All language subtitles for Journey.To.The.Edge.Of.The.Universe.2008.Portuguese

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Original subtitles

O céu nocturno,

olhamos para cima e pensamos:

O que há lá em cima?

Onde acaba?

Quando é que começou?

Poderíamos ficar para sempre, imaginando...

...ou podemos-nos preparar para ver o Universo por nós próprios,

e viajar para o mais longe que possamos ir.

Para sentir o calor tremendo de estrelas ardentes,

enfrentar as forças de fortes colisões cósmicas.

evitar estrelas mortas

e super-massivos buracos negros insaciáveis.

Testemunhar o nascimento de novas estrelas,

e atingir o limite da compreensão humana.

Temos de fazer uma viagem atrás no tempo até ao início do Universo,

ver com os próprios olhos, o momento em que tudo começou,

o Big Bang.

Estás pronto?

Então vamos,

numa viagem

até aos limites do Universo.

VIAGEM AOS LIMITES DO UNIVERSO

Este é o princípio do espaço,

apenas 100 quilómetros acima,

apenas uma hora de carro de casa.

Lá em baixo, a vida continua,

o tráfego continua a andar,

acções são transaccionadas

e continuam a ser transmitidos os mesmos reality shows.

Mas temos de deixar tudo isto para trás

e avançar para o limite do Universo.

Primeira paragem,

a Lua.

Vinte e sete astronautas americanos fizeram este caminho antes de nós,

doze dos quais, caminharam na própria Lua.

Quando os astronautas da Apollo enviavam uma mensagem via rádio,

a mensagem demorava cerca de um segundo a chegar à Terra,

mesmo viajando à velocidade da luz, 300 000 quilómetros por segundo.

Então o controlo da missão ouvia o que se passava depois de ter acontecido.

Se há um segundo de diferença entre nós e o vizinho mais próximo,

imagine a diferença até ao limite do Universo.

Não retrocederemos alguns segundos,

mas biliões de anos.

Menos de 400 000 quilómetros da Terra,

três dias numa nave espacial.

Parece um campo de batalha deserto,

bombardeado por milhões de meteroritos e de asteróides.

Mas agora está calma.

É obvio, que não há grandes colisões há milhões de anos.

O módulo lunar Apollo 11.

Para os astronautas do Appolo, os riscos eram elevados,

mas as recompensas, ainda eram mais elevadas.

Ver o nosso planeta,

como nunca tinha sido visto,

caminhar

onde nenhum homem tinha caminhado antes

e visitar outro mundo,

um mundo destruído pela radiação mortal do Sol.

É apenas lava congelada sem fim,

pilhas de rochas cinzentas desinteressantes.

Os astronautas da Apollo trouxeram centenas delas para os cientistas analisarem,

e descobriu-se que estas rochas cinzentas desinteressantes

afinal não eram tão desinteressantes.

Cientistas da NASA descobriram que as rochas foram super-aquecidas,

evidências de um impacto massivo.

Há 4.5 biliões de anos atrás,

um planeta errante chocou com a Terra,

e projectou biliões de toneladas de rocha derretida para o espaço.

E isso juntou-se para formar a Lua.

Até esta descoberta,

pensávamos que a Lua não estava relacionada com a Terra,

uma rocha espacial controlada pela poderosa força de gravidade da Terra.

Agora sabemos que é feita do mesmo material que o nosso planeta.

A Lua

veio da Terra.

As primeiras pegadas de Neil Armstrong,

parece que foram feitas ontem.

E sem vento aqui para as fazer desaparecer,

deverão sobreviver durante milhões de anos.

É tempo de darmos o nosso salto de gigante,

mais longe do que qualquer homem já viajou.

Saindo da escuridão,

a deusa do amor,

Vénus.

A estrela da manhã, a estrela do anoitecer.

Vénus é o planeta do Sistema Solar mais brilhante.

As suas nuvens amarelas espectaculares

reflectem a luz o Sol.

Uma irmã do nosso planeta.

Tem mais ou menos o mesmo tamanho e a mesma gravidade da Terra.

Mas a sonda espacial Venus

diz-nos que estas nuvens deslumbrantes são feitas de ácido sulfúrico mortal,

que a atmosfera do planeta

está bloqueada por dióxido de carbono.

Vénus, é uma deusa zangada.

O ar é nocivo,

a pressão insuportável

e está quente,

aproximadamente 500 graus Celsius.

Permanecendo demasiado tempo, seríamos corroídos, sufocados,

esmagados e cozidos.

Nada pode sobreviver aqui.

Como isto.

É a sonda não tripulada soviética Venera.

A sua pesada blindagem está a ser corroída pela atmosfera extrema.

Tão bonita da Terra,

vista de perto,

Vénus, é a irmã do Inferno,

marcada por centenas de vulcões.

Todo aquele dióxido de carbono na sua atmosfera está a reter o calor do Sol.

Isto é o aquecimento global levado ao extremo.

Antes disso, talvez Vénus fosse calma,

como o planeta irmão Terra.

Se for verdade,

isto poderá ser o futuro do nosso planeta.

Um futuro moldado pelo Sol.

Mas antes de chegarmos a ele,

temos isto,

Mercúrio,

o planeta mais pequeno do Sistema Solar.

Aproximar-se demasiado do Sol,

e é isto o que acontece.

As temperaturas variam selvaticamente aqui,

de noite são 170 graus negativos,

ao meio-dia,

são 400 positivos.

Queimado, gelado,

e coberto de cicatrizes,

parece que Mercúrio teve um passado violento.

A sonda espacial Messenger

está a dizer-nos algo de estranho.

Para o seu tamanho, este pequeno planeta tem uma atracção gravitacional poderosa.

Deve ser mais pesado do que parece.

É como uma enorme bola de ferro

coberta por uma fina camada de rocha,

o núcleo do que outrora foi um planeta muito maior.

Então onde está o resto dele?

Talvez um planeta errante tenha chocado com Mercúrio,

lançando para o espaço as suas camadas exteriores,

deixando o planeta

quase só feito de metal.

O Sol,

em todo o seu esplendor hipnotizante.

Tudo o que fazemos, é controlado pelo Sol.

Todas as nossas vidas, dependem dele.

Por toda a História,

através das culturas,

é o eixo em torno do qual a vida gira na Terra,

amadurecendo as nossas colheitas,

estruturando os nossos dias,

inspirando as nossas crenças.

