Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Era uma vez.
Era uma vez.
Era uma vez, antes de os rapazes morrerem.
Tínhamos um cavalo.
Um cavalo mesmo, de corrida.
Um puro-sangue.
Num estábulo perto de Newbury. Nunca ganhou nada, mas era nosso...
deleite.
Nossa esperança de fama e glória
nas pistas de corrida do sul da Inglaterra.
Fandango.
Na maioria das vezes, só um nome, nunca visto...
Um quarto de milha caro e bem treinado.
Menos naquela manhã louca de junho.
O trato era que nossos pais tinham a cabeça e o corpo dele
e Dick, Freddy e eu tínhamos uma pata cada.
E a quarta pata?
A quarta pata.
Ela sempre foi a dúvida, Jane.
O Domingo das Mães.
DIA DAS MÃES 30 DE MARÇO DE 1924.
Que dia lindo para folgar, Jane!
Sim, senhor.
Um dia lindíssimo.
Não acha, querida?
Sabe, se alguém tivesse
nos dito que seria assim,
poderíamos levar as cestas.
Como fazíamos.
Lá no rio.
Um piquenique.
Não acha, querida?
É março, Godfrey.
É, sim, é verdade.
Vamos a Henley para o almoço e vocês, Jane...
Você e Milly terão o dia todo para...
Fazer o que quiserem.
Obrigada, senhor.
Imagine só! Fazer o que quiser.
E os Hobdays, os Sheringhams
e os Nivens se reunirão.
Perto do rio.
Parece agradável, senhor.
E você, Jane? O que vai fazer?
Bom dia. Casa de Beechwood.
Jane.
É você?
Sim, senhora.
Quem era, Jane?
Foi engano, senhor.
Mesmo? Num domingo?
Santo Deus!
Bom, Jane...
Antes de ir...
Tome.
É muito gentil, senhor.
Tenha um lindo dia, Jane.
Obrigada.
Imagino que Milly leve a primeira bicicleta à estação, certo?
Sim. Depois, vai para a mãe dela.
Sim. Claro, claro.
E você?
Se me permite, senhor, vou sair.
Quero dizer, na segunda bicicleta. Como disse, o dia está lindo.
Está um dia lindo mesmo.
Sim, imaginei que faria isso. Claro.
Claro que eu também faria isso, se fosse pela minha vontade.
VONTADE
Pegue um livro, se quiser, Jane.
É muito gentil, senhor.
O dia é seu, Jane.
Imagine só!
O país todo à sua disposição.
Obrigada, senhor.
É um dia perfeito para isso. Perfeito.
ISSO
Está livre, pode ir.
Para a casa da minha mãe? "Livre" não é a palavra.
O dia está lindo, Milly.
Nossa, detesto quando você está alegre.
Vou fazer minha vontade o dia todo.
Vontade?
Até me despeço de você. Vamos juntas na primeira parte.
Por quê? Para onde vai?
Vamos, Milly!
O que acha que estou fazendo?
Seu trem parte em 20 minutos!
O dia todo com um livro, Milly.
Ficar sem mãe no Dia das Mães.
Ela deve ter feito um rosbife e suas batatas famosas.
Meu Deus! Rosbife nesse calor?
Ela vai paparicar muito você.
- Não vai. - Vai, sim.
Não vai calar sobre a falta de um marido.
Terá mil e uma histórias de alguma boa moça
que casou com um jovem do vilarejo.
- Mil e uma? - Apesar da guerra
ter matado minha única chance.
Essa é uma excelente desculpa para ficar sem marido.
Tente dizer isso a ela.
E Deus me livre de falar nele. Deus me livre.
Sabe, se eu falar nele...
Se eu ousar falar o nome do meu rapaz...
Podemos parar um pouco?
Não é bonito?
Será que eles dizem a verdade um para o outro?
O quê? Quem? Quem diz a verdade a quem?
Estava pensando em todos que vão se reunir para o almoço de hoje.
Os Nivens, os Sheringhams, os Hobdays.
