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Est�o esperando pelo senhor na sala de estar.
Obrigado, Barnsby.
Eu gostaria que voc� se juntasse a n�s, se n�o se incomoda.
Achou as j�ias de Lady Ridgeley's?
Sim, inspetor. Achou meu rubi Cabuchon?
N�o, milady.
Mas achei outra coisa:
a identidade do assassino de Lord Fenley.
Inspetor, n�o est� querendo insinuar
que um de n�s poderia ter...
executado um ato t�o repugnante?
Isto � rid�culo! Eu simplesmente n�o acredito!
Eu n�o s� acredito, Sr. Montrose,
como tamb�m tenho provas concretas.
Todos voc�s tinham motivo suficiente.
Poderia ter sido qualquer um de voc�s.
Sir Derek, o senhor falseou as contas
das Ind�strias Fenley, com o aux�lio do seu genro,
Sr. Foxwell.
E tamb�m sabia que Lady Ridgeley
estava tendo um caso com Lord Fenley,
o qual acabou abruptamente quando ele renovou o namorico
com Lady Foxcroft!
Percebem,
ela acidentalmente descobrira que Barnsby era, na verdade,
o meio-irm�o de Lord Fenley
e o pai ileg�timo
do Sr. Peter Montrose,
que planejava assumir o controle das Ind�strias Fenley,
com o aux�lio do Sr. da Silva,
que, por sua vez, iria � fal�ncia se tal trama falhasse.
Sim, todos voc�s tinham um motivo.
Qualquer um aqui
poderia t�-lo matado.
Mas s� um de voc�s o fez.
Uma pessoa que est� sentada nesta sala?
Neste exato momento?
Isso, Srta. Kate.
Nesta sala mesmo.
Esta brincadeira de gato e rato j� durou demais.
Muito bem.
O assassino de Lord Fenley...
�...
Cruzes...
A luz, Sr. Paycock, por favor.
Vou consertar isso bem rapidinho. Bem rapidinho.
Devo dizer que acho pouco prov�vel.
Nossa! Agora nunca saberemos quem � o culpado.
Parece-me bastante �bvio quem foi o assassino.
Quem, Miss Marple?
Diga-nos! Foi Sir Derek?
N�o creio, Srta. Giles. Ele n�o mataria o pr�prio s�cio.
J� que ele s� detinha 49% do neg�cio
e o controle passaria � irm� de Lord Fenley,
grande inimiga de Sir Derek.
Aposto que foi o salafr�rio Lord Peter.
Imposs�vel, major. Com licen�a.
As marcas em dire��o � casa de Lord Fenley eram de bicicleta.
Ele odiava Lord Fenley!
Certo, mas est� esquecendo que o jovem Peter
nascera com um defeito
que afetava o ouvido interno. Esta falta de equil�brio
o teria impossibilitado de se equilibrar numa bicicleta.
Boa noite, major.
Com licen�a, Sra. Bollysmith.
- Boa noite, Dolly. - Adeus, Jane.
Eu digo que foi o horr�vel mordomo.
Foi Barnsby. N�o acha, Miss Marple?
Certamente que n�o!
O rev�lver na gaveta...
Sr. Foxley, Barnsby nunca fora ao s�tio de Lord Fenley.
As pegadas na noite do crime levavam ao quarto da ala esquerda,
onde Lord Fenley se refugiava.
O assassino conhecia o caminho exato at� esse quarto.
Ent�o quem foi, Miss Marple? Quem assassinou Lord Fenley?
Ora, a jovem Srta. Kate, evidentemente.
Por que diz Srta. Kate?
Porque quando encontraram o corpo de Lord Fenley,
a faca estava cravada no peito para a esquerda.
Um dextro, com certeza, n�o teria podido
dar um golpe forte nesta dire��o.
Um bom observador
teria percebido que Srta. Kate estava girando as p�rolas na m�o esquerda.
Boa noite, vig�rio.
Sei que vai consertar esta engenhoca rapidinho.
Boa noite a todos.
Ela pode estar enganada.
N�o est�, n�o. Eu vi o filme.
A Maldi��o do Espelho
Eu nunca teria adivinhado esse final.
Aquela mo�a parecia ser t�o gentil.
Natureza humana, Cherry.
O mundo do cinema, o vilarejo... � tudo a mesma coisa.
Ou�a bem, Marty,
n�o importa o que esses ingleses filhos da puta bebedores de ch� exijam,
os ingleses filhos da puta bebedores de ch� far�o do filme um sucesso.
Pare de embromar e d�-lhes o que querem.
Ou�a, n�o quero discutir com voc�. Eu sou o diretor
e se eu quiser cangurus campe�es de p�quer com Ph.D.,
voc� tem que dar um jeito de consegu�-los. Fui claro?
Inteiramente. Como vai Marina?
Marina? Ela est� �tima, Marty.
Obrigada, Bates.
Obrigada, Bates.
Sra. Bantry, eu sinto muit�ssimo.
Marina teve que ir provar um figurino na cidade.
Miss Gregg exigiu que eu lhe dissesse o quanto ela lamenta
- n�o poder ver a senhora hoje. - Claro, eu entendo.
A prop�sito, que filme v�o fazer aqui?
''Mary, a Rainha dos Escoceses.''
Mesmo?
Que interessante...
Marina insistiu para que eu checasse com a senhora
todos os preparativos da quermesse.
Ela morre de medo que n�o d� ningu�m.
N�s somos meio intrusos aqui.
Minha cara Srta. Zielinski,
a chegada de Miss Gregg causou um grande entusiasmo.
N�o � todo dia que temos uma estrela de cinema e seu marido
morando aqui em Saint Mary Mead.
Jason, est�vamos justamente falando de voc�.
Sr. Rudd, Sra. Bantry.
- Sra. Bantry. - Muito prazer.
Minha mulher e eu estamos felizes em sua casa.
Sr. Rudd, tire da sua cabe�a que esta � minha casa.
Depois que meu marido, o coronel, morreu,
ela ficou grande demais.
E eu estou muito mais � vontade no Lodge.
Bom, eu preciso ir andando.
- Aceita mais ch�? - N�o, chega de ch�. Obrigada.
- Foi um prazer conhec�-lo. - O prazer foi meu.
Ora, por favor...
Eu acredito poder achar a sa�da sozinha.
Recomenda��es a sua mulher. Adeus.
Sra. Bantry.
Onde est� Marina?
L� em cima. Apagou completamente.
Voltou a tomar aquelas p�lulas?
Sacudindo, ela chacoalha.
Quero que ela seja feliz. Deus sabe o quanto j� sofreu.
Ela ser� feliz at� cansar de bancar a lady.
Ella!
Desculpe.
N�o estrague tudo.
Certo?
Certo.
N�o bebam r�pido demais, ou v�o ter uma grande dor de barriga.
Quanta gente! Mais parece o Pal�cio de Buckingham.
S� que a grama vai ficar devastada.
Boa tarde, Sra. Bantry.
- Srta. Giles. - Major.
Jane.
Ol�, Dolly. Srta. Giles.
Acha que ela vai descer?
Quem?
Marina Gregg, a atriz de cinema. Francamente, Miss Marple!
Eu n�o sei nada sobre atrizes,
mas se esta reuni�o for uma indica��o do interesse local nela,
garanto que Miss Gregg n�o decepcionar�
- seus f�s. - Espero que n�o!
Sr. Foxley, nosso prezado carteiro,
com certeza anunciar� a chegada dela com uma fanfarra adequada.
Firme, rapazes. N�o se precipitem.
Miss Marple, a senhora tinha raz�o.
Miss Gregg, aqui, por favor.
Mais uma, por gentileza.
Por favor, Miss Gregg.
- Sra. Babcock. - Sim?
Miss Gregg gostaria de agradecer o esfor�o de todos.
Quer vir ao Hall?
Quero. Quero, sim.
Ser� um imenso prazer! Muito obrigada.
Que emocionante! Sabe, Wendy?
�, eu sei.
Voc� falou com ela uma vez.
Major, senhoras, seria uma honra receb�-los no Hall.
Claro. � muita gentileza.
Ficaremos encantadas.
N�o �?
Ela � t�o linda!