150 milhões de quilómetros de casa,

uma viagem de 20 anos por avião,

desligando-o,

estando tão longe,

não o saberíamos durante oito minutos.

É tão grande, que poderia conter um milhão de Terras dentro de si.

Tão pesado,

que a sua gravidade controla todo o Sistema Solar.

Vêmo-lo todos os dias,

um rosto familiar no nosso céu.

De perto,

é irreconhecível.

Um mar turbulento de gás incandescente.

O termómetro sobe acima dos 5 mil graus.

Em baixo, no núcleo,

deverão ser dezenas de milhões de graus.

Suficientemente quente para desencadear reacções nucleares,

transformando milhões de toneladas de matéria em energia,

em cada segundo,

mais do que que toda a energia já produzida pela Humanidade.

Em casa,

vemos esta energia como luz,

e sentimo-la como calor.

Mas de perto, não há nada reconfortante acerca do Sol.

Está tão cheio de de actividade eléctrica e magnética,

que explode nestes enormes e incandescentes laços de gás,

chamados proeminências,

cada uma das quais libertando mais energia do que 10 milhões de vulcões.

Poderíamos passar a Terra por um destes laços

e ainda ficaríamos com dezenas de milhar de quilómetros de sobra.

E quando estouram,

expõem as camadas inferiores mais frias,

originando manchas solares.

Elas são uma fracção mais frias do que as vizinhanças,

eis porque parecem negras, mas ainda são mais quentes

do que qualquer coisa na Terra.

E também são massivas,

algumas delas com pelo menos 50 000 quilómetros de diâmetro,

o suficiente para engolir toda a Terra.

Uma explosão solar,

um fluxo super-quente de gás electrificado,

espalhando radiação mortal pelo espaço.

Mas um dia

o combustível do Sol

acabará.

Morrerá.

Quando morrer, ceifará a vida na Terra.

O Sol cria vida

e destrói-a.

Exige que mantenhamos distância.

Este cometa,

aproximou-se muito.

Está a ser evaporado pelo calor do Sol,

criando uma cauda que se estende por milhões de quilómetros.

Está gelado aqui.

Não há dúvidas de onde este cometa veio,

desperdícios de gelo do espaço profundo.

Vapor, gêiseres e poeira,

é o Sol de novo, derretendo o coração gelado do cometa.

É uma espécie de grande e suja bola de neve,

coberta de alcatrão.

Pequenos grãos do que parece material orgânico,

preservados no gelo desde,

sabe-se lá desde quando,

talvez desde o início do Sistema Solar.

Se um cometa como este se tiver despenhado na jovem Terra há biliões de anos,

ele pode ter trazido material orgânico e água,

os ingredientes básicos da vida.

E talvez tenha semeado as sementes da vida na Terra

que evoluíram até si e até mim.

Mas se chocar com a Terra agora,

só tem de pensar nos dinossauros, extintos por um

cometa ou asteróide que caiu há 65 milhões de anos,

para perceber, que não seria uma boa notícia.

É apenas uma questão de tempo.

Eventualmente, um dia,

a menos que encontremos uma maneira de nos protegermos,

enfrentaremos o mesmo destino que os dinossauros.

A Terra está segura...

...por agora.

Mas se a vida na Terra for ameaçada,

precisamos de fugir e encontrar uma nova casa.

Entre os milhões, biliões, de planetas,

deve haver um que não seja demasiado quente,

não demasiado frio,

com ar, luz solar,

água.

O planeta vermelho,

inconfundivelmente, Marte.

Durante séculos, olhamos para Marte à procura de companhia,

por sinais de vida.

Parece ficção científica,

mas hoje os astrónomas pensam que Marte pode ser

a melhor hipótese de encontrar vida extraterrestre.

Observam o planeta,

digitalizam-no,

estudam-no.

Mais do que qualquer outro planeta,

Marte, prende a nossa imaginação.

Pense em filmes de ficção científica,

banda desenhada,

e vai pensar em marcianos.

É tudo apenas ficção, certo?

Mas e se realmente existir alguma coisa aqui?

Se existir,

está a viver num planeta morto.

Os processos que tornaram a Terra habitável,

cessaram há centenas de milhões de anos aqui.

Vermelho...

...e morto,

Marte... é um fóssil gigante.

Mas há vento aqui,

um redemoinho, um dos grandes,

maior do que os maiores tornados na Terra.

E onde há vento,

há ar,

ar que pode sustentar vida extraterrestre.

Mas é demasiado rarefeito para ser respirável,

cheio de dióxido de carbono sufocante.

Não há nada que proteja Marte dos raios ultravioleta do Sol,

e está frio,

tão baixo quanto 80 graus negativos,

congelando a água no solo,

nos pólos e até na atmosfera.

Neve.

É difícil acreditar que alguma coisa possa viver aqui.

De volta à Terra,

há criaturas que sobrevivem ao frio extremo,

calor,

mesmo nas mais profundas e escuras fendas marinhas.

Mesmo nas condições mais extremas, a vida...

...habitualmente encontra um caminho.

Mas aqui, em Marte,

sem actividade geológica para repôr os minerais e os nutrientes no solo,

sem calor para derreter a sua água congelada,

e toda esta poeira,

é difícil perceber como.

Mas a superfície de Marte

está marcada com características notáveis.

Tão grande,

que é impossível não notar,

o monte Olimpo,

um vasto antigo vulcão,

três vezes mais alto do que o Evereste.

Não há sinais de actividade.

Desde a sua descoberta nos anos 70,

foi declarado extinto.

Qualquer fluxo de lava deve ter termindo há muito,

destruído por impactos de meteoritos.

A menos que,

este monstro não esteja afinal morto.

Se não estiver, pode haver magma fluindo por baixo da crosta neste momento.

Actividade vulcânica pode derreter água congelada no solo,

onde vida poderia sobreviver.

Isto faz o Grand Canyon parecer uma rachadela no pavimento.

Não tem fim.

É tão comprido, que se estenderia por toda a América.

E há sinais de erosão,

leitos de rio secos,

como se a actividade vulcânica tenha derretido água no solo,

enviando água através deste desfiladeiro.

E se houver água a correr em Marte neste momento,

então há hipótese de encontrarmos vida aqui.

