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As Am�ricas unidas, unidas vencer�o.
- Hoje � 2 de fevereiro de 1942... - Claudine?
As for�as russas acabaram de liberar...
a cidade de Stalingrado das for�as alem�s, em uma...
Esta � a Hora da Gin�stica, seu programa da manh�.
Luizinho?
Luizinho, meu filho.
Acorda, porque est� na hora de ir para a escola.
Ah, m�e...
mas eu j� sei ler!
Eu sei.
Eu sei que voc� sabe...
mas agora voc� vai ter coleguinhas...
uma professora de verdade...
vai ter uma escola que voc� vai gostar de ir todo dia.
Mas eu n�o quero ir pra escola. Estava bom do jeito que estava!
Larga a m�o de ser resmung�o.
Vai escovar os dentes...
Esse sou eu, Luizinho.
Ser� que d� pra ver que estou com a maior pregui�a de acordar?
Bem, acho que d�.
Sapato, mam�e?
Tem que ir chique pra escola.
Achei bom passar a ter aula na cidade.
Mas de sapato no p�?
De sapato?
Luiz!
N�o vai me sujar essa roupa, filho!
Luiz, est� ouvindo sua m�e?
B�n��o, pai.
B�n��o, m�e.
Pode ser um dia comum
Como outro dia qualquer
Pode estar debaixo da cama Ou depois da porteira
Onde voc� quiser
Pode vir de manh�, feito beijo Na testa, na hora da gente acordar
Pode vir de tardezinha Quando voc� voltar
Pode ser fruta ca�da do p�
Ou palavra escondida Num verso qualquer
E vai
Vai mudar sua vida Vai
Vai mudar
Eu n�o sabia que o meu primeiro dia de aula...
ia ser o come�o de uma grande aventura!
Uma est�ria pra gente n�o esquecer nunca.
Ah, eu n�o sou o her�i dessa aventura, n�o.
A principal personagem dessa est�ria � uma hero�na.
Uma hero�na mais bonita do que a Mulher Maravilha!
Minha filha, toma seu caf� direito l� na mesa!
Parece que est� com o bicho carpinteiro!
Ai tia, � que hoje � meu primeiro dia de aula.
Mas fica calma! Vai dar tudo certo.
� tia, a senhora s� sabe tocar isso, �?
Voc� sabe que a pianista da fam�lia era sua m�e!
Como voc�s sabem, todo her�i tem seu fiel escudeiro.
Vamos, Cate!
Como o Robin � do Batman.
Essa a� � a Miri�m, a fiel escudeira da nossa hero�na.
Cate!
Voc� n�o vem n�o, �?
Oi, Miri�m!
Ai, a menina est� t�o nervosa!
Eu tamb�m fiquei assim no primeiro dia.
Mas espere s� um instantinho que ela j� vai descer.
Est� bem.
A� est� a minha cidade.
A mais bonita do mundo!
� aqui que a est�ria que estou contando vai acontecer.
Oi, Miri�m!
Espera s� um minutinho que agora ela vai mesmo!
O que voc� est� fazendo a� parada?
A gente est� atrasada! Vamos!
Mas... Ai, meu Deus, � doida!
Vamos.
N�o vai se despedir n�o, �?
- Espera, sua maluca. - Vamos.
S�! V� por onde anda?
Est� parecendo um capiau!
Retira o que voc� disse.
Eu disse que voc� � um capiau.
Retira, ou quer que eu te d� uma sapatada!
Vem!
Espera a�, pode ser depois da aula?
Uai... por qu�?
Minha m�e pediu pra eu voltar limpinho pra casa.
Est� bom. Depois da aula, atr�s da igreja.
- Quem � esse capiauzinho a�? - Capiau?
Voc� n�o sabe o que voc� arrumou!
Ent�o eu te desafio pra uma briga!
Agora?
N�o, depois da aula, atr�s da igreja.
Est� bom. Depois da aula, atr�s da igreja.
Dona Carminha? Antip�tica. De "inha" n�o tem nada.
Dona Bemvinda? Monstra.
Dona Izilda? Dona Izilda, sa� de baixo.
E todas s�o "Dona", Miri�m?
Claro, uai!
Toda professora � "Dona", minha filha.
"Dona Catarina"!
"Dona Catarina"...
Ai, ai, n�o sei, n�o!
- Vamos, Mad�! - Estou indo!
Ferradura nova, n�, capiau?
- Eu n�o sou capiau! - N�o �?
Ent�o eu te desafio para uma luta.
- Onde? - Depois da aula, atr�s da igreja.
Desculpa.
Ah, sim. Toda est�ria que tem her�i tem que ter vil�o.
Como � que � mesmo o feminino de vil�o?
Dona Catarina?
Sua sala.
Assim que ela entrou na nossa sala...
todas as meninas quiseram ser lindas.
E todos os meninos quiseram crescer na hora pra casar com ela.
Bom dia!
Bom dia!
Sentem-se.
Meu nome �...
Catarina Roque.
Mas voc�s podem me chamar de Cate.
Dona Cate!
Onde � que eu botei aquela lista de chamada?
Voc�s sabem ler?
Ler e escrever!
Voc� � a...
Ana Maria Cibele.
Cibele, distribui essas folhas pra mim.
Agora, cada um de voc�s vai escrever o pr�prio nome...
e colocar aqui na mesa pra mim.
Pode parar, pode parar!
Voc�s v�o escrever o nome todo, s� que do colega ao lado.
N�o h� vantagem em saber escrever o pr�prio nome.
� de casa!
Ah, at� que enfim!
Esse � o Monsenhor, tio da nossa professora.
Trouxe p�o e um queijo novo que apareceu l� na padaria.
Voc� nunca demorou tanto.
Ele tem que fazer regime.
Minha noite n�o foi das melhores, Aparecida.
Mas olha s� o caf� da manh� que a irm� dele faz.
Que mesa!
E a menina?
J� est� l� na escola, dando as aulinhas dela.
Ela � t�o novinha, n�?
Novinha? Na idade dela, a m�e j� estava noiva.
Pacheco!
E a minha manteiga?
U�, manteiga? N�o, senhor.
Eu trouxe queijo sem gordura.
Voc� sabe que n�o pode comer manteiga!
N�o fala assim comigo que eu fico com medo.