Do que será que eles conversam agora?
Do casamento, imagino.
Imagino.
Faltam quantos dias, mesmo?
Onze.
Eu acho.
É bom ter um casamento.
- É. - É bom ter um pouco de alegria.
Tem razão. Um pouco de alegria vale muito.
Conte para sua mãe, pelo menos alguém vai casar.
Sim, ela vai se alegrar com isso.
Você conhece minha mãe?
Às vezes eu acho que sim, Mill.
Ou talvez você arranje um no trem. Marido, quero dizer.
Nunca se sabe, algum andarilho.
Moreno, alto e bonito.
Braços fortes.
O que... O que você entende de braços fortes?
Por que braços fortes são tão bons?
Espere por mim! Se é do meu marido que falamos... Espere!
Puxa, Jane!
- Depressa! - Devagar!
Às 11h.
Não pelos fundos, Jane. Pela porta da frente.
Atrás da porta, ele esperava.
Não nos encontramos assim antes.
Não, senhora.
Bom dia. Casa de Beechwood.
Jane? É você?
Sim, senhora.
Os chatos vão sair para o piquenique.
Estarei sozinho às 11h.
Não pelos fundos, Jane. Pela porta da frente.
Sinto muito, senhora, mas foi engano.
Você aprova?
Coitados dos chatos.
OS CHATOS
- Quem inventou isso, mesmo? - O quê?
Chamar seus pais de "os chatos"?
Não sei. Dick ou Freddy começaram e ficou.
Por que se chama Jane Fairchild?
- É um bom nome. - É, sim.
Muitas Janes no orfanato.
Ninguém nunca deixou uma...
Scarlet ou uma Laetitia lá.
Muitas Janes, muitas Fairchilds, Goodchilds, Goodbodys.
Acho que quiseram nos dar algo concreto e...
Bom.
Eu acho que Jane Fairchild combina muito bem com você.
Obrigada.
As preciosas orquídeas da minha mãe.
Até ela percebe a importância de um pouco de luz nessa escuridão toda.
Não estamos aqui para olhar as flores, Jane.
E não temos tempo para isso.
Por aqui.
GUERRA. O PREÇO DA VITÓRIA.
MAIS DE 3 MILHÕES DE VÍTIMAS INGLESAS 650 MIL MORTOS
- Com licença, por favor. - Desculpe.
Você é a novata. Em Beechwood.
Eu sou de Upleigh.
Dos Sheringhams.
Sou Jane.
Ethel.
Sr. Sheringham.
Olá.
Quem é sua amiga?
Esta é a Jane, senhor. Novata em Beechwood.
Olá.
Está cuidando dos Nivens?
Sim, senhor.
Os Nivens são queridos amigos.
Com certeza, vou vê-la muitas vezes.
Sim, senhor.
Prazer, Jane.
Tenha um bom dia.
Igualmente, senhor.
Ele é um dos bons.
- É sempre assim. - Como?
Simpático.
Claro.
Tchau.
Prazer.
Aí.
Ótimo.
Isso.
- O que está fazendo? - Fique aí.
- Fique parada. - Por quê? O que está fazendo?
Estudando.
Esse é o motivo do meu atraso.
"Encontro vocês lá. Tenho muita coisa para ver.
Preciso estudar. Preciso estudar".
Estou enfiando a cara nos livros de Direito.
- Eu vim ajudá-lo a estudar? - Não.
Você é o que quero estudar hoje.
Sou livros de Direito, é?
Você é mais interessante do que livros de Direito.
Se eu conseguisse ter esse nível de atenção
acho que poderia fazer muito sucesso.
O que deveria estar fazendo?
O que disse aos Nivens que faria no seu dia de folga?
Um passeio de bicicleta.
Adequado.
Vou tentar lhe dar vistas incríveis
e estradas excelentes.
E um piquenique.
E ler um livro no campo.
Que dia perfeito, Jay.
Você preferia estar fazendo essas coisas?
Não.
Agora, não.
