All language subtitles for Agosto (1988)

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Original subtitles

Pensei que tu podias vir comigo até à

aldeia. O que é que tu fazes na aldeia há

duas semanas? Três semanas. Por causa

do teu pai? Como é que soubeste?

Soube?

Posso arranjar-te uma cama se quiseres

ficar.

Amanhã tenho um advogado logo de manhã.

E tu não conheces a alda. Não está contigo

na aldeia? Está com exames. Como eu.

Há um minuto do mundo que passa, há que

pentar na sua realidade.

Ajudar a arranjar sempre uma razão para

não vires. Não posso.

Vou chamar

agora a menina Maria Antónia Grêmio.

Bati-lhe a porta três vezes esta manhã.

Dormeci era muito tarde. Mas não se

esqueceu de hoje à noite. Hoje é

29.

e aí e aí Já

me despido de ti Já

me despido de ti De

tu casa e tu ventana.

Aunque no quiera tu madre,

Adiós,

ni hasta mañana.

Adeus, menina, até amanhã.

Já me despido

de ti.

Mesmo que não queira Obrigada

por ter vindo. Tenho de me ir embora.

Também não posso prender no meio destes

talentos frustrados. Que ideia! Tinha um

aluno com a letra A. Quem?

A rapariga que o veio procurar. Alda?

Laura... Clara. Não, talvez fosse Alda.

Claro, eu não a conheço.

E você? Não dança? Nem consigo marcar

passo. Quando eu era

miúda, eu queria ler e cantar estas

coisas. E você sempre quis ser músico.

Papa também.

Ainda tenho esperanças. Tendo.

Adeus.

O que queres

que eu faça? Deixa,

deixa.

Alô, Emílio!

Ah, vieste a ver com quem a tua mulher

anda.

Julgava que tinhas Laurito. Não estou

em casa. Ontem eu menti-te. A Alda

não tem exame. Como é que adivinhas-te?

Nunca soubeste

mentir. É o meu nariz que cresce.

Não, é a voz que te trai.

Foi aqui que arranjei os quartos.

Se não

fossem as vigaritas do meu irmão, eu não

tinha voltado cá.

Ainda há cá para gostar disto.

Lembras-te? Em miúdo também não gostava de

peixe. Nem de sopa.

E agora?

Na terça fica tudo arrumado.

Tenho de voltar para o porto. Porque é que

não vês para a praia connosco?

Fazer o quê? Não tinhas nada previsto para

o verão? Detesto o verão.

Conhecias a Alda?

Ela nunca cá veio.

E a tua violoncelista? Alguma vez a

levaste a Lisboa? Bem sabes que não tive

tempo. Engenheiro! Tenho de ligar-te

para o doutor de filmes de fome! Mais uma

vigarice do meu irmão. Tenho de ligar-te

até à meia-hora!

Apelada. É tudo o que fica. É esquisito

ver-te aqui. De antes

chamavas a isto um inferno. Ainda há cá

por gostar disto.

Se tu soubesses... O meu

irmão e o sogro andam a manobrar para pôr

tudo isto cheio de eucaliptos. Parece

impossível. Vens viver para aqui?

Não sei. E a Alda?

Deixava a faculdade? Nunca pensamos nisso.

A Ariana?

A filha do médico?

Uma vez, no São João. Casada com

a besta do advogado. E grávida.

Foste muito páravo.

Deixa lá, não te preocupes.

Vê, mas essa tua mulher não vai gostar

mais dele que de ti. Então, essa que ainda

já saiu, cheira bem.

Cheira-lhe bem.

Dário! Dário!

Este aqui é o Emílio.

Miúdo não é a minha cara chapada?

Também se chama Dário aqui como

engenheiro. A ver se chama a sorte e

também se safa na guerra. Já não vai haver

guerra quando ele tiver idade. E se dizem

que nós estamos a amargar lá no mato?