Veja, as mulheres da minha vida!
Mam�e, Tiana, Cida!
Pe�o a Deus para que Catarina n�o fique chata como as outras.
Voc� anda estragando muito essa menina com seus mimos.
Mimando, estragando nada...
Voc� sabe que ela sempre foi especial.
Por falar em especial, sabem quem est� chegando?
- Quem? - Alberto.
Betinho! Ele vem visitar a gente?
Como visitar? Ele vem pra ficar.
Foi nomeado o novo p�roco daqui.
Aqui, professora.
Obrigada.
Mas em cima do que voc� se sentou, menino?
Em cima de um ovo de passarinho.
M�e de Deus, mas o passarinho botou um ovo na carteira?
- Foi o Wanderson! - E tenho cara de ser passarinho?
A senhora tem que botar ele de castigo!
Castigo! Castigo!
Gente, mas quem pode provar que foi o Wanderson que botou o ovo?
Eu n�o sou passarinho!
Momento! Momento!
Como eu posso castigar o Wanderson se n�o tenho certeza de que foi ele?
Eu n�o sou...
Eu tive uma ideia!
Os dois meninos aqui, aqui, aqui!
N�s vamos resolver isso fazendo um j�ri.
J�ri?
Um julgamento.
Professora! Eu posso ser a advogada de defesa?
- N�o! Cibele, n�o... - Pare, Mad�.
Menina tamb�m pode ser advogada, n�o pode?
Pode sim, Cibele, pode ficar aqui.
- E eu, de acusa��o! - Pode sim, pode ficar l�.
E voc�s todos ser�o os jurados.
Dona Cate?
Eu precisava muito falar com a senhora.
Que foi, Cibele?
- Sabe o Luizinho? - Sim.
Ent�o, o Ant�nio, o Paulo e o Milton v�o bater nele...
atr�s daquela igreja ali.
Ai, meu Santo! Lsso n�o pode acontecer.
�, Milton. Acho que ele n�o vem.
Desculpe o atraso.
Demorou por qu�? Estava tirando o sapato?
Seu capiau!
E vai tirar a camisa, tamb�m?
Minha m�e disse pra eu voltar limpinho pra casa.
Ent�o, quem vem primeiro?
N�s tr�s vamos bater em voc�.
Para, gente! Para!
N�o sejam covardes.
Uns meninos t�o bem-educados!
Vamos dar uma li��o nesse capiau!
Tr�s contra um?
Voc�s conhecem a hist�ria dos Tr�s Mosqueteiros?
O que ia ser uma batalha sangrenta...
virou o come�o de uma grande amizade.
Os Quatro Mosqueteiros!
Paulo, Milton...
Ant�nio e Luizinho!
N�s somos os Mosqueteiros
E uma Mosqueteira.
N�s vamos cantar
Um por todos
E todos por uma!
- M�e! - Fala, lzilda, minha filha!
Quando � que vai ter lua cheia de novo?
Veja a� na folhinha, Mariana.
Est� certo.
Volte aqui, Otelo.
Preciso saber, m�e, sabe por qu�?
Porque padre novo s� chega na lua cheia.
- Padre novo? - �, m�e!
Lembra do Beto, afilhado do monsenhor?
Aquele que foi l� pra Roma estudar pra ser padre...
e que voltou antes da guerra come�ar?
Ent�o, ele est� voltando pra c�, m�e!
E, al�m de padre, ele vai ser o novo inspetor de ensino.
N�o diga?
Meu querido! Que bom que voc� veio!
Oi, padre Beto.
- Prazer em v�-Io. - Voc� est� alto.
Monsenhor...
N�o acredito!
� voc�, Catarina?
Meu Deus, mas voc� ficou uma mo�a muito bonita.
Obrigada. Voc� est� fant�stico de padre.
E voc�?
� a Miri�m. Miri�m, do Dr. Leopoldo, n�o lembra?
Nice to meet you!
The pleasure is mine!
Que � isso, Miri�m, ficou maluca?
U�. Dizem que ele fala quatro l�nguas!
E depois a maluca sou eu.
O Beto ficou um pecado!
Meu Deus, peda�o de mau caminho!
Com aquela batina?
O capeta se disfar�a, minha filha!
Para com isso, para com isso!
Cada vez que eu celebro uma, � uma emo��o que se renova.
- � o prefeito. - O prefeito est� aqui.
Meu amigo, o prefeito.
- � o prefeito. - E, eu sei, eu sei.
- Aqui, para o monsenhor. - Deixa que eu sirvo.
E a�, ouviu o Carlos Frias?
Os russos entraram em Berlim.
�, agora � que estamos perdidos, Garibaldo.
Que nada, que nada, monsenhor.
O comunismo � que vai salvar o mundo.
Isso � uma ilus�o.
Vai come�ar outra guerra.
Monsenhor n�o � de ca�ar confus�o. Ele gosta � de festa.
N�o �, Rodolfo?
Voc� estava na festa de Nossa Senhora do Ros�rio, ano passado?
O Monsenhor trouxe at� time de futebol da capital.
Voc� precisava ver.
No dia de jogo tem que tirar o vinho da missa da frente dele!
Por falar nisso, me lembrou uma coisa aqui.
Voc�s se lembram quando a gente era menino...
O qu�?
O dia em que a gente roubou o vinho do Monsenhor?
Esse foi o primeiro pileque das nossas vidas, s�!
Carlito! O rapaz n�o parou de beber at� hoje.
E voc�s se lembram quem estava com a gente, al�m do Carlito?
O Beto!
O Beto?
Padre Beto!
Estou dizendo, rapaz. O Beto era �timo.
Ele era cria do monsenhor.
A m�e da Cate tinha morrido.
O Beto � que tomava conta dela. Igual a um cachorrinho.
Eu � que queria ter sido bab� dela.
Mas eu me lembro, t�o bem!
Um dia, no piquenique...
Padre Beto era um menino.
Tem uma menina se afogando!
Cate?
Cate!
Cate!
Cate!
Beto, voc� � o meu her�i!
Rapaz!
O Beto deu um abra�o na Catarina.
Precisava ver. Ensopou a menina toda.
Ningu�m sabe se foi por causa da roupa molhada...
ou se foi por causa das l�grimas.
Porque o Beto chorava tanto, mas chorava tanto.
