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Bem-vindos ao Last Week Tonight.
Eu sou John Oliver. Muito obrigado pela companhia.
Nós voltamos!
E claramente perdemos muita coisa nesses três meses.
O colapso do regime Assad na Síria,
uma tentativa de golpe na Coréia do Sul,
e o Partido Trabalhista britânico fazendo uma breve publicidade
com um vídeo intitulado: "O plano deste governo trabalhista
para mudar a Grã-Bretanha para melhor, entre parênteses, como animais".
Não sei o que estão esperando, mas é mais estranho:
O PLANO DESTE GOVERNO TRABALHISTA PARA MUDAR A GRÃ-BRETANHA PARA MELHOR
VOCÊ VAI SE SENTIR MAIS SEGURO COM MAIS POLICIAIS PATRULHANDO
VOCÊ VAI SER ATENDIDO MAIS RÁPIDO PELA SAÚDE PÚBLICA
OS TRENS VÃO MELHORAR POR VOLTAREM AO CONTROLE PÚBLICO
CRIANÇAS ESTARÃO PRONTAS PARA APRENDER COM CLUBES DE CAFÉ DA MANHÃ
AS CONTAS ESTARÃO PROTEGIDAS, COM ENERGIA SEGURA FEITA EM CASA
MORADIAS DIGNAS E ACESSÍVEIS PARA VOCÊ E SUA FAMÍLIA
Certo, tem muita coisa para amar aqui.
Desde a escolha de animais que objetivamente dão tesão
a uma IA que não se decidia entre braços de coelho ou de humano.
Mas é notável que mesmo com a escolha de usar qualquer animal na história,
ainda não conseguiram fazer o transporte público ser sexy.
Todos os outros animais são maneiros, sexy, aterrorizantes
ou os três de uma vez.
Mas o defensor dos trens públicos é um texugo bobo
com um terno que não cabe,
e acho que não é projeção, mas parece que vai perder o trem.
Eles removeram o vídeo em algumas horas,
em parte porque a música era uma música brasileira bem explícita,
que fala sobre fumar maconha, atos sexuais e insultos sexistas.
E fico feliz que derrubaram, não por causa disso,
mas porque a combinação de britânicos, descrições acessíveis
de políticas complicadas e mascotes animais já está feita,
e estão assistindo à estreia de sua décima segunda temporada.
Não se metam no meu lance, cacete!
Mas nós perdemos mais coisas.
Tivemos incêndios florestais em Los Angeles,
um show do Super Bowl que combinou música e execução pública
e o Duolingo postou um anúncio da morte do seu mascote,
seguido por um vídeo dele sendo atropelado por um Cybertruck,
explodindo e voando pelo céu, o espaço e os portões do inferno.
Acho que falo por todos quando digo: "What?".
Mas vou sentir falta desse esquisito nas minhas aulas de espanhol,
apesar de que parece que estão procurando uma coruja educadora.
E meus amigos, tenho uma sugestão humilde, porém sexy.
Me ensine uma lição, seu hidrante severo.
Faça meu léxico crescer, coruja enorme.
E por fim, mês passado
teve o campeonato alemão de chamados de veados.
E se nunca viram um em ação, estão perdendo:
Senhor, senhor, me desculpe, senhor.
Acho que está procurando o concurso que é virando a esquina.
Aqui é o campeonato de chamar veados,
não de dar a melhor noite da vida deles.
E tudo isso é divertido,
mas infelizmente temos que mergulhar na história principal:
O fato de Donald Trump ser de novo o presidente dos EUA.
Sinto muito se descobriram agora.
Sinceramente, também não estou amando.
Incrivelmente, passou menos de um mês desde a posse.
Mas já parece uma eternidade.
Nas últimas quatro semanas ele perdoou ou diminuiu as sentenças
dos golpistas de seis de janeiro,
tirou os EUA do Acordo de Paris e da OMS,
anunciou um plano para tomar Gaza,
decretou a suspensão da cidadania para imigrantes nascidos aqui,
culpou a diversidade pelo acidente fatal de avião em Washington,
mudou o nome do Golfo do México, respondeu aos incêndios de Los Angeles
liberando bilhões de litros de água para o vale central da Califórnia,
a 240 quilômetros,
trocou um general condecorado por um jornalista da Fox and Friends
na Secretaria de Defesa
e ainda anunciou taxas de 25% contra o Canadá e o México,
uma decisão que levou os canadenses a isso:
PÚBLICO: BU!
Excelente.
Acho que a única coisa mais canadense
que vaiar o hino dos EUA em um jogo de hóquei
é que esperaram educadamente até a hora certa de vaiar.
