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Original subtitles

- Art Subs - 15 anos fazendo Arte para você!

Legenda - JuLima -

"NO MAR ESTAMOS TODOS À MESMA DISTÂNCIA DE DEUS,

A DISTÂNCIA DE UM BRAÇO. AQUELE QUE TE SALVA."

NÁUFRAGO RUSSO SALVO POR UM COMANDANTE UCRANIANO

(PACÍFICO SUL, MARÇO DE 2023)

VOA, LORENZO

Está doendo?

O fascismo é dor, Todaro. Alegre-se.

Tome um frasco disto, quando a dor estiver intensa.

- Obrigado. - Às suas ordens.

"Alegre-se."

Bichona, pervertido, sifilítico.

A única dor que ele conhece

é a que sua esposa o faz sentir.

Quando dá palmadas nele à noite.

Salvatore.

Sua deficiência é uma bênção.

Até você falando essa palavra odiosa?

Eu gosto de você inválido.

O que posso fazer?

Aposentado.

Mais morto do que vivo.

Ainda assim, vivo...

Isso é lindo.

Prisioneiro meu e dos meus cuidados.

Vou levá-lo para Montenero.

No meio da costa onde se vê o mar.

Cultivaremos a terra, criaremos animais.

Inclusive abelhas para termos mel.

Nosso filho é frágil.

Ele poderá crescer com ar puro,

longe da guerra, e ninguém o machucará.

E sempre teremos o que comer.

Porque nós mesmos cultivaremos os alimentos.

Durante o inverno farei uma sopa quente para você.

E todas as noites dormiremos cedo

porque estaremos cansados.

Podemos viver bem, Salvatore.

Sossegados.

Felizes.

Rina quer que eu aceite a remuneração mínima.

A aposentadoria por invalidez.

O que você vê?

Minha pequena Rina,

É algo que deve ser cumprido.

Uma sensação completa.

Um estado imóvel.

LA SPEZIA, ARSENAL DA MARINHA REAL,

29 DE SETEMBRO DE 1940

Esse vento, eu sei para onde

Ele os soprará para a morte.

Há no meu coração

Um desejo que nunca me deixa

Minha vida estremece

Eu esqueço o mundo

Te queria por uma hora a mais

Eu que não sei

Para te dizer

O que você é para mim

Te queria por uma hora a mais

Para te dizer

E nesta hora eu daria

A minha vida por você

Agrupar!

Nunca se sabe.

Nunca se sabe.

Nunca se sabe.

Alguns covardes, irresponsáveis e metidos

acham que os submarinistas não combatem de fato.

Besteira!

Grande besteira! Besteira extrema!

- Comandante. - Qual o seu nome?

Efisio Careddu, o eletricista, Comandante.

Às suas ordens.

Você ficará em terra.

Como podem ver, somos os últimos a partir.

Os alemães atacam em bandos, nós não.

Nós somos italianos.

E estamos sozinhos.

O rei, com toda a sua majestade, não está aqui.

O Duce não está aqui para liderar vocês.

Eu estou.

Nem a mãezinha de vocês está aqui.

o Marcon está.

E quem começar a chorar, eu jogarei no mar.

Meu Gigino é cozinheiro.

Vai morrer para alimentar

Ainda tenho a seiva dele em mim

Agora, eu realmente

Este barco é excelente.

Olhem para ele.

Toquem-no, ouçam-no.

Nos momentos de desespero, ele lhes dirá o que fazer.

Nossa trincheira é invisível.

E o inimigo está longe,

protegido por camadas de água

e de aço, por milhares de milímetros de artilharia,

por uma tecnologia letal

que nossos poetas só podem imaginar

atrás de suas mesas embutidas.

Mas ele está lá...

em algum lugar, com o coração batendo,

exaltado pela coragem de sua filosofia britânica

e cheio de medo.

Assim como nós.

Não finjam que não estão com medo.

Não odeiem o medo.

Amem-no.

- Fodam-no! - Sim, senhor!

Prontos para zarpar.

Eu corri atrás dele,

Nunzia e Angelina

mas não nos cumprimentamos.

Estávamos presas

que eram iguais, com certeza,

E ficamos em silêncio,

com o vento soprando

Nunca se sabe.

Nossos pensamentos acariciaram

Esses rapazes

muito nervosos

Eu sei que esses rapazes,

com a pele lisa

deveriam mergulhar

Mas ao invés disso,

Eu sei que eles não voltarão.

Eles têm mães,

Elas deveriam estar aqui,

desaparecer dentro da barriga

Elas deveriam vê-los rindo

Mas elas não estão aqui.

Só nós estamos aqui.

