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A minha história nunca poderá ser contada.
Escrevo isto repetidas vezes
onde quer que encontramos abrigo.
Escrevo sobre o que não posso falar.
A verdade.
Escrevo sobre tudo o que sei
e então lanço as páginas ao vento.
Talvez os pássaros possam lê-la.
FIM
Isso é seu?
Costumo encontrá-los aqui, esses rascunhos.
Devem ter caído da janela da casa de alguém.
"Ela tinha intenção de sufocar o bebê assim que ele nasceu,
mas algo chamou-lhe a atenção ao vê-lo.
Ouviu seu batimento cardíaco,
Sentiu a cabeça ensanguentada e o amor confundi-a."
É só um rascunho, como você mesmo disse.
Mas há uma história aí.
Pode sentir.
Vamos caminhar um pouco?
Minha história começa com Clara.
Um dia, terminará com ela.
Clara...
cheia de segredos.
A minha salvadora.
O meu fardo.
A minha musa.
Ei!
Puta merda... Wendy!
Te ligo de volta.
Você!
Seu desgraçado!
Você viu isso? Esse puto me atacou!
O que ela fez? Seu nariz está fodido.
- É, ele mereceu. - Vamos.
Ernie!
Tire-o daqui, beleza?
Meu nariz!
Gostaria de tomar um chá?
Por favor, entre.
Tenho vindo a trabalhar aqui 14 noites. Quero minha grana!
Não está nos registros. Que grana?
Com licença.
Viram esta garota?
Não, desculpe, cara.
Desculpe.
Não.
- O que está fazendo? - Desculpe, mas eles me devem.
Não! Pare!
Não pode tirar dinheiro do caixa!
Olá, Clara.
Recebemos muitas putas aqui, mas ela tira a maior parte.
Que pena, ela tinha um lado sexy mórbido.
Mexa-se!
Clara!
Merda! Porra!
O aborrecimento que experimentei nesta busca.
O tempo que me fez perder!
Poderia conquistar nações com suas devassidões!
Vamos. Sabe o que estou procurando.
Onde ela está?
Era ele outrora.
E essa garota...
O amor confundiu-me por ela.
Amei-a durante toda a minha existência...
Sua esposa?
Ela foi casada com o meu irmão John...
Foi muito feliz.
Ela nunca soube o que eu sentia.
Nem ele.
Aí chega-se a um momento da vida onde segredos devem ser ditos.
Você tem segredos, não é?
Contaram-me uma história quando eu era criança
sobre Vampiros da Irlanda, os mortos vivos.
Nem morto nem vivo.
Os padres costumavam contar isso para assustar-nos.
Meu nome é Eleanor Webb.
Eleanor Webb.
Estou pronto.
Tem certeza?
Já passei tempo o bastante aqui.
Acredite.
Sinto uma paz interior.
Ao saber que ordem está prestes a ser restaurada.
Ela é uma aberração.
Não sei o que isso significa, senhor.
Onde pensa que vai?
Ia desinfetar a ferida, senhor.
Tem um corte, está evidente.
Todo o tempo que teve e não aprendeu nada.
Acredite na sua base.
Feche seus olhos.
Clara, sai daqui.
- Como pôde trazer alguém aqui? - Era mais forte do que achei.
- Essa é nossa casa. - Eleanor, precisamos sair daqui.
- Não me mudarei de novo. - Eu precisei fazer.
- Um dia entenderá. - Quando for mais velha?
Não faz a menor ideia do que eu faço por você.
- Fez isso por mim? - Faça as malas!
- Eu gosto daqui. - Faça as malas!
- Quem é ele? - Ninguém.
A mãe dava banho no seu bebê numa noite
o mais novo dos 10 é um pobre diabo.
A mãe era gorda
e o bebê era magrinho
não era mais que um saco de ossos
coberto de pele
A mãe se virou
para pegar o sabonete na bancada
- Obrigada. - De nada, fiquem bem.
- Checou a estufa, não é? - Sim.
Já estivemos aqui.
Não seja boba, vamos.
Mas não se lembra?
Isto será bom para nós. Posso sentir.
Disse isso do último lugar.
Aquela espelunca que acabamos de sair?
Já me esqueci disso.
Qual o problema?
Não se pode esquecer o passado como se não tivesse acontecido.
Minha preocupação é o agora, está bem?
Minha bobinha.
Por que não vai se divertir com as coisas daqui?
Vou descolar alguma grana.
Adianta.
Clara nunca está só.
Ela consegue ter dinheiro e companhia todos os dias.
Vem tão fácil para ela, tal como a mentira.
Quem é essa?
- Você a conhece? - Não.
Mas eu gosto de solidão.
Eu caminho e o passado vem junto.
Ainda vive.
- Olá. - É 50 por um boquete,
100 pelo serviço completo.
Eles te contrataram?
É uma artista de rua.
Poderia passar o chapéu...
Não me importo.
Isso foi ótimo.
Consegue falar?
Não tenho um chapéu.
Como consegue lembrar de todas as notas?
Lembro de tudo.
É um fardo.
Então...
Sabe tocar outra coisa?