Pronto. Ótimo.
Perfeito.
O que é isso?
Um tesouro escondido?
Um presente do Sr. Niven.
Não se mexa.
Jay.
Não.
Eu a ofendi?
Não. Eu só...
Não quero isso.
O dinheiro?
Quer que eu lhe pague em livros?
Não quero que me pague.
Estou gastando por três, Jay.
Preciso usar esse dinheiro em algum lugar.
Queria poder sair com você.
Champanhe e ostras.
E lhe dar todos os livros que quisesse.
Um dia, talvez.
Devagar.
Devagar.
Os sinos.
Deve ser um casamento.
De quem será?
As pessoas adoram casamentos.
Ouvi dizer.
Preciso encontrá-la em uma hora, Jane.
No Swam.
Godfrey, pelo amor de Deus!
Vamos nos atrasar, querida.
Dirigindo como você dirige, com certeza vamos.
Por favor, Clarrie, depressa.
Pronto.
Você sabe que detesto me atrasar.
Não importa. É só um almoço.
Só mais um almoço.
Emma?
Emma, vamos nos atrasar.
Agarrar-se à porta não vai influir na velocidade do carro, mãe.
O papai dirige dez vezes mais rápido.
Você nem pisca.
- Sou uma motorista excelente. - Emma, eu não disse nada.
- Nem precisou. - Querida!
Sinto seu julgamento.
Olhe para a estrada, querida!
Cale a boca, papai.
Dick! Estou pronto!
Esperem!
Então, venha. Depressa, Paul!
Quando éramos garotos, sempre fazíamos piqueniques em Henley.
Todos nós.
Não me lembro de ter sido arranjado, mas claro que era coisa dos nossos pais.
Claro que eles planejavam tudo.
Conversavam por telefone...
ou, às vezes, o papai entregava um convite por escrito
para o piquenique em Henley, perto do Swan, no dia seguinte.
Enfim, de algum jeito...
Nós nos encontrávamos lá na hora certa e perecia mágica...
E todos nós...
Nós três, os dois Nivens e Emma
ficávamos muito felizes.
"Você está aqui? Como?"
E os pais piscavam, davam de ombros,
apertavam nossas bochechas ou mexiam nos nossos cabelos.
Depois, ficavam deitados à margem, com suas cestas e de costas para nós.
Nós subíamos o rio a nado,
mergulhávamos e nos recostávamos nos barcos, e a Sra. Niven...
Querida Sra. Niven.
Ela entrava na água conosco.
Meus pais relaxavam, bebiam champanhe e comiam lagosta.
Falavam dos negócios, dos vizinhos ou da babá...
E ela...
A Sra. Niven aposta corrida conosco na água, como uma remadora, uma deusa.
Ela sempre ganhava de nós.
Os outros eram grandes demais para isso.
Freddy e Dick iam visitar Philip de bicicleta
e James só pensava nos livros.
Até ele notar Emma, é claro.
E eu só...
Eu só queria que todos continuassem brincando.
Vou me atrasar.
Não sei por que não ganhou um título de dama por vencer a regata, querida.
Ridículo!
Como, você venceu a regata?
Eu não venci a regata.
- Venci uma etapa da regata. - Uma etapa.
Praticamente sozinha, devo dizer.
- Ninguém a alcançava. - Você venceu uma etapa?
- Sozinha? Sozinha? - Magnífico!
- Sim, sozinha. - Muito bem.
Temos um troféu imenso para provar.
Emma, essas taças são lindas, muito alegres.
Vai ter sol. Deveríamos pegar o barco.
Eu também acho.
- Revanche. - Tem um pouco de azul ali.
Que boa ideia!
- Por que não? - Sim, depois do almoço.
Viram aquele corvo-marinho?
Uma ave marinha.
Você acha? Um corvo-marinho tão longe da costa?
- Um corvo-marinho. Acho que é... - Corvo-marinho.
Sim, uma ave preta enorme.
Preciso ir.
Mas Emma vai se atrasar.
