All language subtitles for Na Senda do Crime

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Original subtitles

Legendas: Luís Filipe Bernardes

- Bom dia. Novidades? - Nenhuma. Nem valia a pena o senhor se incomodar.

Afinal de contas não houve nada.

Nada. Os malandros fracassaram.

Só tiveram tempo de fugir.

Vai ver que é gente nova, inexperiente. Principiantes.

- Bom dia. - Bom dia. Algum indício?

Nenhum, doutor. Estamos procurando. Mas é um caso sem importância.

Só que esse tal de doutor Mattos está fazendo um barulho danado.

Imagino. Mas é preciso aguentá-lo. O sujeito tem muito prestígio.

E muito dinheiro. Banqueiro, cheio da gaita.

Bom dia, doutor. Faça o favor de entrar.

Bom dia.

É o sobrinho do Dr. Mattos.

- O senhor mora aqui? - Mora sim. Aliás foi ele que chamou o plantão.

E viu os assaltantes? - Não. Não vi.

Quando eu cheguei eles já tinham fugido.

Tá tudo no relatório, doutor. Que horas eram?

Quatro horas da manhã mais ou menos.

E não deixaram nenhuma lembrança?

Nenhuma, doutor. Nenhuma.

O senhor vai me desculpar, mas meu tio quer falar com o senhor.

Vê se consegue acalmá-lo.

Está com medo louco de perder o dinheiro.

O senhor tem que tomar uma providência imediata!

Um bairro como esse não pode ficar sem policiamento.

- Tá ruim hoje, hein? - É. Quando bate o azar não adianta insistir.

Como é? Vai ou não vai jogar?

É. É isso!

- Eu tinha o isqueiro no bolso. - Chega, ouviu!

Está se portando como um idiota!

Não quero mais ouvir essa conversa de isqueiro.

Dá licença?

Como é? Jogando sozinho?

Estou esperando os meus parceiros.

Toma. Sai dessa.

Ah, pro André isso é barbada.

Não é possível! Para mim chegou.

O que que há com vocês? Está todo mundo nervoso.

É, hoje não vai mesmo. É melhor parar.

É. Também, tá quase na hora de fechar.

Eu tenho certeza. O isqueiro estava comigo.

Caiu durante a fuga.

Clube Paraíso ao Sr. André. J. da Silva.

Primeiro prêmio no concurso de danças modernas.

Engraçado. Um moço bailarino assaltando palacetes.

Onde o senhor achou isso? O rapaz aqui perdeu.

Perdeu, é? Eu achei.

- Um momento, deixa-me ver. - Calma!

Eu não sou nenhum polícia.

E não vou mostrar isso a ninguém. Só quero conversar.

Palhaço! Vamos, diga logo o que você quer da gente.

Pra que essa violência toda?

Por causa desse objeto?

Como é que você achou isso?

Eu não sou como vocês. Não sou precipitado.

Eu quando penso em assaltar um palacete,

começo assaltando a empregada.

Um assalto sentimental.

E às vezes ganho certos presentes.

Está bem. Vamos sair.

- Vocês arranjaram um caminho bonito, hein? - Misterioso, não é?

É o tipo do lugar que a gente quando menino escolhia pra brincar de bandido.

É o caminho mais curto pra casa de André.

Tudo aqui é do tempo dos velhos.

E essa exposição?

O André é artista de cinema.

O Osvaldo e eu somos empresários dele.

Ah, é? O rapaz é fotogênico.

Vocês querem se divertir comigo, é?

Por quê? Às vezes uma boa pinta ajuda.

Você é dançarino, ator.

Pode-se tirar partido disso.

Você o que que faz?

Sou mecânico.

Pode arranjar um carro emprestado?

- É difícil mas dá-se um jeito. - Por uma hora e pouco.

Só para uma pequena inspeção.

Mas o que é? Você tem algum plano?

Possivelmente. Depende de vocês.