E o teu primo? Como é que o fez? Foi para

a França. Mas o tipo que o passou...

Ou foi preso ou pisgou-se com a massa.

A minha amiga diz que o melhor era

conseguir que ficasse, não é, Luanda?

Luanda? Eu sou daqueles que usam uma

corneta na boina. E esses só servem para

bater com os costados no mato, para andar

com uma canhota às costas. O meu

primo arranja-me trabalho em Besançon,

nas obras. E a Júlia? Depois mando-a ir.

Mas antes tenho umas coisas para acertar.

O senhor é que é o advogado dos Ários?

Eu? Não, sou um amigo.

Estas famílias republicanas. Não admiro

que acabe tudo nos tribunais.

O senhor é de Lisboa? Sou, mas trabalho no

Porto. Lisboa. Estive lá quando foi

aqui o Bolsonaro, um general que ia salvar

a Espanha. Mas me haviam caído. Depois

acabei por ir para o Louvito.

Conheces o Louvito? Não. Não tem nada a

ver com o resto. É uma coisa que eu te

peço. Espalta ou não cortas?

Não é isso

nada! Tá, fala mais alto.

Corre! Tu sabes muito bem...

Mas como é que queres que eu possa? Está

bem. Sim, está bem.

Talvez possa.

Muito. Não vais ver o fogo de artifício

connosco? Não. Até amanhã.

Também não há nada para ver, desde que me

chame Virgínio que o fogo é o mesmo.

Não estás a dormir? Os cães não se calaram

com o fogo de artifício.

Olha o que eu ganhei.

Está chateado? Estava uma mulher à tua

espera. Uma mulher?

Parecia nervosa. Num carro vermelho?

Não, uma camponesa.

Não era a Alda.

Parabéns por não a ter trazido. Isto aqui

não se resolve assim. Mas ela não

se ia sentir bem aqui. Não tem idade

para gostar do seu peito peixe, é? Sr.

Engenheiro! Sr. Engenheiro!

Aí eu tenho. Sr. Engenheiro! Fique com

ela. Fique com ela.

Não, Júlia. Essa gente quer dinheiro.

Já falei uma pessoa que eu conheço. E acha

que ele sai da ideia? É que ele veio para

a França. O que é isso?

Julia!

Julia!

Volto para o porto.

Queres que te leve? Não, vou-no como 8h às

10h. Então desculpa.

Estás a fugir. Por que tens essa ideia?

Jermão, é uma desculpa.

Não tens jeito para conversas sentivas.

Nem eu. Boa noite.

Boa noite.

Tchau.

Tchau.

Julgava que estavas no quarto. Não tinhas

de estar no porto. Já está, cá estou.

O que é que foi? Faz.

Já não queres ir para a praia? Ficas fora?

Não, isto vai passar.

Emílio! Matanha!

Que história horrível.

Não esperava que fosse assim.

Vim nos seus olhos. O que tu lhe andaste a

contar acerca de mim? Tudo.

Ele nestes últimos três anos só me mandou

uns recados. Mais nada. Do estilo, vou-me

casar a 31. E você não vai.

Gosto do seu nome.

No ano passado ele queria que eu fosse com

ele à aldeia. Mas anoiteceu.

E era a estrada nova.

Perdeu-me. Que esquisito.

Tinha a certeza de já o ter usado na

praia.

O que é isso?

Alberto! Mas onde é que tu vais? Tu não

fazes a noite sozinha. Alberto, a gente

precisa de qualquer coisa. O que é que tu

medes? O que é que tu medes tanto?

Alberto!

Alberto!

Está a ver? Não esqueci. Bate-se à porta

antes de entrar.

Não estava à espera de ver-te por cá. Eu

não estava à espera de ver-te no meu

quarto. Não vem tomar banho? O professor

ainda está branco. Não. Agora é que a água

está boa. E não está ninguém

na praia.

Bom, adeus.

Ainda vai, mas é a instalar-se no teu

quarto.