Ela sempre se atrasa.
Só seus Nivens chegam sempre na hora.
Eles amam uma desculpa para beber antes do almoço,
então, tudo bem.
- Eu machuquei você? - Sim.
Mas foi uma dor boa.
É um desconforto.
Um desconforto. Mas é bom.
O que é isso?
Para minha semente não chegar perto de você.
Sua semente?
Sim, claro, minha semente.
Para plantar?
Para garantir que não há plantação.
E se eu jogar no chão?
- Minha semente? - Sim.
E se nós plantássemos, cultivássemos,
regássemos e podássemos?
Não vai podar nem perto da minha...
Nós aramos os campos
-E espalhamos -E espalhamos
-A semente boa na terra -A semente boa...
-E ela é nutrida e regada -E regada
-Pela mão de Deus todo-poderoso -Pela mão de Deus todo-poderoso
Sua semente boa.
Não chega nem perto da sua terra...
Ótima.
Sempre quis saber, por...
Por que tem um...
No...
Entra... Entra tudo?
Milly.
De quantas formas pode acontecer?
Ora, como eu vou saber?
Só imagino três.
Então talvez sejam só três formas.
Nós só nos beijamos.
Meu rapaz e eu.
Freddy Sheringham.
Dick Sheringham.
Como vão os estudos, Paul?
Nem pergunte.
Pare com isso. Ele vai muito bem.
- Obrigada, mãe. - Claro que vai.
Senhoras, é muita gentileza sua.
Meu pai acha que tenho tantas chances de ser advogado quanto de ser...
Ora, um maldito advogado.
ADVOGADO
Vou bem, meus caros Nivens. Bem.
Gosto muito dos meus estudos e, é claro...
Embora eu queira muito me qualificar, trabalhar...
e ter a agenda cheia em Londres,
sentirei falta desses dias de aprendizado.
Sim, claro.
Boa atitude, Paul.
Esses dias de estudar...
De expandir a mente...
Em que me sinto como meu pai deve ter se sentido quando estudava.
Ou como meus irmãos talvez se sentissem...
Obrigado, Paul.
Eu gostei muito do meu tempo em Londres.
Com certeza também gostará, Paul.
Tenho muita sorte.
Este peixe está excelente.
Está muito bom, não?
- Você mesmo pescou? - Não seja ridículo.
Godfrey não pescaria nem que o peixe nadasse até ele.
Estão comendo tudo?
Estão falando na comida.
Não sei quanto estão comendo mesmo.
O que ela está usando?
Emma?
Uma peça vermelha.
Ela parece entediada.
Não a culpo.
Não, muito entediada.
A mais não poder.
Quando vão querer este cordeiro, então?
Conhecendo-os, em meia hora.
Está ficando muito lá.
Estou sendo atenciosa, Milly.
Parabéns, Paul!
- Um brinde a um recomeço muito feliz. - Algo a comemorar.
- Parabéns. - Parabéns, Emma.
Maravilha! Parabéns.
Sua mãe e eu estamos felizes.
Jane, eu preciso casar.
Preciso ser advogado.
É o que esperam de você, sim.
Que case e tenha filhos.
Sim.
Eu poderia ter centenas de filhos.
Repovoar o vilarejo com menininhos.
Talvez tivesse que apostar menos.
Verdade.
Emma deveria casar com James.
Eles nunca noivaram oficialmente.
Ele era bom assim mesmo.
Decente.
Não quis que ela ficasse esperando por ele.
Sofrendo.
Mas foi o que ela fez mesmo assim.
Quando ele não voltou, piorou.
Ela não pôde viver o luto pelo noivo.
Precisou fingir que ele era só mais um amigo morto na guerra.
Ele gostava de ler para ela.
Você teria gostado dele também.
Ele a teria incentivado a ler aquelas porcarias de garotos.
A Ilha do Tesouro e bobagens de espiões.
Eu gosto de você.
Posso lhe contar todos meus segredos.
Tudo o que ninguém diz.
