Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Pensei que tu podias vir comigo até à
aldeia. O que é que tu fazes na aldeia há
duas semanas? Três semanas. Por causa
do teu pai? Como é que soubeste?
Soube?
Posso arranjar-te uma cama se quiseres
ficar.
Amanhã tenho um advogado logo de manhã.
E tu não conheces a alda. Não está contigo
na aldeia? Está com exames. Como eu.
Há um minuto do mundo que passa, há que
pentar na sua realidade.
Ajudar a arranjar sempre uma razão para
não vires. Não posso.
Vou chamar
agora a menina Maria Antónia Grêmio.
Bati-lhe a porta três vezes esta manhã.
Dormeci era muito tarde. Mas não se
esqueceu de hoje à noite. Hoje é
29.
e aí e aí Já
me despido de ti Já
me despido de ti De
tu casa e tu ventana.
Aunque no quiera tu madre,
Adiós,
ni hasta mañana.
Adeus, menina, até amanhã.
Já me despido
de ti.
Mesmo que não queira Obrigada
por ter vindo. Tenho de me ir embora.
Também não posso prender no meio destes
talentos frustrados. Que ideia! Tinha um
aluno com a letra A. Quem?
A rapariga que o veio procurar. Alda?
Laura... Clara. Não, talvez fosse Alda.
Claro, eu não a conheço.
E você? Não dança? Nem consigo marcar
passo. Quando eu era
miúda, eu queria ler e cantar estas
coisas. E você sempre quis ser músico.
Papa também.
Ainda tenho esperanças. Tendo.
Adeus.
O que queres
que eu faça? Deixa,
deixa.
Alô, Emílio!
Ah, vieste a ver com quem a tua mulher
anda.
Julgava que tinhas Laurito. Não estou
em casa. Ontem eu menti-te. A Alda
não tem exame. Como é que adivinhas-te?
Nunca soubeste
mentir. É o meu nariz que cresce.
Não, é a voz que te trai.
Foi aqui que arranjei os quartos.
Se não
fossem as vigaritas do meu irmão, eu não
tinha voltado cá.
Ainda há cá para gostar disto.
Lembras-te? Em miúdo também não gostava de
peixe. Nem de sopa.
E agora?
Na terça fica tudo arrumado.
Tenho de voltar para o porto. Porque é que
não vês para a praia connosco?
Fazer o quê? Não tinhas nada previsto para
o verão? Detesto o verão.
Conhecias a Alda?
Ela nunca cá veio.
E a tua violoncelista? Alguma vez a
levaste a Lisboa? Bem sabes que não tive
tempo. Engenheiro! Tenho de ligar-te
para o doutor de filmes de fome! Mais uma
vigarice do meu irmão. Tenho de ligar-te
até à meia-hora!
Apelada. É tudo o que fica. É esquisito
ver-te aqui. De antes
chamavas a isto um inferno. Ainda há cá
por gostar disto.
Se tu soubesses... O meu
irmão e o sogro andam a manobrar para pôr
tudo isto cheio de eucaliptos. Parece
impossível. Vens viver para aqui?
Não sei. E a Alda?
Deixava a faculdade? Nunca pensamos nisso.
A Ariana?
A filha do médico?
Uma vez, no São João. Casada com
a besta do advogado. E grávida.
Foste muito páravo.
Deixa lá, não te preocupes.
Vê, mas essa tua mulher não vai gostar
mais dele que de ti. Então, essa que ainda
já saiu, cheira bem.
Cheira-lhe bem.
Dário! Dário!
Este aqui é o Emílio.
Miúdo não é a minha cara chapada?
Também se chama Dário aqui como
engenheiro. A ver se chama a sorte e
também se safa na guerra. Já não vai haver
guerra quando ele tiver idade. E se dizem
que nós estamos a amargar lá no mato?
E o teu primo? Como é que o fez? Foi para
a França. Mas o tipo que o passou...
