trabalhar, faço isso por vocês".

Essa frase...

"Faço isso por vocês" era...

Não tinha lógica. Você diz:

"Se faz por nós, então não faça".

E depois, sem perceber, você cresce.

E quando já tinha 20 anos era:

"Nossa! Não sei como esse cara fez!

Mas foi jogador, estudou medicina,

foi Campeão do Mundo".

E é um orgulho você trabalhar

naquilo que te apaixona e você gosta.

Eu já trabalhava, então já comecei a entender bem

e falar da conquista que é

trabalhar com o que gosta e se divertir

e até conseguir credibilidade das pessoas e tudo mais.

Depois tive orgulho disso.

Vocês verão as imagens da Seleção Argentina andando

pelo estádio Giuseppe Meazza,

onde amanhã às 13h no horário da Argentina,

nosso país, o Campeão do Mundo, enfrenta os Camarões.

Como são os Camarões?

Os Camarões são um time que joga um futebol tipicamente africano,

de toque, de movimento,

mas adicionaram também o estilo europeu.

Jogam com dois laterais,

mas que não são laterais típicos das linhas, mas que fecham.

E um atacante Biyik, Kana-Biyik, que é atacante,

que está jogando na França, é um bom jogador.

E o Milla vai voltar a jogar, que é um artilheiro

que jogou na Copa de 82.

Sempre nos dizia: "Atenção, eles jogam bem!

Atenção, eles são fortes!

Atenção, eles correm!

Atenção, eles têm bom domínio de bola!

Ganharam bonito da Argentina. A Argentina jogou muito mal.

Foi muito forte, sabe?

O Campeão do Mundo perdeu dos Camarões.

Não perdeu da Alemanha, sei lá.

Por incrível que pareça, faz o gol com uma jogada boba

porque foi uma cabeceada que pareceu fraca,

mas que cai...

que raspa nas mãos do Pumpido e entra

Carlos, podemos entender como um fracasso

a apresentação da Argentina nesta Copa?

Sim, acho que sim.

Acho que não estava em conformidade

com o que previmos,

mas teve muitas coisas que não vêm mais ao caso.

E você? Ficou muito bravo hoje?

Quem você mais criticou? Vamos ver.

Que o Bilardo saia e...

que amarre uma pedra na perna e se jogue no rio.

Imagina, à noite...

foi terrível, ninguém conversava.

No dia seguinte, o Bilardo acordou.

Você se lembra? Estava todo empelotado.

As pelotas que tinha na cara inteira

eram impressionantes, era um monstro, um monstro.

Nunca tinha visto o Bilardo assim.

Foi a primeira vez que vi o Bilardo

abatido,

fora de si.

Fora de si. Estava mal, mal, mal.

No primeiro jogo contra os Camarões, que perderam,

tinha um professor que fazia a chamada

e sempre falava todos os sobrenomes

até chegar em "Bilardo",

quando chegava em "Bilardo", esperava um pouco

e todo mundo vaiava,

ainda mais após o jogo contra os Camarões,

então tive que aguentar

durante um mês as vaias completas

da sala inteira.

E o professor se dava o trabalho de dar um...

uma espécie de espaço

para as pessoas manifestarem seus sentimentos.

No dia seguinte, o Bilardo fez uma reunião,

nos disse o que estava em todos os noticiários,

o que entrou para a história,

que se não ganhássemos da Rússia,

ele não voltava mais à Argentina,

se jogava do avião.

Um louco!

Sim, mas estava falando sério.

Depois começou com um monólogo

dizendo que não podíamos jogar igual frangotes.

"Se forem jogar igual frangotes no próximo jogo,

vou pedir um favor: Encham-os de porrada!

Prefiro que nos eliminem pela violência

e não porque somos frangotes".

Acho que não dá para jogar pior.

Temos que partir disso.

Começar a dizer:

Pior que no outro dia, não dá para jogar

porque não tem ninguém pior.

No segundo jogo da Argentina contra a União Soviética,

o goleiro Pumpido quebra a perna

em um encontrão com o seu próprio zagueiro.

Fui colega de quarto do Nery na Copa

e justo com o meu colega, em uma jogada...

impressionante...

colidimos e o quebrei.

