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::::: VICIADOS LEGENDAS :::::
Orgulhosamente apresenta:
UM TRIO DE TERROR
NOS DOM�NIOS DO TERROR
Baseado nas Famosas Hist�rias de Hawthorne
Tradu��o: Cayman [Da Este Strigoi] Revis�o: Zebu
A EXPERI�NCIA DO DR. HEIDEGGER
H� muito tempo, o c�u desencadeou sua ira...
Para fazer o homem tremer na presen�a do desconhecido.
Enquanto um homem observa o poder da natureza...
...outros homens procuram neste infinito poder o segredo...
...de seu nascimento...
...e por que morreram.
Enquanto que sob o mesmo sol eles caminham...
...a terra que os sepultar�...
...permanecer� para esquecer de sua exist�ncia.
Meu querido, Carl...
...s� as instabilidades da vida, de uma longa vida...
...instabilidades que temos compartilhado quase como irm�os...
...podem fazer-me sair em uma noite como esta...
...para brindar...
...seu anivers�rio.
Naturalmente, se voc� tivesse mais considera��o...
...teria nascido quando o tempo estivesse melhor.
Da pr�xima vez que eu nascer...
...que seja na primavera, quando...
...tudo ao redor tamb�m est� nascendo.
Ent�o brindemos por nossos pr�ximos anivers�rios...
...para que possamos compartilhar pela eternidade a nossa amizade.
Excelente vinho do Porto. Excelente.
Digno de um homem cuja vida...
...lhe deu satisfa��es por 79 anos.
Satisfa��es?
Os anos foram solit�rios sem voc�, Alex
Somente outra pessoa poderia ter deixado saudade em minha vida.
Mas o que ser�, ser�.
Alex...
Sim?
Me pergunto, velho amigo...
Poderia me fazer um favor?
Sim, claro.
Se eu n�o estiver aqui...
...para festejar meus oitenta anos...
...poderia enterrar isto junto a mim?
Uma rosa seca?
N�o parece t�o bem depois de todos esses anos n�o � verdade?
Mas para mim esta rosa vale mais que todos os tesouros do mundo.
Sylvia deu-a pra mim...
...h� quase 40 anos.
Para us�-la em minha noite de n�pcias.
Perdoe-me, h� algo que devo fazer.
Sylvia, a hora chegou outra vez.
Uma outra etapa foi alcan�ada.
Brindo sua paci�ncia infinita.
Espere-me.
N�o passar� muito tempo at� que nos reunamos de novo.
Carl, Carl, se soubesse o erro que cometeu...
...nunca se casando por conta de uma lembran�a.
Meu querido Alex, sou capaz...
...de amar uma s� vez.
E se o destino decidiu que Sylvia deveria morrer na v�spera de nossas n�pcias...
O homem tem poder de de controlar o destino?
Por que n�o?
Nunca nada me impediu de viver o tipo de vida que eu queria.
Tudo depende do que se quer na vida.
Voc�...
Sempre necessitou de estar rodeado de risos, m�sica.
A m�sica � boa para a alma.
Nada encanta mais a uma dama que o som de um violino
Oh, Carl, Carl, que desperd�cio.
Muitas mulheres al�m de Sylvia o amaram.
Agora, haveriam filhos...
Sylvia compartilhava tudo comigo.
Seu rosto refletia meus sonhos.
Seu calor me favorecia.
Sua lembran�a me trazia vida.
Acha que eu permitiria a intromiss�o de outra mulher?
Mas n�o est� certo viver com um fantasma.
A tormenta.
� voc� e sua mania de falar de fantasmas.
Desculpe-me.
Prometo que n�o atrairei estes rel�mpagos outra vez.
A chuva est� parando.
Suponho que me culpar� disso tamb�m.
Veja.
A cripta!
Essa porta n�o � aberta h� 38 anos!
Vamos, amigo. Vamos ver que danos podem ter sido causados.
Acha dever�amos entrar a�?
Teme alguns ossos empoeirados e carcomidos?
Voc� � m�dico, est� acostumado a essas coisas.
Como m�dico, posso dizer que voc�...
...n�o est� muito longe de ser um monte de ossos empoeirados e carcomidos.
Acenda as velas, por favor.
Dois caix�es?
Este aqui � o de Sylvia.
O outro � meu.
Queria levar suas recorda��es at� a sepultura.
Est� gotejando.
A tormenta deve ter feito o teto rachar.
Ajude-me a p�r o caix�o no lugar.
N�o, n�o pode ser.
Depois de tantos anos.
Ela deveria ser apenas p�. Isso era tudo que poderia restar.
Sim, eu sei.
Mas � Sylvia. N�s dois sabemos.
Igualmente bela.
Feche o caix�o, vamos sair daqui.
Sou m�dico. Tenho que saber o que conservou o corpo.
� sacril�gio.
Perfeito.
Perfeito.
A carne est� firme, sem decomposi��o.
Mas, por que?
N�o � o ar aqui dentro.
Este jazigo n�o est� vazio
- Por favor, vamos... - Alex.
Sim.
Veja.
Aqui est� molhado, como se a �gua estivesse pingado.
Mas, claro.
Choveu muito esta noite e a �gua desceu colina abaixo.
N�o, n�o, n�o.
Para causar uma fenda assim...
...a �gua teria que gotejar sobre o caix�o por muitos anos.
Trinta e oito anos, talvez.
Quer dizer, desde que Sylvia foi posta aqui?
Sim.
O caix�o est� molhado por dentro.
A �gua deve ter-se infiltrado e mantido-se saturada.
N�o pensa que um pouco de �gua comum pode ter mantido Sylvia assim...
N�o disse que foi s� uma �gua comum.
A velhice est� afetando-o.
Eu digo que voltemos para dentro e terminemos nosso vinho! Vamos!
Pensei que havia perdido meu entusiasmo pela investiga��o h� muito.
E agora...
...aqui h� um desafio que me diz...
...que estou o suficientemente vivo para ser curioso.
Imposs�vel.
Simplesmente imposs�vel.
Definitivamente este l�quido � algo para an�lise.
Parece �gua.
Tem gosto de �gua, mas n�o � �gua.
Pelo menos, n�o a que conhecemos.
Pode beb�-la se quiser mas prefiro algo mais familiar: Whisky.
Um conte�do extraordinariamente alto de minerais.