Ou foi preso ou pisgou-se com a massa.
A minha amiga diz que o melhor era
conseguir que ficasse, não é, Luanda?
Luanda? Eu sou daqueles que usam uma
corneta na boina. E esses só servem para
bater com os costados no mato, para andar
com uma canhota às costas. O meu
primo arranja-me trabalho em Besançon,
nas obras. E a Júlia? Depois mando-a ir.
Mas antes tenho umas coisas para acertar.
O senhor é que é o advogado dos Ários?
Eu? Não, sou um amigo.
Estas famílias republicanas. Não admiro
que acabe tudo nos tribunais.
O senhor é de Lisboa? Sou, mas trabalho no
Porto. Lisboa. Estive lá quando foi
aqui o Bolsonaro, um general que ia salvar
a Espanha. Mas me haviam caído. Depois
acabei por ir para o Louvito.
Conheces o Louvito? Não. Não tem nada a
ver com o resto. É uma coisa que eu te
peço. Espalta ou não cortas?
Não é isso
nada! Tá, fala mais alto.
Corre! Tu sabes muito bem...
Mas como é que queres que eu possa? Está
bem. Sim, está bem.
Talvez possa.
Muito. Não vais ver o fogo de artifício
connosco? Não. Até amanhã.
Também não há nada para ver, desde que me
chame Virgínio que o fogo é o mesmo.
Não estás a dormir? Os cães não se calaram
com o fogo de artifício.
Olha o que eu ganhei.
Está chateado? Estava uma mulher à tua
espera. Uma mulher?
Parecia nervosa. Num carro vermelho?
Não, uma camponesa.
Não era a Alda.
Parabéns por não a ter trazido. Isto aqui
não se resolve assim. Mas ela não
se ia sentir bem aqui. Não tem idade
para gostar do seu peito peixe, é? Sr.
Engenheiro! Sr. Engenheiro!
Aí eu tenho. Sr. Engenheiro! Fique com
ela. Fique com ela.
Não, Júlia. Essa gente quer dinheiro.
Já falei uma pessoa que eu conheço. E acha
que ele sai da ideia? É que ele veio para
a França. O que é isso?
Julia!
Julia!
Volto para o porto.
Queres que te leve? Não, vou-no como 8h às
10h. Então desculpa.
Estás a fugir. Por que tens essa ideia?
Jermão, é uma desculpa.
Não tens jeito para conversas sentivas.
Nem eu. Boa noite.
Boa noite.
Tchau.
Tchau.
Julgava que estavas no quarto. Não tinhas
de estar no porto. Já está, cá estou.
O que é que foi? Faz.
Já não queres ir para a praia? Ficas fora?
Não, isto vai passar.
Emílio! Matanha!
Que história horrível.
Não esperava que fosse assim.
Vim nos seus olhos. O que tu lhe andaste a
contar acerca de mim? Tudo.
Ele nestes últimos três anos só me mandou
uns recados. Mais nada. Do estilo, vou-me
casar a 31. E você não vai.
Gosto do seu nome.
No ano passado ele queria que eu fosse com
ele à aldeia. Mas anoiteceu.
E era a estrada nova.
Perdeu-me. Que esquisito.
Tinha a certeza de já o ter usado na
praia.
O que é isso?
Alberto! Mas onde é que tu vais? Tu não
fazes a noite sozinha. Alberto, a gente
precisa de qualquer coisa. O que é que tu
medes? O que é que tu medes tanto?
Alberto!
Alberto!
Está a ver? Não esqueci. Bate-se à porta
antes de entrar.
Não estava à espera de ver-te por cá. Eu
não estava à espera de ver-te no meu
quarto. Não vem tomar banho? O professor
ainda está branco. Não. Agora é que a água
está boa. E não está ninguém
na praia.
Bom, adeus.
Ainda vai, mas é a instalar-se no teu
quarto.