Você é minha amiga, Jane.
E você é meu amigo.
Minha amiga de verdade.
Acabamos tendo um dia glorioso.
Perfeito.
Sabem, eu pressenti...
Sirva logo, sim?
Ele ainda vai demorar.
Devia ficar aqui enquanto esperamos que ele se digne a aparecer?
- E ele está estudando, não? - Enfiado nos livros.
- É assim que ele diz. - Que bom para ele.
Bom para ele.
Não vemos problema em aguardar um pouco mais.
Emma tem razão.
Ele vai se atrasar.
Ele é bastante dedicado.
- É mesmo. - Exatamente. Sirva.
Imagine se ela viesse aqui.
O que ela teria dito?
A Srta. Hobday?
Ela teria visto a janela aberta.
- Chamado. - Não teria subido?
Emma não é esse tipo de garota.
Ela teria visto minha bicicleta.
Claro.
Você é esperta.
Ela teria gritado.
Teria subido até aqui gritando.
Ou talvez não tivesse dito nada
e tivesse subido sorrateira, furiosa.
E nos apanhado no flagra?
Talvez nem isso.
Talvez ela tivesse subido
sem que nós ouvíssemos o carro dela no cascalho lá embaixo.
Porque eu estava transando com você.
E ela para.
Não desliga o motor na hora.
Ela olha para a bicicleta encostada na porta, confusa.
Você não anda de bicicleta.
Se andasse, não andaria naquela.
Aquela é velha.
Ela olha para cima. Vê sua janela aberta.
Decide chamar, abre a boca para chamar você,
mas se detém.
Ela abre a porta.
Devagar. Sem alarde.
Olha as orquídeas vivas na entrada escura.
Ela não sabe por que...
Mas alguma coisa lhe diz para tirar os sapatos.
Ela sobe a escada.
De mansinho.
Sua porta está aberta.
Ela ouve você.
Ela me ouve.
Ela para.
Pensa no vestido branco
pendurado no seu guarda-roupa.
"Ela se vira, de mansinho, na ponta dos pés,
desce a escada, calça os sapatos,
vai embora e nunca mais toca no assunto".
Mas você não disse isso.
Não, eu não disse isso.
Eu conheço um médico.
Claro que sim. Você deve conhecer muita gente interessante.
Não. Um que pode...
Lhe dar um diafragma, Jay.
Acaba com o problema da semente.
Se você quiser.
- Mas só se você quiser. - Diafragma?
É esse o nome.
Acho que minha mãe deve ter sido uma solteira grávida.
Talvez.
Talvez ela tenha sido uma rainha, Jay.
Não fique brava com ele, Emma.
Ele a ama muito. Estamos muito felizes com o casamento.
Vocês nos fazem muito felizes.
Ele só se distrai às vezes.
Ele tem estudado tanto que deve ter perdido a noção do tempo.
Ele nunca estuda. Não está estudando. Só está atrasado.
Não estou brava. É só um almoço.
Ele vive atrasado. Por que hoje seria diferente?
Tudo bem.
Com licença.
Você está muito bonito.
Não se apresse.
Ninguém voltará até depois das 16h, pelo menos.
Quando sair, ponha a chave embaixo da pedra perto do limpador de botas.
É uma chave enorme.
Vou deixá-la na mesa na entrada, para você não esquecer.
Isso é tudo.
Deixe tudo.
Se estiver com fome, tem uma torta.
Meia. Posso dizer à Ethel que eu a devorei.
Não que eu precise dizer nada a ninguém.
Nada.
Nadinha.
Adeus, Jane.
Eu estou empacada.
- Vou me atrasar. - Você nunca se atrasa.
Mas vou me atrasar.
Porque você não está sendo fiel.
Morag espera um suspense.
Maud. O nome dela é Maud.
- Não me importo. - Eu me importo.
- Lembro do nome da sua editora. - Ela vive com espinafre nos dentes.
Sempre. Mesmo que não estejamos comendo e não tenha espinafre.