Então a caçada está lançada.

Vagueando por esta paisagem desolada,

o robot da NASA Opportunity.

Está à procura de provas de que estas planícies estéreis

são antigos lagos ou oceanos,

que poderiam ter abrigado vida.

E olhem para isto.

Quando as sondas orbitando Marte passam por cima destas ravinas,

continuam a detectar novas.

Mais provas de que Marte pode estar bem vivo,

de que pode haver água líquida debaixo da sua superfície,

originando estas ravinas,

água

que pode sustentar vida em Marte.

Agora tudo o que temos de fazer,

é encontrá-la.

Mas talvez já a tenhamos encontrado,

porque, incrivelmente, Marte pode ter sido o lugar

onde a vida da Terra tenha tido origem.

Parece uma loucura,

mas há uma teoria de que a vida começou aqui,

antes de se mudar para a Terra.

A ideia é que um asteróide chocou, lançando fragmentos de Marte

com micróbios minúsculos para o espaço,

e para a jovem Terra,

onde semearam as sementes da vida em si.

Não admira que consideremos Marte fascinante,

pode ser a nossa casa ancestral.

Se for verdade,

isso significa que somos todos marcianos.

Pensávamos

que era um planeta morto,

mas pode estar mais vivo do que alguma vez imaginamos.

Marte,

possivelmente o planeta do Sistema Solar mais estudado,

continua a confundir-nos.

Então que outras surpresas haverá lá fora,

aguardando serem descobertas?

Isto

é como estar dentro de um jogo de computador gigante.

Asteróides,

alguns com centenas de quilómetros de diâmetro.

Este, deve ter cerca de 30 quilómetros de comprimento.

E olhem,

não deve ter sido fácil aterrar uma sonda num

asteróide a viajar a 8 000 quilómetros por hora.

É muito esforço para estudar destroços de rocha,

rochas que colidem,

partem, e que caem na Terra como meteoritos.

Foram rochas como estas que se juntaram para formar os planetas,

incluindo o nosso.

Assim, datando os meteoritos que encontramos na Terra,

sabemos que os planetas nasceram há 4.5 biliões de anos.

Estas são as certidões de nascimento do Sistema Solar.

Mas por alguma razão,

estas rochas não se juntaram num planeta.

Alguma coisa deve tê-lo impedido,

alguma coisa poderosa.

Júpiter,

que monstro,

pelo menos 1 000 vezes maior do que a Terra.

Tão grande, que se poderiam meter todos os outros planetas dentro dele.

Algo tão grande deve ter um grande efeito nos seus vizinhos.

A sua gravidade está a impedir os asteróides de formarem um planeta.

Mas este enorme planeta

é quase todo gás.

Aterrar aqui,

e afundar-nos-íamos através das suas camadas,

provavelmente nunca encontrando superfície sólida.

E o bonito aspecto de Júpiter,

é produto de violência extrema.

Está a girar a uma velocidade incrível,

originando ventos de centenas de quilómetros por hora,

contorcendo as nuvens em listras, redemoinhos, turbilhões.

E isto,

a lendária

Grande Mancha Vermelha,

a maior e mais violenta tempestade do Sistema Solar,

pelo menos, três vezes o tamanho da Terra,

está a rugir há mais de 300 anos.

Todas estas nuvens agitadas devem desencadear uma tempestade eléctrica.

Um relâmpago apenas é 10 000 vezes mais intenso do que qualquer um em casa.

Parece que o melhor lugar,

o lugar mais seguro, para ver Júpiter,

é de longe.

Olhem para aquelas luzes,

parecem as auroras em casa,

dançando em torno dos pólos.

Mas mesmo estas são mortais.

São geradas por radiação letal atraída do espaço

pelo poderoso campo magnético de Júpiter.

Sedutor à distância,

aterrador de perto,

aqui...

...nada é o que parece.

O Universo está cheio de contradições.

Temos de prosseguir com precaução,

por entre as 62 ou mais luas de Júpiter.

Esta lua multicolor,

chama-se Io.

Mas como Júpiter,

a sua beleza,

é apenas superficial.

Estas cores bonitas,

são rocha derretida,

enxofre,

vulcões, cuspindo cinzas quentes de enxofre a centenas de quilómetros para o ar.

A poderosa força gravitacional de Júpiter está a torcer e a esticar Io,

criando fricção suficiente para derreter o interior desta lua.

Na nossa viagem até ao limite do Universo,

não encontramos vida,

nenhum sítio a que possamos chamar casa...

...até agora.

Mas há sempre um outro planeta, lua,

um outro mundo de possiblidades,

pouco acima do horizonte.

Como esta,

é Europa,

outra das luas de Júpiter.

650 milhões de quilómetros de casa,

que lugar com aspecto estranho.

E no entanto parece estranhamente familiar,

um pouco à semelhança do Árctico,

com todo aquele gelo,

todos aqueles sulcos e falhas.

E talvez, como o Árctico,

este gelo esteja a flutuar em água,

água líquida.

É uma possiblidade fascinante,

mas a 800 milhões de quilómetros do Sol,

Europa deve ser gelo sólido.

A menos que a gravidade de Júpiter esteja a criar fricção profundamente dentro,

impedindo Europa de congelar,

permitindo à vida desenvolver-se nas águas abaixo da crosta congelada.

Podemos estar a metros de extraterrestres,

de um microssistema completo de micróbios,

crustáceos, mesmo até lulas.

A única coisa entre nós e a possibilidade de vida extraterrestre,

esta camada de gelo.

Mas até mandarmos uma nave espacial perfurar o gelo,

Europa, permanecerá como um dos maiores mistérios do Sistema Solar.

Tem cativado a nossa imaginação,

assombrado os nossos sonhos,

e aqui está,

girando diante dos nossos olhos,

Saturno,

a jóia na coroa do Sistema Solar.

Há qualquer coisa de mágico em Saturno,

uma gigantesca bola de gás,

tão leve

que flutuaria em água.

Os seus anéis espectaculares, estendidos chegariam quase da Terra à Lua.

Mas têm apenas algumas centenas de centímetros de espessura.

A sonda Cassini

está a apanhar emissões de rádio espectrais,

provavelmente geradas por auroras à volta dos pólos de Saturno.

Esta é a música real das esferas.