Enxofre e praticamente sem bact�rias.
Pode ser que este l�quido seja um...
...tipo de germicida forte?
Ser for...
...que pode haver na terra sobre a cripta para que seja assim?
Poderia ser uma esp�cie de fonte da juventude?
Um l�quido t�o puro que...
...tem uma estrutura b�sica desconhecida?
Se encontrou algo t�o puro como isso neste mundo �mpio...
...voc� pode ser chamado de g�nio.
S� uma vez eu conheci algo t�o puro.
Sylvia.
Era t�o pura que fazia um homem...
...esquecer as outras mulheres por toda sua vida.
Agora que sabe tudo sobre este l�quido...
Importaria-se de sairmos deste lugar profano?
Um momento, tenho que ter outro teste.
Que vai fazer com isso?
Sabemos que pode conservar a apar�ncia.
Agora veremos se pode restitu�-la.
Restituir a vida? - Sim.
N�o fala s�rio.
� s� um experimento.
Voc� � velho demais para a curiosidade.
V�?
Est� viva de novo.
Uma fragr�ncia t�o doce como no dia em que Sylvia me deu.
- Percebe o que isso significa? - N�o.
E n�o estou seguro de querer saber o que significa.
- Isto � obra do diabo. - O diabo?
Ele n�o tem nada a ver com com esta felicidade.
Do que est� falando?
Suponha que eu beba um pouco e volte a ser jovem outra vez.
Est� louco.
N�o v�? Voc� poderia beber um pouco tamb�m...
...e nossa amizade duraria outra vida.
Dificilmente poderia chamar isso de uma obra do diabo.
Acha que seja poss�vel?
- Serei o primeiro a saber. - N�o.
O que aconteceria se fosse algum tipo de veneno?
Voc� viu o outro caix�o na cripta.
Velho amigo, estou seguro que far� os ajustes necess�rios.
Rezarei por voc�.
Para Sylvia...
...que nos trouxe a eterna juventude ou...
...s� a eternidade.
Sente algo?
N�o.
Talvez s� funcione em coisas, como flores.
O que houve com voc�?
Sinto-me tonto...
...febril.
Veja.
Meu rosto!
Diga-me o que v�.
N�o posso crer! Poderia ser seu pr�prio filho!
Estou ansioso para que voc� se junte a mim.
Vamos, beba o l�quido!
Depressa, depressa!
- Depressa, velho amigo. - Sim, estou apressando-me.
Lembra-se como era na juventude?
Alto, bonito, com a gra�a de uma pantera.
Eu tinha, n�o � assim?
Agora ter� tudo de novo.
Beba, beba!
Por Deus, voc� n�o caminhava, voc� deslizava.
Quando usava a capa...
...pensava que era a coisa mais espl�ndida que j� tinha visto.
Verdade?
Come�o a sentir agora.
A febre?
Bem, est� regressando atrav�s dos anos.
Esta tontura...
Talvez o l�quido e o whisky n�o se misturem.
Bobagem.
Retorne � sua juventude do mesmo jeito que queria...
...pleno de whisky.
O l�quido est� fazendo efeito.
Sou jovem outra vez.
Sou jovem!
Voc� conseguiu. Deixe-me sentir sua for�a.
Aqui.
Como ferro.
Que noite milagrosa foi esta.
E se acabar o efeito?
E se o l�quido n�o nos der juventude permanentemente?
Podemos beber mais.
Tem-se filtrado na cripta por 40 anos.
Poderia filtrar-se para sempre.
Que maneira genial de ficarmos jovens.
Tudo que temos que fazer � ter sede.
Os dois velhos mais sedentos do mundo.
Os dois jovens mais sedentos!
Morro de vontade de ver a express�o das pessoas ao ver-nos.
Se Sylvia pudesse nos ver.
Sylvia, � claro.
- Talvez ela nos veja. - O qu�?
Que est� dizendo?
Porque n�o dar-lhe a oportunidade de compartilhar esse milagre?
Mas n�o pode dar-lhe �gua, uma morta n�o pode beber.
Claro, mas h� maneiras.
Pe�o-lhe! N�o tente ressuscitar os mortos!
Voc� disse, a oportunidade...
...de viver nossas vidas outra vez.
- Se pudesse casar-me com Sylvia... - Casar-se?
Carl, voc� n�o pode.
Dediquei uma a vida inteira a Sylvia.
Estou disposto a dedicar outra.
Como vai faz�-lo?
Parece que at� o destino conspira para ajudar-nos.
H� alguns anos...
...um certo Dr. Pravaz, um franc�s...
...inventou um instrumento singular.
O que ele fazia?
Meus pacientes desaprovavam serem picados por ele, mas...
- Devo dizer que era muito �til. - Espere.
N�o estou certo de querer tomar parte nisso.
N�s tr�s �ramos insepar�veis.
Se Sylvia voltar...
...estou certo que ela gostaria que voc� estivesse aqui.
Deve ficar.
Mas talvez voc� esteja indo longe demais.
Quero dizer, suponha que a gente envelhe�a e morra.
Sylvia nunca teve a oportunidade de envelhecer
Talvez isto aconte�a.
Creio que vi seu dedo mover-se.
N�o, n�o vi nada.
Veja. Est� tentando de respirar.
Volte para mim.
Respire!
Est� respirando normalmente.
Sylvia, sou eu, Carl.
Carl Heidegger. Estou aqui.
Estou lhe esperando.
Carl?
Est� viva outra vez! Ela se lembra do meu nome!
Seus olhos, veja, est�o se abrindo.
Pode ver outra vez, oh, Senhor, em sua infinita miseric�rdia.
Carl, est� tudo pronto para o casamento?
O casamento?
Sempre t�o esquecido.
Esqueceu?
Nosso casamento � amanh�.
O casamento foi h� 38 anos.
� a �ltima coisa que ela recorda.
O que voc� disse?
Trinta e oito anos?
� dif�cil de explicar.
Que quer dizer com casamento h� 38 anos?
E estes trapos?
- Por que estou vestida assim? - Tranquil�ze-se.
Apenas escute, por favor.
-Se isto � alguma piada... - N�o.
� apenas algo muito estranho que aconteceu.
N�o se lembra de um repentino mal-estar que voc� sentiu...
...na noite em que �amos casar?
Isso foi apenas h� algumas horas.
Me senti debilitada, cansada, mas...