Acho que o amigo está se adiantando muito.

Só estou querendo organizar.

O que faltou a vocês foi justamente organização.

Por isso vocês falharam.

É você, Jurema?

Pensei que estivesse dormindo. Isso são horas de chegar?

Estive numa festa. Aniversário de uma amiga.

Não gosto que você ande na rua de madrugada, você sabe.

Ah, não gosta, não é?

E eu vou ficar toda noite sozinha neste casarão.

- Quando sair, chegue mais cedo. - Ora, não me amole.

Você não tem nada a ver com isso.

Veja como fala! Você tem a obrigação de me ouvir.

Fique bonzinho, André. Já é um pouco tarde para você bancar o moralista.

Calma, rapaz!

É irmã de André.

Estão sempre brigando, mas não dá em nada.

- E ele quem é? - Ainda não sabemos bem.

De todo jeito, muito obrigada. Com licença.

Uma coisa eu posso garantir.

Esse fracasso que vocês tiveram comigo não se repete.

- Acha então que nós podemos... - Sem dúvida.

Ainda podemos ganhar muito dinheiro juntos.

- Eu topo. - Mas espere um pouco.

Por que o chefe há de ser você?

Quando eu era menino, na minha rua havia um time de futebol.

Jogava com uma bola de meia. Eu quis entrar.

Eles não me aceitaram. Sabe o que fiz?

Comprei uma bola de borracha e fiquei sendo dono do time.

E agora? Qual é a bola que você arranja?

Dinheiro.

Do que é que vocês estão tratando até agora?

Negócios.

Tão importantes assim?

Estamos organizando uma fábrica de bolas de borracha.

- Será que não vão precisar de uma secretária? - Estão vendo?

É a primeira vez que isso acontece. Até Jurema está interessada.

Por mim, você já está contratada.

Olha. A casa é essa. Eu não falei? Completamente vazia.

Se eu disse é porque tenho certeza.

Foram viajar e não voltam antes de segunda ou terça.

Só ficou a empregada, e dela o André toma conta.

- Será que ele dá pra isso? - Melhor do que você pensa.

A pequena está caída por ele.

- Será que vale a pena? - Claro que vale.

O dinheiro está sobrando nesta casa.

E entrando-se pelos fundos não há o menor perigo.

Lá vêm os dois. Olha o André.

- Já tomou conta da praça. - E até que ela é bem jeitosa, hein?

É, vamos depressa. Tenho que devolver o carro.

Bom, tudo em ordem? Então vamos.

Preciso dar um telefonema urgente.

Alô? Quer fazer o favor de chamar Jurema?

Jurema, telefone.

Alô? É você? Estou quase de saída.

Não pode?

Mas você tinha prometido.

Eu sei, mas surgiu um imprevisto.

Sinto muito, Jurema, mas é mesmo impossível.

Ora, não fique zangada.

Quem sabe ainda hoje vejo você?

Mas só muito mais à noite, hein?

Talvez eu faça uma surpresa. Tchau.

Como é, benzinho? Você ainda está muito preocupado?

Escuta, você tem certeza que não vai aparecer ninguém?

Ninguém. Nós estamos sozinhos. Pode ficar sossegado.

Você sabe...

hoje eu não estou muito à vontade.

Eu já disse que a casa é nossa.

Sabe, eu estou um pouquinho de pileque.

Você foi um amor. Lembrou-se até de trazer bebida.

Gosta de uísque? Hm? Uísque?

Bebida de grã-fino, né?

Mas a gente deve gostar.

Passe a bolsa.

Agora fique de olho na copa.

E não mexa em nada.

Imagina só seu meus patrões me vissem agora.

Que graça eles iam achar, hm?

Você ouviu?

Tem um carro aí em frente.

Deixe. Não há de ser nada.

Pra que essa escuridão?

Onde está você, querido?

Tá brincando de esconder?

Não foi nada. Vamos. Devagar.