E está a dizer-nos que

estes anéis são quase de certeza os restos de uma

lua despedaçada pela força de gravidade de Saturno.

Beleza incomparável

a partir de destruição completa.

Biliões de bocados de gelo,

alguns mais pequenos do que cubos de gelo,

outros do tamanho de casas.

Eles colidem, partem-se, juntam-se de novo,

é como uma fotografia do nosso Sistema Solar jovem,

com poeiras e gás orbitando o recém-nascido Sol,

e a gravidade a fazer a sua magia, juntando os pedaços,

até que de desperdícios como estes,

o nosso planeta surgiu.

Todos os objectos orbitando Saturno,

são, tecnicamente, luas,

desde o mais pequeno pedaço de gelo até isto,

uma lua maior do que a nossa,

Titã.

Está envolta por nuvens grossas cor de laranja,

Mas por baixo delas,

parece haver uma atmosfera aqui.

Há vento, chuva,

até mesmo estações.

E rios,

lagos,

e oceanos.

É o lugar mais parecido com a Terra que vimos até agora,

excepto

não é água,

é gás natural líquido.

Deve haver centenas de vezes mais gás natural aqui

do que em todas as reservas de petróleo e de gás na Terra.

Se o levássemos para casa,

ele poderia alimentar as nossas cidades, abastecer os nossos carros

durante milhares de anos,

ou, talvez, um dia,

possamos usá-lo aqui...

...para abastecer uma colónia,

assumindo que ainda não existe vida em Titã.

A sonda espacial Huygens,

largada na superfície de Titã pela Cassini,

está aqui para o descobrir.

Está a dizer-nos que que há materiais orgânicos no solo,

mas está tanto frio,

180 graus negativos,

que não há forma de se juntarem para originar vida.

A menos que,

Titã aqueça.

Prevê-se que o Sol fique mais quente.

Quando isso acontecer,

talvez a vida floresça aqui,

tal como aconteceu na Terra, há biliões de anos.

E como a Terra irá ficar demasiado quente para nós,

talvez, nos mudemos para Titã.

Um dia, talvez possamos chamar a esta lua distante, casa.

Casa,

estamos a pelo menos a um bilião de quilómetros de distância agora.

Para além deste ponto,

perdemos o contacto visual com a Terra.

E o que quer que haja por aqui, é invisível da Terra a olho nú.

Estamos nos misteriosos limites externos do Sistema Solar,

território que, durante a maior parte da História, ninguém sabia que existia.

É como mergulhar no oceano profundo.

Urano,

com estes estranhos anéis só descobertos em 1977,

que fazem com que este planeta gigante pareça ter sido movido do seu eixo,

empurrado por uma colisão antiga,

talvez por um planeta perdido.

Parece que estamos muito longe de casa,

mas a verdade é que,

ainda mal deixámos a costa.

Estamos a 2 biliões de quilómetros da Terra,

mas para atingirmos o limite do Sistema Solar,

teremos de viajar 10 000 vezes mais longe.

Saindo da escuridão profunda,

outra besta estranha,

o deus do mar,

Neptuno.

Parece sereno,

mas este ponto é uma tempestade do tamanho da Terra,

sacudida por ventos selvagens de 1 500 quilómetros por hora.

Na Terra, é o Sol que dirige o vento,

mas Neptuno está demasiado longe.

Outra coisa qualquer deve estar a gerar estes ventos ferozes,

mas ninguém sabe o quê.

Avançando nos limites exteriores do Sistema Solar,

orbitando o gigante de gás,

uma lua sólida,

Tritão.

É sólida,

mas longe de estável.

Está coberta de gêiseres,

chaminés cósmicas, expelindo fuligem estranha,

e está a orbitar Neptuno na direcção oposta da rotação do planeta.

Uma batalha cósmica de vontades,

mas esta lua zangada,

irá inevitavelmente perder.

Tem sido travada,

enrolada pela gravidade massiva de Neptuno.

Um dia, Tritão,

será dilacerada.

Vimos todos os planetas no nosso Sistema Solar.

Mas para além dos planetas,

não é o vazio.

Está cheio de rochas congeladas,

esferas de gelo,

como Plutão.

Até muito recentemente, parecia que Plutão estava sozinho,

que não havia mais nada aqui.

Estavamos enganados.

Mais mundos congelados.

A descoberta é tão recente,

que ninguém concorda em como chamá-los,

plutóides, anões de gelo, cubewanos.

Parece que o nosso Sistema Solar não é o modelo organizado que pensávamos que era.

Está cheio de lixo com restos da sua criação.

Para lá de 13 biliões de quilómetros de casa,

a coisa mais distante

já vista a orbitar o Sol.

Outro pequeno mundo congelado,

chamado Sedna,

descoberto em 2003.

A sua órbita demora 10 000 anos

e dista 130 biliões de quilómetros do Sol.

Há mais qualquer coisa aqui.

A 16 biliões de quilómetros de casa,

a sonda espacial

Voyager One.

Se não fosse ela, não teríamos imagens dos planetas gigantes,

nenhuma pista acerca das suas luas estranhas.

Está a viajar 20 vezes mais rápido do que uma bala,

enviando mensagens para casa.

Aquele painel de ouro,

é uma espécie de mensagem intergaláctica numa garrafa.

Contém uma saudação gravada em 55 línguas diferentes,

e um mapa, mostrando como encontrar o nosso Sistema Solar.

Mas quereremos nós, realmente, publicitar a nossa existência?

Qualquer um, qualquer coisa, pode ouvir o nosso chamamamento,

descobrir onde vivemos,

e vir bater à porta...

...amigavelmente, ou não.

A seguir,

uma nuvem de icebergs cósmicos,

blocos de água congelada, poeiras e gás,

como o cometa que vimos antes.

Foram cometas que poderão ter plantado as sementas da vida na Terra

há biliões de anos.

E se eles vieram daqui,

vendo todo este gelo,

talvez também tenham levado a água para a Terra.

A água nos oceanos, no seu café, mesmo no seu corpo,

toda desta distante máquina de gelo celestial.

Estamos a 8 milhões de milhões,

isto é, oito triliões de quilómetros de casa,

bem no limite do nosso Sistema Solar,

onde nenhum homem, nenhuma sonda, tinha chegado antes.

Bem vindo, ao espaço interestrelar,

muito para além do nosso Sistema Solar.