...agora estou bem.
Voc� morreu.
Voc� esteve morta por 38 anos..
Morta?
Trinta e oito anos?
Ele est� louco!
Voc� morreu.
Estava morta h� 38 anos.
1859?
Diga-me que ele est� louco.
N�o, Sylvia, � verdade.
Nada mudou.
E voc�s, os anos n�o os modificaram tamb�m.
Isso � gra�as ao milagre que descobrimos esta noite.
Do que est� falando?
Por favor, sente-se.
Esta noite...
...encontramos um l�quido estranho que vazava no teto da cripta...
Depois de fazer uns testes descobri que restaurava a juventude.
E j� que havia a conservado intacta devolvemos-lhe a vida com ele.
Est� certo disso?
T�o certo como existem o c�u e a terra, amor.
Poderei continuar viva?
- Para sempre? - Para sempre.
Se soubesse o quanto a amei durante estes anos.
O quanto guardei tua lembran�a e sonhei contigo.
-Nunca se casou? - Nunca houve outra mulher.
Assim podemos casar como se nada tivesse acontecido.
Nada poder� nos impedir agora.
Querida, conservei seu vestido de noiva.
Verdade?
Vou busc�-lo.
Posso trazer-lhe algo?
Quer um pouco de vinho?
� um bom vinho?
Como o que bebemos ontem?
- Ontem, h� 38 anos, certamente. - Por favor, Sylvia.
O dia de nossa �ltima discuss�o.
Sylvia, por favor.
Ele pode nos ouvir.
Vamos evitar isso. Partiria o cora��o dele.
E o meu?
N�o se sente culpado por isso, certo?
Eu a amava, voc� sabe.
Amar?
Tirar tudo que uma mulher pode dar e depois negar-se a despos�-la...
� essa a sua id�ia de amor?
Sabia que eu n�o pensava em casamento desde o princ�pio.
Eu te amava, mas queria ser livre.
Se entregou a mim. Tenta dizer que eu a seduzi?
Pensa podia ser feliz casando com ele para me ferir?
Queria ser sua esposa e n�o apenas outra mulher.
N�o me amava o suficiente.
N�o � amor suficiente um homem matar por voc�?
Matar?
Sabe porque adoeceu repentinamente na v�spera do casamento?
Eu a envenenei.
Acha que queria v�-la nos bra�os de outro homem?
Insistiu em afastar-se de mim, continuou o casamento com Carl por despeita.
Me for�ou a fazer o que tive que fazer .
Est� bem.
Talvez estivesse errada por ser t�o orgulhosa...
...podemos casar agora.
J� que temos outra oportunidade.
N�o podemos cometer o mesmo erro outra vez.
Como dizer isso a Carl?
Tem vivido como um monge durante anos preso � sua mem�ria...
...como se fosse algo sagrado.
Nunca destruiu a ilus�o.
N�o sei se pode faz�-lo agora.
Tudo o que sei �...
...que n�o viver outra vez se n�o puder t�-lo.
Diga-lhe a verdade.
Deve faz�-lo.
Por favor.
Tentarei.
Veja.
Veja.
T�o branco e puro como no dia em que voc� o provou.
Vista-o, querida.
Um futuro novo come�a para n�s esta noite.
Vamos, querida.
Poder�amos esperar at� amanh�?
A �nica coisa que fiz foi esperar.
N�o haver� mais anos e nem minutos desperdi�ados.
A vida � muito valiosa.
Vamos, querida, vista-o.
Quero v�-la linda e radiante como deveria estar.
Logo queimaremos tudo isso...
...com todas as recorda��es do passado.
Como meu melhor amigo...
...deve entregar-me a noiva amanh� na cerim�nia.
Bem, � muito tarde. Precisamos discutir isso agora?
N�o parece muito entusiasmado com o casamento.
O que esperava?
Ainda n�o me acostumei a isso.
Carl...
Sim?
H� algo que preciso dizer-lhe.
Sim?
� sobre Sylvia.
Que quer me dizer, velho amigo?
Que arruinou-me a vida uma vez?
Que est� para faz�-lo de novo?
Voc� nos ouviu!
Ou quer dizer-me...
...que fez de Sylvia uma vagabunda?
N�o.
Use a raz�o.
Perdoe-me, eu...
�ramos t�o bons amigos.
O efeito da �gua n�o dura.
Parou, ent�o.
N�o pare, maldi��o.
N�o pare, eu preciso de voc�.
Voc� levou Carl e Sylvia para longe de mim.
N�o me deixou nada.
N�o deixou nada.
Nada.
O sonho de eterna juventude do homem...
...uma ilus�o que come�a quando toma consci�ncia na mente...
...e dura at� o momento de seu descanso final.
Somente um sonho, talvez.
Mas, o que seria da vida sem nossos sonhos?
A FILHA DE RAPPACCINI
Entre as mais belas e maravilhosas cria��es do Senhor...
...est�o as coisas que crescem na terra.
� realmente estranho que o verde da erva e das folhas...
...as in�meras cores e fragr�ncias das flores...
...tudo que deveria ser reconfortante para a alma humana...
...possa desviar-se...
...de sua verdadeira ess�ncia e converter-se no mal...
...com um �nico prop�sito: a morte.
Senhorita Rappaccini.
Perdoe-me se a assustei.
Mas depois de v�-la a� ap�s tr�s dias seguidos...
...estava perdido. Tinha que saber seu nome.
Felizmente, minha criada � uma mulher compreensiva.
Sou Giovanni Guasconti.
Como est�, Sr. Guasconti?
Agora, se me d� licen�a...
Oh, espere. Queria falar com voc�.
Que deseja, Sr. Guasconti?
Bom...
...esta � minha primeira vez em P�dua.
Vou � Universidade.
Sou de N�poles.
Tenho lido sobre N�poles.
� bem maior do que P�dua...
...e tem uma bela ba�a.
Com o sol, brilha como um bonito colar que deveria...
...ornamentar o pesco�o de uma mo�a bela.
Poderia descer at� a� para falarmos?
N�o!
Perd�o.
Devo levar isto para casa imediatamente.
Quando voltaremos a falar?
Senhor...
...trouxe-lhe suas toalhas limpas.
Ser minha criada n�o lhe d� o direito de me espionar.
Sent�-me respons�vel.
Eu lhe disse o nome dela.