Maria!

Maria! Onde é que você está, Maria?

Aqui, meu bem. Vê se você consegue me encontrar.

Não adianta, seu bobo. Eu corro mais que você.

E agora? O colar que você me tirou. Passe pra cá.

Idiota! A colar vale nada.

Só serve é pra dar pista aos tiras.

Nada disso! Não devia entregar.

Mesmo que não valesse nada.

Mas olha aqui, Osvaldo. O rapaz tinha razão.

É um objeto perigoso para nós.

Não temos pinta pra negociar com joias.

Sabe de uma coisa? Você está exagerando com aquele sujeito.

Tudo que ele fala vocês topam.

Mas afinal, o que é que a gente sabe desse cara?

A verdade é que o plano dele deu certo.

O que que nós fomos buscar? Dinheiro.

- E o dinheiro está aqui. - Sim, e daí?

E daí, você devia ter ficado em seu posto.

Tudo podia ir por água abaixo.

- Eu não aguentei aquela maluca até o fim? - Ah, é?

- É. Pois olhe, se não fosse por mim,

ele teria dado o fora com a gaita. Estava bem apressado.

Fale baixo, senão ela pode ouvir.

E agora?

Quando é que ele vai chegar?

-Ah, você. - Admirada?

Claro, eu não o esperava mais.

Você tem razão.

- Mas é que eu tive um compromisso. - Está certo.

Mas eu não podia adivinhar.

Aceitei também um compromisso.

De que espécie?

Ora, Sérgio, você sabe.

Eu sou uma estrela.

Tenho muitos admiradores.

Margot, já estou farto dessa história.

Pare com isso, por favor.

O que é que há?

Você hoje está tão nervoso.

Sérgio, você não quer compreender.

Eu preciso cuidar da minha vida.

Não posso viver de promessas.

E isto, também é promessa?

Oh, Sérgio, que maravilha!

Chegou.

Até que enfim, hein?

Já se tinha resolvido dividir a gaita sem você.

Não creio.

Vocês são honestos.

Não iam fazer isso comigo.

Onde é que você ficou até agora?

- Não vai me dizer que estava preocupado. - Agora é que vai ser o melhor da festa.

- Você acha? - Claro, chegou a hora de repartir o bolo.

Nisto é que está o engano.

Não vamos repartir coisa nenhuma.

- Então você acha que... - Eu não acho nada, entendeu?

Eu sei o que faço! Precisamos de capital.

Hoje cada um faz uma pequena retirada e o grosso fica guardado.

É o único jeito de levarmos o negócio adiante.

- Quer dizer que nós vamos continuar? - Vamos.

Se vocês não fizerem bobagem.

Mas precisamos saber mais algumas coisas.

- Onde é que podemos procurar você? - Não se incomodem com isso.

E não adianta vocês me procurarem.

- Quando for preciso apareço por aqui. - Está certo.

Mas a gaita fica onde?

Num lugar seguro. Num banco.

Ah, é? Espere um pouco.

- Em nome de quem? - De nenhum de nós.

- De Jurema. - De quem?

- De Jurema? - E por que não?

- Ela não é de confiança? - Mulher é o diabo.

Não sei por quê.

É até muito mais garantido.

Pois ela não tem nada a ver com nosso golpe.

Isso é verdade

Até já escolhi um banco. Tudo legal.

Um momento. Vamos pensar.

Deixe, deixe. Está certo.

Jurema.

Jurema, sou eu.

- Preciso falar com você. - Pode entrar.

Sr. Sérgio. O Dr. Mattos quer falar com o senhor.

Já vou.

Por hoje meu expediente está encerrado.

Alô, Sérgio. Seu tio quer falar com você.

Eu sei. Aposto que ele está louco pra aumentar meu ordenado.

Sérgio, você talvez um dia seja dono de tudo isso mas...

Mas por enquanto, já sei, já sei.

