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- Estou? É o Genz. - É o Hess.
Acordaste cedo.
- Preciso de acesso aos arquivos de vídeo. - Está bem.
Preciso de aceder ao caso Hartung.
Não estás a trabalhar com a Thulin no caso da mão amputada?
Sim. Quando me arranjas o acesso?
- Vou fazer isso agora. - Obrigado.
Este é o interrogatório gravado de Linus Bekker
sobre a morte de Kristine Hartung.
As partes presentes são os detetives Martin Ricks e Tim Jansen,
e o advogado do suspeito.
Linus?
Pode dizer-nos o que aconteceu na quarta, 3 de novembro?
Pelas suas palavras.
Tive uma daquelas tardes agitadas e fui dar uma volta de carro.
Foi então que a vi.
A rapariga. A andar com a bicicleta.
O que fez depois com o corpo?
- Pode falar-nos disso? - Fui para norte com o machete no carro.
E depois cortei-a.
Enterrei-a na floresta.
Onde?
Não me consigo lembrar.
Não me lembro.
Aqui têm. Comam a fruta agora.
Vão lá.
A minha barriga dói um pouco.
Ouve. Estávamos só a falar, está bem?
Ninguém está chateado.
Está bem?
Bom dia, querida.
Olá, mãe.
Estás sozinha? Podes falar?
- Sim, acabaram de sair. - Tomaste a decisão certa, Anne.
Pode ser a decisão certa, mas não é fácil.
Eu sei, mas é a coisa certa a fazer.
Não sei os pormenores.
Mas o mais importante é cuidares de ti e das miúdas.
Eu sei.
Está bem. Até logo.
- E façam as malas. - Sim, vou levar tudo o que precisamos.
Amo-te, Anne. Lembra-te, não estás sozinha, está bem?
Também te amo.
UMA SÉRIE NETFLIX
O HOMEM DAS CASTANHAS
SEGUNDA, 12 DE OUTUBRO
Infelizmente, ninguém pode confirmar que esteve no motel na segunda à noite.
Ninguém viu o seu carro no estacionamento antes das sete da manhã do dia seguinte.
Detiveram o meu cliente durante 48 horas.
Mas ele diz que esteve no motel a noite toda
e que não fez nada, logo, a menos que tenham informações novas…
A Laura mudou as fechaduras sem o seu conhecimento. Porquê?
Já lhe disse.
O Magnus deve ter perdido as chaves de novo.
Sim, ou ela queria acabar a vossa relação.
Ela ligou-lhe naquela noite. O que queria ela?
Acabou consigo?
- Já perguntou isso. - Deve ser difícil.
Depois de tudo o que fez por ela e o filho.
Seria natural se fosse para casa falar com ela.
- Não fui! - Mas ela estava determinada.
Tinha acabado. O Hans tinha de sair e nunca mais veria o Magnus.
- Perdeu o controlo. - Não.
Cortou-lhe a mão esquerda, na qual tinha o anel de noivado.
Pare! Não pode deter o meu cliente muito mais.
Ele quer ir para casa e ver o rapaz assim que tiver alta…
Sim, por favor.
Mais uma questão.
Reconhece isto?
Não.
Ótimo.
Vamos embora.
O meu cliente quer ser paciente enquanto conduz a investigação,
mas quando pode ir para casa?
A casa está selada até acabarmos, por isso, terá de ser mais paciente.
- Vamos resolver isto. Obrigada. - Obrigada.
Abildgård, encontraste fotos do carro do Hauge?
Não.
As câmaras de trânsito entre Roskilde e Husum devem tê-lo apanhado.
É uma rota movimentada com muitos carros.
Eu sei, mas só te estou a pedir para encontrares um carro.
Thulin.
Quero mostrar-te uma coisa.
- Não estás aqui há dias. - Não, estava a ler sobre osteologia.
Está bem, então lês sobre ossos?
Sim.
Vem. O carro está em ponto morto.
Que está ele a fazer?
- Não volta para a Europol? - Não sei.
Estudei o caso Hartung.