Há também as pessoas virtuosas

mas essas já estão dormindo

E então sobra para nós

Por quê?

Não precisamos ser videntes

E se voltarem dessa missão,

Ou se voltarem da próxima,

Não precisamos ser videntes

quando os cálculos

descobriremos que quase todos

Então cobriremos nossa boca

Quanto desperdício de vida

Emboscada?

E você achou que eles nos deram

um submarino para dar um passeio na lagoa?

Ao chegarmos no local, tudo que navegar,

não importa se estiver armado de canhão ou zarabatana,

nós afundaremos.

Oceano Atlântico,

prepare-se, cague-se todo!

Você tinha que chamar justo eu para essa missão?

Sim, você e eu em guerra contra todos.

Entendi:

eu e você em guerra.

Mas para chegar ao Atlântico, você precisa passar por Gibraltar.

Gibraltar é um monstro assustador.

Este barco já esteve em Gibraltar.

Em junho, assim que entramos na guerra.

Com o Capitão Cristiano Masi.

Por que ele não chegou em BETASOM?

Por que voltou para trás?

Porque ele foi repelido.

- Exatamente. - Sim, mas foi a nossa sorte.

Ele foi repelido pela frota inglesa,

refugiou-se em Ceuta.

Fingiu que o leme estava quebrado.

Os espanhóis o hospedaram por nove dias no porto

e ele estudou as movimentações dos ingleses.

Pode ser.

Mas eu te digo que o Estreito de Gibraltar

já é um problema por causa das correntes,

será pior com os ingleses atirando em nós.

Aqui, veja isso.

É apertado...

mas tem espaço.

É como um cu de galinha.

Então, vamos arrombar a galinha ou somos otários?

Responda, somos otários?

Com o barco mais furioso da frota

com o marinheiro mais obstinado

e mais letal da Marinha Real Italiana,

nós somos otários?

- E aí? - Não.

Eu e você já morremos uma vez, Marcon.

Somos otários de morrer duas vezes?

- Não. - Somos otários?

- Não somos. - Não ouvi, somos otários?

- Nós não somos - Não ouvi! Somos otários?

- Não somos otários! - Marinheiros

Há uma questão a ser resolvida aqui.

Estávamos nos perguntando:

ou não somos otários?"

Não, não somos otários!

- Não somos otários! - Não somos otários!

Isso mesmo.

O ofício do marinheiro

O ofício do marinheiro

Hoje será lebre-do-mar alho e óleo?

Idiota!

- O que está ouvindo? - O quê?

- O que você está ouvindo? - Aqui, ouça.

Vejam só. Rádio Andorra.

Se o Duce pudesse nos ouvir.

Ele finge que não, mas adora a Rádio Andorra.

E já que o ofício do marinheiro

cá estamos,

com 73 metros de comprimento

Armado com dois canhões

e duas metralhadoras gêmeas

quatro tubos de torpedo de 533mm

e um implemento

de 12 torpedos de 533mm,

e 3 mil projéteis

Sei que me consideram

da Marinha Real Italiana.

Um asceta, um faquir.

Talvez até um vidente.

Eu sei que caí

e agora tenho

O espírito grego falou comigo

Ele protege e governa

Minha vitória é a batalha.

Caralho, filho de uma puta.

Anda logo! Aonde pensa que vai?

- Imbecil, estou na frente. - Quem disse?

É por ordem alfabética!

Meu nome é Bicienzo, com "B".

- Estou logo atrás do Alfredo. - Volte já para o fim!

- Vai se foder, filho da puta! - Querem se acalmar? Porra!

Rapazes! O chuveiro quebrou.

Não!

Está olhando pro meu pau?

- Bono, eu sou filho de Deus! - Vá tomar um banho.

Pare antes de enlouquecer meu cachorro.

- Está fazendo macarrão e batata? - Sim. Não está vendo?

O que é esse negócio laranja?

Calado, é o ingrediente secreto,

assim fica mais adocicado.

Você nunca faz polvo à Luciana? É que eu adoro.

Se você mergulhar e trouxer o polvo, eu faço.

Eu não mergulho mais.

Não mergulho mais.

- Não mergulha mais? - Não.

Mas e aqui dentro?

Você está mergulhado aqui, não dá no mesmo?

Essa pergunta é muito difícil, Gigi.

- Raimondi? Passe o sal. - Sim.

Gigino, você conhece todos os pratos da sua terra?

Não, senhor.

Eu conheço todas as receitas de todos os pratos

de todos os cantos da Itália.

Ótimo.

Chegará um momento em que não poderá cozinhar

tantas coisas gostosas.

Então, quando eu ordenar, você vai narrar os pratos,

sempre, continuamente, como uma oração.