Mas n�o � muito boa de mira.
Obrigada, meus amigos.
Meus novos, queridos, maravilhosos e gentis amigos, obrigada.
Marina...
Jason exige voc�. Os convidados est�o chegando.
Mas estou me divertindo tanto!
Que tal um pouco de contin�ncia?
Empreste-me um pouco da sua.
Afinal, temos compartilhado tanta coisa ultimamente.
Muito bem, meninada.
Em suas marcas. Preparar. Largada!
Roy, vem aqui. Aqui.
Aqui, rapaz.
Aqui, sentadinho.
Freddie Hawkins!
Por favor, cuide do seu c�o.
Sabe muito bem que ele devia estar na coleira.
Sinto muito, Miss Marple.
Miss Marple!
Deus do c�u ! A senhora est� bem?
� bem feito, por meu dogmatismo.
Dr. Haydock, estou perfeitamente bem.
Ent�o talvez queira participar da corrida de ovo na colher.
Foi uma queda feia.
Asneira! Nem me abalou.
Incr�vel que n�o tenha fraturado nada. S� uma torcedura.
Qual o segredo dos seus ossos?
Caminhadas longas e r�pidas na juventude.
N�o vai caminhar a lugar nenhum por uns dias.
Eu a levarei para casa de carro.
Eu lhe passarei toda a fofoca da festa
quando a vir amanh�.
Fofoca? Prefiro o termo: ''interesse sadio pela natureza humana''.
- Cherry. - Pois n�o, Sr. Bates.
Cuide daquele pessoal l� em cima.
Est�o dispostos a secar toda nossa adega.
Miss Gregg, receio que, ao que parece, nosso comit� sempre julgou
seus filmes um tanto - como direi? - ousados
para nossa soir�e mensal na sede da prefeitura.
Que gracinha da parte deles.
- Sua limonada, vig�rio. - Quanta gentileza.
Querida, o prefeito est� no andar de cima. Voc� devia...
Claro. Queiram me dar licen�a.
- Pois n�o. - Claro.
Com licen�a.
Esta � sua primeira visita ao Reino Unido?
Que colar divino!
Parab�ns, Sr. Rudd. Um espet�culo de primeira.
Srta. Giles, Sra. Babcock!
Sra. Babcock � nossa secret�ria infatig�vel.
O Instituto da Mulher estaria perdido sem ela.
Ela deve ser maravilhosa.
Srta. Giles, como vai seu gato? Sempre esque�o o nome dele.
- Matthew. - Exato.
Sua esposa tinha um gato.
Mas ele sempre sofreu de eczema.
Cenoura! Pur� de cenoura num leitinho morno. Miraculoso!
Sra. Babcock. Miss Gregg.
Quanta satisfa��o conhec�-la.
Miss Gregg...
Sei que � tolice minha... Com certeza, voc� n�o se lembra.
Considerando os milh�es de pessoas que v�, como lembraria?
Faz anos. Foi durante a guerra.
Eu estava em Plymouth na Marinha.
Voc� foi animar aqueles maravilhosos soldados.
Lembro-me t�o bem.
Como se fosse ontem.
Perdi minha planta na geada do ano passado.
Que pena. Sabe o que deve fazer?
Corte-a todinha at� o solo...
Sr. Rudd, soube que � produtor de filmes.
N�o, meu senhor. Sou diretor.
Existe alguma diferen�a?
Existe, sim.
O produtor fornece todo o dinheiro e o diretor o gasta.
O produtor ent�o grita com o diretor.
O diretor n�o d� aten��o e continua gastando.
O diretor obt�m fama e o produtor, uma �lcera. � simples. Com licen�a.
� Lola Brewster!
- �? - �, sim !
Mary, a Rainha das Escrotas e Baby Bernhardt sob o mesmo teto!
Um aut�grafo, por favor.
Fiquei encantada. Completamente!
Voc� usava um maravilhoso vestido cintilante.
Lembra-se do que cantou? ''l'll be seeing you''.
Eu a admirava loucamente.
Que gracinha! Que perfeita gracinha!
Mas a� aconteceu algo terr�vel.
Eu achei horr�vel. Fiquei arrasada.
Est� dizendo que realmente conheceu Clark Gable?
Ele est� casado ou � verdade que � um homem solit�rio?
O camarada das orelhonas?
Com licen�a.
Lola est� aqui.
Marty trouxe-a.
Por que diabos a trouxe aqui?
Eu s� estava meio indisposta, entende?
Ent�o tive uma id�ia. Sabe...
Eu n�o tinha ingresso.
Deixe isso pro Oscar.
Essa � a parte mais extraordin�ria. Sabe o que meu tio era?
Porteiro da entrada dos artistas.
Jason, querido...
Quem bom que veio...
Onde est� a doce Marina?
Jasonzinho! Belo banquete esse seu.
Eu devia servir voc� por traz�-la aqui.
Publicidade, colega.
A chave do sucesso de Marty N. Fenn Productions.
Ent�o l� estava eu, nas coxias.
Foi a minha primeira vez. Eu fiquei t�o animada.
Voc� estava maravilhosa!
E quando a cortina baixou, voc� me deu seu aut�grafo
e me deixou beij�-la. Deixou sim !
Valeu a pena demais. Eu nunca esqueci.
...o dia mais emocionante de toda a minha vida.
Que historinha linda! O que vai querer beber?
Jason faz um daiquiri maravilhoso.
- Voc� vai adorar. - Obrigada.
Querida...
Meu amor, queremos dois dos seus daiquiris especiais.
Claro. Est� bem?
- Estou �tima, Jason. - Tem certeza?
Tenho.
Perfeito! Obrigada, Miss Brewster.
Marina, querida, eu n�o a tinha visto.
Lola!
Que surpresa ador�vel!
Voc� est� linda, como sempre.
H� menos luz aqui do que de costume, claro.
Um pouco menos e eu precisaria de um c�o-guia.
Eu n�o compraria um se fosse voc�.
Nessa peruca, voc� podia ser Lassie.
O mesmo ador�vel senso de humor.
Alegra-me ver que al�m de manter esse seu corpo magn�fico,
voc� conseguiu ampli�-lo.
O que faz aqui t�o cedo, amor?
Achei que o simp�sio de cirurgia pl�stica fosse na Sui�a.
Meu bem, estou ansiosa para come�ar nosso filme.
Conhece o ditado: ''Uma vez atriz, sempre atriz''.
Conhe�o este ditado, sim.
Mas o que tem ele a ver com voc�?
Meu anjo!
Mas conte-me,
como � estar de volta tendo ficado afastada... tanto tempo?
Adoro seu figurino, querida...
Uma bebida, Sra. Babcock?
Sr. Rudd est� fazendo um para mim.
Veio vestida de bolo de anivers�rio?
Pena que todos j� o tenham comido.
Vamos l�, sorriem.
Queixo para cima, querida. Os dois.
Cheguem-se mais, por favor.
Lola, meu amor, sabia que s� h� duas coisas que n�o gosto em voc�?
� mesmo? Quais s�o?
Sua cara.
Um daiquiri especial.
Muito obrigada. Eu nunca provei isso antes.
Espero que goste.
- Tome, meu bem. - Obrigada, querido.
Ent�o, como v�o minhas atrizes preferidas?
Marty, quer que Marina tenha outra depress�o?
Por que eu iria querer isso?
Lembre que elas trituravam vidro nos cremes uma da outra.
- S� se beijavam se tivessem pneumonia. - Elas levam a profiss�o a s�rio.
Assim como �tila, o Huno.
Marinazinha.
Marty, meu querido.
Que simp�tico da sua parte trazer Lola a minha festa.
Sabe que sempre considerei Lola como uma das minhas mais velhas...
amigas velhas!
Jason, lindo. Eu estou ansiosa para trabalhar sob voc� de novo.
Cuidado, Lola!
Tome um drinque com um velho colega.
- S� bebo com amigos. - E eu sou o qu�? F�gado picado?
Voc� me obriga a p�r sua mulher no filme, e ainda a traz aqui!
Pense no filme.
Estou pensando no filme e na minha estrela!
Ou�a, meu chapa, ela vai ficar bem.