Se o futebol tinha me dado tantas coisas em 86,

eu não podia desistir do futebol por uma lesão.

Gosto de pensar

que já se esqueceram ilusoriamente de mim neste caso

para que se concentrem no futebol

porque eu acho que uma vitória deles

vai me ajudar a ter uma ótima recuperação.

Entra o Goyco e...

E foi assim.

Incrível! O que o Goyco fez foi maravilhoso.

Entrei descansado e "batata"!

Como dizem aqui no nosso país.

Porque entrei, estava concentrado,

era um jogo difícil sim,

porque não podíamos perder pontos,

senão estávamos fora.

Mas foi tudo tão rápido, tão espontâneo,

tão alucinante,

que entrei para jogar e encarei como um jogo de futebol.

- Tinham que entrar em um canto. - Sim.

E para ele é difícil entrar assim, do nada.

Depois de tanto tempo, é difícil.

Mas ele se saiu bem.

Agora, no outro jogo contra a Romênia,

tive três dias para pensar como ia jogar.

Ganhamos de 2 a 0. Depois empatamos com a Romênia

e entramos como um dos melhores, os terceiros, raspando.

Nós estávamos na concentração

e estávamos olhando,

e dissemos: "Cara, vamos jogar com o Brasil!"

Meio que arrumamos as malas,

meio que tínhamos feito as malas,

porque íamos enfrentar um dos melhores Brasis

que tinham formado

e que estavam preparados para a Copa.

Os brasileiros falavam de duas coisas:

De uma crise que o Collor tinha gerado,

e que iam fazer quatro ou cinco gols em nós facilmente.

Com os ingressos esgotados desde ontem,

A Argentina e o Brasil vivem as horas prévias da nova edição

do maior clássico da América do Sul.

Também me coloco na situação

do outro que está na minha frente.

Fico pensando, o Brasil, em algum momento,

esperava enfrentar a Argentina? O que tem a ver?

Eles, quando fizeram a lista, como eu fiz a minha,

pensaram: "Vamos enfrentar o terceiro".

E enfrentam a Argentina.

Eu, se estivesse nesta situação de primeiro da região,

em Nápoles, e me vem o Brasil, eu não teria gostado.

O Diego estava na maca,

estava fazendo massagem e eu estava apoiado,

estávamos conversando

e...

bem em frente, uma portinha abriu em um momento,

e o Carlos estava com o Mariani,

estavam fazendo alguma coisa, os dois rindo,

mas, naquele momento, não...

sei lá, só estavam lá.

Estudar medicina não é fácil.

Ainda mais uma matéria

como a bioquímica,

que é dificílima, e acho que ele passou com dez.

E depois, quando aconteceu o que aconteceu, claro...

fiz as contas, estavam trabalhando.

Estavam trabalhando para a Argentina,

mas trabalhando ilegalmente.

Ele dizia que quem passa com dez em bioquímica,

depois sabe tudo de medicamentos,

as fórmulas,

e pode tratar um paciente com uma determinada droga.

Sua forma de pensar no futebol

é que ganhar é a única possibilidade.

E para isso, é capaz de apelar

a qualquer recurso.

Inclusive àqueles que ferem o regulamento.

Se quiser, falamos da garrafa, por exemplo.

Do rival, não se bebe absolutamente nada,

não se come absolutamente nada.

Nada. É nosso rival.

Nós já tínhamos aprendido essa lição

desde o primeiro dia.

E, bom, se o rival veio e tomou nossa água...

ele errou.

E o Branco veio, pegou a garrafa e tomou.

E depois começou a...

Para mim, já estava com algum problema estomacal

ou algum problema.

E aí, aos poucos, aconteceu o que aconteceu.

Não sei o que aconteceu lá.

Você quer saber sobre a garrafa do Branco.

Disseram muita coisa, não sei a verdade.

Estava um calor!

Sério, estava terrível.

Bom, depois teve um problema, não sei.

Estava dormindo, não sei o que estava acontecendo com o Branco.

Contra o Brasil,

o gol do Vasco parecia um tambor

porque bum, bum, batia por todos os lados.