Ent�o me diga por que ela age como se tivesse medo de mim.
S� posso lhe dizer o que sei.
Nos 20 anos que eles me permitem viver aqui...
...nunca vi um visitante...
...entrar na casa.
Por que?
Diga-me voc�.
Estudar� os cap�tulos tr�s...
...quatro...
...e cinco.
Espero que fa�a melhor desta vez. Agora pode ir.
Professor.
Ah, meu jovem amigo, Giovanni.
Parece mais com seu pai a cada dia.
Tem perguntas sobre a li��o?
N�o, senhor.
� algo pessoal.
� sobre uma mo�a.
Primeiro penso que estou apaixonado por ela...
...e logo depois me pergunto...
...''Como pode ser, Giovanni?''
Nem sequer fiquei perto dela.
Cr� que seja um problema que um professor de ci�ncias pode resolver?
Voc� viveu em P�dua toda a vida.
Talvez conhe�a a fam�lia.
Seu nome � Rappaccini.
A mo�a se chama Beatrice?
Conhece-a?
Nunca a vi.
Ningu�m viu...
...exceto voc�, pelo que vejo.
Isso � loucura.
H� vinte anos...
...seu pai, Giacomo Rappaccini...
...ensinava ci�ncias, aqui mesmo.
Muitos pensavam que estava destinado a ser...
...o maior cientista deste s�culo.
Mas, de repente abandonou sua carreira...
...tudo.
Fechou-se dentro de sua casa e ningu�m mais o viu, desde ent�o.
E Beatrice? Certamente ela...
Ela pode ser a causa de tudo isso.
Ningu�m sabe, realmente.
Tudo que a gente de P�dua sabe � que...
...depois que ela nasceu...
...a esposa de Rappaccini o deixou...
...e fugiu com outro homem.
Isso foi quando ele deixou a universidade...
...E fechou suas portas para o mundo inteiro.
Vamos, vamos, P�dua est� cheia de mo�as.
Obrigado, professor. Voc� foi muito gentil.
Que aconteceu papai? Foi forte demais para voc�?
A radia��o do calor pelo �cido superou minhas expectativas.
Ent�o, sabe que posso destru�-la se quiser.
Mas ent�o eu morreria.
E voc� n�o querer perder n�s duas.
Quer?
Beatrice.
N�o tem senso de humor, pai?
A aplica��o levar� tr�s partes.
Pegue-os para mim.
Dividimos a mesma vida, amiga...
...mas voc� tem mais sorte.
Voc� n�o tem que pensar.
Lisabetta escolheu bem.
Estes s�o bons esp�cimes.
Sua filha tamb�m � um bom esp�cime, n�o � mesmo, pai?
Um esp�cime da coisa mais letal que j� esteve viva.
Chegar� o dia em que me agradecer�.
Em quanto tempo eu morreria...
...se n�o fossem essas inje��es?
Minha �nica preocupa��o � sua vida.
N�o importa.
A �nica diferen�a de estar morta � que...
...esta casa � maior que uma tumba.
Dez segundos...
A concentra��o est� correta.
Podemos enterrar essa pobre criatura, pai?
Podemos gravar em sua l�pide:
''Morreu para que Beatrice Rappaccini pudesse viver. ''
Nunca entender� como � afortunada...
...por n�o ser tocada pelos pecados do mundo.
Como foi minha...
N�o quero ouvir o nome dela.
Claro que n�o.
Exclua ela da sua mente...
...como tem nos exclu�do do mundo.
O mundo?
O que � essa repentina imagem que voc� tem do mundo?
Um mo�o est�pido numa janela?
� isso que v�?
Vejo um ser humano capaz de rir...
...e pensar em mim como mulher...
...n�o como a morte.
Bom dia.
Bom dia.
Bela maneira de iniciar o dia...
...vendo tal beleza.
Ser� melhor que n�o falemos muito.
Chegar� tarde em sua aula na universidade.
Vejamos, agora.
Passamos um m�s falando de filosofia...
...historia e atualidade mundial...
...e tudo desde minha janela.
Sabe com o que sonhei ontem a noite?
Que voc� me convidou para descer.
E pensei que estava morto por que era o para�so.
N�o � isso, �?
Creio que deve ser o para�so poder ir � universidade.
Giovanni, Vai chegar tarde, sabe disso.
Est� bem, minha princesa, j� vou.
Agora, fique com isto at� que volte a v�-la.
Oh, ''segure. ''
Esta chave me serve.
N�o, n�o deve. N�o � permitido entrar a�.
N�o lhes direi que voc� generosamente abriu a porta pra mim.
Lhes direi que ca� do c�u como um anjo vingador.
N�o, ''segure,'' n�o deveria.
Giovanni!
N�o!
N�o!
O inseto ainda guarda o veneno.
Veneno?
Vi a borboleta morrer...
...queimada.
Que � isso?
Que aconteceu?
Giovanni...
...n�o tem o direito de entrar no jardim.
Se guardou o beijo que mandei esta manh� de minha janela...
...tenho todo o direito.
Pegue, s�o para voc�.
Obrigada, Giovanni...
...mas n�o posso.
Sabia que de perto, � mais bonita ainda?
N�o se aproxime mais, por favor.
Nunca se aproxime.
Nunca?
Por favor.
Ponha as flores sobre o banco.
Agora, saia do jardim.
Meu pai n�o quer ningu�m...
Mas, por que n�o, querida?
Alguma vez a impedi de receber visitas?
Pai.
Devia apresentar-me a seu jovem amigo.
Sou seu vizinho, senhor.
- Giovanni Guasconti. - � um prazer, senhor.
Vejo que meu jardim lhe parece atraente.
Seu jardim tem muitos atrativos.
Giovanni, por favor.
Por favor, saia.
Amanh� � Domingo de P�scoa. Acho que poderia ir � igreja comigo.
N�o. Tentei avis�-lo.
Claro que pode ir � igreja com ele, querida.
Por que n�o poderia?
Disse algo que a ofendeu?
As jovens damas �s vezes s�o dif�ceis de entender, Sr. Guasconti.
- Talvez amanh� ela... - Sim, � poss�vel.
Bom dia.
Bom dia, senhor.
Sente-se muito superior, pai...
...agindo dessa maneira?
Dadas as circunst�ncias, penso que fui am�vel.
V�, at� trouxe as flores.