E você vai ter de vir aqui para casa.
Nunca percebi porque é que ele deixou o
violino. A culpa não é do professor?
Para ti a música é sua culpa.
A uma idade em que as pessoas ainda não
sabem quem são. Eu não diria isso.
Talvez ele só queira falar contigo.
Jogava que estavas a falar da aula. Não,
do teu aluno. Tirei a mesa.
Como é que acha o Dário? Bem.
Tem a certeza?
Vai haver vento.
Ainda hoje quero. Deve ser o perdido na
areia.
O isqueiro que me trouxeste de Viana, de
Salzburgo. Ainda o tens?
Não conhecia.
Foi-te a ver, estavas lavando Foi-te
a ver, estavas lavando Num rio
sem essa barra Lava-se-a
a guarda-rosas,
Lava-se-a a guarda-rosas,
Fica-te o cheiro na mão.
Fica-te o cheiro na mão,
Fica-te o cheiro na mão,
Fica-te o cheiro fato.
Se eu morrer e tu ficares,
adora-me o meu retrato.
Adora-me o
meu retrato.
Adora-me o meu retrato.
Adora o meu coração.
Muito bem, estava acabando.
Muito bem, estava acabando.
No Rio Santa Catarina.
Não lhe disseste nada?
A propósito, o quê? Mas gostei erros do
teu irmão.
Foi ela que te perguntou? Não, foi não.
Disse? É claro que disse.
Ela não sabe de nada.
Então foi ela que te perguntou?
Foi. Conta-lhe o
que quiseres.
Estás a
vê-la? Talvez atrás dela esteja um
homem que não se vê.
Vamos dar um passeio de barco. Não vêm?
Eu vou-me deitar. Não. Por que
é que ela te olha como se tivesse medo?
Vai-se embora? Está a subir.
Você fica? Tem de ter uma disciplina.
Desde dez ao meio-dia, praia. Faça sol ou
chuva. O Dário ainda está a dormir.
Cuidado! Na maré cheia há muitas
alfurecas.
Não sabia que dançava tão bem. Onde é que
me viste dançar? Na festa. Não te vi.
É natural. O marido dela não
é aquele. Nunca a
vi dançar.
Não merece cheia. A praia ainda é
suportável. As mulheres têm medo que o
casal correca.
É aquele que deve ter decidido ganhar
dinheiro. Vai arrepender-se. Tu não.
Bem sabes que não tenho jeito para mais
nada. Como é que ele tivesse jeito?
Foi a realidade que o transformou.
Agora é o contrário do que era. Está a
descer.
Não, ainda sobe mais uma hora.
Pelo menos tiraram este sal. Mas aproveita
para telefonar, para saber do Emílio.
O teu pai? Se ontem não voltou.
Adeusinho. Adeus.
É a filha do Rodrigo. Não conheces? Não?
É o homem com mais tias deste mundo.
A casa foi uma tia que lhe deu. O emprego
foi graças a uma tia. Toda a gente
esperava que se casasse com uma tia.
É uma muda?
Mas o Sr. Almeida tinha leito a semana
passada.
Mas não vê que o vale ainda não secou. E
acha que chega esta semana?
Isso não está certo.
Então o Sr. Almeida não se lembra? Foi
naquelas noites em que bateu à porta e eu
decidi abrir o bar. Foi vodka, foi ruim.
Eu nunca bebo vodka, só ruim se curte. Eu
não punho aí a vodka se não fosse vodka.
Se me põe na rua é que perco tudo. Fica cá
e ainda perco mais, se calhar. Laura!
Laura! Vou pegar uma linha.
Só liga quando cair. Vou tentar lá atrás.
Vão se
ligar daqui.
Laura, fala mais alto! Mais alto
que na linha! Laura! Chamas-te Almeida?
Desde quando? Nome artístico.
Trouxeste o shampoo? Está aqui.
Olhe!
Onde está
o Rodrigo?