A lógica de Trump para ameaçar com as taxas foi que o Canadá
não fez o bastante para impedir a entrada de fentanil nos EUA,
apesar da quantidade total interceptada nessa fronteira
ter sido só 20 kg em 2024,
cerca de 0,2% de todo o fentanil confiscado nas fronteiras dos EUA.
Trump logo pausou as taxas, dizendo que o Canadá fez uma concessão.
E quando um deputado Republicano tentou repetir isso na CNN,
ele encontrou um pequeno problema:
Ele cancelou dizendo que conseguiu concessões dos dois países,
você considera que teve alguma concessão tangível?
Sim, sem dúvidas, ele conseguiu.
O que mudou?
Um compromisso de Trudeau que não estava presente
de ajudar com o fentanil, com o mercado negro na fronteira.
Ele anunciou isso há seis semanas, em dezembro.
Pelo menos ele reforçou e formalizou.
Isso, Kaitlan, isso.
Qual parte você não entendeu?
Trump fez o Canadá concordar com o que já tinha concordado
e não custou nada além
de qualquer boa vontade entre os dois países.
Ele irritou um país inteiro
cheio das pessoas mais difíceis de irritar no mundo,
e em troca eles reenviaram um e-mail.
O nome disso é liderança, Kaitlan.
Uma das cosias mais chamativas, mas não surpreendentes do mês
foi como Trump parece priorizar a crueldade ativa.
Ele assinou vários decretos
contra pessoas trans ou de gênero não conformativo,
incluindo um declarando que o governo federal
só reconhece dois sexos: Masculino e feminino.
Em outro ele proibiu verba ou apoio federal
para cuidados médicos de afirmação de gênero para jovens.
E também fez vários ataques
aos programas do governo para diversidade, equidade e inclusão,
que foram bem extremos:
O memorando de quatro páginas obtido pela CBS News
ordena diretores de agências federais
a cancelar qualquer treinamento relacionado a diversidade,
e fechem todos os escritórios de inclusão.
O memorando foi enviado um dia depois
de Trump assinar um decreto
dando 60 dias às entidades para eliminar os programas.
Nosso país vai voltar a ser baseado em mérito.
Vocês acreditam?
Não, eu não acredito.
E é uma loucura falar isso do lado de uma foto do seu pai,
de quem você herdou um império imobiliário.
E o ataque contra a inclusão tem sido rasteiro e, às vezes, muito mesquinho.
Uma pessoa que trabalha para o governo disse à mídia
que pessoas externas sem identificação chegaram
para varrer do escritório tudo que eles consideravam
relacionado a diversidade, equidade e inclusão.
O que incluía uma placa
da mesa de um supervisor dizendo "seja gentil com todos".
Eu fico surpreso que não trocaram
por um desenho do Calvin mijando no livro Fragilidade Branca.
Além disso, as batidas da imigração.
O czar da fronteira, Tom Homan, levou Dr. Phil por algum motivo
para um passeio por Chicago.
Deve ser a pior versão de Carpool Karaoke na história.
Está completamente caótico.
E, de certa forma, pode ser proposital.
Lembrem-se que no primeiro mandato de Trump,
Steve Bannon explicou abertamente o pensamento deles da época:
O que temos que fazer é atacar, atacar, atacar,
continuar dando impulso.
A oposição é a mídia.
E a mídia, por ser burra e preguiçosa, só foca em uma coisa de cada vez.
Temos que inundá-los.
Todos os dias nós fazemos três ataques.
Eles focam em um e nós passamos a boiada,
pum, pum, pum.
Eles não conseguem se recuperar,
mas precisamos começar com velocidade de projétil.
Como é?
Velocidade de projétil.
Certo, "velocidade de projétil" parece um filme feito para streaming
estrelado por Steven Seagal com seis a dez cães atores
que certamente morreram no set.
Mas é uma descrição bem precisa do que estamos vivendo.
E como parte da mídia, eu não concordo
que só focamos em uma coisa por vez.
Minha capacidade de fazer várias coisas de uma vez me permite ver que Bannon
parece estar cornetando o treinador de um time de ensino médio
do qual ele deve se manter a 30 metros de distância por lei,
mas também sempre parece ter acabado de sair de um buraco molhado.
Mas é verdade que se você tentar focar em tudo, não foca em nada.
Então hoje queremos dar um passo para trás e focar em um tema do mês.
Que é a tentativa de Trump de desmontar o governo federal por dentro.
Para isso, vamos responder algumas perguntas básicas:
O que estão fazendo, quem estão atingindo e o que pode ser feito.
Vamos começar pelo que está acontecendo agora.
Lembrem-se que ano passado nós falamos do "Project 2025",
o guia para o segundo mandato de Trump.