� estranho ver flores que n�o est�o prontas para matar.
Ent�o, tome-as querida.
Afinal de contas, ele trouxe isso com suas pr�prias m�os.
Ele as segurou.
Agora segure-as.
Um detalhe muito bonito e sentimental, n�o acha?
Giovanni, tenho que falar com voc�.
Por favor, des�a. Abrirei a porta.
Tinha que falar com voc�.
Vamos falar em p�blico. Estar�o celebrando as festas.
N�o, n�o posso ir. N�o posso ir a nenhum lugar.
Ainda n�o percebeu isso?
Isto n�o � uma pris�o, Beatrice. A porta est� aberta.
Oh, Giovanni, se fosse assim...
� por isso que tenho que falar-lhe.
Esque�a-me. Esque�a que me viu.
Foi para isso voc� me chamou? Para dizer-me que a esque�a?
E por que deveria? N�o poderia esquec�-la mesmo querendo.
Ambos devemos esquecer, Giovanni.
- Beatrice, eu n�o... - N�o se aproxime.
Escute-me. Deve escutar-me.
Viu a borboleta morrer quando tocou a folha.
Sim.
Voc� morreria se me tocasse...
Que tipo de bobagem � essa?
- Por que voc� e essa planta... - � isso que voc� deve entender.
Espera que eu acredite nessa bobagem?
� a verdade.
Deixe que minha m�o toque a sua.
Morreria?
Est� me dizendo que, se a beijar, caio morto como aquela borboleta?
Sim. Como o ar � sua vida, o veneno � a minha.
Tem sido assim desde que nasci.
Desde que meu pai fez de mim o que sou.
Seu pai?
Somos suas cria��es, a planta e eu.
Usou seu veneno para mudar a qu�mica de meu sangue.
- N�o posso acreditar nisso... - Como posso faz�-lo entender?
Espere.
Espere.
V� esse animal, Giovanni?
Observe.
Observe essa pobre criatura morrer.
Ainda me quer?
Ainda lhe parece t�o agrad�vel ter-me em seus bra�os?
Em nome de Deus, por que seu pai fez isso?
Para que n�o peque nunca, como fez minha m�e.
Assim homem nenhum poder� tocar-me com maldade.
Agora sabe de tudo.
Voc� tentou se matar...
Tentou tirar a pr�pria vida.
Quero morrer.
Por favor, deixe-me morrer!
Filha, s� quero proteg�-la de problemas.
Nunca quis v�-la magoada.
Pensou que eu nunca precisaria do amor de um homem ou de sua for�a?
Mas todos esses anos que temos passado juntos...
...n�o podem acabar por culpa desse rapaz.
Voc� o culpa?
Est� t�o doente que n�o se d� conta do que tem feito?
Daria sua vida por ele?
Pensa que n�o tentarei outra vez?
Nem sempre estar� por perto para me impedir.
Fez bem em me acordar, Giovanni.
Nunca havia nada parecido como isto.
O �cido corroeu todos os �rg�os da lagartixa.
Que tipo de monstro � este Rappaccini?
� a isso que ele chama ci�ncia?
Ele advertiu-me para manter-me longe.
Como posso ajud�-la? Talvez seja imposs�vel...
Paci�ncia, paci�ncia.
H� muitas coisas que posso tentar fazer. Levar� tempo.
- V� para casa e tente dormir um pouco. - N�o.
Por favor. N�o h� nada que possa fazer aqui.
Se houver alguma esperan�a, eu lhe avisarei.
Sim, senhor.
N�o importa a hora, preciso v�-lo esta noite.
G. Rappaccini
Infelizmente, Beatrice n�o p�de estar aqui.
Estava nervosa pelo que aconteceu e tive que dar-lhe algo para dormir.
Mas precisamos falar a s�s.
Quando me dei conta da seriedade da coisa entre voc�s...
...quis lhe dar uma explica��o.
Uma explica��o ou uma desculpa in�til pelo que fez a ela?
Cr� que meu conhecimento � t�o pequeno que n�o posso desfazer o que fiz?
Pensa que iria querer que viesse aqui para...
...oferecer a m�o de minha filha em casamento...
...se eu achasse que n�o podem se casar?
Se isso � verdade...
Beatrice o quer. Sua felicidade � minha �nica preocupa��o.
A minha tamb�m, senhor.
Bem. Ent�o brindemos a isto?
- Est� certo que Beatrice ficar� bem? - Sim.
N�o sei quais eram seus experimentos...
...mas se a tem a ver com imuniz�-la ao veneno...
N�o tem que preocupar-se com isso.
A proeza maior � deixar a mente humana...
...imune ao veneno da maldade...
...mais que ao veneno qu�mico.
Para os dois �nicos homens na vida de minha filha.
H� uma hora, senti como se o mundo houvesse ca�do.
Agora o mundo est� outra vez onde deveria estar.
N�o importa o que ainda aprenda, lembre-se disso...
N�o h� for�a mais poderosa...
...nada pode impulsionar o homem o mais r�pido...
...ao �xito ou � destrui��o...
...que o amor de uma mulher.
Creio que...
N�o dormi muito...
O que � isso?
- O que est� fazendo? - J� est� feito.
O que?
Queria Beatrice, n�o � mesmo? Agora poder� t�-la.
Compreende isso, Giovanni?
Enquanto viverem, n�o haver� ningu�m mais...
...em seu caminho.
N�o haver� maldade em suas vidas e nem pecado.
O que est� dizendo?
V� at� ela, Giovanni. Toque-a.
Tome-a em seus bra�os. Case-se com ela.
Nada poder� lhe machucar agora.
Voc� me modificou.
Mantenham-se juntos, os dois...
...contra todas as coisas ruins desse mundo.
Porque n�o me agradece? Ou ficou sem fala de tanta felicidade?
Me converteu na mesma coisa que ela.
Era o que queria, n�o �?
Votos sagrados que nenhum homem poder� separar?
Est� transtornado, louco.
N�o tinha o direito!
Voc� voltar�.
N�o h� nenhum lugar onde possa ir. Ter� que voltar.
N�o pode ir a nenhum lugar! Voc� voltar�!
Esta coisa terr�vel que Rappaccini fez a voc� e a filha del...
� muito complexa.
Est� dizendo que n�o pode nos ajudar?
N�o tenho certeza.