Minha filha! Minha filha! Minha filha!
Minha filha!
Vem aqui uma história desta revista. Um
moço de 20 ou 23 anos, inglês, teve uma
herança que era nem mais nem menos do que
um forte no sul de Marrocos. Do tio-avô.
Um orço, ou assim. Chegou lá, tudo acorreu
muito bem, às tantas abriu a porta e havia
32 mulheres. 50 ou 60 anos. Que eram a
arém do tio.
E agora ele não sabe o que é que há de
fazer. Não tem dinheiro para os
sustentarem. Eles não querem ser
libertados e ninguém comprou o Ford com o
dinheiro de lá dentro. Diz aqui que ele
comprou 14 aparelhos de televisão. Não
acredito em nada do que ela lhe diz. Onde
é que arranjaste estes abacates? Fui
buscar-me-os no aeroporto. Foi ela que os
trouxe? De Lourenço Marques. Então não
quero.
O Emílio anda a monte. E ela?
Em coma.
Imaginas o Dário metido num crime
profissional?
Pois, francamente, imagino.
O que é horrível é que eu tinha uma
solução. Podias ter-me falado.
Falei a uma prima da Alda. Tem um avô no
Estado Maior.
Uma com uns olhos grandes, é? Como é que
sabes? Foi a minha vizinha que devia falar
com ela. No Porto?
Falou-me disso como se fosse realmente
outra coisa.
Antes eras mais eficaz.
Tu tens pena de mim. Mudaste?
Não é só agora que gostaste de sopa?
Achas-te inquieto?
Não. Tranquilo.
Talvez.
Deixaste a janela aberta. Deve ter sido
o vento. Vai ficar tudo cheio de moscas.
Não, parece que não levaram nada.
Não é possível. Fecho sempre a porta.
Vais comer?
Vamos com ele. Quase não dormi esta noite.
Nem eu. Até amanhã.
Olha, aqui eu encontrei no para-brisas.
Devo-te voltar a ver? Que desparado.
Olá. Agora andas a espiar-me? Posso fazer
a companhia? Vou para o hotel. Tu também?
Teve pouca sorte nas férias. Eu?
Porquê? Não vê onde vai cair.
Onde é que foi? Já fizeram os passos.
Quem? Os teus amigos.
Por que é que diz isso? Ele não para
quieto e ainda acaba mal.
Não percebo o que é que tu tens com isso.
Não faço esses ars. É o que toda a gente
faz na praia.
Não toma nada? Não.
e aí
e aí e
aí Tu
vais-te embora. Eu vou-me embora.
O verão já se acabou. O professor
parece que dá-se muito bem. Quando vou-me
voltar. Tu vais-te embora.
O verão já se acabou.
Tu vais-te embora. Eu vou-me embora.
O verão já se acabou.
Estás sozinho?
Só tenho um. Tu andas-te assim tão cedo?
Às vezes.
Estás esperando alguém?
O que é que lhe nojo é? Quem é aquela
mulher? Ah, afinal também é curioso. Ela
paga-te?
É mais complicado. Fica cá
todo mês? Não sei, sempre.
Você parece estar à espera que esta gente
o aceite. Acho que tu é que estás à
espera.
Olhe o seu amigo.
Não percebo o que é que você vê nele.
Crescemos juntos.
Só há uma coisa em que ele é bom, a nadar.
Assim nunca ouvi nadar.
Não sei.
Às vezes precisava de falar.
Onde é que encontraste este isqueiro?
Deram-me. Ah, sim? Quem?
Segredo. Encontraste-me na areia, não?
Foi. Por quê? Porque este isqueiro dei
o eu ao Dário há uns 10 anos. Ah, que
pena. Olha o que eu achei.
Onde? Ali. Pus a mão na areia.
Esqueci-te. Em um grão de areia.
O quê? Que é, pergunto eu. Não percebo.