Tente e anime-os.
É o vale dos cadáveres aqui.
Preciso ir.
Saio às 22h.
Venha.
50. Que adorável.
- Então, está de férias? - Não.
Vive por aqui?
Sim.
Gostaria de uma companhia.
Ela...
Quem?
Mãe.
Ela morreu.
Sinto muito.
Houve um funeral.
Eu não pude ir.
Fugi disso, estive longe. Estive longe desde então.
Mas seu luto demonstra o quanto a amava.
E amor é uma coisa boa.
Aposto que ela estaria orgulhosa de você.
Um filho amável como você?
Não, nunca a deixei orgulhosa.
Eu apenas...
Sequer atendia o telefone.
Sabe?
Fiz besteiras nos negócios, não pude pagar as dívidas.
Encontrei 50 pratas no livro e no que eu gastei?
Contato humano.
- Você está bem? - Sim.
Sim?
Desculpe, querida.
Sou Camilla.
Noel.
Que tipo de negócios sua mãe tem, Noel?
É um albergue. Ferrei com ele.
Era um lugar grande?
Sim, era muito grande.
Bem, deveríamos ir até a sua casa, sabe?
- Sim? - Sim.
Seja gentil.
Sim, pode ir comigo.
- Que bom que esperou por mim. - Eu não te esperei.
Como aprendeu a tocar daquela maneira?
Eu praticava.
Por quanto tempo?
200 anos.
Dá para ver, não é?
Passei uma xícara de chá.
Consegui uma grana para você.
Não é muito.
Obrigada.
Esse pedaço de papel...
É o meu telefone.
Não tenho telefone.
Então, prazer em conhecê-la.
Até mais.
Ella!
Veja quem eu encontrei.
Somos donzelas em apuros.
Sabe o que o Noel é, Ella?
É o cavalheiro de armadura reluzente
para nos afastar do demônio, não é?
Essa é minha irmãzinha.
- Oi. - Olá.
Lá vamos nós.
Procurei você por todo lado.
Não encontro minhas chaves.
Vou abrir.
Entre.
Estou confiando em você, Camilla.
- Não. - Não irei.
Olhe, não está bem arrumado.
Era um hotel.
E uma pensão.
Minha mãe ficava com os três último andares.
Usava para dormidas e chás, sabe?
Famílias e tal.
Era mais para bem-estar.
Está degradado agora, mas ela jamais sairia.
Adoramos a vista, deveria ver.
Com vista fantástica do píer daqui de cima.
Adorável.
Aqui é a sala de jantar.
É legal.
É adorável.
Está um pouco bagunçada, pois não esperava companhia.
Diga a minha irmã onde ela vai ficar, querido.
Sim.
Ella?
Mostrarei o seu quarto.
Andei pela casa e...
estraguei algumas coisas.
Não queria me olhar.
Camille disse que, perdeu sua mãe também.
É a sua guardiã legal.
Como é corajosa.
Entendo o que ela teve que fazer.
Entende?
Bem, ela precisa de dinheiro.
O que quero dizer...
É que não ligo.
Podem ficar.
Obrigada.
Apenas os preparados para morrer
encontrarão a vida eterna.
Continue, continue.
- Isto é o fim. - Do quê?
Do tempo...
Garotão...
Com licença.
CENÁRIO MACABRO EM APARTAMENTO INCÊNDIADO
Quem era ele?
Já aconteceu, Ella... Deixa pra lá.
- Quem era ele? - Ele era um monstro.
Devia me dar uma medalha pelo que fiz.
Vamos nos mudar, hoje?
Está cansada, meu amor?
Bem...
Acho que devíamos esperar aqui por uns dias, não acha?
É, poderíamos passar desapercebidas,
descansar um pouco, ganhar algum dinheiro.
Poderia ate abrir meu negócio
- como antigamente. - Não precisa fazer isso.
Qual é, Ella! Olhe esse lugar, é perfeito!
Temos que ganhar dinheiro.
Por que não procuramos outro modo?
Está tudo bem, meu anjo.
Irei me certificar que não se envolva.
Desculpe, Noel.
Estava preocupado, sonhei com você.
Pensei que ia acordar e... você teria partido.
Por que eu iria embora?
Você tem tudo o que eu preciso.
Eleanor Webb...
Olhe para você...
Linda como a flor do lírio.
Conheci a sua mãe.
Minha mãe está morta.
Foi o que te disseram?
Eles te alimentaram com mentiras...
A sua mãe...
A sua mãe, roubou algo de mim.
Agora roubei algo dela.
A minha doença não tem cura.
Quando eu terminar com você, não será mais uma criança.
Olhe para mim!
Ella?
Você está bem?
Camilla contou-me que esteve internada para tratamento.
Ela me contou...
Ela me contou coisas terríveis, que aconteceram com você lá.
Quero que saiba, que nada de ruim
vai te acontecer enquanto estiver aqui.
Eu te prometo, certo?
O nome dela não é Camilla,
e ela não é minha irmã,
- Ela... - Meu nome é Claire.
É Clara.
- Ela nasceu, Clara. - Eu prefiro Claire.