Estou cuidando dos nossos interesses.
Nossos interesses!
Ei, De Mille, por que n�o cai na real?
Quando Marina atuou pela �ltima vez, na chegada do som?
E quando voc� dirigiu um filme bom?
- Ora... - Ou�a bem,
se Marty N. Fenn quiser propaganda para suas estrelas,
ele a ter�, sem que ningu�m se oponha,
porque o estimado diretor e a mulher dele
est�o aqui porque ele desejou.
E se ele assim desejar, puxar� a tomada quando quiser.
Agora relaxe e curta a festa.
- Quer saber? - O qu�?
Voc� � um pilantra!
Claro que sou, sou o produtor.
Sr. Rudd, acredito ter entendido
a diferen�a entre o produtor e o diretor.
Mas quem escolhe a atriz principal?
Aquele que estiver transando com ela.
Vig�rio, quero que conhe�a nosso not�rio produtor, Marty N. Fenn.
Ele lhe dir� tudo o que o senhor quiser saber.
Que quer saber, vigariozinho?
Lamento muito por suas �lceras, Sr. Fenn.
O qu�?
Estamos com um problema. L� em cima, aquela mulher...
A pol�cia veio e anotou o nome de todo o mundo.
Segurou-nos l� por horas.
Eu n�o conseguia acreditar. Ela parecia estar t�o bem !
S� tinha cinco anos a mais do que eu.
Foi o maior alvoro�o!
Pobre Sra. Babcock!
Ela tomou uma bebida e uns cinco minutos mais tarde,
sentou-se, soltou um suspiro...
e morreu, a coitada!
Ent�o, o que acha disso?
N�o esque�a embaixo das cortinas, Cherry.
Espero que n�o se incomode.
Eu me incomodar?
Por eu estar trabalhando no Hall aos s�bados.
Eu queria tanto ver as estrelas de cinema.
N�o ficar� chateada?
N�o, querida, n�o ficarei chateada.
Na verdade, pode at� vir a ser �til.
� mesmo?
Largue esse espanador, sente-se e conte-me o que aconteceu.
Exatamente da forma que aconteceu.
Bom, eu estava andando...
Tudo bem, mas o que viu precisamente?
O viIarejo estava I� em peso, � cIaro.
E tinha uma mo�a tirando fotos. Todos estavam I�.
Tinha Marina Gregg e o marido...
Eu gostei deIe, um verdadeiro gaI�!
- Cherry, querida. - DescuIpe.
E ent�o...
a secret�ria chegou com Heather Babcock.
Heather cumprimentou Miss Gregg e come�ou uma hist�ria chat�ssima
sobre um encontro deIas anos atr�s. EIa n�o parava de faIar!
Achei que Miss Gregg fosse cair no sono.
Eu juro, ela n�o fechava a matraca.
Minutos mais tarde, voc� serviu Heather a beber
e pouco depois, ela morreu.
N�o! Eu n�o a servi.
Foi Sr. Rudd.
Um daiquiri especial.
- Obrigada. - Espero que goste.
Eu acho que eIa n�o gostou muito.
Obrigada, Cherry. Voc� ajudou muito.
- Ajudei? - Extremamente!
Que bom.
Eu atendo.
- Bom dia, Cherry. - Bom dia, doutor.
Bom dia, Miss Marple. Como vai a perna?
Bom dia, Dr. Haydock. Eu acho que ela est� muito melhor.
Passo ao primeiro andar agora ou termino o sal�o?
Esta � a sala de estar, Cherry.
Desculpe, sala de estar.
- V� ao primeiro andar. - Certo.
Mais tarde, eu lhe trago uma boa x�cara de ch�.
Coitada de Heather Babcock.
Ela era paciente sua, n�o era?
Estava na minha lista.
Problema card�aco?
Ela n�o tinha nada de errado no cora��o.
- De certa forma... - A l�ngua.
Diga ''ah''.
Pode guard�-la.
Que, de certa forma, sugere veneno.
Acho que � assunto do m�dico-legista.
Vejo que come�ou o tratamento.
Tratamento?
Desvendamento. N�o estou certo?
Voc� sempre faz uma piadinha, Dr. Haydock.
N�o pode me enganar, minha cara.
Olhe s� voc�! As faces rosadas
e os olhos brilhando. Voc� est� se divertindo.
N�o � verdade?
Dr. Haydock, eu ficaria muito magoada
em pensar que voc� cria que meu �nico prazer na vida
advinha do infeliz destino de v�timas indefesas
que de alguma maneira parecem cruzar o meu caminho.
As an�lises revelaram que o corpo da falecida continha
alta concentra��o de barbit�rico.
Fenobarbitona. Sem d�vida, a causa da morte.
O passado m�dico dela justificava o uso dessa droga?
Em geral, n�o,
fora varicela quando crian�a e rub�ola durante a guerra.
O m�dico disse que ela era saud�vel.
Obrigado.
Com base nos fatos aqui expostos,
sou obrigado a registrar o veredicto
de assassinato por envenenamento
cometido por um ou mais indiv�duos desconhecidos.
- Dermot! - Ol�, tia Jane.
Meu sobrinho favorito.
Que agrad�vel surpresa! O que faz aqui?
Ora, eu vim v�-la.
Ou trata-se de Heather Babcock?
Por que um inspetor da Scotland Yard viria a St Mary Mead
se Heather tivesse morrido de morte natural?
Talvez, ele estivesse passando e lembrou da sua gel�ia de p�ssego.
Dermot, sabe muito bem que n�o fa�o gel�ia de p�ssego
desde que Taphrina Deformans atacou meu Russell Reds.
Venha se sentar e vamos bater um papinho?
Foi veneno, n�o foi?
Tia Jane, por acaso, ia se incomodar
se fosse eu quem come�asse fazendo perguntas?
Aparentemente, o veneno foi um barbit�rico americano
vendido com o nome de Calmadon.
Parece que o principal ingrediente �...
Fenil etil malonil ur�ia.
Meus dias no Hospital Bridgehampton durante a guerra.
Com �lcool, causa parada respirat�ria,
uma queda de press�o, ritmo card�aco fraco. Bastante letal.
A senhora obviamente conhecia a v�tima.
Claro.
Era uma pessoa simples, bem simp�tica,
meio sem-gra�a, mas n�o se mata algu�m por isso.
Ou n�o sobraria ningu�m neste vilarejo.
N�o est� ajudando, tia Jane.
N�o, tenho consci�ncia disso.
Ent�o Sra. Babcock recusou a sua bebida.
Disse que Sr. Rudd se encarregaria, j� falei.
E Miss Gregg?
Engra�ado o senhor perguntar.
Engra�ado, n�o. Na verdade, foi muito estranho.
Vamos, Cherry. Devagar, tente se lembrar de tudo.
Aquele olhar no rosto de Marina Gregg.
Que tipo de olhar? Triste? Zangada?
Surpresa? Assustada?
N�o sei.
Dermot...
Cherry, n�o tenha pressa. Pense bem.
Tente se lembrar do olhar exato.
Era uma coisa meio...
congelada!
Fitava atrav�s de Heather, como se n�o ouvisse
o que a outra dizia.
OIhava na dire��o da escadaria.
Tem um quadro reIigioso.
Ent�o LoIa Brewster chegou com o marido produtor.
Tipo estranho! Aposto que eIe tinge o cabeIo.
A mo�a tirou uma foto.
Heather tagareIando
e Miss Gregg com aqueIe...
oIhar estranho paraIisado.
O que � que ela estava vendo especificamente?
As pessoas? O quadro?
Obviamente, uma pessoa.
Por que diz isso?
Ora, Dermot! Ela v� o quadro todos os dias.
Exatamente. Sinto muito, tia.
Miss Gregg ficou olhando para o quadro por quanto tempo?
''A Dama de Shalott''.
Tia Jane?
''A teia voou e flutuou ao longe
Inteiramente partiu-se o espelho
A maldi��o abateu-se sobre mim, gritou a Dama de Shalott!''
Tennyson, claro. Tenho um fraco
por Tennyson.
E parece-me ser uma descri��o apropriada.
Cherry, continue sua hist�ria.
N�o tem muita coisa mais pra dizer.