Essa cabecinha anda mais devagar que as
mãozinhas, é? Não é seu?
É.
Tinha deixado aqui. Obrigada. Dê-me
cuidado.
Não quer tomar nada? Veja. Não pode ser.
Deixe-me em
paz, eu já pago. Arrume-me! Arrume-me!
Arrume-me! Arrume-me! Arrume-me!
Arrume-me!
Eu criei nos amor.
Até da Itália chega correio. O teu portal
é que não há meio.
É de uma colega. Desistiu a um concerto do
Gromeo e lembrou-se de mim. Sabe o que
você tem? As pessoas lembram-se de si.
Mesmo de longe.
Ela espera que vocês estejam melhor. Sabe
do que é que fala? É a entrevista que foi
a minha discussão com a Laura. Se quittez?
Peut-être pour toujours et oublier nos
amours.
C'est cette plage...
Faz lembrar a África, esta aragem.
A África não conheço. Eu vivi em Lourenço
Marques, mas nasci no Edito. Não conhece o
Edito? África? Nunca fui. Ai, pára, vem de
África de Edito. Até já.
Eu tinha dito que não estava cá. Eu
tinha-te deixado recado no hotel.
Alberto, por que andas sempre a persistir?
Por que andas a deixar de mim sempre?
Estás sempre a mentir-me. Bom, adeus.
Vou-me embora. Por que andas sempre a
persistir? Por que andas sempre a
mentir-me? Estás sempre a mentir-me.
Alberto! Por que
andas sempre atrás de mim?
e encontrámos o diário de um leiro do
início do século.
Anotava tudo todos os dias e fez isso
durante vinte anos.
Vinte quilos de trigo, doze quilos...
Nem uma palavra sobre ele.
De vez em quando uma oração. Ei,
Sabrina! Já percebeu
o que ele anda a fazer? Servo-lhe de
alibinos, amor.
Com a Nina? Não sou.
O rapaz ficou a olhar imenso,
o tempo para o mar e o primo todo chateado
à espera. Epá, ainda não vistes tudo,
caralho? Agora se acabas de ver isso.
Epá, eu não percebo. Como é que esta coisa
toda, esta água, esta imensidão, com os
rios todos a comer para aqui, os esgotos,
a chuva e tudo, é só água entrar aqui?
Como é que esta coisa nos travaza, pá?
Manguelas puxou uma fumaça. Bem, queres
dizer, para já, para já, há as espojas.
Faça paus, não é nada.
Cuidado. Cuidado. Cuidado. Cuidado.
Deve ter partido o pé. Ah, sim?
Isso... Não sei.
Ao lugar para um. Vai tu.
Nós vamos a pé.
Gina! Até que enfim!
Para o Rodrigo até é bom. Por que é
querido isso? Ele queria ver-se livre
dela. Assim já está. Andas muito
convencida. Vocês julgam que eu não
percebo os homens?
E o teu Miguel não vem cá este ano? Não
sei. A última carta que eu recebi dele
fala dos bichos de tomate. Diz que gritam
toda a noite e ele não consegue dormir com
os gritos e com o calor. É como se
já tivesse filhos de dia dele.
Coitado da Nina.
Se fosse-me estimar bem.
Vamos! Só desgraças.
Gina diz que são os homens que as
provocam. O que é que acha da Gina?
Tem muita energia. Porquê? Tem mais alguma
coisa? Há uns anos as pessoas pensavam que
éramos irmãs. Agora somos tão diferentes.
Há uma altura em que as pessoas definem.
Em qual seria a minha definição? Sei lá.
Há elementos que não tenho. Todos iguais.
Sabe aquela senhora que está sempre a ler
no terraço e que lhe diz bom dia?
Quando eu era pequena via aí com o marido.
Davam sempre um passeio ao fim do dia.
Nunca os ouvi dizer nada. Andavam,
ela um bocadinho à frente. Um dia ele
morreu. E ela continua a
passear essa tarde.