Sim, senhor.

- Prossiga. - Ao seu comando.

A alteração do uso do horário de verão

continuará após 12 de outubro.

Pode falar, Piras. Câmbio.

Tenho um recado

Comandante, o senhor está aí?

Uma mensagem para o senhor, Comandante.

Estou aqui. Câmbio.

É uma mensagem pessoal,

do meu primo, Efisio Careddu,

Três dias após a partida,

e operado de urgência

Se ele tivesse partido,

Careddu gostaria de expressar

por ter percebido

salvando, assim, a sua vida.

Não só a dele,

incluindo, se me permite,

- Obrigado. - Comandante.

Comandante.

Os marinheiros

Eles até o desenharam

Não fico bravo,

Mas eu realmente vejo coisas.

ESTREITO DE GIBRALTAR 5 DE OUTUBRO DE 1940

Eu vejo o inimigo

e o recebo

Outra coisa que vejo

Mas enquanto durmo,

eles nunca me pegarão

Várias bombas de profundidade de destroieres ingleses.

Temos uma passagem de 20 metros com profundidade de 70 metros.

Abaixe o periscópio e desça até 80 metros.

Cinco graus abaixo.

É como um cu de galinha!

Temos que explodi-los em nossas cabeças.

- Eles nos atingiram? - Não, foi a onda de choque.

Explodiu sobre nós.

Está nos empurrando para o fundo, estabilize imediatamente.

Se descermos mais, ficaremos lá.

O sistema elétrico foi destruído.

O dióxido de carbono está aumentando.

- Leme à boreste! - Leme à boreste!

- Leme para cima. - Leme para cima!

- Leme preso na descida. - Motores à meio vapor.

Oxigênio aumentando.

Oxigênio expelido está quase acabando.

Estamos abaixo dos 100 metros e descendo.

- Ácido sulfúrico das baterias! - Máscaras.

Selem! Selem logo!

Um travesseiro. Isole o vazamento.

Mais de 120 metros de profundidade.

Temos que subir antes de implodirmos.

Minha querida Rina,

para aqueles que reclamam

te autorizo a dar-lhes um olho roxo,

Esses garotos aqui têm

e ainda assim não reclamam.

Eles transformam sua fraqueza

Cheios de tensão como estão

eles poderiam perfurar o casco

Eles estão prontos.

E indefesos.

Fusíveis substituídos.

Solte nos tanques o oxigênio que sobrou.

- Leme para cima. - Leme para cima.

Está se movendo. Cento e dez.

Minniti, o que temos em cima?

Parece livre.

Cem.

Cabos de ancoragem para minas.

Estamos presos.

- Nem pense nisso. - Prepare a escotilha de escape.

Nem pense nisso.

É tarefa minha.

Com o cilindro de mergulho a 20 metros,

a vida é um flash.

É tomar no cu bem rápido.

Com licença, Comandante.

Imediato, o que está fazendo?

Aonde está indo?

Quer acabar como os ratos?

No máximo você já mergulhou em uma lagoa.

Viu um caranguejo-aranha e confundiu com uma vulva.

Vicenzo Stumpo, pescador de corais de Torre del Greco

mergulhará a 20 metros de profundidade.

Me passe o alicate.

A lanterna também.

Estou pronto.

Inunde a escotilha.

Inunde a escotilha.

Com o cilindro de mergulho

tenho uns 6 minutos

O que você me diz, pai?

Eu vou conseguir?

Quantos bichinhos pequenos.

O plâncton é o esperma do mar.

Tenho que admitir

Muito bonito.

Talvez eu devesse

Estou sozinho,

Tenho 20 anos

eu poderia me apaixonar

Eu viria encontrá-la

mas o que faria

Nossa Senhora, virgem e mãe,

afie essa lâmina

Santo Vincenzo Romano,

você me deu seu nome,

Jesus, não chore mais,

Eu só preciso cortar isso.

- O que foi? Ele não consegue? - Ele vai conseguir.

Pai Eterno,

Seja com as mãos, com as unhas,

com qualquer coisa,

Pai, o que você está

Estou morrendo...

Foda-se,

Espere um pouco.

Se eu morrer agora,

- Profundidade? - Vinte e cinco metros.

Mova os motores lentamente.

Honra e memória eterna

ao marinheiro de máquinas Vincenzo Stumpo.

O barco está livre agora.

Ele retorna lentamente

Eu vou ficar aqui

Talvez uma sereia

Vão vocês, podem ir.

Eu estou morto mesmo.

Que diferença faz para mim?

Comandante, o canhão de popa está avariado.

- Prossiga com o reparo! - Às suas ordens!