Eu lembro que quase comemorávamos

como se fosse gol

quando a bola batia na trave e ia para fora.

Quase que nos fazia rir.

Fomos para o intervalo,

todos nos sentamos

esperando o Bilardo

e falamos: "Vai mudar alguma coisa,

vai falar alguma coisa, o que vai nos dizer?"

Nada.

Todos esperavam a conversa de Carlos para ver como ia resolver

o que estava acontecendo no primeiro tempo.

E o Carlos não falava, não falava.

Na entrada,

"Desculpa, desculpa, desculpa", o Bilardo nos falou.

"Se continuarem passando para os de amarelo,

vamos perder".

Só falou isso.

E disse: "Vão!

Não passem mais para eles, vamos perder!

Passem entre vocês".

E fomos para o campo.

Maradona para a Argentina,

Maradona corre bem.

E continua. Caniggia!

Caniggia vai marcar!

Argentina um, Brasil zero.

Vitória da Argentina.

Uma injustiça muito grande do futebol.

Foi o gol que mais gritei.

Particularmente, foi o gol que mais gritei.

E muita gente diz

que foi um dos gols que mais gritou na vida.

É o Brasil. É uma copa do mundo.

Estavam eliminados.

Eu estava muito mal da púbis

e joguei o jogo inteiro, felizmente.

E dei uma volta inteira gritando.

Eu via os brasileiros chorando porque tinham que ir embora.

Era a felicidade...

a pura felicidade para mim.

Não conseguia acreditar.

Eu poderia estar dando voltas até agora.

Acho que tinham criado todo um mistério.

E o Bilardo tinha muito a ver com isso

por seu modo de ser, por seu modo de agir.

Quando se fala de mistério no futebol,

esse time se sobressaía em tudo.

Pareciam que tinham...

perdido e continuaram.

E agora, estavam caídos e se levantaram.

Agora, depois da vitória,

o time...

sabemos que podemos ganhar de qualquer um.

Depois, tínhamos que jogar

com a segunda seleção de um país que não existe mais

ou que foi desmembrado, que foi a Iugoslávia,

que foi dificílimo, um jogo ruim.

Horrível, feio, zero a zero.

E depois nasceu o mito.

Quartas de final com a Iugoslávia.

Esse foi o jogo...

foi como se fosse...

se fosse eliminado desse jogo,

era como se não tivesse jogado na Copa.

O Bilardo não consegue acreditar.

Bom, fomos aos pênaltis.

A coisa complicou para nós.

Ficamos atrás.

E essa sensação estranha de um golpe de ânimo

do erro do Diego.

E parece que o seu mundo caiu.

E vieram os dois pênaltis.

Tira Brnovic!

Goycochea defendeu!

Goycochea defendeu!

Empatam...

Nesta definição,

li o corpo, quando apoiou,

me olhou pela última vez,

tentei enganá-lo com o drible de pisar

e voltar para o mesmo lado.

E quando...

chutou...

a sensação de quando você voa para o mesmo lado

e sabe que a bola está vindo na mesma direção,

é maravilhoso! Que você vai defender!

Que não vai escapar.

Eu te peguei!

Goycochea defendeu!

E a Argentina passa

nos pênaltis

às semifinais

da Copa do Mundo.

Goycochea leva a Argentina

às semifinais.

NÃO DÁ PRA PEDIR MAIS QUE ISSO

O POVO COMEMOROU NO OBELISCO QUE A ARGENTINA CONTINUA.

MISSÃO CUMPRIDA

ARGENTINA ENTRE OS MAIORES DE NOVO

BILARDO, DA ANGÚSTIA À EXPLOSÃO

Se teve uma coisa de tudo isso que valeu a pena,

que nos deu vida, foi a Itália.

Imagina que a gente ficou com o Brasil e a Itália!

No mastro do centro,

deveria estar a bandeira nacional da Argentina.

No entanto, só sobrou um pedaço da bandeira.

Alguém, não se sabe quem, a rasgou.

Nos acordam na concentração

gritando:

"Olhem! Olhem! Olhem!"

Todos foram para a sacada,

tinha cortado a bandeira da Argentina, ele a cortou.