O caso Hartung?
Antes de começarmos, preciso de saber que posso confiar em ti.
A sério.
A menos que demore o dia todo e desde que seja legal, podes.
Segundo o relatório da patologista,
Linus Bekker matou e desmembrou a Kristine Hartung com um machete.
Sim, ele confessou e as provas eram avassaladoras.
Encontraram a arma do crime na garagem dele
e a patologista disse com toda a certeza que havia sangue no machete.
Mas faltava algo. Trouxe um machete idêntico. E…
- Que raio é isso? - Podes agarrar?
- Agarra tu. - Vá.
- Tem de ser? - Sim.
Porque queres…
Queres fazer algo mais tarde?
A mãe deve ter reuniões até tarde.
Fazer o quê?
Não sei.
Algo fixe.
Pode ser.
O que queria a polícia na outra noite?
A mãe disse-te?
Não. Eu vi-os.
Não foi nada. Só um mal-entendido.
Não foi…
Não.
Está bem.
Amo-te.
Está bem. Adeus.
Vê por onde andas!
Mathilde?
Mathilde?
Olá.
Olá.
Como estás?
Estou bem.
Posso perguntar algo?
No outono passado, quando tu e a Kristine faziam bonecos de castanhas em nossa casa.
Como os fizeram?
- Bonecos de castanhas? - Sim.
- Fizeste a maioria deles ou foi ela? - Ambas fizemos, acho eu.
O que fizeram com eles?
- Vendemo-los. - A quem?
Pessoas que conheces ou pessoas só a passar?
Não sei.
Não sabes? De certeza que te lembras a quem os venderam, não?
- Vá lá! - Não as conhecíamos.
E tens a certeza?
- Pode ser importante. - Tenho de ir.
Desculpa.
Desculpa.
Não queria ficar aqui e…
Temos saudades tuas.
Também tenho vossas.
E dela. Desculpe, não posso…
Espere! Foi no ano passado?
Sim.
Não fizemos bonecos no ano passado.
Era demasiado infantil.
Não fizemos que chegue para as crianças enquanto estivemos no governo.
Isso acaba agora. Com o teu partido, gostaria de alocar mais recursos
para medidas de prevenção precoce. Sabemos como são importantes.
Precisamos de mais assistentes sociais nas escolas e creches,
e temos de melhorar as competências educativas,
para que o pessoal proteja as crianças antes…
Gert? Estou a aborrecer-te?
Nada disso.
Mas isto não é novo.
Sim, disse-o nas conversas do orçamento do ano passado,
mas não tivemos os votos necessários para aprovar uma lei.
Rosa, gosto de ti.
Lamento por ti e pela tua perda.
Mas acho que a primeira-ministra está a tentar explorar a tua situação.
Isso deixa-me enjoado.
- Bukke, acho que… - Não sei o que queres dizer.
Desde que te ausentaste, as taxas de aprovação do governo caíram.
Agora, a primeira-ministra está a tentar criar um orçamento grátis para todos.
Está a usar a ministra mais popular para agir como uma espécie de Pai Natal
para atrair os eleitores antes das eleições.
Mas esta causa sempre esteve perto do meu coração.
Não tem nada que ver com conivência política.
Ótimo, se o dizes.
Mas se a proposta é "grátis para todos", vamos discuti-la.
- Se oferecemos… - Não oferecemos nada, Frederik.
Tens de discutir isso com o teu grupo político.
Se me dão licença.
Se o Bukke está a pressionar, faremos o mesmo.
Gostava de marcar umas entrevistas. Hoje, se possível. E a semana toda.
- Quantas puderes. - É sensato?
A nossa política social deve ser comunicada e ouvida.
Podemos forçar o apoio do Bukke assim. Senão, ele parecerá fraco e indeciso.
E quando te perguntarem sobre assuntos não políticos?
Não tenho medo.
Ótimo, mas teremos de o gerir.
Precisamos de uma estratégia para não tocarem…
Em como tens saudades da Kristine…
Quão difícil é e se choras muito?