Mulargia, você não gosta de ar fresco?

O ar fresco fede.

Como se chama essa técnica de fumar?

A fogu aintru.

A fogu aintru?

"Com o fogo dentro". Assim o inimigo não vê você.

Coloque um pouco de música.

Diga ao cozinheiro para fazer nhoque!

Sim, senhor!

Nhoque.

Com semolina ou com água e farinha?

Como preferir.

Ondas negras

Das orgulhosas torres

Silenciosamente e invisíveis

Corações e motores dos invasores

As baterias foram reparadas, não há mais vazamentos.

Mas alguns parafusos se soltaram e os geradores não estão carregando.

- Quanto tempo? - Uma hora.

Não temos uma hora, Stiepovich.

Acerte e enterre

É assim que vive

Nas profundezas

- Posto de combate! - Vamos, vamos! Mexam-se!

- Mulargia, derrube-o! - Munição, rápido!

- Preparar! Fogo! - Chupa essa!

Toma essa! Imbecil do caralho!

Você gosta disso?

Vai, Mulargia!

Posso não ter autoridade para conceder uma medalha

ao bravo artilheiro Mullargia, mas...

Pretendo condecorá-lo de alguma forma.

De agora em diante

pode se dirigir a mim sem formalidade.

Você pode falar comigo

me tratando por "você".

"Comandante."

- Oh, vejam só? Ótimo. - Nhoque!

- Vamos lá! - Onde estão os pratos?

- Grande Gigino! - Vamos.

- Aqui. - Obrigado.

- Tem parmesão? - Não muito.

- Vamos almoçar! - Passe os pratos.

- Aqui. - Me dê o prato.

- Pratos, pessoal. - Pegue, vamos.

Passe para trás. Obrigado.

Passe o prato. Quem falta... todos pegaram.

- Primeiro prato. - Todos pegaram.

Vai.

Você fez bastante, Gigino.

E então bom apetite!

Bom apetite!

Tem cão que caça trufas e esse caça nhoque.

Minha querida Rina,

que não basta esconder-se

Está tudo quieto

De dia navegamos debaixo d'água,

muito longe do objetivo

que é chamada de "emboscada".

A água potável é escassa.

Panquecas.

Nhoque agora

Pão de ló.

Biscoito Amaretti.

Marzipã.

Biscoito língua de gato.

Torta mantovana. Torta ricciolina.

Torta dos sete potinhos.

O bolo de nozes, de arroz e de ricota.

Torta de abóbora.

Pão casatiello e pão de linguiça.

Torta caprese.

Torta milanesa.

Torta de amêndoas com chocolate.

Bola de Berlim, strudel, roccocò napolitano.

Biscoitos de todo tipo,

pastiera di Grano, cassata siciliana,

cassatina de Pozzuoli, pinolata, merengue.

Esta é a Itália unida, Rina.

Aqui, um toscano e um siciliano

São habitantes

e distantes em língua,

E ainda assim neste caldeirão

pequenos artefatos

crenças pagãs obtusas,

a revolução igualitária cristã

e as relíquias antigas

É o nosso tesouro.

- Ei, Poma? - Sim.

O que está fazendo, rezando?

- Você é muito religioso? - Sou.

Eu também sou.

Quero te mostrar uma coisa, venha ver.

Veja o crucifixo que fiz para mim.

Você pode beijá-lo.

Que porra é essa?

- Você é idiota? - Você é um canalha, Leandri.

Você é um bosta.

Não blasfeme contra o Senhor, não ouse!

Pare!

Nada mais se sustenta neste submarino!

Eu estava brincando.

- Não foi nada de mais! - Ele tem razão.

Como eu ia saber que ele é um fanático religioso?

E fale italiano comigo, não dialeto.

Era só dizer: "Sou um fanático religioso"

e eu não te mostraria nada.

- Acalmem-se! - Jogue isso fora, entendeu?

Não vou jogar nada. É de prata. Acalmem-se a todos.

Vamos, tire isso. Tire logo.

Posso tirar, mas não vou jogar fora!

Meu Deus! Deus, você precisa nos perdoar!

Que besteira estamos fazendo!

Você tem que nos perdoar.

Ai, quebrei minha mão.

Este bordel, lindo e podre

é a Itália.

Rina querida,

e passe esse orgulho

E seja paciente quando eu não puder

Nós só ligamos o rádio

Minhas costas doem,

mas não toco na morfina,

Como eu gostaria disso.

Pratico yoga

porque sinto falta de Sottomarina

que não come para dar de comer

E assim curo a dor da distância

Chamo o Marcon e peço

O mel da língua materna

Não sinto mais a distância,

Fique aqui...

e me acorde em uma hora.