E você vai ter de vir aqui para casa.

Nunca percebi porque é que ele deixou o

violino. A culpa não é do professor?

Para ti a música é sua culpa.

A uma idade em que as pessoas ainda não

sabem quem são. Eu não diria isso.

Talvez ele só queira falar contigo.

Jogava que estavas a falar da aula. Não,

do teu aluno. Tirei a mesa.

Como é que acha o Dário? Bem.

Tem a certeza?

Vai haver vento.

Ainda hoje quero. Deve ser o perdido na

areia.

O isqueiro que me trouxeste de Viana, de

Salzburgo. Ainda o tens?

Não conhecia.

Foi-te a ver, estavas lavando Foi-te

a ver, estavas lavando Num rio

sem essa barra Lava-se-a

a guarda-rosas,

Lava-se-a a guarda-rosas,

Fica-te o cheiro na mão.

Fica-te o cheiro na mão,

Fica-te o cheiro na mão,

Fica-te o cheiro fato.

Se eu morrer e tu ficares,

adora-me o meu retrato.

Adora-me o

meu retrato.

Adora-me o meu retrato.

Adora o meu coração.

Muito bem, estava acabando.

Muito bem, estava acabando.

No Rio Santa Catarina.

Não lhe disseste nada?

A propósito, o quê? Mas gostei erros do

teu irmão.

Foi ela que te perguntou? Não, foi não.

Disse? É claro que disse.

Ela não sabe de nada.

Então foi ela que te perguntou?

Foi. Conta-lhe o

que quiseres.

Estás a

vê-la? Talvez atrás dela esteja um

homem que não se vê.

Vamos dar um passeio de barco. Não vêm?

Eu vou-me deitar. Não. Por que

é que ela te olha como se tivesse medo?

Vai-se embora? Está a subir.

Você fica? Tem de ter uma disciplina.

Desde dez ao meio-dia, praia. Faça sol ou

chuva. O Dário ainda está a dormir.

Cuidado! Na maré cheia há muitas

alfurecas.

Não sabia que dançava tão bem. Onde é que

me viste dançar? Na festa. Não te vi.

É natural. O marido dela não

é aquele. Nunca a

vi dançar.

Não merece cheia. A praia ainda é

suportável. As mulheres têm medo que o

casal correca.

É aquele que deve ter decidido ganhar

dinheiro. Vai arrepender-se. Tu não.

Bem sabes que não tenho jeito para mais

nada. Como é que ele tivesse jeito?

Foi a realidade que o transformou.

Agora é o contrário do que era. Está a

descer.

Não, ainda sobe mais uma hora.

Pelo menos tiraram este sal. Mas aproveita

para telefonar, para saber do Emílio.

O teu pai? Se ontem não voltou.

Adeusinho. Adeus.

É a filha do Rodrigo. Não conheces? Não?

É o homem com mais tias deste mundo.

A casa foi uma tia que lhe deu. O emprego

foi graças a uma tia. Toda a gente

esperava que se casasse com uma tia.

É uma muda?

Mas o Sr. Almeida tinha leito a semana

passada.

Mas não vê que o vale ainda não secou. E

acha que chega esta semana?

Isso não está certo.

Então o Sr. Almeida não se lembra? Foi

naquelas noites em que bateu à porta e eu

decidi abrir o bar. Foi vodka, foi ruim.

Eu nunca bebo vodka, só ruim se curte. Eu

não punho aí a vodka se não fosse vodka.

Se me põe na rua é que perco tudo. Fica cá

e ainda perco mais, se calhar. Laura!

Laura! Vou pegar uma linha.

Só liga quando cair. Vou tentar lá atrás.

Vão se

ligar daqui.

Laura, fala mais alto! Mais alto

que na linha! Laura! Chamas-te Almeida?

Desde quando? Nome artístico.

Trouxeste o shampoo? Está aqui.