Rosa, não deve ofuscar a tua mensagem política.
Fui pedir uma sandes e estive ausente cinco minutos.
Quem escreveria isto?
HOMICIDA
Deixa-me chamar os PET.
Hess, explica-me o que estás a fazer com o porco!
Tenho uma reunião com o departamento em três minutos.
Está bem.
Pronto.
Agora, temos de o lavar.
A força e a densidade óssea assemelham-se às de uma criança de 12 anos.
- É uma afirmação justa? - Acho que sim, mas qual é o objetivo?
Hess?
Sim. Podes emprestar-me um microscópio?
Claro.
Quando se corta ossos,
deixam resíduos de ossos em fissuras e fendas na arma.
É praticamente impossível de remover.
A menos que a esfregues com vigor como o Bekker disse que fez.
Sim, e também o fiz.
Vejam.
Sim.
Está bem.
Está bem.
Não me digas…
Resíduo de osso. E depois?
A análise técnica da arma do crime
mostra resíduos de sangue da Kristine, mas não de ossos.
Talvez o Bekker não a tenha desmembrado?
A falta de resíduos na arma do crime é estranha.
Mas ele confessou o homicídio.
E a análise forense identificou o sangue da Kristine no machete na garagem,
o que significa que a matou.
- Genz? - Sim?
Temos de ir.
- Deem-me licença. - Claro.
Porque é que o Bekker não encontrava os locais onde enterrara o corpo?
Foi diagnosticado como esquizofrénico paranoico.
Condenado de uma série de crimes sexuais. Confessou e foi condenado.
Não vejo o que isto tem que ver com a morte da Laura Kjær.
Encontrámos um boneco com as impressões da Kristine no local.
Thulin?
Sim?
Alguém enviou um SMS para o telefone da Laura Kjær.
O que diz?
Normalmente, cancelamos o contrato da vítima após os exames forenses,
mas ouçam isto.
Homem das Castanhas
Vem para dentro Homem das Castanhas
Vem para dentro Tens castanhas
Para mim, hoje?
Quem enviou?
O número é privado, mas foi enviado da cidade.
Quando foi enviado?
Há umas horas, mas só o vimos agora.
Homem das Castanhas
Mas os únicos que sabem do boneco de castanhas somos nós e os Hartung.
- Quanto tempo até encontrarem? - Já estou a tratar disso.
Tens castanhas Para mim, hoje?
Fui tão idiota, querida. Desculpa.
Não volta a acontecer. Prometo.
Marquei a terapia de casal de que falámos, vamos fazer isso.
Amo-te a ti e às meninas. Não consigo viver sem ti.
Liga-me quando receberes a mensagem. Obrigado, querida. Adeus.
JOALHARIA BROOKER
Vá! O seu telefone!
- Telefone. - O que se passa?
Apanhámo-lo.
Laura Kjær, assistente dentária de 37 anos.
Enviou-lhe um ficheiro de áudio.
Não sei do que está a falar. Quem é a Laura Kjær?
O ficheiro de áudio não está aqui. Só muitas fotos de mulheres. Quem são?
- Não faço ideia. - Fotografa mulheres que não conhece?
- Sou casado. Não é o que pensa. - E a mensagem para a Kjær?
Ele tem outro telefone?
Não tenho mais telefones.
O que estão a fazer?
Não fiz nada, mas puseram-me num carro da polícia.
Rastreámos o ficheiro de áudio até si.
LAURA KJÆR CEDERVÆNGET 24, 2700 HVIDOVRE
É da Laura Kjær. Porque tem uma encomenda da Laura Kjær?
- O que está na encomenda? - Recebi uma mensagem e recolhi-a.
É privada. Não pode abrir.
Raios partam!
Deixe-me sair do carro. Agora!
- Deixe-me sair, porra! - É a Thulin. Quero análises no Lima 2.
Preciso que pense bem.
Como conhece a Laura Kjær?
Já disse que não a conheço.
- Onde esteve na segunda à noite? - O quê?