Lola Brewster foi at� Miss Gregg...
Elas n�o devem se gostar muito.
Pousaram para umas fotos.
A�, apareceu Sr. Rudd. Como ele � charmoso!
Cherry, queremos que fale da Sra. Babcock e Miss Gregg.
Aconteceu algo mais?
N�o, acho que n�o esqueci nada.
Heather derramou a bebida e Miss Gregg se afastou.
Derramou?
Heather derramou a bebida?
Eu n�o tinha dito isso? Devo ter esquecido.
Como eu sou desIigada!
- Mil perd�es! - N�o faz mal.
- N�o vai manchar? - De forma alguma.
- Eu sinto muito. - Tome esta, eu nem toquei nela.
- Imagine... - Por favor, n�o tem problema.
Eu pego outra.
Ent�o...
Heather Babcock bebeu no copo de Marina Gregg.
O destino foi impiedoso com Heather Babcock.
Parece que temos aqui um assassinato equivocado.
Sugiro que voc� v� a Gossington Hall pela manh�.
Colocar em pr�tica a ast�cia que herdei de uma certa parenta.
Sabe de um coisa, Dermot? Voc� � mesmo meu sobrinho favorito.
Direi ao Sr. Rudd que o senhor est� aqui.
- Inspetor Craddock? - Sim.
O Sr. Rudd vir� v�-lo assim que puder,
mas ele est� bem preso.
Preso?
Inspetor, faz alguma id�ia do que significa realizar um filme?
Temos testes de guarda-roupa, de maquiagem, de ilumina��o...
O Fim do Arco-�ris.
Como disse?
Foi o primeiro Oscar de Marina Gregg, certo?
Nunca esquecerei aquela cena final.
T�o v�vida! Realista!
A vulnerabilidade, Srta. Zielinsky, � o modus operandi dela.
O Regresso � Casa, A Rota do Para�so...
Convic��o absoluta!
Aquela capacidade indestrut�vel de nos envolver.
Estavam olhando para c�.
Inspetor?
Desculpe. Os convidados, quando foram apresentados.
Correto.
Os olhos!
Violetas. Magn�ticos!
� uma reprodu��o.
N�o, n�o... Referia-me aos olhos de Miss Gregg.
A 1� vez que vi aqueles olhos foi em A Aurora de Amanh�.
Ela interpretava uma jovem herdeira socialite de...
De onde ela era mesmo?
- Boston. - Ela era de Boston, exato.
E herdava terras na Calif�rnia.
Inspetor, eu...
Lembra da cena quando amea�aram escavar a terra dela?
A forma como ela enfrentou os gananciosos!
Aquela doce, indefesa e jovem borboleta.
Diga, ser� que eu poderia falar com ela?
Sinto muito, ela est� repousando.
Que pena... Talvez mais tarde?
Talvez.
Mas doces, indefesas e jovens borboletas necessitam repouso.
Marty Fenn, filho da puta com olho de v�bora.
Sempre teve uma classe de sapo.
E est� patrocinando seu regresso. Portanto, acalme-se.
E colocando aquela piranha oxigenada no meu filme.
No papel da Rainha Virgem !
Ela faz duas cenas p�ssimas, nenhuma relacionada a voc�.
Lola Brewster, atriz!
Se ela tivesse lido o roteiro, teria um calo no dedo!
Esse filme � todo seu. Todos s� se lembrar�o de voc�.
Oh Jason...
fala s�rio?
Eu me encarregarei pessoalmente.
Puxa vida! Faz tanto tempo!
Voc� n�o acha que eu possa ter perdido meu talento, acha?
N�o, voc� estar� melhor do nunca. Eu prometo.
Meu amor...
voc� � t�o bom para mim.
Sempre foi.
Que se dane, aquela cadela!
Se olhar bem para ela, tem tantas linhas no rosto
que daria para conduzir um trem nele.
Talvez n�o use filtro com ela.
Filtro! � melhor usar uma... manta indiana.
Tamb�m vai ter que dublar a voz dela,
ou indicar no roteiro que Elizabeth
nasceu em Hoboken, New Jersey!
OIheiras, oIheiras, desaparecei
E s� voItai em Doris Day
Onde raios est�?
Faz 20 minutos que Lola espera por voc� aqui sentada!
Gosta tanto da pena que quer us�-la no figurino.
Expliquei que rainhas s� usam penas em Hollywood,
mas ela n�o acredita.
Jason, quer fazer o favor de vir aqui?
- Andei pensando, docinho... - Que novidade!
Talvez dev�ssemos trazer Alexander pro meu cabelo.
Cabritinha, eu j� lhe disse mais de mil vezes:
a Rainha Elizabeth era careca!
- N�o nesse filme. - T� na Hist�ria!
Lola Brewster tamb�m.
Serei majestosa, deslumbrante,
inspiradora!
Vou fazer aquela vaca desaparecer da tela!
Vejamos... Precisaremos de umas cenas de n�s duas juntas.
para que o mundo possa ver como eu sou mais jovem e mais magra.
Lola, meu amor, Elizabeth e Mary nunca se encontram.
Talvez se encontrem no mercado.
N�o, ela nunca faria as pr�prias compras.
No sal�o de beleza?
N�o, atenderiam a domic�lio.
Espere um pouco! J� sei!
Eu vou v�-la na Torre de Londres!
Bem antes da decapita��o
e as ratazanas rastejam em cima dela.
Ela est� em trapos, com uma apar�ncia de merda.
E a� entro...
eu !
Inspetor, tenho afazeres.
Sim, claro.
Miss Gregg e Miss Brewster s�o pr�ximas?
Pr�ximas?
Se as puser juntas num tanque com um tubar�o,
o tubar�o ter� uma crise de identidade.
Por curiosidade, quem � a mais jovem das duas.
Nenhuma.
Sa�de.
- Sente-se bem? - Febre do feno.
Alergias enlouquecem qualquer um. Sou al�rgico a l�.
Tem um tranquilizante que me alivia. Eu tomo Calmadon.
- Voc� conhece? - Encomendamos barris dele.
Miss Gregg toma?
Essa filmagem vai esgotar o estoque mundial.
Voc� toma?
E eu l� tenho escolha?
Deve ser muito prazeroso trabalhar para Marina Gregg.
Aposto que ela � muito fina.
Marina Gregg faz a Medusa se parecer com Santa Bernadete.
Mesmo? Por que voc� n�o faz outra coisa?
E abandonar o show business?
Eu trabalhava para Jason antes de se casarem.
Habituei-me �s iras e depress�es dela.
Depress�es?
Ela projeta na tela uma imagem t�o racional.
Fale-me disso.
- � tudo meio exagerado. - Fascinante.
N�o se pode mencionar doen�a, insanidade,
nem nada relacionado a crian�as.
Que interessante!
Por que n�o?
Inspetor, n�o posso falar disto.
Aposto que Sr. Rudd � uma fortaleza para ela.
Dedicado, para al�m do dever.
E o Sr. Fenn?
Marty Fenn � produtor. S� mente quando fala.
Imagino que esse crime abalou todos.
O crime?
Inspetor, temos um filme por fazer!
N�o podemos dar aten��o aos probleminhas locais.
Sr. Rudd!
Posso lhe falar?
Estou apressado, marque uma entrevista.
Mas n�o sou rep�rter!
Sr. Rudd...
Ora bolas! Diga que estou indo. Dez minutos.
- Sr. Rudd... - Agora n�o.
Sou Inspetor Craddock, Scotland Yard.
Estamos fazendo tudo dentro das normas.
Equipe brit�nica, permiss�o para as atrizes...
Tudo segundo a lei.
Posso interromp�-lo?
Vai fazer um �timo filme sem a ajuda da Scotland Yard.
Estou aqui por um simples assassinato.
A senhorita...
Heather Babcock.
Eu lamento muito.
Gostaria de falar com sua esposa.
Sinto muito.
Ningu�m deve v�-la, est� repousando. Se me der licen�a.
� muito importante que eu fale com ela.
Minha mulher est� para come�ar o maior papel da carreira dela.
Toda energia dela est� dedicada � prepara��o do papel.
Ela vai ganhar o terceiro Oscar.