Para nos irritar, esse idiota!

Essa foi a maior falta de educação

que poderiam ter na vida.

Porque às vezes isso de vaiar o hino...

não fazem sempre, mas cortar uma bandeira,

é excessivo.

Mas isso nos dá mais energia para o próximo jogo,

para mostrar a quem fez isso que não nos afetou em nada.

Nós que tínhamos jogado em 83,

voltamos a dormir sabendo que foi ele,

que estava fazendo tudo isso para nos levantar.

E, bom, nos levantou, porque o jogo foi ótimo.

Claro que o país...

para o país sede, jogar na Copa é muito difícil.

Eles ficam com toda a pressão e a loucura.

Por isso, o Carlos, na conversa...

foi muito direto, foi a conversa mais curta dele.

Porque o Carlos era de ter conversas longas.

Quando chegamos ao jogo com a Itália,

entrou com uma pastinha,

a colocou de lado, com uma tranquilidade atípica...

Foram três, quatro detalhes muito pontuais,

e ressaltou: "Se fizermos isso no jogo, ganhamos!"

Esse jogo vai ser moleza.

E disse: "Se me escutarem, é o jogo mais fácil que vamos ter".

Porque os conhecia muito bem.

O jogo foi Itália.

O jogo foi Itália por conta dessas faíscas,

e principalmente pela falta de respeito

de todos os italianos com a gente.

Coisa que não fizeram com outros rivais.

Carlos Bilardo, o técnico argentino,

foi um alvo fácil para a torcida italiana.

A Itália ataca primeiro, aos 17 minutos.

O primeiro ataque de Vialli foi defendido,

mas, no rebote, Squillacci marca seu quinto gol no torneio.

Não jogamos com um ponta definido.

De fato, o gol acaba sendo de um zagueiro, o Vasco.

E por dentro, de Cani, que não era um bom cabeceador,

não era uma referência de ponta.

Os nervos dos italianos afloraram

quando a saída de Zenga

permitiu que Caniggia empatasse o jogo.

Um a um depois dos 90 minutos.

Vai para a prorrogação.

A tensão aumenta

e aflora o jogo difícil.

Baggio foi derrubado sem estar com a bola.

Fizemos gol nos italianos,

paulada, paulada, por todos os lados.

Por isso levamos vários cartões.

Giusti e Caniggia não vão mais jogar

nesta Copa do Mundo.

Lá vem o Donadoni!

Donadoni!

Ruggeri!

Senhoras e senhores,

chegou a hora dos pênaltis!

Os pênaltis! Os pênaltis eram um cansaço

mental enorme!

Quando você chega a esta fase,

não é mais sobre ser melhor ou pior,

É uma coisa que pode ser que aquele que jogou muito pior

marca melhor nos pênaltis e já era.

A caminhada do meio até a área se tornou interminável.

E eu, naquele momento, ia pensando:

"Para onde eu chuto, esquerda ou direita?"

Então, os goleiros te olham

e os olhos deles denunciam.

E no único momento que eu olhei para o cara

foi quando eu preparei a bola,

dei um passo para trás e chutei na direita dele.

E ele se jogou para o outro lado.

Se não, eu morria do coração ali mesmo.

Iam me enterrar lá.

Esse animal dividiu o país.

No campo de Nápoles,

estavam gritando para o Diego.

É possível que o Maradona erre?

Toda a Itália vai ver.

Serena se prepara.

Se mandar para fora,

se o Goycochea defender,

a Argentina será finalista.

Lá vai o Serena!

Serena!

A Argentina é finalista da Copa do Mundo!

A Argentina chega à final!

Argentina!

A Argentina é finalista de novo!

É como se tivessem baixado o volume de San Paolo.

Depois de tanto tempo, me remete

a qualquer peladinha que eu jogava no interior.

Era o reflexo mais divertido do futebol.

Era a emoção pura

do sonho de jogar na Seleção

e ter a chance com essa corrida,

estar correndo em direção à final da Copa.

Muita pré-tática antes do encontro.

Tinham anunciado dois atacantes, depois o Calderón não estava.

O que aconteceu?