Olhe!

Onde está

o Rodrigo?

Minha filha! Minha filha! Minha filha!

Minha filha!

Vem aqui uma história desta revista. Um

moço de 20 ou 23 anos, inglês, teve uma

herança que era nem mais nem menos do que

um forte no sul de Marrocos. Do tio-avô.

Um orço, ou assim. Chegou lá, tudo acorreu

muito bem, às tantas abriu a porta e havia

32 mulheres. 50 ou 60 anos. Que eram a

arém do tio.

E agora ele não sabe o que é que há de

fazer. Não tem dinheiro para os

sustentarem. Eles não querem ser

libertados e ninguém comprou o Ford com o

dinheiro de lá dentro. Diz aqui que ele

comprou 14 aparelhos de televisão. Não

acredito em nada do que ela lhe diz. Onde

é que arranjaste estes abacates? Fui

buscar-me-os no aeroporto. Foi ela que os

trouxe? De Lourenço Marques. Então não

quero.

O Emílio anda a monte. E ela?

Em coma.

Imaginas o Dário metido num crime

profissional?

Pois, francamente, imagino.

O que é horrível é que eu tinha uma

solução. Podias ter-me falado.

Falei a uma prima da Alda. Tem um avô no

Estado Maior.

Uma com uns olhos grandes, é? Como é que

sabes? Foi a minha vizinha que devia falar

com ela. No Porto?

Falou-me disso como se fosse realmente

outra coisa.

Antes eras mais eficaz.

Tu tens pena de mim. Mudaste?

Não é só agora que gostaste de sopa?

Achas-te inquieto?

Não. Tranquilo.

Talvez.

Deixaste a janela aberta. Deve ter sido

o vento. Vai ficar tudo cheio de moscas.

Não, parece que não levaram nada.

Não é possível. Fecho sempre a porta.

Vais comer?

Vamos com ele. Quase não dormi esta noite.

Nem eu. Até amanhã.

Olha, aqui eu encontrei no para-brisas.

Devo-te voltar a ver? Que desparado.

Olá. Agora andas a espiar-me? Posso fazer

a companhia? Vou para o hotel. Tu também?

Teve pouca sorte nas férias. Eu?

Porquê? Não vê onde vai cair.

Onde é que foi? Já fizeram os passos.

Quem? Os teus amigos.

Por que é que diz isso? Ele não para

quieto e ainda acaba mal.

Não percebo o que é que tu tens com isso.

Não faço esses ars. É o que toda a gente

faz na praia.

Não toma nada? Não.

e aí

e aí e

aí Tu

vais-te embora. Eu vou-me embora.

O verão já se acabou. O professor

parece que dá-se muito bem. Quando vou-me

voltar. Tu vais-te embora.

O verão já se acabou.

Tu vais-te embora. Eu vou-me embora.

O verão já se acabou.

Estás sozinho?

Só tenho um. Tu andas-te assim tão cedo?

Às vezes.

Estás esperando alguém?

O que é que lhe nojo é? Quem é aquela

mulher? Ah, afinal também é curioso. Ela

paga-te?

É mais complicado. Fica cá

todo mês? Não sei, sempre.

Você parece estar à espera que esta gente

o aceite. Acho que tu é que estás à

espera.

Olhe o seu amigo.

Não percebo o que é que você vê nele.

Crescemos juntos.

Só há uma coisa em que ele é bom, a nadar.

Assim nunca ouvi nadar.

Não sei.

Às vezes precisava de falar.

Onde é que encontraste este isqueiro?

Deram-me. Ah, sim? Quem?

Segredo. Encontraste-me na areia, não?

Foi. Por quê? Porque este isqueiro dei

o eu ao Dário há uns 10 anos. Ah, que

pena. Olha o que eu achei.

Onde? Ali. Pus a mão na areia.

Esqueci-te. Em um grão de areia.

O quê? Que é, pergunto eu. Não percebo.