Uma hora é pouco, Salvatore.

Eu disse uma hora...

É uma ordem.

OCEANO ATLÂNTICO 15 DE OUTUBRO DE 1940

Onze horas, Comandante. Está vendo?

Um cargueiro de umas dez mil toneladas.

Muito bem, Morandi.

Está com as luzes apagadas.

Tem um canhão na proa.

- Ouçam. - Não dá para ver.

- Não dá para ver qual é a bandeira. - Não, Comandante.

É um barco que tem um canhão.

Navegando com luzes apagadas numa zona de guerra. Afunde-o.

- Vamos imergir? - Não. Posto de combate.

- Posto de combate! - Leme dez graus para a esquerda!

- Potência máxima dos motores. - Potência máxima dos motores!

- Içar metralhadora! - Segure o arco!

Içar metralhadora!

- Abre! - Desbloqueada!

- Pronto? - Está engatilhado!

Tore, por que não descemos e afundamos com os torpedos?

Esses supositórios nunca acham o cu.

Ficaremos aqui em cima.

Poma está com a mão quebrada, não consegue atirar.

- Abaixe a mira, mil metros! - Rápido!

- Fogo! - Fogo!

Mais perto!

Poma!

Poma!

Afaste-se!

- Rápido! - Vamos!

Dois graus para a esquerda!

Vamos, dois graus para a esquerda!

Um grau para cima!

Fogo!

Mil metros! Espere, calma, segure o tiro!

- Fechado! - Está engatilhado!

- Vai! Vai! Vai! - Fogo!

Comandante!

- Comandante! - Deixa comigo, pode deixar!

Canhão inimigo fora de combate!

Chame três rapazes e o levem para dentro.

Não!

Eu vi a perna, Comandante. Deixe-me ficar aqui.

Quero ver o inimigo afundar.

Lesen, pare no curso 0-9-0 e lance torpedo de 533mm.

Parar no curso 0-9-0 e lançar torpedo de 533mm.

Você estava certo, Comandante.

Este barco é excelente.

É uma bela máquina!

E esta é uma guerra feita de máquinas.

E a paz, será uma paz feita de máquinas.

Um dia as máquinas também pensarão.

Elas raciocinarão.

E serão melhores que os homens.

Um, dois, três, quatro,

cinco, seis, sete.

Erramos o alvo. Tiro no escuro.

- Repetir aumentando 30 graus? - Não. Esqueça.

- Mulargia? - Sim, senhor!

- Continue a manobra de giro. - Manobra de giro.

- Afunde-o. - Sim, senhor!

Eles são belgas, Comandante.

Sim, e deveriam ser neutros.

Vou falar isso quando encontrá-los.

Alerta máximo para quaisquer ameaças aéreas.

Dois homens ao mar!

Estão se aproximando pela esquerda, Comandante!

Mais três na direção da proa!

O que faremos, Comandante?

Tore, os nazistas os deixam no mar.

O que nós faremos?

Nós os rebocaremos.

Mancini, jogue a corda!

- Nucifero, a escada! - Sim, senhor.

Você fala francês?

Eu falo italiano.

Identifique-se.

Terceiro oficial Jacques Reclercq.

E como se chamava o navio mercante?

Kabalo, sob a bandeira belga. Neutro na guerra.

E por que atiraram em nós?

Você também fala italiano?

Neerlandês.

Quantos barcos colocaram no mar?

Dois.

Você sabe que não posso levá-los a bordo?

Dê-lhes itens básicos.

Tragam água, comida e cobertores. Mexam-se!

Vocês têm bússola e quadrante?

- Sim. - Deixarei água e comida para vocês.

Estamos a 31°80' Norte e 31°30' Oeste.

Para onde querem ir?

Ilha da Madeira.

Mantenha o curso.

Coloquem no bote salva-vidas.

Vamos! Rápido!

Ajudem-no.

Jacques!

Desçam-no.

Soltar!

Todos os suprimentos ficarão aqui com o Marcel.

Submarinistas não ganham uma lápide,

nem cruzes feitas à mão.

Ao submarinista Danilo Stiepovich

Tenente naval, italiano, que morreu como herói,

nós oferecemos nossas lágrimas silenciosas

e uma cruz de coral.

O mesmo coral que outro herói gostava de pescar,

o marinheiro de máquinas Vincenzo Stumpo,

pescador de corais de Torre del Greco,

de quem também nos despedimos com emoção.

Sentido!

Quando eu era criança em Charleroi,

Havia um leiteiro que tinha uma filha

com dois peitões enormes!

Meu primo me disse que era dela que saia o leite que o pai vendia.