Eu disse o problema � complexo.
Rappaccini conseguiu converter uma planta venenosa da �ndia...
...para que a mesma planta elabore uma f�rmula de �cido hidroci�nico.
Meu sangue � isso agora?
- � isso que espero que seja. - O que quer dizer?
Sabemos que tocar essa planta significa a morte.
Entretanto, preciso trabalhar para encontrar um ant�doto...
...que possa destruir os efeitos das radia��es do �cido.
- Professor! - Vejo no microsc�pio.
Mas o que ser� de voc�?
Seriam anos de testes para ver as rea��es no sistema humano.
Anos? Cada hora s�o mil anos.
Beatrice e eu n�o temos tempo.
D�-me.
Poder� minha consci�ncia deixar que voc� o tome?
Poder� sua consci�ncia negar-me?
N�o, por favor, ponha-o a�.
O que quer que aconte�a, estaremos sempre em d�vida com voc�.
Que Deus o acompanhe.
Beatrice!
N�o tem por que ficar longe de mim agora.
Que est� dizendo?
Ainda n�o sabe o que aconteceu ontem � noite?
Est� vendo? Ainda estou vivo.
Essa foi a resposta de seu pai.
N�o p�de mud�-la e ent�o mudou a mim.
N�o.
N�o queria isso.
Se eu soubesse...
Agora ambos estamos presos.
Ambos somos prisioneiros.
N�o, podemos escapar.
O professor Baglioni fez isto. � um ant�doto.
Disse que pode neutralizar o veneno.
Se realmente nos livrar...
Reze, Beatrice.
N�o!
- R�pido, d� para mim. - N�o, espere.
Tolo...
O veneno era sua vida, como � para voc�. Isso s� pode mat�-lo.
Voc� o matou.
Mas voc� o queria. Dei-o para voc�. Para ficarem estar juntos.
Ent�o, assim ser�.
Beatrice.
Beatrice, minha filha, s� queria sua felicidade.
Como pode me dar algo que nem voc� tem?
Voc� s� pode me dar...�dio.
Espere-me.
Sempre te amarei, onde quer que eu...
Onde come�a a maldade?
E onde ela acaba?
Pode o olho humano distinguir a linha sutil...
...que separa a sanidade da loucura?
Se n�o, pode haver um juiz t�o s�bio que possa julgar a raz�o de um homem...
...pelos pecados que comete?
A CASA DAS SETE TORRES
A casa das sete torres come�ou sua exist�ncia...
...em um ano de terror.
Em 1691 uma histeria massiva dominava a Nova Inglaterra...
...e gente inocente era condenada por bruxaria.
Sim, foi uma �poca de terror e sangue...
...e deixou uma mancha na casa que n�o pode ser apagada...
...por mais de 150 anos.
Bem, finalmente se atreveu a regressar.
Esta � minha esposa Alice. Minha irm�, Hannah.
Gerald, temos o de direito de estar aqui?
Direito?
Esta casa � t�o minha quanto � de minha irm�. N�o � assim, Hannah?
Sua aus�ncia por dezessete anos me faz questionar esse direito.
Poderia por favor lev�-las ao segundo piso?
Meus p�s me trouxeram at� aqui.
Mas n�o dar�o uma passo a mais dentro desta casa.
- Por que ele disse isso? - Ele � um idiota, n�o quer dizer nada.
Eu n�o estaria t�o certa, Gerald.
N�o pensa, que o povoado inteiro sabe, que o var�o Pyncheon regressou?
Acho que temos de lev�-las n�s mesmos.
- Ficar� em seus antigos aposentos? - Sim.
Se poss�vel, dois aposentos seriam melhor.
Gerald tem o sono leve e n�o gosta de me perturbar.
Muito bem. Ficar� nos aposentos de h�spedes, pr�ximo ao meu.
Se nossa presen�a aqui � inconveniente para voc�...
S� posso dizer que meu irm�o cometeu um erro ao voltar.
Hannah.
Sim?
Posso perguntar por que?
Voc� n�o sabe mesmo, n�o �?
Qualquer que seja a raz�o de Gerald estar aqui, isto foi id�ia dele.
N�o � o primeiro erro dele que tenho de aceitar.
O que foi?
De repente senti frio.
N�o h� corrente aqui.
� um frio estranho.
Creio que me sentirei melhor pela manh�...
...quando puder olhar pela janela e ver o jardim...
...as �rvores, o velho po�o.
Como sabe que est� al�m da janela?
O jardim est� l�, n�o est�?
Sim, est�.
N�o sei como soube do jardim.
Gerald nunca me falou.
Hannah, como pude...
Com medo de uma cadeira ensang�entada?
Ou guarda muito conhecimento de nossos ancestrais que morreram nela?
N�o anseie pela minha morte.
N�o tenho inten��o de honrar a cadeira com minha morte.
Ele tamb�m n�o tinha.
� um tolo.
Algum homem da nossa fam�lia morreu de outra maneira?
Ent�o serei o primeiro. N�o partirei por medo.
Quando obtiver o que quero na casa, partirei. N�o antes disso.
Acha que pode enganar um fantasma?
� t�o imune � morte que pode desafiar o que arruinou esta fam�lia?
Eu estarei vivo o tempo que for necess�rio.
N�o tem escolha. O homem enterrado embaixo desta casa n�o esperar�.
Volte aos seus livros de dem�nios e bruxaria.
Eles s�o seus �nicos companheiros.
Por que n�o? N�o foi um morto que sugou a fortuna da fam�lia.
Agora que nos arruinou, acha-se no direito de tomar o que � meu?
Seu?
Assume muita coisa, cara irm�.
Nunca encontrar� a caixa forte.
Varri a casa de cima abaixo...
...como cada Pyncheon o tem feito por 150 anos.
O fantasma n�o deixar� encontr�-la.
N�o importa onde procurar. Importa como procurar.
Agora vejamos se um homem morto pode deter-me.
- Onde foi o Gerald? - Ele n�o falou.
Se quer Gerald vivo, tire-o desta casa.
Vivo?
V� essas manchas de sangue?
Era o sangue dele. Saiu de seus l�bios.
Est� em sua l�pide...
...em 17 de mar�o de 1691...
...a primeira noite que viveu nesta casa.
Os Pyncheon est�o amaldi�oados.
Todos os homens da fam�lia morreram do mesmo modo.