Essa cabecinha anda mais devagar que as

mãozinhas, é? Não é seu?

É.

Tinha deixado aqui. Obrigada. Dê-me

cuidado.

Não quer tomar nada? Veja. Não pode ser.

Deixe-me em

paz, eu já pago. Arrume-me! Arrume-me!

Arrume-me! Arrume-me! Arrume-me!

Arrume-me!

Eu criei nos amor.

Até da Itália chega correio. O teu portal

é que não há meio.

É de uma colega. Desistiu a um concerto do

Gromeo e lembrou-se de mim. Sabe o que

você tem? As pessoas lembram-se de si.

Mesmo de longe.

Ela espera que vocês estejam melhor. Sabe

do que é que fala? É a entrevista que foi

a minha discussão com a Laura. Se quittez?

Peut-être pour toujours et oublier nos

amours.

C'est cette plage...

Faz lembrar a África, esta aragem.

A África não conheço. Eu vivi em Lourenço

Marques, mas nasci no Edito. Não conhece o

Edito? África? Nunca fui. Ai, pára, vem de

África de Edito. Até já.

Eu tinha dito que não estava cá. Eu

tinha-te deixado recado no hotel.

Alberto, por que andas sempre a persistir?

Por que andas a deixar de mim sempre?

Estás sempre a mentir-me. Bom, adeus.

Vou-me embora. Por que andas sempre a

persistir? Por que andas sempre a

mentir-me? Estás sempre a mentir-me.

Alberto! Por que

andas sempre atrás de mim?

e encontrámos o diário de um leiro do

início do século.

Anotava tudo todos os dias e fez isso

durante vinte anos.

Vinte quilos de trigo, doze quilos...

Nem uma palavra sobre ele.

De vez em quando uma oração. Ei,

Sabrina! Já percebeu

o que ele anda a fazer? Servo-lhe de

alibinos, amor.

Com a Nina? Não sou.

O rapaz ficou a olhar imenso,

o tempo para o mar e o primo todo chateado

à espera. Epá, ainda não vistes tudo,

caralho? Agora se acabas de ver isso.

Epá, eu não percebo. Como é que esta coisa

toda, esta água, esta imensidão, com os

rios todos a comer para aqui, os esgotos,

a chuva e tudo, é só água entrar aqui?

Como é que esta coisa nos travaza, pá?

Manguelas puxou uma fumaça. Bem, queres

dizer, para já, para já, há as espojas.

Faça paus, não é nada.

Cuidado. Cuidado. Cuidado. Cuidado.

Deve ter partido o pé. Ah, sim?

Isso... Não sei.

Ao lugar para um. Vai tu.

Nós vamos a pé.

Gina! Até que enfim!

Para o Rodrigo até é bom. Por que é

querido isso? Ele queria ver-se livre

dela. Assim já está. Andas muito

convencida. Vocês julgam que eu não

percebo os homens?

E o teu Miguel não vem cá este ano? Não

sei. A última carta que eu recebi dele

fala dos bichos de tomate. Diz que gritam

toda a noite e ele não consegue dormir com

os gritos e com o calor. É como se

já tivesse filhos de dia dele.

Coitado da Nina.

Se fosse-me estimar bem.

Vamos! Só desgraças.

Gina diz que são os homens que as

provocam. O que é que acha da Gina?

Tem muita energia. Porquê? Tem mais alguma

coisa? Há uns anos as pessoas pensavam que

éramos irmãs. Agora somos tão diferentes.

Há uma altura em que as pessoas definem.

Em qual seria a minha definição? Sei lá.

Há elementos que não tenho. Todos iguais.

Sabe aquela senhora que está sempre a ler

no terraço e que lhe diz bom dia?

Quando eu era pequena via aí com o marido.

Davam sempre um passeio ao fim do dia.

Nunca os ouvi dizer nada. Andavam,

ela um bocadinho à frente. Um dia ele

morreu. E ela continua a

passear essa tarde.