Claire...
- Não faça isso! - Mente sobre mim o tempo todo.
Se contar a verdade, eu mato ele.
Ás vezes não deseja dizer a verdade?
Temos um código de sobrevivência, Eleanor.
Lembre-se disso.
Então, em uma semana...
quanto a sua mãe faturava?
Na alta temporada? Uns mil.
Podemos conseguir isso em uma noite.
Conseguiria pagar todas as suas dívidas, Noely.
Quero tirá-la dessa vida.
Bem, não precisa ser eu.
Poderíamos ter algumas garotas aqui.
É a casa da minha mãe.
Ele é tão justo
Não tem comparação
Mas seu sangue é vermelho vivo
Venha, dia rosa
Venha depressa, eu te imploro
Deixe os sonhos de amor
Acabarem...
Era uma vez uma época
em que não existia nada aqui.
Não existia hotéis
Nem passeio público
Só existia a praia...
Com redes secando...
Grandes navios de guerra na costa.
E crianças pegando ostras para o pão de cada dia.
Minha mãe era uma delas.
Descalça na areia...
Consegue me ouvir?
Minha mãe vive de sangue humano...
E tem sido assim durante dois séculos.
Mas ela já foi uma mulher como você.
Ela nunca falou sobre sua família.
Estão junto com as coisas que ela deve esquecer.
Assim sua história começa,
com dois oficiais à espera de serem chamados à guerra.
Estão frescos?
Posso provar um?
Um deles era o aspirante Darvell.
Tome.
Pérola para uma pérola.
E o outro... O seu superior.
Capitão Ruthven.
Posso convidá-la para um passeio?
É só uma criança, Ruthven.
Aposto que ela sabe montar cavalo.
Não vá com ele.
As pérolas permanecem puras para sempre...
Enquanto a carne da ostra vai apodrecendo ao redor.
Tenho uma presente para você.
Capitão Ruthven!
Aqui um tesouro que encontrei na praia.
Bem-vinda, minha querida.
Não precisa ter medo. Vamos.
Deixe-me levá-la ao quarto favorito do capitão.
Só encontrará amigos aqui.
Não me deu nada, senhor.
Você tomou.
Acabei de te oferecer a sua profissão.
Bem-vinda à vida adulta.
Quantas histórias começam desse jeito?
Meretriz.
Milhares delas.
Eu voltarei.
Para conferir o que aprendeu.
Agora venha. Por que choras?
Tem um cavalheiro aqui
que logo a fará sorrir novamente.
Sem crianças nesta casa.
Você conhece a regra.
E foi assim...
que eu nasci.
É uma verdade universal que o dia do seu nascimento,
pode também ser o dia da sua morte.
Mais humanos são mortos pelas mãos de suas mães,
do que por estranhos.
Minha mãe tentou matar-me.
Mas o amor a confundiu.
Seu bilhete dizia:
"Esta é minha filha, Eleanor Webb."
Desejo-lhe uma vida pura.
Pagarei seu sustento com ouro,
que deixarei a cada mês de sua vida.
Desejo poupá-la de uma vida como a minha,
que foi usurpada desde o início.
Por favor, digam à ela que estou morta.
Então eu vivi de forma pura.
Entoei a canção dos órfãos.
Aprendi que a virtude e a modéstia
seriam o meu caminho para a felicidade.
O orfanato particular Northaven foi minha morada.
Gostaria de poder chamá-lo de lar.
Desculpe-me!
Merda...
- Isso é nojento. - Aqui.
Tenho que ir para casa.
Deixe-me chamar ajuda.
Estou com a sua bicicleta, não se preocupe.
Precisa levar pontos.
Foi se matricular?
O quê?
Entrou para a faculdade?
Eu não sei!
Deixe a bicicleta aí.
Odeio sangue.
Pode apertar a campainha, por favor?
Venha.
- Meu Deus, o que houve? - Ele caiu.
Meu Deus!
Mark! Mark!
Ele está sangrando!
- Frank! - Está tudo bem.
Eu seguro ele. Pegue as chaves.
É a namorada dele?
Onde estão as chaves?
Ele contou para você?
- Pegou as chaves? - Sim.
Aguente firme, Frank!
Meu Deus, Frank!
Boa garota.
Pode conseguir coisa muito melhor.
Gostaria de me beijar?
Que diabos... Por quê?
Para celebrar...
a minha malvadez.
O mundo ficará mais bonito sem você.
Tudo bem. Peguei você.
Está tudo bem.
Eu quero morrer...
Não, você não quer. Hoje não.
Se amanhã ainda quiser, eu mesma acabo com você.
- Olá? - Oi.
Ainda é hora de visitas?
Obrigada por levá-lo para casa.
Ele não me contou nada sobre você.
É o garoto ideal, não acha?
Estão juntos há quanto tempo?
Acabamos de nos conhecer.
Fico feliz.
Qual é o seu nome?
Eleanor.
Gabi.
Ele toma anticoagulantes.
Por isso sangrou tanto, é o que deve estar pensando.
Ele vem lutando contra a leucemia por anos.
Está em remissão agora, então esperamos que tudo isso acabe.