- Onde esteve? - Onde está a sua mulher?
- A minha mulher? - Onde está?
- Porque precisa de saber? - Onde está?
Em casa, acho eu. O que se passa? O que foi?
Fui tão idiota, querida. Desculpa.
Não volta a acontecer. Prometo-te.
Marquei a terapia de casal de que falámos, vamos fazer isso.
Amo-te a ti e às meninas. Não consigo viver sem ti.
Liga-me quando receberes a mensagem.
Obrigado, querida. Adeus.
Olá?
Olá?
- Ninguém em casa. - Vou ver em cima.
Sinais de luta no quarto e na sala.
A porta do jardim estava aberta. Ainda não revistámos a área.
Hess!
Denuncia o desaparecimento da Anne Sejer-Lassen. Rastreia o telefone.
Pergunta aos vizinhos se viram ou ouviram algo.
Precisamos da patrulha canina.
Chamem os cães.
Anne?
Anne?
Anne?
Hess!
Hess!
Por que raio alguém escreveria "homicida"?
- Os PET perguntam o mesmo. - Falamos sobre isso amanhã, Engells.
- Tenho de ir. - Sem problema, adeus.
É um governo minoritário.
Como pode ter a certeza que o partido de apoio a apoia?
Felizmente, a nossa coligação é forte,
logo, estou certa de que Bukke e o partido abrirão espaço no orçamento para isto.
Já que está aqui…
Depois de tudo o que passou, quão difícil é voltar?
Naturalmente, não sou a mesma pessoa.
Eu e o meu marido decidimos que a vida continua.
Pelo bem do nosso filho e pelo nosso bem.
Ajuda-me assumir responsabilidades que vão além da minha família.
Cuidado, vai queimar.
Estás a ir muito bem, querida.
- Ficas zangado comigo quando o vês? - Como assim?
Bem, eu a falar disso.
Não.
E não devias estar zangada contigo mesma.
Ligaste há pouco. O que era?
Encontrei a Mathilde na escola esta manhã.
Como está ela?
Enganamo-nos.
Não fizeram bonecos no ano passado.
Está bem, deve ter sido no ano anterior.
Rosa?
O ketchup?
Ouviste o que disse?
Porque encontraram as impressões da Kristine em Husum…
Steen, para. Não. Não aguento mais.
Gustav, jantar!
O que queres que eu pare?
- É estranho… - Para!
- Tento… - É inútil.
- Tento… - Steen.
Ela está morta.
De que falam?
Nada, querido.
- Queres Coca-Cola? Vai buscar uma. - Não, obrigado.
- Não me apetece. - Está bem.
Eras tu a pôr a mesa. Esqueci-me.
Vá, trata disso.
- Como foi o treino de ténis? - Foi normal.
O Henrik estava doente.
- Está bem. - Então, foi agradável e fácil.
Sim, ótimo.
E? Ganhaste-o hoje?
NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA
Encontrámos um boneco de castanhas na casa.
Há testemunhas?
- Pessoas com cães, a correr? - Estamos a tratar disso.
- Thomsen e Kragh, revistem a casa. - Entendido.
Abildgård, fala com o guarda-florestal quando chegar.
Sim. Ele já está aqui.
- Queres saber disto primeiro? - Sim.
Vou apressar-me.
Charlie 5 a caminho.
Vou bloquear a estrada…
Vi as notícias ontem à noite.
De certeza de que és a pessoa certa para investigar?
Sim, e esse é o problema.
- Vá. Deixa-me levar. - Obrigada.
Não te esqueças do festival de lanternas na escola da Le esta noite.
FESTIVAL DE LANTERNAS NA ESCOLA
Bom dia.
Não ouviu falar dos novos ecopontos?
Plástico, metal e biodegradáveis…
- Que horas são? - Está bloqueado?
- Podes parar com isso? - Anda cá.
Terá de fazer algo em relação ao chão, se quiser vendê-lo.
Onde está o meu telefone?
Há uma lixadeira na cave. Quer que traga?
