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Original subtitles

Eu sou Leonor Delise, e seu irmão disse que você quer estudar canto.

- E me disse também que você é especial. - [Sarah canta]

Eu sou diagnosticada como uma pessoa do espectro do autismo.

Elas são mães do Luís. Luís.

[Luís] Como é que termina o poema?

[Sarah] A diferença, se houver, é a da sílaba e o som.

[Leonor] O meu problema com a minha filha é um caso público.

Leonor, nossa menina está chegando.

Agora, você não vai mais poder fugir desse encontro.

Você vai procurá-la?

Nicola. Eu acho que ela não vai gostar disso, Angelina.

[ofega]

[música tensa]

- O que está fazendo? - Eu estou voltando para casa, Nicola.

Eu quero ficar bem longe de você.

Há quanto tempo isso vem acontecendo? Você e Jeannie.

Nós nos apaixonamos, Leonor. Aconteceu.

Você não podia ter se envolvido com a minha filha.

Isso não é um libreto de ópera, Nicola. Isso é a vida real.

Exatamente, e na vida real você tem agendas, contratos assumidos.

Ou você vai abandonar todos seus compromissos?

[Leonor chora]

Leonor! Leonor!

Leonor! Leonor!

Eu sei que você não está entendendo, mas é que foi mais forte que nós.

- Era um encontro marcado. - Vai embora, Nicola!

Vai embora, por favor!

Há coisas que precisamos resolver juntos, Leonor.

O que quer que precise ser resolvido, você vai resolver com o advogado.

Eu sinceramente espero que, na próxima vez que eu te veja,

você esteja morto, Nicola!

[chora]

♪ Eu quero viver ♪

♪ Neste sonho ♪

♪ Que me embriaga ♪

Sarah. Vamos parar um pouco.

Eu cantei todas as notas, eu tenho certeza.

Eu já te disse que não se trata de cantar todas as notas, Sarah.

Você tá cantando a ária de Julieta,

é uma adolescente, sabe que o amor está à sua espera.

É uma explosão de sentimentos.

[cantando] ♪ Eu quero viver ♪

♪ Neste sonho que ♪

[suspira]

Eu sei que você não tem muita experiência nesse assunto,

mas você precisa transmitir essa juventude apaixonada durante a ária...

Cette ivresse de jeunesse, a embriaguez da juventude!

- Sexo? - Também.

Eu sou virgem.

Eu não estou interessada nisso.

Mas eu estou, em deixar de ser, é claro.

Não é fácil para mim.

Eu ontem conheci um rapaz. Luís.

Ele também é do espectro.

Então tente imaginar que está apaixonada por ele.

[Sarah] É abstrato demais para mim.

Eu preciso de dados mais concretos.

- Isso eu não posso ensinar a você. - Eu posso fazer uma pergunta?

Você vai fazer de qualquer maneira, está perguntando por quê?

Como é que você cantaria a ária?

Não posso cantar Julieta, já passei da idade.

Eu não tenho mais paciência para ser tão jovem outra vez,

além do mais, eu já me curei dessa embriaguez apaixonada

que a personagem canta. Estou de ressaca.

Você está impaciente ou é impressão minha?

[Leonor] Não tem impaciência.

É uma constatação.

Se você não consegue ter empatia com as personagens,

o público também não terá.

É perda de tempo meu e seu.

Você está desistindo de mim?

É isso?

Não quero que você pense que é pessoal, não é.

É que você tem problemas que eu não sei como resolver.

Desculpa.

Acho que você tem razão, não estou num bom dia.

- Eu sei. - Sabe o quê?

Que você não está atravessando um bom período.

Eu desconfio que eu sei do motivo.

É a vinda da sua filha, não é?

Sua hora acabou, Sarah.

[piano suave toca]

Nós vamos voltar para o Brasil. Você está certa disso?

Eu não tenho escolha, Angelina.