Tão cheio de vida...
Não conte para ele que estive aqui, por favor.
Anjo...
Que a paz esteja convosco.
Que a luz divina desça sobre a sua alma.
Você veio por mim.
Perdoe-me pelo que devo fazer.
- Oi. - Olá.
Você fala?
Fala inglês?
É tipo colegial?
É melhor ela pagar como disse, ou não direi mais nada.
Talvez façamos coisas lésbicas. Não me importo.
Essa é minha irmãzinha.
Ela não bebe nem curte. Deixem-na, entendeu?
Agora, seu cavalheiro está esperando.
Sejam profissionais, certo?
Ou voltarão a chupar paus na rua.
Fora!
Tentarei mantê-la fora disso, está bem?
- Para não me chocar? - Precisamos da grana.
Não estou reclamando.
Então tire esse olhar puritano do rosto.
Como vou tirar esse olhar se tenho visto isso por séculos?
O que mais deveria fazer?
Sei que não irá agradecer, perdoar ou respeitar.
Poderia ter feito melhor.
Coloquei dinheiro na mesa. É o que as mães fazem.
Mães se preocupam com a vida dos filhos.
Que tipo de vida é essa?
Os humanos precisam contar histórias.
É algo fundamental e que une a coisa toda.
É através das histórias que nos entendemos e
acabamos por entender o mundo.
Fechem os olhos.
A nossa experiência
é o ponto de partida para nossa criatividade.
Pense sobre a sua infância.
E quando eu disser seu nome,
dê-me uma recordação
um detalhe, um sensação, um sentimento.
A primeira coisa que vier na sua mente, certo?
- Eleanor. - Mãe.
O que tem ela?
Ela vinha pela claraboia toda noite.
Eu ficava assustada.
Por quê?
Porque tinham-me dito desde criança que ela tinha morrido.
E então?
Seu rosto na janela tinha mais o aspecto de um fantasma.
Está bem, obrigado.
Mesmo assim...
Sabia que não poderia viver.
Meu amigo, David Atkinson.
Sou o único que pode vê-lo.
EXPERIÊNCIA, CRIATIVIDADE, IDENTIDADE
Provavelmente por eu ser muito sozinho, tantas vezes.
E David Atkinson costumava aparecer
no meu quarto.
E brincávamos.
E acho que cresci sem ele.
Ele apareceu quando eu tinha cerca de sete ou oito anos.
Obrigado.
O engraçado nisso...
é que anos depois,
descobri que a família que viveu casa antes da nossa
foram os Atkinson.
Eles perderam um bebê, tipo, morte súbita.
E o nome do bebê...
era David.
Boa história.
Então, todos de pé. Agora, quero que pensem
sobre aquilo que são,
e da próxima vez,
gostaria de fazer um ensaio
intitulado...
EU SOU
Só tem uma condição.
Tem que ser verdadeiro.
Você não é daqui.
Esta é a cidade natal da minha mãe.
Viemos para cá quando fiquei doente.
O serviço de saúde aqui... é gratuito.
E eu estava...
de alguma maneira...
com poucos recursos financeiros.
Meu pai viaja.
Acho que não vai gostar, mas...
o que é que se pode fazer?
Minha mãe disse que foi me ver quando estava no hospital.
Ela... Ela acha...
que é minha namorada.
Isso seria tão ruim?
- Porque... - Porque seria fatal.
Olha, eu sei que estou doente e tudo, mas...
Não. Por mim.
Se vivesse com um segredo...
um segredo que significasse mentir e ficar sozinho...
e que sempre viveu assim
e ainda assim anseia por mudanças,
o que você faria?
Contaria o segredo.
Conte-me.
Minha mãe fez três coisas por mim.
Primeiro, poupou minha vida no dia que eu nasci.
Segundo, pagou pelos meus custos, sacrificando-se.
E terceiro,
contou-me uma história que jamais poderei contar.
Quando tinha seis anos, ela estava morrendo.
Mulheres como Clara não duram muito tempo.
Seus pulmões estavam apodrecendo,
mas ela agarrou-se com unhas e dentes a essa vida selvagem.
Onde estava? O capitão está esperando.
Capitão Ruthven havia retornado das guerras.
Certifique-se de puni-la, senhor.
De todas as prostitutas que ele já teve,
Clara era sua favorita.
Você vai gostar desta. Da luta.
Então, passado o inverno, um estranho veio.
- Não sente-se bem? - Não, senhor.
- Me lembro de você. - Devo ter mudado, senhor.
E quanto a mim?
Estou mudado?
Mudei.
Mais do que possa imaginar.
Abra as cortinas.
Maldita seja, puta! Dê-me a escuridão!
A luz o incomoda?
Darvell...
meu amigo.
Mas eu estava ao seu lado.
Te vi morto.
E agradeço por sua prestação.
O que você quer?
Não vim tirar nada de você.
Vim para dar.
Voltarei ao anoitecer.
Como você, prefiro a escuridão.
- Não! - Puta!
E respondeu suas perguntas com surras.
Como de costume, ela os suportou.
E ela aguardou o pior passar.