E se procura um agente imobiliário, o meu amigo é bom a vender propriedades.
CORRESPONDÊNCIA
- Ótimo, obrigado. - Más notícias?
TERÇA, 13 DE OUTUBRO
As vítimas estão na casa dos 30, foram atacadas nas suas casas.
Exames preliminares mostram que morreram com uma pancada forte
que penetrou o olho e o cérebro.
A primeira vítima teve a mão esquerda amputada.
A segunda vítima teve as mãos esquerda e direita amputadas.
Provavelmente com uma serra elétrica, mas estamos a verificar os modelos.
E o telefone usado para enviar um SMS para o telefone da Kjær?
Tinha um cartão SIM pré-pago.
O número de série foi retirado, não o podemos rastrear.
- E quem enviou a encomenda? - Diz que foi a Laura Kjær.
O criminoso tinha deixado a encomenda à porta dela e um estafeta encontrou-a.
Inicialmente…
Inicialmente, suspeitámos do parceiro da Kjær, Hans Henrik Hauge.
Mas acontece que estava com a advogada ontem à noite.
Então, não temos porra nenhuma?
Presumimos que não estão ligadas.
Exceto pelos bonecos de castanhas e as impressões digitais.
Encontrámos bonecos de castanhas perto das duas cenas do crime.
Encontrámos uma impressão digital em ambos os bonecos
e os exames dactiloscópicos mostram
que as impressões são idênticas
às da Kristine Hartung.
O quê?
- Não pode ser verdade! - Ouçam…
Malta, é tudo o que sabemos agora.
Pode ser que as impressões digitais não tenham influência no nosso caso.
Quanto tempo têm as castanhas?
Não sabemos.
A faculdade de ciências da universidade diz que pode ter semanas ou anos,
dependendo do armazenamento.
Este caso afeta-nos a todos
e lembro-vos de que é estritamente confidencial.
Temos de reabrir o caso Hartung.
Uma impressão pode ser coincidência. Duas não.
Se são as impressões da Hartung,
a teoria do desaparecimento pode estar errada.
Estás a dizer que não fizemos o nosso trabalho?
Não, não estou. Não é nada pessoal.
Não estou a levar a peito.
Mas é estranho ser criticado por alguém
que só está aqui porque fez merda em Haia.
Hess, sabes quantos recursos temos neste?
Talvez o laboratório forense não fosse bom o suficiente?
Temos impressões novas e tem de lidar com elas!
Os colegas trabalham 24 horas por dia.
Não apresentes as tuas especulações, a menos que as sustentes.
Haverá mais mortes.
Que queres dizer?
Pensa num boneco de castanhas. Não tem mãos nem pés.
A primeira vítima perdeu uma mão. A segunda perdeu as duas.
Foda-se, não estás a dizer…
A Kristine Hartung e o boneco de castanhas ligam-nas,
logo, temos de falar com a família.
Eu falo. Não vão vocês!
Só quando puderem sustentar isto.
Esqueçam a Hartung. Deve-vos ter escapado algo.
Queria falar com a Thulin.
A sós, por favor.
Credo, ele é mesmo irritante!
Devo mandá-lo embora?
Acho que tem talento.
É tua responsabilidade.
Porque não me apoiaste?
Se tens medo…
Vais voltar a Haia, deixando-me a limpar a porcaria.
Olá, Sebastian. Podemos falar depois…
- Ou pode ser a recomendação para o NC3. - Obrigada.
Não sou o único que quer sair daqui.
Não sabes nada sobre mim.
Thulin!
O Erik Sejer-Lassen está na sala de reuniões.
Sejer-Lassen… Tem de haver algo.
Laura Kjær. A Anne conhecia-a? Terá falado dela?
Acho que não.
A Anne tinha medo de alguém? Ela tinha inimigos ou…
A Anne só queria saber da casa e das filhas.
Porque estava ela a tentar fugir?
A sua sogra diz que a Anne o ia deixar. Porquê?
Tive alguns casos.
A Anne sabia deles?
- Sim. - Então, ela queria deixá-lo?