No programa, nós comentamos que um dos principais arquitetos dele,
Russel Vought, estava determinado a dizimar os cargos públicos.
Aqui vemos ele em 2023, explicando exatamente o que desejava fazer
quando Trump voltasse ao poder:
Queremos traumatizar os burocratas.
Quando acordarem de manhã, queremos que não tenham vontade de trabalhar,
porque vão ser vistos cada vez mais como os vilões.
Queremos tirar toda a verba deles, para a agência EPA
não poder impor regras contra o setor energético,
porque não teriam poder econômico para isso.
Queremos eles traumatizados.
Quando eu imagino os gênios malignos
que derrubariam o governo por dentro,
eu imagino vilões de quadrinhos, olhando a cidade por cima
enquanto cai um raio.
E não o Russ da contabilidade com a pior camisa polo da história
passando slides sobre como quer deprimir os burocratas.
Fique sabendo, Russ: Eles já têm depressão!
Esse homem agora é o diretor do Gabinete de Gestão e Orçamento,
e começou a executar seu plano de expurgar os funcionários públicos.
Mas ele teve ajuda, porque Trump trouxe esse cara, Elon Musk.
Aqui ele parece um escroto vestido para um funeral.
Ele parece uma bruxa do folclore holandês.
O departamento que Musk inventou de "eficiência estatal", chamado DOGE,
tenta eliminar funcionários públicos de formas alarmantes.
Uma das primeiras ações deles foi mandar um e-mail
oferecendo um programa de demissões voluntárias.
Assim os funcionários podem se demitir e receber até setembro,
ou ficar e arriscar ser mandado embora.
Isso é bizarro, sem entrar no mérito de ser legal ou não.
Mas "aceite o dinheiro agora ou corra o risco de ser eliminado"
não é como se administra o governo, mas sim o Beast Games.
Mas para alguns funcionários foi muito mais que um e-mail.
Tiveram demissões em massa,
e Musk contratou uma equipe de assistentes jovens
para ajudá-lo a diminuir o Estado.
Alguns se alocaram fisicamente em instalações do governo,
como esse funcionário explicou:
Meus colegas são interrogados durante 15 minutos,
cara a cara, por garotos recém-formados
de 19, 20 ou 21 anos
onde precisam justificar as suas funções.
Um dos braços direitos de Musk, sua esposa e filho pequeno
se mudaram para o sexto andar da nossa agência
e agora eles moram lá.
É, isso é loucura.
Imagine ser um funcionário público e ter que ouvir um cara
que não estava vivo no 11/9, nem na estreia de Shrek ou Shrek 2
te dizendo: "Vamos demitir você.
Por favor, saia do escritório que agora é meu quarto.
E também, me compra uma cerveja?"
E isso já é ruim, antes de chegarmos no fato da equipe de Musk incluir gente
com antecedentes manchados:
Outro funcionário da DOGE, Edward Coristine,
que se chama de "Bolas Grandes" nas redes sociais,
foi demitido de um estágio em uma empresa de segurança de dados,
Path Network, em 2022.
Ele foi acusado de vazar informações para um concorrente.
Um porta-voz disse à CNN:
"Ele foi demitido após uma investigação interna
sobre o vazamento de informações confidenciais da empresa
que coincidiram com a presença dele".
Que época divertida para se estar vivo.
Que bom que nosso país voltou a ter "base no mérito".
Se não candidatos como Bolas Grandes, o estagiário demitido,
não seriam considerados.
E pior, foi divulgado que Bolas Grandes começou um site na internet
que redirecionavam para conteúdos através de URLs
com nomes fazendo piadas com pornografia infantil
e que a KKK é legal.
E eu não achei que diria isso, mas esperava mais do Bolas Grandes,
ou como ele é conhecido agora, assessor sênior
no Departamento de Estado e no Departamento de Segurança Nacional.
E o negócio é que alguns da equipe de Musk
possuem um acesso extraordinário a dados sensíveis.
Outro integrante da DOGE, Marko Elez, de 25 anos,
teve acesso a dados de pagamento do Tesouro Nacional.
Basicamente, o talão de cheques de todo o governo federal,
que já era preocupante antes dele postar coisas no Twitter como:
"Normalizem o ódio aos indianos", "eu nunca me casaria com outra etnia"
e "eu só quero uma política migratória eugenista, é pedir muito?".
São tuites ruins.
E nem do tipo divertido, como Dean Norris, de Breaking Bad,
tuitou: "Gifs de sexo".
Ou a conta da Pabst Blue Ribbon tuitando: "Não vai beber neste janeiro?
Experimente chupar cu."
O que...
Sinceramente nem é um tuite ruim, isso é...