A n�o ser que Gerald se v�, tamb�m morrer� com sangue nos l�bios.
J� que ambos estamos morando aqui...
...ao menos diga-me quem vem esta noite.
Saber� quando chegar.
O que est� escondendo, Gerald?
Vi voc� sair apressadamente esta tarde.
Se � sobre a caixa forte, tenho o direito de saber.
Tem direito de meter-se em meus assuntos privados?
Voc� n�o tinha direito de falar � Alice sobre a mancha na cadeira.
At� quando acha que pode esconder a verdade?
Talvez seu visitante n�o venha.
Muito tempo passou desde que os Pyncheon podiam dar ordens...
...e todos tinham que obedecer.
Enfim, decidiu vir.
O seu quarto vazio � melhor companhia?
Algu�m est� chegando.
O que est� dizendo? N�o h� ningu�m l� fora.
Seu nome � Jonathan Maule.
Jonathan Maule?
� a pessoa que espera?
Sim. E se tem alguma obje��o, quero ouvi-la.
Quem lhe disse que Jonathan Maule vir� aqui esta noite?
Ningu�m disse.
Ele est� aqui.
Jonathan Maule chegou.
Ela tem raz�o, ele chegou.
Como pode saber sobre um homem chamado Jonathan Maule?
Alguma vez o viu?
N�o, n�o vi.
Hannah, como eu pude saber que ele viria?
Como?
N�o podia saber...
...sem que algo nesta casa deixasse saber.
- Sr. Pyncheon? - Sim, recebeu minha mensagem?
Quando retornei do meu neg�cio.
Ouvi m�sica l� fora.
Sim, minha esposa estava tocando.
Podemos falar no est�dio, Sr. Maule.
Sra. Pyncheon...
...esta m�sica, onde aprendeu?
Eu...
Eu nunca a havia tocado.
Nunca havia escutado antes.
Sr. Maule?
Perd�o.
Perdoe-me irromper deste modo, estava surpreso.
Podemos falar agora, Sr. Maule.
Srta. Pyncheon.
N�o esperava v�-lo nesta casa.
N�o esperava ser convidado.
Sente-se, Sr. Maule.
N�o ignoro os grandes desacordos...
...que existiram entre nossas fam�lias, senhor.
Mas sempre digo que o bom whisky...
...� o melhor acompanhamento para �guas turbulentas.
� sua sa�de, senhor.
N�o � pr�prio de um Pyncheon convidar um Maule para passar o dia.
N�o, claro que n�o...
...a n�o ser que ambos tenham algo a ganhar.
Nossos antepassados diziam que os Pyncheon ganhavam sempre.
Vivemos em uma era iluminada, Sr. Maule.
Uma disputa familiar iniciada em 1690 dificilmente pode afetar-nos.
O que voc� quer, Pyncheon?
Quero fazer um trato com o senhor.
Por gera��es, a sua fam�lia possui uma certa informa��o.
Refere-se � caixa forte escondida nesta casa?
Precisamente, senhor.
Seu ancestral foi o arquiteto deste lugar.
Ele devia saber onde estava a caixa.
Sua irm� n�o lhe disse que h� 10 anos ela tentou averiguar o que sei?
Supus que ela havia feito isso.
Mas lhe trago uma proposta diferente, senhor...
...a casa das sete torres pela sua informa��o.
O que est� me oferecendo, Pyncheon, uma tumba decadente...
...constru�da sobre a terra roubada de meus antepassados?
A justi�a resolveu este assunto h� 150 anos, senhor.
A justi�a que os Pyncheon controlavam.
Se soubesse onde est� a caixa forte...
...n�o diria por nenhum pre�o.
Minha fam�lia tem sofrido bastante por...
...uma maldi��o posta pelos Maule.
Explicou isso ao homem enterrado aqui?
Digo que a maldi��o acabou. O passado pertence ao passado.
� mesmo?
A maldi��o dizia que os Pyncheon beberiam sangue.
Ainda est� certo de que o passado permanece no passado?
Sra. Pyncheon.
Sr. Maule, por favor.
Me pareceu que sabia algo sobre a m�sica que toquei...
...mais do que eu mesma compreendo.
A m�sica � muito antiga.
A �nica vez que a ouvi foi quando eu era menino e minha av� a tocou.
Ainda assim, eu a conhecia.
Parece que sei muitas coisas que n�o deveria saber...
...e sempre come�a quando eu sinto um calafrio...
...como se me possu�sse.
Sabia seu nome antes de ouv�-lo.
Pude sentir que estava na porta antes de entrar.
Ent�o o que quer de mim � uma explica��o.
Sr. Maule, se h�, por favor devo sab�-la.
Como explicar minhas sensa��es esta noite?
Quando recebi a mensagem de seu marido n�o queria vir.
Mas algo martelava minha mente, obrigando-me a vir.
Juro que enquanto estava ainda em casa...
...podia v�-la tocar essa m�sica.
Era seu rosto...
...o mesmo vestido que est� usando agora e o movimento de suas m�os.
Era como se a conhecesse desde que nasci...
...ou antes disso.
Sim, creio que sinto o mesmo.
Mas n�o nos conhec�amos antes desta noite.
O que est� acontecendo, Sr. Maule?
Voc� sabe, h� uma maldi��o sobre esta casa.
Hannah me disse algo.
Disse-lhe tamb�m que o homem que lan�ou-a contra os Pyncheons...
...Matthew Maule, est� enterrado embaixo da casa?
Ontem a noite...
...minha porta se abriu mas n�o havia nada l�...
...e, ainda assim, algu�m ou algo entrou no meu quarto.
Podia sentir que estava ali.
E quando se foi...
...encontrei isto...
...este medalh�o.
Este retrato, � seu?
N�o, n�o sei quem � ela...
...e n�o sei o que significa o medalh�o.
N�o ia sair ao seu encontro assim...
...mas algo me obrigou para que pudesse dar-lhe isso
Ent�o, talvez seja esta a resposta para n�s.
N�o sei qual pode ser a resposta.
N�o estou certa se quero mesmo saber.
Vou sair daqui.
Vou esquecer que a casa das sete torres existe.
Alice!
Alice, quero falar com voc�.
N�o temos nada para falar.
Tudo que quero � sair desta casa.
Partir� quando eu disser.
N�o suporto mais. Sinto-me como se estivesse ficando louca.