Mas o Beto sempre foi um mo�o danado de bom.
Sempre foi um mo�o sensacional.
Professora, para a senhora.
Ah, obrigada. Muito obrigada, Robertinho.
Cibele, o que � isso?
� ma�� para a professora.
- Ela est� doente? - N�o estou dizendo? � um Jeca.
Luizinho, � chique dar ma�� de presente para a professora.
� h�bito.
�, aprendi mais esta.
Professora? Um momento.
- O que... - O que voc� vai fazer?
Muito bem, Cibele! Muito bem.
- Que � isso, Cibele? - N�o leram o que est� no quadro?
"Debaixo da �Itima carteira tem um presente.
Quem ler esta frase primeiro, pode ir l� pegar o presente."
Muito bem, Cibele. Pode voltar.
Viram s�? N�o gostam de ler...
Agora, voc�s v�o gostar de ler e muito!
Luizinho, distribua esses gibis pra mim.
; Gibis, professora? - E. O que � que tem?
Mas gibi � pecado!
Quem te falou isto, menino?
Padre Beto, na aula de catecismo.
Ai, meus sais, o Beto.
N�o � pecado, n�o!
Olha s�, mesmo assim...
quando eu estiver com o padre Beto, vou pedir para ele te perdoar.
Jura?
Bom dia, crian�as!
Bom dia, inspetor!
N�o precisam me chamar de inspetor. Padre Beto.
- Bom dia, Cate. - Bom dia.
Ent�o, voc�s t�m estudado direitinho?
- Sim! - Sim!
E t�m feito os deveres de casa?
Padre Beto?
N�o temos deveres para casa.
N�o t�m?
N�o tem, n�o.
Tudo que eles t�m que aprender, eles aprendem aqui.
Que hora eles v�o brincar?
Ent�o posso saber o que voc�s estavam fazendo at� agora?
Lendo gibi.
Sei.
E voc�, Dona Catarina?
"Entre duas Almas", de M. Delly.
J� leu?
Crian�as, na pr�xima aula, a professora Catarina...
vai trazer um material de leitura mais apropriado para voc�s, viu?
Tenha d�, Beto!
Beto?
Depois a gente conversa.
Muita conversa!
A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Voc� n�o acredita.
Costuma se embriagar
Pedro, eu acredito em tudo! Tudinho!
Vou acabar perdendo o meu emprego l� no banco.
Ando numa distra��o.
Vai claridade buscar
Espera a�. J� sei!
Esses olhos de peixe morto... Voc� est� apaixonado?
S� se for demais!
Rapaz!
J� n�o acho mais as diferen�as no final do dia.
Rapaz, fico s� escrevendo poesia.
J� cheguei a escrever poemas pra ela. Deixa eu mostrar pra voc�.
N�o, n�o, n�o. N�o mexe com isso, n�o.
N�o precisa, n�o vai dar certo isso.
N�o � muito o estilo dela, n�o.
Estilo?
Toda mulher gosta de verso, Carlito. Todinha.
E de flores!
N�o �, n�o, Rodolfo?
Eu mandei flores.
- Pra quem? - Pra Cate?
� claro!
Ou acha que � s� voc� que est� apaixonado por aquela formosura?
Onde � que voc� arranjou flor pr'aquele anjo...
aqui na cidade, hein?
N�o tem jardim na frente da sua casa.
S� tem horta no quintal.
Rapaz, e o jardim da matriz? Est� a� pra qu�?
- Miri�m! - Oi, Cate!
Voc� n�o vai acreditar!
Acredito, acredito em tudo! Tudo.
Ent�o venha aqui!
Olha isso, Miri�m.
Olha! Olha isso!
Os rapazes mais bonitos da cidade...
ficaram todos apaixonados por ela.
E ela continuava inventando coisas novas...
pra gente entender a vida.
Posso saber o que voc�s est�o fazendo na minha sala a esta hora?
O dever de casa, diretora.
Agora ela est� dando dever pra casa...
E, por acaso, a minha sala � a casa de voc�s?
� que, na nossa casa, n�o tem nem mapa nem globo.
E o que voc�s est�o procurando a�?
Um pa�s, diretora, chamado Kubakalan...
que a professora mandou procurar.
Kubakalan?
Vai dizer que voc�s n�o sabem onde fica?
- N�o sabemos. - N�o sabemos.
Ent�o v�o estudar!
Pra casa, todo mundo!
Kubakalan, gente? E coisa de Asia?
Vejam s�, procurando um pa�s que n�o existe...
a gente pode descobrir um monte de pa�ses de verdade.
At� que aprendi uma coisa que eu n�o sabia antes!
Que foi, Luizinho?
Que a gente vive � fora do globo...
e eu achava que era dentro!
- Dentro? - Que ideia!
- Como bicho de goiaba? - Isso!
E esse c�u azul a� em cima, era a casca da Terra.
N�s, dentro. E o c�u, do lado de fora.
- La caber gente demais no c�u! - Mais l� do que c�, n�o �, Paulo?
Sabe, pai, estou preocupado com as bombas voadoras.
As bombas voadoras?
�, dos alem�es.
Pai, eu vi o globo terrestre. E tudo pertinho demais.
Voc�s j� est�o estudando geografia?
Mas olha, filho, a Europa fica longe demais daqui.
N�o fica, n�o. Eu medi com meu palmo.
A guerra j� est� acabando.
E as bombas voadoras nem existem mais.
Pai, o senhor tem olhado o c�u?
Ontem mesmo, eu vi uma passando l� em cima.
Acho que vou ter que explicar a ele o que s�o estrelas cadentes.
Deixa por conta da Cate.
Olha outra ali!
Passou.
Uma coisa que ela gostava muito, s� vendo...
era conversar com o Monsenhor.
Ele era como um av� para ela. Tinha uma paci�ncia!
- Minha princesa! - Como o senhor est�, tio?
Que bom voc� ter vindo. Eu estou bem, minha filha.
Estou muito bem. S� uma falta de apetite...
Falta de apetite? Sei. S� que o senhor vai comer.
�, eu sei que tem que comer. Mas, sem fome, como vou comer?
- �, tio? - Sim.
N�o sei se o senhor vai entender.
Eu queria lhe perguntar umas coisinhas.