É só um ótimo conselho.
E dizem e desdizem se Elez tem acesso somente para leitura
ou se pode mudar os dados,
mas seja como for, é problemático ele ter qualquer acesso,
principalmente considerando o que tem nesse banco de dados:
Eu declaro meus impostos de forma eletrônica.
Eu estou incluído neste banco de dados?
Com certeza.
E seus dados bancários. Que é como recebe sua restituição.
Não só quem eu sou, onde eu moro...
Quanto você recebe, de quanto é sua restituição.
Tem tudo isso lá?
Com certeza.
Os dados mais particulares e sensíveis sobre os cidadãos dos EUA
estão no sistema de informação fiscal
do sistema de pagamentos do Tesouro.
Sem dúvidas são dados que não quero nas mãos da turma do Elon.
Mas fazendo uma correção,
os dados mais particulares e sensíveis de um cidadão não são os bancários,
e sim o histórico do Google.
Apesar de que o histórico da maioria do país no último mês
inclui: "Que porra está acontecendo?", "O que é um doge?",
"Por que todos estão tristes por Luka?", "Que porra é essa?" em maiúsculas
e: "O que fazer quando o país está AAAAAA?"
Não é surpresa que um e-mail interno da unidade de segurança do Tesouro
disse que dar acesso à equipe de Elon foi o maior risco interno
na história do Serviço Fiscal.
E quando perguntaram sobre os riscos óbvios,
Kristi Noem, diretora de Segurança Nacional de Trump,
deu uma resposta estranhamente apática:
Eu lembro de épocas em que Republicanos tinham muito cuidado
e se preocupavam com o governo, ainda mais pessoas não eleitas...
Não podemos mais confiar no governo.
Tendo acesso a dados pessoais.
Sim, com certeza.
Vocês são o governo.
Sim, é o que estou dizendo.
O povo dos EUA está dizendo: "Nossos dados pessoais foram compartilhados..."
Mas Elon Musk tem acesso.
Mas Elon Musk é parte do governo que nos ajuda
a encontrar formas de economizar.
As informações dele focam em programas, não em dados pessoais.
Ele não foca nesses dados, mas tem acesso a eles.
Vamos continuar falando com ele sobre o que ele tem acesso.
Com todo o respeito, de que merda você está falando?
"Não podemos confiar no governo." "Mas vocês são o governo."
"Quem disse?" "Vocês!"
"É o que estou dizendo." "E os dados?"
"Não conheço." "E o Elon?"
"Sim, chef."
"E o Elon tendo acesso a dados pessoais?"
"Vamos continuar falando sobre isso com ele."
Temos certeza de que Kristi Noem atirou no cachorro ele?
Ou ela só conversou com ele e a cabeça dele explodiu?
E olhem, ainda estamos no começo das intervenções da DOGE.
Eles começaram agora a mexer com a educação e meio-ambiente.
Mas para ver para onde podemos ir,
vale olhar para um lugar onde causaram uma caralhada de danos.
Estou falando da USAID.
É uma agência que dá ajuda humanitária e de desenvolvimento
em mais de 100 países.
É considerada a maior doadora humanitária do mundo.
Mas assim que a USAID entrou na mira de Elon,
ela foi esquartejada:
Fontes dizem que a USAID, a agência que leva comida, água e saúde
para vítimas de desastres naturais vai logo reduzir sua força global
de 14.000 pessoas para menos de 300.
De acordo com um e-mail interno compartilhado com a ABC News,
restaram apenas 12 funcionários para todo o continente africano.
Doze funcionários.
Doze!
Não é gente nem para abrir um restaurante do Chili's.
E para deixar claro, esses cortes têm consequências reais.
Muita gente vai ficar muito mal com o que estamos fazendo agora.
O que é certamente um bom slogan para o Chili's.
E você pode achar que tem desperdício dentro da USAID,
com certeza tem.
E podem achar que precisa de revisão, e por isso muitos presidentes o fazem.
Mas isso é diferente.
Eles dizem ser uma pausa de 90 dias enquanto reveem os gastos,
mas é melhor avisar ao Elon, porque ele tuitou na segunda-feira:
"Passamos o fim de semana enfiando a USAID em um triturador.
Poderia ter ido para festas incríveis, mas eu fiz isso."
E primeiramente, não poderia.
Qualquer festa com você é, por definição, terrível.
E segundo, você não tem cem filhos?
Passe o fim de semana com eles, seu parasita bizarro.
Os funcionários da USAID já estão voltando do exterior.
E o nome da agência foi removido fisicamente da sua sede.
Até tamparam o logo no vidro com um saco de lixo.
Ainda bem que não é outubro,
serão já teria virado uma loja de decoração de Halloween.