Que espécie de tempo você chama isso?
Tempo linear.
...assim como o tempo não dava descanso,
o capitão relatou a sua história acerca
dos eventos além de seu entendimento.
Houve rebelião na Irlanda.
Fomos destacados para acabar com tudo.
Ambos estávamos feridos por uma horda miserável.
Minhas feridas eram leves, mas Darvell contraiu febre.
Dizimou ele.
Tentei persuadi-lo a voltar para casa.
Bondade sua.
Sabia que a viagem aceleraria o seu declínio.
Darvell era rico... e ingênuo.
Não tinha herdeiro.
Comecei a desejar vê-lo morto...
Mas antes que o túmulo o levasse,
dois homens entraram em sua vida.
Estudiosos da morte, eu presumi
de línguas mortas e manuscritos antigos.
Como se culturas antigas pudessem livrá-lo da morte.
Tem pesquisado no lugar errado, meu filho.
Aqui está.
Obrigado.
Contou-me que tínhamos de encontrar um santuário,
um antigo mito que tinha poderes curadores.
Numa ilha ausente de vida natural, numa costa deserta.
Achei que fosse a busca desesperada
de um homem morrendo.
Parecia uma sinistra unha negra saindo do mar,
com mais rochas do que uma ilha.
Os remadores não queriam por o pé nesse lugar.
Disseram que era amaldiçoado.
O caminho era íngreme,
mas Darvell não parava a escalada de forma alguma.
Pensei... bem, esperava que seu coração cedesse.
Foi para descobrir isto que nos arrastou até aqui?
A cabana do eremita?
Odiava aquele lugar.
Tantos pássaros no céu.
Quase escurecia o sol.
Pareciam prever algo que desconhecíamos.
Mandou-me buscar água, mas sabia que era uma astúcia.
E encontrei seu corpo. Sua respiração tinha ido.
Sua alma tinha fugido.
E eu fugi.
Desde então não falei a respeito.
tirei-lhes os anéis...
e quando regressei...
apropriei-me dos seus bens.
Tudo o que tenho é dele.
O que ele vai fazer?
Saiba, Sr. Kent, esta mulher não é sua cunhada.
Ela está morta.
Este é um escudo e que ele contém é a pura maldade.
O que vai destruir é apenas o demónio...
- Eu vou. - Não, não. Eu vou.
Não é um pouco jovem?
Eleanor, ela está?
Porquê? O que ela é para você?
Eu li a sua história. Pode dizer, por favor?
Bem, ela não está.
Vai andando.
Dê o fora.
Ella.
Olha, entendo o que Claire teve que fazer, certo,
porque o dinheiro faz falta, mas...
Se não gosta do que Clara está fazendo, diga isso a ela.
Não gosta também, não é?
Por que ela é assim? Por que ela é tão...
O que houve com ela, Ella?
Foi mordida por um vampiro.
Fui?
Havia um garoto na porta para você.
Mandei-o ir andando.
Disse que leu sua história.
- Que história, Ella? - A que sempre conto.
Sobre cuidado doméstico e como minha irmã me resgatou.
É dever de casa.
Você me assusta às vezes.
Não.
Não vou.
- Puta história boa. - Valeu.
Mas a condição era que fosse autêntica.
Não o escrevi com essa condição.
Escrevi para você.
Não quero mais mentir.
Algo tem que mudar.
Mas isso?
É loucura.
Pensei que...
se eu contasse, minhas paredes desmoronariam.
Sim.
Acho que eu entendi,
que usa a história para contar as coisas ruins que aconteceram.
Mas... Porquê não conta a verdade?
Eu sou Eleanor Webb. Contei-lhe o meu segredo.
Já lhe disse como eu vivo.
Olá.
Quer ligar o toca disco?
Chama-se "Noite e Sonhos."
Que a paz esteja convosco.
Que a luz divina desça sobre a sua alma.
Acho que deveria ler isto.
Faço isso todos os anos.
É uma autobiografia simples e, recebi esta parte incrível.
É como se Edgar Allan Poe e Mary Shelley se unissem
e tivessem um filho um tanto quanto estranho.
"A verdadeira causa da minha vida e morte
desde me meu nascimento, em 1804."
Está de brincadeira.
Se isto fosse uma ficção, eu diria que é...
sombria, apaixonada, violenta, doentia, uma brilhante escrita.
Mas ela está dizendo: "isto é quem eu sou."
O que me leva a pensar que há algo acontecendo com ela.
Ela é uma jovem muito introvertida.
Bem, ela quer se comunicar, obviamente.
Quer dizer, olha o esforço que ela fez.
A sua caligrafia, a maneira de escrever.
Quem escreve assim nos dias de hoje?
"Quando a escuridão surgiu, o Soucriant regressou."
E o Capitão Ruthven preparava-se para o pior.
Guardei-as para mantê-las em segurança.
Perdoe-me, meu amigo.
Perdão é um valor cristão, Ruthven.
Meus deuses são mais antigos... Mais severos.
Você morreu.
Como é que uma pessoa pode encontrar a vida eterna?
Enviei-lhe para buscar água.
E conheci o santo sem nome.