Biliões de estrelas como o nosso Sol, muitas delas com planetas,

muitos dos quais com luas.

Possibilidades infinitas,

em todas as direcções.

Seja qual for a escolhida,

vamos precisar de um poder de aceleração muito grande.

40 triliões de quilómetros de casa,

uma viagem de 150 000 anos num vaivém espacial,

e ainda só atingimos o primeiro Sistema Solar depois do nosso,

Alpha Centauri.

Uma estrela e mais duas,

rodando em volta umas das outras, presas num impasse celestial,

a gravidade de cada estrela atraindo outra,

a sua vertiginosa velocidade orbital, mantendo-as separadas.

Estamos agora tão longe de casa,

que quilómetros perdem o sentido.

Vamos ter de falar em anos-luz.

Um raio de luz leva 1 ano a percorrer 10 triliões de quilómetros.

Assim, 40 triliões de quilómetros, são 4 anos-luz de casa.

É espantoso, distâncias tão vastas que estão quase para além da compreensão.

E emocionante,

quem sabe que estranhos mundos se encontram adiante.

10 anos-luz da Terra,

a estrela Epsilon Eridani.

Anéis espectaculares de poeiras e de gelo,

e algures por ali

planetas a formarem-se a partir de fragmentos,

a nascerem diante dos nossos olhos.

Asteróides e cometas por todo o lado.

Quase poderíamos estar a olhar para o nosso Sistema Solar, há biliões de anos,

com os cometas a entregar moléculas orgânicas, água a estes planetas jovens,

desencadeando a vida como poderão ter feito na Terra.

No centro de toda a acção,

uma estrela menor que o nosso Sol.

Está ainda na sua infância,

Qualquer vida neste Sistema Solar, seria, na melhor das hipóteses, primitiva.

Deve haver por aqui Sistemas Solares mais maduros e mais desenvolvidos,

mas encontrá-los

é como procurar uma agulha num palheiro cósmico.

Estamos agora a 20 anos-luz da Terra.

A estrela Gliese 581.

Tem mais ou menos a mesma idade que o nosso Sol,

e orbitando-a, este planeta.

Está à distância certa do seu Sol,

mais próximo e a água ferveria,

mais longe e congelaria.

Condições ideais para a vida ter evoluído.

E se cometas se tiverem despenhado, entregando água e materiais orgânicos,

então a vida,

seres complexos como nós,

mesmo civilizações como a nossa, poderão existir ali, neste momento.

Se existirem,

mesmo a esta distância,

podem apanhar os nossos sinais de TV,

ver programas emitidos da Terra há 20 anos.

Mas até futuras gerações descobrirem forma de comunicar

através de tão grandes distâncias,

tudo o que podemos fazer é especular.

Na verdade,

vida pode já ter prosperado aqui

apenas para ser aniquilada.

É o problema com os cometas,

são criadores

e destruidores,

como os dinossauros descobriram da forma mais difícil.

Esta é a agulha no palheiro cósmico,

o mais próximo que chegamos de um Sistema Solar habitável como o nosso.

Mas foi um achado casual.

Pode haver centenas, milhões, de mais Sistemas Solares como este por aqui

ou, absolutamente nenhum.

Isto é grande,

e olhem

alguma da sua atmosfera está a ser fervida pela sua estrela próxima.

É o planeta Bellerophon,

o primeiro planeta descoberto fora do nosso Sistema Solar em 1995.

O problema é que,

da Terra, é difícil de identificar

obscurecido pelo brilho da sua estrela vizinha.

Mas ele tem um pequeno efeito gravitacional na sua estrela.

Medindo esses pequenos movimentos, a triliões de quilómetros de distância,

pode-se provar que este planeta existe.

Foi assim que rastreamos Bellerophon,

e abrimos a porta para a descoberta de centenas de outros planetas distantes.

Quanto mais longe vamos,

mais recuamos no tempo na nossa viagem.

Estamos a 65 anos-luz da Terra,

ligando uma televisão nesta estrela brilhante, apanhar-se-ia

o sinal de TV dos Jogos Olímpicos de Hitler de 1936 em Berlim.

Estrelas gémeas,

é Algol, a estrela do Demónio,

temida desde tempos antigos.

Da Terra, parece uma estrela que pisca, ligando e desligando,

mas de perto,

podemos ver que, na realidade, são duas estrelas

e que uma está a ser sugada pela outra.

Quase a 100 anos-luz de casa,

ouçam

uma das primeiras emissões de rádio,

apenas sussuros fracos.

E depois silêncio.

Daqui em diante,

é como se a Terra nunca tivesse existido.

Quaisquer extraterrestres que vivam para além daqui,

não farão ideia nenhuma de que estamos lá.

E quanto mais longe viajamos, menos familiar,

mais perigoso se torna o Universo.

Bem dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea,

uma imensa livraria celestial.

Cada estrela é um livro com uma história para contar.

As Sete Irmãs,

transformadas em estrelas na antiga mitologia grega.

E este gigante,

Betelgeuse,

a mais brilhante e maior estrela que vimos até agora,

pelo menos 600 vezes maior do que o nosso Sol.

Mas isto...

...não é uma estrela,

não é um planeta,

nada como qualquer coisa que já vimos.

Um espectro fantasmagórico,

a mais de 1 300 anos-luz da Terra,

a Nuvem Negra de Orion.

Poeiras e gás,

tão denso, que que está a bloquear o Universo para a frente.

E bem no seu interior,

uma bola de luz

puxando a poeira e o gás para si,

aquecendo,

fundindo-se numa bola ardente de gás quente,

como uma estrela,

como o nosso Sol,

em miniatura.

Dentro, a temperatura atinge milhões de graus.

Tão quente,

que começa a despoletar reacções nucleares,

do tipo das que mantêm o nosso Sol a brilhar,

produzindo energia,

radiação,

luz.

Uma estrela...

...está a nascer.

Ou melhor,

estrelas.

A Nuvem Negra de Orion é uma imensa fábrica de estrelas.

Viemos aqui esperando horrores.

Em vez disso,

descobrimos uma das maiores maravilhas do Universo,

o nascimento de estrelas.

Estamos a testemunhar o nascimento do futuro Universo,

Jactos de gás,

explodindo a 200 000 quilómetros por hora,

lançando poeira e gás a milhões de quilómetros.