Verifique a conta corrente da firma.

Qualquer que seja o pedido, só com garantia.

Não senhor, nada disso

Só com garantias reais.

Exatamente. Até logo.

- Sabe o que é isso? - Faço uma ideia.

E da consequência dos seus atos, também faz uma ideia?

Essas letras que você aceitou só não foram a protesto...

Já sei. Só não foram a protesto pelo simples fato de eu ser sobrinho do senhor.

É, e isso não deve continuar.

Você não pode assumir compromissos acima das suas possibilidades.

O senhor está enganado.

Eu assumo a responsabilidade pelas minhas dívidas.

Houve um imprevisto e eu não pude atender a data do vencimento.

Mas agora posso pagá-las.

E como conseguiu o dinheiro?

Isso é com a carteira de cobrança e não há outra solução senão o executivo.

Então?

Ouviu bem o que eu estava falando?

O senhor estava duvidando da minha possibilidade de ganhar dinheiro.

Mas precisa saber que de um tempo pra cá procurei tomar certas iniciativas.

E posso garantir-lhe que começo a ganhar alguma coisa além do meu ordenado.

Dá licença.

Leve isso para o arquivo e chame o Dr. Alcides da carteira de cobrança.

Doutor, está aí aquele subdelegado de polícia que quer falar com o senhor.

Certo, mande entrar logo.

Ainda é a respeito daquele assalto?

Ainda. Procuraram, procuraram e não acharam nada.

Mas achar o que se os ladrões não levaram nada?

Então você acha que eu posso ficar assim?

Deixar os ladrões entrando e saindo de minha casa à vontade?

Sabe o que aconteceu ontem à noite?

Assaltaram a residência daquele nosso cliente da Vilarino e Cia.,

e esvaziaram o cofre.

Ah, como vai, doutor? Pode entrar.

Então, novidades?

Nada, infelizmente.

Aliás, se o senhor me desse licença para encerrar o caso.

Afinal, não houve prejuízo.

O senhor ainda teve sorte.

Outra noite assaltaram um palacete no Jardim América.

E há alguma pista?

Ainda não. Eu desconfiei da empregada. Estava bêbada.

Mas ela teima em dizer que não sabe de nada.

Bem, Sérgio...

agora pode ir.

Ainda falaremos desse assunto.

Parece que os patrões confiam demais em certas empregadas.

Mesmo que elas saibam de alguma coisa não podemos obrigá-las a confessar.

Vamos lá, pessoal! Todo mundo! Chegou o baixinho falado.

Ei, primo, afasta da prima!

Segura mais pra cima!

A ordem e essa, não é velhinho? Muito amor e muita classe!

Você é dessas criaturas que a gente vê no baile,

tira pra dançar e acerta o passo pro resto da vida.

- Então, o que você quer? - Qualquer coisa.

Pode pedir o que quiser, um conhaque, um uísque, um peppermint.

- Guaraná. Que maravilha! Você é tão simples.

Garçom, guaraná aqui pra moça.

- Para o senhor? - Uma caipirinha.

Ora, o nosso galã pagando bebida?

Menina, não vai na conversa desse camarada.

Fica bonzinho, Zé, e veja se descansa.

Tem uma grande pinta, não é? Sujeito perigoso.

Tá bem, José, hoje você está falando demais.

Hoje eu estou feliz. Capaz de grandes golpes.

- Até de me casar, se for preciso. - Não disse que ele é biruta?

- Completamente. - Garçom, uma cerveja estupidamente gelada.

- Hoje eu quero apanhar um resfriado. - José, tenha modos.

Osvaldo, meu velho.

Vem pra cá, Osvaldo. Esse garoto hoje não está regulando bem.

Há muita coisa que não está regulando.

Vamos andando. Vamos dançar.

Cadê Jurema?

Não quis vir com a gente. Acho que tinha um compromisso.

Com quem? Com quem havia de ser? Com o chefe.