Bom, tecnicamente, Jeannie não deixou

de ser sua filha só porque roubou o seu marido.

É evidente que não estou incluída no caminho que ela escolheu.

Você abriu mão da maternidade pela carreira

e agora quer dar um tiro no pé por causa dela?

Eu não vejo mais razão alguma em cantar.

Pelo menos não agora.

Bom, sendo assim, eu acho que você não vai se importar

em ouvir o que eu tenho para te contar.

O diretor do teatro,

naturalmente como vingança pessoal pela sua quebra de contrato,

vai colocar Jeannie em seu lugar.

Nas últimas resas.

Jeannie vai cantar no meu lugar?

E eles vão adorá-la.

O circo já está todo armado, Leonor.

Ela não está pronta para cantar a Tosca, Angelina.

Eles vão levar isso em consideração.

E a imprensa vai adorar o escândalo.

É, talvez, no fim das contas, seja mesmo hora de voltar para casa.

Ela disse que eu não consigo ter empatia pela personagem.

Bom, ela é uma profissional reconhecida. Não está sendo leviana.

Mas eu posso garantir,

Sarah, você não gosta de solucionar problemas?

Quem sabe você não encontra uma solução para esse.

Para eu ter empatia pela personagem,

eu devo pensar como uma neurotípica?

Por que não? Você vai ter que vestir a personagem, não vai?

A Julieta era neurotípica?

[rindo] Ao que tudo indica, Sarah.

E o Luís, o que foi que vocês conversaram ontem na festa?

Vocês dançaram muito bem juntos.

Sarah, quem sabe o Luís não é uma inspiração para sua Julieta?

Um Romeu no espectro.

Talvez.

[sussurrando] Quando eu sair daqui, vou me encontrar com ele.

[sussurrando] Quem sabe isso não é o começo

para você encontrar a sua Julieta.

Sem tragédias no final, por favor.

Vocês vão se encontrar onde?

[notas suaves de piano]

[Sarah] Eu preciso te confessar uma coisa.

Eu sei como se sentem esses peixes.

Vivendo dentro de uma caixa de vidro transparente.

Eu também me sinto assim muitas vezes.

As pessoas me veem,

mas não conseguem se conectar comigo.

Nem eu com elas.

Isso faz sentido?

Você não é um peixe, Sarah. Não faz sentido.

Eu aprimorei a minha lista de perguntas

para dar continuidade à conversação.

Se você não se sente confortável em falar todo o tempo,

eu não me incomodo com o silêncio.

Eu também não, mas todo mundo parece se incomodar.

É porque o silêncio pode ser assustador.

Mas também pode ser um belo intervalo musical.

Que perguntas você escreveu?

[resmunga]

Qual seu animal marinho favorito?

Eu gosto das tartarugas-marinhas.

Elas cruzam os oceanos para depositar seus ovos

na praia em que nasceram,

guiadas unicamente pelos campos magnéticos da Terra.

E com mentes muito menores do que as nossas.

[risos]

- E você? - Eu gosto de polvos.

Gosto do raciocínio rápido que eles têm.

Também gosto dos tentáculos.

O que mais tem na sua lista?

[Luís exala]

Eu posso te dar um beijo?

[Luís resmunga]

Acho que eu troquei a ordem das perguntas.

Essa era para ser a última.

Não tem problema,

você pode me dar um beijo.

["Je Veux Vivre" toca]

♪ Eu quero viver ♪

♪ Neste sonho ♪

♪ Que me embriaga ♪

Leonor?

Leonor?

Acabou de chegar.

O teatro está te convidando para estreia de Jeannie e La Boheme.

- Você está falando sério? - Claro, ela é sua filha.

Eu lembro, Angelina.

Posso confirmar a próxima aula da Sarah?

Pode, mas eu não sei se posso ajudá-la.

Eu preciso falar com o irmão dela, não sei se estamos perdendo tempo aqui.

É claro que estão.