E eu acreditei nele!

Reclercq,

pare de contar histórias.

Em breve estaremos mortos.

Esta é nossa única certeza.

Acabou, Jacques.

Acabou.

Bata sua última punheta pensando na filha do leiteiro

e depois descanse em paz.

Tenente Reclercq, por favor, traduza para seus compatriotas.

Os náufragos do segundo barco foram salvos

por um navio a vapor de bandeira panamenha.

Não há outros navios na área!

Prenda bem o bote salva-vidas nas cordas.

Iremos rebocá-los até Santa Maria, nos Açores.

Aguentem firme e tudo ficará bem!

Obrigado.

Os ingleses desapareceram.

No porto, antes de zarparmos, ouvi dizer

que iremos para a guerra ao lado deles.

Espero que sim, caso contrário,

por que transportávamos seus armamentos?

Todavia, rapidinho decidiram que não valemos nada para eles.

Não foram os ingleses que nos ferraram

foram os fascistas.

Os porcos fascistas!

Eles são todos iguais.

Ouçam com atenção.

Eu sei, muitos de vocês não estão preparados para isso.

Não há problema em atirar na superfície,

arriscar sua vida contra o inimigo.

Nos alistamos com essa ideia de sacrifício.

Mas nos expormos a um ataque aéreo

para salvar estranhos

que sob o pretexto da neutralidade

talvez transportassem armas para os ingleses?

Por quê?

Não se trata

mas também

e nos impelirmos ao limite

para levá-los

Tenente Reclercq, traduza.

Todos devem estar conscientes.

Estamos a 300 milhas de distância

que é o porto seguro mais próximo

Por causa do excesso de peso

não podemos manter a velocidade

Então teremos que conviver

nessa situação por cerca de 48 horas.

Serei muito claro com vocês.

Ao embarcar os náufragos do Kabalo,

estou quebrando as regras que me foram dadas.

Estou ciente disso e assumo total responsabilidade.

Se ao retornarmos,

minhas decisões não forem aprovadas

eles que me tirem do comando.

Mas aqui, agora, minha decisão está tomada e é irrevogável.

Nós afundamos o barco do inimigo, sem piedade e sem medo.

Mas salvamos as pessoas.

Se conseguir se mover

distribua um pouco de conhaque

Leve para o negro, aquele com a cara queimada.

Pode ir.

Os três feridos permanecerão

onde já se encontram.

Três de nós iremos ajudá-los.

Compartilharei minha cabine

O Capitão Fraternale fará o mesmo

Alguns poderão

na sala de controle.

Três, ainda mais apertados, no banheiro.

Cinco na cozinha, de pé, claro.

Mas todos os outros

terão que ficar na torre,

porque não há outro lugar.

Esse lugar é horrível, enche de água,

mesmo navegando na superfície, mas não há outro jeito.

Com a ajuda do Comandante Vogels,

faremos rodízio de três horas em três horas

para equilibrar esse sacrifício.

Deixo claro a todos que no caso de um ataque inimigo

o barco terá que submergir para proteger a tripulação.

Caso ocorra tal situação,

não haverá chance de salvação para os que estão na torre.

As palavras com as quais

desejo encerrar este comunicado não são minhas,

mas do imperador japonês Mutsuhito.

Ele disse isso no início da Guerra Russo-Japonesa de 1904.

"Que a vida continue normalmente.

E que cada um faça o que tem que fazer."

Isso é tudo.

Os japoneses venceram essa guerra.

Vocês ouviram o Comandante? Temos o que fazer!

Seu pé está podre.

Selvagem, vá se lavar!

Espero que você não se ofenda.

E principalmente, que sirvam.

Eu notei, quando você subiu, que estava descalço.

- Obrigado, mas não são seus? - Eu tenho mais.

- Muito obrigado, Comandante. - Por nada.

Você fala outras línguas além do italiano?

Português

inglês, francês,

latim e grego antigo.

- Cigarro? - Não, obrigado. Eu não fumo.

Seus pais devem estar orgulhosos de você.

Bastante.

- Eles não gostam do que faço. - E você gosta?

- Agora, sim. - É isso que importa.

Sim, Comandante.

O senhor fala outras línguas?

Francês

e alemão por necessidade.

Malditos porcos fascistas.

Idiotas degenerados!

O que faremos?

Venha.

Estou indo, Marcel.

Ali.

Que porra estão fazendo? Desgraçados!

Seus imbecis, o que estão fazendo?

O que houve, Comandante?

Canhões não me assustam.

Mas quando falta energia, eu fico com medo.

Comandante! Às armas!

Eles fizeram algo sério?

Arrebentaram todos os fios.