E eu n�o vou desconcentr�-la com...
Algo t�o banal quanto um assassinato.
Como quiser, inspetor.
Est� tudo bem.
Acredito que ela merece um terceiro Oscar.
Devia at� t�-lo ganhado por Chuva de Ver�o.
Mas j� considerou que a morte de Babcock pode n�o ter sido acidental?
Que a v�tima pretendida era
sua mulher?
Ent�o, posso v�-la?
N�o pode.
Ela j� sofreu muita coisa, e n�o me refiro ao �ltimo s�bado.
Desculpe, mas voc� n�o vai lhe provocar um colapso nervoso.
Agora, se me der licen�a.
Creio que ela j� teve v�rios.
- V�rios o qu�? - Colapsos nervosos!
- Quem lhe disse? - Achei que todos soubessem.
Bondade sua deix�-los brincar aqui.
Quem?
Os filhos do jardineiro.
Achei que eles pudessem perturbar sua mulher.
Inspetor, vamos parar com os joguinhos.
Houve uma �poca, anos atr�s, em que Marina quis muito ter filhos.
Os m�dicos disseram que ela n�o podia.
Ent�o ela adotou duas crian�as.
E alguns anos depois, quando ainda estava com o primeiro marido,
ela descobriu que ia ter um beb� dela mesmo.
Infelizmente,
ele nasceu retardado, mongol.
Marina caiu em depress�o e n�o trabalha desde ent�o.
Entendo.
Agora, entende o que este filme significa para ela?
Ela tem, enfim, a coragem de aparecer diante de uma c�mera.
Entendo, sim.
Este filme vai mudar tudo para ela.
Por isso, se ela souber ou desconfiar que era a v�tima pretendida...
N�o acha que ela j� tenha pensado nisso?
Nem um instante.
Saber que algu�m quer matar sua mulher n�o o incomoda?
Anda vendo muitos filmes de Charlie Chan, inspetor.
Olhe,
estarei aqui o tempo todo
e minha secret�ria n�o a perder� de vista.
- Confia na Srta. Zielinsky? - Claro!
Ela estava l�, teve uma ocasi�o.
Ella adora minha mulher.
E a voc� tamb�m?
Marty ligou de novo, se voc� n�o estiver l� em 10 minutos,
ele vai chamar John Huston.
Mais alguma coisa, inspetor?
� Marty N. Fenn, que produziu Terror em Trinindade?
O pr�prio.
Sempre quis saber o significado do N.
N�o fa�o id�ia.
Que tal ''n�cuo''?
- Sr. Rudd? - O que �?
Eu fiquei impressionado com A �Itima Brigada.
especialmente, se me permite dizer, com seu uso de baixa luz.
Ora... obrigado.
A senhora n�o devia repousar esse p�?
Edward est� com reumatismo de novo.
N�o posso deixar o jardim virar uma mata.
Acha que Sr. Rudd ama a esposa?
Eu diria que ele a adora.
E a Srta. Zielisnky?
Profissional, eficiente, aparentemente leal,
sofre de febre do feno.
Atraente?
Sim, de uma forma n�o calculada.
Que avalia��o austera!
De fato. O que est� insinuando?
Absolutamente nada.
S� acho sua falta de emo��o, digamos, um tanto estudada.
Tudo bem, se preferir que eu seja mais direto,
eu diria que, na ocasi�o certa,
a Srta. Zielinsky � provavelmente mais quente
do que uma pistola.
Talvez seja melhor voltar � austeridade.
Foi a senhora que come�ou.
Falando s�rio, acha que ela estava dizendo a verdade?
Digamos que ela deixou transparecer sua lealdade.
- Os sentimentos dela por Sr. Rudd? - Exato.
A principal suspeita, eu diria.
� mesmo? Vejam s�...
Para onde vai?
Para o glamouroso mundo do cinema.
Vejo que este n�o � um caso enfadonho
para voc�, Dermot.
O show business n�o passa de um neg�cio.
Precisamos de um pouco mais de neg�cio e menos show.
Ali�s, eu li recentemente um �timo ditado sobre Hollywood.
''Sob a falsa lantejoula, encontra-se a verdadeira lantejoula.''
Muito profundo, Tia Jane.
Tome cuidado, Dermot.
Podem confundi-lo com Leslie Howard
e coloc�-lo no filme.
Eu tenho um certo charme, pelo que me disseram.
Pode ser a hora de eu ser descoberto.
Dermot,
primeiro descubra o assassino de Heather Babcock.
� melhor eu agir r�pido antes que outra pessoa o fa�a.
Vamos filmar. Toquem o alarme.
Sil�ncio, todo o mundo.
Certo, pode rodar.
- Marca��o! - Esque�a a claquete.
Lola Brewster, teste de maquiagem. Tomada 1 . Claquete no fim.
Para a esquerda, querida.
Devagar...
Lindo, fique assim um instante.
Baixe o queixo um pouco, olhos para cima.
�timo. Agora...
Mantenha o queixo para baixo. Lindo!
Com licen�a, patr�o, quer checar isto?
Baixem um pouco a luz.
S� um pouco.
- Muito claro, n�o tem sangue italiano? - Sempre usamos isso, sangue de mentira.
Parece com �gua. Sangue � mais espesso que �gua.
Quero espesso como suco de tomate.
Com licen�a, pode dar uma olhada nos guardas?
Devagar para o outro lado.
Lindo.
Devem ser os soldados da Rainha, n�o bailarinas.
Certo, deixe comigo.
Cabe�a para a direita.
Os ombros n�o, meu bem. S� a cabe�a.
A direita.
N�o, meu bem. A sua direita.
Corta!
Mantenham o vermelho!
Pois n�o, minha querida?
Caso esteja esquecido, tem uma atriz neste filme,
que, ali�s, � casada com o produtor.
N�o estou esquecido, querida.
Devemos discutir a rela��o da Rainha com o pai.
No come�o do filme, o pai est� morto h� 30 anos!
Por que n�o vai ao seu camarim e veste um figurino novo?
Marty devia ter escolhido George Cukor.
Espadas e sangue, ele s� pensa nisso!
� isso e aquela psicopata obesa.
Tirem as patas do meu cabelo.
Achou essa peruca num magazine?
E ele se diz diretor!
Viram o �ltimo filme dele?
Se eu engolisse uma lata de Kodak,
podia vomitar um filme melhor!
Deve ser o Inspetor Craddock. Avisaram-me que viria.
Quanta gentileza sua.
Miss Brewster, sou um grande f� seu.
Que simpatia!
Vai me dar licen�a enquanto eu me troco.
Claro, pode continuar...
Agora, diga-me, caro inspetor, o que tem em mente?
Tenho umas perguntas acerca do assassinato de Heather Babcock.
Quem?
A senhora, l� em Gossington Hall.
Ah sim. Quem era? Uma figurante?
O z�per, sua palerma, prendeu no meu traseiro.
Perd�o.
Permita que eu mude de assunto, eu gostaria...
Desculpe.
...de lhe perguntar sobre sua rela��o com Marina Gregg.
Gregg... Gregg... esse nome me diz algo...
- Miss Brewster... - Brincadeira, Sherlock.
Claro que conhe�o Marina Gregg.
N�o � aquela atriz idosa decadente
tentando um retorno desesperadamente?
Penteie isto, v�o pensar que sou Amelia Earhart.
Vamos, meu querido inspetor.
Que tal outras perguntas penetrantes?
Adoro ser examinada, principalmente por uma gracinha como voc�.
O que eu...
Voc� � mesmo da Scotland Yard? � um inspetor de verdade?
Eu mal consigo acreditar!
Um inspetor de verdade no meu camarim !
Veja-me apenas como...
como voc�s dizem, um tira.
S� se tiver trazido seu cacetete, queridinho.
- Miss Brewster! - Desculpe.
Ofendi-o. Pe�o perd�o.
Prometo ser uma boa menina.
Quanto a Marina...
O que posso eu dizer? Ela era uma grande estrela.
Era!
Quando eu ainda era
uma criancinha pequenininha, minha av� me levava ver os filmes dela.
E cerca de dez anos atr�s,
em torno dos meus 16 anos,
ela teve um colapso nervoso horr�vel.