Ela não tem chance alguma de se tornar uma cantora lírica de verdade.

Ah, sejamos sensatas.

Essas aulas são uma perda de tempo, não é?

Já não é fácil para uma pessoa normal.

O que dirá para alguém como Sarah, não é?

Eu não vejo dessa forma. Eu acho que ela tem chance.

- Porque você é outra sonhadora. - Você faz isso parecer ruim.

Ter aulas com Leonor não vai fazer de você,

e muito menos de Sarah, cantoras tão boas quanto ela foi um dia.

Eu não vou discutir com você, Angelina, eu já tenho uma professora.

Com licença, Leonor.

[violino tocando]

[Margot] Ei.

Ei!

Eu sei que você não vai gostar da pergunta.

Mas nós estamos mortas de curiosidade.

Como é que foi o encontro?

Eu dei um beijo nela.

Não acredito.

E foi bom?

Eu senti um pouco de cócegas.

Talvez eu precise fazer o bigode uma hora antes de dar um beijo.

E vocês combinaram alguma coisa?

Vão se ver outra vez?

Vamos, eu estou pesquisando lugares para nossa lua de mel.

Ela gosta de tartarugas-marinhas.

Luís, meu amor,

ainda é muito cedo para você pensar na lua de mel.

Um passo depois do outro, não se esqueça.

Tá bem. Agora eu quero ficar sozinho, por favor.

Tá.

[sussurrando] O quê?

Eu disse sozinho.

Ah, claro. Vamos.

Vai, vai, vai.

Folhetos imobiliários?

Esses são especiais. Pensei tanto na Sarah quando eu vi.

Bom saber que você tem pensado em mim, Deborah.

É um novo conceito de moradia, sabe?

É tipo um hotel que tem todos os serviços inclusos.

Ideal para a Sarah, dá uma olhada.

Porque você pensa, né, um dia em ter a sua própria casa,

o seu próprio espaço?

O quanto antes, melhor. Você pode ter certeza disso.

["Sempre Libera" toca]

♪ A deleites sempre novos ♪

♪ Deve voar meu pensamento ♪

♪ Deve voar, deve voar ♪

♪ Deve voar meu pensamento ♪

- Sarah, você está me seguindo? - [Sarah] Estou, estou.

- E eu posso saber por quê? - Estou te estudando.

Me estudando? Por quê?

A Leonor me pediu que buscasse a minha Julieta.

E eu pensei em usar você como minha inspiração.

E você achou que copiando os meus movimentos

ia conseguir copiar os meus sentimentos?

Preciso começar em algum lugar.

Eu acho que você está buscando sua Julieta no lugar errado, Sarah.

Por quê? Você também nunca se apaixonou?

[suspira]

Para ser sincera, eu acho que estou apaixonada nesse momento.

Mas não é andando atrás de mim que você vai conseguir me entender, Sarah.

[Sarah resmunga, ri]

Sabia que o seu nome, o seu nome me traz lembranças muito antigas?

Sério? Por quê?

"Daisy" é o nome de uma canção que meu pai me ensinou

quando eu ainda era muito pequena.

["Daisy Bell" de Harry Dacre toca]

Tchau, Sarah.

♪ Há uma flor no meu coração ♪

♪ Margarida, margarida ♪

♪ Plantada um dia por um dardo oblíquo ♪

♪ Plantada por Daisy Bell ♪

♪ Se ela me ama ou não me ama ♪

♪ Às vezes é difícil saber ♪

♪ Mas aspiro a partilhar do destino ♪

♪ Da linda Daisy Bell ♪

♪ Daisy, Daisy ♪

♪ Dê-me sua resposta, dê-me ♪

♪ Estou enlouquecendo ♪

- Por favor, fica. - ♪ Por causa do seu amor ♪

♪ Não será um casamento fino ♪

♪ Não posso pagar uma carruagem ♪

♪ Mas você ficará linda no assento ♪

[Sarah] Quando meu pai foi embora, eu ainda era muito pequena.