Se acha que n�o vou entender...
para qu� perguntar essas coisinhas, Catarina?
Ah, tio, isso � maneira de falar.
Ent�o me diga o que �.
Tio, o senhor...
o senhor j� amou?
Minha filha, n�o h� neste mundo...
nenhum sentimento humano que eu j� n�o tenha experimentado.
Voc� me pergunta se eu j� amei.
Sim, minha filha, eu j� amei.
Mas n�o era isso que voc� queria me perguntar.
Voc� queria me perguntar se eu entendo de amor.
Minha filha, o amor s� serve quando ele d� em dois cora��es...
que se ligam para sempre.
Este, � o amor que voc� tem que encontrar na sua vida.
Um dia, ela resolveu sair com a gente da sala.
Onde � que voc� pensa que vai com essas crian�as?
Vou lev�-las para o mundo!
Ah, n�o, elas n�o podem estar fora do �mbito da escola, meu bem.
Como eu n�o sei o que � �mbito, voc�s me desculpem. Crian�as!
Francamente, lament�vel!
M�rio, M�rio, quem diria...
Voc�, o professor de geografia do gin�sio.
Eu mesmo ia precisando de um.
Mas nunca imaginei que pudesse ser voc�.
A vida � cheia de sustos, Cate.
Muito gentil da sua parte dar aula para os meus meninos.
Aqui, crian�ada, aqui est� bom demais.
Eu quero que voc�s olhem l� para baixo.
Voc�s v�o ver e v�o desenhar tudo o que est� aqui.
Aqui, � direita, n�s temos as colinas.
Logo ao lado das colinas, n�s temos a serra.
L� no fundo, voc�s podem ver os picos.
E, aqui na nossa frente, bem pertinho, � o lago.
Quem � que reparou que tem uma ilha no meio do lago?
- Eu! - Eu!
E voc�s repararam que a ilha est� cheia de mata?
- Sim! - Sim!
Ent�o eu quero que voc�s desenhem tamb�m. M�os � obra!
Naquele dia, ela nos ensinou que a sala de aula...
podia ser do tamanho do mundo inteiro.
Veja s�, l�ngua complicada, essa nossa.
Agora vou ter que explicar para eles...
que acidente n�o � desastre.
E que uma por��o de terra nem sempre � muita terra.
Se tivessem me ensinado que fra��o era peda�o...
eu teria aprendido aritm�tica.
Viu, s�?
E o amor, Cate? Voc� sabe o que �?
Claro. Claro que sei, M�rio.
Como � que voc� lida com isto?
Eu nunca vejo voc� com ningu�m.
Quero dizer, vejo com todos.
Eu li que � assim.
Mesmo que a gente tenha muitos amores...
tem um s�, que � o destino da gente.
- Fica marcado na pele! - E. Assim, como tatuagem.
Pode ser.
M�rio, voc� acha que a gente tem que conversar sobre amor?
Que tem que dizer "Eu te amo?"
Perguntar "Voc� me ama?" Voc� acha?
� Cate... N�o precisa, n�o.
N�o precisa, n�o. Que nada.
A gente tem mais � que conversar sobre tudo.
At� porque, o amor, amor mesmo...
que � a marca que n�o apaga...
quando chega, a gente logo reconhece.
Quer dizer que eu n�o preciso dizer "te amo".
Lh, M�rio, n�o precisa.
Eu acho que os dois sabem quando n�o � preciso dizer.
Eu tenho que me lembrar disto.
Que dia, hein?
Danado de bonito!
Eu tenho certeza de uma coisa, Luizinho.
Eu nunca vou esquecer esse dia.
�, nem eu.
O dia em que a gente aprendeu geografia.
A b�n��o.
Eu, pecadora, me confesso.
Eu, pecadora, me confesso.
Monsenhor! Monsenhor, acode, gente, acode!
Toma �gua, tio, toma.
Beba, beba.
Obrigado. Obrigado.
- O senhor est� bem? - Eu estou bem, estou bem.
N�o se preocupe. Meu filho, fique no meu lugar...
- porque a fila est� muito grande. - Sim, senhor.
- Eu vou com o senhor. - N�o, fique aqui.
- Deixe que eu cuido dele. - Ele cuida de mim.
Pode vir, Monsenhor.
Vou ajudar, ent�o. Cuide dele, Pachequinho.
Claro.
Voc� n�o vai confessar, n�o?
Com o Beto? Nem pensar!
Onde j� se viu?
Veja s� se vou confessar meus pecados para ele!
Mas vou, viu!
Eu vou confessar com ele! Vou contar tudinho, tudinho!
E voc� vai ter coragem?
U�? N�o preciso contar a verdade.
E vai mentir? Isso � pecado, viu?
S� n�o vou contar a verdade.
Voc� acha que vou perder a chance de ficar ouvindo aquela vozinha doce...
aqui no meu ouvido, me dando conselhos?
Mas n�o estou dizendo? � uma pecadora.
- Pecadora! - Pecadora, pecadora...
L� estava Dona lzilda.
Sempre de olho na vida de Dona Cate.
M�e? Esta � a cidade do pecado!
N�o exagera, filha.
Sabe o Rodolfo Valentino? Que � a paix�o das mo�as daqui?
A senhora precisa ver o jeito que ele fica com a sobrinha do Monsenhor.
Olha l�.
"Permaneceram assim longo tempo, na embriaguez da felicidade.
S�o profundas e silenciosas as grandes alegrias..."
Era bom demais ficar ouvindo ela ler para n�s...
as mais lindas hist�rias de amor. Era como seguir uma novela de r�dio.
"E os beijos de Elias tinham mais eloqu�ncia que as palavras."
Que sil�ncio!
�s vezes, fica assim.
"Nesses primeiros instantes em que os dois sentiram, enfim...
bater juntinhos os cora��es. Somente de alguns dias para c�..."
Continua amanh�.
Ah, professora, no melhor peda�o!
J� para casa.
J� para casa.
L� v�o elas para o cinema novo.
Sempre inventando moda.
Como vai?
O senhor pode chamar o Sr. Floriano?
Mo�a, o gerente do cinema n�o � mais o Sr. Floriano. E o Sr. Palmiro.
- Ent�o, chame o Sr. Palmiro. - Ele n�o assumiu ainda.
Ent�o, quem est� respons�vel pelo cinema?