É isso o que acontece.
- Quando? - Quando ora por ele.
Levantei-me e vi com olhos diferentes.
Tudo o que eu olhava era motivo de admiração.
Mas minha visão teve um preço.
Minha alma foi perdida.
O preço da minha existência é este sacrifício.
Ela flui a partir...
Flui a partir do sangue.
O sangue dele é seu.
Beba, meu filho.
Minha existência é cruel.
Mas você tem as qualidades necessárias.
Você será...
sempre...
- um sobrevivente. - Daria minha alma
para ser como é agora.
Que assim seja.
A vida eterna
só vem para quem está preparado para morrer.
- Olá? - Quer subir?
Obrigado.
Divirta-se agora.
Olá?
- Sr. Minton. - Olá, Noel, como está?
O quê? Peguei detenção ou algo assim?
Não. Na verdade estou tentando encontrar informações
sobre uma de nossas alunas atuais: Eleanor Webb?
- Deu esse endereço como dela. - Eleanor? Está tudo bem?
Estamos tentando marcar uma reunião com todos
- interessados em seu bem-estar. - Certo.
Os pais dela estão aqui?
Precisa falar com Claire.
É a irmã mais velha de Eleanor e responsável legal.
- Claire está aqui? - Não, ela está... ocupada.
Não é o que pensa. É o negócio da Claire.
Ela salva as garotas das ruas.
A questão é, Noel, Eleanor escreveu uma história
e nela, ela diz que vive com vampiros.
Então, pode por favor, entregar esta carta
e dizer a Claire que caso não ligue hoje, entrarei em contato
com o serviço social...
e com a polícia.
Merda...
Então Darvell deu o mapa e permissão para sua mãe?
Não, para o Capitão Ruthven.
Minha mãe viu a oportunidade e a agarrou.
Puta!
Puta! Puta!
Ela roubou o mapa e cavalgou pela noite
em direção ao seu futuro desconhecido.
E ela foi para onde? Para esta ruína e este...
Soucriant a levou?
Não lhe dei minha história. Fui atraída para tudo isso.
Pode sair a hora que quiser.
Então, quando foi que Clara voltou para pegá-la?
Quando eu tinha 16 anos.
O quê ela fez nesse meio tempo?
- Nunca falou sobre isso. - Mesmo?
Ela diz que não se lembra, mas suponho que minta.
Mentira é a base de sua vida.
Mas fui criada em um orfanato onde aprendi a dizer a verdade.
Há outros como você?
Nunca conheci ninguém.
E Clara nunca fala de ninguém.
Creio que somos as únicas que sobreviveram.
Com que frequência se alimentam?
Prefiro não falar sobre isso. Obrigada.
Esta é a parte desagradável de ser um imortal, não é?
Se não acredita em uma palavra que digo, por quê o fingimento?
Eleanor, como você pode ter 200 anos?
Por qual milagre da ciência?
Vê, é aí que está o complicado.
Porque só com o tempo é que posso provar.
30, talvez 40 anos daqui para frente,
quando estiver podando rosas de uma cadeira de rodas,
eu passarei pelo portão do seu jardim e direi:
"Olá, Morag".
E nada terá mudado.
Terei 16 anos para sempre.
Você perceberá isso, e doerá em seu coração.
e eu direi: "Que a paz esteja convosco".
E a ajudarei com a dor.
Por quê não fazer agora? Não sou forte, pode me dominar.
Não está pronta.
Como você faz?
Onde estão suas presas?
Por quê não morre com a luz do sol?
Como pode dar minha história para aquelas pessoas?
- Escrevi para você. - Como você mata?
Eu nunca...
As pessoas tem que consentir. Elas têm que querer.
- Querer a morte? - Tem que ser...
Quem diabos quer a morte?
Às vezes, liberta as pessoas.
- Então, tem ética? - Não.
- Sou implacável. - Besteira.
Todo esse: "Tenho 206 anos, lembro de tudo é e um fardo".
É patético.
Minha mãe me dará uma festa de aniversário.
Não é bem uma festa, pois só estou convidando você
- Você vem? - Sim.
Bom.
- Oi. - Feliz aniversário.
Para você.
Tenho que convidá-la para entrar?
É melhor você entrar.
- Olá de novo, Eleanor. - Olá.
Sério, pode tentar se quiser.
Tinha esperança de organizar um encontro mais formal,
juntamente com o diretor de escola e Eleanor presente.
Mas qual é o problema?
Porque ela muda frequentemente de escola.
Bem, Eleanor escreveu a sua autobiografia...
e persiste dizendo que é a verdade.
Espero que não leve isso como um elogio, mas...
descreve-se como uma Soucriant
o que acredito ser, um tipo de vampiro.
Bem, ela tem uma imaginação fértil.
Espero que tenha boas notas.
Quem mais leu isso?
É sua única tutora, não é?
Certeza que o namorado leu.
Muita responsabilidade para alguém tão nova.
Estou me saindo bem, obrigada.
"Atirei no bastardo do Ruthven e roubei o mapa."
E depois?
- Acaba assim, ela não diz? - É porque não lhe contei.