O Calderón não estava bem.

Eu ia fazer a substituição aos quinze minutos

do primeiro tempo.

Ia mandar o Dezotti para o campo,

mas esperei

passar o primeiro tempo para a substituição.

O fim da história veio depois.

Veio no Olímpico

com a Alemanha,

a reedição de 86.

A Argentina pode salvar o Campeonato.

Na próxima vez, no próximo jogo.

Diante do melhor rival.

Esta é a esperança que resta,

mas sem fundamento lógico

com base nos fatos até agora.

O que resta é pensar que a Argentina pode mudar tudo,

variar tudo, transformar tudo,

que é o único jeito de conseguir uma vitória

na próxima etapa.

Eu acho que a Argentina chegou...

chegou perto de ganhar.

Chegamos cansados, chegamos muito cansados

porque na Itália tivemos que jogar na prorrogação.

Nós jogamos... Era o terceiro jogo da semana

e tínhamos jogado 240 minutos.

Ainda assim, os colocamos para jogar nosso jogo.

Mas sabíamos que a Alemanha nos respeitava.

Se a Alemanha tinha um rival

com quem, com o passar do tempo,

não queria jogar, era a Argentina.

A final da Copa.

Chegamos por pouco.

Carlos disse: "Senhores,

entreguem o que sobrou de vocês.

Entreguem o que sobrou de vocês".

A licença de Checho em alguns jogos,

de Giusti, de Burru,

de Caniggia...

Isso aconteceu, felizmente ou infelizmente,

mas acho que teríamos tido outro final.

Essas foram as ferramentas que nos deram durante anos,

tínhamos que passar raiva,

nos tornávamos fortes com as broncas,

porque éramos realmente jogadores da Seleção.

E quem meteu isso na nossa cabeça?

Carlos Salvador Bilardo!

Uma final da Copa que eu sigo afirmando hoje,

nos prejudicaram.

Falta grave do Monzón no Klinsmann.

Agora, com um jogador a mais, os alemães têm mais espaço.

Matthaus se adianta.

Passa para Voller, que cai na área

depois de um encontrão com Sensini.

Para o árbitro, é pênalti.

Os argentinos reclamam muito com o árbitro.

Os argentinos reclamam abertamente.

E depois do pênalti de Sensini...

Com o VAR, não seria pênalti.

Sou o Armando Pérez Hoyos.

Tive a chance de estar como juiz de linha

na final da Copa do Mundo, Itália 90

entre a Alemanha e a Argentina de Salvador Bilardo.

Foi algo assim, jogaram a bola para o fundo

e eu corri atrás dos dois jogadores.

Eu corri porque estava justamente desse lado.

E entrando na área,

um jogador da Seleção Argentina

se jogou no chão.

Na minha opinião, tocou na bola,

mas quando olhei, vi o Edgardo

marcando o ponto de pênalti.

Para mim, não foi pênalti.

Mas nesse momento que nós éramos árbitros,

sabíamos muito bem

que era o árbitro central que mandava.

A meu ver, a Alemanha foi a melhor seleção daquela Copa.

Mas na final, não jogou tão bem.

E se tivéssemos tido sorte,

teríamos dado outro golpe.

Goycochea fez milagre defendendo os pênaltis.

Fará mais um milagre no seu repertório?

Alemanha Federal se classificou

como Campeã da Copa do Mundo.

A vaia geral

quando a câmera filmava o Maradona...

Quando a final acabou, o Diego começou a chorar, claro.

As câmeras do mundo inteiro iam filmar o Diego

e isso era...

Nós já sabíamos disso pelo telão do estádio

porque essa imagem

se replicava na tela gigante do estádio.

E era o sinal que o mundo inteiro ia ver.

E Carlos, atento a todos os detalhes,

se aproxima dele, tenta ficar na frente dele,

nos... começa...

nós já tínhamos entendido o recado, sabíamos qual era.

Acho que também terminei entrando na frente dele

porque não era justo que o mundo

visse o nosso líder chorando, o nosso capitão.

Todos choramos pela injustiça que sofreram,

que todos sofremos,

porque vimos que a Argentina não merecia isso,

e foi muito injusto.