� o Sr. Floriano. A senhora quer falar com ele?
N�o, Sr. Bidu. Ela quer falar com Deus.
Ai, meu Deus, isso aqui � um cinema, n�o � uma igreja.
Sr. Bidu, o senhor pode chamar o Sr. Floriano.
O gerente do cinema n�o � mais o Sr. Floriano. E o Sr. Palmiro.
- Eu vou matar esse camarada. - Miri�m, espera, calma.
Eu tive uma ideia. Sr. Floriano! Sr. Floriano!
Quem chamou?
Viu s�?
As professoras n�o conseguiam entender...
porque a gente voltava voando para a sala de aula.
Olha a pressa deles para entrar na sala, gente.
Essa mocinha � muito esquisita, mesmo.
Francamente!
Luizinho, voc� trouxe uma ma��?
N�o. Na fazenda n�o tem. Mas trouxe uma goiaba.
Goiaba?
Do meu p� de goiaba branca.
Meu p� de goiaba branca. Bom t�tulo para um livro.
Luizinho?
Muito obrigada, viu?
Est�o todos presentes?
Falta Zequinha, meu primo.
A m�e dele mandou avisar que ele est� doente.
- Falta mais algu�m? - N�o!
Ent�o est� feita a chamada!
Antes de ler mais um cap�tulo do nosso livro...
tenho uma novidade para contar para voc�s.
Qual �?
Falei com o Sr. Floriano, do cinema.
Ele disse que vai passar um filme...
o filme que eu vi domingo, s� para n�s!
Oba! Quando?
Calma, Cibele, n�o precisa ficar agitada. Eu ainda vou marcar a data.
� que eu queria falar com a senhora em particular.
Meu Deus, temos segredos.
Acho que temos. Eu tamb�m queria falar com a senhora.
- Eu, tamb�m. - Eu, tamb�m.
Nossa, quanto mist�rio. N�o pode ser agora?
Mas com esses meninos?
Mas n�s tamb�m temos os nossos segredos.
Vamos fazer o seguinte.
Quando terminar a aula, os meninos v�o para casa...
e as meninas que quiserem ficar para conversar comigo...
podem ficar aqui na sala. Okay?
Meninos, acabou a aula. Para casa!
Opa, para casa, meninos! Fora, vamos.
Mas n�s tamb�m queremos ficar.
Tamb�m temos nossos segredos.
Hoje � o dia das meninas. Para fora, vamos. Fora, fora, fora.
Lh, complicou!
Ela mandou, est� mandado.
Mas que coincid�ncia.
Voc�s sabem que, ontem mesmo, eu falei sobre isso com meu tio.
- Com o Monsenhor? - �.
E ele entende de amor?
�! Se entende...
E, se voc� gosta de um menino, e tem vergonha...
n�o quer que ningu�m saiba, n�o quer contar para ningu�m?
Eu j� sei.
Eu vou ensinar para voc�s um c�digo.
- Um c�digo? - Um c�digo?
Assim, voc�s v�o poder escrever sobre o que quiserem...
e ningu�m vai conseguir ler.
�timo.
O "A" � um "X", com uma bolinha aqui do lado.
O "E" � um "X", com uma bolinha em cima.
O papel andava rasgando demais.
S�o os tempos.
J� n�o se fazem mais papeis resistentes, como antigamente.
Aqui, obrigado.
A�, eu mesmo tive que inventar isso aqui, sozinho, essa engenhoca.
Mas ele � que inventou isso?
Eles inventaram o Brasil, Miri�m.
E a menina Catarina, o que � que vai ser?
Eu quero um l�pis vermelho, Sr. Manoel.
L�pis vermelho. Mas � um l�pis vermelho por dentro ou por fora?
Eu quero mesmo � saber como funciona essa engenhoca aqui.
Esta aqui?
Venha c�, venha dar uma olhada na manivela.
Isto � uma inven��o muito engenhosa.
Ama com f� e orgulho...
a terra em que nasceste.
Crian�a, n�o ver�s nenhum pa�s como este.
Olha que C�u, que mar...
Olhem a�, foi assim que ela inventou a m�quina de ler.
A terra da primavera!
Maravilha!
Voc�s est�o lendo mais r�pido do que um speaker de r�dio.
Maravilha!
Garoto, garoto! Venha c�.
Voc� � aluno da Catarina, n�o �?
Da Dona Cate? Sou.
- Faz um favor para mim? - Uai, claro.
Entrega esse vers... bilhete, esse bilhetinho para ela, amanh�...
na hora da aula. Voc� promete?
N�o deixe ningu�m ver, certo? N�o mostre para ningu�m.
- Deixa comigo. - Est� bom. Obrigado.
Que foi?
Nada. Ele me pediu um favor.
- Deixa ver. - Nem pensar!
� para voc� entregar para algu�m?
Acho que s�o versos de amor.
Ele n�o � o poeta da cidade?
Deixa a gente ver os versos dele, Luizinho.
Adoro poemas de amor.
Ele me pediu para n�o mostrar para ningu�m.
Mas n�s n�o somos ningu�m Somos n�s, Luizinho.
N�o sei se devo.
Acho que n�o deve.
- Milton, pare. - E isso a�, Milton!
Meu Deus, cora��o com ilus�o.
Amor com dor.
Por pouco, ele n�o rimou Brasil com varonil.
Me d� esses versos aqui!
Voc� vai levar isso para ela?
Depois de tudo que ela ensinou para a gente?
Voc� n�o gosta dele.
Vamos ter que melhorar esses versos.
Agora que eu j� fiz o que n�o devia...
tra� o mo�o!
Deixei voc�s verem os versos dele. Coitadinho.
Ent�o, Luizinho, pelo menos vamos melhorar esses pobres versos.
J� sei, tive uma ideia.
A gente achava que entendia de poesia.
Tudo bem. Ela lia para n�s e dava aulas de rima.
Ai, pronto!
Est� bem melhor.
Mas Luizinho, e agora? Para reescrever?
Quem � que vai imitar a letra dele?
Eu sei como fazer!
E esse aqui agora. Quem �?
Napole�o Bonaparte!
Muito bem!
Nossa! Ela inventava tanta coisa...
para ajudar a gente a entender o mundo.
- Pirata! - Outro.
Cam�es!