Achas que não devíamos falar?

Não acha que é por obrigação que se fala?

Como estava de tarde,

assim? Tentes estar muito apaixonado.

E você não quer?

Por que é que pagou a minha conta?

Não julgava que fosse o tipo de coisas que

te incomodam? Se é a regra do jogo.

Não podes controlar tudo.

Se me queria dar, dava-me a mim. Só paguei

o atrasado. Agora desenrascas-te.

Não fui eu que me servi da Nina. Ela

andava com um escultor. Estava lá sempre

quando eu pousava. Aproveitou-se de me ver

nu para meter na cama. Nu e sem dinheiro.

Foi quando vieste para Lisboa?

Pode devolver isto aos seus amigos.

Nunca imaginei que te arrependesses do que

quer que fosse. Nem eu.

Mas nunca me tinha sentido ridículo.

Não estás a inventar outra história

qualquer?

Peça-lhe desculpa por mim.

Você é obrigo ou sincero?

O que você quer? O que você quer?

Onde estás? Senhor! Vim por ele!

Emílio! Já vou!

Tu não podias fazer nada.

Ao menos com a Alda eu acho que não

falhei.

É a minha única vocação.

Tu vês em mim coisas demais.

Por isso não sou capaz de falar contigo.

Falar de quê?

Falar.

Como a gente se esquece.

É do teu aluno?

Quando ele te voltar a ver... O que é

isto? Entretém-se a pôr bilhetes por

todo lado. A letra

dele não era assim. Era miudinha. Às vezes

reescrevia por cima.

Bom dia. Bom dia.

Minha querida, mas é um dia de inferno. O

Carlos está estranho. Não vai vir ter

connosco.

Olha um postal.

É para a Alda.

Você nunca quis ficar em público. Sem eles

15 anos. Mesmo assim continua a treinar.

Ainda ontem ouvi tocar no hotel. Era para

mim.

Você não dança? Quase não vai à praia?

Come sozinho? Venham, venham.

Não se preocupe comigo. Eu como trabalho

na publicidade não vou inventar slogan só

para mim. O da

Margarina era seu? Não, é bom, mas não é

meu. Nunca viveu com ninguém? Tenho muitos

vizinhos. Vamos dar uma volta? Vamos lá.

E quem vai

perder, vai esquecer A minha abertura, a

vida ternura Até

o sol soar!

Pobre Rodrigo.

Professor!

Não vem ao banho. Já viste as horas?

Não está ninguém. Posso subir?

Basta fazer a noite do dia!

E tudo fica mais claro. Encontraste a

Nina? Está no hospital?

Voltou ontem à noite.

Já não temos nada a ver.

É por isso que me querias falar?

O que é que faz de seu amigo? Engenheiro.

Não tem nada a ver você e eu. Porquê? Ele

é só aquilo que ele está. Agora julgas as

pessoas? Coisa que você não faz.

Não sei bem. Há um tempo que percebeu tudo

e que se diverte. Não ando sempre a

imaginar o que tu andas para aí a tramar.

Gostava de falar consigo, mas assim não.

Não és tu que me vais ditar as frases.

Quando deixas a desvulgar, os outros

digam. Eu hoje estava contente.

Óculos novos? Dois pares.

Há um minuto do mundo que passa.

Não me apetecem livros sem história. A

culpa é sua? Todos iguais.

Chegam aqui muito tímidos e uns dias

depois ficam impertinentes. Eu não queria

ser impertinente. O Rodrigo tem a desculpa

de ter uma amante que o engana. Mas você?

E o meu aluno que decidiu mudar de vida

desde que a viu?

Mudar de vida? Agora é só aquilo que ali

está. Pobre menina.

Era cabeleireira em Moçambique. E veio

cair neste maio. Mas é mais sério que

vocês todos.

Não te disse?