Mas eu lembro como se fosse hoje.

Você sabia que o abandono tem um som característico?

Você nunca foi abandonada, Sarah. Você sempre foi cuidada.

Seus pais só se separaram, como milhares de casais no planeta.

Talvez você esteja confundindo abandono

com a sua própria inadequação.

Talvez.

Mas, de toda forma, como é o som do abandono?

Da mesma maneira que os esquimós têm

várias palavras para definir o branco,

existem vários tipos de silêncios.

O silêncio do abandono...

é o som mais triste.

- Você tem medo do abandono? - Não sei.

Talvez eu tenha medo da solidão?

Ou talvez eu esteja cheia de dúvidas.

Ultimamente eu tenho usado muito a palavra "talvez". Isso faz sentido?

Todo. Sarah, de qualquer maneira,

você precisa vencer os seus medos,

você precisa tomar as rédeas da sua vida nas mãos.

Seria tudo tão mais fácil se a minha vida fosse um cavalo?

Conquistar sua autonomia vai fazer

com que você consiga separar solidão de independência.

Nós duas sabemos, Sarah, o quanto você quer ser independente.

[conversas indistintas]

[conversas se intensificam]

[conversas se atenuam]

Sarah, filha, perto da mamãe. Perto da mamãe, meu amor.

[Mulher] A melhor barraca de frutas. Leva, leva, leva.

Olha aqui, moço bonito aqui não paga, mas também não leva...

Olha, olha a fruta. Senhor, senhor, quer fruta?

Leva frutinha, leva frutinha! Leva.

Mas por quê? Você quer apostar quanto que esse rapaz vai sumir?

Mas porque não me contou antes, hein?

Por que não me disse que ia fazer uma besteira?

Porque eu podia tentar colocar juízo nessa sua cabeça oca!

Ô, freguesa, freguesinha, quer experimentar uma pitaya?

É pitaya docinha, docinha, experimenta.

Não vai pegar? Mas cada uma que me aparece aqui!

Não vai comprar? Não vai comprar?

Então desocupa, desocupa! Está tampando todas minhas frutas, sai!

Sai, sai...

[Moça] Ei, você! Como é seu nome?

Sarah.

Liga não, Sarah. Ela está irritada porque eu me perdi.

Você se perdeu?

Eu falei para ela, eu falei para ela, ela é muito novinha.

Sempre a mesma história.

Agora, que o safado conseguiu o que queria, sabe?

Sabe, né, o que ele conseguiu, o safado? Aí agora ele vai sumir.

Porque é sempre assim, mais cedo ou mais tarde, eles vão embora.

[Moça] Nem todo mundo é como o papai, mãe.

Meu pai foi embora.

Tá vendo, tá vendo? É sempre a mesma coisa, tudo igual.

Eu era muito pequena quando ele saiu de casa.

[música triste de piano]

Toma! Um picolé de manga.

Eu mesma faço para vender, mas esse é de presente.

Para mim?

É uma delícia, prova!

Prova! Anda. É bom.

Estou te dando de presente, Sarah.

Como é, se perder?

Se perder de amor, Sarah.

A gente não pensa em mais nada.

["Je Veux Vivre" de Charles Gounod toca]

♪ Doce chama Permaneça na minha alma ♪

♪ Ah ♪

♪ Como um doce tesouro ♪

♪ Ainda por muito tempo! ♪

Brava! Aconteceu alguma coisa que eu precise saber?

Eu encontrei Julieta. Numa feira livre.

Numa feira livre?

Disse que tinha horror a feiras livres.

Isso não importa.

O importante é que eu venci mais um obstáculo.

Encontrei Julieta e eu soube como ela estava se sentindo.

Eu me perdi.

Isso é uma metáfora, não foi?

Uma metáfora recorrente.

Muitas de nós vêm se perdendo ao longo dos tempos.