É incrivelmente violento,

mas olhem para os resultados.

Nebulosas,

imensas nuvens brilhantes de gás,

em suspensão no espaço.

Sem vento aqui,

levarão milhares de anos a dispersar.

Esta nebulosa é tão imensa que levaria um quarto de milhão de anos,

só para a circundar numa nave espacial.

Mas a sua imensa vastidão é ofuscada por uma forma estranha,

parece uma cabeça gigante de um cavalo,

empinado no espaço.

Estrelas nascem,

crescem e depois...

...depois o quê?

Morrem,

adormecem silenciosamente na noite,

ou acabam numa explosão?

O que acontecer a seguir,

acontecerá ao nosso Sol,

o seu destino jaz por aqui, algures.

Quase 4 000 anos-luz mais adiante,

nuvens luminosas suspensas no espaço,

rodando em torno do que foi uma vez uma estrela como o nosso Sol.

Tudo o que resta dela, são estes gases coloridos,

elementos formados por fusão nuclear bem no interior da estrela,

libertados para o espaço na sua morte.

Verde e violeta, hidrogénio e hélio,

a matéria-prima do Universo.

Vermelho e azul, nitrogénio e oxigénio,

os blocos de construção da vida na Terra.

Para vivermos,

estrelas como esta tiveram de morrer.

O oxigénio nos nossos pulmões,

o nitrogénio no nosso ADN,

foi tudo produzido por fusão nuclear

em estrelas que morreram muito tempo antes da Terra ter mesmo nascido.

Somos feitos

de lixo nuclear de estrelas.

No seu coração,

o fantasma de uma estrela.

É uma anã-branca,

branca

e incrivelmente quente,

pequena, mas inacreditavelmente densa.

Nos instantes finais das estrelas,

os átomos são fundidos e espremidos uns contra os outros,

tornando-a tão densa que apenas uma colher de chá

desta anã-branca pesaria uma tonelada.

É uma premonição assustadora acerca do destino do nosso Sol.

Daqui a 6 biliões de anos,

tornar-se-à numa anã-branca.

A sua morte, anunciará o fim da vida na Terra.

Isto fá-lo pensar quantos mundos já existiram e desapareceram,

histórias que ficaram por contar,

livros celestiais perdidos para sempre.

Mas a maior de todas as histórias

ainda não foi contada.

Temos de regressar no tempo até ao verdadeiro primeiro capítulo,

para contar a história

de como o Universo começou.

Isto são os restos dispersos da morte de uma estrela,

uma nebulosa,

a Nebulosa de Caranguejo.

Estamos a 6 000 anos-luz de casa,

bem dentro de um cemitério de estrelas.

Poeiras e gás,

estendendo-se por triliões de quilómetros.

Parece morto,

mas talvez isto seja apenas a acalmia depois da tempestade.

Depois de uma explosão massiva,

suficientemente poderosa para transformar uma estrela enorme

numa nuvem de poeira e de gás,

uma Supernova.

O olho da tempestade,

uma estrela pulsante girando,

um pulsar.

A gravidade espremeu o gigantesco núcleo da estrela nisto.

Tem apenas 20 quilómetros de diâmetro, tornando-a inacreditavelmente densa.

Uma cabeça de alfinete disto pesaria centenas, talvez milhões, de toneladas.

Enquanto diminui, como um patinador no gelo girando

com os braços esticados e depois encolhendo-os,

ele começa a rodar mais depressa.

Dois raios de luz,

energia, radiação,

rodando trinta vezes por segundo,

alimentando a enorme nuvem de poeira e de gás.

Há tanta radiação aqui,

ainda mais do que no nosso Sol.

Se este pulsar se aproximasse da Terra e do nosso Sol,

o nosso planeta ficaria instantaneamente despido de vida.

Aquilo foi de longe a coisa mais mortífera que já encontramos...

...até agora.

É a única coisa que não queríamos encontrar.

Impossivelmente negro,

apagando as estrelas atrás dele,

estamos a olhar para o rosto da morte,

os restos de uma estrela gigante,

um buraco negro.

Em vez de se contrair numa anã-branca, ou num pulsar,

apenas continuou...

... a encolher,

até ficar tão pequeno,

apenas alguns quilómetros de diâmetro.

Muito mais denso do que um pulsar,

e impossível de se lhe resistir.

Andar muito perto,

não há retorno.

Agora sabemos porque é um buraco negro.

A sua gravidade é tão intensa. que nem a luz consegue escapar.

Este asteróide, um pedaço de rocha sólida, está a ser esticado,

a ser arrastado para o buraco aberto.

Dentro não existe matéria tal como a conhecemos,

não existe tempo, nem espaço.

Todas as leis da Física colapsam.

O asteróide, desapareceu.

A verdade é que, ninguém sabe realmente para onde.

Estamos a olhar para o limite do conhecimento científico.

Pode haver milhões de buracos negros, rastejando em torno da nossa galáxia,

talvez mais do que todas as estrelas no céu.

Mas não os veríamos...

...até ser demasiado tarde,

como esta estrela,

descendo em espiral para um buraco negro invisível.

Quem pode dizer que não vivemos dentro de um imenso buraco negro,

que todo o Universo não está metido dentro de um neste momento,

dentro de um outro Universo?

Por vezes parece que quanto mais vemos,

menos sabemos.

Mas sabemos que a nossa galáxia é mais complexa

e mais perigosa do que alguma vez imaginamos.

E ainda estamos na nossa própria galáxia, a Via Láctea.

O resto do Universo ainda está pela frente.

As maravilhas,

os perigos,

os segredos,

estão aí fora.

Mas primeiro,

temos de encontrar uma saída da Via Láctea.

Estamos agora a 7 000 anos-luz de casa,

bem dentro da nossa galáxia,

viajando para o limite do Universo.

Ainda teremos de viajar muitos milhões de anos-luz,

mas há muito para ver no caminho.

Uma colossal nuvem brilhante, encimada por estas duas torres de poeira,

os Pilares da Criação.

Como uma passagem para uma galáxia distante,

ambos os pilares estão cravejados com minúsculas saliências,

sistemas solares embrionários,

cada um dos quais do tamanho do nosso Sistema Solar.

É outro monumento à espantosa criatividade da natureza,

mas não permanente.

A radiação das estrelas quentes vizinhas está a destruí-lo.