Achas que não devíamos falar?
Não acha que é por obrigação que se fala?
Como estava de tarde,
assim? Tentes estar muito apaixonado.
E você não quer?
Por que é que pagou a minha conta?
Não julgava que fosse o tipo de coisas que
te incomodam? Se é a regra do jogo.
Não podes controlar tudo.
Se me queria dar, dava-me a mim. Só paguei
o atrasado. Agora desenrascas-te.
Não fui eu que me servi da Nina. Ela
andava com um escultor. Estava lá sempre
quando eu pousava. Aproveitou-se de me ver
nu para meter na cama. Nu e sem dinheiro.
Foi quando vieste para Lisboa?
Pode devolver isto aos seus amigos.
Nunca imaginei que te arrependesses do que
quer que fosse. Nem eu.
Mas nunca me tinha sentido ridículo.
Não estás a inventar outra história
qualquer?
Peça-lhe desculpa por mim.
Você é obrigo ou sincero?
O que você quer? O que você quer?
Onde estás? Senhor! Vim por ele!
Emílio! Já vou!
Tu não podias fazer nada.
Ao menos com a Alda eu acho que não
falhei.
É a minha única vocação.
Tu vês em mim coisas demais.
Por isso não sou capaz de falar contigo.
Falar de quê?
Falar.
Como a gente se esquece.
É do teu aluno?
Quando ele te voltar a ver... O que é
isto? Entretém-se a pôr bilhetes por
todo lado. A letra
dele não era assim. Era miudinha. Às vezes
reescrevia por cima.
Bom dia. Bom dia.
Minha querida, mas é um dia de inferno. O
Carlos está estranho. Não vai vir ter
connosco.
Olha um postal.
É para a Alda.
Você nunca quis ficar em público. Sem eles
15 anos. Mesmo assim continua a treinar.
Ainda ontem ouvi tocar no hotel. Era para
mim.
Você não dança? Quase não vai à praia?
Come sozinho? Venham, venham.
Não se preocupe comigo. Eu como trabalho
na publicidade não vou inventar slogan só
para mim. O da
Margarina era seu? Não, é bom, mas não é
meu. Nunca viveu com ninguém? Tenho muitos
vizinhos. Vamos dar uma volta? Vamos lá.
E quem vai
perder, vai esquecer A minha abertura, a
vida ternura Até
o sol soar!
Pobre Rodrigo.
Professor!
Não vem ao banho. Já viste as horas?
Não está ninguém. Posso subir?
Basta fazer a noite do dia!
E tudo fica mais claro. Encontraste a
Nina? Está no hospital?
Voltou ontem à noite.
Já não temos nada a ver.
É por isso que me querias falar?
O que é que faz de seu amigo? Engenheiro.
Não tem nada a ver você e eu. Porquê? Ele
é só aquilo que ele está. Agora julgas as
pessoas? Coisa que você não faz.
Não sei bem. Há um tempo que percebeu tudo
e que se diverte. Não ando sempre a
imaginar o que tu andas para aí a tramar.
Gostava de falar consigo, mas assim não.
Não és tu que me vais ditar as frases.
Quando deixas a desvulgar, os outros
digam. Eu hoje estava contente.
Óculos novos? Dois pares.
Há um minuto do mundo que passa.
Não me apetecem livros sem história. A
culpa é sua? Todos iguais.
Chegam aqui muito tímidos e uns dias
depois ficam impertinentes. Eu não queria
ser impertinente. O Rodrigo tem a desculpa
de ter uma amante que o engana. Mas você?
E o meu aluno que decidiu mudar de vida
desde que a viu?
Mudar de vida? Agora é só aquilo que ali
está. Pobre menina.
Era cabeleireira em Moçambique. E veio
cair neste maio. Mas é mais sério que
vocês todos.
Não te disse?