E vê-los depois tão destruídos, devastados,

pensando que podiam ter ganhado a Copa de novo,

foi muito difícil.

E Carlos nunca assistiu a final de 90.

Nunca quis ver.

Não queria saber de nada.

Porque sabia que foi injusto, então não queria ver.

Foi feito todo o possível,

de qualquer forma, foi além do imaginado.

Fomos vice-campeões com todas as particularidades do futebol.

E acho que foi uma conquista incrível.

Bilardo conquistou uma Copa, um vice-campeonato,

são conquistas que poucos dessa área puderam alcançar.

Tomara, Grondona, e te digo de todo o coração,

que você consiga convencê-lo para que isso continue.

Sei que vai ser difícil, mas tomara que você o convença.

A lembrança de 90 é incrível,

porque acho que foi quase maior que em 86.

A multidão que foi era uma coisa impressionante.

Emocionalmente, as pessoas...

te fazem se sentir Campeão do Mundo.

Quando me perguntam,

sinceramente, me sinto Campeão do Mundo

porque as pessoas vêm e me dizem...

as pessoas se confundem e dizem:

"Graças a você fomos Campeões, graças a vocês,

graças ao Diego".

E não fomos Campeões do Mundo.

Borombombom

Esse é o time do narigudo

Borombombom

Borombombom

Esse é o time do narigudo

Argentina!

Argentina! Argentina!

Argentina! Argentina!

Argentina! Argentina!

Argentina! Argentina!

Argentina! Argentina!

Argentina!

Faz muitos anos que conheço o Carlos Bilardo,

nunca o vi tão emocionado.

É emocionante o poder do povo.

É algo que desde que saímos até agora,

eu nunca tinha visto algo assim.

O povo, mas tanta gente

nos acompanhou desde o aeroporto.

Por isso que estou feliz.

Eu disse que estávamos vários anos à frente no futebol,

mas também disse... E depois de tudo que vi hoje,

eu acho que acertei de novo

quando eu disse: "Não quero sair do país".

E depois de tudo que vi hoje,

depois de todas as pessoas que vi, de tudo isso,

não quero sair deste país.

Com fama de um homem grandioso e conversador,

Carlos Bilardo foi parte

de um dos times

que se tornou Campeão Mundial em matéria de futebol.

Agora se aposenta

da prática ativa desse esporte.

Acho que...

tudo tem um fim.

Depois de uma boa temporada,

considero que este é o momento de eu me dedicar

a minha carreira, e além disso...

Vamos resumir para os que não sabem,

o Bilardo é médico.

Além disso, tenho muito, muito trabalho

no comércio que os meus pais e meu irmão têm,

uma fábrica de móveis.

E acho que chegou a hora de ajudá-los também,

por isso, vou fazer as duas coisas.

O que admira, Bilardo,

é que você se aposente de forma tão silenciosa.

Eu nunca gostei.

As coisas na minha vida aconteceram assim.

Eu gosto de viver em silêncio.

Tenho lembranças, agora são lembranças,

do dia que me formei como médico,

não falei para ninguém, fui pegar o diploma

e depois contei que tinha me formado.

Então agora eu acho que chegou a hora,

pelo que falei antes, e disse: "Vou me aposentar".

"Vou sair da Seleção".

"Não, depois de tudo que você fez!"

"Não, não, está decidido!"

Ele sabia que tinha...

se ele continuasse, que fazer uma mudança grande

de jogadores que ele gostava muito.

Era difícil depois de ser Campeão do Mundo,

vice-campeão do mundo, o que mais falta?

Depois, o que mais te falta fazer?

Talvez não será uma música

Vai ser difícil

Mudar as regras do jogo

Mas quero

Viver esta aventura

Sem fronteiras

E com o coração na garganta

E o mundo Em um carrossel colorido

E o vento

Acaricia as bandeiras

Vem um calafrio

E te arrasta

E você dissolve a loucura

Em um abraço

Noites mágicas

À procura de um gol

Sob o sol

De um verão italiano

E nos teus olhos

A vontade de vencer

Um verão

Mais uma aventura

Muito bom!

Que música linda!

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