Em apenas alguns milhões de anos

esta imensa nebulosa

terá desaparecido.

Um piscar de olho em termos astronómicos.

Deslumbrados pela beleza da Via Láctea,

entramos num campo minado cósmico.

Nuvens gigantes de gás

explodindo desta estrela,

uma estrela milhões de vezes mais brilhante do que o nosso Sol.

As reacções nucleares que a sustentavam estão a diminuir.

Estamos a observar a sua agonia de morte.

Eventualmente,

o núcleo implodirá.

O resultado,

um novo buraco negro.

Uma ainda maior,

mesmo mais perigosamente instável estrela,

mas esta está prestes a explodir.

E quando uma estrela tão grande morre,

é centenas de vezes mais violento do que uma Supernova.

De alguma forma tropeçamos na morte mais violenta imaginável de uma estrela,

uma Hipernova.

O núcleo colapsou,

tornou-se um buraco negro.

E isto é a onda de choque,

vinda da estrela,

expelindo as suas camadas exteriores para o espaço.

Há radiação mortal por todo o lado,

suficiente para ter um efeito catastrófico em

qualquer planeta sucientemente azarado para estar por perto.

Quando virtualmente todas as espécies da Terra

foram extintas há 450 milhões de anos,

o culpado, pode ter sido uma destas.

Hipernovas mortais,

cometas congelados,

planetas queimados,

anãs-brancas,

gigantes vermelhas,

Terra,

pequenas gotas numa vasta piscina de luz branca,

a nossa galáxia,

a Via Láctea.

Queríamos saber onde nos encaixamos.

Eis a resposta.

Civilizações passadas e presentes,

todos quantos já viveram,

o mais pequeno insecto,

a mais alta montanha,

tudo isto

invisível,

nem mesmo uma minúscula mancha.

A nossa casa,

é um planeta menor

de uma estrela insignificante.

Se ele desaparecesse neste momento,

ninguém notaria.

E no entanto,

até agora ainda não encontramos nenhum outro lugar onde preferíssemos viver,

nenhum lugar onde pudéssemos viver.

Mas olhem para todas estas estrelas,

centenas, milhares delas.

Seguramente que uma destas, mais do que uma,

deve ser capaz de suportar vida.

Talvez aqui, neste aglomerado de estrelas,

o Grande Grupo.

Recuando aos anos 70,

astrónomos enviaram uma mensagem nesta direcção,

detalhando a estrutura do nosso ADN

e mostrando um plano do nosso Sistema Solar.

Mas está tão longe de casa,

que a mensagem não chegará antes de pelo menos mais 25 000 anos.

Não encontramos vida extraterrestre, ainda,

mas também não encontramos nenhuma razão para acreditar

que não exista por aqui...

...algures.

Há uma equação

concebida para estimar o número de outras civilizações avançadas.

E os resultados são chocantes.

Podem existir milhões de civilizações,

apenas na nossa galáxia.

Tudo o que vimos até agora,

pertence à Via Láctea.

Agora chegou a nossa oportunidade

de ver outras galáxias,

de vislumbrar uma ainda maior imagem,

e talvez responder à questão derradeira,

de onde veio tudo isto.

É tempo

de deixar o nosso Sistema Solar,

a nossa galáxia,

para viajar para além da Via Láctea,

através das imensas distâncias entre as galáxias,

entrando no

espaço intergaláctico.

Aqui fora,

não há horizonte à vista.

Mesmo as galáxias mais próximas estão a centenas de milhar de anos-luz.

Os restos de galáxias desfeitas pela imensa força de gravidade da Via Láctea,

espalhados por...

...nada.

Isto é o mais próximo que o Universo tem

de um vazio perfeito.

Mas mesmo isto não está completamente vazio.

Há finas mechas de gás,

traços finos de poeiras,

e mais alguma coisa,

matéria negra.

Tão misteriosa,

não a conseguimos ver,

senti-la, tocá-la,

ou mesmo medi-la.

E no entanto tão comum, que pode representar

90% de toda a matéria do Universo.

Se a matéria negra existir,

isso significa que não há tal coisa como espaço vazio.

Mesmo aqui fora,

estamos rodeados de matéria.

Só suspeitamos que existe,

por causa da estranha atracção que parece exercer nas galáxias,

como nesta,

a Grande Nuvem de Magalhães.

Mais de 6 biliões de anos na mais rápida nave espacial da actualidade,

a 160 000 anos-luz da Via Láctea,

no limite do seu alcance gravitacional.

Esta galáxia deveria girar no espaço,

mas alguma coisa parece estar a segurá-la aqui,

algo invisível,

poderoso,

matéria negra.

Estrelas,

aglomerados de estrelas,

nebulosas,

é uma imensa casa de tesouros astronómicos.

Uma bola de fogo,

expandindo-se a partir do que deverá ter sido uma explosão massiva,

uma Supernova.

Tão brilhante, que quando a luz da explosão chegou à Terra em 1987,

era visível a olho nú.

E tão violenta,

que desencadeou uma cadeia de reacções nucleares,

obrigando os átomos a unirem-se, criando novos elementos,

ouro,

prata,

platina,

ejectando-os para o espaço.

O ouro do anel no seu dedo,

foi forjado numa Supernova massiva como esta,

a triliões de quilómetros de distância,

biliões de anos atrás.

É um pensamento espantoso,

as estrelas, que parecem tão longínquas da Terra,

afectarem directamente as nossas vidas.

É reconfortante lembrar,

enquanto nos aventuramos mais através do abismo.

A galáxia Andrómeda,

a 2.5 milhões de anos-luz,

está a mover-se no espaço quase a 1 milhão de quilómetros por hora.

Tudo no espaço está a afastar-se,

como estilhaços numa explosão.

Estamos a ver esta galáxia como ela era quando os nossos primatas

ancestrais deram os primeiros passos nas planícies africanas.

Vamos mais longe no espaço,

e mais para trás no tempo,

para encontrarmos uma galáxia inteira

a explodir.

A única coisa suficientemente grande para causar uma explosão desta escala,

tem de ser uma colisão

com outra galáxia.

Mas esta galáxia não irá morrer,

renascerá,

uma nova forma,

talvez mesmo novas estrelas,

à medida que poeiras e gás colidem,

criando fricção,

ondas de choque,

despoletando

o nascimento de ainda mais estrelas.