Corto a garganta dele ou atiro ao mar, Comandante?

Fascista.

O que você disse? "Fascista?"

Eu sou um homem do mar!

Cada um de vocês, italiano ou belga,

dará um tapa nessas vergonhas de homens

que colocaram nossas vidas em risco.

Não vamos matá-los, nem jogá-los ao mar.

Nós vamos esbofeteá-los.

Você começa.

Duas vezes eles vieram em nosso socorro.

Duas vezes!

Duas vezes!

Duas vezes!

Rina, meu amor...

Eu aliviei para eles

Depois de Stumpo

eu não tinha vontade

Impus sobre eles

Tantos tapas que,

acharão doce a lembrança

Você não escreveu tudo.

Faça o certo e esqueça.

Acorde, Tore.

Temos que mergulhar.

Se mergulharmos, os que estão na torre

se afogarão como ratos.

E se não mergulharmos, os ingleses...

vão nos afundar.

Eu não te reconheço.

Estamos em guerra.

Mas ainda somos humanos.

Ali.

São ingleses.

Temos que mergulhar.

Reduza para três nós.

Pelo amor de Deus, vamos mergulhar!

Não, vamos esperar. Mantenha o curso.

O que estamos esperando?

Entrar na linha de tiro deles?

Que os ingleses coloquem uma bomba na nossa barriga?

Vamos nos livrar dessas pessoas, Tore.

Eles tentaram sabotar o navio.

Nós os salvamos e eles queriam nos matar.

Não. Eles vão nos deixar passar.

Eles já estão atirando em nós!

Atiram porque não sabem quem somos.

- Agora eles vão saber. - Você está louco!

Em cinco minutos seremos atingidos! Em cinco minutos nos afundarão!

Eles vão nos deixar passar.

Mas o que está dizendo?

Estão usando canhões contra nós, não está ouvindo?

- Estamos em guerra, Tore! - Estamos no mar.

Me dê isto.

Comandante Salvatore Todaro do submarino Cappellini.

Marinha Real Italiana.

O que está fazendo, falando com eles em italiano?

Deixe-o falar, pelo menos ele fala inglês.

Eles entendem muito bem.

Nunca se sabe.

Nós estamos transportando os 26 sobreviventes do navio Kabalo

que afundamos há três dias

na posição 31°80' Norte e 31°36' Oeste.

Solicitamos passagem livre para desembarcá-los em porto seguro.

Ele diz que não pode mergulhar

porque há náufragos na torre.

Ele pede um cessar-fogo imediato

e doze horas para desembarcar os resgatados

no porto neutro da Ilha de Santa Maria,

para depois voltar para o mar.

Eu cuidarei disso, Comandante.

- O que está fazendo, Mulargia? - Eu entendo, só quero ajudar!

Vou esfaqueá-los e não sofrerão, pelo menos nós sobreviveremos.

O senhor, que tem família, sobreviverá.

Mulargia!

Eu condecorei você. Não me chame de "senhor".

Cessar fogo.

Minha querida Rina,

pois há um heroísmo selvagem

e há mais um,

O marinheiro que vence

como quando ele se curva

Hoje, nós e nossos inimigos,

nos salvamos.

- Nunca comeu isso, né? - Não.

É muito simples, coloque um pouco de óleo na frigideira.

Alho. Depois coloca alcaparras, azeitonas

Gigino?

- Não sobrou quase nada? - Não muito, Comandante.

Reclercq, que delícias vocês comem lá na Bélgica?

Batatas fritas.

Eu quis dizer, coisas boas, o que comem?

Qual é o prato nacional?

Nosso prato nacional são as batatas fritas.

Mas fritas como?

Fritas.

Fritas. Na panela.

- Você ouviu isso? - Sim, senhor.

- Você já conhecia? - Não, nunca ouvi falar.

Tem certeza?

Conheço batata assada, recheada, ensopada,

assada na grelha, à lionesa, com casca, mas frita...

Juro pela minha mãe que nunca ouvi falar.

São gostosas?

Gostosas? São fantásticas.

- E onde aprenderam isso? - Nós fizemos. Nós inventamos.

- Você acha que é possível? - Me parece estranho.

- O quê? - É estranho que nós, napolitanos,

que fritamos tudo, não pensamos nisso.

Sobrou um pouco de banha para fritar?

- Sim, senhor. - Mostre para eles.

- É só banha! - Mostre para eles.

Raimondi

- Aqui está. - Temos isso aqui. Serve?

Certo. Isso é banha de porco e nós fritamos em banha de boi.

Sinto muito.

- Mas pode ser. - Pode ser?