Olha aqui. Precisamos falar.

Logo agora? Tem dó.

É, sim. E é melhor pra você.

Você é a única criatura no mundo

que consegue dançar comigo sem ser pisado.

Merece um prêmio.

Pronto, perdeu o prêmio.

E você? O que que merece?

Bem, qual é o embaraço?

O Osvaldo aqui está pensando numa coisa.

É acerca de Jurema e Sérgio.

Sim. Sua irmã está gostando do rapaz. E daí?

Acontece que não está me agradando este caso entre os dois.

Por quê? Você não tem nada a ver com a história

Tenho, sim. Nosso dinheiro está com ela.

E ele pode se aproveitar disso e dar um golpe.

Ah, isso não.

Jurema não se deixa arrastar. Ela só faz o que eu mando.

Tem certeza?

Ela está caída por ele.

Acho melhor a gente não perder tempo.

Dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte.

- Está certo? - Está.

Você foi um anjo.

Parece preocupada.

Eu fiz tudo que você quis.

Mas como é que vai ser com os rapazes se eles descobrirem?

Como é que vão descobrir?

Só mais alguns dias e tudo volta para o banco.

Ninguém ficará sabendo de nada.

Mas eles vivem falando que você sumiu.

Não se preocupe.

Além disso o dinheiro é muito mais meu que deles.

Sozinhos nunca fariam nada.

Mas, Sérgio, o que foi mesmo que vocês fizeram?

Você quer mesmo saber?

Não. Tenho confiança em você.

Então me diga qual é o presente que você quer receber hoje à noite.

Pode escolher à vontade.

- Hoje eu estou com muito dinheiro. - Você vai lá em casa hoje?

Vou fazer o possível. Eu ando meio atrapalhado, você sabe.

Lembre-se, Sérgio. Você me prometeu.

Um momento, faz favor.

Uma lembrança da casa.

Esta é a Margot Sampaio.

- Contente? - Muito. E você?

Também. Estou achando você tão bonita

Já reparou no sucesso que estamos fazendo?

É apenas o sucesso da estrela.

Mas ao lado do sobrinho de um banqueiro.

Ah, é você?

Hoje à noite eu só recebo gente em traje a rigor.

Parabéns pra você!

Obrigada, muito obrigada.

Mas o que foi que houve? Vocês perderam a chave?

Não. Estávamos tão carregados que nem dava pra abrir a porta.

Pra festejar seu aniversário.

E com que dinheiro?

- Ganharam no bicho? - Tudo fiado. Mas só até amanhã.

- Será que ela vai topar? - Claro que topa.

Era só o que faltava depois de tudo isso.

Opa, que elegância!

Puxa! E é em nossa honra?

Sim, mas não é só para vocês. Vamos receber uma visita.

- O Sérgio? - E quem havia de ser?

# Neblina, branco manto da amizade #

# que envolve a cidade #

# e escurece os lampiões. #

# Faz do meu peito um violão #

# onde as cordas da paixão #

# sonorizam ilusões. #

# Neblina #

# companheira na saudade #

# desta dor que me invade #

# quando somos dois na rua #

# que esconde a dor que me domina #

# como escondes, ó neblina, #

# dos meus olhos a luz da lua. #

# Pobre neblina querida #

# tem fama de ser na vida #

# o branco manto do mal #

# diga a quem te condena #

# que o lodo dá açucena #

# e há rosas no pantanal. #

# ... faz do meu peito um violão #

# onde as cordas da paixão #

# sonorizam #

# ilusões. #

- Esse agora quem é? - Não conhece?

É o Siqueiras. Sujeito podre de rico.

Já gostou da Nancy. Deu mais de mil presentes para ela.

Ciumento como ninguém. Viviam brigando.

Mas cada vez que faziam as pazes, ela ganhava um cheque.

- Vamos embora, já é tarde. - Ah, espera mais um pouco.

Pequena de sorte a Nancy.