Há ordem neste caos,

um padrão por detrás da variedade infinita,

um ciclo interminável de nascimentos e de mortes,

de criação

e de destruição.

É um padrão tecido na imensa fábrica do espaço,

que liga cada uma destas galáxias.

Há biliões de galáxias no Universo,

cada uma com biliões, mesmo triliões, de estrelas,

possivelmente,

mais estrelas do que há grãos de areia em todas as praias da Terra.

E tudo isto,

são apenas as estrelas que existem agora.

E as estrelas que já existiram e desapareceram?

Todas as estrelas que já nasceram,

ainda por nascer,

começamos finalmente a ver a grande imagem,

e é maior do que alguma vez imaginamos.

Esta galáxia,

a imensa Galáxia Cata-Vento,

está tão longe da Terra

que se mandássemos uma mensagem para casa agora,

levaria 27 milhões de anos a chegar lá.

Quem sabe se a nossa espécie, o nosso planeta,

ainda estariam lá para a receber.

Estamos a viajar

para trás no tempo.

Passamos o ponto em que os dinossauros foram extintos,

passamos o momento em que as primeiras criaturas rastejaram em terra.

2 biliões de anos-luz de casa,

a aproximarmo-nos do limite do Universo,

recuando até ao princípio do tempo.

Isto não é uma galáxia,

é mais brilhante que centenas de galáxias juntas.

Um raio de energia ofuscante estendendo-se por triliões de quilómetros.

Algo tão grande, tão brilhante,

deve ser incrivelmente poderoso.

A experiência diz-nos que por aqui,

poder iguala perigo.

É um quasar,

a mais mortal e mais poderosa coisa do Universo.

Um caldeirão giratório de gás super-aquecido,

mais brilhante do que centenas de galáxias.

A fonte deste poder imenso,

jaz bem fundo no coração da besta,

um coração de escuridão,

um buraco negro super-massivo,

tão pesado como biliões de sóis.

Está a rasgar estrelas inteiras,

sugando os seus gases para o quasar, devorando-os,

até elas não serem nada,

perdidas para sempre do Universo visível.

Vimos o pior que o Universo nos pode causar,

as suas mais poderosas forças destruidoras.

Agora, o nosso caminho está claro.

O verdadeiro limite do Universo está quase ao alcance.

Mas ainda precisamos de ir mais longe,

mais depressa,

para atravessar os confins finais do Universo.

8 biliões de anos-luz de casa,

mais galáxias,

mas estas parecem diferentes,

esfarrapadas, pequenas, próximas umas das outras.

Recuamos tanto no tempo

que estamos a ver estas galáxias como eram antes da Terra ter mesmo nascido.

Ainda são novas,

ainda estão a crescer.

Estamo-nos a aproximar do onde e do como

tudo começou,

há 12 biliões de anos.

Olhem para as galáxias agora,

parecem mais plâncton primitivo, flutuando num vasto e escuro oceano.

É mágico,

nuvens de poeira e de gás,

a dançar,

assumindo forma,

fundindo-se para criar galáxias embrionárias.

Foi assim que nasceu a nossa galáxia,

mas agora, estão a desaparecer.

Recuamos a um tempo anterior ao nascimento das estrelas,

a uma era de escuridão cósmica.

E antes disso,

luz,

o crepúsculo de uma explosão massiva,

a explosão que criou o Universo,

Estamos quase lá,

é isto,

conseguimos,

o limite do Universo,

a 130 biliões de triliões de quilómetros de casa,

há 13.5 biliões de anos,

o exacto momento do Big Bang,

o mais violento,

o mais criativo momento na História.

Tudo o que já aconteceu foi despoletado neste momento.

Todas as religiões,

todas as culturas têm pensado nisto,

mas ainda não sabemos o que desencadeou este acto de criação,

ou o porquê.

É aqui que a nossa viagem acaba,

e o Universo começa.

Um infinitamente quente,

pequeno, denso, ponto irrompe,

criando o espaço, o tempo, a matéria,

o nosso Universo em si.

Primeiro é do tamanho de uma partícula subatómica,

uma pequeníssima fracção de segundo depois,

é suficientemente grande para ser segurado na palma da sua mão.

Momentos depois,

é do tamanho da Terra.

Hoje, a luz do Big Bang

ainda continua a espalhar-se

como um silvo de estática de rádio.

Uma antena de TV apanha-a,

pode vê-la como estática numa televisão não sintonizada.

Continuamos,

avançando no tempo.

Todas as coisas que vimos na nossa viagem,

são faíscas a voar do Big Bang.

Galáxias,

estrelas, planetas, tudo apenas restos.

De regresso à nossa galáxia,

ao nosso Sistema Solar,

até chegarmos a outras cinzas arrefecidas,

rodando no crepúsculo do Big Bang,

a Terra,

a nossa casa.

Mas a história não acaba aqui.

Os efeitos do Big Bang continuam a envolver-nos.

O Universo continua a mudar.

Daqui a 3 biliões de anos,

a vasta galáxia de Andrómeda vai esmagar-se contra a nossa,

criando uma nova galáxia.

O Sol e os planetas sobreviverão,

mas serão lançados numa enorme órbita circular em torno da nova galáxia.

O Sol tornar-se-à numa gigante vermelha,

engolindo Mercúrio e Vénus,

queimando a superfície do nosso planeta,

destruindo toda a vida na Terra.

Depois, morrerá,

contraindo-se numa anã-branca.

As estrelas vizinhas também morrerão

substituídas por anãs-brancas, pulsares, buracos negros.

As luzes vão apagar-se

na galáxia.

Desde o Big Bang,

o Universo está a desaparecer,

a morrer,

não com um estouro,

mas com um longo suspiro prolongado.

Mas pode haver uma saída,

uma rota de fuga do nosso Universo moribundo.

Poderá vir a ser possível aos nossos descendentes distantes

encontrar um atalho através do espaço e do tempo,

um buraco de verme.

Se houver outros universos,

poderia levar os nossos descendentes de um universo condenado

para um outro paralelo,

onde poderão encontrar uma nova Terra, ainda no auge da vida.

Se tiverem sorte suficiente, viverão num novo Universo,

num novo planeta,

numa nova casa.

Legendas e sincronização CASIMIRO GOMES

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