Por favor, n�o tente me deter.
Vou na primeira hora da manh�.
� minha esposa e eu...
Nora.
Matthew, voc� veio...
...depois de todos esses anos de espera.
chamou-me de Matthew.
Havia...
Havia outro homem aqui.
Tinha...
Tinha um colete de couro, como um ferreiro.
Matthew Maule tinha aqui seu forno de ferreiro...
...perto desse po�o onde a casa foi constru�da.
O que queria de mim?
Por que me fez vir ao jardim?
Talvez por saber que eu estaria aqui.
Disse-lhe que sentia que a conhecia desde antes de nascer.
Agora penso que foi muito antes disso.
Penso que o que sentimos come�ou h� 150 anos.
O medalh�o poderia ter revelado isso?
Acredito que sim.
Alice, o nome de sua av� era Holbrook, Deborah Holbrook?
Como sabe disso?
Tenho verificado velhos jornais desde que me deu o medalh�o.
A mo�a no medalh�o � Nora Holbrook.
Matthew me chamou Nora.
Nora era a mo�a com que Matthew ia casar quando o enforcaram.
O Coronel Jeffrey Pyncheon o condenou por bruxaria...
...porque Pyncheon queria esta terra, a terra em que estamos agora.
Ent�o por que Matthew est� enterrado a�?
Quando Pyncheon quis construir a casa...
...teve que recorrer ao �nico arquiteto daqui, o irm�o de Matthew.
Eram �pocas de supersti��es.
Pyncheon desafiou a maldi��o de Matthew...
...mas seu irm�o queria torn�-la realidade.
A maldi��o se realizou.
A m�sica que voc� tocava...
Sim?
Era a m�sica que Nora Holbrook escreveu para Matthew.
Compreende?
Matthew foi enforcado antes que eles pudessem consumar seu amor.
Mas esse amor n�o morreu com Matthew.
Ele quer que volte a viver, atrav�s de n�s.
Jonathan...
...n�o podemos ter esse amor.
Ent�o por que nos sentimos atra�dos desta maneira...
...se n�o dev�ssemos nos amar?
Est� por fazer algo que se arrepender�?
- Saia do meu caminho. - Os vi em minha janela.
Ent�o sabe por que matarei Maule.
Matar a sua �nica oportunidade de encontrar a caixa forte?
Voc� est� t�o cego est� que n�o percebeu que eles s�o a chave?
Eles? Est� louca.
Quero minha parte do dinheiro.
N�o o deixarei atrapalhar tudo.
Devo deixar de lado minha esposa?
O orgulho n�o te dar� o que comer.
Quando encontrar a caixa forte poder� fazer o que quiser.
N�o agora.
Ainda sou a esposa de Gerald.
Por favor, agora v�.
N�o nos veremos mais.
Est� bem.
S� desejava ter tido o direito de expressar meu pr�prio amor...
...n�o o de Matthew.
N�O DEVE PARTIR
Por que veio aqui embaixo?
N�o sei dizer.
Por que n�o?
Foi Jonathan Maule?
N�o.
N�o minta. Disse a voc� onde est� a caixa forte.
Isso n�o � verdade.
Devo for��-la a dizer a verdade?
O que � isso?
Est� pronta a abrir portas para Jonathan que mant�m fechadas para mim?
Quem pode estar na casa?
O que � isto?
O fantasma de Matthew Maule?
Por que?
Foi invocado por Jonathan para ficar entre n�s?
� o que quer?
Avisei que deixasse a casa.
Voc� trouxe de volta Matthew Maule. Voc� e ningu�m mais!
Se procura por mim, Maule, aqui estou.
Estou esperando. Destr�a-me se puder.
Porque se n�o o fizer, tomarei tudo o que quiser e estar� perdido.
Traga-me um pouco de �gua.
� sangue.
Um pouco de �gua!
O que esperava?
A �gua � do po�o de Maule.
Se misturou com o revestimento das paredes.
Esperava algo al�m do sangue de Matthew Maule?
Mas ainda estou aqui.
E ainda n�o sinto o sabor do sangue.
Se isso � o m�ximo da vingan�a de Maule...
...n�o poder� me impedir de encontrar a caixa forte.
Saia.
Importa-se que eu observe?
Assim estarei segura de repartirmos o que encontrar.
Se a velha escritura da terra no Maine est� na caixa...
...valer� milh�es!
Mais do que o suficiente para n�s dois.
Seu bra�o...
...desapareceu!
Matthew Maule era um ferreiro...
...um homem com dois bra�os.
Jonathan mandou Alice aqui embaixo.
O segredo da caixa forte deve estar na tumba.
O quadro no est�dio.
E esta flecha...
...pode indicar algo escondido a�.
Voc� tinha raz�o. Jonathan Maule e minha esposa eram a chave.
Queriam a escritura para eles.
Satisfeita agora?
Um Pyncheon sobreviveu aos Maules.
Est� seguro de ser esse Pyncheon?
Isso diz que sim.
Ou tem a id�ia ambiciosa de que isso diz respeito somente a voc�?
O poder da maldi��o nunca foi dirigido a uma mulher Pyncheon.
Ficarei feliz de repartir a fortuna...
...enquanto voc� viver.
Est� muito confiante, querida irm�.
Voc� que disse que meus companheiros naturais eram dem�nios e bruxas.
O que devo temer?
Vamos subir e compartilhar nossa vit�ria?
Por que n�o? � uma noite para celebrar.
Mas pretendo celebrar s�.
Voc� a matou!
Sua pr�pria irm�, em nome de Deus!
Aonde vai? � pol�cia?
Quer que me prendam por assassinato e assim poder� ficar com ele, n�o?
Ele disse que n�o voltaria pra esta casa. Sabia que era maldita.
Deixe-me ir!
Sim, claro, querida esposa. A deixarei ir com Jonathan.
Pensando bem...
...acho que chegamos a um acordo. Vou lhe dar outro Maule.
Alice.
O �ltimo Pyncheon est� morto. A maldi��o acabou.
Foi assim que a casa das sete torres chegou ao fim...
...destru�da pela decad�ncia, avareza e pelo �dio...
...que apodreceram-lhe os alicerces.
Foi o momento em que Matthew Maule...
...encontrou a paz.
Tradu��o: Cayman [Da Este Strigoi] Revis�o: Zebu
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