Drogas, �lcool, insanidade...
� duro quando se chega ao fundo do po�o.
Marty e eu decidimos ent�o lhe dar um papel em meu filme.
� um gesto muito caridoso.
Est� apertado demais!
Miss Brewster...
Inspetor?
N�o houve um certo conflito entre voc� e Miss Gregg?
Conflito?
O que quer dizer?
Quando ela come�ou a namorar com Sr. Rudd...
Inspetor, isso a� � hist�ria antiga.
Al�m do mais, Jason e eu est�vamos acabando.
Eu fiquei encantada
ao ver Marina encontrar um companheiro,
embora ela seja uma criatura solit�ria pat�tica.
Foi por isso que voc� disparou uma Luger cano curto de 9 mm
errando o cr�nio dela por 6 cm?
Foi a vaca que disse isso?
N�o, Miss Brewster. Foi a Pol�cia de Beverly Hills.
Tudo bem, eu fiquei meio esquentada.
Posso ser uma grande estrela, mas ainda sou humana.
Humana o bastante para tentar de novo, com veneno desta vez?
Est� insinuando...?
Considerando uma possibilidade.
Est� pronta?
Parece que devo me retirar.
Obrigado por nosso... bate-papo, Miss Brewster.
E boa sorte com seu filme.
Miss Brewster, estamos esperando.
Que se dane a Scotland Yard!
Desculpe.
Estou dando uma caminhada ao vilarejo.
� por ali, senhora.
Cherry, o correio voltou a interferir com as linhas telef�nicas?
Eu acho que n�o.
Gossington Hall.
Al�?
O que aquela mo�a anda aprontando?
Eu vi voc�.
Vi voc� p�r veneno no copo de Marina.
Eu vi voc�.
Esse papel j� foi distribu�do. Por que n�o ligou a semana passada?
D� seu contato a minha secret�ria
e telefonaremos quando...
Atores!
Sabe como s�o os atores? Vivem todos l� em cima.
Uma vez, conheci uma pequena... Eu filmava a Guerra Civil.
�amos filmar uma grande cena
e ela veio me dizer que n�o podia trabalhar naquela semana.
Sabe por qu�? O astr�logo dela
tinha dito que n�o estava nas estrelas.
Ent�o...
Fiz uma visita ao tal charlat�ozinho
e lhe dei mil pratas, certo?
Ele disse a ela que os astros mudaram
e que se ela n�o fosse trabalhar todas as manh�s,
perderia o apetite sexual.
Ela chegou antes do porteiro.
- Sente-se. - Obrigado.
Campos de GI�ria.
- Isso, voc� o viu. - Vi sim.
Achei meio melodram�tico, n�o muito positivo.
S� tinha de positivo o negativo.
Inspetor...
o que tem em mente?
H� quanto tempo conhece Miss Gregg?
Marina? Somos amigos h� muito tempo.
Voc�s dois j� foram... �ntimos?
�ntimos?
Claro, fomos ''�ntimos'', sim. Todo o mundo em Hollywood
� ''�ntimo''.
''�ntimo''!
Swifty! Tudo bem? O que voc� anda fazendo?
T� tudo �timo.
Ela ficou com o melhor papel. Vou fazer o qu�?
N�o posso, Swifty. V� se d� um tempo. Que � isso?
Maravilhoso!
Fico lhe devendo uma, parceiro.
Empres�rios!
Ele acha que tem muita classe.
J� me vendeu uma atriz, disse que era �tima,
liguei pra ela e ela tava morta h� 6 meses.
Continue.
Obrigado.
Ent�o, Miss Gregg...
Vou lhe dizer uma coisa sobre Marina.
Confiante, ela n�o �.
Por debaixo de todas aquelas j�ias, tem uma mulher triste e insegura.
Sabe de algu�m que possa querer machuc�-la?
Sei. Hedda Hopper!
Eu quis dizer algu�m envolvido no filme. Voc�, por exemplo.
Eu?
Eu sou o produtor!
T� botando $3,5 milh�es nesse filme.
Acha que vou apagar a atriz principal dois dias antes das filmagens?
Comprometi-me com a Radio City Music Hall pro Natal!
A menos que algu�m a apague.
Se algu�m a apagar,
eu apoio ela em algo e dublo ela pra que apare�a no Radio City Music Hall.
Harry, quero essas fotos aqui j�!
Ela pode at� estar tomando ch� com Mickey Mouse!
Diga-lhe que traga as fotos aqui
agora!
Desculpe. Algo mais em que possa ajudar?
Eu tenho um filme a fazer.
S� uma coisa, Sr. Fenn.
Pois n�o.
Sempre fui curioso para saber...
O qu�?
O ''N'' significa o qu�?
Quer saber o que ele significa? Pois, eu vou lhe dizer.
Nada! Mas fica muito bacana no tel�o prateado, n�o �?
At� mais.
- E obrigado por seu tempo, Sr. Fenn. - Isso!
Ligue-me com a costa.
Como assim, que costa?
Inspetor Craddock, senhora.
Miss Gregg?
Aquele homem est� trabalhando na grama com tanta dedica��o.
Eu sou Marina Gregg.
- Ou pelo menos, o que resta dela. - Miss Gregg.
Soube que o senhor j� veio antes.
Lamento muito t�-lo feito voltar.
Por favor, n�o pe�a desculpas. Eu entendo.
Espero que compreenda o caos que � fazer um filme.
� realmente um trabalho meio ingrato.
Eu n�o vou muito ao cinema.
Claro.
Ch�?
Com prazer.
- Fa�a o favor. - Obrigado.
Leite?
Nem leite, nem a��car.
� engra�ado, mas eu nunca bebia ch� nos Estados Unidos.
Agora, estou me viciando aos poucos.
Tem uma loja no vilarejo, chama-se Hedgeworth,
que oferece uma sele��o extraordin�ria dos ch�s mais ex�ticos.
Preciso conferir.
''Preciso conferir''!
Deve estar pensando: ''Como ela � incorrigivelmente americana!''
Veio aqui por causa daquela pobre mulher, n�o?
Mas quem poderia querer mat�-la?
O senhor tem alguma pista?
Pode me falar dela?
Eu?
Eu n�o sei nada sobre ela.
Disseram que voc�s duas ficaram um certo tempo conversando.
Ela ficou um certo tempo falando,
eu fiquei um certo tempo ouvindo.
Pode ser mais espec�fica, Miss Gregg?
Inspetor, sabe como s�o os f�s?
Quero dizer, f�s de verdade.
N�o.
Por que n�o me diz?
Bem...
parece...
Deixe-me pensar, quero ser bem clara.
Parece
que n�s t�nhamos nos encontrado uma vez durante a guerra.
Ela se lembrava de cada detalhe,
at� a can��o que eu cantei, o vestido que estava usando...
O mais engra�ado � que eu tamb�m me lembro de tudo.
Eu estava divertindo as tropas
e ela estava com alguma doen�a, mas queria muito me ver.
Ela saiu da cama, vestiu-se,
foi � entrada dos artistas...
Parece que o tio dela era porteiro...
E ela esperou nas coxias at� a cortina baixar
e eu lhe dei um aut�grafo ou algo assim.
Ela disse que foi a noite mais emocionante de toda a vida dela.
E quer saber?
Provavelmente foi, sim.
Eu sinto muito.
Sei que num certo momento, algo pareceu deixar voc� perplexa.
Talvez at� assustada.
Assustada?
Por volta da chegada do Sr. Fenn com sua mulher.
- N�o... - Olhou para o quadro na escadaria.
Ah, isso!
Certo, � claro. Houve um momento sim...
Eu falava com aquela senhora, a f�,
e ela n�o parava de tagarelar...
Eu j� estava cansada de dizer ''obrigada'' e n�o sabia o que fazer...
e ent�o eu simplesmente fiquei muda.
Miss Gregg, espero que isso n�o a choque, mas...
consegue pensar em algu�m que pudesse querer matar voc�?
Por qu� pergunta isto?
Devo considerar cada possibilidade.
Qual sua rela��o com a Srta. Zielinsky?
Por que est� me fazendo estas perguntas?