O teu postal já chegou. Então, já não
sou mentiroso? És. Disses que
o Carlos não vinha para a praia. E ele
está aqui. Mudou de ideias? Não é nada ao
género de mudar de ideias. Neste caso,
sim. E sabes como é que chegou?
A Branca estava no terraço e, de repente,
viu um portal a voar. Vinho do céu.
Não gostas dos marcos do Correio, como
toda a gente? Para fazer-se uma aviadora.
Ah, isso não lhe contei.
O marido daquela senhora era aviador. E
quando não podia vir, sobrevoava a praia
muito baixo e atirava-lhe uma rosa.
Eu vou-me embora Tu vais-te embora
Tá-se bem lá fora? É gente a mais. Ai,
desculpe.
São só cinco minutos por dia que sou
misantropo. Então está a mesma hora.
Às vezes de manhã, outras à tarde.
Então, disse que ia dormir? Não foi o que
me disse. Se calhar foi. Bom jogo.
Bom dia.
O Emílio entregou-se à polícia.
Não me apresente a ninguém. Toda a gente
se conhece.
Quando é que vamos dançar? Estás a ver?
A tua mulher quer dançar. Conhecemos num
baile.
Vamos lá.
Estou a berço. Não se seca.
A andar.
Você nunca toma banho. Nem eu sei. Só
consigo nadar se não estiver mais ninguém
no mar.
Deixaram o Rodrigo pendurado. Continua a
fazer-me a corte.
Alberto!
Tenho de levar a Alda a Lisboa. Vocês vão
a Lisboa? Só hoje e amanhã. Vai sentir a
minha falta.
Tenho os padrões, mas é só o mar que me
espanta a pé. Tirou-se a mim, parecia um
leopardo. Não sei, eu estava a sair do
duche. Almeida.
Talvez Miranda. Alberto Miranda.
Só se foi a boleia, porque eu não tenho
dinheiro nenhum. Sim, eu espero. Está a
ver?
Que era a polícia? Acho que não devia, é.
Mas sabe que ele fugiu à troca, não? Se
tem idade para me destrangular, também tem
idade para ir para a prisão. O que há por
ser tão caixonoso? Pois não.
Dário?
Estudar? Estudar,
eu?
Não viu o Dário? Viu na praia.
Sabia que eu não estava cá? Aqui sabe-se
tudo. E eu aborreço-me.
Não toma café? Eu faço-lhe
um. Eu ofereci-lhe.
Aproveito para telefonar do hotel.
Do hotel não posso.
Como que era?
Estás a chorar? Todas as manhãs.
É do sol. O que é que quer que seja?
No conservatório tive uma amiga. Que
chorava? Que parecia
consigo. Vocês acham que os meus são todos
iguais?
Ou então sou eu que sou igual a toda a
gente? Não sei o que é feito dela.
Foi por causa dela que você deixou o
violino? Acha que fui parvo?
Não sei. Eu nem sequer o conheço.
Professor! Ainda cá estás? Já sabe.
Ela telefonou para a polícia. Não sabe o
meu nome? Miranda.
Ouvi-a dizer.
Toma, arranja um táxi.
Pode me fazer um favor? Precisava do meu
fatadu que está no armário do quarto. Se
te apanham, são quatro anos. Tenho aqui a
chave.
Conhece uma mulher que está em casa do seu
amigo? Uma mulher? Uma com cara de
bolacha, de olhos grandes. Onde é que é
visto? Quem é?
Tenha cuidado.
Esta é a Laura, a neta do General. Tantas
vezes que toquei a porta no Porto. É a
minha casa? Quem deve saber é ali o
professor. Como? O Sr. Miranda.
Alberto Miranda. Temos uma caixa. O que é
que eu fiz? O Sr. Costa. Não fez nada.
Sou eu que sou maluca.
Já se conhecem? Finalmente. Senaste-me.