Deveríamos ter uma reunião mais formal...
Vi que Ruthven não estava morto.
Deveria tê-lo matado, mas tive pena dele em vez disso.
Mas, guarde esse pensamento, porque contarei o que me fez.
Mas antes, devo contar como foi para mim?
- Sim... - Foi incrível.
Eu tinha olhos que cortavam as mentiras
e pulmões que respiravam a eternidade.
Sentia que tinha vivido toda a minha vida miserável,
só para me preparar para esse momento.
Foi fácil.
Onde está Ruthven?
Não era digno de seu dom.
Roubou ele?
Somos ladrões, agora?
Roubamos o tempo?
Nós o compramos.
Com sangue.
Somos uma irmandade.
Não há mulheres entre nós.
- Qual a sua origem? - É muito humilde.
- E na sua vida anterior? - Ela conseguia o queria...
Era uma prostituta.
Mas isso foi no passado.
Algumas coisas são eternas.
Deveria ter encontrado um sangue nobre,
que apreciasse a irmandade e sua causa.
E o que é?
Somos os unhas afiadas da justiça.
Como usará esse dom?
Castigarei aqueles que atacam os mais fracos.
Para conter o poder dos homens.
Não deveríamos permitir que ela sobrevivesse.
Não temos escolha, a não ser que ela rompa o nosso código.
- Não tem lugar entre nós. - Jamais passará do que é.
Não vai falar por mim?
Fui banida...
aprendi que a imortalidade é insuportável quando sozinha.
Então regressei.
Observei minha filha crescer.
Era a minha única ligação com o mundo dos vivos.
Volte a dormir!
Volte a dormir!
Você!
Anda.
Foi por causa da Eleanor que infringi o código deles.
E como é que fez isso?
Não é permitido a mulher criar.
Levei minha querida para a ilha sem nome,
e deixei que essa coisa a salvasse.
E por conta disso, aniquilariam nós duas.
Como vê, cometi um erro grave.
Fui misericordiosa. Deixei o Ruthven viver.
Eleanor!
Eleanor!
Dê meus cumprimentos à sua mãe.
- Bem-vindo a uma morte lenta. - Eleanor!
Bem-vinda... Puta...
Não!
Morra! Morra!
Agora já sabe tudo.
Nunca sou misericordiosa.
E o conhecimento é algo fatal.
Quando nasci, havia apenas sete planetas.
Netuno ainda estava por ser descoberto,
por isso ninguém acreditava nele.
O céu e a terra estão repletos de coisas
que não compreendemos.
Tive um ano de quimioterapia.
Passei a maior parte do tempo, deitado na cama, então...
Eu fiz isso.
É você. Perto do sol.
Onde é quente e iluminado.
E esse sou eu.
Onde a luz mal penetra.
E é frio.
O tempo passa tão devagar.
Não é fria.
Tudo além do tempo está frio.
Se me beijar agora,
viverei para sempre?
Desculpa!
Espera!
Pare!
- Por que sempre foge de mim? - Se ficar comigo, morrerá.
Estou morrendo de qualquer modo.
Não é a vida que te ofereço. Você entende isso?
Perderá sua vida.
Por consentimento, tal como você faz.
Ainda assim é monstruoso.
Deixará tudo para trás.
Exceto você.
O presente que te dei, abra-o. Espere eu bater na sua porta.
Kevin?
Quer vir até...
Aí está você.
Estive preocupada. Claire não está feliz.
Fiz modificações. Mandei as mulheres embora.
Comprei passagem aérea.
Daqui para frente a casa terá ordem.
- Não, estou indo embora. - O que está falando?
O que acha que está fazendo?
Dizendo a porra da escola o que nós somos.
Odeio seu linguajar, me enoja!
Como atreve-se a pôr-nos em perigo!
Contando ao seu professor a nossa história!
Escutei sua merda sobre suas fantasias de morte e
o tempo todo quis dizer que fui negligente!
- Negligência, Eleanor, sua! - Pare com isso, Claire!
Existe uma regra que respeitamos e você a quebrou!
- E se me libertei dela? - Não!
Contar a outros é proibido. Os que sabem devem morrer.
- Criou isso para me isolar. - Não, mantive você a salvo!
Sua estúpida de merda! Mãe, eu te odeio!
Não, não, deixe-a em paz! Deixe ela em paz!
Não vá! Volte, Ella!
Saia!
- Eleanor! - Claire!
- Não pode partir! - Está piorando as coisas!
Não é seguro, Eleanor! Não pode partir!
Deixe ela ir!
- Não! - Claire?
- Não pode partir, não é seguro! - Clara!
Ela tem o direito de ir embora!
Não!
Sabe onde ela mora?
Sim, acho que é no hotel em frente ao mar.
- Ela confia em você? - Talvez.
- Nunca menti para ela. - Isso é bom.
O que vai acontecer?
Ela será levada para um lugar seguro.
Só queremos conversar com ela.
Contou ao seu namoradinho tudo sobre nós, não foi?
- Não! - Sabe o que acontece
- com aqueles que sabem? - Não faz isso! Clara.