Uma habitante local foi assassinada.
O que � que isso tem a ver comigo?
Eu vim aqui para fazer um filme.
Vim acompanhada de amigos.
De pessoas que me amam.
Por que est� fazendo isto comigo? Por qu�?
Estou tentando dar um jeito na minha vida.
Eles est�o me apoiando, meu marido e Ella.
N�o v�o deixar que isto aconte�a. V�o me defender.
Por que est� fazendo isto? Por qu�?
Santo Deus!
Era eu, n�o era?
Era eu quem eles estavam tentando envenenar.
De qu� adianta eu me iludir?
Algu�m est� tentando me matar, n�o �?
Algu�m est� tentando me envenenar, n�o �?
Algu�m est� tentando me matar, n�o �?
N�o �? Eu sei que �! Eu...
''Eu posso sentir. Consigo quase ouvi-lo se aproximar.''
Perigo no Escuro.
MGM 1932.
Achava que seu marido e sua irm� iam matar voc�
e desabou na frente da pol�cia.
Seu inspetor malandrinho!
Aposto que viu cada um dos meus filmes.
Pelo menos duas vezes.
Um verdadeiro fracasso, esse.
Mas voc� estava espl�ndida nessa cena.
Os cr�ticos n�o acharam.
Se estivessem aqui hoje, tenho certeza que teriam ca�do.
O senhor n�o caiu.
Eu sou detetive.
O meu trabalho � analisar comportamentos fora da tela.
Mas eu sou atriz. Eu atuo.
Certo, acho que sua interpreta��o foi meio exagerada.
Eu teria optado por simples sinceridade.
N�o achei que acreditaria.
Ainda n�o acho.
''N�o escapar� da pr�xima vez.''
''Prepare-se para morrer.''
Veio um pra c� e o outro pro est�dio.
- Quando? - Esta manh�.
Quem os entregou?
- N�s n�o sabemos. - ''N�s''?
Meu marido e eu.
No in�cio, pensei que fosse um trote.
Que trote, hein?
N�o tenho tanto medo assim
desde quando eu era uma menina em Oklahoma City.
Shirley Bookbinder.
A menina mais linda da cidade.
Eu me achava demais.
At� que um dia, achei... Devia ter uns 10 anos.
Achei na minha carteira um bilhete
que dizia:
''Ningu�m gosta de voc�, Shirley.''
Eu chorei durante tr�s dias.
Nunca descobri quem o tinha escrito.
A desvantagem de ter alguma coisa,
� que sempre h� algu�m querendo tirar isso de voc�.
E sabe do que mais?
Geralmente, conseguem.
Ajude-me, inspetor. Por favor.
Tenho certeza que voc� a ajudar�.
Vou, sem d�vida, tentar.
Desconfio que esteja meio enamorado da Srta. Bookbinder.
Que desatino, tia Jane!
O problema � que agora, tenho bastante suspeitos
com bastante motivo, para lotar cada loja desta rua.
Fa�a de tudo para que voc�, o pequeno Jeremy John
e os padrinhos cheguem na hora,
porque �s 15h30, tenho a Sra. Cracknell e o Jeremy John dela.
N�o, est� errado.
� o pequeno Michael Jeremy John da Sra. Cracknell.
Tamb�m est� errado. � o John da Sra. Michael.
Ainda n�o � isso.
Que coisa confusa!
Eu preciso acertar na hora.
At� s�bado, �s 15h30.
Tenho uma �tima not�cia!
Sr. Edward, da oficina mec�nica, conseguiu
diagnosticar o problema.
Com sorte, n�o teremos mais que recorrer a voc�
para desvendar o mist�rio de sexta-feira:
Duas Mo�as de... Esqueci de onde s�o.
Ainda assim, espero v�-la.
Fica nos Estados Unidos...
ldaho.
A senhora pode perder esse, tia Jane.
Se assim o diz, Dermot.
Jamie!
Quanto tempo esperei por voc�!
Para peg�-lo nos meus bra�os
e segur�-lo contra o meu peito.
Jason, quer tirar essa lambisg�ia
do meu campo de vis�o?
Quem? Eu? Eu estava no seu campo de vis�o?
Eu s� queria que Jason visse meu figurino.
Querido, pode p�r a ''Rainha Virgem'' de volta na jaula dela?
Lola, por que n�o vai estudar seu texto?
O que voc� quiser.
Um roteiro antes que eu me deprima.
Eu lamento tanto!
Eu n�o devia ter usado essa palavra.
Hora do ch�!
N�o corram, tem bastante.
N�o passem na frente da c�mera, pelo amor de Deus!
Est� bem?
Estou bem, Jason.
Essa � minha pequena!
Com licen�a...
- Caf�, Marina? - Obrigada.
Quer, Jason?
Quer vir dar uma olhada em algo?
Obrigada.
Com licen�a.
Jason, quando � que eu fa�o a cena com Sir Walter Raleigh?
O qu�?
O que foi?
O caf�!
Ele s� est� meio forte, querida.
- Mentira! - Querida, que � isso?
Mentira! Ele est� envenenado.
Ent�o at� amanh�, Miss Marple. Preparei tudo.
E deixei seu jantar no forno.
Obrigada, Cherry.
Lembra-se de mim?
Eu vi voc�.
Assassino.
Boa noite, senhorita.
Sr. Rudd andou procurando por voc�.
Por onde andava?
Fui dar um passeio.
Voc� n�o parece nada bem.
O caf� que Marina quase bebeu no plat�...
Eu pedi uma an�lise.
Ars�nico.
Ars�nico?
- Como? - Eu pergunto a voc�.
O que quer dizer?
Voc� fez, serviu e deu-o a ela.
- Est� achando que tentei envenen�-la? - Estou !
N�o... Sei l�...
N�o sei o que pensar.
Voc� a ama de verdade, n�o �?
N�o se preocupe, garanto que v�o peg�-lo.
''Ele''?
Quem quer que seja.
Pelo amor de Deus, d� um jeito nesse seu resfriado!
O m�dico est� aqui?
O Sr. Rudd ligou para a delegacia �s 20h55.
Ter� meu relat�rio pela manh�.
Certo.
Muito bem, meninas. J� podem ir.
Fique, Bates. O oficial Arnold vai tomar seu depoimento.
Inspetor,
quem iria querer matar Ella?
A mesma pessoa que tentou envenenar sua mulher.
Sabia que a Srta. Zielinsky estava telefonando
de uma cabine no vilarejo?
Estava brincando de detetive,
ligando para todos os suspeitos,
dizendo que os tinha visto envenenar Miss Gregg
e aguardando uma rea��o.
Se a pessoa com quem ela falou mordeu a isca,
ela encontrou o assassino.
E sem d�vida, encontrou-o.
Viu as an�lises do caf�?
Vi.
Sr. Rudd,
por que n�o falou destes bilhetes?
Eu devo ter esquecido.
Esqueceu amea�as de morte?
Achei que podia dar conta.
N�o foi bastante eficaz, ao que parece.
O que est� fazendo?
Dando o fora daqui.
Sinto muito, mas n�o passo mais nenhuma noite aqui.
- E o filme? - Que se dane o filme!
Est�o tentando me matar. Acha que vou ficar aqui esperando?
Ningu�m vai lhe fazer mal.
Jason, estou com tanto medo.
Eu sei, mas estou aqui com voc�. A pol�cia est� de guarda.
Por qu�?
Por que algu�m ia querer me fazer mal?
Por que n�o me falou dos bilhetes?
Para qu�? Para deixar voc� morrendo de medo tamb�m?
Por favor, vamos sair daqui.
lremos para um hotel pela manh�.
Promete?
Eu prometo.
E sempre ficaremos juntos?
At� que a morte nos separe.
Por que disse isto?
Pelo jeito, podemos descartar Zielinsky como suspeita.
Assassinato � um neg�cio perigoso.
Quando algu�m se envolve nisso, deve encarar as consequ�ncias.
�, ela n�o ficou muito bonita n�o.
�cido pr�ssico � uma morte muito desagrad�vel.
O que fazemos agora, tia Jane?
Nossa principal suspeita virou nossa �ltima v�tima.