Presumo que sim.
Ela fez as malas das miúdas. Parece um pouco duro.
Já disse tudo o que sei.
O nosso técnico encontrou resíduos de sangue seco no chão da sala.
De onde veio?
A nossa filha mais velha, a Sofia, caiu e partiu o nariz e a clavícula há meses.
- Ela foi para o hospital. - Qual?
O Central.
- Que ala? - Pediatria, acho? A Anne tratou disso.
É onde o Magnus Kjær estava a ser avaliado.
Olá. Ligámos-lhe há pouco.
Temos perguntas sobre duas crianças que deram entrada nesta ala.
Com quem falamos?
O médico especialista responsável. Está a fazer rondas.
Pode fazê-lo mais tarde. Temos pressa.
Posso ajudar?
As enfermeiras costumam conhecer melhor as crianças do que os médicos.
Queremos falar com o especialista.
Certo. Esperem ao fundo do corredor, vou chamá-lo.
Obrigada.
O Magnus foi observado cá para a avaliação dele por cerca de um ano.
A Sofia foi internada com uma fratura após uma queda em casa há uns meses.
Os miúdos conheciam-se? Ou talvez os pais?
Não. Não se pareciam conhecer.
Têm de perceber outra coisa…
… sobre esta ala.
- É um portal para outros serviços. - Quem trouxe as crianças?
Tanto quanto me lembro, as mães.
Terá de lhes perguntar para confirmar.
Mas estou a perguntar a si.
Sim, e dei a minha resposta.
Impressiona-me que se lembre deles.
E das mães deles.
Sim. Um dos aspetos mais importantes é fazer com que os pais se sintam seguros.
Claro.
- Então, conhecia bem as mães? - Sim.
Como assim?
Fizeram sexo?
Se esse é o seu tipo de interrogatório, gostaria de me focar nas crianças.
Não acabámos.
Ambas as mães estão mortas. O doutor é o fator comum.
Conheço a mãe do Magnus.
É a que conhecia melhor,
pois o diagnóstico de autismo do Magnus estava em curso.
Estava frustrada porque nada parecia ajudar.
Do nada, deixaram de vir.
Porquê?
Ela disse que a tinham denunciado a ela e ao filho aos serviços sociais.
Denúncia de quê?
- Os pacientes estão à espera. - Que esperem…
Espere! Houve uma denúncia aos serviços sociais?
Só sei o que a mãe disse,
mas disse que estava a ser acusada de negligenciar o Magnus.
Ela disse quem a denunciou?
Não.
Tanto quanto sei, foi uma denúncia anónima.
Mas era uma mãe amorosa, portanto…
Não é verdade.
Vamos buscar uma cópia da denúncia aos serviços.
Os PET dizem que a pessoa que vandalizou o carro
foi a mesma que enviou a ameaça.
Até eu podia adivinhar isso!
Quem é ele?
O carro estava estacionado num ponto cego da câmara de vigilância,
por isso não têm suspeitos.
Rosa, os PET estão a insistir em guarda-costas.
Certo, se não há forma de contornar.
Mas gostaria de contar à minha família.
Claro.
A primeira-ministra gostou da entrevista.
O MESMO ASSASSINO?
- O Bukke quer uma reunião. - Boa.
Sobretudo se concordarmos com algo. Diz-lhe para vir cá.
- Sim. - Obrigada.
O Chefe de Homicídios pediu para falar consigo e com o seu marido.
É urgente.
Obrigado por terem vindo. Serei breve.
Sei que a Rosa tem uma reunião.
A respeito de outro homicídio, encontrámos outro boneco de castanhas.
Com as impressões da Kristine.
A vítima é uma mulher. Anne Sejer-Lassen.
Conhecem-na?
Não.
Vivem em Klampenborg. O marido é Erik Sejer-Lassen.
Ainda agora começámos a investigar,
mas é provavelmente assédio malicioso direcionado a si.
- Porquê? - É o que gostaríamos de saber.
Os PET estão a ajudar e soube que recebeu ameaças.