Não tinha onde cair morta e agora está cheia do dinheiro.

Sabe, o Siqueiras nunca anda sozinho.

Tem sempre a seu lado um sujeito esquisito.

Garanto que aquele gajo que está com ele

é delegado ou coisa parecida. E agora ele está ali.

Viu? Ele gostou do seu presente.

Agora vamos.

Ah, mais 5 minutos. Ele está me convidando para dançar.

Dá licença.

- Está na hora de ir para casa. - Que isso? Parece um louco!

Faça o que estou dizendo, entendeu?

Oh gente apressada. Esqueceram a fotografia.

Quer deixar comigo? Eu ainda me encontro com eles.

Pois não, doutor.

O que foi que houve?

Nada. Mas quero saber tudo a respeito desse sujeito.

Quero detalhes.

Eu vou me deitar.

E o nosso caso, como é que fica?

Faz o que eu mandei, senão! - Senão o quê? Me largue!

- Você vai tirar o dinheiro do banco. - Não tiro coisa nenhuma.

E não quero saber de suas sujeiras!

Poxa, Jurema. Não estou gostando do seu jeito.

É? Pois então vá embora! Não quero mais ver a sua cara.

E você também, seu vagabundo!

Trate de aprender, sua idiota!

Sabe que dinheiro é esse?

Dinheiro roubado!

Você me espera aqui. Se houver alguma encrenca eu te chamo.

Esse cheque precisa ser endossado.

Endossado?

- Assinado aqui. - Tá certo. O senhor tem uma caneta aí?

Por favor, ali.

Precisa de ajuda?

Posso fazer alguma coisa por você?

Vamos por aqui que é mais íntimo.

- E agora passe o cheque! - Que cheque?

Não se faça de idiota!

Sérgio!

Foi você que contou tudo pra ele, não foi?

Cala essa boca!

- Ela não tem nada a ver com o negócio. - Então como é que você soube?

Só ela que sabia.

Foi Osvaldo que mandou você tirar o dinheiro, não foi?

Onde é que ele está agora?

Na casa dele.

Então vamos pra lá.

Sim, trabalha aqui. Aliás é sobrinho do presidente.

Com licença.

Não, senhor! É mentira! Ninguém quis tapear você.

O caso é que estamos na última lona

e eu não tenho dinheiro nem para pagar o quarto.

- E você tinha sumido. - E daí?

- Só queremos tirar o nosso, então... - Então o quê?

Então você precisa arranjar outro negócio.

Mas é pra já, está ouvindo?

- O que é isso? - Parece que nunca veio aqui.

Não sabe que há um cinema aí embaixo?

Estão levando Fronteiras do Vício.

Fita de gangster é sincero. Ninguém dorme de noite.

Você conhece bem esse cinema?

Mais ou menos.

Já sei. Também já tive essa ideia.

- Não diga. - Pensa que é só você que tem ideias?

Cada vez que eu vejo o bilheteiro...

Quer dizer que vocês estão querendo...

Isso mesmo. Ele não queria ser artista de cinema?

Pois agora vai ter a sua chance.

Está certo. Vamos esperar até amanhã.

Tá bom, doutor. Pra ter certeza, hein?

- Oh, como está? - Não sei como lhe agradecer.

Por favor, eu é que lhe agradeço. Seu bilhete me deixou feliz.

Eu estava tão preocupada depois do que aconteceu.

- Não sabia como me desculpar. - Não se fala mais nisso. Faz favor.

Ontem na pressa seu amiguinho ciumento esqueceu isto.

Lindo par.

Ele é um tipo interessante e você está maravilhosa.

E que lindo colar. Presente dele?

- Sim, mas não é grande coisa. Acha?

Pois quem dá uma joia dessas tem direito de ter ciúmes.

- Quando mandaram esta foto? - À tarde. Logo que o senhor saiu.

E não disseram quem mandou?