O teu postal já chegou. Então, já não

sou mentiroso? És. Disses que

o Carlos não vinha para a praia. E ele

está aqui. Mudou de ideias? Não é nada ao

género de mudar de ideias. Neste caso,

sim. E sabes como é que chegou?

A Branca estava no terraço e, de repente,

viu um portal a voar. Vinho do céu.

Não gostas dos marcos do Correio, como

toda a gente? Para fazer-se uma aviadora.

Ah, isso não lhe contei.

O marido daquela senhora era aviador. E

quando não podia vir, sobrevoava a praia

muito baixo e atirava-lhe uma rosa.

Eu vou-me embora Tu vais-te embora

Tá-se bem lá fora? É gente a mais. Ai,

desculpe.

São só cinco minutos por dia que sou

misantropo. Então está a mesma hora.

Às vezes de manhã, outras à tarde.

Então, disse que ia dormir? Não foi o que

me disse. Se calhar foi. Bom jogo.

Bom dia.

O Emílio entregou-se à polícia.

Não me apresente a ninguém. Toda a gente

se conhece.

Quando é que vamos dançar? Estás a ver?

A tua mulher quer dançar. Conhecemos num

baile.

Vamos lá.

Estou a berço. Não se seca.

A andar.

Você nunca toma banho. Nem eu sei. Só

consigo nadar se não estiver mais ninguém

no mar.

Deixaram o Rodrigo pendurado. Continua a

fazer-me a corte.

Alberto!

Tenho de levar a Alda a Lisboa. Vocês vão

a Lisboa? Só hoje e amanhã. Vai sentir a

minha falta.

Tenho os padrões, mas é só o mar que me

espanta a pé. Tirou-se a mim, parecia um

leopardo. Não sei, eu estava a sair do

duche. Almeida.

Talvez Miranda. Alberto Miranda.

Só se foi a boleia, porque eu não tenho

dinheiro nenhum. Sim, eu espero. Está a

ver?

Que era a polícia? Acho que não devia, é.

Mas sabe que ele fugiu à troca, não? Se

tem idade para me destrangular, também tem

idade para ir para a prisão. O que há por

ser tão caixonoso? Pois não.

Dário?

Estudar? Estudar,

eu?

Não viu o Dário? Viu na praia.

Sabia que eu não estava cá? Aqui sabe-se

tudo. E eu aborreço-me.

Não toma café? Eu faço-lhe

um. Eu ofereci-lhe.

Aproveito para telefonar do hotel.

Do hotel não posso.

Como que era?

Estás a chorar? Todas as manhãs.

É do sol. O que é que quer que seja?

No conservatório tive uma amiga. Que

chorava? Que parecia

consigo. Vocês acham que os meus são todos

iguais?

Ou então sou eu que sou igual a toda a

gente? Não sei o que é feito dela.

Foi por causa dela que você deixou o

violino? Acha que fui parvo?

Não sei. Eu nem sequer o conheço.

Professor! Ainda cá estás? Já sabe.

Ela telefonou para a polícia. Não sabe o

meu nome? Miranda.

Ouvi-a dizer.

Toma, arranja um táxi.

Pode me fazer um favor? Precisava do meu

fatadu que está no armário do quarto. Se

te apanham, são quatro anos. Tenho aqui a

chave.

Conhece uma mulher que está em casa do seu

amigo? Uma mulher? Uma com cara de

bolacha, de olhos grandes. Onde é que é

visto? Quem é?

Tenha cuidado.

Esta é a Laura, a neta do General. Tantas

vezes que toquei a porta no Porto. É a

minha casa? Quem deve saber é ali o

professor. Como? O Sr. Miranda.

Alberto Miranda. Temos uma caixa. O que é

que eu fiz? O Sr. Costa. Não fez nada.

Sou eu que sou maluca.

Já se conhecem? Finalmente. Senaste-me.