É como um vírus, é mortal! É mortal e precisa ser contido!
- Clara, por favor, não! - Sei onde ele mora.
Não faça isso! Clara, não faça isso!
Clara! Clara!
Olá, Frank.
Onde está a Eleanor?
Deixou uma mensagem para você, posso entrar?
Então, terá que vir aqui, não é?
Devo admitir, você faz o tipo da Eleanor.
Sério, ingênuo, atraente, como um par de sapatos.
Sabia que não a deixaria ir sem lutar.
É o que sugere, Frank?
Uma luta?
Anda, acabe comigo.
Continuo tendo vantagem.
Ela vai te abandonar de qualquer maneira.
Frank! A Clara está indo aí.
Não abra a porta, não deixe-a entrar.
Estou presa aqui. Ela me pegou.
- Não deixe ela te pegar. - É tarde demais, amor.
Nunca vou te perdoar, Jamais, nunca te perdoarei!
Eleanor, que diabos está acontecendo?
É a Clara, tem que impedi-la!
Estão procurando-a, onde ela está?
Eleanor, tem que nos contar a verdade...
algo de horrível aconteceu ao Kevin.
- Clara Webb? - Quem é?
Sabemos quem você é, mãe prostituta.
Tomarei conta da Eleanor agora.
Ella!
Ella!
Eles são policiais, Eleanor. Estão aqui para te ajudar.
Temos que ir atrás do Frank!
Vamos ver o Frank, precisa de um médico!
Eleanor, não fuja! O que está fazendo?
Precisamos ver o Frank!
Não precisa das algemas, é criança!
- Eleanor, vou com você. - Com certeza.
Ficarei com você, aconteça o que acontecer, não tema.
Claro que não.
É um prazer conhecê-la, Eleanor.
Achava que Clara e eu fôssemos as únicas.
Com certeza ela te contou sobre a irmandade.
- Desculpe, do que estão falando? - Darvell.
É como eu imaginava.
Me ajude.
Onde está nos levando, porque acabamos
de passar pela delegacia e pelo hospital.
Sério, onde está nos levando?
Eleanor!
Ella!
- Ella! - Mãe!
Eles vão te destruir, Ella! Eles vão te destruir!
Darvell, deixe ela ir!
- Mãe! - Por favor!
Agora vou te mostrar, sua vagabunda.
Isso!
Meu Deus, você a matou!
Nada é assim tão simples!
Mãe! Mãe!
Com este ato, purifico a terra!
- Mãe! - Não!
Tenha calma, tenha calma.
- Quem são vocês? - Disse para se acalmar!
Detesto mulheres chorando.
Maldita seja!
Estive a sua procura durante muitos anos.
Matas apenas aqueles que estiverem preparados
e isso tem um certa elegância.
Foi condenada, no momento em que a Clara te fez.
Nosso código não permite que as mulheres procriem.
Nas suas histórias, você é incrível.
Tinha compaixão e respeito.
Você deu a sua vida.
Ela roubou essa vida.
Por favor. Por favor, detenha-o.
Ela matou um dos irmãos.
- E isso é imperdoável. - Não vá...
Incrível como duas garotas sem dinheiro e conhecimento...
escaparam de suas mãos por uma eternidade.
- Segure-a. - Ella!
Segure-a.
Não, não, não!
Não! Eleanor!
Traga ela aqui.
Traga ela aqui. O que importa é o agora!
Ella!
É a sua última noite, bruxa!
A sua última noite!
Eleanor!
Esta espada é de Bizâncio. Minha lembrança das cruzadas.
Que ele possa enviá-la para a eternidade.
Foi na praia, a primeira vez que nos conhecemos...
Mas fui com o Ruthven, para a minha condenação.
Mas era você, você era a pérola.
Veja como essa vadia usa suas artes até o último momento.
A honra é sua.
Faça o que quiser comigo, mas deixe ela ir, por favor!
- Segure-a bem. - Por favor, imploro, Darvell!
- Bem firme! - Ela morrerá de qualquer jeito.
Não conseguirá sobreviver só!
Eleanor, meu amor!
Você é realmente bondoso.
Tenho acompanhado por anos... Tão assiduamente.
Porque se não fosse eu que te encontrasse,
certamente eles teria te matado.
O que eles vão fazer, os outros?
A irmandade é forte, imutável.
Eles virão.
Com suas unhas afiadas da justiça.
Ele viajará conosco agora?
Você não virá conosco.
O quê?
Estou oferecendo-lhe a liberdade.
Não pode ficar para sempre com a sua mãe, não é?
Vamos.
Venha aqui.
Vá em frente.
Olhe para frente, nunca para trás.
Sempre.
Seu instinto é caçar os fortes e proteger os fracos.
Gostaria de tentar viver dessa maneira.
Viva sua vida como bem entender, isso não me diz respeito.
Se pudesse ter algo, o que seria?
O seu perdão?
Com o tempo.
Talvez.
Sua companhia, então?
Temos tempo.
Estou com medo.
Não tenha.
Sou Eleanor Webb.
Lanço minha história ao vento, e nunca mais a contarei.
Uma outra começa.
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