E sim, a USAID é um alvo fácil com apelo populista.
Muitos acham que gastamos muito com ajuda externa,
pesquisas de opinião mostram que o público estima que 25%
do orçamento federal é gasto com ajuda externa,
e prefeririam que fossem só 10%.
Mas isso só mostra que estadunidenses não fazem ideia
de quanto gastamos em ajuda externa,
já que o gasto real é menos de 1% do orçamento federal,
nunca tivemos uma pesquisa tão distante da realidade.
Não desde a que mostra que um a cada oito homens
acha que pode marcar um ponto contra Serena Williams no tênis.
E vou falar uma coisa como um homem de altura acima da média
e algum conhecimento esportivo.
Se eu jogasse tênis contra Serena Williams,
eu morreria.
E que fique claro: Nós recebemos muito em troca
desse investimento mínimo.
Primeiro, é o certo a se fazer,
mas além disso, também é do nosso interesse.
Uma das coisas que a agência faz é a prevenção de doenças.
E talvez lembrem que alguns anos atrás nós descobrimos que os vírus
não costumam respeitar fronteiras.
Fora que gastar com outros países tende a facilitar a diplomacia.
Mas se você ouvir a porta voz do governo Trump,
parece que tudo que foi feito com esse dinheiro não tinha sentido:
Se analisarmos os desperdícios e excessos da USAID
nos últimos anos, temos algumas prioridades insanas
onde essa organização gastou dinheiro.
Gastaram 1,5 milhões para avançar a inclusão trabalhista na Sérvia.
Gastaram $70.000 em um musical inclusivo na Irlanda.
Gastaram $47.000 em uma ópera trans na Colômbia.
Gastaram $32.000 em um quadrinho no Peru.
Não sei vocês, mas como contribuinte, não quero meu dinheiro
indo para essas porcarias, e sei que o povo também não.
Se parecem mentiras e bobagens, é porque são.
Mas um musical inclusivo na Irlanda, uma ópera trans na Colômbia
e um quadrinho trans no Peru parecem ela tentando adivinhar
o que pode ser Emilia Pérez.
Acontece que não só ela caracteriza de forma muito errada os projetos,
os últimos três que ela falou nem foram financiados pela USAID,
e sim pelo Departamento de Estado.
De novo e de novo, o governo de Trump e Elon Musk gera desinformação
sobre o destino do dinheiro da USAID.
Desde Elon retuitando uma notícia falsa
dizendo que ela pagava para mandar famosos para a Ucrânia, o que não pagou,
Trump postou que o Politico
recebeu $8 milhões da agência, que não recebeu,
e a porta-voz falou em gasto $50 milhões em camisinhas para Gaza, e não gastaram.
Essa afirmação gerou um telefone sem fio absurdo,
com Elon retuitando de forma empolgada,
Trump aumentando para $100 milhões em camisinhas para o Hamas
e um deputado Republicando foi à TV para dizer que eram 15 milhões
em camisinhas para o Talibã.
E Trump e Musk ultrajados com dinheiro sendo gasto em camisinhas
não deveria ser uma surpresa.
São dois homens que parecem ter dito "mas não tem a mesma sensação"
mais do que já falaram a porra do nome deles.
Mas de novo, nada disso era real.
E quando uma jornalista confrontou Musk por isso,
a resposta foi de dar raiva:
Como podemos garantir
que o que afirmou está certo?
Primeiro, algumas coisas que eu digo não serão certas e devem ser corrigidas.
Ninguém acerta todas.
Nós vamos cometer erros, mas vamos corrigir rapidamente.
Para responder a primeira pergunta, "quem é essa criança?",
esse é o novo subsecretário de Moradia e Desenvolvimento.
Ou um filho do Elon. Ou os dois.
Mas vale notar que a resposta para "como podemos confiar em vocês?"
é basicamente "não podem".
E só para constar, Trump nem finge mais que liga.
Está tão inquieto e entediado que está fazendo a mesma cara
que um garoto de quatro anos, na mesma hora.
Mas esses erros tiveram consequências reais,
ainda mais para uma agência
que oferece ajuda crítica e que salva vidas no exterior.
A suspensão aparentemente parou programas de alimentação
que servem milhões de pessoas e interrompeu a entrega crucial
de alimentos e remédios.
O impacto já é sentido nos países,
como vemos nessa matéria da África do Sul:
Essa é uma das clínicas de saúde sexual que foi fechada
desde o congelamento dos fundos da USAID.
Fica bem no centro de Johannesburgo
e atendia mulheres com infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV.
Está completamente fechada.
Vimos pessoas tentando entrar e sendo mandadas embora.
Está tentando ir na clínica?