Isso não tem a ver com o nome dela.
Bom, Maud espera um suspense.
Estou escrevendo um.
Mas não está pensando nele, está?
Ele volta de vez em quando.
Já sabe o que "ele" é?
Será um peixe pequeno?
Ou uma baleia?
Nem uma coisa, nem outra?
Quer andar?
Não.
Não.
Nadar.
Não faça isso.
Como?
Estava brincando.
Pensei que fosse dar uma de Ofélia.
- Você pode se dirigir a mim assim? - Como?
Como se tivesse lido Shakespeare?
Acho que sim.
Eu nadava aí.
Quando era menina.
Eu também.
Quando era menino.
Como todo mundo.
De repente, pareceu me atrair.
Ninguém mais nada aí.
Dick. Freddy.
Ou Freddy e Dick.
Devagar.
Ninguém nunca pediu a alguém para se vestir mais devagar.
Gosto de ver homens se vestindo.
Está fazendo na ordem errada.
Isso é absurdo.
Qualquer outra ordem seria ridícula.
Vestir a camisa sem calça seria a perda imediata da dignidade.
Um conjunto solene.
É assim que homens brancos e chiques se vestem.
É empregada há muito tempo, Jane.
Por isso você é escritora.
Porque começou a trabalhar aos 14 anos.
Tornou-se uma observadora ocupacional da vida.
- Não gosto do seu quarto. - Está bem.
Cheira a umidade.
Como a casa toda.
Posso ir ao seu quarto.
A Sra. O'Flynn não gosta de você.
Não.
Mulheres como ela não gostam de homens como eu.
Podíamos ir a outro lugar.
Uma casa nova.
Com um espaço para você escrever.
Um espaço para eu filosofar... Não sei.
- Donald? - O que é, Jane?
Está sugerindo que casemos?
Bom...
Eu sugeri...
Que morássemos juntos.
Então, sim.
Acho que sugeri que casássemos.
Eu gostaria de casar com você.
Quero dizer, eu seria muito feliz.
O que você acha?
Está bem, então.
Jane?
O que foi?
Já resolveu?
Vá para o inferno, Donald!
"por ocasião do casamento...
de Emma Carrington Hobday com o Sr. Paul Sheringham".
Então...
agora que estamos todos bem alimentados e cheios de água...
e continuamos tomando água
perto da água...
Godfrey, pelo amor de Deus!
Gostaria de propor um brinde.
Que bom que nossas famílias se conheceram e se amaram.
Clarrie e eu... Minha mulher e eu...
Estamos felizes por estarmos com vocês.
Viva, viva!
E com seus filhos,
que consideramos como se fossem nossos.
Godfrey.
Mesmo que um deles não esteja aqui.
Nenhum deles está aqui! Todos se foram!
Nós só queríamos desejar o melhor.
Nós só queríamos desejar o melhor...
À noiva...
E ao noivo ausente.
Sr. Niven.
Estava acabando aqui. Vou deixá-lo em paz.
Tudo bem.
Eu... Eu volto depois.
SEQUESTRADO.
"Trago a história da minha aventura..."
Posso ajudá-lo?
Talvez, sim.
Procuro algo para minha mãe.
- Ela gosta de filosofia? - Não. Esses são para mim.
Você fala alemão?
Falo.
- O Conceito de Amor em Santo Agostinho. - Como?
Esse é o título do livro.
Sua mãe prefere ficção?
Talvez, sim.
Ela lê muito?
Claro.
Que tal Orlando, de Virginia Woolf?
É uma aventura extraordinária.
Já vou passar.
Aguarde na linha, por favor.
E você escreve.
Você é escritora.
Parece escritora.
Pareço?
Sim, eu escrevo.
Ótimo.
Você não é escritor.
Não como você. Filosofia. Não é muito interessante.
Parece bastante interessante.
Isso é um bom sinal.
Quando você se tornou escritora, Srta. Jane Fairchild?
Não sei.
Sabe, sim.
Está bem.
- Foram três vezes. - Está bem.