Está a minha espera em Paris. Para

conspirar no café do Luxemburgo. Julgava

que já estava em Praga. Na Páscoa não

falava de outra coisa, mas agora...

Queres vir? Bom dia. Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Era por causa do seu aluno. Era.

O meu aluno manda-lhe isto.

Disse-me que eu lhe pedisse desculpa.

Já lhe tinha dito que você transformou-o

completamente.

Havia um santo assim na capela do colégio.

Um belo rapaz genuíno e cheio de sangue.

E de flechas.

Uns olhos meigos.

E um dia, corei a olhar para ele.

Era a primeira vez que eu sentia o amor.

A contar histórias de quando eras criança?

Como você. Houve uma altura em que mudou a

sua ideia do amor. Eu vejo muitas vezes

essa imagem. O santo na capela, todo

mundo. Só que a mim ainda não puseste

flechas.

O seu aluno está apaixonado. Quero estar.

E tu achas que basta querer?

Se quiseres, podes ficar uns dias em casa

dos meus pais, uns dias. Não é preciso.

Não sei fazer o não.

É a sua venção. Como quiser.

Deixe-a estar

mais uma vez.

É a sua vingança.

Não suporto a ideia de que esta gente não

vai sobreviver. O cor é meu, meu namorado

Que tu

trazes em

minha terra Mais

uns meses fica resolvido. Os nossos

soldados são bronco, mas atiram-se para a

frente. Os pretos são fogo de vista.

E a boa da Rússia não tarda, deixa-os

morrer à fome. Lembre-se do que lhe digo.

Parece que as praias lá são ótimas. A

Bahia do Lando, genial.

Amou o teu aluno?

Sofreu?

Este é que é o famoso Alberto.

Você toca violino, não é? Estou no

desemprego.

Não dava?

De voltar a ver Não

será da mesma queda

agora Tu vais-te embora Eu

vou-me embora

O verão já se acabou E

na praia do meu coração Só provento

das estrelas O que é que eu ando a tramar

ao certo? É ver se volta atrás

no tempo. O verão já que acabou O que é

que eu vou fazer para te esquecer? A minha

amargura, o fim

da ternura Você

estava tão bem.

Você estava tão bem.

Mas na praia do meu coração Sofro

o vento da separação O

que hei-de eu fazer para te esquecer?

O verão já se acabou O que hei-de eu

fazer?

Me avergonhaste o rapaz,

foi? Não.

Tente falar com aquele rapaz.

Declarou-se. Só você

é que o pode ajudar. Não está vaidosa?

Ele pode sofrer muito, sabe? É capaz

de guardar um segredo?

Tem confissão?

Como vai?

Você já tinha vindo? Não.

Você parece que sabia. O que

eu ia dizer? Prova?

Não diga nada, eu sei que te faz

impressão. Vai nascer em março,

como dava.

Era isso que não sabias dizer-me. Tenho de

me habituar primeiro à ideia.

Carlos, não quero vir.

Já não sofre.

Vamos.

Vamos para

cá. É a Alda. Eu não entendo. O que

quer dizer?

Você ouviu o nome dela? Alda.

Alda. Nasce um novo.

Mas... não parece tratável.

É feliz. Venham para aqui. Venham.

Estamos bem aqui,

amor.

Pois é.

As pessoas felizes parecem... párvores.

Anda!

O que é que ela lhe disse? Nada.

Eu ouvi-os a falarem. Ah, anda!

Ela disse que eu era parvo.

Só disse que lhe fazia impressão.

Eu vou-me embora O verão

já se acabou E

na praia do meu coração Sofro

o vento da separação O

que é que estás à espera?

Daqui a pouco é dia.

Não achas que isso tudo é um bocado

barato? Não é como toda a gente,

sentimentos baratos.

Se precisares de mim, dizes.

Para o nó da gravata.

Sente-se, por favor.

Podias parar?

Alta!

e aí e aí e

aí e

aí e

aí e aí e

aí e aí Música

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