Estou.
- Está fechada. - O que houve?
Congelaram o fundo da USAID, então estão fechando clínicas.
Você tem alternativas?
Não sei, vou perguntar ao lado.
Espero que possam me ajudar.
Se não puderem, eu não sei.
Não sei o que fazer, de verdade.
O que eu vou fazer? Não tem nada.
É, é terrível.
E piora com a mensagem de "valorizamos você" na janela.
Podem mudar para: "Valorizamos você, mas não podemos te ajudar
por culpa de um dos piores brancos que a África do Sul já produziu,
o que não é pouca coisa."
Depois das críticas,
o governo anunciou que deram isenções limitadas
para alguns programas vitais.
Mas por causa da confusão para saber quem é elegível,
isso não resultou na volta de programas vitais.
E é isso que eles não entendem em fechar esse tipo de trabalho.
Mesmo que voltem a trabalhar com força total,
que certamente não vão, já vão ter causado um grande estrago.
Por exemplo, a USAID financia coisas como tratamento antirretroviral
que impede que o HIV seja transmitido
para bebês antes, durante ou depois do nascimento.
E como uma funcionária da agência disse, alguns dias após a pausa,
já tinham no mínimo 300 bebês que não teriam HIV
e agora têm.
O que é terrível, já que sem tratamento,
até 30% das crianças com HIV
morrem antes do primeiro ano.
Outra funcionária disse o seguinte: "É o homem mais rico do mundo
tirando coisas das pessoas mais pobres do mundo.
As pessoas vão morrer. Milhares, ou até centenas de milhares."
Mas não se preocupem, a pessoa que tem orgulho
de colocar a agência em um triturador
reconhece que não acerta todas.
Está tudo bem, ele com certeza entende.
Elon e a Casa Branca trabalham como uma motosserra
contra muitas agências, mas vale lembrar
que Musk tem um interesse pessoal no que é cortado e no que não é.
As empresas dele têm 100 contratos com 17 agências estatais.
A SpaceX por si só recebe $22 bilhões do governo.
E as empresas dele são regulamentadas pelas agências sob ataque.
Ao menos 11 agências possuem mais de 32 investigações contínuas,
queixas ou denúncias contra as empresas de Musk.
Mas não se preocupem, a Casa Branca nos garante
de que não precisamos nos preocupar:
Se Elon Musk se encontrar com um conflito de interesses
com os contratos e fundos que a DOGE está supervisando,
Elon vai se retirar do caso.
Que bom saber.
Graças a Deus.
Mas devo dizer, como um professor de políticas públicas mencionou,
"autodeterminar se há um conflito de interesses
já é um conflito de interesses por si só".
O que é verdade, e uma coisa
que não precisamos de um professor para dizer.
Eu poderia ter dito, e não sou professor de políticas públicas,
eu só tenho essa cara.
Tudo isso parece incrivelmente rápido e terrivelmente corrupto.
É difícil resumir como tudo isso é uma sobrecarga.
Sinceramente, o melhor resumo que vi desse momento até agora
não vem do meio acadêmico ou jornalístico, mas desse cara:
Estamos no meio
De uma tomada hostil do Governo
Eu quero falar sobre isso, mas tenho que ir trabalhar
E se perguntarem: "Espere, quem pode parar isso?"
Tinha uma, mas não queriam ela sendo presidente
Agora somos parte de um golpe de um príncipe nigeriano
Que surpresa, acabou que era um homem branco
Eu só quero saber o que diabos fazer
Acho que vou beber.
Excelente.
Totalmente excelente.
Coloquem esse homem e seu moletom rosa
em todas as arenas da NBA, porque esse deve ser o novo hino nacional.
Nenhum canadense em plenas faculdades mentais vaiaria isso.
E não sou o único que ama a música.
Já tem vários remixes na internet, todos muito bons,
e um é o meu favorito:
Estamos no meio
De uma tomada hostil do Governo
Eu quero falar sobre isso, mas tenho que ir trabalhar
E se perguntarem: "Espere, quem pode parar isso?"
Tinha uma, mas não queriam ela sendo presidente
Presidente, presidente
Eu garanto que esse é o hit do verão.
Mas nessa música excelente, ele faz nossa próxima pergunta,
o que diabos nós fazemos?
Alguém vai parar isso?
E vamos começar pelas pessoas de quem menos esperamos,
os deputados Republicanos.
Tecnicamente o que Trump está fazendo é tirar o poder econômico
do Congresso, mas eles não parecem chateados.
Mike Johnson disse que se são agências do Poder Executivo,
o Executivo é o responsável.
Outros, como o senador John Kennedy, ativamente apoiam Trump e Musk
da forma mais nojenta possível:
Eu vou contextualizar para vocês.