Quando eu nasci.
Quando o Sr. Paxton me deu uma máquina de datilografia.
Claro.
E a terceira vez?
É segredo.
Ótima resposta.
É a melhor de todas.
Sr. Niven.
Jane, é você?
Voltou tão cedo!
Sr. Niven?
Sinto muito, Jane, eu...
É... É muito angustiante.
Houve um acidente. Fatal.
Com o Sr. Sheringham.
Sr. Sheringham?
Sr. Paul Sheringham. Sr. Paul, de Upleigh.
Um acidente de automóvel.
É ele mesmo, senhor?
Sinto muito, Jane.
Sinto muito por ter que lhe dizer isso.
Eu... Pensei em ir até...
Até Upleigh para...
Para garantir que...
Que nada lá possa perturbar ainda mais as coisas.
Que Paul... Que o Sr. Sheringham...
Que ele não tenha deixado nada...
Mais angústia seria insuportável, eu acho.
Foi um acidente, Jane.
Um acidente.
Sim, senhor.
Alguém precisa esperar lá na casa.
Informar os empregados.
Seria horrível para os Sheringhams fazerem isso.
Horrível repetir as palavras, Jane.
Você vai comigo?
Até Upleigh?
Sim, claro.
Sinto muito.
Posso pegar um copo d'água antes, senhor?
Sim, claro. Desculpe. Eu espero aqui.
Está tudo bem, Jane.
Sr. Niven.
- Ethel, você voltou. - Sim, senhor.
Não tem ninguém em casa, senhor. Posso ajudar?
Infelizmente, trago péssimas notícias.
Houve um acidente com o Sr. Sheringham.
Sr. Paul.
Um acidente de automóvel a caminho de Henley, para o almoço.
Perguntamos por que ele estaria tão atrasado
e um policial disse que seu carro...
quero dizer, os destroços dele
foram encontrados na curva antes da linha férrea.
Ele estava atrasado. Ansioso, sem dúvida.
Então que bom que eu voltei cedo.
Posso ajudar agora.
É verdade, Ethel.
Quando cheguei, achei que ele tivesse acabado de sair.
A biblioteca tinha sido usada há pouco.
Acenderam um cigarro.
Já arrumei tudo, senhor, e a torta e a cerveja do almoço dele.
E...
E o quarto dele.
- Esse é o ponto, Ethel. - O ponto, senhor?
Achou alguma coisa no quarto dele?
"Alguma coisa", senhor? Não entendo.
Um bilhete, Ethel. Alguma coisa escrita.
Não, senhor. Nada.
Claro. Bom...
Muito bem.
Então está tudo bem, Ethel.
Foram os cinco, Jane.
Sim, senhor.
Não. Não.
- Está sangrando de novo. - Estou bem.
Podemos comer, por favor?
- Por favor, vá ao médico. - Suas mãos estão geladas.
- Você tropeçou, caiu... - Eu sei.
Bateu a cabeça...
- E está sangrando. Vá ao médico. - Foi só um tropeço.
- Enxergo o osso do seu joelho. - Está sendo dramática.
- Não estou. - Está.
Você já esteve em Upleigh, Jane?
Não, senhora.
Só fui lá hoje com o Sr. Niven.
É muito escura.
Quando Philip morreu...
E James já tinha partido...
De repente, eu achei que poderíamos abrir as cortinas.
Que não devíamos viver culpados.
Que tínhamos perdido tudo o que poderíamos perder.
As mortes tinham acabado.
Nós não precisávamos...
Mais nos cobrir.
Não tínhamos o que proteger, Jane.
Faz sentido?
Sim, senhora.
Ela deveria casar com James.
Sim, senhora.
Você sabia disso?
Milly comentou.
Mesmo?
Jamais imaginaria.
Ela é muito idiota. Não nota nada.
Deve ter ouvido em outro lugar.
Você não tem família.
Não, senhora.
Sua mãe a abandonou, não foi?
Sim, senhora, num orfanato.