Isso, muito bem! Cam�es.
Agora esse.
Tiradentes.
Tiradentes, muito bem! Voc�s t�o sabendo demais.
Agora eu quero ver.
A gente sabia at� quem era o Hitler.
Muito bem! Vejo que voc�s prestaram aten��o direitinho...
nas hist�rias deles, que eu contei.
Agora, cada um vai escolher um nome e escrever cinco linhas para mim.
Qualquer coisa. Quero ver, hein? Quero ver s�.
Professora, isso � aula de qu�?
Eu n�o tenho a menor ideia.
Xi! Chegaram os ciganos na cidade.
- Vo l�. Eu vou l�. - Calma.
Bom dia. Eu queria falar com o Pedro.
- Pedro Poeta? - Isso, este.
Pedro, visita para voc�.
Cate, que surpresa. Por favor.
Pois n�o?
Pedro, queria te falar. Muito obrigada.
Obrigada de qu�, meu Deus?
Pela poesia! T�o bonita, com rimas t�o ricas!
Que coisa mais carinhosa.
Voc� achou?
O qu�? � linda e � muito bem feita, viu?
- Bem feita? - �.
� uma declara��o de amor.
Ah, que bonitinho!
Mas bonitinho...
Bonitinho?
Ent�o, Pedro?
Coitado do Pedro.
A for�a da poesia!
Acreditou na for�a da poesia.
Da nossa poesia.
Miri�m!
Cate.
E � cobre?
� ouro.
N�o ia vender gato por lebre para a mademoiselle.
Ouro leg�timo.
N�o empretece, n�o enegrece, e n�o... desaparece.
Vou l� ler minha sorte por que isso aqui vai durar.
Para voc�, 45.
Mas na verdade, � 60.
Chegou o que estava faltando! O leit�o � pururuca.
Que maldade a tia fazia com o Monsenhor.
Toda aquela comida ali, e ele de regime.
Angu, arroz, frango com quiabo...
O que mais poder�amos querer?
Vamos nos servir?
Que sobremesa voc� vai querer?
Ambrosia, uai. Se � o doce que ele mais gosta...
Vai ganhar um livro quem descobrir aqui, no tel�o...
uma palavrinha escrita errada.
Vamos, todo mundo lendo.
X�cara com CH!
Muito bem!
Sil�ncio agora, porque vai come�ar.
M�e, voc� acha certo levar crian�as para ver filme impr�prio?
Lmpr�prio, filha?
Ent�o? Pois n�o � que a Dona Catarina levou as crian�as dela...
para ver um filme impr�prio para menores? Cle�patra!
Com o Rodolfo Valentino?
N�o, m�e! Mas isso � o menos grave!
Olha, os meninos vendendo voto.
Voto se vende, filha?
Para a Rainha da cidade!
Para Cle�patra.
N�o, m�e. A sobrinha do Monsenhor.
Imagina! Precisa? Candidata �nica!
3x1 igual a 3. 3x2 igual a 6. 3x3 igual a...
6x8, 48. 6x9...
J� aprendi essa tabuada N�o adianta n�o dou mancada
J� aprendi essa tabuada N�o adianta n�o dou mancada
Sim?
Voc� me desculpe, mas eu gostaria de saber o que voc�s est�o fazendo?
Estudando aritm�tica. Tabuada de multiplicar.
Tabuada?
Sim. A letra � a mesma. A gente s� mudou a m�sica.
Sr. Prefeito, compre voto para a Rainha da Primavera.
Para ajudar nas obras da Festa de Nossa Senhora do Ros�rio.
Que da festa, s�! Da Igreja!
Nossa Senhora n�o precisa de ajuda.
Olha, e al�m do mais, a mo�a j� est� eleita.
As duas coisas s�o verdadeiras. Viram a banda?
Est� ensaiando para a minha festa. Vai ser um fest�o!
Sou Cle�patra, a rainha do Nilo.
Se ela � Cle�patra, eu sou o Julio Cesar.
Hoje, sou uma rainha destronada.
Morrerei.
Adeus, Marco Ant�nio.
Marco Ant�nio...
Adeus, Marco Ant�nio.
Pois morrerei antes de voc�.
Onde � que eles foram arrumar tiro no velho Egito?
� efeito dram�tico. Efeito dram�tico.
A pe�a � deles. N�o dei nenhum palpite.
Deixarei me morder por uma c�spede!
Eu acho que � �spide.
E, assim, termina a triste hist�ria de...
Cle�patra, a Rainha do Nilo!
- Quem � voc�? - Cle�patra.
Padre Beto, o senhor vai nos desculpar...
mas a Dona Catarina ultrapassou todos os limites.
A escola tem regras, regulamentos, curr�culo aprovado pela secretaria...
Um m�todo de ensino...
- que precisa... - ser respeitado.
- O senhor tem que tomar... - provid�ncias.
Voc�s t�m raz�o. Eu tenho conversado muito com ela!
� pouco! N�s exigimos uma atitude.
Confiamos no senhor!
O Senhor seja louvado.
N�o, n�o, confiamos no senhor, mesmo!
Confiamos em voc�, menino!
Nunca se esque�a que voc� foi meu aluno.
Jamais esquecerei, Dona Benvinda.
- � bom. - Bom, mesmo.
Simp�tica, essa filha do Leopoldo. Amiga de Catarina, n�o acha, Beto?
N�o sei se � uma boa companhia, Monsenhor. N�o sei, n�o.
Ora, mas que conversa.
Ali�s, eu queria mesmo falar com o senhor sobre isso.
Ent�o vamos falar.
Vamos, Beto, fale.
Sabe o que �, Monsenhor? N�o queria incomod�-Io com essas coisas...
afinal de contas, hoje � dia de festa.
Mas tenho recebido muitas queixas, o senhor sabe.
- De quem? - Das professoras.
Das professoras ou da professora?
Da diretora, inclusive.
Catarina subverte tudo, inventa moda demais.
As pessoas ficam comentando.
Comentando o qu�?
Comentando que ela � lev...
Levemente namoradeira?
Isto. Ela fica rindo para qualquer um...
conversa com um hoje, passeia com outro amanh�...
fica de segredinhos com um terceiro. Uma coisa insuport�vel!
Insuport�vel?
Est�o me chamando, Monsenhor.