Eu gosto de omeletes. Gosto muito.
Eu poderia comer omeletes em todas as refeições.
Eu gosto mais de omeletes do que de sexo.
Na verdade não, mas vocês entendem. Eu gosto de omeletes.
Mas não se fazem omeletes sem quebrar ovos.
Certo... tem tanta coisa para analisar.
Primeiro, nós entendemos que gosta de omeletes
quando falou "eu gosto de omeletes".
Também entendemos quando disse "gosto muito",
e entendemos ainda mais quando falou
"eu poderia comer omeletes em todas as refeições."
São formas muito estranhas de demonstrar sua afinidade
por uma sopa dura de ovos.
Não tinha motivo nenhum para mencionar sexo.
Foi claramente porque queria,
e agora eu estou bravo com você.
Eu não pensava em você fazendo sexo até ter falado isso
em uma audiência do Senado:
"Mal posso esperar para ter seu pau na minha boca."
Sério? É...
É uma ótima oferta, mas como já sabemos,
deve ter meia dúzia de ovos na sua boca,
como vai caber?
Mas sendo justo, não é surpresa
que os republicanos aceitem tão facilmente.
Os Democratas deveriam ser a oposição.
Alguns, como Ocasio-Cortez, deixaram bem claro
que isso tudo é inaceitável.
Outros tentaram mostrar a mesma energia,
mesmo saindo da zona de conforto:
Precisamos...
Eu não xingo muito em público.
Temos que foder com o Trump!
Com licença, não precisamos fazer isso mesmo.
Acho que isso só vai virar lei no terceiro mandato dele.
Mas tenho que dizer que tem um charme em ver alguém que não xinga
decidir que esse é o momento para começar.
Diz muito sobre onde estamos ver uma mulher reservada do Oregon dizer:
"Quer saber? É hora de foder."
Mas infelizmente, os líderes Democratas no Congresso
mostram bem pouca vontade de lutar.
No começo do mandato,
quando um jornalista perguntou a Dick Durbin
quem ia liderar a luta contra Trump,
ele disse: "Não posso responder. Nos deem um tempo, isso é novo."
O problema é que, por definição, não é novo.
A presidência não é nova, esse homem não é novo,
vocês poderiam ter se preparado para tudo isso.
Sabíamos que teria uma eleição em 2024 desde 1789.
Mas talvez o vídeo que melhor resume a liderança Democrata
seja este:
O deputado Hakeem Jeffries
cita um jogador dos Yankees, Aaron Judge,
para dizer que é melhor escolher suas lutas
e focar em uma mensagem claro.
Um motivo para ele ser um ótimo rebatedor é não rebater todas as bolas.
Ele espera a certa, e aí rebate.
Não vamos rebater todas,
vamos rebater as que importam para o povo dos EUA.
Primeiro e menos importante, vai usar mesmo esse exemplo?
Um cara com média de acerto de 18,4% na pós-temporada
em um time que perdeu a final em cinco jogos porque ele defendeu mal?
Quer mesmo usar essa analogia?
"Não fiquem bravos conosco, somos como um jogador de beisebol
no time mais odiado dos EUA
que cagou nas calças na situação de maior pressão possível."
Mas a frase mais importante: "Vamos rebater as que importam"?
Que importam para quem, exatamente?
As pessoas trans, tendo assistência médica negada
e sendo removidas violentamente da existência pública?
Ou as famílias imigrantes aterrorizadas pela Imigração?
Ou os milhares de funcionários públicos assediados para que se demitam?
Diga quem você considera que vale a pena,
porque me parece
que você está para ser eliminado sem rebater nenhuma.
E se o deputado que representa você não está agindo,
acho que ligar para ele tem seu valor.
No mínimo mostra que a falta de ação é percebida.
E se os democratas continuarem parados, a resposta tem que vir nas primárias.
E as bases para isso precisam ser colocadas no lugar logo.
Mas até agora, os melhores freios para isso
estão fora do Legislativo.
Em alguns casos, procuradorias de estados Democratas se juntaram
para abrir processos, e tribunais frearam ou pararam
algumas das políticas mais danosas de Trump.
Até juízes indicados por Trump estão resistindo.
Esta semana o governo anunciou os planos de abrir mão do processo
contra o prefeito de Nova York, Eric Adams.
Dizendo que, sem o processo,
ele poderia ajudar mais a polícia da imigração.
Eles negaram que fosse uma troca de favores,
apesar de parecer muito que era.
Mas muitos promotores federais se negaram a participar.
Vários se demitiram em sinal de protesto,
e um escreveu em uma carta:
"Eu imagino que eventualmente vão encontrar alguém tolo o bastante,
ou covarde o bastante para fazer o que querem.