Não, senhor. Foi um homem que deixou.

Disse que o senhor tinha esquecido.

Eu vou sair.

Se meu tio perguntar por mim...

pode dizer que eu fui ao cinema.

Muito quente?

Ei, tio, quanto é o nosso?

O senhor vai levar uma rifinha do rádio, hein?

- É preciso trazer um banco pra vir aqui? - Que nada! Precisa só trazer cabelo.

Jurema, freguês!

Sérgio!

Admirada?

Era o único jeito de falar com você que não responde ao telefone.

Grande trabalho, hein?

É a melhor manicure do salão.

Pena que às vezes é um pouco esquisita.

Eu, é?

O André me disse que você não mora mais com ele. É verdade?

É. Achei melhor.

Por quê? Não compreendo.

Pois devia compreender melhor do que ninguém.

Mãos finas. De quem trabalha em banco.

Está bom. Vamos rápido que estou com pressa.

Já, já, um pouquinho de paciência. Também, com uma manicure dessas.

O pior é que ela vai deixar o salão.

Ah, é? É pena. Vamos sentir muita falta.

Você está mesmo decidida a deixar o salão?

Se puder deixo a cidade também.

E seu irmão? Como é que fica?

Ele não precisa de mim.

Nunca precisou.

Se diverte, vai ao cinema e eu só fico sabendo depois.

Como é que você soube do banco?

Adivinhei.

Sérgio, por que você mentiu?

Eu gostava de você.

- E agora? - Agora não sei mais nada.

Tenho medo de você. E dos outros.

Mas você é o pior de todos.

Você contou a eles?

Você não me conhece.

Se depender de mim, ninguém saberá de nada.

Nem eles, nem a polícia.

- A outra mão. - O quê?

A outra mão.

- Bom dia. - Bom dia, doutor.

Isto é tudo que há sobre o caso do cinema.

O depoimento do bilheteiro e de duas testemunhas

que viram os gatunos saírem da sala. Todos dizem a mesma coisa.

Três altos e um baixinho. Só isso.

Como vai o bilheteiro? Está quase bom, nada de grave.

- O pior foi a féria de 30 contos que bateu asas. - É. Mas tem um caso mais sério.

Vim trazer o inquérito sobre o roubo no palacete do Jardim América.

- Terá alguma relação? - Talvez.

Prontinho, doutor.

Todos os depoimentos mais a lista dos objetos roubados.

Aliás, só dinheiro e a joia.

- Tá certo. Pode ir. - Pois não.

Por hoje chega.

Então, como é? Você vai ou não vai arranjar esse carro?

Sinto muito, meu velho, mas hoje não pode ser.

Mas você prometeu e eu já falei com as meninas.

Eu sei. Mas trabalhei a noite toda e o corpo tá pedindo cama.

Logo hoje que eu arranjei umas pequenas bacanas.

Tá certo. Mas eu estou muito cansado.

E o patrão não gosta que a gente abuse.

Qual nada. Você é cotado. Ele até diz que você é um bom sujeito.

Como é? Você vai ou não vai? As moças são do barulho.

Cadê o Osvaldo?

Já vem aí. Estava se vestindo.

É mesmo. Ele continua lá com vocês?

Ainda. Já não aguentava mais morar perto do cinema.

Também, não era pra menos. Muito barulho, não é?

E Jurema, não volta mais?

Acho que não. Ela quis ficar mais livre.

É pena.

De todos nós era a única que prestava.

É, mas vamos logo. Olha, o Osvaldo está aí.

- André. - O que é que é? Está atrasado, hein?

Antes de eu sair fiz uma descoberta interessante.

Chegou uma carta pra Jurema. E eu abri.

- E então? - Era uma carta do banco.

- Dando nossos juros? - Não. Dando nosso saldo.

- Quer dizer... - Isto é o que sobra do nosso dinheiro.

Incrível.

- Isso é coisa daquele sujeito. - Do Sérgio?