E, se n�o chamasse, seria insuport�vel, n�o �?
Ontem, acabei esquecendo de comentar com voc�s.
Gostei demais da pe�a.
Eu vi que voc�s aprenderam muito com o filme. Parab�ns!
Professora, onde � que a gente pode ler mais sobre isso?
Ficar sabendo mais sobre o Egito, por exemplo?
Saber mais? Saber mais!
Era isso que eu queria ouvir!
E tem mais para a gente conhecer?
Tem um mundo para se descobrir.
Era isso que eu queria ouvir.
E tem mais, tem muito mais!
Tem mais coisas para a gente saber?
E tem os livros que a gente vai ler.
� assim que eu quero aprender!
Era tudo que eu queria ouvir!
Era tudo que eu queria ouvir!
Era isso que eu queria ouvir!
E tem mais para a gente conhecer?
Tem um mundo para se descobrir.
Era isso que eu queria ouvir.
E tem mais, tem muito mais!
Tem mais coisas para a gente saber?
E tem os livros que agente vai ler.
� assim que eu quero aprender!
Era tudo que eu queria ouvir!
Era tudo que eu queria ouvir!
Vamos parar com essa felicidade a�?
Queria que o senhor mandasse trazer um trem para mim, l� da capital.
E que trem � esse?
Uma coisinha que meus meninos v�o amar.
Se eu tiver possibilidades disso...
Tem, tem, tem.
- Ent�o eu mando buscar. - Eu sabia que o senhor ia fazer.
Muito obrigada, tio!
Tio, o senhor vai no meu baile, n�o �?
Vou. Nunca perdi nenhum.
Beto, voc� perdeu, Beto. Voc� perdeu.
Olha, eu dancei a noite toda. Cate, tamb�m.
Cate dan�ou com o M�rio. Que simpatia que � o M�rio, gente.
E o Pedro Poeta? Ai, que gracinha! O Pedro estava uma gra�a.
N�o, e Rodolfo Valentino, hein, Dona Cida?
Meu Deus, que homem bonito, o Rodolfo Valentino.
E o senhor, hein, Monsenhor? Gostei de ver!
Todo bonit�o, l� no palco, coroando a rainha.
Eu achei t�o linda a entrada dela no sal�o...
A nossa rainha acordou!
Um beijo para o meu rei!
Obrigado, minha rainha.
� voc�, Poeta.
- O qu�? - E voc�.
Que baile maravilhoso. N�o d� nem para esquecer.
E pensar que eu tive ela nos meus bra�os!
Linda, n�o �?
Como a Catarina ficou uma mulher bonita. N�o �, Rodolfo?
Sua vez, vai.
Como o tempo passa depressa!
Deveria passar mais devagar. Como uma dan�a...
uma dan�a que n�o acabasse!
Mais um pouco, e vai-se embora mais um ano.
E a gente s� fica com uma hist�ria para contar.
Hoje � dia do Tide tomar caf� aqui, mas ele nunca chegou t�o tarde.
E teve aquela manh�, que a cidade gostaria de esquecer.
Oi, Pachequinho. Onde est� o...
Monsenhor Aristides...
o senhor foi a alma e o cora��o desta cidade.
E ensinou muitos de n�s a ver a vida de uma maneira diferente, original.
Vamos olhando para essa cidade...
e ver sempre as marcas das suas li��es de amor.
Sua presen�a entre n�s foi fundamental, foi significativa...
foi definitiva.
� por isso que n�s estamos aqui.
Para lhe dizer o �Itimo adeus.
Pe�o a todos uma salva de palmas para o Monsenhor Aristides.
Est� aqui, Cibele.
Olha a�, a encomenda que eu pedi ao Monsenhor.
Voc� n�o queria saber mais sobre a Cle�patra e o tempo dela?
Ent�o. Est� tudinho aqui.
E ai, aprendemos mais uma li��o com ela.
Uma velha li��o. A de que a vida tem que continuar.
A... B... C... Cle�patra.
Est� aqui, Cibele. Cle�patra. Tudo sobre ela!
Isso mesmo, em ordem alfab�tica! Muito bem.
Reuni�o dos professores.
Com licen�a, me desculpem.
Agora que estamos todas reunidas podemos come�ar.
Estamos chegando ao final do ano letivo.
Aqui est�o os testes que a Secretaria de Educa��o enviou...
para serem aplicados nas provas finais...
com as perguntas de cada mat�ria e as instru��es para as professoras.
Posso fazer uma observa��o, Sra. Diretora?
Pois n�o, Dona Catarina.
Eu acredito que meus alunos n�o precisam fazer prova.
O qu�?
O qu�?
Como n�o precisam?
Izilda!
Eu sei o tanto que cada um sabe. Estou com eles h� quase um ano.
N�o acredito no que estou ouvindo.
Eles est�o lendo como gente grande.
E escrevem muito direitinho.
A tabuada, eles fazem de tr�s para a frente...
Eles est�o preparados para aprender tudo o que falta.
Fazer prova, para qu�?
Senhora Diretora, me d� meus testes...
porque vou para casa preparar as minhas provas...
porque eu n�o sou obrigada a ouvir essas sandices.
Francamente, Sra. Diretora. Com licen�a.
Eu vou tamb�m.
Menininha, deixa para l�.
Elas n�o sabem que eu confio nos meus meninos.
Padre Beto?
Pode entrar.
Vamos assentar. Estejam � vontade.
Carminha?
Posso ajud�-las?
Olha, Sr. Inspetor, fui eu que convoquei esta reuni�o.
O senhor sabe que nossa escola tem uma grande tradi��o.
- Temos um nome a zelar. - Claro, claro.
Acredito que as ideias da Professora Catarina...
que o senhor conhece muito bem...
podem depor contra os princ�pios da boa educa��o.
O que foi que ela fez agora?
N�s achamos que a professora Cate...
com a morte de nosso Monsenhor Aristides...
acabou ficando, como � que eu posso dizer...
acabou ficando maluca! Imagina!
Ela � contra as provas de fim de ano, Inspetor!
Olha, voc�s podem ficar descansadas, viu?
O ano j� est� quase terminando, n�o � mesmo?
Eu pe�o que as senhoras tenham um pouquinho de paci�ncia...
s� um pouquinho, porque prometo que no pr�ximo ano...