Bem, você vai ensinar nosso cozinheiro

como fazer batatas fritas à moda belga.

Certo, é fácil. Vou mostrar. Me dê uma faca e uma batata.

Raimondi, batata e faca para o cavalheiro.

- Entre. - Obrigado.

Mas isto não corta.

Posso usá-la?

- Sim, pode cortar. - Obrigado.

Ele está cortando.

Está cortando.

Comandante, mas até agora...

Ele sabe fazer melhor.

- Está mostrando como cortar. - Sim.

- Batatas fritas. - Batatas fritas.

Lá vamos nós

- É gostoso. - Batatas fritas.

- Você se superou. - São gostosas.

- Uma delícia. - É mesmo.

- Muito bom. - Bom mesmo.

- Muito bem, Gigino. - Por essa, eu não esperava.

Parabéns, Gigino.

- Muito bom. - Muito bom. Parabéns!

Raimondi.

Leve para aqueles coitados na torre. Vai.

Gigino, pode tocar uma música para nós?

- Uma música! - Comandante.

- O senhor permite? - À vontade.

Vai, Gigi.

Tenha certeza deste amor

Como eu tenho certeza de você

Oh vida

Oh vida minha

Oh coração deste coração

Você foi o primeiro amor

O primeiro e o último

Oh vida, oh vida minha

Oh coração deste coração

Você foi o primeiro amor

O primeiro e o último

Muito bem, Gigino!

Gigino, Gigino, Gigino!

Bravo!

Muito bem, Gigino!

- Tore. - Vou repousar um pouco.

- Acorde-me em meia hora. - Preciso te contar algo...

- Daqui a uma hora, vá... - Chegou mensagem da sua esposa.

Será uma menina, Vittorio.

Vou chamá-la de Marina.

Eu não vou conhecê-la.

E você cuidará dela.

- Você tem filhos, Reclercq? - Não, não tenho filhos.

Tenha então. Tenha muitos.

Não sei como agradecê-lo.

- Há uma maneira. - Diga-me.

O que está escrito aqui?

- Sabe de qual texto vem? - Não.

Poderia ser da 'Ilíada'.

O que diz?

É uma genealogia, há muitas na 'Ilíada'.

Você poderia traduzir para mim?

Diz: "Foi lá que viveu Sísifo, que foi o mais ardiloso dos homens

Sísifo, filho de Éolo. Foi ele que gerou um filho, Glauco;

e Glauco gerou o irrepreensível Belerofonte."

Só isso?

Só isso.

VILA DO PORTO, SANTA MARIA, AÇORES,

19 DE OUTUBRO DE 1940

Estávamos transportando aviões ingleses.

Claro.

Continue.

Sabia que no seu lugar eu teria deixado vocês no mar?

Assim é a guerra.

Por que vocês nos salvaram?

Porque somos italianos.

Eu tenho quatro filhos. Me diga seu nome

para que meus filhos orem por aquele que salvou seu pai.

Diga-lhes para rezarem pelo tio Salvatore.

Salvatore. Obrigado.

Estamos prontos para zarpar,

Estou novamente pronto

para acertar e afundar

que cruzarem o meu caminho

invencível,

invulnerável,

quando eu salvar suas vidas.

Amém.

Sempre foi assim no mar.

E assim sempre será.

E aqueles

serão amaldiçoados.

SETE DIAS APÓS O NAUFRÁGIO DO KABALO,

A BÉLGICA ABANDONOU A NEUTRALIDADE

E ENTROU NA GUERRA AO LADO DA INGLATERRA.

SALVATORE TODARO MORREU DOIS ANOS DEPOIS,

EM 14 DE DEZEMBRO DE 1942

ATINGIDO POR TIROS DE METRALHADORA DE UM AVIÃO DE CAÇA BRITÂNICO

NA COSTA DAS ILHAS GALITE, NA TUNÍSIA.

MORREU DORMINDO, COMO ELE HAVIA PREVISTO.

TODA A TRIPULAÇÃO DO KABALO

CONSEGUIU SOBREVIVER À GUERRA.

EM TEMPOS DE PAZ, VOGEL, RECLERCQ E SEUS COMPANHEIROS

VIAJARAM PARA LIVORNO

PARA CONHECER RINA E SUA FILHA GRAZIELLA MARINA

QUE O COMANDANTE NÃO TEVE A FELICIDADE DE CONHECER.

DA FROTA DE 112 SUBMARINOS DA MARINHA REAL ITALIANA,

APENAS 19 SOBREVIVERAM À GUERRA.

TODOS OS OUTROS REPOUSAM NO FUNDO DO MAR,

COBERTOS POR CRUZES DE CORAL.

COMANDANTE

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