De quem mais? Miserável. Só podia ser coisa de mulher.

- Onde está Jurema? - Agora? Trabalhando no salão.

Vamos pra lá. Tem que explicar isso nem que seja a bofetada!

Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro...

E Margot? Onde está Margot?

Acho que está no camarim. Um momento, vou chamá-la.

Margot! Margot! Você está atrasada.

Em dois minutos estou pronta.

Mas assim não é possível.

Viu? Estou atrasada por sua causa.

Agora fique quietinho aí que eu tenho que me trocar.

Como é, Margot? Já gosta de mim um pouco mais?

Que pergunta, Sérgio. Você sabe que sempre gostei.

- O que que há? - Nada. Estou apaixonado por você.

Então?

- A Margot vem ou não vem? - Já, já. Está quase pronta.

Margot, há muito tempo que venho pensado.

- Que tal se nós fizéssemos uma viagem? - Uma viagem? Pra onde?

Pra qualquer lugar. O importante é sair daqui.

Eu já não aguento mais esta vida.

Preciso me afastar. Mudar de ambiente.

Sérgio, mas para isso precisa de muito dinheiro.

Eu sei, mas acho que posso dar um jeito.

Venho tentando por todos os meios.

E tudo isso, Margot, pra você.

Eu sei.

Não pense que eu não tenha percebido.

Oh, Margot!

Me ajuda a pôr os sapatos.

Guarde isso na gaveta.

E o outro colar? Você não usa mais?

Está em casa. Tenho sempre medo de perdê-lo.

Não, não, não. Agora tenho de ir.

Você me espera aqui que em meia hora estou de volta.

Sabe de uma coisa? É verdade que agora gosto muito mais de você.

Margot!

Entre.

O senhor deseja alguma coisa?

- Eu queria falar com a srta. Margot. - Sinto muito, mas ela não está no momento.

- E mais tarde? - Mais tarde ela estará ocupada.

- Desculpe, o senhor é parente dela? - Não.

Amante.

Ah, é verdade? Agora me lembro.

Tenho a impressão que já vi o senhor em algum lugar.

Exatamente.

- E agora tenha a bondade de se retirar. - Mas acontece que preciso falar com Margot.

Tenho uma coisa para lhe entregar.

Isto.

Como é que o senhor conseguiu esse colar?

Margot me emprestou. Só por algumas horas, é claro.

Ela sabe que tenho mania de joias e esta me interessava muito.

Mas agora já satisfiz minha curiosidade e queria devolvê-la.

Pode deixar que eu mesmo entrego.

Não sei. Não sei se devo correr esse risco.

O quê? Trate de se explicar, entendeu?

Para!

Sérgio.

Sérgio.

Sérgio!

Deixe. Não se incomode.

Aqui ele não volta mais.

Sr. Sérgio

Telefonaram várias vezes à procura do senhor.

Uma voz de mulher.

Sr. Sérgio, telefone.

A mesma voz.

Alô? Ah, é você.

- Mas como... - Não, não! Depois eu explico.

Escute, Sérgio. É muito importante.

É preciso que você venha aqui agora.

Não, não, não. Já!

É preciso que você venha já, Sérgio.

Por favor.

Chega. Já falou demais.

Vamos pra casa.

Jurema, você queria falar comigo?

Vamos, Sérgio.

Vamos sair.

Sr. Sérgio, preciso falar com o senhor.

Sou da polícia.

Me deixa!

Não tenho nada com isso!

Foi ele que atirou.

Sobrinho do banqueiro Mattos.

Ali! Ali! Vamos para o outro lado. Vamos!

Parem, Parem, parem! Não atirem!

Ele não pode fugir.

Vamos com calma, vamos com calma.

Vocês aí, cerquem pela outra escada.

E ninguém atira.

Vamos logo, vocês todos, desçam pela outra escada!

Legendas: Luís Filipe Bernardes

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