N�o! N�s estamos preparando um abaixo-assinado agora...
para que ela nem aplique os testes.
E que seja afastada do grupo escolar imediatamente. Imediatamente!
- Calma, Izilda. - Que calma, o que, Bemvinda?
Minha paci�ncia se esgotou.
Aquela atrevida n�o perde por esperar.
Ela n�o perde por esperar!
Que calma, o qu�? Ela n�o perde por esperar!
Othelo? O que voc� est� fazendo aqui?
Coitadinha.
Izilda, o que voc� foi arrumar, amiga?
Conta para a gente, bem.
Ela n�o pode falar. Mordeu a l�ngua, pobrezinha.
- E ouvir, ela pode? - Acho que pode.
O m�dico disse que ela s� pode sair daqui ano que vem...
depois das f�rias escolares.
Ouvir, ela pode!
Co�a o p� dela. Co�a o p� dela.
Mandou me chamar, padre Beto?
Dona Catarina Roque...
a senhora ultrapassou todos os limites.
Essa escola tem regras, regulamentos, curr�culo aprovado pela secretaria.
Beto, n�o � poss�vel...
N�o � poss�vel voc� insistir com essas suas aulas.
Nem fazer prova, Cate, � um absurdo.
Acontece, Beto, que os meus alunos sabem ler.
Eles sabem ler e eles gostam.
Beto, eles s�o curiosos.
Voc� precisa ver a tabuada, eles fazem de tr�s para a frente.
N�o precisam fazer prova n�o. Eu sei que eles sabem.
S� que essa sua teimosia est� me colocando...
em uma situa��o muito delicada com a diretora da escola...
e com as outras professoras, tamb�m.
Toda semana, tem uma reclama��o nova.
Calma, Beto, calma. Olha, vai dar tudo certo.
Eu j� falei com ela uma vez.
Posso, muito bem, falar de novo.
Eu queria muito poder te dizer que isso vai adiantar alguma coisa, mas n�o vai.
Olha, voc� tem todo o direito, sim...
de pensar, de estudar novas formas de educar.
Eu sei que elas ainda ser�o muito importantes.
S� que, agora, esses seus m�todos n�o ser�o compreendidos.
E por que n�o?
Cate, a diretora da escola e a comiss�o de professores...
me deixou esse abaixo assinado...
pedindo o seu imediato afastamento da escola.
E, se voc� insistir, eles v�o reprovar todos os seus alunos.
N�o!
Os meus meninos...
Cate...
Primeiro lugar em simpatia.
Agora entendi porque que ela comprou...
tantas medalhas de ouro daquele cigano bonito.
Voc�s s�o o primeiro lugar. Aqui, olha, no meu cora��o.
Robertinho, voc� tirou o primeiro lugar.
Em eleg�ncia.
E voc�? Tirou o primeiro lugar em qu�?
Esse da� tirou o primeiro lugar em...
- Cuspe a dist�ncia. - Cuspe a dist�ncia?
E houve uma manh� em que a cidade inteira levou um susto.
A nossa professora tinha ido embora com o namorado.
- Fugiu? - Com o namorado? Qual?
Meu Deus! Com qual deles?
Pedro Poeta me contou.
Pedro Poeta caiu duro quando soube da not�cia.
Est� l� dentro do bar, aos prantos.
Ele gostava muito da menina Catarina.
O Pedro Poeta n�o foi com quem ela fugiu.
Ser� que foi...
o professor M�rio?
Mas os dois falaram tanto de amor.
Ser� que o cigano das medalhas roubou ela?
- Voc� j� soube? - Do qu�, bem?
- Ela fugiu! - Voc� deve estar brincando.
Olha o jeit�o delas.
Francamente, lament�vel!
Como � que elas devem estar imaginando uma coisa desse tipo?
- Fugiu mesmo? - Fugiu!
Elas iam adorar se fosse verdade.
Onde est� a Cibelle?
A Cibelle sabe. A Cibelle sabia. Eu acho.
Onde est� o Carlito?
Xi, por onde andar� o mo�o dos boleros e das flores?
Onde � que voc� estava, rapaz?
Eu? U�, estava por a�.
A Cate, rapaz. A Cate fugiu.
O qu�?
Fugiu? Mas eu sabia, aquele caladinho do Valentino.
Errou, Carlito.
Rodolfo Valentino foi visto na cidade hoje de manh�.
� preciso muita coragem para lutar por um amor verdadeiro.
Voc� � muito maluquinha.
A tia chorava...
mas disse que entendia o cora��o de sua menina.
Tias sempre entendem a gente.
A Cate deixou um bilhete.
Para quem, Cibele? Para quem?
Para n�s. Est� no c�digo que ela inventou.
� para voc�s? Para as meninas.
N�o, � para todo mundo. Estou t�o nervosa. Vou tentar ler.
Deixa. Eu sei o c�digo.
Sabia?
As meninas n�o sabiam que n�s t�nhamos aprendido o c�digo.
"Sou muito feliz com voc�s.
Mas h� um outro tipo de felicidade que a gente tem que lutar por ela.
Voc�s v�o entender quando crescerem."
Ela acha que a gente vai precisar crescer para entender.
� o mesmo amor aonde for
A mesma cor De um dia que n�o se esqueceu
E voltou s� pra mostrar
Que o amor da gente Na lembran�a vai ficar
N�s t�nhamos entendido a escolha...
que nossa professora nos ensinou a entender.
Foi a �ltima vez que a vimos.
Seu sorriso est� gravado para sempre...
no cora��o de cada um de n�s.
A imagem da professora que nos ensinou o que � felicidade.
E que todo mundo achava que era apenas...
uma professora muito maluquinha!
Menina, amanh� de manh� Quando a gente acordar
Quero dizer que a felicidade, vai Desabar sobre os homens, vai
Desabar sobre os homens, vai Desabar sobre os homens
Na hora ningu�m escapa De baixo da cama ningu�m se esconde
A felicidade, vai Desabar sobre os homens, vai
Desabar sobre os homens, vai Desabar sobre os homens
Menina ela mete medo Menina ela fecha a roda
Menina n�o tem sa�da De cima, de banda ou de lado
Menina olhe pra frente Menina todo o cuidado
N�o queira dormir no ponto Segure o jogo, aten��o, olha a�...
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