Havia umas 40 pessoas na festa
e ningu�m viu o veneno ser posto no copo!
Ora, Dermot. Pelo menos tr�s pessoas podiam ter visto.
Primeiro, uma pessoa perdida em seus pensamentos
e inconsciente do que via.
Segundo?
Algu�m que possa ter visto mas achado aquilo normal.
No meu tempo, isso era falta de modos,
mas hoje, coloca-se de tudo nas bebidas, comprimidos, rem�dios...
Suponho que sim. E a terceira?
A pessoa que fez isso de fato.
- A mesma que assassinou Ella Zielinsky. - Exato.
Eu sempre acho que assassinato � como um quebra-cabe�a:
at� que se encaixe a �ltima pe�a, n�o se v� a imagem inteira.
Obviamente, ainda nos falta uma pe�a.
Como se chamava aquela mulher horrorosa?
Botas marrons, um tipo meio de Cheltenham.
- Colethorpe. - Cynthia Colethorpe.
E lembro bem que s� na metade do caso,
a senhora me lembrou o pequin�s f�tido dela.
Qual era o nome dele? Era de um fedor asqueroso!
Tia Jane...
Paralisado...
Aquele olhar paralisado!
O que disse Heather Babcock a Marina Gregg
logo antes daquele olhar?
Quer dizer, aquela infind�vel baboseira sobre a doen�a dela?
Marina lhe deu um aut�grafo, a coisa mais emocionante da vida dela.
Foi antes de ela derramar a bebida. Aqui est�.
N�o basta. Precisamos das palavras exatas de Heather.
N�o sei se estou entendendo bem.
A prima de Alice Wetherby...
A prima de Alice Wetherby...
Um belo dia, ela descobriu o marido enforcado
num gancho do teto a 2,5 m de altura.
N�o havia nada na sala al�m do gancho, do corpo,
e uma po�a de �gua embaixo dos p�s dele.
Ningu�m entendia como ele conseguira executar tal ato,
at� que souberam que ele comprara um bloco de gelo de 60 cm no peixeiro
um tal Sr. Croxwell.
At� hoje, Alice Wetherby se arrepia
s� de pensar num cubo de gelo no gin dela.
Certo, tia Jane.
N�o percebe, Dermot, que algo t�o trivial
quanto a sugest�o de um cubo de gelo,
se associado a outra experi�ncia que causou muita dor,
se fixa na mente, acompanha voc� para sempre.
Certo, mas n�o sei aonde quer chegar.
Se ao menos soub�ssemos o que Heather disse.
Cherry!
Infelizmente, n�o � poss�vel por enquanto. Mandei-a embora.
Por qu�?
Meu rapaz, n�o quero que ela seja assassinada tamb�m.
Marina, meu amor,
trouxe-lhe uma bebida morna.
Chocolate quente.
Lembra-se quando beb�amos isso naquelas noites firas?
E �s vezes, quando n�o t�nhamos o que fazer...
Quero dizer, depois...
Durma bem.
Vou ficar com isso.
N�o vai mais precisar disso.
Eu o amo.
Eu a amo tamb�m, meu anjo.
� claro! O vig�rio!
Obrigada. Pode me esperar, por favor?
Sinto muito, Miss Marple, Miss Gregg n�o est� dispon�vel.
Mas � imperativo que eu a veja imediatamente.
Aceite minhas desculpas, estou cumprindo ordens.
Ent�o, eu vou esperar.
H� uma senhora aqui.
Que tipo de senhora?
Uma senhora meio idosa. Miss Marple.
Ela se recusa a partir. Devo...?
N�o, eu me livro dela.
Sr. Rudd?
Bom dia, Sr. Rudd.
Ou�a, Miss... Marble, ou como quer que se chame.
N�o sei porque veio, mas deve sair.
� Marple, e serei bastante breve.
Era ali que estava a sua mulher no dia do crime, correto?
Ela olhou nesta dire��o e o rosto dela paralisou-se.
Acho melhor ir embora.
Madona e Menino, de Bellini: belo quadro.
atualmente na Pinacoteca de Brera, em Mil�o, eu creio.
� tudo realmente bastante simples, n�o �?
N�o sei do que est� falando.
Eu acho que sabe, sim.
Dermot!
Nossa! Tia Jane!
Eu devia saber que estava aqui.
Este � o lugar onde aconteceu,
o que torna tudo t�o mais f�cil de se entender.
� muito f�cil contanto que se analise a cena corretamente.
Tudo come�ou com o tipo de pessoa que era Heather Babcock.
Raios, j� chega!
Voc�s dois est�o invadindo minha casa. Fora daqui! J�!
Que tal chamar a pol�cia?
Sugiro que voltemos
a quando Heather cumprimenta Miss Gregg e inicia seu reIato efusivo.
Pobre Miss Gregg ouvia pacientemente
enquanto Heather tagareIava, peIo menos aparentava.
E de repente,
Marina virou a cabe�a.
O rosto deIa foi invadido por um oIhar estranho, de espanto.
N�o tinha nada a ver com a chegada de Lola Brewster.
Marina nem estava olhando para ela nem para Heather.
Estava olhando para a Madona.
A imagem
de uma m�e serena segurando um beb� lindo e feliz.
Mas ainda n�o percebo a liga��o.
Claro que n�o. N�o sabe o que Heather de fato disse.
Mas n�o j� revimos isso tudo ontem � noite?
Que eIa deixara a cama e a caserna
determinada a ver o �doIo deIa.
E dirigiu-se
ao teatro onde aIgum parente deixou-a assistir nas coxias.
Ainda n�o vejo aonde isso leva.
Eu tamb�m n�o via, mas a� pensei no vig�rio.
Liguei para ele no meio da noite, acho que ele n�o apreciou muito.
Ele se lembrava da convalesc�ncia de Heather.
Ela estivera doente e passara a licen�a no vilarejo com a m�e.
Quando Heather Babcock foi ao teatro
aqueIa noite,
eIa estava contagiosa.
Estava sofrendo de sarampo aIem�o,
mais conhecido com rub�oIa.
Sua mulher teve um filho que nasceu retardado mental.
Ela nunca conseguiu superar o choque.
Marina...
contraiu rub�ola durante a gravidez.
E nunca soube como.
At� que uma tarde, uma completa estranha
contou a ela com o maior prazer, at� orgulho, o que tinha feito.
E voc� me deixou beij�-la.
Deixou, sim.
Que historinha linda!
Aceita uma bebida?
Obrigada.
Um assassinato perfeito.
N�o exatamente como Cherry o descreveu.
Eu me enganei num detalhe.
Deduzi que um dos convidados da festa
arriscou-se pondo o veneno no copo.
Mas era desnecess�rio.
Ningu�m repararia na anfitri� saindo
para ir ao banheiro preparar sua po��o fataI.
Habituada a objetos de cena,
eIa faciImente esbarraria no cotoveIo de Heather,
derramando acidentaImente a bebida desta e Ihe oferecendo a sua.
Marina tinha que insistir que era a v�tima pretendida,
que o assassinato era para eIa.
Para refor�ar sua trama, eIa mesma escreveu os biIhetes.
At� alterou o pr�prio caf�.
Enganou quase todo o mundo.
Quase.
S� que uma pessoa percebeu tudo.
O senhor descobriu, n�o foi, Sr. Rudd?
Os bilhetes lhe fizeram entender.
Os bilhetes que a sua mulher esqueceu de mencionar.
Se tivessem sido reais, ela o teria informado logo.
O senhor decidiu proteg�-la.
Eu gostaria de falar com sua mulher.
Desculpe, mas eu posso v�-la antes?
Obrigada, querido.
Sr. Rudd?
Miss Marple...
Sim, Sr. Rudd.
Ela est� morta.
Eu j� desconfiava disso. O senhor tamb�m?
Eu a matei.
Pus veneno no chocolate quente dela a noite passada.
Ela ia ser descoberta, era inevit�vel.
Eu n�o podia deix�-la passar por essa humilha��o.
Ela sofrera o bastante.
O senhor deve t�-la amado muito.
Sr. Rudd...
� melhor que entre.
Sr. Rudd...
Foi o maior papel da vida dela.
LEGENDAS: jmedeiros17
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