Então quer dizer que agora você sabe que gosto tem o amor?

Sorvete de manga.

Eu quero te abraçar, Sarah.

Desculpe, eu não me sinto confortável com abraços.

- Geralmente tem muita pressão. - Está bem.

Problema resolvido.

E hoje sou eu quem encerra a aula, por agora.

Sabe, eu sempre tive muita dificuldade em compreender o conceito de tempo,

então, até hoje, se eu não me policiar, eu sou capaz de sair daqui

sem saber se esse nosso encontro se deu ou ainda vai se dar. Isso faz sentido?

Sarah, sinceramente eu já não sei mais o que faz sentido.

Eu acho que, no fundo, eu gosto de te deixar confusa.

[piano suave toca]

Você veio pelas escadas!

Ah, sim, elevadores podem ser muito claustrofóbicos, não é?

Bingo!

- Antônio, você já se apaixonou? - Já.

- Que gosto tinha? - Não entendi.

- Picolé de manga? - Continuo sem entender.

Os sentimentos abstratos são complicados para mim.

Sentimentos sempre tem forma e sabor, para mim.

O amor tem gosto de picolé de manga.

E o que acontece com aqueles que não gostam de manga?

Não tem direito a conhecer o amor?

Boa pergunta.

[Sarah resmunga]

["Je Veux Vivre" de Charles Gounod toca]

[cantora lírica vocaliza, ri]

Vai sair?

Vou, vou jantar com um amigo.

Amigo? Que amigo? Eu conheço todos os seus amigos.

Esse você não conhece.

Na sua idade, sempre é prudente deixar pistas.

Na nossa idade, Angelina. O tempo passou para você também.

Eu acho que a vinda de Jeannie ao Brasil, de certa forma,

está me acordando novamente para a vida.

E não precisa me esperar acordada.

Eu vou estar acordada quando você chegar, Leonor.

Se eu vier dormir em casa, Angelina.

Você vai dormir em casa.

E provavelmente nós vamos tomar um chá antes de você tomar o seu comprimido.

Divirta-se.

[música sensual toca]

Sarah vai dormir na casa da Laura.

Ela tá quebrando a rotina.

Hoje, a noite é nossa.

Finalmente, minhas preces foram atendidas.

Você faz parecer tão mais difícil.

É pior.

Hoje sua irmã me disse que a nossa relação não tem afeto.

Aparentemente, ela contabiliza os gestos de afeto.

Você sabe quantas vezes você me beijou na semana passada, John?

Não contei.

Mas ela contou. Duas. Duas vezes.

Convenhamos que não é uma média boa, né?

Eu prometi que eu cuidaria dela, Deborah.

E de mim?

Quem é que vai cuidar de mim, John?

Você pensou no Luís quando cantou a ária?

Não.

Você acha que um dia vai conhecer o amor?

Agora eu tenho certeza.

["Je Veux Vivre" de Charles Gounod toca]

♪ Ah! ♪

♪ Eu quero viver ♪

♪ Neste sonho ♪

♪ Que me embriaga ♪

♪ Até hoje ♪

♪ Doce chama ♪

♪ Guardo-a em minha alma ♪

♪ Como um tesouro! ♪

♪ Eu quero viver ♪

♪ Neste sonho ♪

♪ Que me embriaga ♪

♪ Até hoje ♪

♪ Doce chama ♪

♪ Guardo-a ♪

♪ Na minha alma ♪

♪ Como um tesouro! ♪

♪ Essa embriaguez da juventude Infelizmente dura só um dia ♪

♪ Em seguida vem o tempo Onde choramos ♪

♪ O coração cede ao amor ♪

♪ E a felicidade foge para sempre ♪

♪ [vocalizando] ♪

♪ Eu quero viver ♪

♪ Neste sonho ♪

Eu vou te contar um segredo, Laura.

O amor para mim tem gosto de sorvete de manga.

Isso faz sentido?

[Sarah continua cantando]

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