Mas eu nunca seria essa pessoa.
Considerem essa mensagem como a minha demissão."
E apesar dele tecnicamente não ter escrito
a palavra "vadias" no final,
eu ficaria surpreso se o Clippy não aparecesse para sugerir.
E não é o único momento de coragem até agora.
Um médico em Nova York disse aos pacientes:
"Estou disposto a ser preso para continuar dando
seu tratamento de afirmação de gênero."
E temos cidades como essas que lutaram pelos imigrantes
com respostas coordenadas contra as batidas da Imigração.
Lembram que o czar da fronteira de Trump,
Tomas Homan, levou o Dr. Phil e várias câmeras em uma batida?
Em Chicago, onde ele disse que seria o epicentro
das deportações em massa, essas batidas não tiveram tanto sucesso.
E ele foi aberto com o motivo:
Bem...
As cidades-santuário estão dificultando para prender os bandidos.
Por exemplo, em Chicago, eles estão bem treinados.
Foram treinados em como desafiar a Imigração,
como se esconder deles.
Vimos panfletos de muitas ONGs ensinando a escapar da Imigração,
evitar a prisão, contando o que fazer.
Eles dizem que informam sobre direitos, eu digo que é fuga da prisão.
Tem um mandato para sua prisão e eles dizem como se esconder.
"Não abra a porta, não responda perguntas."
É, são bons conselhos.
Fora que se você precisa que as pessoas não saibam seus direitos
para você fazer seu trabalho, parece que você é parte do problema.
E tirando tudo isso, eu entendo bem
por que não deixariam você entrar em casa.
É um esquisito com cabeça de dedão, tem uma onda terrível,
parece e soa como J.K. Simmons se engasgando em uma bola de gude,
e eu torço pela bola de gude.
Olhem, os próximos quatro anos vão ser uma merda.
O potencial de dor é devastador,
como a quantidade de dor que já foi gerada.
Esses homens ricos e poderosos usam as ferramentas do governo
para tirar proveito pessoal e para suas vinganças pessoais.
E estamos sendo governados por gente que acha que um bom governo
corta os fundos para todo mundo que não sejam eles mesmos,
proíbe de mencionar pessoas diferentes deles
e, que se dane, por que não roubar o Canadá?
Enquanto isso, muitos que elegemos para ser a resistência
parecem estar sentados esperando a hora certa.
Isso é maluquice, é assustador e terrivelmente absurdo.
É pior do que pensamos, e pensamos muito nisso.
Falando de forma branda, as coisas não estão boas.
Mas a derrota é uma profecia autocumprida.
Reviramos os olhos para "resistências" no primeiro mandato Trump,
algumas foram mesmo irritantes, algumas também me irritam.
Por favor, mande sua tia parar de chamá-lo de Drumpf.
Mas parte dessa energia fez diferença.
Lembram dos primeiros protestos nos aeroportos,
contra a proibição de viagens que o Trump propôs?
Um ex-promotor escreveu que ter visto esses protestos
ajudou a eles e outros que lutavam no Departamento de Justiça
para restringir ou limitar o decreto.
Dizendo: "A indignação pública nos deu coragem e o conhecimento
de que estávamos trabalhando pelo interesse público,
e a defesa externa tornou a defesa interna possível."
Para os funcionários públicos que estão sofrendo agora,
o apoio e a solidariedade importam muito.
A questão é que não está na hora
de falar: "Vocês votaram nisso, seus babacas",
e dar as costas.
Ainda mais quando tem muita gente fazendo trabalhos importantes
que precisam de ajuda e apoio.
O que vem à frente vai ser cansativo.
E para superar, precisamos encontrar o equilíbrio
entre reconhecer o inferno que vivemos e a alegria para nos sustentar.
E às vezes, com sorte, encontramos os dois no mesmo lugar,
com a música mais grudenta da história:
Estamos no meio
De uma tomada hostil do Governo
Estamos mesmo. É a verdade.
E agora, isso:
E agora, novamente, nomes melhores para os cães
na competição canina de Westminster deste ano.
Boteco.
Camarões.
O pervertido.
Steven.
Chilaquiles.
Arroto.
O Sonhador que mora no Sonho.
Sabrina Carpenter.
Violência.
Após a Tomada de Poder do Talibã Em 2021 a Produção de Ópio Diminuiu
em Mais de Noventa Por Cento.
Espiga de milho.
Cannabis Connery.
Paul Rudd.
E Luigi Mangione.
E AGORA
Este foi nosso programa. Muito obrigado pela audiência.
Nos vemos na semana que vem. Boa noite.
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