Nada que me impeça de dormir à noite.
- Que ameaças? - Eu conto-te mais tarde.
Sei como isto é doloroso para vocês.
E prometo que vamos prender a pessoa rapidamente.
- Para que tenham paz. - Seria bom.
Só preciso de…
Sim?
Se voltaram a encontrar a impressão dela…
… não significa…
… que a Kristine possa estar viva?
Steen, temo que não. As impressões digitais podem durar anos.
Esta pessoa pode ter arranjado as castanhas há muito tempo.
Mas como pode ter a certeza?
É difícil aceitar o que aconteceu, mas não muda nada.
Desculpe.
- Nylander? - Sim.
Deem-me licença.
Fui ameaçada duas vezes.
Primeiro por e-mail e depois com grafíti no meu carro, mas não é nada.
Os PET vão arranjar um ou dois guarda-costas…
Não é nada?
Duas mulheres foram mortas. Estás a ser ameaçada.
Têm as impressões digitais da Kristine. O que é isto?
Rosa, acho que o motorista quer ir andando.
Não podes cancelar?
Desculpa, não. Vou reunir com o Bukke.
Não chego tarde.
- Obrigado por terem vindo. - De nada.
- Sim. - Obrigado, Steen.
BUSCA POR KRISTINE HARTUNG ABANDONADA
POLÍCIA PROCURA NA FLORESTA
Não, está tudo bem, Aksel.
Fiz compras para o festival de lanternas, por isso, vemo-nos na escola. Adeus.
Os serviços sociais receberam uma denúncia anónima sobre a Laura Kjær.
O remetente quer que tirem o rapaz de casa.
"A puta egoísta só pensa em si e não no rapaz."
"Devia ter tido juízo."
Também diz que há provas de negligência em casa.
- Está bem. E o que encontraram? - Nada.
E não sabem quem denunciou?
Não, é isso que significa "anónimo".
- E a Sejer-Lassen? Alguma denúncia? - O assistente social diz que não.
Vamos à casa da Laura Kjær de novo.
Muito bem, vamos a isso.
Tenho de voltar antes do festival de lanternas da minha filha.
Não tens ninguém à espera?
Sei que és casado. Talvez te tenha expulsado?
Vou ver a casa. Falas com os vizinhos.
- Certo. - Alguém denunciou a Laura Kjær.
Chaves.
- Olá, Francois. - Bonjour, mon ami.
O Wilkins diz estar disposto a esquecer.
Mas acho que devias pedir-lhe desculpa.
Sim. Logo falo com o Freimann.
É a melhor opção. Abri caminho para ti.
Obrigado. Muito bem.
- Vais voltar o quanto antes. - Até breve.
Está bem, ciao.
- Hess? - Encontraste alguma coisa?
Os vizinhos dizem que a família é simpática.
Ninguém viu nada que os fizesse denunciar anonimamente.
Não. Está bem.
Vai ter com o teu filho. Eu acabo isto.
E tranco quando sair.
Está bem.
O meu filho…
Ligaste!
Olá, Sebastian. Ainda no trabalho?
- Sim. O que se passa? - Só preciso de ver alguém são.
Olá, Thulin.
Podes pedir ao Abildgård para ver uma matrícula por mim?
- Claro, diz. - BS 23 512.
Ele liga-te quando a verificar. O que se passa?
Não sei, mas…
- Pede-lhe que me ligue depois. - Certo.
- Olá, pensei que estavas ocupada? - Estou. Tenho de sair em dez minutos.
Bem…
- Está bem. - Estava a pensar…
Não sei no que estava a pensar.
ABILDGÅRD
Tens de atender?
Abildgård, tudo bem?
Hess?
Polícia!
Vire-se.
Agora. Vire-se!
Hauge, o que faz aqui?
Não pode estar aqui.
O que faz aqui?
Foda-se!
Que foi isto?
O Hess?
Mova isso.
Abra!
Hess!
Pega no portátil!
Legendas: Helle Kaiser-Nielsen, Lara Brito
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