Está a minha espera em Paris. Para
conspirar no café do Luxemburgo. Julgava
que já estava em Praga. Na Páscoa não
falava de outra coisa, mas agora...
Queres vir? Bom dia. Bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
Era por causa do seu aluno. Era.
O meu aluno manda-lhe isto.
Disse-me que eu lhe pedisse desculpa.
Já lhe tinha dito que você transformou-o
completamente.
Havia um santo assim na capela do colégio.
Um belo rapaz genuíno e cheio de sangue.
E de flechas.
Uns olhos meigos.
E um dia, corei a olhar para ele.
Era a primeira vez que eu sentia o amor.
A contar histórias de quando eras criança?
Como você. Houve uma altura em que mudou a
sua ideia do amor. Eu vejo muitas vezes
essa imagem. O santo na capela, todo
mundo. Só que a mim ainda não puseste
flechas.
O seu aluno está apaixonado. Quero estar.
E tu achas que basta querer?
Se quiseres, podes ficar uns dias em casa
dos meus pais, uns dias. Não é preciso.
Não sei fazer o não.
É a sua venção. Como quiser.
Deixe-a estar
mais uma vez.
É a sua vingança.
Não suporto a ideia de que esta gente não
vai sobreviver. O cor é meu, meu namorado
Que tu
trazes em
minha terra Mais
uns meses fica resolvido. Os nossos
soldados são bronco, mas atiram-se para a
frente. Os pretos são fogo de vista.
E a boa da Rússia não tarda, deixa-os
morrer à fome. Lembre-se do que lhe digo.
Parece que as praias lá são ótimas. A
Bahia do Lando, genial.
Amou o teu aluno?
Sofreu?
Este é que é o famoso Alberto.
Você toca violino, não é? Estou no
desemprego.
Não dava?
De voltar a ver Não
será da mesma queda
agora Tu vais-te embora Eu
vou-me embora
O verão já se acabou E
na praia do meu coração Só provento
das estrelas O que é que eu ando a tramar
ao certo? É ver se volta atrás
no tempo. O verão já que acabou O que é
que eu vou fazer para te esquecer? A minha
amargura, o fim
da ternura Você
estava tão bem.
Você estava tão bem.
Mas na praia do meu coração Sofro
o vento da separação O
que hei-de eu fazer para te esquecer?
O verão já se acabou O que hei-de eu
fazer?
Me avergonhaste o rapaz,
foi? Não.
Tente falar com aquele rapaz.
Declarou-se. Só você
é que o pode ajudar. Não está vaidosa?
Ele pode sofrer muito, sabe? É capaz
de guardar um segredo?
Tem confissão?
Como vai?
Você já tinha vindo? Não.
Você parece que sabia. O que
eu ia dizer? Prova?
Não diga nada, eu sei que te faz
impressão. Vai nascer em março,
como dava.
Era isso que não sabias dizer-me. Tenho de
me habituar primeiro à ideia.
Carlos, não quero vir.
Já não sofre.
Vamos.
Vamos para
cá. É a Alda. Eu não entendo. O que
quer dizer?
Você ouviu o nome dela? Alda.
Alda. Nasce um novo.
Mas... não parece tratável.
É feliz. Venham para aqui. Venham.
Estamos bem aqui,
amor.
Pois é.
As pessoas felizes parecem... párvores.
Anda!
O que é que ela lhe disse? Nada.
Eu ouvi-os a falarem. Ah, anda!
Ela disse que eu era parvo.
Só disse que lhe fazia impressão.
Eu vou-me embora O verão
já se acabou E
na praia do meu coração Sofro
o vento da separação O
que é que estás à espera?
Daqui a pouco é dia.
Não achas que isso tudo é um bocado
barato? Não é como toda a gente,
sentimentos baratos.
Se precisares de mim, dizes.
Para o nó da gravata.
Sente-se, por favor.
Podias parar?
Alta!
e aí e aí e
aí e
aí e
aí e aí e
aí e aí Música
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.