Que sorte a sua!
Já ter nascido completamente carente.
Você não tem nada a perder.
E nunca perderá. Não de verdade.
Isso é um dom, Jane.
Precisa aprender a usá-lo.
Você é muito sortuda.
"Você não tem nada."
Nada a perder e tudo a ganhar.
Nada.
Nada mesmo.
"Já nasceu completamente carente".
"Era uma vez.
Era uma vez.
Era...
Uma vez, há muito, muito tempo, Jay...
Minha mãe nos acordou bem cedo no início de junho. Ainda estava escuro.
E nos juntou no carro, Jane.
Juntou.
Enrolados em cobertores, com garrafas de chocolate quente.
Prepararam um piquenique.
Meu pai dirigia e pisava fundo.
Pegamos a estrada com o sol nascendo.
Três de nós espremidos ali e dois roncando na metade do caminho.
Ainda não sabíamos para onde iríamos, até que paramos aqui.
Mas imagine isso aqui sem gelo.
Sem neve.
Com a grama bem verde, cortada à perfeição.
Você consegue imaginar, não?
Você consegue invocar essa lembrança.
Você consegue descrevê-la.
Tome-a para si.
Reescreva-a e imagine tudo de novo por mim.
Não consegue fazer isso, Jane?
Por mim.
Por você.
Por você.
Vou comprar uma nova, Jane.
- Nova, Sr. Paxton? - Sim. Uma máquina de datilografia nova.
O P trava um pouco.
Mas ela está boa e eu achei que você gostaria dela.
Obrigada, senhor.
- Um tumor? - Bela palavra.
- Não. - Soa bem.
- Não. - Inchar.
É daí que ela vem. Essa é a origem da palavra.
Essa é a etimologia, é isso o que eu quero dizer.
Será que pode...
É porque meu cérebro é grande demais.
Sou muito inteligente.
É poético.
Quando vão operar para tirá-lo?
Você veio aqui pela queda, pelo corte.
- Não entendo... - Eles são muito meticulosos.
O que foi? Quer que ignorem?
Quero.
Por favor. Ignore.
Talvez possamos tentar.
Só a última parte.
Você vai escrever.
Vai escrever um livro sobre a vida e a sensação de estar vivo.
- Acho que não sei mais qual é. - Vai escrever.
Será seu maior livro.
Acha que eu ainda não escrevi meu maior livro?
Talvez todos os homens da minha vida precisem morrer para isso acontecer.
Estou triste porque não vou ler.
Talvez eu não consiga escrever.
Vai conseguir.
Será brilhante.
- Bom dia, Jane. - Bom dia, senhor.
Jane?
Senhor.
O que foi?
Creio que chegou a hora de eu ir embora, senhor.
Soube de um outro emprego.
Em outra casa?
Numa livraria, senhor.
Muito bem, Jane.
Uma livraria.
Conte-me seu segredo.
A terceira coisa que a fez escrever.
Por favor.
Queria que tivéssemos compartilhado tudo.
Não teríamos tido tempo.
Sussurre.
Vou levar comigo ao túmulo.
Amo você.
- Srta. Fairchild. - Srta. Fairchild. Um comentário?
Tem algo a dizer, Srta. Fairchild?
Não sei o que vocês querem que eu diga.
Bom, acho que como ganhou...
Ganhei todos os prêmios.
Todos.
Estão todos aqui, no sótão, em algum lugar.
Não está feliz?
Muito.
Muito obrigada.
Decepcionei vocês, não foi?
Não.
Foi inevitável. A missão era impossível.
Mas foi maravilhosa.
A quarta pata.
A quarta pata era minha, Paul.
Ficamos em pé no gradil, nós cinco. Um, dois, três, quatro, cinco.
Ficamos lá e assistimos à corrida deles. Vemos Fandango voar.
Observamos quando ele chuta a lama, o orvalho, a grama e a terra.
Parece que ele está voando.
Parece que ele vai voar mesmo.
Atravessando o verde e o mundo.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.